A legislação eleitoral exige que radialistas e jornalistas que apresentem programas de televisão, incluindo entrevistas, se afastem do emprego três meses antes das eleições, se quiserem concorrer..
Mas não faz essa mesma exigência para a internet.
A única ressalva é que o candidato que tiver perfil particular em rede social poderá cadastrar esse sítio perante a justiça eleitoral como sendo sua página oficial durante a campanha.
Mas, no mundo virtual, a responsabilidade jurídica do candidato por publicações consideradas ofensivas a honra de terceiros, candidatos ou não, de entidades e partidos políticos, poderá ser reclamada em juízo, sujeitando o infrator às penalidades previstas na legislação.
Eu sou um velho e conhecido da justiça eleitoral de Santarém.
Contra mim e o jornal O Estado do Tapajós, e agora, contra o Portal OEstadoNet, já foram ajuizadas dezenas de ações, a maioria formalizada pelo grupo da ex-prefeita Maria do Carmo, durante três eleições.
Quando notificado, fiz o que cada um, que confia na justiça, deve fazer. Contratei advogado para me defender.
Não procurei tirar proveito, reclamar solidariedade. Por que apreendi desde cedo, que solidariedade não se pede, se recebe sem pedir.
Me defendi sozinho. Nunca tornei público o teor das ações - algumas absurdas, como fechamento do jornal, a apreensão de exemplares, a proibição de citação de nome de políticos- por que entendo que o direito de recorrer à justiça é constitucional, mesmo que contra mim.
Nessa batalha jurídica, venci todas as demandas. E mais uma vez, agi com discrição.
Porque o direito de peticionar é de todos.
Cabe ao juiz analisar o teor da representação, queixa ou pedido de investigação, processá-lo ou não.
No regime democrático, você é livre para se manifestar, mas responde por excessos, se houver.
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Alexandre Von tem dificuldade para definir vice
O prefeito Alexandre Von, candidato à reeleição, vai escolher o companheiro de chapa de uma lista da qual fazem parte os vereadores Mauricio Corrêa, Valdir Matias, Reginaldo Campos e Marcela Tolentino.
Isso não é mais novidade.
Mas a novidade é que esse método de escolha de um nome em detrimento de outros três terá consequências imprevisíveis diante dos preteridos na campanha eleitoral.
O Blog do Estado apurou que dos quatro parlamentares, o que menos desagrega é o nome de Maurício Corrêa. Valdir Matias Jr. tem pouca densidade eleitoral.
A sinuca de bico em que o prefeito se encontra é com a dupla Reginaldo e Marcela. Se optar por um desses, é possível que haja racha na base governista.
Fonte do Blog do Estado garante que Von escolherá um nome para vice que não desagregue o grupo. Nesse caso, o menos problemático seria Maurício, seguido de Valdir.
No caso de Reginaldo, apesar do presidente da Câmara ter mais densidade eleitoral que Marcela, pesaria contra ele uma certa antipatia nutrida pelo prefeito. Já Marcela não é bem vista pela maioria dos vereadores que apoiam a reeleição de Von.
Em tempo: Rosivete Figarela, esposa do presidente do Sindilojas Alberto Oliveira, indicada pelo PRP, é uma ex-quase-futura-vice de Von.
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Em Santarém, Psol veta PT, que veta PMDB, que não quis Tapajós(PR) na vice de Nélio, do DEM, que rompeu com o PSDB
Fazer aliança partidária está complicada, em Santarém, para não dizer, impossível.
Primeiro, o PT procurou o Psol para propor uma dobradinha com Socorro Pena, na cabeça, e Márcio Pinto, na vice.
O Psol não topou a parada alegando que o PT está queimado por causa do Petrolão, mas não fez a mesma alegação quando aceitou se coligar com o PC do B, que também tem alguns de seus parlamentares federais comprometidos com esquema de propina na Petrobras.
