terça-feira, 21 de agosto de 2012
A luz e a penumbra no fim do dia em Santarém
Fim do dia.
Em Santarém, oeste do Pará.
A foto, publicada no blog Espaço Aberto, é de Emir Bemerguy Filho.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
domingo, 19 de agosto de 2012
Edmilson ganha no segundo turno, em Belém?
Trecho do artigo de capa do Jornal Pessoal, de Lúcio Flávio Pinto, que está nas bancas da capital, sobre a campanha do candidato do PSOL à Prefeitura de Belém, Edmilson Rodrigues:
" Todos
os analistas consideram que o deputado estadual Edmilson Rodrigues presença
certa na segunda votação, também considerada quase inevitável diante da
fraqueza das opções oferecidas ao eleitorado. Hoje, estaria eleito. Mas e no
segundo turno?
O
PSOL é um partido pequeno, o que desfavorece a volta de Edmilson à PMB. Mas
seus correligionários apostam que ele tem prestígio pessoal suficiente para
compensar a pobreza de meios para a sua propaganda. Não há dúvida, mas só esse
fator não será suficiente para manter o seu favoritismo. A imagem da
administração de oito anos do PT será esmiuçada e posta em questão.
Se
o rigor for sua medida, dificilmente alguém com discernimento endossará a
crença dos partidários de Edmilson de que ele foi um dos melhores prefeitos de
Belém. Sua posição real é do outro lado do ranking, na vasta faixa cinzenta dos
alcaides sem maior brilho, que tanto acertaram quanto erraram, com um saldo
negativo.
À
parte os efeitos fugazes do populismo, suas principais obras são um atestado de
incompetência: o primeiro (e único) viaduto urbano, o túnel malfadado, o
bondinho inviável (e caro), a João Alfredo fracassada, a bizarra (e também
cara) aldeia do carnaval, o pronto socorro mal ajambrado e muito mais. Sem
falar na manutenção dos mesmos vícios pelo exercício do poder de uma elite em
relação à qual o então petista pretendia ser alternativa.
Depois
de oito anos como prefeito, Edmilson volta a postular o cargo renovado e
enriquecido? Nada disso. Nas entrevistas, ele não admite que cometeu erros. Sob
insistência, diz que não se lembra de um erro. Seria uma volta aos mesmos
procedimentos de antes. Belém não merece essa reedição.
Não
há mais, a rigor, candidato de esquerda. Monopolista da ética, o PT a negociou
em praça pública, jogando fora o elemento que distinguia a esquerda dos demais
grupos políticos. Daí o eleitor não conceder um segundo mandato a Ana Júlia Carepa.
E talvez decida repetir a rejeição a Edmilson, cansado de retórica vazia.
sábado, 18 de agosto de 2012
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Manifestantes denunciam a Jatene crime ambiental no Juá
O governador Simão Jatene chegou a Santarém na manhã de hoje para uma série de inaugurações e assinatura de ordens de serviço na cidade e em Mojuí dos Campos.
No trajeto do aeroporto para o centro, a comitiva do governador foi parada por um grupo de manifestantes que denunciaram a Jatene a degradação da área de ambiental do Juá e matas ciliares pela empresa Burutis, que recebeu autorização da prefeitura de Santarém para construção de residenciais naquela área.
Os manifestantes lembraram ao governador que, há dois anos, foram retirados do local sob o argumento de que estariam praticando crime ambiental ao tentarem erguer seus barracos e que, agora, no mesmo local a construtora suprimiu extensa vegetação.
Sem ser hostilizado pelos manifestantes, Jatene se comprometeu a acionar imediatamente a Secretaria Estadual do Meio Ambiente(Sema) para apurar as denúncias.
Para entender melhor essa polêmica, leia matéria desta semana de O Estado do Tapajós:
Carajás: lago ou minério?
by Lúcio Flávio Pinto |
Em
1967, um pequeno grupo de geólogos, contratados por aquela que era
então a maior siderúrgica do mundo, a United States Steel, confirmou em
pesquisa de campo: 500 quilômetros ao sul de Belém, a 900 quilômetros do
litoral norte, em plena selva amazônica, havia a melhor jazida de
minério de ferro do planeta.
Carajás
era um paraíso. O minério mais usado pelo homem desde tempos imemoriais
aflorava no alto dos platôs cobertos por vegetação rasteira, em
altitudes que chegavam a 600 metros. As encostas eram tomadas, em grande
densidade, por árvores altas, que se espraiavam por todas as direções.
Circundando as serras, dois rios portentosos – o Itacaiúnas e o
Parauapebas – serpenteavam suas águas. A fauna era rica, exuberante.
Aquele lugar merecia servir de imagem para o Éden.
Minério
e natureza selvagem são termos acompanhantes – e também conflitantes,
antitéticos. A extração de um é feita à custa da integridade da outra.
Mas nunca esse choque foi tão forte quanto em Carajás.
Originalmente,
esse enorme depósito de ferro devia ser levado para os Estados Unidos,
como, em décadas anteriores, ocorrera com o manganês do Amapá, minério
vital para a siderurgia. Mas quando a US Steel se retirou do
empreendimento, em 1977, a estatal Companhia Vale do Rio Doce, que
sucedeu a multinacional americana, desviou o rumo para o Oriente. A
hematita do Pará atravessaria 20 mil quilômetros de mares e iria
preferencialmente para o Japão, até então abastecido pela Austrália, que
estava quatro vezes mais próxima.
Ao
chegarem a Carajás, os japoneses se deslumbravam. Diga-se que não era
apenas pelo fato de que o teor de hematita na rocha daquela região
possuía o dobro da qualidade do similar australiano. Era também porque a
rica paisagem contrastava com a aridez das zonas mineiras tradicionais.
Ambiente igual não existia. Só em Carajás.
Em
2007 a Vale, privatizada 10 anos antes, comemorou o primeiro bilhão de
toneladas produzidas em Carajás. Dava a média de 45 milhões de toneladas
por ano. Nos primeiros anos após a inauguração da mina, em 1984, a
produção não fora além de 25 milhões de toneladas, que era a meta do
projeto. Nos anos imediatamente anteriores ao 1º bilhão, a produção foi
de 90 milhões de toneladas.
