terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

CNJ neles!

O município de Novo Progresso está sem promotor de justiça.
A denúncia é da Folha do Progresso.

Bancos abrem às 10 horas

As agências bancárias em Santarém recomeçam a atender ao público a partir das 10 horas da manhã de quarta-feira de cinzas.
Quem tem conta que venceu no período do carnaval ainda pode pagá-la sem multa.

Esfaqueamento na orla durante desfile de blocos

Apesar de a alegria ter sido a tônica do carnaval em Santarém, a polícia precisou agir rápido para não deixar que um pequeno grupo atrapalhasse afesta. Várias pessoas foram detidas e conduzidas à delegacia local, a maioria por desordem.
Foi registrado o esfaqueamento de um homem, socorrido no Hospital Municipal.

Borracha não foi contrabandeada e sim despachada pela alfândega

Lúcio Flávio Pinto
Articulista de O Estado do Tapajós

A Amazônia não conquistará sua autodeterminação com barreiras, retórica ou satélites, mas com o melhor conhecimento sobre si mesma. Belém - Numa visão simplista, a culpa pelo fim do período de maior enriquecimento da Amazônia, entre 1840 e 1910, tem nome, sobrenome e nacionalidade certas: o inglês Henry Wickham. Bem na metade do ciclo de expansão da economia gomífera, o aventureiro britânico teria se infiltrado em terras brasileiras para contrabandear ("biopiratear", na linguagem de hoje) sementes da Hevea Brasiliensis, espécie nativa amazônica, única fonte de borracha para uso industrial até então. Levadas para o Ceilão, as sementes floresceram com tal exuberância que, menos de uma década depois de terem chegado ao mercado mundial, acabariam com o boom da borracha extraída nos seringais amazônicos, abrindo um rastro de decadência na região.
Elevado à condição de lorde do império britânico pelo rei George V, Sir Wickham é tratado até hoje pela maioria dos intelectuais da região (e mesmo do país) como um reles traidor, o bandido responsável pela débâcle da Amazônia, que roubou as sementes da seringueira e clandestinamente as fez plantar nos redutos asiáticos de sua majestade, acabando com o fausto de Belém e Manaus, cidades que transitaram do século XIX para o XX equiparáveis às mais afluentes capitais do mundo.
Não importa, que há duas décadas esteja acessível para consulta o livro no qual o americano Warren Dean documenta história completamente distinta da versão corrente no Brasil. Com base em documentos oficiais, Dean provou que Wickham obteve autorização oficial para a remessa das sementes para a Inglaterra, devidamente declaradas na alfândega e ao abrigo das normas legais em vigor, não só com o aceite, mas até mesmo com o estímulo das autoridades. Se quisesse, o Brasil podia até ter participado das experiências que, iniciadas no Kew Garden de Londres, se estenderiam ao Ceilão e à Malásia.
Deitados eternamente em berço esplêndido, conforme referenda o hino nacional, talvez julgássemos, que um monopólio conferido pela natureza, tornando a seringueira endêmica apenas na Amazônia, não poderia ser quebrado pelo homem. Com o conhecimento (e a necessidade) à nossa frente, os ingleses não partilhavam essa convicção. Apostaram na hipótese contrária. O que se convencionou chamar de pirataria foi, na verdade, um bem sucedido empreendimento científico e comercial que, até se consumar, exigiu quase meio século de engenho, arte e dinheiro.
Foi o tempo que decorreu desde a formação do plantio de Wickham no vale do rio Tapajós, no Pará, até a Ásia inundar um explosivo mercado consumidor com quantidade compatível de borracha natural, a um preço e com uma qualidade adequadas à escala industrial, naquele momento. Se fosse preciso roubar, contrabandear ou piratear as sementes, sem dúvida a nação líder do nascente mundo industrial, carente de matéria prima em maior quantidade, mais barata e de qualidade confiável (condições não supridas pelo fornecedor monopolista), não hesitaria em agir dessa forma. Agiu assim em vários outros países e situações. Mas não foi nem necessário: os brasileiros, e particularmente os amazônicos, seduzidos e iludidos pelos jorros constantes de dinheiro, que recebiam pela venda da borracha, achavam que o boom seria eterno, ou pelo menos duradouro.
No seu excelente livro, Dean diz que a natureza, de regra benfazeja com a Amazônia, foi madrasta perversa no caso da borracha. O excesso de água e de umidade, e a inexistência de um período seco mais bem definido, desenvolvem pragas fatais à seringueira quando sua concentração é aumentada para que o seringal alcance um tamanho competitivo. Na Ásia (e em áreas não-amazônicas do Brasil), esse problema não existe ou não tem a mesma gravidade. Por mais que as autoridades brasileiras tivessem sido previdentes, antecipando os movimentos da história e sendo aplicadas nas medidas de proteção ao cultivo, ainda assim a Amazônia teria sido derrotada na luta pela borracha.
Para os que, desprezando fatos e argumentos, optarem pela origem estrangeira (e ainda por cima, americana) do autor para desqualificar sua obra, convém lembrar que o Brasil deve a esse magnífico schollar, além do livro sobre a borracha (já reconhecido como o trabalho inaugural de uma história ecológica já dotada de autonomia), o mais profundo e belo estudo sobre sua mata atlântica. Aliás, é bom não esquecer, a mata atlântica foi a nossa primeira Amazônia, tanto pelo seu potencial de realizações como pelo seu resultado de destruições.
O "caso" da borracha, o capítulo mais polêmico da história (real ou presumida) de apropriação de bens do patrimônio natural da Amazônia, vem a propósito do mais recente episódio, que chegou à grande imprensa na semana passada, depois de ter transitado bem antes pelos circuitos especializados: o patenteamento de plantas e frutas da Amazônia no estrangeiro por empresas internacionais. Causou escândalo a notícia de que, a partir de agora (na verdade, desde 2001), quem quiser usar comercialmente o título cupuaçu - e alguns dos seus derivados - na Europa, nos Estados Unidos ou no Japão vai ter que pagar royalties ou se expor a ser multado por uma firma japonesa, a Asahi Foods, estabelecida em Kyoto (cidade que se tornou ainda mais célebre por ter recentemente abrigado conferência ecológica, que teve como um dos seus propósitos justamente estabelecer regras de respeito ao patrimônio genético da humanidade, especificamente definido conforme sua dispersão geográfica).
Da forma como foi anunciado, o fato desabou como uma bomba com megatons semelhantes aos da pirataria de Wickham, de quase um século e meio atrás. O problema tem sua gravidade, embora provavelmente não na dimensão de uma catástrofe irremediável. Se servir de alerta e retirar do sono letárgico alguns setores da estrutura governamental, terá cumprido o seu papel de catarse.
Contra o roubo dos direitos sobre o patrimônio genético ou o conhecimento nativo é duvidosa (ou completamente inócua) a eficácia de ferramentas convencionais, como o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) ou todo o aparato geopolítico e policial. Eles não são dispensáveis, mas não são suficientes, sequer são as armas mais importantes. A principal é o saber, o domínio dos processos do conhecimento, o saber fazer (e como) e a informação exata e pronta. Não é através do isolamento e da pretensa auto-suficiência que se conquistam tais posições: é colocando-se no mundo, diante dele (e, quando o caso, contra ele). Mas não na posição de um encrenqueiro ou de um presunçoso, mas de alguém confiante na sua própria força, por sabê-la consistente e convincente.
O saber resulta de processos educativos, científicos e civilizatórios. Processos que não podem ser traduzidos por índices quantitativos nem por bravatas retóricas. Resulta de 99% de transpiração e 1% de inspiração, como receitava Picasso para uma área da criação humana, a artística, onde mais peso costuma ter o dom natural dos indivíduos, ou sua "vocação", do que sua transpiração. Mesmo que possua satélites, radares, aviões, militares e soldados rondando seus limites e patrulhando seu interior, a Amazônia continuará exposta aos interesses e disposições alheias, se continuar dependendo dos minguados recursos materiais colocados à disposição dos seus estudantes, tecnólogos, pesquisadores e cientistas. E se esses minguados recursos, desprezíveis até pelos anêmicos parâmetros nacionais, permanecerem subordinados a diretrizes obtusas, vesgas, exóticas, coloniais.
Não será com uma nova muralha da China que a região conquistará sua autodeterminação, a capacidade de determinar seu destino na interlocução com o mundo, mas com o melhor conhecimento sobre si mesma. Num momento em que se tratam de questões amazônicas nas principais praças mundiais, como um tema de ciência e de comércio, a sede territorial não pode ter uma relevância meramente retórica. Ou se condenará a sustos e sobressaltos como os de Wickham e o do cupuaçu japonês.
O mais recente episódio fez o escritor e jornalista Aníbal Beça lembrar um caso que aconteceu bem do início da Zona Franca de Manaus: "os nossos caboclos inventivos resolveram contrabandear relógios dentro das cascas de cupuaçu. Serravam a casca e retiravam a polpa, e em seu lugar colocavam relógios, de preferência da marca Seiko. Depois colavam, sem deixar nenhuma marca. O crime perfeito". Um nosso repórter policial do jornal onde Beça trabalhava cunhou uma palavra para esse tipo de crime: o "seikoaçu". Dizia-se então que muita gente, enriqueceu exportando Seikoaçu, até descobrirem o golpe. O crime - atesta o escritor - só foi descoberto por acaso: "um desses contrabandistas deixou cair o cupuaçu. Aí caiu relógio pra tudo que foi lado".
Com base nessa experiência, Beça sugere às entidades e empresas nacionais, quando forem vender nos mercados europeus, americanos ou japoneses, "registrarem o nome dos produtos da fruta como Seikoaçu". A solução seria engenhosa, ainda que também significasse uma capitulação à esperteza dos nossos concorrentes estrangeiros. O novo produto teria ainda que sofrer uma adaptação aos novos tempos: ao invés de relógios made by Zona Franca dentro de caroços de cupuaçu, mais atraente do ponto de vista comercial seria colocar sementes de cobiçadas plantas amazônicas dentro dos Seikos de hoje.

