quarta-feira, 30 de março de 2011

Igarapé do Juá vira esgoto de caminhões limpa-fossas



Aritana Aguiar
Free Lancer

A Policia Militar flagrou na tarde de quinta-feira (24) a empresa conhecida como Azulão, que coleta fezes de fossas domésticas, despejando os resíduos próximo ao leito do igarapé do Juá. Imediatamente, a fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) foi chamada para fazer a autuação e notificar a empresa.

Segundo o chefe de fiscalização da secretaria, Áthila Gomes, o material estava sendo jogado aproximadamente a uns 30 ou 40 metros do leito do igarapé, que é contíguo ao rio Tapajós.

A Semma colheu material despejado no solo, que se formava como uma placa preta. "Alegavam que era de esgoto, de sumidouro".  E que o terreno era propriedade do dono da empresa, no qual foi comprovado através de documentação, que segundo o chefe de fiscalização não justifica o ato.

"Estamos averiguando se enviaremos o material colhido para UFPA ou UFOPA, para que um exame seja feito no qual comprove que realmente sejam fezes humanas, pois é preciso está respaldado de um laudo", declarou Áthila.

Se for comprada o despejo de fezes no local, a empresa será multada num valor de 30 mil reais. Em seguida, será encaminhada denúncia ao Ministério Público Estadual. O órgão ministerial deve ajuizar uma ação na esfera criminal por crime contra o meio ambiente.

Segundo Áthila, a empresa estava funcionando irregularmente. "Ela está em fase de licenciamento na secretaria , mas isso não lhe dá o direito de está operando, tem apenas um protocolo, esse protocolo da Secretaria não lhe dá o direito de está funcionando", afirmou.

Com isso, a empresa poderá responder por despesas de resíduos sólidos em área de preservação permanente, e sem licença de funcionamento.

A Policia Militar estava ás proximidades do igarapé do Juá, quando uma pessoa informou a PM que estava sendo despejado fezes próximo ao igarapé. Quando a polícia chegou ao local, a empresa Azulão estava terminando de fazer o despejo.

"Foi sentido um odor muito forte, como os coliformes fecais são puxados por uma máquina passa por um processo então toma uma forma liquida, como o terreno é totalmente arenoso absorve muito rápido", explicou Áthila.

"Sabemos que a população necessita desse serviço, mas deve ser feita de forma adequada", explicou. Para a abertura de uma empresa de limpeza de fossas é necessário apresentar um projeto para Semma, avaliando os estudos de impacto ambiental, se o terreno vai suportar aquela atividade É isso que o licenciamento pede para essa atividade".

A empresa Azulão tem um prazo de 24 horas para se apresentar na Semma e levar alguns documentos exigidos pelo órgão. Até o fechamento desta edição, os responsáveis pela empresa não havia procurado a Semma.

Serviço de mototáxi em Santarém terá mais 350 permissões


Aritana Aguiar
Free Lancer

Santarém terá novamente um aumento da frota de mototaxistas. Quem garantiu foi o secretário municipal de Transportes, Sandro Lopes. "Pretende-se abrir 350 novas vagas. Como a população passou a usar o serviço, a quantidade não supre a demanda, esperamos que com esse aumento possa avançar e dê oportunidade para quem está na clandestinidade", explicou. A previsão é que ainda nesse primeiro semestre de 2011, a secretaria dê encaminhamento à ampliação.

Mas para que a frota aumente, o Sindicato da categoria deverá apresentar uma proposta à Secretaria Municipal de Transportes (SMT). Ela será apresentada a Juíza Betânia Figueiredo no próximo dia 5 de abril. A juíza recebeu recentemente uma ação judicial dos mototaxistas, que pedia mais eficácia por parte do poder público nas ações de fiscalização sobre os chamados 'clandestinos', aqueles que não possuem a permissão da prefeitura. A ação está com prefeitura para que seja contestada. A juíza chamou então as partes para conversar numa audiência conciliatória prévia. A audiência foi realizada no último dia 15.

Sandro Lopes garantiu que o serviço ilegal será combatido. "Nessa reunião a juíza aprovou em chamar todos os agentes como PTRAN, Polícias Civil, Rodoviária Federal e Militar, Detran, para que todos nós juntos possamos entrar em ação, por que percebemos que isso é um problema notório da sociedade. A secretaria nunca vai se eximir da sua responsabilidade, acreditamos que todos juntos teremos mais força não só de fazer uma ação como mantê-la", garantiu.

