terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Xingu: mais um rio que o homem invade



Lúcio Flávio Pinto
Articulista de O Estado do Tapajós

Mais um grande rio da maior bacia hidrográfica do planeta está sendo barrado pelo homem. No início do mês passado, uma barragem de terra começou a avançar sobre o leito do rio Xingu, no Pará, dentre os maiores do mundo. A represa vai desviar o fluxo da água para permitir que os construtores da barragem de concreto trabalhem em seco.

Em mais dois anos eles pretendem erguer ali a maior de todas as hidrelétricas já criadas pelo homem, com capacidade nominal de gerar mais de 11 mil megawatts. A usina de Belo Monte acrescentaria então mais 15% de energia ao sistema nacional, o maior de origem hidráulica dentre todos os países. A água ainda propicia a energia mais barata de que se dispõe na Terra. E, embora sob crescente ceticismo, também a mais limpa.

 Contra críticos e opositores, o governo federal já decidiu: extrairá da Amazônia toda energia que seus rios poderão fornecer. Tanto para transferi-la – por longas distâncias – para as áreas de maior demanda como para atrair novos empreendimentos eletrointensivos de todas as partes. É uma investida tão grandiosa quanto a que se empreende na região do Cáucaso, na antiga União Soviética (mas tangenciando a Rússia, a mais poderosa das repúblicas socialistas da URSS), com outro energético: o petróleo.

A interferência humana nos caudalosos rios amazônicos começou no final dos anos 1960, durante o “milagre econômico” promovido pelo regime militar. Mas o alvo eram dois pequenos rios, o Curuá-Una, no Pará, e o Araguari, no Amapá. Neles surgiram duas diminutas usinas, que funcionam com água corrente, sem formar reservatórios para acumulá-la. São a fio d’água, conforme a expressão dos engenheiros.

A primeira grande intervenção humana começou em 1975, sobre o leito do Tocantins, o 25º maior rio do mundo, com mais de dois mil quilômetros de extensão. Foi uma epopeia, sob todos os sentidos, bons e ruins. O momento mais dramático aconteceu em 1980.

A Eletronorte construiu uma ensecadeira de terra com capacidade para suportar a pressão de 50 milhões de litros de água por segundo. Era o máximo que se imaginava que o rio podia vazar, com base em estimativas científicas. Mas a vazão do Tocantins surpreendeu: foi a 68,5 milhões de litros de água por segundo. Por pouco a ensecadeira não foi arrastada – e com ela, cinco anos de trabalho e centenas de milhões de dólares já gastos.

O rio Xingu tem quase a grandeza do seu vizinho Tocantins, em extensão e em vazão, embora sofra estiagem mais forte durante o verão, quando sobra um fio d’água entre pedras e ilhas. Esta é a fase em que ele cresce e extravasa, por causa das chuvas que caem nas suas cabeceiras e dos seus afluentes. É o inverno amazônico, caracterizado pelas enxurradas pesadas.

O nível do rio está bem acima do normal das cheias de janeiro. É sinal de que as inundações poderão ser mais rigorosas. Algumas providências já estão sendo tomadas para evitar maiores prejuízos. Uma das ameaças do rio é à ensecadeira.
Ela começou a ser formada numa época adversa, justamente quando começam os “torós”, verdadeiros dilúvios. Mas o consórcio construtor de Belo Monte deve ter preferido enfrentar a natureza a correr o risco de nova paralisação forçada ou de restrição às obras.

Para poder iniciar o desvio do rio, a Norte Energia teve que derrubar uma medida judicial que a impedia de trabalhar no leito do Xingu. Ela tinha que se limitar a operar nas margens, com trabalhos complementares e acessórios. Mal a ordem foi suspensa, tratou de colocar uma grande frota de tratores em serviço, jogando terra nas águas e abrindo estrada numa ilha situada no meio do rio, montando estruturas.

O juiz federal que concedeu a liminar, colocando a construtora fora do Xingu, sob a alegação de que as obras iam acabar com a pesca ornamental no local, foi o mesmo que voltou atrás, logo em seguida, já convencido de que não há essa atividade. Ou ao menos não ao alcance da hidrelétrica.