OAB-PA fica em sétimo no Exame de Ordem

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará ficou em sétimo lugar no ranking nacional, em número de aprovados na primeira etapa do Exame de Ordem unificado referente a dezembro de 2007, segundo informa o site Espaço Aberto.
A OAB-PA superou Estados das regiões Sul e Sudeste, como Rio de Janeiro e Santa Catarina, e ficou a apenas 6% de diferença da Seccional da Bahia, primeira colocada no certame.
No Pará, dos 105 candidatos que fizeram a prova em Belém, Marabá e Santarém, 311 foram aprovados e 577 reprovados. Em Belém, dois candidatos tiveram a maior pontuação da prova com 81 acertos. Em Marabá, a nota máxima foi de 64 pontos e em Santarém, 73.
Entre as universidades que participaram do Exame, apenas a Universidade Federal do Pará (UFPA), campus de Belém, teve vantagem no número de aprovados. Na capital, dos 150 candidatos da UFPA presentes à prova, 83 passaram para a próxima etapa.
Segundo a OAB, a convocação para a segunda etapa (objetiva) será divulgada na internet, nos endereços eletrônicos www.oabpa.org.br e www.oab.org.br, provavelmente a partir de 20 de fevereiro.

Prefeito de Alenquer sob fogo cerrado

Denúncias contra o prefeito de Alenquer, o médico Cleóstenes Farias, voltam à tona.
Leia mais aqui.

Desmatamento na Amazônia é sim um câncer

Mirian Leitão, na GloboNews

No último programa Espaço Aberto, conversei com o Beto Veríssimo, que é pesquisador do Imazon, a ONG que foi a primeira a denunciar que o desmatamento na Amazônia tinha voltado a aumentar, ainda em setembro do ano passado. Para o Beto, o desmatamento na Amazônia deve sim ser visto como um câncer, porque ele se alastra rapidamente e o Brasil não consegue controlar.
Para se ter uma idéia, num ano em que o desmatamento é considerado baixo, desmatamos um terço do estado do Rio, e nos piores anos, a área sobe para o tamanho de Alagoas. Confira abaixo a minha entrevista com ele na GloboNews e entenda melhor a realidade da Amazônia.