O PMDB de Antônio Rocha
procurou o PT para oferecer ao partido a vaga de vice na chapa, no caso Socorro
Pena. O PT rechaçou a proposta por causa do racha dos dois partidos,
ex-aliados no plano federal, causado pelo impeachment de Dilma.
Também por isso, o PT nem propôs ao PMDB uma chapa com Socorro na cabeça e Rocha, na vice.
Nem com o DEM, Rocha se entendeu. Até topava apoiar Nélio Aguiar, desde que o vice não fosse José Maria Tapajós, do PR.
Nem com o DEM, Rocha se entendeu. Até topava apoiar Nélio Aguiar, desde que o vice não fosse José Maria Tapajós, do PR.
Assim
sendo, como diriam os escrivães, Von disputa a reeleição pelo PSDB ( sem ainda ter definido o vice), o DEM concorre com Nélio, o PMDB terá Rocha, o PSol sairá com Pinto, e o PT vai mesmo de Socorro, tendo como vice outro(a) petista, que
podem ser Carlos Martins ou Ana Elvira.
quarta-feira, 13 de julho de 2016
Alexandre Von procura Antônio Rocha em busca de apoio do PMDB à reeleição
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| Antônio Rocha(PMDB). Foto: Blog do Jota Ninos |
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| Alexandre Von (PSDB). Foto: Arquivo OEstadoNet |
O Prefeito Alexandre Von (PSDB) se reuniu, ontem à tarde, com o ex-deputado estadual Antônio Rocha, presidente municipal do PMDB.
O encontro, às portas fechadas, ocorreu no interior do hotel que Rocha está construindo, na orla de Santarém. Von entrou pelo acesso dos fundos, pelo mirante.
Segundo uma fonte ligada ao ex-deputado, o prefeito procurou Rocha para estimular o PMDB a não apoiar o candidato do DEM, Nélio Aguiar e garantir que o partido esteja junto com os tucanos num eventual segundo turno.
Von, segundo o interlocutor, procurou alimentar em Rocha o sentimento de desprezo com o qual teria sido tratado pelo DEM, que optou por uma aliança com o PR, partido que deve compor a chapa como nome do ex-vereador José Maria Tapajós.
Outra fonte ouvida pelo Blog do Estado garante que Von, contraditoriamente, também não ofereceu a vaga de vice em sua chapa. "O Von já tem dificuldade de compor com os demais partidos, onde há uma briga de foice pela vice, imagine agasalhar o PMDB. Essa conversa do Von é para tentar ludibriar o Rocha e tentar oferecer, também, alguma vantagem financeira ao ex-deputado, mas eu não acredito que Rocha aceite essa barganha", explicou um liderança pemedebista ouvida pela reportagem.
Ainda segunda essa fonte, "o comando estadual do PMDB não vai aprovar acordo com os tucanos em Santarém por causa da forte oposição que o ministro Helder Barbalho faz ao aliado de Alexandre Von, o governador Simão Jatene, por quem foi derrotado na disputa eleitoral de 2014. Acho improvável que o Helder permita que o PMDB se posicione contra o ex-deputado Lira Maia, patrono da candidatura de Nélio Aguiar. Helder e Lira Maia são aliados de primeira hora e Rocha não vai quebrar essa aliança. O máximo que pode ocorrer é o PMDB lançar candidato próprio. Apoiar Von, acho improvável", completou o interlocutor.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Nota de pesar - Marcílio Cabral
DEMOCRATAS
NOTA DE PESAR - VEREADOR MARCÍLIO CABRAL
O Diretório Municipal do Democratas de Santarém, através da Comissão Executiva e Iiderança na Câmara de Vereadores, lamenta com profundo pesar o falecimento do seu ilustre filiado e 1o. Suplente de Vereador, Dr. Marcílio Cabral, ocorrido no final da tarde desta Quinta-feira (07), em São Paulo.
No período em que exerceu o mandato de parlamentar, Marcílio Cabral sempre o fez de maneira ética e exemplar, dignificando o Legislativo Santareno.