O secretário diz que é necessário esse apoio maior dos demais órgãos para conseguir combater o serviço ilegal de mototáxi. "O principal não é fazer uma fiscalização esporádica é ter uma continuidade dessas atividades, esperamos que seja um avanço, pois sempre colocamos que o mototáxi, é um serviço novo de modo geral", avaliou.

O presidente do Sindicato dos Mototaxistas de Santarém, Antônio Reinaldo, afirma que atualmente a situação do serviço irregular se encontra caótica "deixando vítimas no trânsito".

Sandro Lopes acredita ser um forte apoio ter o poder judiciário como aliado no combate do serviço ilegal. "É bom que o judiciário esteja conosco por que fortalece essas ações", garantiu.

Sandro diz ter informações de que o serviço do não legalizado é até mais caro. "Os índices de acidentes envolvendo os legalizados é mínimo, por que há uma preocupação por parte da classe em ser prudente no trânsito", argumenta. Ele acrescenta que a população de modo geral encampou esse serviço,"para resolver isso é uma luta diária".

O secretário pede que em caso de acidentes envolvendo os não legalizados, a imprensa não os chamem de mototaxistas. "Essa função é dada apenas para os credenciados", justifica. Para ele, os demais são motoqueiros, para que não haja generalização em afirmar que o serviço está sempre envolvido em acidentes.

A SMT tem forte preocupação quanto à quantidade de motos em Santarém, que são 23 mil. "Desse, total 450 são mototáxitas permissionados e o restante é clandestino e particulares", informou.

Contraponto, a coluna semanal de Alailson Muniz



Verbas federais
Cerca de 80% das verbas federais esperadas pela prefeita Maria do Carmo estão em projetos estacionados nos Ministérios do Turismo e das Cidades. A gestora já foi a Brasília para conhecer os novos ocupantes das pastas.
Alenquer faz concurso
A Prefeitura de Alenquer, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, abriu as inscrições ao concurso público destinado ao preenchimento de vagas ao cargo de nível fundamental de Agente Comunitário de Saúde. O pagamento da taxa de inscrição será no valor de R$ 40,00 (quarenta reais) e a inscrição ocorrerá no período de 04 a 08 de abril. Quem realiza o certame e a Fadesp (www.fadesp.org.br).
Justiça longe do interior
Promotores justiça e defensores públicos não querem ficar em cidades pequenas do interior do estado. Eles chegam ás cidades com a intenção de sair. Alguns passam mais de dez dias sem visitar as comarcas que assumem. A situação contribui para a impunidade e para a morosidade no andamento de simples processos, também cercear o direito de acesso à justiça gratuita.
Ficha limpa
Muita gente cmomerou, mas muita gente chorou após a decisão do ministro Luis Fux de não retroagir os efeitos da chamada 'Lei dos Ficha Lima', que impediu vários 'fichas sujas' de assumirem mandatos conquistados nessas últimas eleições.
Ficha Limpa II
A senadora Marinor Brito, do PSOL, deve deixar sua cadeira para o ex-deputado federal e magnata das comunicações, Jader Barbalho, do PMDB.
Parazão 2011
O Paysandu sagrou-se campeão da Taça Cidade de Belém, que vale pelo primeiro turno do Parazão 2011. A equipe venceu o Cametá pelo escore de 3 tempos a dois. Rafael Oliveira, ex-São Raimundo foi o destaque da partida e também artilheiro da competição. Parabéns ao clube! O São Raimundo volta a campo pelo segundo turno no próximo dia 3 de abril contra a equipe do Remo, no Colosso do tapajós.
Susipe retoma granja
A Superintendência do Sistema Penal do Pará (Susipe), por meio da direção do presídio Silvio Hall de Moura, em Santarém, retomou o projeto de criação de pintos para engorda que estava paralisado há dois anos. O diretor coronel Walter Santo disse que o projeto ajuda na ressocialização dos presos e também concede a eles uma ajuda financeira.
Demora na fila
O vereador Nélio Aguiar (PMN) criticou a demora que os clientes enfrentam nas filas de bancos em Santarém. Ele quer exigir das instituições bancárias o tempo limite de atendimento ao cliente, determinado por lei municipal, de autoria do vereador Valdir Matias Júnior e que, segundo Nélio Aguiar, não está sendo cumprida. Nélio fez um comparativo dizendo que um supermercado coloca de dez a 15 caixas para atender seus clientes e os bancos que obtém grandes lucros e tem poder econômico financeiro bem maior "e para atender a população oferece, dois, três, cinco caixas, fazendo com que as pessoas fiquem perdendo seu tempo, sofrendo em longas filas". O parlamentar cobrou uma atuação mais efetiva do PROCON , que no seu entendimento além de fiscalizar deveria estar multando as agências bancárias que não cumprem a lei, já que esta determina multa.
Fim da greve
Chegou ao fim a greve dos professores, mas ainda há um impasse sobre a reposição das aulas. O ano letivo deve se estender até 2012. Os estudantes não gostaram muito da ideia, mas pouco vão poder fazer.
Audiência
Os funcionários públicos Evaldo Viana e Sandra Pontes, os advogados Euler Ferreira e Pedro Marialva, as jornalistas Natashia Santana e Nelma Bentes, os vereadores Nélio Aguiar e Gerlander castro são leitores assíduos da coluna. Obrigado pela audiência.