Agora, se ele mais uma vez voltar atrás, quando examinar o mérito da ação dos declarados pescadores, dificilmente sua decisão poderá ter efeito prático. O avanço da obra humana sobre o vau de um rio como o Xingu constitui fato consumado. Revertê-lo é possível e factível, mas não é a regra. Muito pelo contrário. Os engenheiros que levantam barragens sabem muito bem disso.

O governo também. Polêmicas e incidentes como os que se registram em Belo Monte se repetiram no rio Madeira, que é ainda maior. Mas a usina de Santo Antônio está entrando em operação comercial quatro anos antes do cronograma original.

Jirau, com o retardamento provocado pelo quebra-quebra no canteiro de obras no ano passado, ainda assim segue pelo mesmo caminho. As duas terão quase metade da potência nominal de Belo Monte, mas irão gerar efetivamente mais durante o ano porque o Madeira tem uma vazão maior e mais regular (é o mais importante tributário do fantástico Amazonas).

Logo será a vez de outro grande afluente da margem direita do maior e mais volumoso rio do mundo. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2) prevê que seis hidrelétricas no Tapajós, o último grande rio no oeste do Pará, fornecerão tanta energia quanto Tucuruí, hoje a maior usina inteiramente nacional, que responde por 8% do crescente consumo brasileiro de energia. Aí então virá o Araguaia – e qual mais em seguida?

Duas coisas surpreendem nessa corrida desabalada a grandes fontes de energia: o barulho que provocam quando são anunciadas e o silêncio no qual seguem quando, consumados os fatos, Inês é morta e a obra vai em frente, sem lenço, sem documento e sem uma fita amarela.

Para consolidar a Amazônia como a maior província energética da terra, o equivalente verde dos campos de petróleo do Oriente. O verde da floresta, porém, transformado em hulha branca – e em seus vários derivados multicoloridos. Quando não, negros.

Consultoria na Sefa pode ter levado a acertos ao arrepio da lei

No Diario do Pará:

O esquecido caso “Assets Consultoria”

Trindade

O ex-secretário de Fazenda do governo Ana Júlia, José Trindade, assim como os demais doutores que derrotaram a ex-governadora, além de ser dono de uma cordial antipatia, ostenta um doutorado em Economia na espécie Dívida Pública.
Trindade, do alto da sua soberba, concluiu que apenas ele sabia destrinchar a dívida pública do Pará, mas, com outras coisas com as quais se atarefar, resolveu contratar uma empresa mineira de consultoria, a “Assets Alicerce LTDA” para a gloriosa tarefa.
O recebimento de R$ 27 milhões pela “Assets”, pagos pela SEFA no meio da recandidatura de Ana Júlia, juntamente com as contas mal prestadas do empréstimo de R$ 366 milhões, que se perderam por tortuosos atalhos contábeis, tinham tudo para se transformar em um dos maiores escândalos financeiros que um governo já patrocinou no Pará, mas, mal a imprensa tentava sistematizar as manchetes sobre os assuntos, um outro escândalo levantou-se: as fraudes na Assembleia Legislativa.
Como a imprensa brasileira não tem processamento paralelo e a maioria dos leitores tem leitura preemptiva, qualquer novo episódio sufoca o anterior, e quem ousa tocar, no meio da tempestade que cai, na violência da procela anterior, é acusado de diversionismo: o famoso “quer desviar a atenção”.
Mas, eis que não se finou de todo o episódio “Assets”, que nos corredores da SEFA passou a se chamar “acerto”: os ex-secretários Trindade e Vando Vidal, prestaram depoimento no dia 25.01.2012, em procedimento administrativo-disciplinar aberto pela Corregedoria da SEFA, que apura o caso e, comme il faut, nada esclareceram.
O Estado, nos seus próprios quadros, tem pessoas qualificadas para fazer qualquer serviço, mas, os órgãos subestimam a aptidão dos seus técnicos, preferindo importar caras soluções exógenas, porque as vias oblíquas não podem ser efetivadas com as providências domésticas.
É hora de acabar com esta pantomima de importar doutos consultores a preços milionários: nem que seja absolutamente republicana a contratação, os agentes públicos estão tão sem fé pública que ninguém acredita que ali não está perpetrado um ato de corrupção.
Ou damos um jeito de tratar o erário com mais consequência, ou vamos todos juntos, inocentes e pecadores, para o quinto dos infernos, se é que já não estamos nele.
Clique na imagem para ler matéria do “Diário do Pará” sobre o assunto.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Operadora Vivo prejudica usuários de Itaituba


