Gerson Nogueira
Michel fez os quatro gols da maiúscula vitória do S. Raimundo sobre o Cristal, ontem, no estádio Barbalhão, em Santarém. Dois foram golaços. O primeiro nasceu de um tiro forte, de rosca, no ângulo do goleiro amapaense. No quarto, desviou, com leve toque, encobrindo o guardião. Lances que atestam o estilo diferenciado do meia-atacante de Parintins, revelado pelo S. Raimundo no Campeonato Paraense deste ano.
Quando Valter Lima trocou o Pantera pelo campeão paraense e trouxe Michel para a Curuzu, o jovem jogador parecia talhado para resolver o apagão criativo do meio-campo bicolor. Ledo engano. Seu desempenho foi tímido, marcou apenas um gol – na partida final contra o Icasa – e em nenhum momento mostrou personalidade para assumir a titularidade.Desgastado pela má passagem pelo Paissandu, Michel fez o caminho de volta. Foi recebido de braços abertos no S. Raimundo. Sente-se em casa, conhece os atalhos. Lá, enfim, é amigo do rei, como diz o velho poema de Bandeira. Mais que isso: não precisa provar nada a ninguém.
Bastaram duas partidas para Michel reafirmar sua importância. Marcou o segundo gol da vitória sobre o Gênus e, ontem, como a desfazer todas as dúvidas quanto à sua categoria, encarregou-se de assinar todos os gols do importantíssimo triunfo sobre o Cristal – que insere o S. Raimundo entre os oito melhores times da Série D.
Por ironia, a cada nova exibição de talento na Pantera, Michel ficará ainda mais marcado como um jogador que só se sai bem em times emergentes, o que talvez não seja a avaliação mais justa porque naquele ambiente conturbado do Paissandu dificilmente alguém conseguiria se sobressair.