Neste
ano já devia passar para 130 milhões, mais de um terço de toda a
produção da Vale, que é a segunda maior mineradora do mundo (depois da
anglo-australiana BHP Billiton) e a maior vendedora de minério de ferro
que circula pelos oceanos. Mas desde 2006 a produção não cresce,
derrubando as metas quantitativas fixadas pela empresa.
Era
porque a Vale não conseguia liberar seus novos projetos em Carajás. Só
no final do mês passado, depois de 10 anos sem expedir qualquer
documento para a companhia, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis aprovou o licenciamento ambiental para o
funcionamento da quinta mina na parte norte da jazida.
O
ato foi muito comemorado, mas dele não resultará qualquer modificação
na escala da extração. Melhorará apenas a qualidade da mercadoria, já
que a mina liberada contém minério de melhor teor do que o das minas já
em exploração e algumas a caminho da exaustão.
Para
a Vale, o mais importante é se essa aprovação indicar a tendência do
Ibama de repetir o licenciamento, talvez ainda neste ano, de uma nova
área de mineração, ao sul das minas que estão em atividade há quase 30
anos. A Serra Sul tem mais e melhor minério. Por isso proporcionará à
Vale dobrar a atual produção. Mas também é uma paisagem ainda mais
deslumbrante e rara.
No
conjunto de serras do sul do distrito mineral há um belo e profundo
lago perene. Talvez não haja um só igual em todas as zonas mineiras do
planeta. Há várias cavernas, nas quais o homem viveu, a partir alguns
milhares de anos atrás. São testemunhos arqueológicos valiosos. Um
antigo gerente de Carajás quis dinamitar cavernas da Serra Norte, que
abriram um novo capítulo para a reconstrução da presença humana na
Amazônia. Foi contido.
Desde
então, cavernas têm que permanecer intocadas em áreas de mineração. Se
assim continuar, Serra Sul não poderá existir. Mas ela é um projeto de
oito bilhões de dólares (10% desse total previstos para uso neste ano).
Ao preço de hoje, permitiria à Vale faturar mais do que US$ 10 bilhões
por ano, mandando 60% de toda a sua produção para a China.
São
quantidades de causar impacto, como vem acontecendo em Carajás desde
2001, quando os chineses, que até então eram um cliente de pouca
significação (compravam 5% do minério da Vale), começaram a avançar
sobre as montanhas de minério rico. Suplantaram seus vizinhos japoneses e
agora pesam nos destinos da Vale – e do Brasil – como, talvez, nenhum
outro país em toda a história nacional.
Graças
a isso, no ano passado o lucro líquido da Vale representou quase 10
vezes mais do que os US$ 3,3 bilhões pagos em 1997 ao governo pelo
controle acionário da estatal, a jóia da coroa das privatizações
realizadas a partir do governo Collor (e só na aparência interrompidas
pela administração do PT, aparência desfeita de vez pela alienação de
três aeroportos até então oficiais).
Quase
metade dos US$ 30 bilhões de lucro de 2011 serão investidos pela Vale
neste ano. O principal empreendimento é o de Serra Sul, que praticamente
recomeça a história de Carajás e dá um salto (talvez mortal) nas
transações com a China. Cavernas e lago terão vez nessa agenda de
cifrões?
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Estação Cidadania de Santarém será inaugurada amanhã
Agência Pará
Nesta sexta-feira (17), o governador Simão Jatene entrega à população de Santarém, município do oeste paraense, a primeira Estação Cidadania do interior do Estado. Na unidade, gerenciada pela Secretaria de Estado de Administração (Sead), o cidadão terá acesso a mais de 50 tipos de serviços. A inauguração será realizada às 11 horas, com a presença de diversos representantes do Executivo, além de Simão Jatene. Entre eles o vice-governador Helenílson Pontes; a secretária de Estado de Administração, Alice Viana; e a presidente da Companhia de Habitação do Pará, Noêmia Jacob.
Entre os serviços disponíveis está o de assistência jurídica, sob a responsabilidade da Defensoria Pública; a emissão de carteira de identidade, pela Polícia Civil; e cadastro de emprego e seguro desemprego, pela Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego e Renda (Seter). O cidadão também poderá emitir no complexo o título de eleitor e o Cadastro de Pessoa Física (CPF), e requerer produtos de créditos para pessoa física e jurídica – oferecidos pelo Bando do Estado do Pará (Banpará) –, e serviços de perícia médica para os servidores do Estado. Um cartório e posto do Procon também estarão disponíveis no local.
Atualmente, o único serviço que expede documentação civil em Santarém emite, em média, 60 documentos por dia. A nova unidade prevê atendimento mensal a 30 mil pessoas. A Estação Cidadania fica na avenida Rui Barbosa, próximo à Praça dos Três Poderes. O atendimento ao público será de segunda à sexta-feira, das 8 às 14 horas, e os agendamentos podem ser feitos por telefone ou pelo site www.estacaocidadania.pa.gov.br.
Programação
Durante a programação, o governador também entrega diversos benefícios à população do município. Por meio da Secretaria de Estado de Planejamento, Orçamento e Finanças (Sepof) e do Banco do Estado do Pará (Banpará), serão concedidos 121 créditos e entregues 17 motocicletas, através do programa Cred Cidadão. A Companhia de Habitação também entrega Cheques-Moradia aos servidores santarenos.
O governador ainda assina a Ordem de Serviço do ginásio poliesportivo de Santarém. O momento contará com a presença do secretário de Estado de Obras Públicas (Seop), Joaquim Passarinho, e da prefeita Maria do Carmo. Antes de iniciar sua agenda em Santarém, em Mojuí dos Campos, município vizinho, Simão Jatene entrega uma Unidade Integrada de Polícia, assina ordens de serviço e visita obras.
Rádio Rural promove debate com candidatos à Prefeitura de Santarém
O padre Edilberto Sena, diretor da emissora, será o mediador do debate entre os cinco candidatos à Prefeitura de Santarém, que será promovido pela Rádio Rural de Santarém, amanhã de manhã.
O programa sera dividido em cinco blocos de perguntas. O primeiro composto por perguntas formuladas a cada um dos candidatos pelo mediador.
No segundo bloco, os candidatos farão perguntas entre si.
No terceiro bloco, os candidatos serão instados pelos integrantes do departamento de jornalismo da emissora.
Os ouvintes da emissora participarão ao quarto bloco atrávés de perguntas feitas previamente e endereçadas à coordenação do debate até as 17 horas de hoje.
