quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A destruição amazônica: constante, ontem e hoje

Lúcio Flávio Pinto
Articulista de O Estado do Tapajós



O milionário americano Daniel Keith tinha 70 anos quando começou, em 1967, uma aventura equiparável à do seu compatriota, Henry Ford, empreendida 40 anos antes no vale do Tapajós. Ford tentou adensar pés de seringueira na mata nativa amazônica, na qual essa espécie teve origem, para que a produção se tornasse comercialmente rentável. Mas fracassou.
Ludwig iria substituir as árvores da Amazônia por uma espécie asiática quase desconhecida. A característica da gmelina arbórea era crescer mais rápido e dar muito mais celulose do que as fontes tradicionais dessa fibra, o pinho e o eucalipto.

Ludwig montou um exército de homens e máquinas jamais visto na região para colocar abaixo milhares e milhares de árvores, à média de 10/12 mil hectares por ano, empregando em média oito mil peões. Cem mil hectares da típica floresta tropical, com a maior diversidade de espécies vegetais do planeta, abrigariam uma floresta plantada de uma única espécie – e exótica. A gmelina, até então nunca usada para a produção de celulose, iria servir ao “pulo do gato” de Ludwig sobre os concorrentes, surpreendendo-os e os vencendo.

O pulo deu tão errado quanto o de Ford. O solo fraco não foi uma boa base para o desenvolvimento da árvore asiática, exigente de nutrientes. Nas manchas de terra fértil seria um desperdício plantá-la. A homogeneização de uma floresta tão intrincada levou a efeitos nefastos. A gmelina foi arrancada, a enorme custo, e substituída pelo eucalipto.

No auge do desmatamento do Projeto Jari, que o milionário imaginava alcançar 3,6 milhões de hectares entre o Pará e o Amapá (as terras legalizáveis somavam “apenas” 10% dessa pretensão), os peões tinham ao seu dispor 700 motosserras no almoxarifado, estoque renovado anualmente, o maior da América do Sul.

Quando entravam na mata, era uma barulheira infernal. Acidentes se repetiam porque, ensurdecidos pelo barulho, alguns trabalhadores não escutavam o barulho das árvores caindo. Vários morreram esmagados. Diz a tradição oral que um por cada mil hectares desmatados.

Na Amazônia de hoje essa cena, de verdadeira guerra contra a floresta, não se repete mais. No entanto, continua a prática de queimar ou derrubar floresta virgem para abrir espaço a outros tipos de cultivo do solo, como a pastagem para o gado e a soja extensiva. É a guerrilha antifloresta.

Uma simples consulta a qualquer publicação decente sobre a Amazônia revelará ao interessado que a árvore em pé vale muito mais. Podia render incomparavelmente mais do que a pecuária e a agricultura se o pioneiro, aquele que mais desmata, soubesse ou pudesse explorar a floresta, praticar a silvicultura ou ter acesso a outras formas de utilização do seu potencial. Como não tem, faz o que está acostumado a fazer: trocar a cobertura vegetal por gado e plantas menores, culturas de ciclo curto.

A cena de um desmatamento é para horrorizar e revoltar aquele que conhece a Amazônia. Era para não ser mais repetida. O vazio aberto na região pelos desmatadores na antiga mata densa (e em outras formas de vegetação) é três vezes maior do que o Estado de São Paulo, reduto de um terço da riqueza nacional, o PIB (Produto Interno Bruto). É mais do que suficiente: é um exagero, uma ofensa à inteligência humana, um escárnio, uma violação à soberania nacional.

Quem quiser ver já pode acompanhar a queda de uma árvore através de imagens reais. Há algumas delas no excelente clip Earth (Terra), de Michael Jackson. Mas agora há uma imagem ainda melhor: a queda de uma enorme árvore é registrada por uma microcâmera instalada em seu tronco, que a acompanha até o solo.

Só alguém do reino mineral não se tocará por essa imagem, uma das muitas que levam ao deslumbramento no documentário Amazônia eterna, do carioca Belisário Franca, apresentado pela primeira vez na Rio + 20.

Os desmatadores, é claro, não se sensibilizam. Em setembro eles colocaram abaixo 431 quilômetros quadrados (ou 43 mil hectares, quatro vezes mais do que a média insensata das derrubadas anuais no reino de Mr.Ludwig) de floresta nativa. Foi 154% a mais do que no mesmo mês de 2011. Para o poeta T. S. Elliot, abril é o pior dos meses. Para a “terra arrasada” da Amazônia em 2012, foi setembro, divisor entre o verão e o inverno.