O Democratas de Santarém solidariza-se aos familiares e amigos neste momento de dor.
Nos braços de Deus descanse em paz nobre vereador!
Vereador Erasmo Maia (Presidente)
Vereador Henderson Pinto ( Lider do DEM na Câmara)
Médico Nélio Aguiar, membro da executiva municipal.
NOTA DE PESAR - VEREADOR MARCÍLIO CABRAL
O Diretório Municipal do Democratas de Santarém, através da Comissão Executiva e Iiderança na Câmara de Vereadores, lamenta com profundo pesar o falecimento do seu ilustre filiado e 1o. Suplente de Vereador, Dr. Marcílio Cabral, ocorrido no final da tarde desta Quinta-feira (07), em São Paulo.
No período em que exerceu o mandato de parlamentar, Marcílio Cabral sempre o fez de maneira ética e exemplar, dignificando o Legislativo Santareno.
O Democratas de Santarém solidariza-se aos familiares e amigos neste momento de dor.
Nos braços de Deus descanse em paz nobre vereador!
Vereador Erasmo Maia (Presidente)
Vereador Henderson Pinto ( Lider do DEM na Câmara)
Médico Nélio Aguiar, membro da executiva municipal.
José Maria Tapajós será o vice de Nélio Aguiar
O DEM e o PR anunciam, amanhã, a formação de uma aliança para as eleições à Prefeitura de Santarém. O médico Nélio Aguiar encabeçará a chapa, tendo na vice o ex-vereador José Maria Tapajós. O acordo oficial entre os dois partidos foi concluído hoje, em Brasília, em reunião de Nélio e Tapajós com os deputados federais Hélio Leite, presidente do DEM, e Lúcio Vale, presidente do PR.
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Câmara de Vereadores de Santarém completa 187 anos de instalação
Há 187 anos era instalada a Câmara Municipal de Santarém, no período do Império.
De lá para cá o poder legislativo quase sempre manteve-se inerte frente às principais demandas sociais e políticas do município, desfigurado que foi após a decretação de área de segurança nacional pelo regime militar, que cassou, por 22 anos, o direito do povo de Santarém de votar para prefeito e vice-prefeito.
Nas última duas décadas, o poder legislativo é um extensão do poder executivo.
Assim vem sendo desde os mandatos dos ex-prefeitos Ruy Corrêa, Lira Maia, Maria do Carmo, e do atual prefeito Alexandre Von.
Com raros e honrosos momentos de exceção para confirmar a regra geral..
A baixaria já começou
Sou PHD em receber ameaças anônimas.
Nunca pedi arrego, enfrentei a todos os covardes.
A cultura da baixaria em Santarém remonta há muitas décadas.
Em época pré-eleitoral, surgem panfletos, jornais de aluguel et caterva.
Na era da internet, perfis falsos, blogs sujos, blogueiros venais se manifestam em profusão.
Sempre tem o poder por trás dessa baixaria: político e econômico.
Esses personagens das sombras, que às vezes atiram as pedras e escondem as mãos, às veze nem tanto assim, agem impunemente.
A justiça nunca os alcança.
A única saída é enfrentá-los, com coragem, mas sem violência ou arrogância.
Desmascará-los é bem mais produtivo.
P.S: Jota Ninos, pré-candidato a prefeito pelo PC do B, iniciou a temporada. Está sendo vítima desse tipo de gente.
Nunca pedi arrego, enfrentei a todos os covardes.
A cultura da baixaria em Santarém remonta há muitas décadas.
Em época pré-eleitoral, surgem panfletos, jornais de aluguel et caterva.
Na era da internet, perfis falsos, blogs sujos, blogueiros venais se manifestam em profusão.
Sempre tem o poder por trás dessa baixaria: político e econômico.
Esses personagens das sombras, que às vezes atiram as pedras e escondem as mãos, às veze nem tanto assim, agem impunemente.
A justiça nunca os alcança.
A única saída é enfrentá-los, com coragem, mas sem violência ou arrogância.