Há mais de três semanas vários usuários da operadora de telefonia móvel Vivo reclamam da qualidade dos serviços prestados pela empresa na cidade de Itaituba. As principais deficiências residem na dificuldade de originar e receber chamadas e no envio de SMS (torpedos). Em alguns casos, os torpedos chegam ao destinatário somente uma ou até mesmo duas horas depois do envio. As dificuldades de comunicação através da operadora são maiores no período entre as 19:00 e 23:00.

Em contato com a operadora na última quarta-feira (02), foi estabelecido um prazo de 48 horas para a normalização dos serviços. No entanto, as reclamações continuam.

Juliana, uma jovem moradora de Itaituba e que utiliza os serviços da empresa Vivo, diz ter recebido torpedos a meia noite, sendo que os mesmos foram enviados por seus amigos pelo período da tarde do mesmo dia.(Fonte: Itaituba Hoje)

Justiça decide que intervenção na OAB Pará continua


Mais uma tentativa judicial do advogado Jarbas Vasconcelos para suspender a intervenção na Ordem dos Advogados do Brasil seção Pará (OAB-PA) e barrar a abertura de processo ético-disciplinar contra ele foi por terra no Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília. A juíza, convocada para atuar no Tribunal, Gilda Sigmaringa Seixas proferiu decisão no último dia 27, determinando o prosseguimento das providências que estão sendo tomadas pelo Conselho Federal da OAB. 
 
A decisão foi provocada pelo próprio Conselho Federal, tão logo tomou conhecimento que existia, junto à 21ª Vara Federal do DF, uma ação solicitando a suspensão da intervenção. A juíza entendeu, ao julgar o agravo de instrumento, que a OAB agiu de acordo com seu estatuto e regulamento, sendo legítimas não apenas a intervenção, como a abertura de processo ético-disciplinar contra o presidente afastado da Seccional paraense.

Em seu despacho, a magistrada conclui que os atos administrativos adotados contra a gestão de Jarbas na OAB-PA gozam de legitimidade, veracidade e legalidade, não sendo possível sua eventual suspensão por medida liminar, o que seria uma flagrante ofensa ao princípio do próprio processo legal, a não ser diante de evidências concretas de alguma ilegalidade no processo contra Jarbas, o que não acontece neste caso, segundo afirma a juíza Gilda Sigmaringa Seixas.(Do Espaço Aberto)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Máfia dos ingressos em Santarém


Na Coluna do Estado, do jornal O Estado do Tapajós, que está nas bancas de Santarém:

Máfia dos ingressos
Descoberta o que pode ser a ponta do iceberg da máfia das vendas dos ingressos no São Raimundo. No jogo de quarta-feira, 1, contra o Cametá a Polícia Militar prendeu um homem de pré-nome Paulo que estava portando ingressos para o jogo. Ocorre que esses ingressos foram colocados como credenciais para policiais militares e bombeiros no borderô do jogo. Outro fato intrigante é que esse Paulo é filho de uma pessoa muito próxima de Rozinaldo do Vale, o presidente secular São Raimundo. A mãe de Paulo, inclusive, é quem gerencia um dos bares do clube durante as festas realizadas nele. Muita coincidência.

Máfia dos ingressos II
No momento da detenção de Paulo, dois diretores foram chamados, mas não tomaram as devidas providências. Eles são unha e carne com Rozinaldo do Vale. Estima-se que 300 ingressos tenham sido desviados para esse fim. O Conselho Deliberativo do São Raimundo, o mesmo que pediu a cabeça de Rozinaldo do Vale, criou uma comissão de fiscalização e controle para investigar o caso. Outras supostas irregularidades do passado também serão investigadas.