Setembro já devia ser de desmatamento declinante. Mas a estiagem forte e o debate passional sobre o novo Código Florestal, que pretendia impor mais limites à devastação amazônica, estimularam apetites especulativos e mercantis, liberaram os piores instintos, deixaram a inteligência do lado de fora dos limites amazônicos.

Os índices, divulgados pelo Imazon, instituto de pesquisas com sede em Belém, desta vez permitem ver sem qualquer sofisma o núcleo da destruição: 68% dos desmatamentos aconteceram no Pará, enquanto Mato Grosso, em segundo lugar, sofreu “apenas” 14%.

Os cinco municípios mais desmatados estão todos no Pará, que abriga oito dos 10 primeiros em destruição florestal na Amazônia. O alvo principal foi Altamira, onde 126 km2 foram destruídos (em Cumaru do Norte, no 2º lugar, foram 28,3 km2). Três dos oito municípios mais desmatados no Pará estão na área de influência da hidrelétrica de Belo Monte, prevista para ser a terceira maior do mundo.

Quem possui olhos para ver sabe que essa destruição tão bem localizada e concentrada é produto das ondas de indução que escapam às estatísticas quantitativas, à versão oficial e ao discurso dos que agem como querem, ignorando a particularidade do território sobre o qual intervêm. Mesmo que ele seja de dimensão amazônica.

Pobre Amazônia. Até quando?

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Justiça veta emissão de licença para hidrelétrica de São Luiz do Tapajós

Justiça Federal - Seção Judiciária do Pará
Seção de Comunicação Social

      O juiz federal José Airton de Aguiar Portela, da 2ª Vara da Subseção de Santarém, proibiu nesta segunda-feira (19), que a União, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Eletrobras e Eletronorte concedam licença ambiental prévia para a construção da Usina Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, que vai afetar diretamente os municípios de Itaituba e Trairão, na região oeste do Pará.

      Na decisão que concedeu a liminar, (veja a íntegra), a Justiça Federal determina que a licença ambiental prévia só poderá ser concedida após Avaliação Ambiental Integrada (AAI) em toda a bacia dos rios Tapajós e Jamanxim, com base em critérios técnicos, econômicos e socioambientais. A avaliação deverá considerar, inclusive, “a necessidade de mitigações e compensações no que diz respeito à infraestrutura urbana, rodoviária, portuária e aeroportuária, além de investimentos em saúde e educação nos municípios de Santarém, Jacarecanga, Itaituba, Novo Progresso, Trairão, Rurópolis, Aveiro e Belterra.”

      A liminar também ordena que o Ibama, a Aneel, Eletrobras e Eletronorte ouçam as comunidades indígenas Andirá-Macau, Praia do Mangue, Praia do Índio, Pimental, KM 43, São Luiz do Tapajós e outras que não tenham sido localizadas. Só ficarão dispensadas da audiência as comunidades indígenas que se recusarem a opinar sobre o aproveitamento hídrico nas áreas em que habitam, devendo a recusa ser demonstrada claramente pelos réus.

      A Usina Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós é projeto que integra o Complexo Tapajós, conjunto de sete grandes usinas hidrelétricas projetadas para a produção de energia, cuja fonte é o barramento dos rios Tapajós e Jamanxim. Segundo a ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal, uma série de medidas legislativas e administrativas vêm sendo tomadas, sem levar em consideração os impactos decorrentes do empreendimento.

      A Eletronorte e a Elotrobras alegaram que os estudos de impacto ambiental realizados não indicam a possibilidade de prejuízos ambientais ou às comunidades tradicionais. Argumentaram ainda que, apesar ausência de exigência legal, a Avaliação Ambiental Integrada (AAI) sobre a bacia do rio Tapajós está em fase de contratação pelos empreendedores junto a uma empresa, estimando-se que os procedimentos administrativos se encerrarão em março de 2013, antes da finalização do EIA/Rima para entrega ao Ibama.