No quinto bloco os candidatos farão suas considerações finais.
O debate da Rádio Rural é coordenado por Joelma Viana e começa as 9 horas, logo após o programa Sinval Ferreira.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Alumínio: Desnacionalização a frio
by Lúcio Flávio Pinto
(Texto escrito na primeira quinzena de maio de 2010. Registre-se que a grande
imprensa, nacional e local, não deu importância ao fato.)
A
Albrás é a 8ª maior fábrica de alumínio do mundo, e a Alunorte, a maior
planta internacional de alumina. Representaram no ano passado um
faturamento bruto conjunto de 4,2 bilhões de reais e um lucro de R$ 385
milhões. Seus ativos somam R$ 9,4 bilhões, o patrimônio líquido é de R$
6,5 bilhões e o capital social alcança R$ 4,1 bilhões. São as duas
maiores empresas do Pará.
No
dia 2 elas foram completamente desnacionalizadas: passaram a ser de
propriedade norueguesa e japonesa. A Vale anunciou que, por quase cinco
bilhões de dólares, transferiu suas ações nas duas empresas para a Norsk
Hydro, que já era sua sócia na Alunorte.
O
negócio incluiu o controle da jazida de bauxita de Paragominas, das
maiores do mundo, a ser consumado no futuro, e o projeto de uma nova
planta de alumina, da CAP, em Barcarena, do tamanho da Alunorte, ou
maior.
A
transação pegou de surpresa a opinião pública e o próprio mercado.
Embora as negociações tenham durado seis meses, segundo o comunicado da
Vale, nada – ou quase nada – vazou dos ambientes de conversação. Foi uma
façanha.
Tão
surpreendente foi o pouco interesse que a revelação causou. Depois de
uma cobertura burocrática da imprensa nos primeiros dias, o assunto saiu
completamente da pauta – nacional e paraense.
Tempos
atrás um processo de desnacionalização tão súbito e profundo quanto
este provocaria acesa polêmica. O silêncio atual se explica pela
globalização da economia, que atravessou e eliminou as barreiras
nacionais?
Em
parte, talvez. Mas só em pequena parte. Uma razão maior pode estar na
convicção de que a Albrás nunca esteve realmente sob o controle da
empresa nacional, embora a antiga Companhia Vale do Rio Doce detivesse a
maioria das ações nas duas empresas do distrito industrial de
Barcarena, a 50 quilômetros de Belém.
A
inspiração do projeto foi japonesa, impulsionada pelas profundas
transformações que o Japão sofreu a partir do primeiro choque do
petróleo, em 1973. O empreendimento era de alto risco na época e por
isso foi bancado pelos dois governos, como uma imposição dos
entendimentos mais amplos que estabeleceram,. Um dos seus itens mais
importantes era a viabilização da exploração das jazidas de minério de
ferro de Carajás, as melhores do mundo.
Apesar
de todas as aparências em contrário, a Albrás era uma fábrica cativa
dos japoneses. A Vale detinha 51% do capital e podia comercializar com
liberdade o equivalente da produção, mas a empresa nunca chegou a se
identificar com a sua controlada. E quando a expansão da Albrás, que
estancou em 460 mil toneladas (esticadas a partir da capacidade
instalada inicial de 320 mil toneladas), esbarrou em vários problemas,
sobretudo o energético, a Vale se exasperou.
Seu
presidente Roger Agnelli, que impôs seu estilo agressivo à corporação,
chegou a ameaçar desmontar a fábrica e remontá-la em outro lugar do
mundo. Depois, conseguiu licença ambiental para uma grande usina térmica
a carvão mineral, de 600 megawatts (mais do que a potência de uma das
gigantescas máquinas previstas para a hidrelétrica de Belo Monte). Por
fim, participou de um dos consórcios que se apresentou ao leilão da
usina no rio Xingu, mas foi vencido.
Todas
essas iniciativas se anularam pela transferência das duas fábricas. É
um passo decisivo para a Vale abrir mão de presença ativa nesse mercado,
que poderá se completar com a venda dos 40% que possui na Mineração Rio
do Norte, que explora a mina de bauxita do Trombetas, a maior do país
em produção (de 17 milhões de toneladas).
Certamente
os responsáveis pela transação contra-argumentarão que a Vale passou a
deter 22% da Norsk Hydro, um quinhão considerável. Até a operação, a
empresa norueguesa era apenas a terceira maior produtora de alumínio da
Europa. Mas só atuava na ponta da linha, transformando o metal em
produto acabado (extrudado e laminado).
Começou
em 1999 a enfrentar essa deficiência, que se agravaria com o tempo pela
intensificação da concorrência mundial. Enfrentando as resistências das
outras multinacionais do alumínio, comprou 5% das ações da MRN.
Assim
passou a ter suprimento de minério. Em seguida, entrou na Alunorte,
estabelecendo o elo da cadeia, através da alumina. Agora é uma indústria
integrada, da matéria prima ao produto final. Passa a ter importância
mundial.
É
justamente essa a posição que a Vale perdeu. A ex-estatal pode ganhar
da perspectiva dos rendimentos financeiros, como associada da Norsk em
amplitude internacional, mas perdeu a condição de player, como são tratados aqueles que realmente contam, que têm poder decisório no jogo econômico.
O
Pará, como o principal Estado do polo de alumínio no país, passa a ser
dominado pelos cartéis (inclusive o nacional, do grupo CBA, da família
Ermírio de Moraes), completamente desnacionalizado.
É
a consolidação definitiva da regressão à condição de colônia mineral e
de semielaborados. O Brasil poderia ter quebrado o cartel das “seis
irmãs” quando o primeiro choque do petróleo inviabilizou para o Japão a
produção própria de alumínio, o mais eletrointensivo dos produtos
industriais.
Os
japoneses não hesitaram em se dirigir para o Pará, que oferecia
condições ideais para abrigar uma grande fábrica do metal. Mas os
brasileiros também podiam aproveitar essa oportunidade para não ficar
dependentes das maiores multinacionais, que impunham o preço no mercado.
Numa situação mais equilibrada, a parceria nipo-brasileira podia ser a
grande oportunidade para verticalizar por completo o setor e quebrar a
espinha dorsal do cartel.