Nota Fiscal eletrônica da Sefa terá nova versão a partir de abril


Belém- A partir de 1º de abril passará a ser obrigatória a emissão de Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) na versão 2.0. A Secretaria da Fazenda do Pará (Sefa) informa aos contribuintes credenciados sobre a necessidade de atualizar antecipadamente o software emissor da NFe até o dia 31 de março, pois a partir desta data os documentos fiscais eletrônicos emitidos na versão anterior (1.10) não serão mais aceitos. A versão 2.0 melhora o sistema de emissão da nota fiscal eletrônica.

De acordo com o secretário da Fazenda do Pará, José Tostes Neto, a versão 2.0 é uma evolução dos controles da nota fiscal eletrônica, garantindo maior segurança à comunicação eletrônica, além de reorganizar e eliminar alguns campos existentes.

Também foi incluída uma adequação para registrar as operações praticadas pelos contribuintes optantes pelo Simples Nacional. A versão 2.0 aperfeiçoa as regras de validação ou exclusão, além de permitir a possibilidade de denegação de uso por situação irregular do destinatário.

A nova versão da NFe registrará eventos como passagem, ocorrências, rastreamento e até mesmo desconhecimento da mercadoria. A Sefa recomenda que os contribuintes efetuem testes na versão 2.0 e façam a atualização com antecedência para evitar interrupções de faturamento. O download da versão 2.0 é gratuito para os contribuintes que utilizam o programa emissor disponibilizado pela Secretaria da Fazenda de São Paulo.

No site da Nota Fiscal Eletrônica (www.nfe.fazenda.gov.br) está disponível a Nota Técnica 2011/002, que divulga as novas regras de validação para a rejeição de NF-e da versão 1.10, emitidas após 31/03/2011. Também define regras para o uso do Ambiente de Homologação da NF-e, a serem aplicadas a partir de 01/05/2011, bem como os demais atos legais.

Fornecedores - A partir de dezembro de 2010 passou a ser obrigatória a utilização de Nota Fiscal Eletrônica nas vendas para a administração pública, em operações interestaduais e no comércio exterior, de acordo determinação do Protocolo ICMS 42, de 03/07/2009. A medida engloba todos os órgãos da administração direta ou indireta, inclusive empresas e sociedades de economia mista, da União, Estados, Distrito Federal e Municípios. As novas regras são aplicáveis, inclusive, às empresas públicas, microempresas e as empresas de pequeno porte optantes do Simples Nacional.
A alteração substitui as notas fiscais modelos 1 e 1A, pela NF-e. A regra alcança todos os contribuintes e independe do valor da operação.
(Ana Márcia Pantoja - Ascom/Sefa)

terça-feira, 29 de março de 2011

Secretário de Obras fará inspeção em Santarém


O secretário de Obras do Estado, Joaquim Passarinho, fará inspeção em duas obras estaduais paralisadas em Santarém desde o governo Ana Júlia: Central de Atendimento ao Cidadão(Proeto Saci), na avenida Rui Barbosa, e o ginásio polesportivo, na área do estádio Barbalhão.

Nomeação para Sagri em Santarém


O engenheiro agrônomo Otávio Macedo foi designado pelo secretário de agricultura Hildegardo Nunes para responder pela direçao regional da Sagri, com sede em Santarém.

