Segundo a revista Exame, a Cerpa está em meio ao que pode se chamar de última
cartada. Na tentativa de profissionalizar a gestão, Helga Irmengard
Jutta trocou a
diretoria em 2012. Trouxe ex-funcionários da Heineken e da SABMiller e
negociou com bancos um empréstimo de 25 milhões de reais para fazer o
maior investimento de sua história. “A estratégia é resgatar a qualidade
e a credibilidade da marca”, diz o diretor comercial, Carlos Menegazzo.
Para conseguir caixa, firmou em 2010 um contrato para envasar cervejas
da concorrente Ambev. Pelo acordo, ganha 5,5 milhões de reais por mês,
ou um terço da receita. As vendas, após o fundo do poço de 2008,
voltaram a crescer. E, como sobraram poucas opções no mercado, o avanço
chamou a atenção de Ambev, Petrópolis, Heineken e dos fundos Tarpon,
Pátria e Advent, que sondaram a família nos últimos meses.
A Cerpa, por sua vez, continua sem controlador. A história lembra o
hiato que precedeu a posse de dom Pedro II, em 1841. Ele esperou uma
década da abdicação do pai até assumir o poder, aos 14 anos, na
“maioridade”. O único herdeiro da Cerpa, Konrad Franz Seibel, atualmente
tem 20 anos e também não pode ocupar o “trono”. De acordo com o
testamento do pai, ele só poderá assumir ao completar 24 anos ou
terminar a faculdade — ele cursa economia em Londres.
A última cartada
Enquanto isso, quem administra o dia a dia é sua mãe, Helga Irmengard
Jutta — a regente, para seguir na comparação histórica. Helga teve de
brigar na Justiça pelo direito de tocar a Cerpa enquanto seu filho não
cumpre os pré-requisitos previstos no estatuto. Em 2003, em meio a um
processo de divórcio, Karl ficou doente e teve de se afastar do
cotidiano da empresa. Mas não concordou em passar o bastão para a esposa. (Com informações de Patrícia Ikeda)
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