Bebida nas estradas federais

Até a tarde da segunda-feira de Carnaval, 4 de fevereiro, segundo a Agência Brasil, 32 liminares, em oito Estados, estavam em vigor no Brasil contra a medida provisória que determinou a proibição da venda de bebidas alcóolicas em estabelecimentos ao longo das rodovias federais.
Em Santarém, nem uma coisa nem outra.
A PRF não está fiscalizando e os bares e restaurantes às margens da Br-163 estão vendendo bebida alcoólica à vontade.

Juliana é um arraso

Juliana Paes arrasou no carnaval.
Clique aqui pra ver mais fotos.

Vai-vai campeã

A escola de samba Vai-vai é a campeã do carnaval de São Paulo.

Eleições em Belém

O prefeito Duciomar Costa saiu da UTI das pesquisas.
Aferimento recente, depois da desocupação da avenida Presidente Vargas, revela que a medida retirou uma boa dose de rejeição dos costados do prefeito.
Foi uma pesquisa, realizada em outubro que, aliás, mostrou que grande parte da população 'culpava' Duciomar pelo caos naquela avenida. Por isso, quando o desembargador federal determinou a retirada dos camelôs de frente dos Correios, o prefeito aproveitou o embalo e fez o serviço completo.
Estaria aí uma das explicações para o encontro de Duciomar com deputado Paulo Rocha, revelado de primeira por Juvêncio Arruda, no Quinta Emenda.
Fonte bem situada nos bastidores da imprensa da capital, de passagem por Santarém, informa que Duciomar, depois das negativas de Jader e Jatene ante a oferta para a participação do PMDB ou PSDB na composição de sua chapa, ofereceu a vaga de vice ao PT.
A oferta não desagradaria a governadora Ana Júlia, de acordo com a fonte, mas precisa remover um obstáculo extra para não nascer natimorta: a briga com o grupo Liberal, que precisaria ser superada diante dos reflexos que esse esdrúxulo acordo provocaria no âmbito do maior aliado do PT, que é o PMDB e as empresas do grupo RBA.
Isto é, a chapa Duciomar/PT contaria com a simpatia de O Liberal e a aversão do Diário do Pará.

Barreira seletiva

Na estrada de Alter do Chão, o pelotão de trânsito da PM, como faz todos os anos, montou uma barreira para a fiscalização de veículos.
Estaria tudo bom se o serviço fosse completo e não apenas pela conveniência dos policiais que ali tiram serviço.
E fosse diminuída a dose de intransigência que faz uso a oficial que comanda o efetivo da PM naquela barreira.

Feijão na merenda escolar

A Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri) criou o Projeto de Apoio ao Desenvolvimento da Cadeia Produtiva de Grãos, que visa promover aos agricultores o acesso a insumos de qualidade, crédito, tecnologias adequadas, assistência técnica, beneficiamento, armazenagem e instrumentos de comercialização públicos e privados, além de distribuir sementes de qualidade.
Uma das soluções, de acordo com o José Ribamar Nogueira, gerente Executivo de Grãos e Tubérculos da Sagri, é criar, dentro dos próprios municípios, meios que absorvam a produção de grãos.
“Queremos, por exemplo, que a merenda escolar possa absorver boa parte dessa produção. A gente vai tentar colocar, por meio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), principalmente o feijão na merenda. Estamos trabalhando com entidades estaduais consumidoras de alimentos básicos, para que possamos não só estimular a produção, como também incentivar a comercialização”, concluiu.

Barbalhão continua interditado

Apesar das promessas do vice-governador Odair Corrêa e da secretária de esportes Lúcia Penedo, ainda não foi colocado um prego novo na velha estrutura do estádio Barbalhão, interditado em dezembro último.
Por causa disso, fica cada vez mais improvável a realização de jogos do São Raimundo em Santarém.
Em Belém, onde o Pantera estréia dia 10 contra o Paysandu, no estádio da Curuzu, os jogadores estão vendendo o almoço para comprar o jantar.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

IPVA de veículos com placas finais 52 a 92 vence quarta-feira para cota única

O vencimento do licenciamento de veículos com finais de placa 52 a 92 será no dia 4 de abril, mas o vencimento do pagamento em cota única doImposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) encerra no dia4 de fevereiro, próxima-segunda-feira.
Como os bancos estarão fechados, a Secretaria de Estado da Fazenda(Sefa) informa que o pagamento do IPVA poderá ser feito na quarta-feira,dia 6 de fevereiro, quando os bancos reabrem.

Queda de empregos em Santarém

A geração de emprego com carteira assinada em Santarém no ano passado teve saldo 28% menor que 2006. O resultado é pior ainda considerando o desempenho de todo o Estado, que no ano passado registrou aumento de 5,83% na geração de emprego.
Os dados foram levantados pela Associação Comercial e Empresarial de Santarém.

DSEI da Funasa acéfalo em Itaituba

Há dez dias o índios munduruku não permitem que a nova chefe do distrito sanitário da Funasa, Angela Reges, assuma o cargo em substituição a Rosivaldo Ferreira.
Os índígenas continuam amotinados no interior do DSEI.
Ninguém entra lá.

Sambista não esquentou

Chico da Silva, o sambista que ficou conhecido em Santarém na década de 70, quando 'puxava' o samba do bloco Breguelhegue, não agradou a moçada em Alter-do-Chão.
A galera jovem deixou o local do show logo depois de Chico começar sua apresentação.
Uma pena.
A juventude que não saiu nos blocos satíricos preferiu a guerra de maizena ao show do sambista parintinense.

ICMS

A Associação Comercial e Empresarial de Santarém(ACES) encomendou estudo sobre a cobrança de ICMS em cima do consumo de energia elétrica. A entidade suspeita que a Sefa está cobrando o imposto a maior.

