terça-feira, 19 de abril de 2011

Escolas públicas não mantém sistema de vigilância. Particulares monitoram alunos


Aritana Aguiar eAlailson Muniz
Repórteres

A tragédia que ocorreu na escola Tasso Oliveira, no bairro Realengo, no Rio de Janeiro, trás à tona uma questão: as escolas brasileiras são realmente seguras? Elas estão vulneráveis a esse tipo de violência?
Para saber, nossa reportagem visitou em algumas escolas das redes particular e pública de ensino de Santarém. Constatou-se que as unidades de ensino da rede pública estão mais vulneráveis a esse tipo de violência. Algumas já chegaram inclusive a ser destaque em noticiários de polícia como foi o caso da escola São Francisco. Lá, em 2008, o vigia noturno da escola Enaldo Marques de Castro foi barbaramente assassinado a facadas. Também há registros de confrontos de gagues dentro das escolas. Mas o que fazer para evitar esse tipo de situação?

Alguns detalhes são cruciais para garantir a segurança dos professores e estudantes dentro das escolas. Nem todas as escolas públicas dispõem de vigia por 24 horas. Algumas ainda têm porteiros durante o dia e vigias à noite. Mas a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) promete adotar um rígido protocolo de acesso para impedir a entrada de pessoas não identificadas nas escolas, entre os quais agendamento telefônico de visita e solicitação de documentos, portões de entrada fechados nos horários de aula e crachás para visitantes.

No colégio estadual Rodrigues dos Santos, que fica no centro comercial da cidade, o vice-diretor José Ribamar explica que existe apenas uma porta que serve de entrada e saída tanto para alunos quanto para funcionários e estranhos. "No colégio Rodrigues dos Santos fica um pouco mais fácil porque nós só temos uma entrada. O portão de entrada tem que ser o mesmo de saída, ficamos observando todas as pessoas na hora da entrada, se surge alguma pessoa estranha, a gente vai saber dele o que ele quer, com quem ele quer falar, se ele tem algum membro da família aqui na escola", informou.

De acordo com o vice-diretor e assim observado pela reportagem, não há um porteiro na escola. "Mas sim um auxiliar de disciplina que nós auxilia na entrada, agora o vice-diretor no horário da entrada, está junto observando todos os detalhes". Após a entrada dos alunos, o portão se mantém fechado. O aluno só pode sair com autorização e alguém estranha só entra com autorização.

Segurança nas particulares

Na escola particular Dom Amando, o diretor pedagogo do fundamental I e II, José Maria Feitosa, informa que a escola tem um efetivo de funcionários que, independentemente de sua função, devem observar se há alguém estranho no interior do colégio. "Como a escola tem um efetivo acima de 150 funcionários todos são orientados para que se vir qualquer pessoa diferente avise, um dos pontos é esse. Na porta de entrada do colégio tem sempre um vigia para controlar a entrada de estranhos principalmente, que não é o caso de nossos alunos, funcionários, e fornecedores que já são conhecidos", esclareceu.

Na escola, o vigilante só permite a entrada de algum estranho depois que se identificar e informar o que quer e há sempre o interfone para contato. "Tem interfone, então ficamos interligado. Temos também pessoas que ficam andando pelo colégio, até nós diretores fazemos essa forma de agir. Há também cães de guarda à noite", esclareceu. O diretor reforça que também há câmeras de segurança na parte interna da escola.

Na escola particular Santa Clara, a diretora, irmã Gisele, explica que o colégio tem uma entrada na Avenida São Sebastião. "Nós temos a recepção pela São Sebastião, se faz o controle dos alunos que entra e saem, e de qualquer pessoa estranha que entre é feito o encaminhamento", explicou.

Na escola, a entrada dos alunos é feita pela avenida Barão do Rio Branco. "E nós temos o portão de entrada, geralmente ficam duas pessoas no acolhimento deles, e um rapaz no portão para observar quem está entrando, principalmente se for estranho, e na saída também há um suporte de alguém que fica fora", explica a religiosa.

A escola tem um projeto de reforma que inclui itens para a segurança dos alunos. A reforma ainda está em fase de implantação. "O objetivo é fazer o registro das pessoas que entram e saem da instituição". A unidade de ensino também tem uma preocupação quanto à questão das pessoas que vão buscas os estudantes mais novos. "Não os entregamos para qualquer pessoa", diz a Irmão Gisele.