Carta aberta de Dom Erwin Krautler à opinião pública nacional e internacional sobre Belo Monte


"Venho mais uma vez manifestar-me publicamente em relação ao projeto do Governo Federal de construir a Usina Hidrelétrica Belo Monte cujas consequências irreversíveis atingirão especialmente os municípios paraenses de Altamira, Anapu, Brasil Novo, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Vitória do Xingu e os povos indígenas da região.
Como Bispo do Xingu e presidente do Cimi, solicitei uma audiência com a Presidente Dilma Rousseff para apresentar-lhe, à viva voz, nossas preocupações, questionamentos e todos os motivos que corroboram nossa posição contra Belo Monte. Lamento profundamente não ter sido recebido.
Diferentemente do que foi solicitado, o Governo me propôs um encontro com o Ministro de Estado da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. No entanto, o Senhor Ministro declarou na última quarta-feira, 16 de março, em Brasília, diante de mais de uma centena de lideranças sociais e eclesiais, participantes de um Simpósio Sobre Mudanças Climáticas que "há no governo uma convicção firmada e fundada que tem que haver Belo Monte, que é possível, que é viável... Então, eu não vou dizer prá Dilma não fazer Belo Monte, porque eu acho que Belo Monte vai ter que ser construída".
Esse posicionamento evidencia mais uma vez que ao Governo só interessa comunicar-nos as decisões tomadas, negando-nos qualquer diálogo aberto e substancial. Assim, uma reunião com o Ministro de Estado Gilberto Carvalho não faz nenhum sentido, razão pela qual resolvi declinar do convite.
Nestes últimos anos não medimos esforços para estabelecer um canal de diálogo com o Governo brasileiro acerca deste projeto. Infelizmente, constatamos que esse almejado diálogo foi inviabilizado já desde o início. As duas audiências realizadas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 19 de março e 22 de julho de 2009, não passaram de formalidades. Na segunda audiência, o ex-presidente nos prometeu que os representantes do setor energético, com brevidade, apresentariam uma resposta aos bem fundamentados questionamentos técnicos feitos à obra pelo Dr. Célio Bermann, professor do curso de pós-graduação em energia do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo. Essa resposta nunca foi dada, como também nunca foram levados em conta os argumentos técnicos contidos na Nota Pública do Painel de Especialistas, composto por 40 cientistas, pesquisadores e professores universitários.
Observamos, pelo contrário, na sequência a essas audiências, que técnicos do Ibama reclamaram estar sob pressão política para concluir com maior rapidez os seus pareceres e emitir a Licença Prévia para a construção da usina. Tais pressões políticas são de conhecimento público e motivaram, inclusive, a demissão de diversos diretores e presidentes do órgão ambiental oficial. Em seguida, foi concedida uma "Licença Específica", não prevista na legislação ambiental brasileira, para a instalação do canteiro de obras.
No dia 8 de fevereiro de 2011, povos indígenas, ribeirinhos, pequenos agricultores e representantes de diversas organizações da sociedade realizaram uma manifestação pública em frente ao Palácio do Planalto. Na ocasião, foi entregue um abaixo-assinado contrário à obra, contendo mais de 600 mil assinaturas. Embora houvessem solicitado uma audiência com bastante antecedência, não foram recebidos pela Presidente. Conseguiram apenas entregar ao ministro substituto da Secretaria Geral da Presidência, Rogério Sottili, uma carta em que apontaram uma série de argumentos para justificar o posicionamento contrário à obra. O ministro prometeu mais uma vez o diálogo e considerou a carta"um relato que prezo, talvez um dos mais importantes da minha relação política no Governo (...) vou levar este relato, esta carta, este manifesto de vocês, os reclamos de vocês...". Até o momento, nenhuma resposta!
As quatro audiências -realizadas em Altamira, Brasil Novo, Vitória do Xingu e Belém- não passaram de mero formalismo para chancelar decisões já tomadas pelo Governo e cumprir um protocolo. A maioria da população ameaçada não conseguiu se fazer presente. Pessoas contrárias à obra que conseguiram chegar aos locais das audiências não tiveram oportunidade real de participação e manifestação, devido ao descabido aparato bélico montado pela Polícia.
Até o presente momento, os índios não foram ouvidos. As "oitivas" indígenas não aconteceram. Algumas reuniões foram realizadas com o objetivo de informar os índios sobre a Usina. Os indígenas que fizeram constar em ata sua posição contrária à UHE Belo Monte foram tranquilizados por funcionários da Funai que as "oitivas" seriam realizadas posteriormente. Para surpresa de todos nós, as atas das reuniões informativas foram publicadas pelo Governo de maneira fraudulenta em um documento intitulado "Oitivas Indígenas". Esse fato foi denunciado pelos indígenas que participaram das reuniões. Com base nestas denúncias, peticionamos à Procuradoria Geral da República investigação e tomada de providências cabíveis.
A tese defendida pelo Sr. Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), de que as aldeias indígenas não serão afetadas pela UHE Belo Monte, por não serem inundadas, é mera tentativa de confundir a opinião pública. Ocorrerá justamente o contrário: os habitantes, tanto nas aldeias como na margem do rio, ficarão praticamente sem água, em decorrência da redução do volume hídrico. Ora, esses povos vivem da pesca e da agricultura familiar e utilizam o rio para se locomover. Como chegarão a Altamira para fazer compras ou levar doentes, quando um paredão de 1.620 metros de comprimento e de 93 metros de altura for erguido diante deles?
Julgo fundamental esclarecer que não há nenhum estudo sobre o impacto que sofrerão os municípios à jusante, Senador José Porfírio e Porto de Moz, como também sobre a qualidade da água do reservatório a ser formado. Qual será o futuro de Altamira, com uma população atual de 105 mil habitantes, ao ser transformada numa península margeada por um lago podre e morto? Os atingidos pela barragem de Tucuruí tiveram que abandonar a região por causa de inúmeras pragas de mosquitos e doenças endêmicas. Mas os tecnocratas e políticos que vivem na capital federal, simplesmente menosprezam a possibilidade de que o mesmo venha a acontecer em Altamira.
Alertamos a sociedade nacional e internacional que Belo Monte está sendo alicerçada na ilegalidade e na negação de diálogo com as populações atingidas, correndo o risco de ser construída sob o império da força armada, a exemplo do que vem ocorrendo com a Transposição das águas do rio São Francisco, no nordeste do país.
O Governo Federal, no caso da construção da UHE Belo Monte, será diretamente responsável pela desgraça que desabará sobre a região do Xingu e sobre toda a Amazônia.
Por fim, declaramos que nenhuma "condicionante" será capaz de justificar a UHE Belo Monte. Jamais aceitaremos esse projeto de morte. Continuaremos a apoiar a luta dos povos do Xingu contra a construção desse "monumento à insanidade".
Brasília, 25 de março de 2011. - Dom Erwin Kräutler - Bispo do Xingu e Presidente do Cimi - Conselho Indigenista Missionário.
[Fonte: Cimi - Conselho Indigenista Missionário].