Fantasia utilitária sobre a Amazônia

Lúcio Flávio Pinto
Articulista de O Estado do Tapajós

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, irritou seus anfitriões quando, no final do ano passado, decidiu cancelar de súbito a visita que faria ao Tapajós, para ver, ao mesmo tempo, a destruição da natureza e uma tentativa de usá-la com inteligência. O máximo de selva que o chefe das Nações Unidas viu foi no parque zoobotânico do Museu Goeldi, em Belém, de onde voltou atrás na meteórica visita ao Brasil. Sabe-se agora que o motivo do cancelamento da parte mais importante do roteiro amazônico não foi, como se suspeitava, uma saia justa em temas sensíveis ao governo. Há duas semanas, falando em Nova York, Ki-Moon disse que viu-se obrigado a cancelar “uma viagem pelo maior afluente do rio Amazonas porque ele havia secado”.
Li e reli o comunicado da agência France Press, que noticiou o solene pronunciamento do secretário-geral. A seca à qual se referiu Ki-Moon aconteceu no ano anterior ao da sua visita. Mas não no leito do grande rio: atingiu alguns dos seus afluentes, sobretudo as drenagens menores, como os igarapés. Foi um fenômeno chocante, mas não teve relação direta com a ação humana. Resultou de uma combinação de fatores naturais, desencadeados pelo aquecimento do oceano.
Em 2007, contudo, a seca excepcional não se repetiu, não podendo servir de motivo para o ilustre visitante retornar a partir de Belém. A não ser que ele tenha se permitido um recurso da imaginação no seu discurso em favor da água da Terra. Os fins edificantes justificariam o excesso dos meios. Excessos delirantes.
O problema da água potável já é grave no planeta. Um bilhão de seres humanos não dispõem de água suficiente para suas necessidades básicas. Esse cenário é dramático na África, mas a nação mais poderosa da Terra, os Estados Unidos, também já não tem estoque suficiente para suas demandas. Olha com avidez para o seu vizinho, o México, e com alguma luxúria para o baixo rio Grande. A América Latina tem as maiores reservas de água doce do globo.
De vez em quando brotam notícias tão desconcertantes quanto a de Ki-Moon. Denunciam o contrabando de água da Amazônia, carregada clandestinamente em navios de bandeira internacional que transitam pela região. Essa história é tão fantasiosa quanto a do secretário-geral, mas, de fato, estamos nos descapitalizando de água. Não na forma de operações sigilosas de roubo, mas sob a cândida aparência de lingotes de alumínio, bauxita lavada (e seca), alumina, minério de ferro, soja, carne (abatida ou viva) e outros produtos (com ênfase nas commodities) que exportamos dentro da mais perfeita legalidade (e imoralidade). Sem falar no imenso desperdício que praticamos, sem qualquer interferência externa. Por termos abundância, nos permitimos aquela desinteligência, ironizada por Lewis Carrol, no manejo da água.
Sensibilizadas pela situação, pessoas de aparente boa vontade – e evidente descompromisso com a verdade – dizem coisas absurdas, como o secretário-geral da ONU. Parecem achar que, por serem autoridades de embocadura mundial, basta dizer para que suas palavras tenham o poder de transformar fantasias em realidade. Querem defender a Amazônia, pelo que lhes devemos gratidão. Mas não conhecem a Amazônia, pelo que lhes pedimos que nos deixem falar. E também poder decidir sobre o que é nosso ou nos diz respeito.

Recado para o Mangabeira

Ronaldo Brasiliense
Articulista de O Estado do Tapajós

Bem que o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, poderia dar uma passada por Óbidos, no oeste do Pará, durante o carnapauxis, o melhor do Estado. A cidade, com 50 mil habitantes, só tem água de manhã e à noite, Durante esse intervalo, que não tiver reservatório que se exploda. E ainda vem o Mangabeira querendo levar água da Amazônia para o Niordeste num aquaduto fantástico. Eu, hein?

Entrevista - Juca Pimentel, presidente do PT

José Olivar
Articulista de O Estado do Tapajós

A coluna pergunta e o presidente do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores, Juca Pimentel, responde:
1)O momento atual é de preparação para a campanha eleitoral de outubro vindouro. Como o senhor vê a postura do PT neste contexto?
R: A Executiva do Partido dos Trabalhadores vem discutindo, não só as eleições municipais, mas as questões de envolvem o conjunto do partido, para que ele possa dar uma resposta à população de Santarém, como o partido que hoje governa o nosso Município.
2)O senhor considera o PMDB como um parceiro certo nesta luta ou ainda depende de conversações?
R: Hoje, o partido atravessa por um momento muito especial. Por isso, não só o PMDB, mas também todos os partidos que estão na base do governo, nós os consideramos como parceiros não só na administração como também nas eleições desse ano, a exemplo do pleito passado quando nos ajudaram a eleger a governadora Ana Júlia e nos ajudam a governar nas três esferas de governo.
3)O Diretório Municipal vislumbra o PT como Partido de maior expressão em Santarém, no momento?
R: No próximo dia 10 de fevereiro, a partir das 9 horas, na sede do Fluminense, vamos reunir os filiados em uma grande festa para comemorarmos os 28 anos de existência do PT. Ao longo desses 28 anos, o Partido dos Trabalhadores vem se tornando um dos maiores partidos de expressão nacional e em Santarém a realidade não é diferente. Isto não se deve só pelo fato de estarmos governando o município, mas pelo PT ser um partido democrático, socialista e de massas, que está constantemente defendendo os interesses, principalmente dos mais necessitados e por ser o único a realizar eleições diretas entre seus filiados, motivos esses que colaboram para ser um Partido de grande expressividade.

Carnapauxis

O carnaval de Óbidos é animado e colorido.
Na foto a porta-estandarte do bloco àguia.
A foto é de Adilson Moraes, do Portal de Óbidos.

Museu Casa de Isoca

No blog da Fransinete Florenzano:
O promotor de Justiça Benedito Wilson Sá recebeu pedido de santarenos, através de "abaixo-assinado", solicitando o tombamento da casa em que o maestro Isoca morou, na Trav. Francisco Corrêa, 139, em Santarém. Vai atender. O blog mete a colher e sugere que seja aberta à visitação pública, para que todos possam conhecer a história de vida e a imensa contribuição de Wilson Fonseca às Letras e à Música.