      Portaria - O juiz José Airton Portela reconhece que não há lei que imponha diretamente a observância de AAI para aprovação de inventário. Tal obrigação está prevista na Portaria nº 372/2009, do próprio Ministério das Minas e Energias – MME. “Diante disso, cabe então responder-se à seguinte pergunta: podem os órgãos públicos envolvidos no projeto hidrelétrico em debate deixar de observar a determinação da Portaria Ministerial 372/2009? A resposta há que ser negativa”, afirma o magistrado.

      Para Portela, a observância da Avaliação Ambiental Integrada “é medida protetiva e como tal dispensa lei como instrumento de materialização, já que apenas cumpre determinação do art. 225 da Constituição Federal, quando impõe ao Poder Público e a coletividade o dever de defender e preservar o meio ambiente”.

      O Poder Público, acrescenta a decisão, “não pode negligenciar regras que ele próprio instituiu, por mais urgentes que sejam as demandas energéticas do Pais, pois não surgiram da vontade caprichosa de algum burocrata, mas como reclamo da própria realidade da exploração dos potenciais hidrelétricos no Brasil, que registre-se, revelou-se desastrosa por não tomar em consideração os diversos elementos presentes em uma bacia hidrografia.”


Von defende emendas para obras em Santarém a partir de 2013

Foto: J. Nascimento/O Estado do Tapajós
O prefeito eleito Alexandre Von participa hoje, 20, e amanhã, quarta-feira, 21, em Brasília, de reuniões com a bancada parlamentar do Estado do Pará no Congresso Nacional. Alexandre estará em contato com os deputados federais e senadores para definição das emendas ao Orçamento Geral da União para o exercício do ano de 2013.

Von visitará, também, os gabinetes dos parlamentares para garantir a apresentação de emendas individuais que assegurem recursos para o Município de Santarém em diversas áreas, principalmente: infraestrutura (urbana e rural), saúde, educação, turismo e esporte e lazer.(texto: assessoria de transição)

A reforma administrativa do prefeito eleito Alexandre Von

Miguel Oliveira
Repórter

Podem ocorrer, ainda, pequenos ajustes ao texto final.

Mas apenas um dos órgãos criados por Maria do Carmo vai sobreviver, embora com status inferior, à reforma administrativa que será levada a efeito pelo prefeito eleito Alexandre Von(PSDB).

Segundo o Blog do Estado apurou, na mensagem que será enviada à Câmara ainda pelo atual governo, a secretaria de habitação será transformada em coordenadoria de desenvolvimento urbano e habitação.

As demais secretarias hoje existentes serão reduzidas ao máximo a doze, extintas ou fundidas entre si.

A secretaria de agricultura incorporará a Sempaf e terá acrescido ao nome o termo ‘produção familiar’. A secretaria de governo será extinta, mantendo a chefia de gabinete com status de secretaria.

A secretaria de transportes e trânsito vai absorver a secretaria de organização portuária.

Serão extintas as secretarias de desenvolvimento econômico e segurança cidadã. A defesa civil se vinculará à chefia de gabinete.

Serão extintas as coordenadorias do orçamento participativo,  ação comunitária e integração regional.

Será criada a secretaria da juventude, esporte e lazer.

Prossegue bloqueio na Transamazônica


A rodovia Transamazônica continua bloqueada à altura do Km 140 (Ponte Grande), município de Rurópolis, oeste do Pará, nesta terça-feira (20). Os agricultores da região estão se manifestando para exigir que o governo atenda às demandas históricas da região.

O protesto naquela rodovia começou ontem (19). Participam da ação por volta de 500 agricultores de Rurópolis, Itaituba, Trairão e Aveiro.

Os agricultores exigem o asfaltamento da Transamazônica e BR 163 (Rurópolis ao Km 30), acesso à energia elétrica, regularização fundiária e revisão das unidades de conservação que sobrepõem assentamentos já existentes, além de políticas públicas nas áreas de educação, saúde e segurança.