Enganação
Se comprovada essa máfia dos ingressos, o torcedor terá a explicação para aqueles jogos em que a lotação e a renda divulgada não condiz grosseiramente com aquilo que é visto à olho nu.

A divisão do Pará não foi desfeita



Lúcio Flávio Pinto
Articulista de O Estado do Tapajós

O efeito do plebiscito de 11 de dezembro, quando mais de dois terços do eleitorado paraense se recusaram a aceitar a divisão do Estado para a criação de mais duas unidades federativas, de Carajás e do Tapajós, deverá se refletir nas eleições municipais deste ano. Mesmo se tratando de disputas em âmbito territorial restrito, que permite aos candidatos atuar apenas em uma base de votos, o suficiente para sua eleição, um dos seus efeitos poderá ser o de especializar a representação política.

O Pará saiu polarizado da votação do ano passado. As posições postas em questão pela consulta plebiscitária segmentaram espacialmente o eleitorado em territórios conflagrados. Essa tensão e esse ânimo conflitantes ficaram obscurecidos pelo resultado da votação, na qual a esmagadora maioria da população se opôs aos projetos de emancipação. Não faltavam sólidos argumentos contrários a essa aspiração, e, em especial, à forma com que ela se expressou. Mas, ao se manifestar de maneira tão vigorosa contra os separatistas, a região metropolitana de Belém se isolou.

Será uma vitória de Pirro se os vitoriosos não perceberem a situação em que ficaram e não tratarem de compensar os derrotados. Nem é o caso de compensação, já que a expressão se desgastou nas tentativas de camuflar as perdas causadas por iniciativas de impacto. Ao invés de compensar, o reequilíbrio político e territorial do Estado exige uma nova divisão de poder e a descentralização administrativa. Sem isso não haverá o necessário desarmamento dos espíritos, mobilizados por uma campanha aventureira e oportunista dos líderes dos projetos dos dois Estados.

Eles sabiam que as evidências demográficas impossibilitavam a vitória. A derrota se tornou ainda maior por causa de uma campanha de marketing desastrada. Ao invés de tentar convencer a maioria dos paraenses sobre as vantagens da divisão, atacou-os com a pretensão de intimidá-los ou diminuí-los, fazendo-os assim incorporar o papel de algozes, de responsáveis pelos problemas das regiões agora empenhadas em se libertar desse jugo. Ao invés disso, a campanha por Carajás e Tapajós suscitou o orgulho nativo e engendrou o receio de comprometer o futuro pela perda de suas riquezas naturais.

Uno ou tripartido, o Pará já está com esse futuro ameaçado pelas práticas em curso de exploração dessas riquezas, que seriam mantidas pelos defensores da redivisão. Mas eles conseguiram convencer (ou iludir) as populações do Oeste e Sul de que os novos Estados só não saíram pelo egoísmo e tirania dos que controlam as engrenagens do poder decisório e querem manter a situação atual, raiz das injustiças e desigualdades. A polaridade extremada poderá acabar com o livre ir-e-vir de políticos que se destacaram na campanha do plebiscito.

Com uma diferença: desfeita a ameaça da separação da maior parte do território paraense, os que se posicionaram contra deixarão de formar uma unidade, como a que persistirá nas áreas de Carajás e Tapajós. E que persistirão como campo de manobra para os líderes dos dois movimentos. Se eles sabiam que a vitória era quase impossível no plebiscito, agora as possibilidades de vitória pessoal se tornaram factíveis. Suas carreiras poderão prosseguir.