Mudança no Ideflor

Os bastidores petistas andam fervendo desde que a atual diretora-geral do Ideflor, Raimunda Monteiro, comunicou à governadora Ana Júlia que vai deixar o cargo nos próximos meses. Representantes das várias correntes do partido já travam forças para decidir quem vai indicar o novo dirigente do Instituto, que tende a ganhar mais peso no governo em função da responsabilidade pela gestão econômica das florestas públicas estaduais. Em Santarém, terra natal de Raimunda, é tida como certa a ida de um pesquisador da Embrapa para o órgão.
Teoricamente, o deputado Aírton Faleiro, atual líder do governo na Assembléia Legisaltiva e marido de Raimunda Monteiro, teria a preferência para indicar o novo titular do Ideflor, mas ainda não há garantias de que essa prerrogativa será mantida. No segundo semestre, o casal deve juntar forças na campanha pela prefeitura de Altamira. ( Repórter Diário)
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Mas há um discreto movimento para tentar colocar no posto de Raimundinha o nada menos polêmico Pedro Aquino, que saiu do Incra pelas portas do fundo.

Público pequeno para o Cristoval

Não foi o público que a organização do evento esperava que foi prestigiar o Cristoval na praça São Sebastião, no domingo à tarde/noite, sem chuva.
Será que os católicos preferiam mesmo o Barbalhão como local do evento?

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Langsdorff, o maior expedicionário científico do mundo, passou doente por Santarém em 1828

A 30 de agosto de 1825, o barão Georg Heinrich von Langsdorff e sua equipe, da qual faziam parte o botânico alemão Ludwig Riedel, o astrônomo e cartógrafo russo Nester Rubtsov, os pintores franceses Amadei Taunay e Hercules Florence* e o médico e zoólogo alemão Christian Hasse, deram início à Expedição Langsdorff que, a partir de São Paulo, percorreria regiões hoje compreendidas pelos estados do Mato Grosso do Sul , Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Pará. Mantendo como eixos os rios Tietê, Paraná, Pardo, Taquari, Paraguai, São Lourenço e Cuiabá, alcançaram Corumbá e a seguir Cuiabá. A partir deste ponto, subdividindo-se pelos sistemas Guaporé-Mamoré-Madeira e Arinos-Juruena-Tapajós, alcançaram o rio Amazonas e mais tarde o porto de Belém, ali chegando em setembro de 1828.O planejamento original previa o retorno por terra à capital do Império. No entanto, desde o Mato Grosso a maior parte dos viajantes foi acometida por moléstias muitas vezes desconhecidas. O próprio Langsdorff, vítima de febre, fatigado e com fome, já no Tapajós demostrava sinais de amnésia. Quando a expedição alcançou Santarém, no Pará, seu estado de saúde era desesperador. Restava à expedição retornar por via marítima ao Rio de Janeiro. Langsdorff jamais recobrou sua saúde. Impossibilitado de retomar suas atividades, aposentou-se e foi viver em Freiburg, no sul da Alemanha, onde morreu em 1852.
* Hercules Florence, artista francês considerado como o integrante possuidor de maior rigor científico na Expedição, realizou 139 imagens, sendo os seus trabalhos botânicos qualificados como exemplares. francês presente na expedição original.
É de Florence aquarela dos índios apiacás, na divisa do Pará com o Mato Grosso, onde nasce o rio Tapajós.



O cooper da governadora

A governadora Ana Júlia Carepa está mesmo plenamente recuperada da lesão na perna, que a deixou com dificuldades para caminhar desde que se submeteu a uma cirurgia, em 2006, após acidente que sofreu em plena campanha eleitoral.Há pouco, volta das 10h da matina, a governadora era vista caminhando – em marcha batida, como se diz - na orla da Praia do Maçarico, em Salinas, de bustiê preto e transpirando por todos os poros.Era acompanhada discretamente por seguranças.
Fonte: Espaço Aberto.

Violência juvenil no Pará

O Estado do Tapajós saiu na frente.
Divulgou sábado ( leia matéria neste blog) que é alarmante o percentual de jovens mortos por homicídios em Santarém.
24 horas depois, o Diário do Pará divulga a mesma estatística revelada pela jovem repórter Alessandra Branches.

Cerco à imprensa

O empresário Nivaldo Pereira, dono da TV Ponta Negra, foi procurado pelo secretário de governo Inácio Corrêa. Assunto: mídia da prefeitura de Santarém no SBT santareno.
Após o quebra-gelo que já durava mais de um ano, Inácio fez uma proposta tentadora.
Nivaldo se limitou a dizer que qualquer anunciante pode fazer mídia em sua emissora, desde que pague pelo serviço.
Segundo Nivaldo, Inácio queria uma bonificação: o silêncio da emissora em relação às notícias negativas sobre a prefeitura e sua prefeita Maria do Carmo.
Depois de ouvir isso, Nivaldo encerrou a conversa e Inácio deixou a emissora cabisbaixo.
Dias depois, o mais novo contratado da Tv Ponta Negra recebeu uma proposta constrangedora de uma assessora municipal. Ao repórter Ray Pereira foi-lhe oferecido um bom 'emprego' caso desistisse de estrear no Rota 5, o telejornal mais assitido em Santarém.
Ray estreou esta semana e não está dando moleza à prefeitura.

Guarda-chuva protetor

O Tribunal de Contas da União determinou ao Incra que os assentamentos criados pelo instituto na Amazônia sejam licenciados pelo Ibama até agosto de 2008.
Pedro Aquino, ex-superintendente do Incra em Santarém, é acusado de ter criado 99 assentamentos de papel na região.
Os agricultores dos assentamentos rurais criados pelo Incra na Amazônia não terão que se submeter às sanções anunciadas pelo governo para conter o desmatamento, segundo informou o jornal Folha de São Paulo.
O que essas três notícias têm em comum?
Alguém muito forte no MDA, alguém que protege Pedro Aquino, está estendendo um manto protetor sobre essa selva de irregularidades fundiárias e ambientais. Foi liberado muito dinheiro para esses assentamentos.
O TCU sabe das irregularidades, o Incra também sabe, mas o presidente é levado pelo MDA a cometer um erro primário que vai aumentar o desmatamento.
Mas ninguém faz nada. Nem a ministra do meio Ambiente Marina Silva.
Pronto. O gaurda-chuva foi aberto.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

NOVO PROGRESSO É CAMPEÃO; VIOLÊNCIA JUVENIL EM SANTARÉM

Novo Progresso no período de 2002 a 2006 tinha população de 21.333 pessoas, se consolidou como o mais violento da região com 68 homicídios entre os 2002 a 2006. Em Santarém, 47% das vítimas de homicídios são jovens.