Como resultado da mobilização, o governo se propôs a realizar uma audiência para ouvir as demandas relativas ao projeto Luz Para Todos nesta quarta-feira (21) em Rurópolis. Para discutir os demais pontos da pauta, foi proposta uma reunião da comissão de negociação com os ministérios e órgãos competentes (MMA, Incra, MME, etc) em Brasília no da 27.(Fonte: Assessoria MAB)

O golpe na eleição para a cúpula do TJE-PA


Lúcio Flávio Pinto
Editor do Jornal Pessoal

Há vários anos não tem disputa para valer pela presidência do Tribunal de Justiça do Pará: ou há chapa única ou a disputa é apenas formal. Devia ter sido assim neste ano, mas não foi. Até havia a expectativa de que a vencedora seria a chapa liderada pela desembargadora Vânia Fortes Bitar Cunha, tendo como vice o desembargador João Maroja. Por uma razão fundamental: ela tinha o apoio do desembargador Milton Nobre, ex-presidente (e atual vice-presidente) do TJE e ex-representante do tribunal, por dois anos, no Conselho Nacional de Justiça.

Milton Nobre é figura central desde que foi admitido como desembargador, graças ao quinto constitucional conferido à Ordem dos Advogados, a mesma prerrogativa estranha de que se vale o Ministério Público para também apontar um desembargador a cada cinco escolhidos (sem que haja juízes no MP e na OAB),

A grande surpresa da eleição foi a vitória da chapa de oposição, tendo à frente a desembargadora Luzia Nadja Guimarães Nascimento, para o biênio 2013/14 (na vice-presidência o desembargador Cláudio Montalvão das Neves). O placar, de 15 a 14, revelou o quanto foi dividida a votação. Nada indicava, porém, que isso viesse a acontecer. A aparência de paz e tranquilidade do período anterior parecia confirmar mais uma vitória do desembargador Milton Nobre.

A grande surpresa de todos quando a apuração terminou levou a uma dedução imediata: houve traição à chapa situacionista, que já se imaginava conduzida ao topo do poder do judiciário paraense. A traição só podia ter sido cometida por alguém com trânsito entre as duas chapas e que escondera seu jogo duplo até o último momento. Quem podia ser? As especulações foram intensas, mas o nome mais lembrado foi o de um personagem menos provável: o desembargador Rômulo Nunes, que presidiu o TJE por indicação de Milton Nobre, de quem sempre esteve muito próximo.

Como nenhuma fonte parecia disposta a revelar o segredo e oficialmente foi negada a possibilidade de traição, os boatos se dirigiram para o procurador Manoel Santino Nascimento, marido da nova presidente do TJE e ex-chefe do MP estadual. A ilação se fazia, entretanto, apenas pela vinculação familiar dos personagens.

A influência de Santino no próprio MP (onde sua esposa também teve sua origem) é muito tênue atualmente e seu peso junto ao TJE menos ainda. Talvez o máximo que ele consiga agora é realizar o sonho de chegar ao desembargo, mas há quem duvide de que ele mantenha essa pretensão ou de que ela possa ser realizada.

A hipótese da traição é mais forte do que essa, mas ninguém pode sustentá-la, por falta de provas. Os bastidores da eleição foram preservados. Se houve trama para desviar os rumos da disputa, ela se realizou protegida por sigilo raro nos corredores forenses. Indicação do receio que tinham os articuladores da dissidência do poder do desembargador Milton Nobre. Se era para reduzir seu prestígio e força, o golpe teria que ser silencioso. Como parece ter sido.

Santarém recebe Seminários Novos Gestores

A Federação das Associações dos Municípios do Estado do Pará (FAMEP), suas Associações e Consórcios vão realizar nos dias 22 e 23 de novembro, no Barrudada Tropical Hotel, em Santarém, o Seminário ‘‘Novos Gestores – Prefeitos Eleitos e Seus Desafios”. No Seminário, serão discutidas as reais competências políticas e administrativas dos Municípios e o desenvolvimento de um modelo de gestão eficiente para executar suas atribuições. Os temas abordados se relacionam ao cotidiano da administração pública municipal como Saúde, Educação, Finanças, entre outros. 

O público alvo são prefeitos e vice-prefeitos eleitos e reeleitos. Aqueles que não puderam comparecer na etapa realizada em Belém, em outubro, estão convidados. 