Até agora a administração Jatene nada fez para reverter essa situação e restabelecer o entendimento político entre as três partes do Estado. Ao endossar o nome do deputado Zenaldo Coutinho, líder da frente contra as emancipações, como candidato do PSDB à prefeitura de Belém, parece indicar que continuará a agir assim, contra o sentido da história. Mesmo que não haja candidato capaz de se harmonizar com a difícil e conflituosa história do Pará.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Capa da edição deste sábado de O Estado do Tapajós

O Estado do Tapajós - edição desta semana - formato PDF

Jatene expõe motivos para taxar atividade mineral

Jatene expõe motivos para taxar atividade mineral (Foto: Agência Pará)
                                                       Foto: Agência Pará)




O governador do Pará, Simão Jatene, em reunião com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ontem, em Brasília (DF), expôs os interesses do Estado ao criar a taxa de controle sobre a atividade mineral, apresentou o projeto que visa melhorar a compensação aos Estados exportadores de matéria-prima e ressaltou a necessidade de o governo federal solucionar o problema que afeta as indústrias eletrointensivas, devido às altas taxas pagas pelo consumo de energia.

Sobre a Taxa de Controle, Acompanhamento e Fiscalização das Atividades de Pesquisa, Lavra, Exploração a Aproveitamento de Recursos Minerários (TFRM), o governador ponderou que, em nenhum momento ela cria uma situação conflituosa com a legislação federal ou com as empresas mineradoras instaladas em território paraense. “Queremos apenas garantir maior participação do povo do Pará nos lucros por essa exploração”, afirmou Simão Jatene ao ministro.

O governador informou que a tributação é equivalente a R$ 6,00 por tonelada sobre a exploração mineral no Pará. Junto com a taxa, a Assembleia Legislativa do Pará também já aprovou o Cadastro Estadual de Acompanhamento e Fiscalização das Atividades de Pesquisa, Lavra Exploração e Aproveitamento de Recursos Minerários (CFRM).

COMPENSAÇÃO

Simão Jatene expôs ainda a proposta do governo do Pará de criação de um fundo, visando uma maior compensação para o Estado pelos bens exportados. Segundo a proposta, cada movimento de exportação ou importação geraria um depósito no fundo, baseado em uma alíquota de 7%. Ao mesmo tempo, o governo federal também creditaria os mesmos 7%, baseado no saldo da balança comercial brasileira.

Segundo o governador, o objetivo do governo paraense é compensar melhor o Estado por suas exportações, em função das perdas decorrentes da Lei Kandir, que isenta de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço) os produtos e serviços destinados à exportação.

Desde que a lei entrou em vigor, o Pará já perdeu R$ 21,5 bilhões em arrecadação com a desoneração dos impostos. O ministro assumiu com o governador o compromisso de que sua equipe analisará o projeto.

ENERGIA
 
Em todo o Brasil, as eletrointensivas - indústrias que usam muita energia elétrica para fabricação de alumínio, aço, petroquímicos, papel e celulose, entre outros produtos -, enfrentam dificuldades. O alto custo da energia elétrica, a invasão de produtos fabricados na China e os incentivos tributários concedidos por outros países estão deixando o Brasil em segundo plano na rota de investimentos de empresas multinacionais.

A siderúrgica Gerdau Usiba, instalada na Região Metropolitana de Salvador (BA), esteve paralisada por causa do alto custo da energia. A Valesul Alumínio, em Santa Cruz (RJ), também ficou fechada pelo mesmo motivo. A Novelis fechou fábrica em Aratu (BA), e existe a possibilidade de mudar para o Paraguai. No Pará, representantes da Albras, com sede em Barcarena (município da região do Tocantins), já procuraram o governo estadual relatando dificuldades por causa dos altos custos de produção.

Há um ano, o Ministério de Minas e Energia criou um grupo de trabalho para avaliar a situação das eletrointensivas no país. Mas até hoje nenhum resultado foi apresentado. Na reunião com o ministro, o governador Simão Jatene frisou a necessidade de uma definição sobre o assunto, e defendeu uma atitude única e conjunta para resolver o problema de todas as eletrointensivas brasileiras que enfrentem o mesmo problema.

