
Arrastão do bloco Unidos do Morro, no carnaval do Mascarado Fobó, ontem, em Óbidos.
Foto: Tamara Saré
Lúcio Flávio Pinto
Em 2011 Vicente Salles completará 80 anos de vida e 63 de atividades intelectuais fecundas, que se espraiam por vários afluentes do saber: antropologia, história, folclore, musicologia, jornalismo. Sendo múltiplo, Vicente é uno. Produz incansavelmente, como raros. Mas mantém coerência com seu compromisso de revelar o que está oculto, encontrar o que está perdido, denunciar a causa da incultura e da inconsciência.
Superando as doenças que o têm acometido nos últimos anos e renascendo com as sementes do otimismo, ele surpreende mais uma vez com um livro único: Estórias do Eldorado nos tempos calamitosos da devastação contadas pelo cidadão-de-arco-e-flecha e escritas pelo folclorista e historiador Vicente Salles – Fantasia desconcertante (Thesaurus Editora, Brasília, 179 páginas).
Em tom de folhetim, mas com as marcas da literatura de cordel, Vicente incorpora na plenitude a “designação pejorativa dos habitantes em geral e dos políticos da Amazônia que circulou no Rio de Janeiro, no parlamento e na imprensa, nos últimos tempos da monarquia”, conforme o autor o define no Índice de Particularidades, um anexo instrutivo e orientador, juntamente com o Índice Onomástico. O cidadão-de-arco-e-flecha recriado por Vicente conhece a própria história, sabe interpretá-la e valorizá-la. Faz dela sua arma de combate em defesa dos seus valores e contra o “arrivista semiculto”, que serve de biombo à destruição da Amazônia e ao estabelecimento do colonizador.
O livro é a 2ª edição, corrigida e ampliada, do 15º volume das micro-edições do autor (armas da guerrilha cultural que travou contra a desmemória regional e a arrogância externa), lançada em 1998, que continha as “estorinhas infantis” publicadas originalmente na imprensa local entre 1970 e 1981. São crônicas que divertem, instruem, informam, alertam e iluminam. Vicente circula com naturalidade por todos os temas, que aprendeu de leituras e de vivências. Conhece as pessoas, os lugares e os acontecimentos, de muitos dos quais é testemunha e de outros, referência. Por isso, fala com intimidade, pleno conhecimento de causa. Com indignação, mas também ironia e humor, as melhores ferramentas para a tarefa de desmontar os preconceitos e as deturpações históricas.
A força de Vicente nesses desafios provém de sua atitude diante da vida: uma combinação de simplicidade com rigor, de tolerância com integridade, de bonomia com altivez. E cobrindo essas qualidades, a posição que assumiu, ao lado da sua terra, do seu habitante, da sua história, intransigente na exigência de que a voz do nativo seja ouvida e sua vontade considerada. É uma prerrogativa da sua própria existência e do que construiu antes da chegada do colonizador, do novo dono de tudo, como reclama num dos trechos mais expressivos do texto:
“João Bobo viu que o bumbá era uma festa e aprendeu a lição do repartimento do boi. Entonce foi pro rei e disse que assim, reizinho, se faz o repartimento do Eldorado: tira o Arumanduba do coronel Zé Júlio e dá pro Daniel Ludwig; tira o Amapá todinho do Cabralzinho e dá pro Antunes, primo do Roqueféler; tira o sul do Grão-Pará dos índios e dá pr’aquela fabriqueta de automóveis, tadinha; os minérios, ou seja, o filé minhão, tira ele e a gente dá um, jeito com os contratos de risco com a mineradora Vale do Rio Doce; o Trombetas tira dos mocambeiros e dá pro japonês que só tem quatro filhos... E escancara a terra do povo Baré, fazendo franca a zona!”
Para quem não consegue acompanhar sua verve em evolução acelerada, alfinetando ou esbofeteando os transgressores, Vicente acrescentou os dois anexos, com informações sumárias mas, muitas vezes, inéditas ou difíceis de encontrar, que são guias para levarem o leitor a novas incursões no mundo cultural amazônico, região que está muito longe de ser um deserto de inteligências, ao contrário do que proclama o conquistador e seus aliados arrivistas semicultos. Vicente Salles dá as pistas e se coloca numa versão indígena do filósofo grego Diógenes: armado de poranga no lugar da mitológica lanterna, à cata de um verdadeiro homem, Vicente acabará encontrando-o diante do espelho.