Mas para ter acesso a uma maior segurança dos filhos durante o tempo em que ele está na escola, os pais têm que abrir o bolso. Algumas escolas particulares têm mensalidade de até R$ 200,00. "Muitas famílias não têm como pagar e procuraram as públicas, mas eu, não desmerecendo as famílias carentes, tenho e por isso pago para que meu filho tenha maior segurança. Também deixo uma vaga na rede pública, que muitos que podem pagar colégio particular ocupam às vezes", diz Maria da Conceição, que possui dois filhos em escolas particulares.

Nossa reportagem tentou falar com a representante da 5ª Unidade Regional de Ensino (URE) de Santarém, mas ela estava viajando em não havia chegado até o fechamento desta edição. (A.A e A.M.)

Pequenos hotéris enfrentam concorrência de grandes redes em Santarém


Aritana Aguiar
Repórter


A rede hoteleira tem crescido em Santarém. Bom para a economia local, mas com a vinda de mais três grandes hotéis para a cidade, os pequenos estabelecimentos podem fechar as portas. A previsão é feita pelos próprios empresários locais. O gerente comercial e eventos do Barão Center Hotel, Alexandre Prata, avalia que a introdução desses novos hotéis vai fazer com que o turista prefira pagar um pouco mais por um hotel com melhor qualidade e atendimento. "Se os hotéis de preços baixos não procurarem fazer algum investimento de melhoria poderão fechar", afirma.

O coordenador de projetos da Secretaria Municipal de Turismo, Aureo Roffé, informa que na parte do Centro Comercial de Santarém, haverá a construção de hotéis de modelo econômico. "Esse modelo não significa que será simples, terão a função de um de luxo, com qualidade, tecnologia, mas terá uma redução de custo operacional. Com a prestação de mais serviços indiretos do que diretos", explicou Roffé, acrescentando que essa baixa de custos refletirá no valor da diária.

Alexandre defende que com o serviço terceirizado os custos diminuem e que realmente é possível ter um hotel de qualidade com diária a preço mais baixo e isso é o que pode ocasionar o fechamento dos pequenos. "Por que as pessoas irão preferir pagar mais caro por um serviço melhor".

Segundo o coordenador de projetos, está previsto a vinda da rede Accor de Hotéis, na parte dos altos da Avenida Mendonça Furtado. "É um investimento de 8 milhões de reais, o projeto foi aprovado, mas está atrasado o início das obras". O outro investimento será bem no Centro Comercial, a Semtur ainda não tem autorização para divulgar o nome da empresa. "O prédio será de médio porte com 28 apartamentos", informou. 

O terceiro investimento será o complexo Alter do Chão, que deverá ser construído na confluência da Avenida Fernando Guilhon com a rodovia Everaldo Martins. O projeto inclui a construção não só do hotel, terá shopping, setor empresarial e também um centro para comportar um grande público para eventos.

Alexandre Prata avalia que um hotel não se pode preocupar apenas em ter quartos para os hospedes é necessário de outros agregados para manter o hotel sempre em hospedagem. No hotel que gerencia, ele explica que lá se agrega eventos com hospedagem. "Como o hotel é 98% para o público executivo sempre fechamos pacotes em que se hospedam e usam o salão para reuniões, encontros", informou ele, acrescentando que isso chama a atenção do cliente. Mas, alerta que um hotel não se pode ter somente eventos é necessário de outros tipos de agregados e atrativos.

O gerente reforça essa necessidade de que os hotéis precisam de outros espaços, até para aluguel de espaços. Apesar de Santarém está propicio para o setor hoteleiro, a população local necessita de espaços, que podem ser fornecido pelos hotéis, além disso, incluem restaurantes e piscinas, dentre outros.

Mas, o que preocupa em Santarém para a rede hoteleira é a falta de espaço suficiente para acomodar um grande público quando ocorrem congressos no município. "Não temos unidades habitacionais (quarto de hotel) suficiente para abrigar mais de 3 mil pessoas. Em Santarém, há aproximadamente 2.600 quartos de hotéis, esse é o problema", afirmou.

"Para uma cidade como Santarém que tem aproximadamente 270 mil habitantes, a quantidade de hotéis é o suficiente", assegura. No Fórum Pan Amazônico que ocorreu em novembro do ano passado, uma das preocupações da coordenação foi justamente o problema citado por Alexandre, a falta de locais para hospedar as pessoas que vieram de outros países para o Fórum.