Enquanto
a Companhia Vale do Rio Doce foi estatal, havia essa perspectiva. A
privatização desviou a empresa desse rumo. Sobretudo quando Agnelli
chegou, egresso do Bradesco (que, violando a vedação normativa, modelou a
venda da estatal), a prioridade passou a ser engordar os números,
maximizando os rendimentos.
Marcando
passo na escala de produção, a Albrás foi perdendo relevância para a
Vale, empenhada em resultados mais imediatos e indisposta a empreitadas
mais espinhosas, como a de abrir uma nova frente de geração de energia
em grande volume.
A
Alunorte, sem grande necessidade de energia e aproveitando o melhor
preço da alumina, se tornou bem maior do que sua irmã vizinha, apesar de
seu produto valer pelo menos quatro vezes menos. Para a Vale,
transferir Albrás e Alunorte para a Norsk Hydro foi um bom negócio. Mas
não para o Brasil e o Pará. Muitíssimo pelo contrário.
A
empresa norueguesa deverá dar um grande salto, que alcançará as bolsas
de valores, com seu novo perfil, de indústria integrada, com acesso a
uma valiosa reserva de bauxita (com garantia de suprimento por pelo
menos um século) e à maior fábrica de alumina do mundo.
Deverá
aumentar os rendimentos dos seus sócios, dentre eles, agora, a Vale. Ao
mesmo tempo, a participação do governo norueguês experimentou uma
sensível queda, de 43,8% para 34,5%. Não só para abrir espaço para a
mineradora brasileira como para prevenir alguma área de atrito e tensão
por causa da desnacionalização da Albrás e da Alunorte.
O
Pará, que podia se tornar um personagem no cenário mundial, se
conseguisse deixar de permanecer empacado na produção apenas de metal
primário, volta ao rabo da fila. Em mais este capítulo, vira colônia.
Sem dar um ai sequer.
Ao
contrário do que fez o governo norueguês nesta transação (como já
fizera o governo canadense numa situação inversa, três anos atrás,
quando a Vale comprou a Inco), o governo brasileiro não se manifestou
sobre a questão nem nela atuou. Passou batido. Afinal, para ele, a
Amazônia talvez seja como Marte: fica muito distante.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Capa da edição desta sexta-feira de O Estado do Tapajós
Clique na imagem acima para ver a primeira página da edição deste final de semana de O Estado do Tapajós.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Vale: um ciclo ainda em aberto
Lucio Flávio Pinto
(Texto escrito em novembro de 2001)
O
Pará está iniciando o quarto ciclo da mineração, que pode lhe permitir
deslocar Minas Gerais da secular posição de maior Estado minerador do
Brasil. Depois dos ciclos do alumínio, do minério de ferro e do caulim,
todos com destaques mundiais, agora é a vez do cobre.
Na
semana passada, a Companhia Vale do Rio Doce fez uma festa em Belém
para o lançamento do primeiro dos cinco projetos que estão previstos
para a extração de cobre das jazidas de Carajás, localizadas a quase 900
quilômetros do litoral do Maranhão, por onde o minério será embarcado
para o mercado exterior.
Só
o projeto da Mineração Serra do Sossego já envolve números
significativos. Ele fará a produção nacional de cobre contido aumentar
cinco vezes. Para isso, a empresa vai investir pouco mais de um bilhão
de reais (o equivalente a 400 milhões de dólares) para produzir
concentrado mineral com 141 mil toneladas de cobre contido, além de 3,5
toneladas de ouro por ano.
A
jazida do Sossego é 60% menor em volume físico do que o depósito
vizinho do Salobo, o mais antigo e pesquisado, mas o teor de cobre é
melhor, possibilitando economia de investimento, o que a fez sair na
frente. A Companhia Vale do Rio Doce acredita na viabilidade do negócio,
apesar da conjuntura internacional ser a pior em muitos anos para o
cobre.
A
queda de 30% nos preços e a formação de um estoque recorde de 500 mil
toneladas fizeram a parceira da ex-estatal, a americana Phelps Dodge,
recuar. A multinacional vendeu a metade que lhe cabia na sociedade à
própria Vale, agora única controladora da empresa.
No
discurso que fez na solenidade de lançamento do projeto, com previsão
de entrar em operação em 2004, o presidente da CVRD, Roger Agnelli,
garantiu que os outros quatro projetos previstos para o aproveitamento
dos demais depósitos do distrito mineral de Carajás serão também
executados.
Se
isso ocorrer, na segunda metade da década, Carajás estará produzindo
anualmente 490 mil toneladas de cobre contido no concentrado, mais 200
mil toneladas de catodo de cobre, e 20,3 toneladas de ouro, depois de um
investimento equivalente a 2,5 bilhões de dólares.
Por
enquanto, os únicos sócios a dividir esse custo com a CVRD são a
multinacional Anglo American, a maior produtora de ouro do mundo, e o
BNDES, em três dos projetos ainda não deslanchados. Mas certamente a
empresa espera atrair outros associados para a área. A esperança da Vale
parece ser a de demonstrar para eventuais interessados que é mais
vantajoso se estabelecer em Carajás do que manter-se em suas bases
atuais.
O
cobre de Carajás passará, então, a ter dimensão nacional e
internacional. O Brasil não produz atualmente mais do que 40 mil
toneladas por ano de concentrado. Como deve consumir algo próximo de 300
mil toneladas, precisa importar o produto, que vem do Chile e do Peru. O
país gasta, anualmente, 400 milhões de dólares com essa importação. Ela
consome o equivalente a 10% do saldo da balança comercial brasileira. É
o segundo dos produtos de origem mineral da pauta de importações
brasileiras, excluído o petróleo.
Mas
ao contrário do que pode sugerir o raciocínio lógico, Carajás, que tem a
terceira maior reserva de cobre do continente, não eliminará essa
dependência. Todo o concentrado ali produzido será exportado. Irá gerar
divisas, mas não acabará com o gasto nas importações de concentrado, que
continuarão a ser feitas. Assim, o Brasil se tornará significativo
exportador de cobre sem deixar de continuar a ser o maior importador da
América do Sul.
Esse
aparente absurdo se explica pelo fato de existir uma única indústria de
cobre no país, a Caraíba Metais, na Bahia, que utiliza o concentrado
produzido igualmente em território baiano por uma mineradora que dela se
desmembrou, mas que só garante menos de um quarto das suas
necessidades.