O Diretor Financeiro da FAMEP, Iran Lima, prefeito de Moju, alerta para o calendário dos Seminários. “O Seminário ‘Novos Gestores’ é uma forma de alertar e apontar as primeiras medidas do gestor municipal. Aqueles que não puderam comparecer no Seminário realizado em Belém terão a oportunidade de participar em Santarém, nos dias 22 e 23 e depois em Marabá, nos dias 28 e 29. Após estes seminários, a FAMEP fecha o ciclo de orientação aos prefeitos eleitos no estado do Pará”.(Ascom Famep)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Jari fechará sua fábrica de celulose em Monte Dourado


Lúcio Flávio Pinto
Articulista de O Estado do Tapajós

O grupo Orsa, de São Paulo, anunciou na semana passada, em São Paulo, a intenção de interromper por quase um ano, a partir de janeiro, as atividades da sua fábrica de celulose instalada em Monte Dourado, no Pará. A paralisação duraria 10 meses. Nesse período a fábrica, especializada em celulose de fibra curta, seria substituída por outra unidade para passar a produzir celulose solúvel, em outubro de 2013. Todos os funcionários atualmente contratados, cujo total varia entre cinco mil e seis mil, seriam demitidos. Nas suas novas operações, a fábrica irá utilizar um contingente muito menor de empregados.

O encerramento da produção de celulose faz parte de um rearranjo que a International Paper, maior produtora de papéis do mundo, realiza desde que adquiriu recentemente 75% das ações do Grupo Orsa. A unidade de Monte Dourado passaria a ser fornecedora de matéria prima para as outras três fábricas de papelão para embalagens e quatro unidades de produção de embalagens de papelão ondulado do grupo. A companhia americana planeja investir 470 milhões de dólares (952 milhões de reais) na nova fábrica do Jari.

De acordo com o comunicado feito pela empresa, os ativos de embalagem serão separados dos negócios florestais e de celulose e transferidos para a nova empresa, como parte da estratégia da IP “de crescimento de sua presença global no setor de embalagens e de melhorar os serviços aos seus clientes ao redor do mundo”. A expectativa das companhias é que a transação seja concluída no primeiro trimestre de 2013, já que o negócio terá de ser submetido ao crivo de órgãos governamentais.

Dirigentes sindicais e alguns políticos do Pará e do Amapá, onde a Jari se instalou, começaram a pressionar para tentar garantir os atuais empregos. O principal alvo das gestões é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES, que concedeu 145,4 milhões de reais à Jari Celulose, para a modernização da unidade industrial de Monte Dourado, localizada no município paraense de Almeirim, e ao plantio de até 33,7 mil de hectares de florestas de eucalipto no período de 2006 a 2008. 

O dinheiro do BNDES corresponde a 70% do custo total do empreendimento, de R$ 207 milhões. Esse visou a manutenção da competitividade internacional da empresa, a partir da redução de custo de produção proporcionada pelos investimentos industriais e do aumento da rentabilidade dos seus ativos florestais.

O Projeto Jari começou em 1967, quando o milionário americano Daniel Keith Ludwig comprou uma vasta extensão de terras junto à foz do rio Amazonas para produzir celulose, papel, arroz e bauxita refratária. A fábrica entrou em operação em 1979. Três anos depois um grupo de 32 empresas nacionais, lideradas por Augusto Antunes, da Caemi, assumiu o controle da Jari.

Ludwig se recusou a continuar pagando o empréstimo de 200 milhões de dólares concedido pelo estaleiro Ishikawajima, que construiu a fábrica e a usina de energia sobre plataformas flutuantes e as transportou do Japão até a Amazônia, pelo mar, por 30 mil quilômetros. Como era o avalista da transação, o governo federal teria que honrar o compromisso e executar o americano. Ao invés de estatizar a Jari, nacionalizou-a.

Em 2000 o Grupo Orsa, fabricante de papel e embalagens em São Paulo, sucedeu a Caemi no controle acionário. Pagou o valor simbólico de um real e ficou responsável pelas dívidas, em mãos principalmente do BNDES e do Banco do Brasil.

Como a fábrica de Monte Dourado tem capacidade para 410 mil toneladas por ano, a produção acumulada até o final do próximo mês dará para atender os contratos em vigor até março de 2013. A partir de outubro ela só produzirá celulose solúvel. O Grupo Orsa disse que o destino a ser dado à unidade de celulose convencional (que é o papelão) deverá ser decidido até o final deste ano.

A decisão, segundo notícia publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, beneficiará as demais empresas do setor, “em um momento no qual há expectativa de maior pressão no mercado”, por conta do início das operações da Eldorado em Três Lagoas (Mato Grosso do Sul), neste mês, e de outras duas fábricas de celulose (Suzano e Arauco/Stora Enso), em 2013. Também os analistas ficaram satisfeitos. O banco americano JP Morgan apontou os efeitos positivos para o mercado de celulose de eucalipto, principalmente para Fibria e Suzano Papel e Celulose. 