Almoçou no Paysandu e jantou no Remo...

Ferreira da Costa*

De acordo com relato do jornal "A Vanguarda" (21.07.1945) o atacante Assis que era do Remo resolveu ir para o Paysandu, naquela temporada. O jogador já no seu novo Clube informou que precisava ser operado. O Paysandu providenciou a cirurgia com o médico Prisco dos Santos, um dos mais renomados cirurgiões daquela época. O Papão pagou a operação e providenciou o Cartão do Atleta, a fim de que Assis estreasse com a camiseta alvi-azul já no primeiro Clássico Re x Pa, marcado para o dia 22 de julho, pelo 1° Turno do Campeonato Paraense, pré-escalado para a ponta-esquerda.
 
Naquela época o Paysandu concentrava seus atletas na própria sede, à Av. Nazaré, onde faziam também as refeições. No dia 20/07, dois dias antes do jogo contra o Remo, Assis almoçou na sede bicolor, concentrado que estava junto aos demais craques alvi-celestes. À tarde, pediu para dar uma volta pela Cidade e foi liberado. Na saída, encontrou-se com Jorge Age, um dos mais influentes dirigentes azulinos nesse tempo e em todos os demais. Jorge Age teria "conversado" com o jogador Assis a propósito de sua transferência.
 
A palestra teve como resultado o retorno do avançado Assis para seus "pagos', não mais dando as caras no Paysandu, que se já estava com seu time escalado para enfrenatr o Remo, com Simeão no gol e Assis, na ponta-esquerda, teve que substituir os dois, o primeiro por motivo de contusão horas antes da partida e Assis pela debandada. 
 
O Paysandu possuia uma forte e temida equipe, era tri-campeão e nesse jogo contra o Remo acabou vencendo-o por 7 x 0, em Antonio Baena. Palmério substituiu Simeão e Soiá entrou na vaga de Assis, na ponta-esquerda. Soiá marcou três gols e nunca mais se falou em Assis nas hostes alvi-azuis...
 
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* Divulgação do Livro "A História do Campeonato Paraense" a ser lançado pelo jornalista Ferreira da Costa, em parceria com a Federação Paraense de Futebol, logo após a decisão do Campeonato Paraense de 2011. 
 

Guerra contra a dengue e a iminente derrota do povo

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Antenor Giovaninni

Estamos em guerra, mas, lamentavelmente nossos dirigentes acham que não.