Seus
interesses não se afinam com os da CVRD, havendo um intrincado jogo de
pressões entre ambas e entre empresas interessadas no mercado
brasileiro. Uma das mais ativas é a Anglo American, que se deslocou da
África do Sul para a Inglaterra e quer ter uma base forte no Brasil.
Ao
complicador nacional agrega-se um elemento perturbador local. Desde
que, em 1979, o primeiro navio embarcou bauxita para o mercado
internacional, fala-se no Pará em “verticalização da produção”, hoje uma
expressão de largo uso entre empresários, técnicos e políticos, embora
seja pouco mais do que retórica.
Com
um rico subsolo, o Pará é o Estado mais “vocacionado” para a mineração
no Brasil. Mas é também um Estado cada vez mais consciente de que só
mineração não desenvolve lugar algum. É preciso avançar no processo de
transformação industrial do bem mineral, verticalizando sua produção e
agregando-lhe valor. É o único antídoto para as relações de troca
desiguais, que têm feito o Pará crescer que nem rabo de cavalo. Ou seja:
para baixo.
O
Estado já é o sétimo exportador da federação e o segundo em saldo de
divisas graças aos bens de origem mineral, responsáveis por 75% de suas
vendas ao exterior. Mas é o 17º em IDH (Índice de Desenvolvimento
Humano), o segundo mais pobre da Amazônia, no rabo da fila nacional.
Essa
situação só se tem agravado, embora o Pará, com o incremento da
extração das riquezas que estavam escondidas em suas entranhas
geológicas até o início do devassamento de suas riquezas através de
levantamentos detalhados, na década de 70, ostente posições de
prestígio.
Ele
é o terceiro maior exportador de bauxita do mundo. Começou com 3
milhões de toneladas há 20 anos. Em 2003 ultrapassará a marca de 16
milhões de toneladas. Nesse período se formou no Estado o polo de
bauxita, alumina e alumínio mais importante do continente, no qual a
CVRD está investindo US$ 570 milhões para ampliá-lo, mas a
“verticalização” estancou no metal primário.
É
justamente a partir desse ponto que a relação custo/benefício se torna
mais atraente. Há quase 20 anos fala-se em ir adiante na transformação
industrial, mas o que foi conseguido, uma pequena usina de fundição, tem
pouca expressão.
A
utilização da mais rica jazida de minério de ferro do planeta,
localizada em Carajás, vem sendo feita na mesma escala da bauxita: de 15
milhões de toneladas pulou para 35 milhões e ultrapassou há três anos
50 milhões de toneladas anuais, prometendo chegar a 120 milhões até o
fim da década. O máximo de verticalização alcançado foi a produção de
ferro gusa à base de carvão vegetal.
Novamente,
como no caso do lingote de alumínio, é exatamente aí que começam os
ganhos, que só se tornarão possíveis para o comprador desse bem
intermediário. Comprador que está além-mar, usufruindo os ganhos
comparativos.
O
enredo, que está demarcando também a consolidação do polo de caulim sem
papel, irá se repetir no nascente ciclo de cobre? Dos cinco projetos
colocados na prancheta pela CVRD, quatro ficarão na concentração do
minério, que será exportado e, lá fora, transformado em bens de maior
valor.
O
único empreendimento que prevê chegar à metalurgia é, talvez não por
mera coincidência, o mais complicado de todos, o da Salobo Metais
(associação da CVRD com a Anglo American). Começou mais cedo e, se seu
cronograma se sustentar, será o último a dar partida, em 2006,
juntamente com o aproveitamento da mina do Alemão.
Prevê
a produção de 200 mil toneladas de metal (além de 8 toneladas de ouro).
Ao que se sabe, a metalúrgica está sendo considerada porque as
características químicas e físicas do minério impossibilitam sua
comercialização na forma de concentrado.
A
implantação do projeto da Mineração Serra do Sossego e dos outros
quatro empreendimentos do polo de cobre de Carajás terá um grande
impacto na área, no Estado, no país e até no mercado internacional. Não
foi por acaso que o governador Almir Gabriel, do PSDB, convocou para a
solenidade de lançamento todo o seu staff.
A
mineração do cobre veio juntamente com a criação de um fundo, que, ao
final do tempo de vida útil da mina, de 15 anos, chegará a 360 milhões
de reais, controlado pela máquina estadual. Sobretudo em período
pré-eleitoral, os discursos do governador e do presidente da CVRD,
afinados, soaram como música para o esquema de lançamento do candidato
situacionista, ainda um traço nas sondagens de opinião pública.
Nessas
circunstâncias, cai como maná o anúncio de milhões de dólares em
investimento, milhares de novos empregos, obras de infraestrutura,
programas de compras na praça local e outros elementos de ativação
econômica.
Todos
esses elementos imediatos prevalecem sobre a retórica da
“verticalização”, de resultados mais demorados e de adoção mais difícil.
Exatamente como ocorreu nas festas do passado, quando foram celebrados
os inícios dos ciclos do alumínio, do minério de ferro e do caulim. E
que, como ocorreu em todas as partes do mundo, no passado e até hoje,
não conseguiram dar um passo além dos restritos limites da mineração.
O
Pará, ao que parece, seguirá essa tradição. Nada auspiciosa, apesar das
aparências. Alguns anos atrás, lutava-se pela industrialização do
minério. Agora, aceita-se como fato consumado que ele será apenas
enriquecido, do teor natural, um pouco mais ou menos de 1%, para 30% de
cobre contido. O beneficiamento será feito em outro lugar, provavelmente
bem longe. Como sempre.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
MRN faz 33 anos
O distrito de Porto Trombetas, no município de Oriximiná, está em clima de festa. No próximo dia 11,
a Mineração Rio do Norte comemora 33 anos de operações no oeste
paraense.
A festa acontecerá no Mineração Esporte Clube
sob o comando de duas bandas.
Congresso brasileiro homenageia reitor da UFOPA
O I Congresso Brasileiro de Áreas Úmidas,que acontece de 8 a 12 de agosto em Cuiabá (MT), irá homenagear o reitor da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Prof. Dr.
José Seixas Lourenço, por sua participação na criação do Centro de Pesquisas do Pantanal (CPP), que este ano completa 10 anos de existência.
