segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Dilma escolhe mulher para Desenvolvimento Agrário

  Eduardo Almeida/Governo Sergipe
Dilma Rousseff convidou mais uma mulher para sua equipe. Chama-se Maria Lúcia de Oliveira Fálcon.

Petista, ela é, hoje, secretária de Planejamento de Sergipe, Estado governador por Marcelo Déda (PT).

Será ministra do Desenvolvimento Agrário.

Maria Fálcon integrava uma lista tríplice de saias levada a Dilma pelo governador baiano Jaques Wagner (PT), com o aval de Déda.

Embora trabalhe em Sergipe, a nova ministra tem vínculos com a Bahia, onde nasceu.

Dilma não atendeu integralmente ao pedido da dupla Wagner-Déda. Suas indicadas, Maria Falcón incluída, destinavam-se a outra pasta.

Os governadores almejavam o comando do Desenvolvimento Social, o ministério do programa Bolsa Família.

Ao atender parcialmente a dupla de padrinhos de Maria Fálcon, Dilma desatendeu integralmente o ex-governador petista do Piauí, Wellington Dias.

Em combinação com Wagner e Déda, Dias, recém-eleito senador, reivindicava para si a cadeira de ministro do Desenvolvimento Agrário.(Blog do Josias)

Ibama concede licença para hidrelétricas na Amazônia


Brasília – O presidente do Ibama, Abelardo Bayma, assinou hoje as licenças prévias para as hidrelétricas de Teles Pires, Estreito e Cachoeira e  para as linhas de transmissão associadas. A obtenção da licença ambiental era uma das exigências para a participação dessas usinas no leilão de energia que a Agência Nacional de Energia Elétrica realizará na próxima sexta-feira (17/12).
A hidrelétrica Teles Pires que será construída a 392 Km da foz do rio de mesmo nome, entre as cidades de Paranaíta (MT) e Jacareacanga (PA),  terá 1.820 MW de capacidade instalada e  911 MW de energia firme local (esta é a produção média de energia a ser entregue ao Sistema Interligado Nacional- SIN).
Já o Aproveitamento Hidroelétrico de Estreito será implantado no médio curso do rio Parnaíba, a montante da foz do rio Canindé, entre Amarante (PI) e São Francisco do Maranhão (MA). A potência instalada é de 56 MW e a energia firme é de 46,92 MW.
A usina de Cachoeira, a ser também edificada no médio curso do rio Parnaíba entre o Piauí e o Maranhão, gerará 63 MW de energia. A linha de transmissão terá 4,5 km de extensão e ligará a usina à substação de Floriano/PI.
O Ibama analisou conjuntamente as usinas e os projetos de linhas de transmissão associadas para emitir as licenças ambientais. A Licença Prévia de Teles Pires abrange a linha de transmissão de cerca de sete quilômetros de extensão e 500 kV, que conectará a hidrelétrica ao Sistema Interligado Nacional por meio da subestação Coletora Norte. Enquanto que a Licença Prévia de Estreito inclui a linha de transmissão de 230 kV e aproximadamente 61,7 km de extensão, entre a Subestação de Estreito e o ponto da Linha de Transmissão Boa Esperança -Teresina II.
A emissão destas licenças demandou do Ibama a realização de audiências públicas nos municípios afetados, a análise técnica dos estudos apresentados, além de vistorias na região abrangida pelos três empreendimentos.  As licenças são condicionadas por uma série de programas ambientais a serem detalhados antes da emissão da licença de instalação e algumas ações ambientais que deverão ser executadas pelos empreendedores ainda nesta fase de Licença Prévia.

Importância regional

No contexto regional, a UHE Teles Pires insere uma alternativa econômica sustentável na região norte do Mato Grosso, em contraponto à dinâmica muitas vezes predatória e ilegal de exploração madeireira, fortemente coibida pelas ações fiscalizatórias conduzidas pelo Ibama.
As usinas de Cachoeira e de Estreito também trazem alternativas econômicas para o médio rio Parnaíba, região com carências sociais e econômicas históricas, mas que nos últimos anos passa por um processo de retomada nos indicadores sociais, principalmente na educação. A cidade de Floriano, no Piauí, é um polo educacional importante e a construção dos empreendimentos deverá utilizar mão de obra preferencialmente regional.
(Sandra Sato e Antônio Hernandes Torres
Ibama/Ascom/Dilic)

O golpe de Jader

O ex-governador surpreendeu a opinião pública ao apresentar sua renúncia ao mandato de deputado federal, na semana passada. É o canto de cisne do político que chega ao fim ou o início da sua ressurreição?