Desmascará-los é bem mais produtivo.
P.S: Jota Ninos, pré-candidato a prefeito pelo PC do B, iniciou a temporada. Está sendo vítima desse tipo de gente.
De volta
Reinicio hoje a atualização do meu blog.
Particular, como todos sabem.
Independente.
Para abordar assuntos não cobertos pelo portal www.oestadonet.com.br
A cinco meses das eleições municipais, centrarei a cobertura dos bastidores políticos de Santarém e região.
Então, mão à obra.
Particular, como todos sabem.
Independente.
Para abordar assuntos não cobertos pelo portal www.oestadonet.com.br
A cinco meses das eleições municipais, centrarei a cobertura dos bastidores políticos de Santarém e região.
Então, mão à obra.
quinta-feira, 24 de março de 2016
Codinomes da corrupção
Lúcio Flávio Pinto
Em
matéria de dar nomes ao que faz, A Odebrecht superou - em ironia e
precisão - a Polícia Federal com suas operações com designações de
efeito. Qual o melhor codinome para Manuela D'Ávila, do PC do B
(mimoseado pela empreiteira com dinheiro por baixo dos panos), do que
"avião"? Não ficaria bem apelidá-la de "comunista", mesmo o sendo, como
fizeram com o deputado federal Manuel Almeida, do mesmo PC do B, que
quer cumprir no governo Filma o que o velho partidão (o PCB) procurou
ser no governo Goulart até 1964, complicando ainda mais a vida do
presidente da república.
O
"muso" do impeachment de Collor, o hoje senador Lindbergh Farias, que
substituiu Delcídio do Amaral na liderança do governo na casa, é o
"lindinho". José Sarney, finalmente, conseguiu ser tratado por
"escritor". Alguém discordará de que o presidente da Câmara Federal, o
peemedebista Eduardo Cunha, é um "caranguejo", que faz o Brasil andar
para trás? E o presidente do Senado, Renan Calheiros, é o "atleta" da
sobrevivência. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, é o
"nervosinho"? O fanhoso líder do PT, senador Humberto Costa, é o
"drácula".
Mas
a Odebrecht vai ter que se explicar sobre Jarbas Vasconcelos Filho, o
herdeiro do pai, sedutor político pernambucano, apelidado de "Viagra".
Brasil: 12º em violência no mundo
Lúcio Flávio Pinto
O Sistema Integrado de Informações sobre Mortalidade do Ministério da
Saúde registra apenas três mortes causadas por “intervenções legais” no
Pará em 2014. Já no Anuário Brasileiro de Segurança Pública as mortes
computadas somam 159. O SIM contém a informação oficial. O anuário
utiliza dados coletados por meio da Lei de Acesso à Informação.
A discrepância pode ser verificada no Atlas da Violência 2016,
levantamento realizado pelo Ipea, o instituto de pesquisa vinculado à
Presidência da República. O levantamento, divulgado na semana passada,
indica que as mortes causadas por ação policial (eufemisticamente
abrigada no conceito de “intervenção legal”) continuam a ser omitidas
por algumas instituições.
Para o SIM, foram 681 as mortes por “intervenções legais” em 2014.
Para o anuário, a soma verdadeira é de 3.009 mortes causadas por ação
policial. A diferença entre as duas estatísticas é de 441,85%.
A polícia cada vez mais violenta e letal acompanha a gravíssima
situação do país. O número de mortes por homicídio foi de 59.627,
considerados os óbitos causados por agressão e ação policial. A taxa de
homicídios foi de 29,1 para cada 100 mil habitantes.
É o pior resultado da série histórica, medida pelo Ipea (Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada) em parceria com o FBSP (Fórum Brasileiro
de Segurança Pública) desde 2004.
O resultado coloca o Brasil com o maior número absoluto de homicídios
do mundo, levando em conta os dados do Observatório de Homicídios do
Instituto Igarapé de 2013. Considerando o ranking do Banco Mundial, que
inclui 154 nações, o Brasil ficaria entre as 12 com as maiores taxas de
homicídio.