Alessandra Branches
Repórter

De acordo com o relatório elaborado pela Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) com apoio do Ministério da Saúde que apontou as cidades mais violentas de todo o país, o município que registrou o maior número de homicídios na região oeste do estado do Pará foi o de Novo Progresso.
Os dados do relatório foram feitos com base no número populacional da cidade até o ano de 2006. Em vista disso, o município de Novo Progresso que na época abrigava 21.333 pessoas, se consolidou como o mais violento da região com 68 homicídios entre os 2002 a 2006.
O município de Santarém foi o que registrou o maior número de assassinatos entre a população jovem. Das 163 mortes registradas entre 2002 a 2006, 76 vítimas eram jovens. Grande parte delas tinha vínculo com gangues que aterrorizam os bairros da cidade e foram a óbito através da utilização de armas de fogo.
Contudo, a cidade de Novo Progresso, que hoje recebe em sua maioria dezenas de migrantes dos estados que compõe a região Centro-oeste, como Mato Grosso, e consolidou-se como porta de entrada para os que buscam nova vida no Pará,conseguiu evitar com que a média de 67,7 mortes durante os cinco anos de pesquisa fosse maior. Isto é, de 2002 a 2006, os assassinatos foram diminuindo de 24 para 7 em um único ano, assim como o número de mortes por armas de fogo. O que antes chegou à média de 59,6% passou para 39,4%.
Com um número bem menor de homicídios em relação ao seu número populacional, o município de Altamira, segue na segunda posição do ranking das cidades mais violentas da região oeste do Pará. Com 92.078 habitantes até 2006, o município registrou durante o período de elaboração do relatório 152 mortes. Entretanto, não registrou uma queda acentuada de homicídios como Novo Progresso.
Assim como os demais municípios, a cidade de São Feliz do Xingu, que ficou em terceiro lugar com 58.278 habitantes e 90 mortes, aumentou o número de homicídios por arma de fogo, aumentando à média de 22% para 27,3 mortes.
Violência Juvenil
O município de Santarém foi o que registrou o maior número de assassinatos entre a população jovem. Das 163 mortes registradas entre 2002 a 2006, 76 vítimas eram jovens. Grande parte delas tinha vínculo com gangues que aterrorizam os bairros da cidade e foram a óbito através da utilização de armas de fogo. Além disso, o município também desponta na frente no que tange ao número elevado de acidentes no trânsito. Foram 187 óbitos registrados durante o estudo, número este, que aumentou consideravelmente se somarmos às mortes de 2007.
Redução
Ao longo dos cinco anos de pesquisa, o município de Medicilândia foi o que registrou uma das maiores quedas no número de homicídios e redução populacional. Caiu de 31.484 para 26.163 habitantes entre 2004 a 2006, e diminuiu de 41,0% para 11,5% a média de assassinatos.
Homicídio zero
Em posição bem confortável, o município de Juruti não registrou sequer um homicídio durante o período da pesquisa. Com 33.591 habitantes até 2006, a cidade foi considerada pela pesquisa um dos locais mais seguros para se viver, seguida por Óbidos que registrou apenas um homicídio na época da elaboração do relatório.
Em todo o país, a cidade mais violenta, foi Colniza (MT), que registrou, em 2004, 165,3 óbitos por 100 mil habitantes. No país, a média foi de 27,2 mortos na mesma comparação. A primeira capital brasileira na lista das cidades mais violentas é Recife, em 13º lugar, com registro de 91,2 pessoas mortas para cada 100 mil habitantes. Na seqüência, longe da lista dos dez mais violentos, vem Vitória (ES), Porto Velho (RO) e Rio de Janeiro (RJ).
O relatório chegou a conclusão de que houve uma "estagnação" dos índices violência nos grandes centros e o deslocamento dessa realidade para o interior dos estados, onde, segundo o estudo, "violência continuava crescendo a um ritmo maior que o anterior". "Este mapa busca aprofundar as investigações sobre um fenômeno que há muito deixou de pertencer apenas aos grandes centros urbanos. A interiorização da violência vem-se revelando como mais um desafio para toda a sociedade brasileira", registra o estudo de autoria do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz.