Índice dos personagens
Selecionei duas das descrições de Vicente Salles de personagens da história contemporânea da Amazônia, como um aperitivo para a leitura completa do seu livro. Verbetes concisos e densamente informativos. Definidores.
ANTUNES. Família de capitalistas brasileiros oriunda do Rio Grande do Norte que se aplicou aos negócios de minérios. Associada a capitalista norteamericano, a grande empresa dos Antunes (Icomi) explorou até a exaustão o manganês do Amapá, ficou à frente do consórcio que deu continuidade à aventura amazônica de Daniel Ludwig, no Jari, com enormes perdas de capitais públicos e privados.
CURIÓ. Coronel. Déspota no tempo da ditadura militar de 1964 foi despachado para “domar” os garimpeiros de Serra Pelada e a guerrilha do Araguaia. Acabou ganhando prestígio político local e até emprestou o nome para batizar uma comunidade plantada na área devastada do sul do Pará e que ele próprio administrou. Caso curioso de construção de um (pseudo) mito político.
O Carnaval dos Fobós de Óbidos, um dos maiores carnavais do Oeste do Pará, arrasta multidões pelas ruas da cidade histórica.(Com informações da Secom e fotos de Tamara Saré)
Em entrevista a “O Estado de São Paulo”, o jornalista e consultor ambiental Washington Novaes, opina que a construção da Usina de Belo Monte não é necessária.
Fundamenta a afirmação na constatação de que a energia a ser gerada em Belo Monte poderia ser conseguida com a eficientização energética do Brasil.
Entenda-se com tal, a redução da perda na transmissão, que no Brasil chega a 15% da energia transportada (no Japão esta perda é da ordem de 1%), e a potenciação dos geradores antigos, que poderiam gerar 10% a mais se substituídos.
Eu acrescentaria à lista, a substituição dos equipamentos do varejo e a reformulação das plantas industriais com vistas à eficiência energética.
É fato que uma usina como Belo Monte atende muito mais aos interesses das grandes construtoras e da indústria eletro intensiva e, passada a festa da construção, onde todos comem e bebem à vontade, vem a ressaca de saber que a limpeza do salão ficará para o erário.
Em se colocando tudo isto na embarcação dos custos, Belo Monte deverá custar o triplo do que está sendo hoje intuído, portanto, é falaciosa a afirmação do setor elétrico de que o preço do quilowatt da usina em tela é um dos mais baratos do mundo.
Para consultar o resultado, os estudantes devem digitar o número de inscrição no Enem 2009 ou o CPF.
Os 148.327 estudantes pré-selecionados têm do dia 17 a 26 de fevereiro para procurar a instituição escolhida, particpar do processo seletivo e, se aprovado, fazer a matrícula. Para se matricular, é preciso apresentar comprovante de conclusão do ensino médio e documentos para comprovação da renda.
Quem não foi selecionado terá nova oportunidade na segunda etapa de inscrições, com as vagas remanescentes, que será aberta de 4 a 7 de março.
Quem deseja se cadastrar no Fies (programa de financiamento estudantil do governo federal) vai precisar esperar até março, quando deve ser divulgado o prazo de inscrições.
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Esses invasores da área de proteção ambiental do lago do Juá aprontam cada uma pensando que estão abafando com esse tipo de ação intolerante.
anos da legenda. Foi por determinação de Maria que a procuradoria do município entrou na justiça e conseguiu liminar para a desocupação da área e destruição das construções ali existentes.Lúcio Flávio Pinto
Editor do Jornal Pessoal
Dois irmãos de um secretário do governo do Estado, vítimas de seguidos assaltos na região metropolitana de Belém e da omissão da polícia, podiam ser vistos como a comprovação da distância que há entre algumas estatísticas e a realidade. Os números, apresentados recentemente pela Secretaria de Segurança Público, indicariam a redução da criminalidade e a eficácia da sua repressão. Mas a “sensação de insegurança” da população não se baseia em qualquer forma de fantasia: tem como origem os dramas cotidianos dos cidadãos.