Homens de 15 a 19 anos são as principais vítimas de homicídios. Nesse
grupo, mais da metade dos óbitos ocorrem por assassinato. As pessoas
com 20 a 24 anos, também do sexo masculino, são as mais visadas depois,
com 49%.
Para o Ipea, essa conjuntura prejudica “o processo de desenvolvimento
econômico e social”, já que os jovens respondem pela maior parte da
população economicamente ativa.
Agravando esse dado, há outra informação brutal: pessoas com 21 anos e
com menos de oito anos de estudo têm probabilidade 5,4 vezes maior do
que para quem tem a mesma idade com grau de instrução igual ou superior.
Quem não consegue chegar à universidade tem 15,9 vezes mais
probabilidade de ser assassinado.
Já os negros e pardos têm 147% a mais de chances de morrer vítimas de
homicídios na comparação com brancos, amarelos e indígenas.
Este é o retrato do Brasil que é esquecido, omitido ou distorcido
pela falta de atenção ao problema pela opinião pública nacional e,
sobretudo, pelas autoridades públicas.
É um lado do país cada vez mais doentio, ameaçando degenerar para uma
violência devastadora, independentemente dos seus rumos políticos e
econômicos. O monstro da violência adquiriu autonomia no Brasil.
quarta-feira, 23 de março de 2016
Tuberculose está entre as cinco principais causas de morte de mulheres no país
Com 70 mil casos novos e cerca de quatro mil mortes por ano, o Brasil está entre os países com os piores indicadores.
Na
quinta-feira, 24 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) promove
uma mobilização global no combate à tuberculose. Segundo a OMS, o
Brasil está entre os países com os piores índices da doença, com
aproximadamente 70 mil casos novos e cerca de quatro mil mortes por ano.
A tuberculose é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis que afeta
prioritariamente os pulmões, mas que também, pode atingir qualquer
parte do corpo. De acordo com dados de 2014, divulgados pela OMS, um
terço da população mundial está infectado por essa bactéria, mas apenas
uma proporção adoecerá. Só em 2013, ocorreram nove milhões de casos, com
1,5 milhão de mortes, a maioria (95%) em países de baixa e média renda.
Esses
indicadores posicionam a tuberculose como a segunda causa de óbito, por
único agente infeccioso no mundo, colocando-a entre as cinco principais
causas de morte em mulheres de 15 a 44 anos de idade, conforme dados da
OMS publicados em 2014.
Conforme
Raquel Xavier de Souza Saito, coordenadora da Pós-graduação em Saúde da
Família da Faculdade Santa Marcelina FASM e responsável técnica pelo
Programa de Tuberculose da Supervisão de Vigilância em Saúde de Itaquera
– São Paulo, a tuberculose é transmitida de pessoa para pessoa, pelo
ar, quando o doente fala, tosse ou espirra, através das gotículas da
saliva.
“Dentre
os principais sintomas da doença estão: tosse, com ou sem catarro,
febre baixa, geralmente à tarde, suor noturno, falta de apetite, perda
de peso, cansaço, dor no peito e hemoptise (sangramento das vias
respiratórias). Nas formas de tuberculose fora do pulmão
(extrapulmonares), podem ocorrer fraqueza, emagrecimento, febre e sintomas relacionados com o órgão atingido” - explica
O diagnóstico e tratamento da doença duram no mínimo seis meses e estão disponíveis na rede do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo
a especialista, estimativas mostram que, se não forem tomadas medidas
efetivas para o enfrentamento dessa doença até 2020, cerca de 200
milhões de pessoas poderão adoecer e aproximadamente 35 milhões poderão
morrer.
Importante:
Atenção:
Tosse por três semanas ou mais, com ou sem secreção, pode ser
tuberculose. Procure imediatamente uma Unidade de Saúde próxima de sua
residência
terça-feira, 22 de março de 2016
Sai daí, Lula!