O Pará, o Amapá e a Amazônia, como ficam nesse novo enredo? Apesar do grande impacto que a decisão representa, a opinião pública local recebeu com espantoso silêncio a informação.

A rosa, a saboneteira e o Poeta

Paulo Bemerguy
Espaço Aberto

 
O que tem a ver uma saboneteira com uma rosa?
Aparentemente nada.
Absolutamente nada.
Saboneteiras se vinculam, no máximo, a noções de higiene.
As rosas podem despertar múltiplas sensações. Podem expressar uma grande notável variedade de significados.
Mas, à primeira vista, será difícil associar uma saboneteira a uma rosa.
Pois há anos, há muitos anos, Emir Bemerguy, que subiu para a eternidade há sete dias, em Santarém, associou, casou, uniu uma saboneteira a uma rosa.
Durante anos, ele habituou-se a levar pra casa, regularmente, uma rosa que era extraída de roseira plantada em área próxima à Sacristia da Matriz de Nossa Senhora da Conceição.
Ao término da missa das 18h, Emir saía, passava a mão numa tesourinha que levava no bolso, tirava a rosa cortando-a pelo talo, colocava-a dentro da saboneteira e ia embora pra casa.
"Nós até já sabíamos quando era o dr. Emir que tinha tirado uma rosa da roseira. Quando era ele, a rosa estava cortada no talo. Quando eram outros, tudo ficava retorcido", testemunhou padre Ronaldo, ao final da missa de corpo presente do poeta, na quarta-feira da semana passada.
Ao chegar em casa, Emir tirava a rosa de dentro da saboneteira e a entregava a Berenice, uma rosa viva, uma flor de pureza, com quem viveu há 53 anos.
A saboneteira, rósea, está guardada próximo à escrivaninha do poeta. Dentro dela, rebrilhante, a tesourinha que ele usou tantas vezes para tirar uma rosa e levá-la à sua mulher.
Um saboneteira tem tudo a ver com uma rosa quando ambas caem nas mãos de um poeta.
Um poeta que se inspira a tomar uma saboneteira para guardar uma rosa pode até ter optado, racionalmente, por um associação esquisita, desconexa, estranha.
Mas não estranhem os poetas.
Não estranhem.
Não estranhem a saboneteira e a rosa de Emir Bemerguy.
Ele fez da simplicidade e da singeleza inspirações para sua poesia.
Na poesia, externou seu amor.
Por Berenice.
Por seus filhos.
E por Santarém, que ele amou e cantou irresistivelmente, quase até o esgotamento.
Por Santarém que o inebriou a fazer versos ternos, que falavam de luares, banzeiros, de piracaias, de amores derramando-se sob o vento de cima soprado a partir do Tapajós, esparramado em frente à cidade.
Foi essa Santarém que, há uma semana, se despediu de Emir Bemerguy de uma forma comovente, encantadora, terna, inebriante.
Emir Bemerguy se foi.
Ficaram 20 livros prontinhos para serem publicados.
Ficou uma saboneteira com uma tesourinha dentro.
Ficou a lembrança de muitas rosas - dezenas, centenas - que ele usou para externar seu amor.
Ficou a lembrança de que as coisas simples da vida é que, verdadeiramente, têm beleza e odor.
Têm olor e sabor.
Encanto e ternura.
Tudo em sintonia.
Tudo em harmonia.
Como uma saboneteira que guarda uma rosa.

Agricultores bloqueiam Transamazônica à altura de Rurópolis


Cerca de 500 agricultores bloquearam, na madrugada desta segunda-feira (19), as rodovias Transamazônica e BR 163 na altura do Km 140 (Ponte Grande), município de Rurópolis, oeste do Pará. O objetivo é negociar com o governo as demandas históricas da região, sempre abandonada pelo poder público.