Lúcio Flávio Pinto
Jader Barbalho acrescentou, na semana passada, mais uma façanha ao seu longo currículo político: surpreendeu a todos renunciando ao restante do seu mandato de deputado federal, que terminaria em 31 de janeiro do próximo ano. Os observadores mais atentos já haviam percebido, três dias antes, um indício de que o líder do PMDB no Pará estava se movimentando e preparava alguma iniciativa: um anúncio proclamando sua eleição para o Senado, com “cerca de” 1,8 milhão de votos, voltou a ser publicado em seu jornal, ocupando o rodapé de toda uma página do Diário do Pará. Mas ninguém poderia supor que ele renunciaria a um mandato praticamente no fim.
O Liberal, seu maior e mais constante inimigo, deduziu logo que o ato visava os processos a que Jader responde perante o Supremo Tribunal Federal. Sem o foro privilegiado que o mandato parlamentar lhe confere, as ações teriam que ser devolvidas à justiça comum, estadual ou federal. No caso de procedimentos de competência original da corte superior, os processos recomeçariam do ponto de partida, na 1ª instância. A probabilidade de serem alcançados pela prescrição antes de julgamento final aumentaria bastante. Com ela, o fim da pretensão de punir o réu, levado às barras dos tribunais por uma série de crimes, do enriquecimento ilícito à formação de quadrilha.
O jornal dos Maiorana informou que “pelo menos quatro” dos processos instaurados contra o ex-presidente do Senado “estão na iminência de ser julgados”. Mas uma pesquisa aos autos mostra que todos ainda se encontram em fase de instrução. A maioria dos 22 processos levados ao STF foi arquivada. Os que permanecem pendentes ainda estão sujeitos à produção de provas”. Já O Estado de S. Paulo garante que no dia 16 Jader pediu o adiamento por uma semana do julgamento de um dos processos, sem dar qualquer informação sobre o seu conteúdo. Os mais recentes procedimentos em curso no Supremo são relatados pelo ministro Ricardo Lewandowski.
A interpretação de que a renúncia foi um ato de fuga, conforme O Liberal destacou em manchete, visou impedir o que parece ser o objetivo mais imediato do ex-governador: se apresentar perante a opinião pública na condição de vítima. A mensagem do seu anúncio e de tudo que ele tem dito é clara: se todo poder numa democracia emana do povo e o povo lhe deu quase 1,8 milhão de votos, conferindo-lhe uma das duas cadeiras senatoriais postas em disputa na última eleição, caberia à justiça acatar essa decisão. Se ele pôde se apresentar como candidato e sua candidatura foi deferida para receber os votos dos eleitores, qualquer medida para impedir sua posse se caracterizaria como uma violação da vontade popular. Logo, a justiça o cassou ilegitimamente.
Claro que o enunciado abstrai a complexidade jurídica envolvida na questão, que chegou ao Supremo em função da aplicação imediata – já nesta eleição, apenas cinco meses depois da aprovação do novo diploma legal, e com efeito retroativo – da chamada Lei da Ficha Limpa. Os dois dispositivos foram introduzidos no texto original, que se impôs ao parlamento pelas 1,7 milhão de assinaturas que o endossaram, pelo deputado federal do PT José Eduardo Cardozo, escolhido pela presidente eleita Dilma Rousseff para o Ministério da Justiça.
O objetivo do acréscimo ao texto original era inviabilizar a candidatura de Joaquim Roriz ao governo do Distrito Federal, beneficiando o candidato do Partido dos Trabalhadores, que acabou vencendo. A alça de mira se virou também para Jader, além de atingir Paulo Rocha, que disputava como favorito a outra vaga para o Senado (e acabou sendo derrotado – segundo seus aliados, com a contribuição da omissão da sua correligionária, a governadora Ana Júlia Carepa). Como foi que essas duas disposições passaram pela votação no plenário e os prejudicados em potencial sequer tentaram modificá-las, o que não seria nem difícil, constitui um dos mistérios dessa história conturbada.
Se a mensagem de Jader Barbalho é sofismática, a versão dos seus inimigos não está menos longe da verdade. Ambas se iluminam quando projetadas sobre o pano de fundo da disputa bipolar, que continua a ser a marca registrada da política dominante no Pará. Não há nenhuma informação de conhecimento público sugerindo que nos próximos dois meses o Supremo possa colocar alguma das ações em julgamento, inclusive porque é um período de recesso ou da redução de atividade, além de estar condicionado pela sucessão na presidência da república.
Mesmo quando Jader já não tiver direito a foro privilegiado, com o encerramento do seu mandato de deputado federal, o STF pode decidir continuar a processar as ações que já tiverem sido instruídas, contrariando a tendência de desaforamento para a justiça estadual, como já aconteceu com o deputado Natan Donadon, do PMDB de Rondônia. Se há o convencimento dominante no Supremo sobre a culpabilidade do ex-deputado, é pouco provável que manobras simplesmente protelatórias tenham efeito anestesiante sobre a maioria dos ministros. Pode acontecer o contrário: de estimular a predisposição contra ele.
Na verdade, independentemente do segundo desdobramento da renúncia, é óbvio que o primeiro é colocar o ex-ministro na condição de vítima, mas não uma vítima passiva: assumindo a delegação popular, ele se apresentou como paladino da vontade dos eleitores, desrespeitados pelo poder judiciário, que lhe cassou o mandato. È assim que ele pretende que a mensagem seja recebida pelos seus destinatários. Por isso ele lhe deu uma dimensão mais política do que jurídica.
Na mensagem dirigida ao presidente da Câmara Federal, o também peemedebista (e vice-presidente eleito) Michel Temer, Jader destaca que sua votação significou a rejeição pelo povo da decisão do Tribunal Superior Eleitoral “e, sobretudo, a campanha jornalística odiosa com que meus inimigos atentaram contra meu nome como candidato, por todos os meios midiáticos possíveis, inclusive panfletos”. Essa campanha o teria tornado vítima de uma “violência política”.
Se não há mais escapatória, Jader decidiu cair atirando, para substituir uma imagem ruim, de derrotado e punido, de político em fuga, por outra, de valente e corajoso, que, em função de sua votação, decidiu direcionar toda a sua energia “para fazer respeitar a vontade majoritária, democrática e inquestionável” do povo. A iniciativa pode ajudar, caso ele fique dois ou quatro anos sem poder aspirar a um novo mandato político.
Quando todos imaginavam que se limitaria a esperar pelo resultado da batalha judicial que tem travado pela recuperação dos seus votos ou pela realização de uma nova eleição para o Senado, Jader surgiu com um fato novo, que o colocou outra vez no centro do noticiário nacional, agora como protagonista e não mais como elemento passivo. A divulgação da renúncia ocorreu no mesmo dia em que a imprensa relatava a inauguração das eclusas de Tucuruí por Lula e Dilma, pondo fim a uma novela de 30 anos. A coincidência não deve ter sido mero acaso. Jader ainda estaria resistindo à passagem da decadência ao fim, avivando as cinzas da ressurreição.
Mas há outra hipótese: o Palácio do Planalto poderia ter se comprometido com ele a fazer gestões junto ao poder judiciário para salvar seu mandato ou dar-lhe nova oportunidade para conquistá-lo. A indicação do novo ministro do STF, Edison Messias de Almeida, no lugar de Eros Grau, já aposentado, pode ter sido o dado a que Jader teve acesso privilegiado antes de decidir a renúncia.
Se o processo de preenchimento da vaga for rápido, o novo ministro poderia desempatar a votação no Supremo pela aplicação da Lei da Ficha Limpa contra Jader. Agora, a seu favor. Mas o novo ministro assumiria seu lugar atraindo para si – e reavivando – uma polêmica ainda inconclusa, por sua complexidade, originalidade e também por ser inusitada?
É difícil, por qualquer interpretação que a decisão do Supremo suscitou, não sentir uma ponta de incômodo pelo fato de que ela não é juridicamente sólida, deixando que na sua análise surjam interferências políticas e pressões externas. O empate em cinco a cinco foi um dado infeliz, ao qual se seguiu a recusa do presidente da corte de exercer seu voto de qualidade para desempatar, engendrando uma solução administrativa mais do que controversa. Este desfecho fez a corte suprema da justiça brasileira adotar como sua decisão tomada por instância inferior quando se trata de matéria constitucional (justamente o ponto questionado), que é o Tribunal Superior Eleitoral.
A simples hipótese, admitida por gregos e troianos, de que o novo ministro, que completa o quadro de 11 integrantes da corte, número impar exatamente para evitar o cabuloso empate, possa votar, não deixa mais dúvidas: não houve sentença do STF.Logo, o arranjo que, fundamentado no regimento interno do tribunal, foi se valer de decisão do TSE, não se sustenta perante o mundo legal.
Independentemente da hipótese de retomada da votação sobre a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, com seus dois remendos enxertados na tramitação pelo Congresso Nacional, há outra: a realização de uma nova eleição para o Senado, já que os votos nulos – os que foram dados a Jader e Paulo Rocha – representam 56% dos votos válidos. Há interpretações divergentes sobre a previsão de realização dessa nova eleição. De um lado, os que entendem que a cláusula só se aplica aos cargos do executivo; do outro, os que argumentam que a norma se estende a todos os cargos majoritários, inclusive o de senador, justamente (ou acacianamente) por ser escolhido em eleição majoritária.
A leitura estrita do mandamento constitucional daria razão à segunda interpretação: a referência é apenas a eleição majoritária, sem distinção entre os dois poderes institucionais. Mas os julgamentos no Brasil têm sido feitos com tal elasticidade de entendimento que antecipar as votações das cortes se tornou adivinhação. Quando não, loteria. Sujeita a vastas condicionantes de bastidores.
Mas ainda que a interpretação favorável a Jader prevalecesse, ele ainda teria outro obstáculo: como deu causa à anulação da eleição e dessa nulidade tiraria proveito, não poderia se apresentar novamente como candidato. E, finalmente, mesmo que tudo desse certo para ele, ainda restaria a ameaça de – condenado pelo STF – se tornar inelegível por mais oito anos, a contar de fevereiro de 2011, o que significaria o seu fim político (recuperaria a elegibilidade aos 74 anos, depois de longo tempo distante do poder).
Em qualquer circunstância, Jader Barbalho mostrou que não será sem lances de criatividade e argúcia que ele sairá da vida pública paraense e brasileira, nesta última como o único político paraense com lugar reservado, ainda que sem direito a menção honrosa.

