quinta-feira, 24 de junho de 2010

Roteiros amazônicos

Adenauer Góes
adenauergoes@gmail.com

Recentemente, fiz levantamento das novidades de roteiros oferecidos pelas principais operadoras de turismo no Brasil, tanto para o mercado consumidor nacional, como para o internacional. Cheguei a conclusão que evoluímos, embora pouco na oferta de produtos que oferecem o interior de certos estados brasileiros, por exemplo,achei roteiro que integra o Acre, chegando até Machu Picchu no Peru, ou ainda vários destinos no nordeste brasileiro,apresentando o sertão, como alguns que mostram os lugares por onde passou Lampião, o rei do cangaço,onde ele lutou, morou ou apenas passou, com museus demonstrativos de roupas ,armas,objetos pessoais e atrativos realmente interessantes que vendem um momento de nossa história.

Fiz este levantamento, para saber se podemos considerar rompida nossa secular relação com o litoral e suas praias. Nada contra as mesmas, mas será que esta é a única atração que temos para apresentar e vender para os turistas?

Tradicionalmente tem sido sempre assim, quando os portugueses aqui chegaram, se estabeleceram no litoral e adentravam aos sertões apenas para retirar o que era possível extrair, procuraram basear todo o ciclo econômico no litoral, de certa forma o turismo seguiu este ritmo, ou seja, ficou apenas nas praias de nossa costa, são praias lindas, porém concorrem com outras de beleza semelhante como as do Caribe e que acabam por levar vantagem em função de maior proximidade com o mercado consumidor. Esta é uma situação difícil para nossa competitividade internacional,pois as alternativas oferecidas, de ambientes,de pousadas para todos os gostos, de charme, exclusivíssimas, populares,resorts,enfim das mais diversas formas e maneiras, acabam por nos deixar sempre em desvantagem na matriz geral da relação preço-qualidade-distancia.

Conclusão: embora novos roteiros tenham chegado ao mercado,oferecendo o interior do Brasil,ainda são muito poucos quando comparados á oferta de praias.

Quando avaliamos as pesquisas mundiais, o que está no inconsciente do consumidor são as questões ligadas á ecologia, a natureza e dentro deste tema a Amazônia surge neste inconsciente de uma forma muito forte, neste sentido temos como competidores países como o Peru, Colômbia, Venezuela, Equador e outras que tem os mesmos problemas no que diz respeito à distância dos compradores, porém o Brasil leva a vantagem de ter bem mais envergadura econômica, estrutural e de visibilidade no planeta do que nossos competidores, além logicamente de determos 60% de toda a Panamazônia.

Até quando vamos deixar de levar isto em conta, falta uma política efetiva e concreta de desenvolvimento para a Amazônia, puxada pelo governo federal em sintonia com os estados.Falta-nos até competência para reivindicar.O momento eleitoral, é a melhor oportunidade para fazê-lo.Precisamos, no entanto ter organização e compromisso.

O tempo não para, já dizia o poeta Cazuza,será que não temos condições de fazer a hora e desta forma fazer acontecer?

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