MOVIMENTOS SOCIAIS EXIGEM EIA/RIMA MAIS AMPLO DO PORTO DA CARGILL


Alessandra Branches
Repórter



Desde o início do mês, uma equipe da empresa CPEA de São Paulo se instalou em Santarém para dar início aos trabalhos de realização do Estudo de Impacto Ambiental da empresa Cargill. A multinacional foi obrigada no fim do ano passado, através de decisão do Tribunal Regional Federal da 1º Região (TRF-1) a realizar os estudos de impactos ambientais, garantindo desta forma sua permanência da cidade. Ao tomar conhecimento do início da elaboração do Eia/Rima, através de matéria exclusiva de O Estado do Tapajós, de autoria do jornalista Paulo Leandro Leal, os movimentos sociais da região, informam que irão acompanhar passo a passo a realização do estudo, a fim de garantir que todos os danos causados com a implantação nas áreas de influência da BR/163 sejam de fato constatados e juntados aos autos do processo contra a empresa.
Para um dos líderes da Frente de Defesa da Amazônia, (FDA), movimento organizado que reúne dezenas de pessoas que lutam a favor da preservação e do desenvolvimento sustentável da região, Padre Edilberto Senna, a realização deste estudo é uma afronta para os amazônidas. "A verdade é que a Cargill cometeu um grande crime. Desobedeceu a Constituição Federal durante sete anos, e só vai realizar o estudo de impacto ambiental depois de instalada no porto da cidade. Isso demonstra a incoerência do tribunal de justiça que reconheceu a ilegalidade no seu processo de instalação e permitiu que ela continuasse funcionando", disse ele, destacando que a FDA juntamente com as demais lideranças comunitárias estarão de olho nas ações que visam a realização do EIA/RIMA. "Queremos que toda a área de influência da BR-163, seja ouvida e estudada para que de fato as irregularidades possam ser comprovadas e os danos imediatamente reparados pela graneleira", frisou ele.
Além disso, Edilberto Sena revelou que os movimentos sociais estão descontentes com a justiça que não permitiu que o termo de referência que garante o estudo em toda área de influência da BR/163 entregue à Secretaria Executiva de Meio Ambiente (SEMA), fosse visto pelos movimentos. "Nós que propusemos a ação, considerados pela lei como parte interessada, não tivemos acesso ao termo. Isso é um desrespeito conosco", comentou dizendo que irão fazer o possível para que as audiências públicas realizadas como parte integrante do EIA, tenham sua finalidade alcançada. "Não queremos que as audiências tenham o mesmo fim como as que aconteceram em Oriximiná e Juruti, onde a população foi reunida, os impactos comprovados e a empresa acabou funcionando", observou.
Mesmo assim, padre Edilberto não considera que o início do estudo de impacto ambiental feito pela multinacional, não soa de forma positiva para o município, a menos que seja feito de forma honesta e cientifica, como resguarda a Constituição Federal.
Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém (STTR), Maria Ivete Bastos, o início dos trabalhos deve ser acompanhado com cautela pelos santarenos. "A classe observa de forma positiva o início dos trabalhos, mesmo que de forma forçada a realizar estudo, diante de uma decisão da justiça, uma vez que nós trabalhadores rurais somos os que sofremos com a expansão da fronteira agrícola", disse ela lembrando que o reflexo da presença do porto graneleiro é visível na cidade. "Hoje em dia, o número de produtores que deixou de trabalhar para abastecer os mercados e feiras da cidade é impressionante. Grande parte deles vendeu suas terras para migrantes de estados vizinhos e se refugiaram nos bairros periféricos de Santarém, onde atualmente passam por necessidades", garante.
No decorrer das audiências públicas, as lideranças dos movimentos sociais pedirão a mediação do Ministério Público Federal.

FISCALIZAÇÃO DE BARES ENTRE CAIS E VIADUTO É DA PRF

Depois de muita discussão quanto à competência para fiscalizar a rodovia BR-163, no trecho compreendido entre o cais do porto e o viaduto da avenida Fernando Guilhon, a procuradoria jurídica do órgão, em Brasília, reconheceu que a Polícia Rodoviária Federal é a responsável pela fiscalização de bares, lanchonetes e pizzarias instalados às margens da rodovia, a fim de cumprir a Medida Provisória (MP 415) que prevê proíbe a venda de bebidas nas estradas federais desde o dia 17 de fevereiro. No total foram identificados cerca de 100 bares no percurso entre Santarém e Belterra.
Segundo o inspetor Chefe da Polícia Rodoviária Federal, Max Xabregas, a fiscalização que deveria ter começado desde o dia primeiro de fevereiro, só iniciará na nesta segunda, dia 4, devido ao atraso na entrega dos talonários de multa. Enquanto isso, os estabelecimentos comerciais localizados na BR/163, estão sendo apenas notificados para que não comercializem o produto neste período, caso contrário, assim que a fiscalização entrar em ação, poderão ser multados em até R$1,5 mil. Além disso, os comerciantes deverão colocar em frente de seus respectivos estabelecimentos, uma faixa, anunciando que de acordo com a MP 415, não comercializarão bebidas durante o carnaval. Os comerciantes que não colocarem o anúncio serão multados em até R$300.
Mas os donos de estabelecimentos comerciais reclamam a medida e garantem que continuarão vendendo. "Não entendo isso. Grande parte dos que morrem nas estradas bebe em bares que não ficam nas rodovias. Alguns já vêm bêbados de casa. Por isso, acho que o certo seria proibir logo tudo. Por quê só nós devemos ser prejudicados?" questiona o comerciante Nonato de Sousa, reclamando e dizendo que não vai colocar placa na frente do seu estabelecimento. "Quero ver se vão me multar. Eles não vão dar conta e fiscalizar essa rodovia de uma ponta a outra. Ela é muito grande e essa medida deveria ser válida somente para os bares que ficam fora da zona urbana e não para nós, que vivemos disso", falou indignado.
De acordo com informações do inspetor Xabregas, o objetivo da medida é fazer com que o número elevado de acidentes de trânsito registrados nas estradas federais durante a quadra carnavalesca, reduza significativamente. Para isso, os agentes de trânsito da Secretaria Municipal de Transportes (SMT), colaboração com Polícia Rodoviária intensificando a fiscalização dentro da área considerada urbana da cidade de Santarém.

APOLONILDO BRITO LANÇA O LIVRO ‘LENDÁRIO AMAZÔNICO’