UFOPA realiza em Belém encontro sobre Amazônia





A Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) realiza nos dias 16 e 17 de dezembro, em Belém (PA), o encontro “Amazônia: Desafio Brasileiro do Século XXI”, que discutirá as contribuições da pesquisa e da pós-graduação para o desenvolvimento regional. O objetivo é integrar instituições de pesquisa e de ensino para discutir ações implantadas na região com vistas a promover a pesquisa, a formação de recursos humanos e o desenvolvimento regional.


Coordenado pela Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação Tecnológica (PROPPIT), o encontro será realizado no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, durante a Feira Internacional de Ciência e Tecnologia da Amazônia, evento promovido pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (SEDECT) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (FAPESPA). “Será um importante momento de reflexão e de planejamento de ações a serem implementadas pela UFOPA através de sua estrutura multicampi e interdisciplinar”, afirma o Prof. José Antônio de Oliveira Aquino, Pró-Reitor da PROPPIT.

Aberto ao público, o Encontro inicia-se no dia 16, às 9 horas, com o “Seminário sobre Inovação e Desenvolvimento Regional”, que contará com os seguintes painéis: “Inovação como Vetor de Desenvolvimento”, coordenado pelo reitor da UFOPA, Prof. Dr. José Seixas Lourenço, às 9h30; “Arranjos Produtivos Locais e Desenvolvimento Regional”, às 11h30; e “Parque de Ciência e Tecnologia do Tapajós”, às 14h30.

No dia 17, a partir das 9 horas, será realizado o “Seminário sobre Pesquisa, Pós-Graduação e Desenvolvimento Regional”, com os painéis: “Amazônia: Desafio Brasileiro do Século XXI”, às 9 horas; “A importância da Cooperação Nacional e Internacional”, às 10h30; “O Papel da Pesquisa e da Pós-Graduação no Desenvolvimento da Amazônia”, às 14 horas; além de um painel com as universidades federais da Região Norte, às 16 horas.

Realizado em parceria com os Ministérios da Educação (MEC), Ciência e Tecnologia (MCT) e da Integração Nacional (MIN), o Encontro “Amazônia: Desafio Brasileiro do Século XXI” tem o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (FAPESPA) e de instituições de fomento ao desenvolvimento da Amazônia. (Assessoria de Imprensa da UFOPA)

PT faz escola no orçamento


Primeiro foi o governador eleito Simão Jatene que reclamou: orçamento estadual para 2011 remetido pelo governo à Assembléia Legislativa está alicerçado em transferências voluntárias de recursos federais.