Contraponto, a coluna semanal de Alailson Muniz


Na coluna Contraponto, assinada por Alailson Muniz:

R$ 15 milhões
O Governo do Estado reservou no que chamou de "Agenda Mínima", plano de governo divulgado na tarde de terça-feira, 12, R$ 15 milhões para a conclusão do estádio Colosso do Tapajós. A Praça Esportiva é símbolo do futebol no Oeste paraense e sua principal atividade atual é abrigar o Campeonato Santareno e os jogos do São Raimundo nas competições que participa.

350 anos
A prefeitura municipal de Santarém deu início a uma série de reuniões que vai definir a programação de aniversário dos 350 anos do município, neste próximo dia 22 de junho. A programação deve ter maior participação do Governo do Estado em comparação aos anos anteriores.

Farmacêuticos
Através de Circular publicada quarta-feira, 13, o Conselho Regional de Farmácia do Pará (CRF/PA) informou a todos os farmacêuticos de Santarém que, a contar da referida data, "todos os procedimentos burocráticos dos farmacêuticos e técnicos de laboratórios, bem como todos os estabelecimentos farmacêuticos de Santarém passaram a ser feitos exclusivamente pelo site do CRF (www.crfpa.org.br) e não mais por intermédio da Associação dos Farmacêuticos e Bioquímicos de Santarém (ASFBS)". Segundo o Conselho, a "medida cautelosa foi tomada para evitar contratempos nos envios das documentações protocoladas no Conselho, e assim, garantir o eficiente desempenho dos processos".

Monitores capacitados
A Secretaria Municipal de Educação e Desporto (SEMED), juntamente com a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e Secretaria de Educação do Estado (SEDUC), iniciam hoje o curso de formação para os monitores do Programa Mais Educação. Segundo a SEMED, os cursos se estenderão até o dia 7 de maio, e "visam a qualificação dos monitores que trabalham por meio de atividades extracurriculares. Segundo o coordenador do Programa, Rivelino Lacerda, a rede municipal de ensino conta com 210 oficineiros, e 27 oficinas, como judô, hip hop, xadrez, banda e fanfarras, letramento, entre outras".

Audiência
O frei Florêncio Vaz, os vereadores Nélio Aguiar, Carlos Jaime, Gerlande Castro, Erasmo Maia, Jailson Costa e Henderson Pinto, o secretários municipais Inácio Correa (Seminf) e Everaldo Martins (Seplan), os advogados Euler Ferreira e Pedro Marialva, os funcionários públicos Nerivaldo César e Evaldo Viana são leitores assíduos desta coluna. Obrigado pela audiência.

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Leia a íntegra da coluna na edição impressa de O Estado do Tapajós, que está nas bancas.

PF abre inquérito para apurar susposto desvio de verba federal em Santarém


Na Coluna do Estado, edição desta semana de O Estado do Tapajós:

Por determinação da Procuradoria Geral da República, a Polícia Federal abriu inquérito para apurar suposto  desvio de recursos federais destinados à segunda etapa da orla de Santarém. *** A prefeita Maria do Carmo mandou a Seminf colocar em operação a velha usina de asfalto adquirida na gestão de Lira Maia e que tinha sido desativada. *** Ainda no assunto: Maria tomou a decisão porque a usina da ETE quebrou esta semana e a da Saneng foi transferida para Monte Alegre.*** A Estacom Engenharia, que entrou em concordata, deixou a obra do centro de lazer que a PMS constrói na área da Vera Paz. *** A Rede Globo de Televisão estipulou um prazo de 3 meses para sua emissora afiliada Tv Tapajós resolver o problema societário da empresa causado com a morte dos proprietários Joaquim e Vera Pereira.

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Leia a íntegra da Colunado Estado na edição impressa do jornal, que está nas bancas.

domingo, 17 de abril de 2011

São Raimundo perde para o Cametá, mas ainda se mantém no G-4


Com um gol, aos 32 minutos do primeiro tempo, de Leandro Cearense - artilheiro do Parazão com 18 gols ao lado de Rafael Oliveira , do Paysandu-, o Cametá derrotou o São Raimundo, hoje à tarde, no estádio Parque do Bacurau. 

Com esse resultado, o Pantera despenca para a quarta posição da tabela de classificação do segundo turno com 4 pontos, os mesmos do Paysandu, mas que tem menor saldo de gols.

Independnete, Cametá e Clube do Remo estão no topo da tabela com seis pontos.

A próxima partida do São Raimundo será quarta-feira, no estádio do Souza, às 10 horas, contra a Tuna Luso Brasileira, que hoje foi derrotada por 3x1 pelo Paysandu.