A cerimônia de homenagem ocorrerá no dia 8 de agosto, às 19h,durante a abertura oficial do congresso, no Centro de Eventos do Pantanal, na cidade de Cuiabá (MT).(Com informações de Talita Baena)
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Mudanças no secretariado de Jatene
Do blog do Parsifal
EMBARALHANDO E PARTINDO
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O Diário Oficial do Estado
publicou (06.08) a nomeação de Sérgio Leão (1), que ocupava a
Secretaria Especial de Infraestrutura e Logística, para a Secretaria
Especial de Proteção e Desenvolvimento Social, antes ocupada por
Tereza Cativo (2), que agora é a titular da Secretaria
Extraordinária de Estado para Projetos Estratégicos.
A secretaria antes ocupada por
Sérgio Leão será assumida por Vilmos Grunvald (3).
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PMDB decide até amanhã se recorre do indeferimento do registro de Zé Antônio ou se anuncia outro vice para Zé Maria Tapajós
O PMDB santareno tem o prazo até amanhã para decidir se enfrenta ou não uma batalha judicial para tentar manter José Antônio Rocha na chapa de José Maria Tapajós.
Zé Antônio teve negado pelo juiz eleitoral Cosme Ferreira o pedido de registro de seu nome na chapa do PMDB que disputa a eleição para a Prefeitura de Santarém.
Se decidir acatar o indeferimento do registro de Zé Antônio, o nome do novo vice de Tapajós será o do ex-prefeito Ruy Corrêa ou de um empresário.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Marco Aurélio contesta exigência de 'prova cabal'
FAUSTO MACEDO
E FELIPE RECONDO
Agência Estado
Um dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)
incumbidos de julgar o processo do mensalão, Marco Aurélio Mello disse
ontem ao jornal O Estado de S.Paulo que reprova a convocação de sessões
extras para garantir a participação do colega Cezar Peluso - que se
aposenta compulsoriamente no dia 3.
"Não cabe estabelecer critérios excepcionais. Por enquanto eu sou um
espectador, vou me pronunciar, se isso for arguido, seguindo o meu
convencimento. Devemos observar as regras costumeiras, principalmente as
já assentadas. O tribunal não fecha após 3 de setembro. Eu tenho
dúvidas sobre a legitimidade dessa ampliação. Mais sessões para se ter o
voto do especialista maior em Direito Penal? Não podemos dirigir o
quórum, muito menos partindo da presunção de que ele (Peluso) votando
vai absolver ou condenar. Nem sei se o relator tem condições físicas
para realizar mais sessões do que o programado. Não podemos julgar
manipulando o quórum para ter um certo resultado. O STF com dez compõe o
sistema. O Regimento Interno exige mínimo de seis ministros", disse.
Marco Aurélio também se mostrou crítico à tese de que é preciso um
"ato de ofício" para condenar um réu por corrupção. "O que vão querer em
termos de provas (de corrupção)? Uma carta? Uma confissão espontânea? É
muito difícil", afirmou Marco Aurélio, ressaltando que não adiantaria
seu voto. "Você tem confissão espontânea de ladrão de galinha. Agora, do
traficante de drogas ou de um delito mais grave não tem."
Um dos poucos no Judiciário a falar e agir com tal destemor - em
especial no STF, onde está desde 1990 -, o ministro faz um alerta em
relação à convocação de mais sessões para garantir os votos dos 11
ministros. "Você não pode manipular quórum para chegar a resultado. Mais
sessões, a rigor e em última análise, está manipulando o quórum",
ponderou, recorrendo a uma dose de ironia para argumentar. "Vamos nos
reunir em sessões matinais, vespertinas e até noturnas, quem sabe, para
ele (Peluso) poder votar? Qual é o peso do voto dele? É 1, igual ao dos
demais."
Questionado sobre o fato que advogados e alguns ministros do STF
cobram uma prova de que o ex-ministro José Dirceu, por exemplo, estava
no comando, que ofereceu ou prometeu vantagens, Marco Aurélio disse:
"Claro que você tem que individualizar a pena. Quantos eram deputados à
época da denúncia? Treze? Isso é sintomático. Mas eu quero ouvir as
defesas. Segunda-feira (hoje) é dia importante, são os advogados. Quero
estar lá, sentado, ouvindo, é o contraditório, o juiz tem que sopesar. O
(procurador-geral da República, Roberto) Gurgel fez trabalho de
seriedade maior, mas tem que ouvir as defesas."
Sujeito safo
Questionado pela reportagem a quem beneficiava o esquema e se o então
presidente Lula não sabia, o ministro disse: "Você acha que um sujeito
safo como o presidente Lula não sabia? O presidente se disse traído. Foi
traído por quem? Pelo José Dirceu? Pela mídia? O presidente Lula sempre
se mostrou muito mais um chefe de governo do que chefe de Estado."
As
informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
De novo, placa do Parque da Vera Paz contém erros de grafia
Clique na imagem para ampliar e ler matéria publciada esta semana por O Estado do Tapajós.
Leia também:
Desrespeito à memória do maestro Izoca e ao poeta Emir Bemerguy
PT quer impedir na Justiça que mídia brasileira use a palavra "mensalão"
Um grupo de advogados ligados ao PT
em São Paulo pretende fazer com que a imprensa troque a palavra
"mensalão" por "Ação Penal 470" - a denominação oficial do caso -
durante a cobertura do julgamento no Supremo Tribunal Federal
(STF), informou a Folha de S.Paulo no
último domingo (5/8). "Queremos equilíbrio na cobertura. O termo
mensalão pressupõe um juízo de valor equivocado", explicou o coordenador
jurídico do PT Marco Aurélio de Carvalho.
Carvalho afirmou que a atitude não
representa um desejo da direção do PT. Segundo ele, o setorial tem uma
cultura democrática em que os militantes se organizam por temas de
interesse. O advogado ressaltou que a iniciativa não tem o objetivo de
censura, nem caráter autoritário, mas visa manter o equilíbrio da
cobertura. O grupo já começou a pedir para os veículos de imprensa a
troca do termo. Caso não seja atendido, estudará uma forma de recorrer à
Justiça.
Segundo ele, o grupo respeita e admira o trabalho da imprensa, no entanto, afirma que não cabe aos jornalistas a defesa de teses, "mas explicar o que está acontecendo no processo." O advogado citou a recomendação número 18 feita por Gilmar Mondes, em 4 de novembro de 2008, quando era presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para que fosse ponderado o uso de terminologias que pudessem expressar pré-julgamentos.