Agora, a bancada de oposição na Câmara de Vereadores de Santarém estranha que menos de 50% do orçamento da prefeitura governada pelo PT para o ano de 2011  vem de recursos próprios.

O PT paraense é assim: cara de um, focinho do outro.

Dengue é ameaça em Santarém

A administração municipal não fez o dever-de-casa e, mais uma vez, Santarém está desprotegida contra a dengue.

E as chuvas mal começaram.

Cuias bordadas em exposição

Foto: Ronaldo Ferreira
Até o dia 31 de dezembro, estará aberta ao público no Centro Cultural João Fona (Museu de Santarém), a exposição Cuias de Santarém, resultado dos trabalhos de artesãos de comunidades produtoras de cuias na região de várzea do município.

A exposição é promovida pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico e Nacional – CNFCP/Iphan, no âmbito do Programa de Promoção do Artesanato de Tradição Cultural – Promoart.

Além das próprias cuias, destinadas à apreciação e comercialização, são mostrados na exposição, painéis de fotografias e textos sobre o artesanato de cuias.(Ascom/PMS)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Secretário de saude, diretor de emergência e diretora do Pronto Socorro podem ir a júri popular em Santarém

MP investiga caso da mulher que deu à luz de pé em Santarém

O caso levou o órgão ministerial a instaurar procedimento investigatório criminal


Alailson Muniz
 
Uma omissão de socorro, que culminou com a morte do paciente, e o caso de uma mulher que deu à luz em pé em pleno Hospital Municipal de Santarém (HMS). Esses alguns dos casos que levaram o Ministério Público Estadual a instaurar um procedimento investigatório criminal para apurar denúncias na área de saúde em Santarém.

O que mais causou espanto ao órgão ministerial foi o caso de uma jovem que deu à luz em pé dentro do próprio HMS. Elciene do nascimento Sousa deu entrada na unidade de saúde no último dia 19 de novembro com dores. Sua família afirma que houve demora no atendimento. Elciene não suportou a espera e entrou em trabalho de parto em pé. A criança nasceu e caiu ao chão, batendo com a cabeça no piso da unidade de saúde. O baque provocou seqüelas que até hoje estão sendo tratadas pela mãe da criança. Outro fato que indignou os promotores foi a resistência dos profissionais de saúde do Hospital em atender a referida criança. Em uma das vezes em que a mãe buscou atendimento, o promotor de justiça José Frazão Sá Menezes teve de enviar uma ordem por escrito à direção da unidade de saúde para que a criança fosse atendida.

“Essa situação já era de conhecimento do órgão em razão de uma consulta pública realizada no primeiro semestre. Essa questão da saúde passou a constar do plano de atuação do MP ainda este ano. Por conta disso, o Ministério Público tem feito algumas inspeções e vai continuar com essas inspeções visitando hospitais, postos de saúde, no interesse de identificar essas deficiências e enfim cobrar das autoridades e dos setores responsáveis”, informou o promotor José Frazão Sá Menezes, que preside as investigações do órgão ministerial na área civil.

As investigações da área criminal estão sendo realizadas pela promotora de justiça Janaína Andrade de Sousa. Ela já ouviu mais de vinte pessoas, inclusive o secretário de Saúde do município, José Antônio Rocha, a diretora geral do HMS, Cláudia Tavares, e o chefe do setor de Enfermagem Márcio Alessandro do Nascimento Marinho. “Temos a denúncia de uma omissão de socorro envolvendo um paciente baleado. O cirurgião levou cerca de duas horas para fazer o atendimento. O paciente teve hemorragia e correu risco de morte. Temos três fatos pontuais, mas isso não é nada perto de um todo que tomamos conhecimento”, afirma Janaína Andrade.

Em entrevista exclusiva ao blog, a promotora informou que várias vistorias foram feitas nas dependências da HMS. Ela disse que há indícios de que o sistema de oxigênio da unidade de saúde não funciona e também há denúncias de falta de medicamentos e demora em atendimentos.

“Se houve a falta do insumo que a família alega que houve na omissão de socorro vamos apurar. Esse é um só (caso) que veio a tona e os outros que a gente não sabe? Temos indícios de que o oxigênio não funciona. Alegam falta de recursos. Estamos numa situação que a falta de recursos é o maior inimigo. Fizemos duas visitas e constatamos fatos que nos deixou bastantes preocupados e nos levou a abertura desses procedimentos. Em uma de nossas vistorias, o médico da pediatria não estava presente, a direção disse que não sabia”, argumenta a promotora.



Acusados podem ir a Tribunal do Júri

Segundo a promotora, após os interrogatórios será oferecida uma denúncia criminal. Ela explica que em um dos casos a acusação é de homicídio doloso, dolo eventual: o agente assume o risco de produzir o resultado. Nesse caso, os acusados podem ser julgados por Tribunal do Júri. “A denúncia criminal vira processo criminal. Um dos crimes é homicídio doloso, dolo eventual. Se ficar tipificado o responsável vai a júri popular. Pode ser o médico, diretor, e o gestor da pasta”, destaca a promotora.

Para Janaína Andrade deve haver uma maior participação da sociedade nas questões de saúde do município. “O colega Menezes (promotor) faz uma trabalho maior em todos os hospitais. Mas no HMS, o caso é mais grave porque pessoas estão morrendo. O problema não está recebendo a atenção merecida”, destaca.