Larissa Caldas
Repórter

Poeta, escritor, jornalista e piloto de avião, Apolonildo Britto se considera um amante da Amazônia. Agora ele acaba de lançar o livro "Lendário Amazônico", uma coletânea de lendas publicadas na revista Amazon View durante oito anos. Publicado com o patrocínio da Petrobrás, através da lei de incentivo à cultura, a Lei Rouanet, a publicação traz 40 lendas que retratam a riqueza cultural da Amazônia.
Estados como Amapá, Pará, Roraima e Amazonas têm suas lendas contadas de forma diferente da tradição oral, pois tratasse mais do que histórias lendárias, e sim verdadeiros ensaios que procuram destacar as origens, o significado social, a importância histórica e a vida da região amazônica, como definiu o autor.
As ilustrações ficaram a cardo de vários artistas plásticos, e conta com a participação de Edi Lopes, de Santarém, ilustrando a lenda do boto. O livro já foi lançado em Manaus em novembro de 2007 e tem lançamento previsto em Santarém para o período entre fim de fevereiro e inicio de março. A editora pretende lançá-lo no maior número de municípios da região.
Jimenne Britto, filha do autor e diretora geral da Norte Editorial, foi quem preparou o projeto. Segundo Jimenne, a Amazônia pouco trabalha com a lei de incentivo à cultura. "O estado do Amazonas não teve nos últimos dois anos nada aprovado pela lei Rouanet, e quem aprovava acabava não tocando em frente. Há alguns anos atrás foram aprovados livros, mas ninguém comercializava por que não é fácil", declara Jimenne.
A Norte Editorial está fazendo um trabalho de conscientização com as empresas para comercializar livros através da lei de incentivo à cultura. "Queremos mostrar que é vantajoso apoiar um livro da lei Rouanet, por que ela (a empresa) tem até 100% de desconto no imposto de renda no que investir em incentivos", esclarece Jimenne.
Atualmente, 12 projetos estão dando entrada na lei Rouanet, e empresas da região poderão patrocinar. "'Lendário Amazônico'é o primeiro, é o nosso mostruário, queremos fazer trabalhos com outros autores". A proposta da editora é trabalhar exclusivamente com livros de foco amazônico, que exaltem e mostrem a região através de uma editora da própria região. Além de "Lendário Amazônico", serão lançados ainda este ano mais dois livros pelo mesmo sistema: "Amazônia, a mãe dos rios" e "O vôo das garças - a história da aviação na Amazônia", que está em processo de aprovação.
Apolonildo Britto, falou ao Jornal sobre a experiência do livro.
O Estado - Quanto tempo de pesquisa?
Apolonildo Britto - Primeiro que eu sou caboclo da Amazônia, e para o bom caboclo - no tempo que não tinha rádio nem televisão - os nossos heróis e os nossos vilões eram lendários, era os personagens das lendas, o boto, o Pedro Malazar... Então eu já tenho uma história que vem daqui da região mesmo de conhecimento das lendas através da transmissão oral feita pelas pessoas. Com o tempo eu me interessei muito, meu avô era um intelectual, era professor, e sempre gostava de depois do almoço deitar na rede e ficar olhando as janelas, e nas nuvens iam formando aquelas figuras, e ele ia me contando com se fosse as personagens lendárias.
O Estado - Como surgiu a idéia de publicar o Livro?
Apolonildo - Comecei a publicar na Amazon View a pedido de minha filha, que deu a idéia de ter uma seção de lendas na revista. Já fazem oito anos de publicação de lenda na revista. Escrevendo as lendas, comecei a achar que não isso não era suficiente, então passei a fazer pesquisas sobre as lendas. Compreendi que jornalisticamente e literariamente era mais importante fazer um ensaio sobre as lendas, estudando, pesquisando e colocando isto no meu trabalho, do que simplesmente reproduzi-las como vinham sendo contadas ene vezes. O Benedito Monteiro fez o prefacio do livro e disse que a obra é inédita, pois ninguém ainda na Amazônia havia abordado as lendas dessa maneira, como ensaio.
O Estado - Como você vê a preservação da memória cultural na região amazônica?
Apolonildo - O que eu vi há trinta anos atrás eu não vejo mais, a memória cultural da região está sendo diluída, apagada, esse trabalho que eu fiz é a tentativa de resgatar a memória cultural, pelo o que os nossos antepassados nos passaram. Faço isso para os jovens terem conhecimento delas e elas não morrerem, pois o que está escrito vale mais do que é falado. A juventude tem que conhecer e transmitir pra as próximas gerações.
O Estado - Qual sua lenda favorita?
Apolonildo - A do Jurupari, que é o caboclo autêntico. Vitima da própria grandeza. O Moisés dos índios. Ele que estabeleceu o convívio social entre os índios, criou a figura do pajé, introduziu a musica, a dança. Foi o herói civilizador dos índios. Nós conhecemos o Jurupari como monstro, mas ele foi destruído pela Igreja, pois atrapalhava a catequese dos índios.
BEC SÓ VAI FICAR COM ÁREA DO QUARTEL E VILAS MILITARES


MIGUEL OLIVEIRA
Repórter

Diferentemente dos quartéis existentes nos demais pontos do país, que estão recorrendo às placas de alugueis para reforçar o caixa apertado, o comandante do Oitavo Batalhão de Engenharia e Construção (8ºBEC), coronel Jerônimo Dower, informou com exclusividade a O Estado do Tapajós, que o Departamento do Patrimônio da União(DPU)irá se desfazer de quase todas as áreas localizadas na zona urbana da cidade que ficam sob a guarda do 8º BEC. Desses terrenos, apenas parte de uma área localizada às margens da avenida Moaçara, será vendida a fim de melhorar a infra-estrutura do quartel instalado na serra do Piquiatuba. As demais áreas arrendadas só garantem mensalmente ao Exército cerca de R$ 4,5 mil.
O comandante do 8º BEC explicou que apenas os terrenos que abrigam o quartel e as vilas militares, localizados na avenida Barão do Rio Branco, continuarão de posse do Batalhão. As demais que compreendem terrenos urbanos situados em parte da avenida Moaçara, Rodovia Br/163, avenida Turiano Meira e no bairro do Laguinho ou serão colocadas à venda na modalidade de permuta ou devolvidos ao patrimônio municipal.
Algumas desses terrenos já abrigam há mais de quatro anos empresas como a PROMATO, CONCRETAP, JADE Engenharia, Arroz Jobella e G. Altrão Comércio LTDA que rendem aos cofres da instituição, com concessão destes terrenos para que estas empresas privadas coloquem seus outdoors e montem seus negócios, apenas R$ 4,5 mil por mês.
O objetivo do Exército, conforme revelou o coronel durante entrevista, é que essas áreas da avenida Moaçara, que abrangem aproximadamente 51,7 hectares, sejam alienadas e a empresa vencedora, ao invés de pagar em dinheiro para o batalhão, apresente como contrapartida a construção e ampliação de novos prédios nas instalações do quartel, na serra do Piquiatuba.
As demais áreas localizadas próximas ao Centro de Controle de Zoonozes (CCZ), na Avenida Moaçara, com entrada pela Santarém/ Curuá-Una, na avenida Turiano Meira e outra localizada na Avenida 24 de Outubro, próximo á extinta SUDAM, esta última ainda sob arrendamento para a empresa G. Altrão serão devolvidas pela Gerência do Patrimônio da União (GPU) ao município. Em uma dessas áreas que serão devolvidas, a Caixa Econômica Federal pretende financiar a construção de casas populares.
Outra área da Moaçara ficará sob arrendamento às Faculdades Integradas do Tapajós(FIT). No terreno de cerca de 150 hectares foi instalado um mini-zoológico, o ZooFIT.

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