À IMPRENSA, a assessoria do partido ressaltou que a iniciativa não partiu do PT, não é oficial e não representa de forma alguma o desejo da legenda.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Leia também
Justiça barra delegados na eleição em Santarém
O juiz eleitoral Cosme Ferreira Neto indeferiu o registro das candidaturas dos delegados Jardel Guimarães(PDT) e Márcia Rabelo(PSB) à Câmara de Vereadores de Santarém.
Outra baixa importante na disputa ficou por conta do PMDB, que de uma só tacada perdeu três candidatos a vereador: Erlon Rocha, seu cunhado Sabita Assada Almeida e a sogra do vice-prefeito José Antônio Rocha (irmão de Erlon), Raimunda Rodrigues Oliveira.
Cosme Ferreira também deferiu o registro da coligação a prefeito PT-PDT, que havia sido impuganada pelo Psol.
sábado, 4 de agosto de 2012
Vale suspende duplicação da ferrovia Carajás-Itaqui
Lúcio Flávio Pinto
Desde
o dia 26 de julho estão suspensas as obras do maior investimento da
Vale para este ano. A duplicação da ferrovia de Carajás deveria absorver
2,7 bilhões de reais no período. Esses recursos representam 20% do
bilionário orçamento de investimentos da Vale para 2012. A mineradora é a
maior empresa privada do Brasil e do continente, uma das 50 do mundo.
Também é a maior exportadora do país. De cada 10 dólares depositados no
caixa do Banco Central, US$ 2 resultam de vendas da ex-estatal.
A
ferrovia tem 892 quilômetros de extensão. Vai da mina de Carajás, no
Pará, ao porto de Ponta da Madeira, na ilha de São Luiz, a capital do
Maranhão. Por ela trafega o maior tem de cargas do mundo. Com 400 vagões
e quatro quilômetros de extensão, esse trem faz nove viagens diárias.
Transportou no ano passado 130 milhões de toneladas, sendo 110 milhões
de minério de ferro. Ao fim de cada dia, o minério que movimentou
representa 30 milhões de dólares.
A
Vale quer elevar esse volume para 230 milhões de toneladas. Para isso,
tem que praticamente duplicar a linha. Os gastos com a ferrovia são os
mais pesados desse projeto. Junto com a ampliação do porto, consumirão
R$ 23,5 bilhões dos R$ 40 bilhões totais do empreendimento. Os outros R$
16,5 bilhões serão aplicados na mina e na usina.
Em
2016 os trens serão maiores, a ferrovia não será mais singular, a
produção atingirá um patamar recorde. Em três anos de implantação, será
alcançada a meta estabelecida. Aos preços atuais, o faturamento em
Carajás passará então de US$ 25 bilhões.
Prevê-se
que essa seja a obra mais cara da segunda década deste século no
Brasil. E das que maior faturamento – em moeda externa – proporcionará
ao país. Carajás tem a maior jazida de alto teor do mundo de minério de
ferro. Sua cotação está garantida, mesmo que haja variação em todo
mercado siderúrgico internacional. Ninguém possui nada melhor.
No
dia 26, porém, o juiz federal Ricardo Felipe Rodrigues Macieira mandou
suspender as obras no Maranhão. No Pará, já foram realizados 30% dos
serviços previstos. No Estado vizinho eles estavam começando. O juiz
concedeu as medidas antecipadas de tutela requeridas em ação civil
pública por três entidades: a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, o
Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e o Centro de Cultura Negra do
Maranhão.
A
primeira surpresa vem da correlação de forças: como é que um único
advogado, a serviço de ONGs de pequeno porte, conseguiu vencer a enorme
assessoria jurídica da poderosa Vale?
Examinando
o processo, alguém concluirá que não foi propriamente a consistência da
petição inicial dos autores que levou o juiz federal a conceder a
medida: em seu favor laborou com eficiência o outro réu na contenda, o
Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis). Os que desejam parar a duplicação da ferrovia não fariam
melhor do que ele.
Os
representantes do Ibama reconheceram que o licenciamento da obra não
seguiu o modelo completo, mas a forma simplificada. A Vale não precisou
elaborar um EIA-Rima (Estudo de Impacto Ambiental-Relatório de Impacto
Ambiental). Ela foi autoridade a realizar apenas estudos simplificados e
isolados, como se estivesse fazendo reformas e consertos na linha
férrea.
É
espantoso que tenha sido assim diante de uma empreitada que vai tornar
ainda maior o impacto da ida e vinda de uma composição com quatro
locomotivas e 400 vagões, que leva quatro minutos passando em
determinado ponto. E que criará o maior corredor de escoamento de
minério do planeta.
O
Ibama disse que se permitiu esse procedimento com base no seu poder
discricionário, como o órgão ambiental do governo federal, autorizado
por lei a assim agir. E foi além: está fazendo licenciamentos parciais,
que seguem, por isso mesmo, rotinas pulverizadas. Não há uma visão
global da obra nem a possibilidade de vislumbrar o seu significado. É
exposta por partes, retalhada.
Esse
tipo de visão parece se basear num simplório senso comum: o eixo da
ferrovia já existe e ela está em funcionamento desde 1985. Só que o
impacto inicial de Carajás foi gradual até o final do século passado.
Sobretudo depois de 2001, entrou num ritmo frenético, com a abertura do
mercado chinês.
Hoje,
a China compra 60% desse filé-mignon ferrífero. O Japão fica com 20%.
Em apenas três anos, a nova etapa de Carajás (batizada de S11D) fará o
que, antes, exigiu três vezes mais tempo. A obsessão pela velocidade
levou a Vale a inovar na tecnologia de extração do minério: na nova
mina, no lugar dos imensos caminhões carregados de minério, o transporte
será feito por esteiras rolantes. É a primeira mina de ferro com essas
características no mundo.
Essa
busca pelo máximo parece ter impedido a Vale e o Ibama de atentarem
para as pessoas que existem ao longo dos quase 900 quilômetros da
ferrovia, em 20 municípios. Índios, descendentes de quilombolas,
camponeses e outros personagens viraram abstração, que acabou por se
materializar na ação e na sentença do juiz federal.
Só
não se materializou na grande imprensa nacional. Quem percorrer os
jornais e circular pelos canais de televisão deixará de assistir a essa
atração do momento: a luta entre David e Golias nos sertões do Maranhão.
Como o programa não tem patrocinador, a imprensa não lhe dá atenção.