Secretário diz que tem poucos recursos

O secretário de saúde, José Antônio Rocha, informou em seu depoimento ao Ministério Público Estadual que o orçamento mensal do Hospital Municipal é de R$ 1.900,000,00 (hum milhão e novecentos mil reais). Desse montante, Rocha afirma que gasta R$ 1.100,000,00 (hum milhão e cem mil reais) com a folha de pagamento.
Secretário José Antônio Rocha


Ele disse que o HMS realiza 15 mil atendimentos mensais e que devido a essa demanda pode ter ocorrido algum “erro de atendimento”. O HMS foi inaugurado há dois meses e o antigo prédio foi desativado. “Então com certeza aqui ou ali, sem dúvida houve pessoas que não foram atendidas da forma como desejaram e procuraram a justiça, que hoje tem uma acessibilidade muito grande’, justifica Rocha em entrevista à imprensa.

À imprensa, o secretário disse também que qualquer desrespeito a pacientes por parte dos funcionários devem ser denunciado. “Na hora que um funcionário nosso, seja ele médico, seja um técnico ou enfermeiro, não tratar bem o paciente ele tem que acionar a secretaria e se quiser a justiça. Nós não nos importamos com isso para que realmente a gente possa verificar se essa conduta foi irresponsável ou não”, declarou.

Em seu depoimento prestado ao MP, o secretário disse que não sabia a quantidade de médicos que trabalham no Hospital Municipal. Também afirmou desconhecer a falta de medicamentos na unidade de saúde. Disse também que a rede de oxigênio do HMS precisa melhorar e que já tomou as providências necessárias perante a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa).

Rocha informou que o HMS fica sobrecarregado com a vinda de pacientes de outros municípios, que, assim, dessa forma, a unidade de saúde ganha um caráter de atuação regional. Devido a isso, ele já teria solicitado a Sespa um aditivo de R$ 200,000 (duzentos mil) para ajudar na manutenção da funcionabilidade do Hospital.

Alailson Muniz é o novo editor-chefe de O Estado do Tapajós


O jornalista Alailson Muniz, ex-correspondente de O Liberal em Santarém e ex-editor do Jornal de Santarém e do Baixo-Amazonas, é o novo editor-chefe de O Estado do Tapajós, em substituiçao ao jornalista Miguel Oliveira, que se dedicará ao projeto Memória de Santarém, que em 2011, terá sua versão em fotografias.

Alailson comandará a reformulação gráfica e editoral de O Estado, que volta a circular em janeiro, após período de recesso em sua circulação por causa das férias coletivas dos funcionários do jornal.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Juiz determina bloqueio judicial de empréstimo do BNDES

Belém- O Juiz de Direito da 2ª Vara da Fazenda da Capital, Marco Antonio Lobo Castelo Branco, determinou nesta sexta-feira, 10, o bloqueio judicial dos valores recebidos através de empréstimo contratado pelo Governo do Estado junto ao BNDES, no valor de R$ 366.720.000,00, cuja destinação seria a execução do Programa Emergencial de Financiamento aos Estados e Distrito Federal PEF/ BNDS.

O juiz deferiu a Ação Cautelar Inominada ajuizada pelo município de Capanema. A ação cautelar alega que os valores do empréstimo estejam sendo utilizados para o pagamento de obrigações diversas das quais originalmente foram destinados. O município de Capanema alega ainda a existência de lesão que poderá ser agravada com o processo de transição administrativa e política prevista para 2011.

Ainda de acordo com a Ação Cautelar, a parte que caberia ao município no valor de R$ 3.167.650,18 até o presente momento não foi repassado, mesmo já tendo apresentado planos de aplicação.

De acordo com o Juiz, o artigo 804 do Código de Processo Civil possibilita a concessão de liminar. O Juiz determina o bloqueio judicial dos valores recebidos através do empréstimo contratado pelo Governo do Estado, junto ao BNDES, no valor de R$ 366.720.000,00, sendo notificado o Banco Central, para que proceda o bloqueio com urgência da conta do Estado do Pará que vai receber os valores do BNDES ou que se informe, inclusive via BNDES, qual a conta em que se efetivará o depósito a fim de que se proceda o bloqueio on line neste juízo.

Marco Antonio Castelo Branco notifica a Governadora do Estado do Pará ou quem lhe substitua temporariamente ou efetivamente, bem como a qualquer Secretário de Estado, que está obstado de entregar as verbas relativas à lei Estadual nº 7.424/2010 até o julgamento deste processo, sob pena de multa única por qualquer liberação no valor de R$100.000,00.

Mais uma operação da Policía Federal na SEMA


A Polícia Federal deflagrou hoje (10) a operação "Alvorecer” para investigar e comprovar a participação de pessoas físicas e jurídicas, possivelmente organizadas em quadrilha, envolvidas em prática de crimes ambientais diversos.

Estes trabalhos policiais iniciaram-se no curso da Operação Delta, iniciada em abril deste ano, para o combate ao desmatamento e o comércio ilegal de madeira na Região Metropolitana de Belém, após a coleta de dados importantes acerca da suspeita de corrupção em órgão de fiscalização ambiental do Pará.

Segundo informações da Polícia Federal, no curso das investigações foram constatadas a participação de servidores da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) numa rede de corrupção. Os trabalhos investigativos se centralizaram no comando do grupo criminoso e foram obtidos indícios contra dez pessoas. Destas, a PF já prendeu quatro. Sebastião Ferreira Neto, conhecido como “Ferreirinha”, ex-vereador de Marabá e presidente do Águia Futebol Clube, foi preso em Marabá. Em Belém, foram presos Cláudio Cunha, ex-secretário adjunto da Sema; Paula Fernanda Viegas, chefe do Setor de Georreferenciamento; e Wandserson do Egito Sena, despachante Corretor da Sema.

O esquema se baseava na aprovação ilegal de vistorias e de licenças para a exploração de madeira e planos de manejo, por meio do pagamento de propina por empresários madeireiros aos servidores de diversos escalões da Sema. A facilitação e os pagamentos ilícitos se davam através de despachantes, os quais tinham relação com os servidores públicos contratados para reprimir a prática da qual tiravam proveito pelo cargo ocupado.
"As ações da quadrilha eram audaciosas e organizadas. Há indícios de fraude em mais de 200 processos, que geraram enormes prejuízos e a circulação ilegal de centenas milhões de reais. O valor da 'propina' dependia do cargo do envolvido e da sua ingerência na agilização para aprovação e na capacidade de dar aparência de legalidade ao esquema", explica.