Do encontro em Brasília também participaram os secretários Especiais de Estado de Infraestrutura e Logística para o Desenvolvimento Sustentável, Sérgio Leão, e de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção, Sidney Rosa, o secretário de Estado da Fazenda, José Tostes Neto, além do senador Flexa Ribeiro (PSDB/PA).(Agência Pará)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Maria do Carmo vai à forra contra Puty

Embora possa vir a negar, o que mais pesou na decisão de Maria do Carmo ao anunciar seu apoio a Alfredo Costa, no segundo turno das prévias que o PT está realizando para escolher seu candidato a prefeito de Belém, foi uma vingança pessoal contra Cláudio Puty, a quem a prefeita de Santarém acusa de ser o responsável pela derrota da candidatura de seu irmão Carlos Martins à Câmara dos Deputados, nas eleições do ano passado.

Embora sabidamente seu apoio não possa ser traduzido em muitos votos, o gesto de Maria soa como um acerto de contas, no tempo certo, com quem foi responsável, segundo ela mesma já confidenciou ao Blog do Estado, de ter usado a máquina do governo do estado para obter cerca de 15 mil votos nos currais eleitorais do irmão no Oeste do Pará, votação que fez falta para eleger seu irmão pela bancada do PT.
E tem mais.

A prefeita de Santarém também elegeu Puty como responsável pelo engavetamento de pleitos que apresentou ao governo Ana Júlia, o que lhe deixou em condição desfavorável para cabalar votos perante o eleitorado santareno, que descarregou seus votos maciçamente no deputado federal Lira Maia, reeleito com mais de 65% dos votos válidos em Santarém.

Trocando em miúdos: Se Maria tem alguma influência perante à militância petista em Belém, seu apoio a Alfredo Costa pode até não somar votos para ele, mas que tira de Puty uns votinhos, isso tira com certeza.

 

Campeonato paraense: Muito além dos 3 pontos

Marcelo Pellegrini
Da Carta Capital 

Engana-se quem acha os campeonato paulista ou carioca os mais emocionantes do País. Emocionante mesmo é o campeonato paraense. Num estado cerca de 28 vezes maior do que o Rio de Janeiro, o Parazão tem emoção garantida muito antes de a bola rolar. O desafio começa quando os times percorrem grandes distâncias de ônibus, em meio à Amazônia, para somar míseros três pontos na tabela. Ou voltar de mãos abanando. No Pará, uma vitória fora de casa até devia valer mais conforme a quilometragem.



Times de regiões opostas do Estado, como o Águia de Marabá e o São Francisco, de Santarém, têm de atravessar mais de 1.000 km para disputar o campeonato. “Precisamos do apoio do governo, senão o Campeonato Paraense fica inviável”, diz o presidente do Águia de Marabá Futebol Clube, Sebastião Ferreira, conhecido por Ferreirinha.

Mesmo com o apoio logístico e de hospedagem garantido pela Federação Paraense de Futebol (FPF), a saúde financeira dos clubes do Estado é precária. Sem o apoio dos grandes canais de televisão, os oito clubes que disputam a elite do campeonato têm dificuldades em obter patrocínios. No Pará, a Globo retransmite o Campeonato Carioca, enquanto a Bandeirantes passa o Paulista, lamenta Ed Ribeiro, presidente do São Francisco.

Desequilíbrio regional

A única emissora de Tevê que transmite os jogos do campeonato paraense é a TV Cultura do Pará, companhia pública do governo. Por meio dela, muitos clubes encontram suas principais fontes de renda.

No entanto, os repasses da companhia para os clubes são desiguais e privilegiam os times da capital, o que gera grande descontentamento. “A TV Cultura, atualmente, repassa quase sete vezes mais dinheiro ao Remo e ao Paysandu. Isso é muito prejudicial aos times do interior e é uma forma de influenciar no resultado final do campeonato”, argumenta Ferreirinha. “Os clubes do interior poderiam se unir para rever e reivindicar seus direitos”, completa Ribeiro. Atualmente, os repasses da TV Cultura do Pará giram em torno de 99 mil reais anuais aos times do interior e 690 mil reais para Remo e Paysandu.

Mesmo com o abismo entre os valores dos repasses, há mais de dez anos que não ocorre uma final Re-Pa (Remo-Paysandu) – a última foi em 2001. Contudo, dos dez últimos títulos paraenses, cinco foram para o Paysandu, quatro para o Remo e apenas o último foi para o Independente Futebol Clube, de Tucuruí, a 500 km de Belém. O time hoje é o lanterna da segunda fase da competição – liderada pelo Água de Marabá.