A
Vale, dentre outros títulos, é também a maior anunciante privada do
Brasil. Isso conta. E muito. Por isso, a empresa não se deu ao trabalho
de explicar-se ao distinto público. Sua explicação deve ter sido em petit comitê, como dizem eles, os brancos, que. assim, sempre se entendem.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
MP Eleitoral lança o disque-denúncia
O
Ministério Público Eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral e a
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lançaram o serviço de
atendimento telefônico para comunicação de denúncias sobre
irregularidades nas eleições 2012.
Com
o serviço o cidadão terá a possibilidade de denunciar todo tipo de
irregularidades, como propaganda ilegal, tentativas de compra de votos,
participação de candidatos em inaugurações de obras públicas e
arrecadação irregular de recursos para a campanha.
Nas eleições de 2010, foram formalizadas 384 denúncias pelo serviço.
O
disque-denúncia eleitoral atenderá pelo número 0800-0960002 de segunda a
sexta-feira, das 8h às 17h. Nos 15 dias anteriores às eleições o
atendimento será feito 24 horas por dia, durante todos os dias da
semana, incluindo os sábados e domingos.
Além
do disque-denúncia, as irregularidades podem ser informadas ao
Ministério Público Eleitoral pela internet, no formulário disponível em http://www.prpa.mpf.gov.br/institucional/pre/denuncia, disponível para os cidadãos todos os dias da semana, 24 horas por dia.
Fonte: Ministério Público Eleitoral
Governador petista ganha elogios do "FT" por ter privatizado hospital
No Blog do Parsifal
A edição de 31.07 do “Financial Times” tece elogios ao governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), em uma reportagem sobre políticas de saúde no mundo.
O
jornal cita o sucesso das Parcerias Público-Privadas (PPPs) no Brasil e
exemplifica com o “Hospital do Subúrbio”, em Salvador, que foi
privatizado, em PPP, pelo governo petista de Wagner.
> Avaliação desatualizada
Mas o “FT” derrapa ao avaliar que “o fato de o governador da Bahia ser ‘do estatista Partido dos Trabalhadores’ e ter lançado a PPP do hospital com um evento na bolsa de valores, é significativo.
Desde a eleição de Lula, em 2002, a intelligentsia
petista abandonou o discurso estatista. A “Carta ao Povo Brasileiro”,
escrita e publicada pelo PT naquela campanha, já representava uma
ruptura (os petistas insistem que foi uma atualização) com a esquerda e
uma sinalização ao centro.
> Leis estaduais de PPPs são cópias da Lei Federal de Lula
As
leis estaduais de parcerias público-privadas (inclusive a do Pará) são
fidedignas cópias da Lei Federal de PPPs (Lei nº 11.079/04) enviada ao
Congresso pelo ex-presidente Lula e por ele sancionada.
> Privatizações de Dilma Rousseff
A
presidente Dilma Rousseff acaba de privatizar os mais importantes
aeroportos do Brasil e tem mais uma leva no prelo, está aguardando as
eleições se finarem para passar o martelo nos principais portos e em
algumas rentáveis rodovias nacionais.
Acredito que nesse trote Dilma acabará tomando, de Lady Margaret Thatcher, o título de maior privatista da história.
Portanto
qualificar o Partido dos Trabalhadores como “estatista” é, no máximo,
uma ofensa e, no mínimo, uma descortesia para com a sua história do
último decênio.
> O PT vende melhor
Uma
coisa, todavia, nas privatizações, o PT faz muito melhor que o PSDB:
vende bem mais caro, pois os tucanos venderam por preço de banana em fim
de feira, o que deveria ter sido entregue a peso de ouro maciço.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Por quê Santarém não será local de treinamento de seleções para Copa de 2014?
Miguel Oliveira
Repórter
O jornal O Estado do Tapajós antecipou com exclusividade, logo após a vistoria técnica que a FIFA fez, em 2 de agosto do ano passado, que Santarém não teria chance de disputar a indicação para sediar treinamentos de uma das quatro seleções que farão seus jogos classificatórios, em Manaus, durante a Copa do Mundo de 2014. Hoje, Belém foi a escohida.
Segundo a principal coluna do jornal (Coluna do Estado) o principal entrave à candidatura de Santarém à sede de treinamento de seleções perante à FIFA era e continuará sendo sua acanhada e antiquada rede hoteleira.
Nesse item de avaliação, O Estado do Tapajós informava que, segundo uma fonte credenciada junto à FIFA, o comitê de vistoria anotou que nenhum hotel atendia aos requisitos exigidos por aquela entidade e, que, independente da Copa em Manaus, o Hotel Barrudada, indicado pela prefeitura de Santarém como sendo hotel-referência, informava com exclusividade o jornal, não estaria dispostor a fazer investimentos no montante de R$ 2 milhões para se adequar às exigencias da FIFA.
Embora a prefeitura de Santarém tenha criado na mídia a imagem que a cidade estava no páreo, tendo a PMS feito gestões diretamente junto ao Comitê da FIFA, no Rio de Janeiro, e ao Ministério dos Esportes, em Brasília, este jornalista que vos escreve alertou a prefeita Maria do Carmo, por mais de uma vez, que Santarém não tinha nenhuma chance de superar a deficiência da rede hoteleira. E que nem mesmo o esforço do governo estadual de repassar o Estádio Barbalhão ao comitê da Copa do Mundo teria o condão de infuir a favor de Santarém.( leia aqui)
Em se tratando de estádio Barbalhão, vale lembrar que projeto e maquete virtual do novo estádio reformado e ampliado foram apreentados no dia 15 de fevereiro pelo governador Simão Jatene, aqui em Santaém que, cauteloso, anunciou que a obra não seria feita apenas visando a Copa de 2014. " O estádio vai sair, independente da escolha de Santarem. Eu não queria alimentar essa expectativa porque poderá ser motivo de frustação. O importante é que, se Santarém for centro de treinamento, teremos um moderno estádio, se não for, embora eu torço para que seja, Santarém também contará com um moderno estádio de futebol", adirmou Jatene naquela oportunidade.
Embora já tenha decorrido mais de 6 meses da apresentaçao da maquete, a Seop não cumpriu prazo de conclusão da licitação para reforma e ampliação do estádio Barbalhão, que estava prevista para ocorrer até o final de julho de 2012.(leia aqui)
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