Os irmãos do secretário dos transportes, Valdir Ganzer, entrevistados por uma emissora de televisão, disseram que gostariam de ir para outro lugar mais seguro do que o Murini, no município de Benfica. Só não vão porque é do seu pequeno comércio no local que tiram seu sustento e de suas famílias. Ainda que o negócio esteja sujeito ao ataque dos criminosos, têm que encontrar um meio de sobreviver sem esperar pelo socorro do poder público. A delegacia de polícia fica bem perto, mas é uma precária instalação física, sem gente. “Nunca um delegado veio aqui”, disse o comerciante, apesar de tantos apelos. Ser parente de um integrante da cúpula da administração estadual de nada vale para minorar essa situação, o que pode ser dado positivo em relação às pessoas, mas é água a mais para o moinho da incredulidade e da descrença do cidadão.
É verdade que a inteligência policial foi aprimorada e dela, com base principalmente em denúncias anônimas, a engrenagem da segurança se movimenta. Mas não na proporção das ondas de crimes, que desabam todos os dias sobre as famílias, indistintamente, e nem sempre como o seu oposto, muito pelo contrário. A letra da célebre música de Chico Buarque (“chame o ladrão”), virou hino de ópera bufa (e triste) em todo país. Soa mais cáustica em alguns lugares, como por aqui.
A mudança de hábitos é um dado mais poderoso. Todos sabem o quanto custa alterar os hábitos. A violência generalizada fez os paraenses – e, em particular, os belenenses – se adaptarem aos riscos rotineiros. É crescente o número das pessoas que recorrem a bolsas velhas ou aparelhos celulares avariados quando vão a lugares perigosos (há realmente pontos negros na cidade, ou viver é que ficou perigoso?): o objeto pode ser sacrificado sem maiores prejuízos. Por isso entregam-no logo ao assaltante. Caminhar virou uma espécie de ginkana: o caminhante se mantém atento, reage em atitude de defesa ou ataque quando percebe que alguém se aproxima. Raramente consegue manter-se relaxado.
Muitos gostariam também de encontrar um lugar mais seguro, melhor de morar. Não podendo sair, como os irmãos Ganzer, procuram se adaptar ao meio violento. O que agrava a situação, num ciclo vicioso cada vez mais difícil de desfazer.O presidente do IVC, Pedro Martins Silva, atribui a queda principalmente à crise econômica mundial, relata o Meio & Mensagem.
De acordo com o site Último Segundo, os jornais cariocas O Dia e Meia Hora apresentaram a maior queda, de 31,7% e 19,8%, respectivamente. Na sequência vêm Diário de S. Paulo (declínio de 18,6%), Jornal da Tarde (17,6%), Extra (13,7%), O Estado de S. Paulo (13,5%), Diário Gaúcho (12%), O Globo (8,6%), Folha de S. Paulo (5%), Super Notícia (4,5%) e Estado de Minas (2%).
Os seis jornais que apresentaram alta na circulação em relação a 2008 foram: Daqui (31%), Expresso da Informação (15,7%), Lance (10%), Correio Braziliense (6,7%), Agora São Paulo (4,8%) e Zero Hora (2%). Correio do Povo, A Tribuna e Valor Econômico mantiveram as médias de 2008.
A Folha de S.Paulo é o jornal de maior circulação do País, com média diária de 295 mil exemplares. Em seguida vêm Super Notícia (289 mil), O Globo (257 mil) e Extra (248 mil). O Estado de S. Paulo fica em quinto lugar, com 213 mil, seguido do Meia Hora (186 mil), Zero Hora (183 mil), Correio do Povo (155 mil), Diário Gaúcho (147 mil) e Lance (125 mil).
O São Raimundo, mandante do jogo, ficou com o restante, R$ 227.634,75. Com o dinheiro que entrou no caixa, hoje a diretoria pagou o salário do plantel e parte do “bicho” pela vitória sobre o Fogão.
A CBF mudou a data do segundo jogo entre Botafogo e São Raimundo pela Copa do Brasil. A partida foi transferida de 24 de fevereiro para 11 de março, no estádio Engenhão.(Blog do Gerson Nogueira)
Do Blog do Parsifal:
Quem vai até os órgãos estaduais responsáveis pela emissão da carteira de identidade, encontra um aviso desalentador: não há papel para emitir o registro geral.
O aviso diz ainda que o papel deverá demorar 20 dias para chegar.
Isto reflete falta de planejamento, ou falta de dinheiro. Ou ambas as hipóteses.
Em quaisquer dos casos, é uma singularidade lamentável para qualquer governo, cuide ele de gentes ou de serpentes.