Corrupção de cima abaixo

A corrupção era dividida em dois níveis: no primeiro os funcionários subalternos recebiam valores para desempenhar atos ou dar agilidade à tramitação de processos; num segundo nível, os funcionários do alto escalão cobravam um percentual do valor total do planos de manejo florestal para aprovar o plano, não importando se os mesmos estariam irregulares ou não.

Durante as investigações, que aconteceram também no curso da última campanha eleitoral, constataram-se indícios de que a gestão da Sema também pode ter sido utilizada como meio de apoio político para campanhas a cargos eletivos.

Os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão aos envolvidos no caso foram expedidos pela 9ª Vara da Justiça Federal da capital. No total, já são dez acusados: seis servidores da Sema, um servidor do Ibama, que fôra cedido para atuar junto aquela Secretaria, e três despachantes do setor.

"Vale consignar que o prejuízo causado por este esquema de corrupção é dos mais variados e já conhecidos pela sociedade. Ademais, neste caso, o dano ambiental é evidente. Ao se aprovarem projetos de manejo florestal em área que não apresenta condições, agride-se o meio-ambiente para resguardar interesse de poucos, muitos dos quais pagos com dinheiro público exatamente para coibir as práticas das quais se elocupretavam", afirmou em nota a Polícia Federal.

Os presos serão indiciados por violação aos artigos 313-A, 317, 319, 321 e 288 do Código Penal (servidores púplicos) e art. ART 288, Art. 332 e Art. 333 (particulares), além do artigo 50-A  da Lei 9605/98, com penas previstas de 2 a 12 anos de prisão.

(DOL, com informações da Polícia Federal)

Representantes confirmam ajuda de ministro Alexandre Padilha a instituto de fachada

Agência Estado

BRASÍLIA - Os representantes do Inbrasil afirmaram ontem ao Estado que contaram com o apoio do ministro Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, para viabilizar a aprovação dos convênios com o Ministério do Turismo. "Foi o ministro que deu a carta", disse o publicitário André Fratti, dono da Vibe Marketing e filho de Antônio Carlos Silva, diretor fiscal do instituto beneficiado por emendas parlamentares e pela carta de Alexandre Padilha.


A reportagem precisou ir à sede da Vibe, no Lago Sul, para obter informações sobre o Inbrasil. O instituto está registrado na casa da família de André Fratti. Quinta-feira, 9, ele recebeu a reportagem ao lado de Sérgio Eustáquio Assunção, presidente do Inbrasil. "Houve um casamento: a gente (Vibe) precisava de outras fontes de recursos para o Festival de Inverno. E o instituto precisava de projetos", disse Fratti. Sua empresa fechou no fim de 2009 um contrato de R$ 320 mil com a Fundação Banco do Brasil para organizar eventos.
‘Fomento do turismo’
Fratti contou ainda que a Vibe é a encarregada de executar os projetos do Inbrasil, que tem seu pai na direção. "No Inbrasil, eu sou o apoiador. O instituto assumiu o Festival de Inverno de Brasília. Eu faço toda a parte técnica, plano de trabalho, a destinação do recursos", explicou.
"Nosso propósito é desenvolver projetos de fomentos do Turismo", prosseguiu o empresário. Ele afirmou que não é seu papel fechar contratos com o Inbrasil. "No caso do festival, minha empresa fica com o trabalho de bilheteria. Ela é feita a preços populares, algo em torno de R$ 30".
E qual o segredo para conseguir emendas parlamentares? "A gente procurou alguns deputados. É passar o chapéu mesmo, porque um festival desses não se sustenta. É deficitário. A gente precisa do apoio", afirmou. O publicitário admite que o Inbrasil tomou conta de um outro instituto para poder funcionar e fechar contratos públicos. "Houve uma assembleia e elegemos uma nova diretoria. O antigo presidente é amigo de um amigo. É coisa de relacionamento", afirmou.

Novas cédulas de R$ 50,00 e R$ 100 reais a partir de segunda-feira

O Globo on line:

As novas notas de R$ 100 e R$ 50 entrarão em circulação na próxima segunda-feira, dia 13, em todo o país. Essa é a primeira etapa da troca total da família do Real, criada em 1994 e que, até então, não havia sido modificada integralmente.
As duas notas, que são alvo de maior falsificação por causa dos valores mais elevados, terão tamanhos diferenciados e diversos novos itens de segurança, como a marca holográfica e tintas especiais. O anúncio será feito na própria segunda-feira, na sede do Banco Central (BC) em Brasília.

Entre as novidades, para facilitar a identificação também pelos deficientes visuais, está o tamanho de cada uma delas. A de R$ 50 terá 14,9 centímetros (cm) por 7 cm, enquanto a de R$ 100, 15,6 cm por 7 cm. As demais notas - de R$ 20, R$ 10, R$ 5 e R$ 2 - também terão tamanhos diferenciados, mas menores do que os das notas que vão começar a circular agora. Hoje, todas as cédulas em circulação têm o mesmo tamanho: 14 cm X 6,5 cm.

O amigo Guido Tonelotto

Lúcio Flávio Pinto:

Belém- Na primeira das muitas vezes em que fui mandado para o gabinete do diretor pelo conselheiro, o mineiro ranzinza (e meu adversário personalíssimo) Efigênio Passos, o que devia ser um carão acabou se convertendo numa agradável surpresa. O padre Guido Tonelotto, que nessa época estava completando 40 anos de idade, se surpreendeu com os meus rudimentos de francês e decidiu que conversaríamos na língua de Molière, por ele traçada com gosto e competência, com o bico mais caprichoso possível para as vogais finais.