Os títulos dos últimos dez anos e a posição do atual campeão na tabela do campeonato de 2012  reforça a fragilidade e instabilidade dos “interioranos” frente os times de Belém.

Apoio governamental

Além do auxílio passagem e hospedagem, o Campeonato Paraense também conta com um patrocinador local de peso: o Banco do Pará. Com apoio de cerca de 15 mil reais mensais para cada clube, a organização pública é uma peça importante na manutenção da competição.

Com uma realidade muito diferente dos times paulistas e cariocas, paraenses se mantêm, principalmente, com doações ou pequenos eventos em seus clubes, além do suporte da televisão e do banco público.

“O patrocínio do banco não é nossa principal fonte de renda. Nossos recursos são principalmente de doações, eventos e do sócio-torcedor”, relata Ribeiro.




“Estávamos afastados da série A do Parazão por doze anos. A série B é terrível, mas temos que atravessar. Nela, não temos o apoio de ninguém. A Federação só monta a tabela e os clubes têm que se virar. É como se pagássemos para jogar”, reclama.

Para disputar a série A do Campeonato paraense, o Leão Azul de Santarém, como é conhecido o São Francisco, tem uma folha de pagamento que gira em torno de 60 mil reais – menos que o salário de muito medalhão do futebol paulista. Do outro lado do estado, o Águia de Marabá tem gastos salariais em torno de 100 mil reais. No Rio, só o salário de Thiago Neves, craque recém-contratado pelo Fluminense, é avaliado em  700 mil reais mensais. Em São Paulo, potências como o Corinthians esperam receber patrocínio de 60 milhões de reais para a temporada de 2012.

Falta de estrutura

Outra dificuldade no Pará é a falta de campos para treinamentos. Atualmente, tanto o Leão Azul de Santarém quanto o Águia de Marabá não possuem um Centro de Treinamento. Esta realidade é bastante comum nos clubes do interior. “Ainda não temos um CT. Possuímos uma área de 165 mil m² para a construção dos primeiros campos, estimada para o ano que vem. Enquanto isso, alugamos campos de parques públicos ou propriedades privadas para treinar” diz o presidente do Leão Azul.

                           
Problema semelhante acontece com as categorias de base dos clubes. “É muito difícil com a estrutura que temos falar em categoria de base”, diz Ferreirinha. “Quando percebemos que o jovem tem talento, o incentivamos a treinar e na hora do jogo perguntamos: ‘Tu guenta?’ Se o menino disser que ‘guenta’ colocamos para jogar”, exemplifica bem-humorado Ribeiro.

Outro agravante para o futebol paraense é que, embora tenha o maior público dos estados da Amazônia e os dois clubes mais tradicionais (o Paysandu conquistou uma Copa dos Campeões, em 2002, e já derrotou Boca Juniors, em 2003, em plena La Bombonera, na Argetina), o estado foi preterido como sede da Copa Mundo – que, na região norte, será representada por Manaus. Para muitos, era a chance de o Pará modernizar sua estrutura esportiva e seu potencial turístico.

Organização

Composto por oito times, o Parazão tem uma estrutura complexa de classificação, que tem início em outubro.

A primeira fase do torneio termina em novembro. Nela, oito times se enfrentam – sendo que todo ano os dois piores times descem para a segunda visão e os dois melhores da série B do Parazão ascendem para a primeira fase.

Após esta fase classificatória, ascendem dois times da primeira fase para compor os oitos times da elite do futebol paraense. Depois de todos se enfrentarem, se classificam quatro times para disputar o ‘mata-mata’ das semi-finais e posteriormente a final do Parazão, programada para o dia 26 de fevereiro.

Justiça manda fechar loja de compra premiada em Castanhal


Até que enfim a justiça coloca a mãos em cima dos empresários picaretas que enganam, há anos, os clientes com a arapuca de pirâmide de prêmios travestida de compra premiada ou consórcio premiado, como vem denunciando solitariamente o Blog do Estado.