Os agricultores exigem o asfaltamento da Transamazônica e BR 163 (Rurópolis ao Km 30), acesso à energia elétrica, regularização fundiária e revisão das unidades de conservação que sobrepõem assentamentos já existentes, além de políticas públicas nas áreas de educação, saúde e segurança.(Fonte: Assessoria do MAB-Movimento dos Atingidos por Barragens)

Uepa promove I Semana da Saúde Indígena do Oeste do Pará

A Universidade do Estado do Pará (Uepa) promove, entre terça (20) e sexta-feira (23), no horário de 10 horas ao meio-dia, no campus de Santarém, a I Semana da Saúde Indígena do Oeste do Pará, que tem como objetivos reforçar o papel do índio como um ser integrante da sociedade e propor discussões relevantes para a saúde desses povos.

O coordenador geral da programação, Petrônio Lauro Teixeira, diz que a semana aborda um assunto que merece atenção. ”Tínhamos vários eventos relacionados aos indígenas no oeste do Pará e em nenhum momento foi citada a saúde. O discurso ocorre de maneira muito fragilizada. Diante disso, entendemos a necessidade da discussão e teremos várias mesas temáticas sobre a saúde indígena”, explica.

Serão abordados os temas “Política nacional e regional da saúde indígena”; “Formação profissionalizante e agentes de saúde indígenas”; “Medicina tradicional indígena e foco no oeste do Pará”; “A casa e a saúde indígena no oeste do Pará’’ e “Academia e o debate da saúde indígena nos projetos políticos pedagógicos nos cursos da Uepa’’.

Representantes da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Secretaria de Saúde Indígena e outras instituições ligadas à qualidade de vida dos índios comporão as mesas de debate e discussões. A inscrição é gratuita e está aberta ao público interno e externo da universidade, até 200 vagas. Os interessados podem procurar a coordenação de pós-graduação e Parfor do campus Santarém, na avenida Plácido de Castro, 1.399. Comissões de divulgação e inscrição, formadas por alunos, também estão visitando as salas de aula para fazer inscrições.

Mostras de trabalhos acadêmicos e filmes com temáticas indígenas também serão exibidos. Ao final, os participantes serão distribuídos em três grupos de trabalho. Os participantes produzirão documentos baseados nos temas dos grupos, no qual deverão apontar melhorias, soluções e alternativas. As sugestões serão encaminhadas às secretarias municipal e estadual de saúde e aos coordenadores de curso da Uepa.

A I Semana de Saúde Indígena do Oeste do Pará está sob a responsabilidade do Grupo de Estudo e Pesquisa em Meio Ambiente e Saúde Coletiva (Gepemasc), existente há quatro anos e formado por professores e alunos do campus XII. (Texto:Ize Sena-Uepa)

domingo, 18 de novembro de 2012

Curtíssimas de domingo

1- O prefeito eleito de Marabá,  João Salame(PPS), não guarda mais segredo que estará no palanque oposto a Simão Jatene em 2014.

2-O PT santareno planeja a chapa Lucineide-Carlos Martins para a disputa à Assembléia Legislativa  e Câmara Federal, respectivamente.

3- A igreja católica está acéfala em Santarém. Padre Luiz Pinto, administrador diocesano, não moveu uma palha para que a diocese comemorasse o centenário de Dom Tiago Ryan.

4-O professor Willian Coelho não topou fazer parte da equipe de transição do prefeito eleito Alexandre Von. Em seu lugar entrou Podalyro Neto. Tito Viana nunca foi cogitado como membro da comissão.

5- A Buriti, empresa que está loteando as terras do Juá, comprou de Marcelo Corrêa e seus prepostos aquele terreno da família Corrêa e recebeu em troca as licenças ambientais da Semma, da qual é titular até 31 de dezembro.

6-Os canteiros centrais da avenida Mendonça Furtado parecem que estáo localizados no deserto de Saara. Não recebem um gota d'água dos caminhões-pipas da prefeitura. As plantas já secaram.

8- Tem uma turma de áulicos do PT de Santarém que só dorme à base de Lexotam quando ouve falar do advogado José Maria Lima. Por que será?

9-Uma festa cafona e caça-níquel só sobrevive em Santarém porque há políticos afoitos por holofotes. Helder Barbalho é a bola da vez.

10 - A CPI das pesquisas eleitorais, que será intalada na Câmara dos Deputados, terá um fanfarrão de Santarém no banco dos réus. 
----
Atualização:

11- Faleceu na madrugada de hoje, no Hospital da Marinha, no Rio do Janeiro, o vice-Almirante Luiz Carlos de Melo, que na patente de capitão de corveta comandou a Delegacia da Marinha em Santarém, no período 2000-2002.