Enquanto o padre conselheiro imaginava que minha demora com o diretor se devia a qualquer castigo aplicado, eu estava era lendo alguma coisa em francês ou, quando meu interlocutor saía, assistindo a um programa da TV Marajoara, que tateava na engenhoca. O diretor tinha um aparelho Philco cujo atrativo era o tubo de imagem móvel, que girava de um lado para outro. Tínhamos em casa outra dessas fontes de atração de “televizinhos”.

Tornei-me um dos “peixes” do diretor do Colégio Salesiano Nossa Senhora do Carmo, onde permaneci por cinco intensos anos, do admissão à quarta série do ginásio. Acumulei alguns prêmios e muitas suspensões. No último ano foram 10. Com três, devíamos ser expulsos, mas o diretor relevava. A fim de desfazer a má vontade do padre responsável pela disciplina e pela limpeza no apresentar-se (dos outros), padre Guido me indicou para participar de um programa da televisão, “Na batalha da vida só vence quem estuda”, apresentado – se não me falha a memória – pelo tonitruante José Sarraf Maia.

Guido Tonelotto se destacava dos outros salesianos por sua cultura e seu jeito sofisticado de ser. Nascido em Veneza, começara sua vida sacerdotal em Pádova, num circuito italiano de intensidade cultural. Quando deixei o Carmo, e ele ainda ficou por lá algum tempo, imaginei que voltaria à Itália para cultivar suas aptidões. Retornou, de fato, a Verona (minha cidade favorita), mas por pouco tempo. Estava apaixonado pelo Brasil e pela assistência aos pobres e necessitados.

Os últimos 25 anos de sua missão, ele as viveu em Mossoró, no Rio Grande do Norte, onde morreu, em 29 de outubro, aos 89 anos. Senti a perda como se nos tivéssemos encontrado dias antes, no saudoso Colégio do Carmo. Guido Tonelotto, mais que diretor ou guia espiritual, concedeu ao moleque irrequieto, naquela passagem dos anos 50 para os 60, o privilégio da sua amizade. Profícua e imorredoura.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Parceria entre MRN, Sebrae e microempresários de Oriximiná encerra com bons resultados

O setor moveleiro de Oriximiná concluiu mais uma importante fase para o seu desenvolvimento. Na tarde de ontem, dia 8 de dezembro,  foi realizado o encerramento da parceria entre a Mineração Rio do Norte, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Pará (Sebrae/Santarém) e a Associação dos Moveleiros do Município de Oriximiná (ASSOMOR).

O convênio firmado no início de 2008 teve o objetivo de qualificar os microempresários do setor de móveis em diversas áreas como: gestão empresarial, qualidade, atendimento, além de melhorar o produto com uso da tecnologia e prospectar novos mercados. “Após esses quase três anos de trabalho, sentimos uma melhora significativa de todos. O projeto chega ao fim com um saldo muito positivo”, afirma a representante do Sebrae/PA presente na cerimônia de encerramento, Fátima Paixão. Para o gerente de Relações Comunitárias da MRN, José Haroldo de Paula, a iniciativa capacitou os moveleiros e apresentou ferramentas de gestão antes desconhecidas. “O projeto funcionou como um curso técnico. Nossos projetos sociais buscam a auto sustentação, demos o suporte inicial, agora estão prontos para conquistar novos mercados”, afirma. Guido Martins, presidente da ASSOMOR, comparou a associação a uma orquestra, “durante o curso cada um aprendeu a tocar seu próprio instrumento, a partir de agora vamos afinar e buscar harmonia para uma grande apresentação ao público".

Além do desenvolvimento sustentável, com este projeto a MRN reforça seu compromisso de atuar socialmente na área de Meio Ambiente, pois ainda está prevista a doação de madeiras legalizadas para a Associação de Moveleiros do Município de Oriximiná. O projeto ainda contemplou a certificação de duas movelarias no programa de qualidade 5S.
(Fonte: MRN)

Prefeituras estudam implantar tecnologia para identificar veículos e coibir ações criminosas

São Paulo- Prefeituras de municípios em todo o país estão considerando a criação de projetos para identificar veículos através da leitura de placas. A primeira cidade a implantar essa tecnologia, há cerca de dois meses, foi Recife (PE), onde foram instaladas câmeras associadas a um software que cruza as informações lidas na placa com os dados da Polícia Militar e do Detran.

Em caso de irregularidades, os operadores são avisados e podem interceptar o condutor na hora. O sistema também permite que, em caso de fuga de bandidos, a polícia prepare o sistema para identificar determinado veículo assim que ele passar por um dos detectores. Diferentemente dos radares instalados em rodovias, capazes apenas de ajudar na aplicação de multas, esse sistema oferece uma investigação a partir dos dados sincronizados da polícia e se torna uma ferramenta para coibir ações criminosas.

Dentre os municípios que estudam instalar a tecnologia já em 2011 estão São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e Campinas (SP), incluindo região metropolitana. A primeira cidade a implantar o modelo em 2011 deverá ser Canoas, no Rio Grande do Sul, onde o projeto está mais avançado. A previsão é que o sistema entre em funcionamento no próximo mês de Janeiro, com o software de monitoramento da ISS.

“A grande maioria dos crimes nas grandes cidades envolve tentativas de fuga utilizando motos ou carros”, afirma Alexandre Nastro, diretor da ISS. “Os municípios estão percebendo que é possível coibir essas ações e, na ocorrência de um crime, surpreender os suspeitos com uma barreira policial, por exemplo”, observa Nastro.

Para o executivo, que está envolvido na maioria dos projetos para a instalação dessa tecnologia nas grandes cidades, a leitura de placas em sincronia com o banco de dados da polícia é uma forte tendência para 2011. “Recife foi a primeira, Canoas será a próxima, e uma série de outras cidades também deverá inaugurar esse módulo de reconhecimento de veículos no próximo ano, para auxiliar o trabalho da polícia e garantir maior segurança à população”.