Agora foi em Castanhal. 

O juiz aceitou pedido do MP e mandou lacrar a sede de uma empresa que vendia pirâmide premiada.

Leia a íntegra da representação do MP aqui.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

'As Brasileiras' estréia quinta-feira e tem episódio sobre índia santarena

 
Lindas, batalhadoras, talentosas, engraçadas, mães, abelhas-rainhas. Mulheres únicas, unidas por um tempero, uma ginga, algo que vai muito além da certidão. Vinte e duas atrizes representando a diversidade feminina de um país, em uma verdadeira viagem de Norte a Sul. Elas estarão em ‘As Brasileiras’, a partir do dia 2 de fevereiro, na Rede Globo(Tv Tapajós), às quintas-feiras, logo após o ‘Big Brother Brasil 12’.



“Até uma aldeia indígena reproduzimos em estúdio, com direito a um rio e canoa. Confeccionamos armas, redes...”, se diverte o diretor de arte a respeito do episódio estrelado por Suyane Moreira em ‘A Selvagem de Santarém’, conta o diretor de arte Clóvis Bueno


A SELVAGEM DE SANTARÉM - Suyane Moreira é Araí

A personagem por Suyane: “A Araí é uma índia que tem de especial a pureza, a doçura, aquela naturalidade de quem está sempre à vontade, que se entrega”.
Araí (Suyane Moreira) é uma bela índia que recorre a um antropólogo para ajudá-la a escapar da tribo das lendárias Amazonas, conhecidas pelo canibalismo. Infeliz por viver ali, ela vê em Diogo (Danton Mello) a possibilidade de fugir, mas quem acaba ficando preso é ele.
Personagens:
Diogo (Danton Mello): antropólogo, bonito, alto e com ar de intelectual.
Furtado (Fabio Porchat): amigo de Diogo.
Jeremias (Claudio Torres Gonzaga): professor e amigo de Diogo.
Cibele (Laila Zaid): noiva de Jeremias. (Com informações e foto da Rede Globo)

Ex-secretário petista depõe na corregedoria da Sefa

José Raimundo Trindade: explicações à Sefa sobre pagamento de R$ 27 milhões à Assets Alicerce 
O promotor Nelson Medrado - aquele mesmo, o que está fazendo uma devassa como nunca antes, jamais, em tempo algum foi feita na augusta Assembleia Legislativa do Estado do Pará –, foi espectador e expectador privilegiado e atento de depoimento ocorrido na semana passada.
Foi espectador - com “s” sim, senhoras e senhores -, porque assistiu ao depoimento ao vivo e em cores.
Foi expectador - com “x” sim, senhoras e senhores -, porque está na expectativa, à espera de elementos que possam respaldar ações futuras.
Então é isso.
Medrado, na semana passada, esteve presente em carne e osso ao depoimento que o sua senhora o doutor José Raimundo Trindade prestou na Corregedoria da Secretaria de Estado da Fazenda.
Trindade, lembra-se?, é ex-sua excelência.
Foi secretário de Fazenda no governo Ana Júlia Carepa.
Depois, numa minirreforma administrativa, foi deslocado para o Idesp.
Trindade apresentou sua versão – ou versões – sobre tema dos mais palpitantes.
Ele falou sobre o pagamento, durante sua gestão e a de Vando Vidal, seu sucessor, da bagatela de R$ 27 milhões feitos à empresa Assets Alicerce Assessoria Empresarial Ltda., que ficava com R$ 0,14 de cada real arrecadado (ou 14% do total de créditos recuperados) junto a contribuintes inadimplentes.
Empresa de consultoria sediada em Minas Gerais, a Assets foi contratada para fazer um trabalho que qualquer contador ou analista da Secretaria da Fazenda (Sefa) poderia executar sem custo algum para os cofres públicos.
O Sindifisco, à época, mostrou que o contrato, celebrado depois de decretada a inexigibilidade do processo licitatório, era leonino e predatório aos interesses e às finanças do Estado.
Além do processo administrativo que rola na Corregedoria da Sefa, o Ministério Público também já investiga o assunto.