A verdadeira face de Hélio Gueiros

Lúcio Flávio Pinto(18/09/2009):

Reproduzo a seguir artigo que me foi enviado por Oswaldo Coimbra, jornalista e pesquisador da Universidade Federal do Pará. Ele recupera para o conhecimento do leitor contemporâneo um documento de 45 anos atrás, que traduz não só a personalidade de um dos principais políticos em atividade no Estado nas últimas décadas, o ex-deputado, ex-senador, ex-governador e ex-prefeito Hélio Gueiros, mas a própria postura da elite paraense. A importância desse documento justifica abrir-lhe espaço neste jornal tão limitado, ao menos do ponto de vista físico.

Mas também a iniciativa de Coimbra motiva outro tipo de reflexão: onde ele poderia publicar sua oportuna contribuição para a nossa história? Qual, dos grandes jornais, a abrigaria, curvando-se ao seu valor intrínseco para deixar de lado eventuais interesses e conveniências próprias, que não dizem respeito à sua tarefa de bem informar a opinião pública (muito pelo contrário: a prejudicam ou mesmo anulam)?

Desta resposta pode-se ter uma idéia do grau de restrição que há na grande imprensa à livre circulação de idéias. No Pará, as pessoas – em especial as ditas notáveis nas colunas sociais utilitárias – são livres como um táxi, para usar a expressão mordaz de Millôr Fernandes.

Diz o artigo de Coimbra:

Embora o período da História Política do Pará afetado pelo Golpe Militar que derrubou o presidente João Goulart já esteja separado dos dias atuais por uma distância de mais de 45 anos, ainda se mantém como assunto perigoso, capaz de reacender velhos ódios. Certamente por isto, há tão poucos estudos a seu respeito. Não surpreende assim que provoque perplexidade, nas poucas vezes em que isto ocorre, a divulgação de algum documento através do qual seja possível reconstituir as atuações de personagens daquele período ainda vivos.

Foi o que aconteceu, por exemplo, no ano passado, quando se tornaram conhecidas as participações de algumas figuras públicas atuais na sessão da Assembléia Legislativa, realizada no dia 14 de abril de 1964, na qual foi cassado o mandato de deputado estadual de Benedito Monteiro. Naquele dia, Benedito tentava preservar sua vida nas matas do interior do Pará, perseguido por policiais que tinham autorização para matá-lo, caso ele reagisse à prisão. Na sessão, o deputado Hélio Gueiros contribuiu decisivamente para a punição do colega, como revela o jornal O Liberal, dirigido pelo próprio Hélio Gueiros, na sua edição de 15 de abril de 1964. Hélio era, então, líder da bancada do partido majoritário na Assembléia, o PSD (Partido Social Democrata), ao qual Benedito Monteiro havia acabado de servir, como secretário estadual de agricultura do governador Aurélio do Carmo.

Leia mais aqui.

De como Jader Barbalho se tornou dono de 50% da TV Tapajós

 
Desde a publicação da entrada de Jader Barbalho no inventário de Joaquim Pereira, reclamando 50% da TV Tapajós, tenho recebido, em postagens diversas, e no “Mural”, desafios para explicar o ocorrido.

Não entendo ser isto matéria para “explicações”, por ser uma transação comercial revestida das formalidades legais, mas, diante das insistências, algumas indelicadas, resolvi contar a história.

No texto abaixo, está o fato: foi desta forma que tudo ocorreu. Coloco aqui, sem autorização de Jader, porque entendo que não há absolutamente nada a esconder.

A origem.

Com o falecimento de Jair Bernardino, quando o seu jato, já em procedimento de pouso, se espatifou contra uma ilha em frente de Belém, a família do empresário decidiu se desfazer da maioria da suas empresas visando manter a joia da coroa: a Belauto.

O patriarca da família, Jales, antes de entabular negociações com outro interessado, procurou Jader Barbalho: o pai de Jair era testemunha da amizade que o falecido filho tinha com Jader, que, inclusive, o ajudara a obter a concessão da RBA.

Dias depois de Jales ter com Jader Barbalho, a sede da Belauto foi palco da reunião que selaria a transferência de propriedade da RBA. Ao contrário do que imaginações férteis alardeiam, a quantia paga pela empresa foi muito aquém do seu valor de face.

Na verdade, Jader Barbalho assumiu dívidas da quase totalidade da construção do prédio da Avenida Almirante Barroso, e praticamente de todo o equipamento da televisão, comprado financiado, à Harris, nos EUA, além de dívidas previdenciárias.