Uma guerra silenciosa que aos poucos vai minando seja ricos, pobres, gordos, magros, crianças, homens, mulheres, anciãos. Não há distinção de cor. Qualquer um pode ser pego.

Uma guerra com nome dengue. E nada é feito.

Apenas números em estatísticas.

Nenhum dirigente age de maneira pró-ativa para que a população realmente se conscientize de que dengue mata e não escolhe vítimas. Ninguém encabeça a uma passeata pelas ruas, uma panfletagem, discussões ao ar livre nos bairros, na periferia, uma campanha diuturna no rádio e televisão alertando para que a população limpe seus quintais, não jogue lixo na rua. Não deixe caixas e reservatórios destampados, que não deixe recipientes pelos quintais com chance de acumular água, enfim, alertar de forma exaustiva. 

O que não pode é essa omissão, esse descaso como se dengue fosse apenas uma gripe passageira. Quantos já morreram e quantos precisam morrer para que alguma coisa mais séria e mais eficaz seja feita pelas autoridades?

Nas escolas de todos os níveis temos um exército que poderia ajudar, o comércio poderia ser outra ferramenta a serem usadas, as igrejas de que religião for seria outro exército de pessoas, afora as Forças Armadas, a PM, as televisões, as rádios, os blogs, os jornais, enfim existem maneiras de atingir o mais variado público na tentativa de minimizar esses números. 

Na grande maioria as pessoas acham que não acontecem com elas, apenas com os vizinhos e quando vai ver ela já está dentro da sua casa.

Os terrenos baldios são caso à parte. A falta de um Plano Diretor efetivo com Código de Postura abrangente daria condições à Prefeitura ações até de tomada do terreno depois de sucessivas multas não pagas, tal qual em outras tantas cidades do País. Um deposita de lixo proliferando e propagando essa doença em vários bairros apenas beneficiando seu dono numa especulação imobiliária. Que ela seja permitida, porém dentro de regras de limpeza, muramento e calçamento.

Até quando iremos esperar?

Frango já toma o lugar o peixe na Semana Santa em Santarém


Aritana Aguiar
Free lancer

A quaresma chegou, assim como o encerramento do período do Defeso: época em que fica proibida a pesca de alguns peixes, por estarem no período de reprodução. A tradição católica pede para que os fiéis evitem consumir carne vermelha nesses quarenta dias, em especial na Semana Santa. Mas, como já está se tornando praxe, a Igreja Católica tem liberado os seus fiéis para comerem frango no lugar do peixe, devido ao custo do pescado.

Para o padre Ronaldo Nascimento, pároco da matriz, a questão econômica tem influenciado o consumo do peixe nesse período. "Sabemos que hoje o preço do peixe está mais elevado, que há muito tempo se recomenda, que não tem condição das famílias mais pobres, na Semana Santa, fazer uma alimentação controlada a base do peixe. Até pela dificuldade, não só no campo econômico, mas da pesca, a pesca sem controle, vários outros fatores que dificultam a fartura que era nos anos passados", justificou o religioso.

Segundo ele, o fator econômico influência e fica muito difícil, mas os fiéis devem se preparar. "Mas isso não impede que se faça uma boa preparação na Semana Santa, que as famílias tenham esse momento especifico de oração, do jejum, da caridade em si, é o que se pede".

O pároco diz que consumir peixe pode ficar em segundo plano e que o católico deve, ao menos na Sexta-feira Santa, fazer coisas boas e tratar bem o próximo. "É um dia que marca a nossa história de fé, nossa história de cristãos batizados", justifica.

Para o religioso, durante a semana pode comer os outros tipos de carne, mas na Sexta-Feira procurar outro alimento alternativo, não necessariamente o peixe. "Hoje, há uma diversidade muito grande de alimentação alternativa". Ele alerta que não se pode deixar uma criança ou pessoa idosa, ou os doentes com fome. O mais importante é que sejam alimentados, podendo comer até a carne vermelha se possível. 

Padre Ronaldo pede que a família de elevada condição financeira faça caridade e ajude as mais necessitadas. "O verdadeiro sacrifício vem do coração". Há uma preocupação que futuramente as pessoas não respeitem a tradição de não consumir carne vermelha na Semana Santa e às sextas-feiras da Quaresma. "Nós vivemos num mundo muito diversificado hoje em dia, o cristão católico com certeza não, mas é uma preocupação com a humanidade em si, é preciso rever nossos princípios, olhando a questão do próprio valor", concluiu.