Temporal derruba árvore de natal de 47 metros em Santarém

Ontem, por volta das 18h, uma rajada de ventos atingiu a estrutura metálica da Árvore de Natal de 47 metros de altura, montada pela Prefeitura de Santarém na Ilha em frente à cidade, onde é tradicionalmente erguida.

A árvore estava pronta e devidamente testada para ser ligada às 20h30, após a missa de encerramento das festividades de Nossa Senhora da Conceição, padroeira dos santarenos.

Segundo Alba Valéria,  titular da secretaria municipal de Infraestrutura (SEMINF), a árvore caiu por inteiro, com exceção de sua base que mede três metros de altura. 
(Com informaçoes de Nelma Bentes)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Condição colonial

Lúcio Flávio Pinto:

Para escapar à condição colonial que lhe impõem, o habitante da Amazônia tem que se esforçar ao máximo para aproximar dois tempos: o da consciência e o da realidade. Como as decisões fundamentais, aquelas que mudam para valer a trajetória dos fatos, são tomadas de fora para dentro, com base em interesses complexos e profundos, ter ciência imediata dos acontecimentos é indispensável. Só assim o povo local pode ter participação ativa no enredo.

Raros povos coloniais conquistaram esse poder. Mas só ele não é suficiente: é necessário se antecipar aos fatos para tenha um efeito favorável a nós. Isso é quase impossível aqui, como foi impossível em muitos países da África e da Ásia sujeitos ao colonizador, ao bwana, mais “esperto”, mais poderoso.

Temos, hoje, uma arma que faltou às nações coloniais do passado: a possibilidade de acesso às informações mais protegidas, mais escondidas e sonegadas, poderosas armas de preservação do poder estabelecido. Para obtê-las, porém, é preciso travar uma guerra pesada. Esse combate exige atenção permanente, busca incessante, capacidade de captar, analisar e interpretar os dados obtidos. Além de condição de transformá-los em ferramentas para a ação por parte dos que, nesses grandes acontecimentos, são tomados como espectadores ou paisagem.

Este jornal [Jornal Pessoal] existe porque persegue com a tenacidade possível essa meta: preencher a agenda dos seus leitores com as informações que lhes permitam ser contemporâneos da própria história. É dos efeitos mais perversos – e também mais eficazes – do colonialismo fazer o colonizado pensar pela cabeça do colonizador, fazendo-lhe a vontade e colocando-o à mercê dos seus jogos de interesses. Sem as informações adequadas, o colonizado é como o burro diante da catedral. Está no centro da história, mas não tem a sua dimensão. Pensa que tudo é corriqueiro e rotineiro, como se a roda dos fatos o dispensasse para se mover. Segue por inércia.

Não é mais assim, mas pode continuar a ser exatamente assim se os colonizados se submeterem a essa lógica destruidora, renunciando à faculdade que os tempos atuais lhes permitem de ser realmente contemporâneos da história em mutação na Amazônia. Pode ser que não se consiga mudar o traçado da realidade ao máximo necessário, mas está ao nosso alcance mudá-lo substancialmente. Ter as informações é indispensável para adquirir essa condição de consciência.

Em alguns momentos este jornal consegue estar atualizado ao que de mais recente acontece na Amazônia, quando os fatos ainda não estão consumados, Inês está viva e o leite não foi derramado. Se outro mérito não tivesse, o JP teria ao menos um: procurar uma posição de vanguarda, lidando com fatos ainda em progresso ou mesmo embrionários. É um jogo arriscado, que pode destruir reputações.

Às vezes percebe-se o novo como se fosse a luz de um relâmpago, intensa e rápida, um clarão de lucidez que pode se desfazer de modo tão imediato quanto surgiu. Nem sempre se está habilitado a delinear o perfil daquele raio que cortou o céu. Erros já foram cometidos por este jornal no esforço de registrar ou entender fatos que ainda não foram mediados pelo saber acumulado localmente e sobre os quais ninguém se pronunciou na arena pública (e há cada vez menos pessoas dispostas a se pronunciar). Mas, como diz o povo, quem não arrisca não petisca. Quando não há saída, deve-se insistir no ensaio e erro.

O jornalista americano Larry Rohter, durante vários anos correspondente do New York Times no Brasil, registrou no seu livro sobre a saga brasileira (Deu no New York Times) que este jornal foi o primeiro a detectar a importância da penetração chinesa na Amazônia, em 2001. Nove anos depois, na edição anterior, aqui se mostrou a extensão desse avanço. Imaginava-se que a manchete, destacando Carajás como sendo uma possessão mineral da China, pudesse atrair a atenção da opinião pública e provocar repercussão e reação. Para desânimo nosso, seguiu-se o silêncio, característico da impotência criativa dos colonizados.

Enquanto dormimos no ponto, a China (como o legendário Jorge Age na Belém de antes) age. Ela montou uma estratégia que lhe garante o fluxo de matérias primas de que precisa e das quais não tem auto-suficiência, a preço favorável. Quando o suprimento encontra obstáculo e não consegue removê-lo, instala-se no ponto de origem. Pode ser como simplex extratora de recursos naturais, mas também como beneficiadora. E quando é sua a commodity, manobra para elevar-lhe o preço ou obriga o importador a transferir seu centro de industrialização para a própria China, como está ocorrendo no momento com as estratégicas terras raras (17 metais únicos, de enorme valor no mercado e vitais para certas indústrias, como a bélica e de informática). A China possui 97% das reservas e absorve 60% da produção mundial. Carajás não chega a tanto. Mas é quase tanto. Talvez, em função de seu volume, mais.

Apesar da indiferença, volta-se a insistir no tema. Ainda há capítulos a escrever antes do desfecho da história. Tentemos aproveitar.