O império de mais de 30 empresas que Bernardino construíra era sustentado em uma ciranda derivativa: um hábil financista, com experiência adquirida na sua época de bancário em Brasília, Jair sustentava a fortuna emitindo, liquidando e reemitindo papéis contra e a favor de suas empresas, o que lhe dava circunstancial liquidez para capitalizar o lastro do quartel general, a Belauto, que, por sua vez, realimentava o sistema.

Com a morte de Jair, a engrenagem, sem a força motriz que lhe potencializava, desacelerou até parar: assim finou-se, talvez, o maior grupo empresarial que o Pará já viu. Mas, isto é outra história que eu conto um dia.

A TV Tapajós

Quando Jader se retirava da sede da Belauto, acompanhava-o o advogado de Jair Bernardino, que na ocasião assistia juridicamente à família, Eduardo Grandhi, que lhe relatava a situação da RBA.

No meio da conversa, declarou-lhe, em tom de consolo pelo rosário de dívidas que rezava, que a RBA era proprietária de 50% das ações da TV Tapajós: Jair Bernardino comprara as cotas do santareno Paulo Corrêa, que vem a ser irmão do falecido ex-deputado federal Ubaldo Correa. A outra metade pertencia ao empresário Joaquim Pereira.

Jader Barbalho participou a Joaquim Pereira a transação, declarando-lhe que não pretendia se investir nas cotas alcançadas, preferindo permanecer com o contrato de participação, sem exercer os direitos dele advindos.

Desde então, Jader Barbalho jamais interviu na empresa e nunca recebeu quaisquer dividendos dela advindos, “nem brindes”, dizia ele, nas ocasiões em que se falava sobre o assunto.

Márcia Centeno, Jader Barbalho e Joaquim Pereira, em 2001. Foto: Miguel Oliveira
Movia-lhe, além da amizade com Joaquim Pereira, a prevenção de resguardar à TV Tapajós a concessão da Rede Globo, que não aceita que um concessionário seu tenha concessão de rede concorrente.

Jader Barbalho, portanto, não comprou 50% da TV Tapajós de Paulo Correa e nem de Joaquim Pereira. Nenhum dos dois jamais recebeu valor algum dele pelas cotas: elas foram compradas por Jair Bernardino e pertenciam à RBA desde que Jader a houve do espólio.

O contrato com Joaquim Pereira

Praticamente 10 anos após a participação a Joaquim Pereira da ocorrência informal que dava a RBA o direito de 50% da TV Tapajós, o empresário santareno procurou Jader.

Era 2001. Pereira ponderou que desejava formalizar o negócio, considerando que o seu estado de saúde, e o da sua esposa, “aconselhava” o procedimento.

No mesmo ano, 2001, o próprio Joaquim Pereira assinou, juntamente com a sua esposa, Vera Pereira, a transferência das cotas para Jader Barbalho. Testemunharam o ato, que está devidamente arquivado na Junta Comercial do Pará, Vânia Pereira, filha de Joaquim, e Marcia Centeno, então esposa de Jader Barbalho.

Não houve pagamento algum pela formalização da transferência, pois, de fato, Jader Barbalho já se tornara, desde 1989, proprietário das cotas.

O inventário de Joaquim Pereira

Em março deste ano, Jader Barbalho tomou conhecimento de que o inventário de Joaquim Pereira transcorria no fórum de Santarém e que a TV Tapajós era pleiteada, em 100% das suas cotas, pelos herdeiros: para não ver, no processo de inventário, o seu direito fenecer por falta de interesse de agir, Jader resolveu exerce-lo.

Para se habilitar em juízo, pedindo a retirada da partilha entre os herdeiros, das cotas que lhe pertencem, Jader tomou as providências legais devidas: reconheceu as assinaturas no documento que lhe transferiu a participação, registrou-o nos órgãos devidos, retificou as entradas do mesmo na Receita Federal e ingressou judicialmente no processo de inventário.

O direito

Toda a transação acima narrada é procedimento comercial que não investe contra nenhum dispositivo legal.

Por Jader Barbalho ser uma figura pública de relevância, a versão colocada pela imprensa se faz com obliquidades, inclusive com a sugestão de que o fato de o bem não ter sido declarado à Justiça Eleitoral, pode leva-lo a perder o mandato de senador que brevemente assumirá com a recente decisão do STF: isto não tem fundamento jurídico e, inclusive, a tese foi refutada, em casos semelhantes, pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A única repercussão do fato seria na seara fiscal, caso Jader tivesse auferido renda das cotas e não a tivesse declarado ao fisco, o que não ocorreu. Qualquer outra tentativa de construir injuridicidades com o fato, não passa de exercício político sem fundamentação legal.

O negócio em si, desde o início, tem natureza jurídica estabelecida e estribada, na origem, no Código Comercial Brasileiro, quando este previa a “Sociedade em Conta de Participação”, onde não era necessária a formalização.

Arquivando-se o Código Comercial, a dita sociedade não feneceu, ao contrário, foi recepcionada pelo novo Código Civil, que a ela reservou um capítulo especial.

A definição se lavra no Art. 992 do dito diploma legal ao ensinar que “a constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provar-se por todos os meios de direito.”.

A Rede Brasil Amazônia, portanto, na pessoa de Jader Barbalho, resolveu exercer o seu direito de participação na TV Tapajós, adquirido há 22 anos, em 1989, do espólio do empresário Jair Bernardino, de forma legal e legítima.

Ficha não caiu


Lúcio Flávio Pinto

Apesar das críticas feitas à decisão do STF, que transferiu a vigência da lei da ficha limpa, o Brasil deu mais um passo para se livrar dos maus pretendentes a cargos elegíveis. O que falta agora é não deixar que eles fiquem impunes. Para isso, a justiça precisa funcionar.

Na sua já obsessiva – e pouco produtiva – campanha contra Jader Barbalho, O Liberal abriu manchete na capa da sua edição do dia 26 com uma provocação: “Lei da Ficha Limpa é potoca?”. Debaixo de um subtítulo (“Além de não punir os fichas sujas, dificilmente valerá para as eleições de 2012”), o texto explicava: “Ex-governador Magalhães Barata dizia que lei é potoca. A Lei da Ficha Limpa caminha nessa direção, pois já se admite que ela dificilmente deverá valer para as eleições de 2012. Os debates e julgamento de recursos poderão levar até dez anos, uma vez que a Constituição assegura ‘que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória’”.

O simples resumo é suficiente apenas para introduzir o leitor em matérias extremamente complexas do mundo do direito e da justiça. Elas não cabem, porém, na simplicidade arbitrária da frase, nem a figura do caudilho é boa inspiração para abordar a questão. Barata não chegou à conclusão de que lei é potoca depois de se desiludir por tentar aplicá-la: ele partia dessa presunção. Com seu espírito autoritário, voluntarioso e refratário às críticas, o líder do PSD (Partido Social Democrático) se recusava a se submeter às leis, quando elas contrariavam seus interesses (e, sobretudo, os apetites dos seus amigos e protegidos, cuja influência maléfica ultrapassava as limitações do chefe).

O Liberal, como se sabe muito bem, era dos poucos bens patrimoniais de Barata, que o recebeu por doação de amigos cotizados para comprar o jornal. Duas décadas depois de fundado, como órgão oficial do “baratismo” e arauto do caudilho, o jornal foi adquirido por Romulo Maiorana, casado com uma sobrinha do homem que foi o mais poderoso do Pará durante três décadas. Poder que se projetou sobre um vasto universo de personagens, desse rol fazendo parte o próprio RM. Chegado a Belém em 1953, Romulo ainda se beneficiou do último – e mais intenso – governo de Barata (entre 1956 e 1959, quando morreu de câncer antes do final do seu mandato).

A lei da ficha limpa está bem longe de poder se enquadrar na patacoada “baratista”. Uma centena e meia de políticos deixaram de disputar as eleições do ano passado por causa dela. Não é um número inexpressivo. Ela entrará em vigor em 2012, qualquer que venha a ser o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal a respeito dela. O que poderá acontecer é que sua vigência continue a ser parcial ou bastante limitada. Mas ela não foi – e é pouco provável que venha a ser – revogada. É uma conquista consolidada do povo brasileiro.

Numa visão primária, como a que teve O Liberal, por sua filiação originária a uma das vertentes viciosas dos hábitos públicos no Pará, a lei foi desvirtuada pelos julgadores, que não aceitaram reconhecer sua aplicação já em 2010. O acerto espúrio teria culminado com o voto do mais novo ministro do STF, que desempatou em 6 a 5, pondo fim a um impasse de quase seis meses. Com isso, reabrindo as portas para figuras já proscritas da vida pública pelo crivo moral da lei, como Jader Barbalho. Mais um acerto da politicalha brasileira, mancomunada com magistrados que traem seu dever de ofício?

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