Lúcio Flávio Pinto
No
auge do mensalão, o então deputado federal Roberto Jefferson, líder do
PTB, da base aliada do governo, advertiu José Dirceu, o todo-poderoso
chefe da Casa Civil de Lula: "Sai daí, Zé. Sai rápido".
A
frase se tornou célebre na já extensa fraseologia da história política
recente do Brasil. Na ocasião, Dirceu e todos os petistas a
subestimaram. Afinal, Jefferson foi um dos mais destacados integrantes
da chamada tropa de choque de Collor, sempre disposta à briga, mas
fragorosamente derrotada pelo impeachment do seu líder maior.
Cometeram
um grave erro, numa sucessão de estarrecer, muitos deles primários.
Dirceu foi processado e preso, junto com outros petistas notáveis. O
governo de Lula só não se exauriu no primeiro mandato porque ele tem
muito mais fôlego e capacidade do que Dilma, além de uma estrela sem
igual no espaço terrestre do Brasil.
Jefferson
sabia o que falava. Além de escolado na malandragem política e nos
acertos de bastidores, era um destacado advogado criminalista cuja
atuação no júri se notabilizava por seu timbre de cantor de ópera. Se
não tivesse sido obrigado a atuar à sombra do poder, mas com a mesma
eficiência de antes, como ainda faz, ele podia dar o grito para o
ex-presidente, mandando-o sair do lado da presidente.
Ao
invés disso, Dilma Rousseff, a mais desastrada das presidentes da
república brasileira, o chamou para voltar ao governo e o empossou no
cargo. O mesmo cargo que José Dirceu pretendia transformar no de
primeiro-ministro em um parlamento à sua conveniência, sem avaliar
corretamente o que ia por dentro de Lula - que, como em relação a todos
os petistas, aloprados ou não, abandonou pelo meio do caminho quando se
transformaram em estorvo.
Uma
semana depois de um ato de pantomima, data que será completada amanhã, a
posse de Lula não valeu. O exercício do cargo foi suspenso (e
confirmado) sucessivas vezes em primeira instância. Ao chegar a um
relator singular no Supremo Tribunal Federal, o sorteio confirmou a
mudança na sua proverbial sorte: foi parar justamente com seu adversário
declarado. Gilmar Mendes suspendeu o ato da presidente da república e
devolveu o processo para o juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba.
O
impasse na justiça vai se arrastar por muito mais tempo do que o
Palácio do Planalto supunha. Já há mais de 50 ações provocadas pela
posse de Lula tramitando em várias instâncias do poder judiciário, 21
delas no STF. Há argumentos pró e contra a medida, o que é bastante para
alimentar a sangria do governo a um nível próximo da sangria desatada.
A
Advocacia-Geral da União, agora comandada pelo ex-ministro da justiça,
José Eduardo Cardozo, que Lula considerava pau-mandado de Dilma para
golpes contra ele, numa época em que os dois viviam se alfinetando nos
seus círculos mais íntimos, vai agora tentar o que já não terá efeito
prático: restabelecer o sigilo sobre as gravações de Lula.
A
iniciativa se tornou obsoleta pela resposta do juiz Sérgio Moro. Ontem,
ele encaminhou ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no STF,
todos os áudios das gravações em torno de Lula, num momento em que a
maioria da corte já reage contra Lula pelas declarações que fez.
A
má sorte, a nova acompanhante do ex-presidente, fez com que fosse
sorteada a ministra Rosa Weber como relatora do habeas corpus impetrado
por nada menos do que seis eminentes juristas (caríssimos quando cobram
pelo serviço), mais três integrantes do escritório que defende Lula
permanentemente, para impor o sigilo sobre as gravações. Weber foi
citada por Lula como a pessoa que podia resolver seu problema, se
contactada em nome da presidente da república.
Diante
do clamor nacional em torno das conversas do ex-presidente e dos
ataques que ele reservou ao STF e a todos os seus adversários, pessoais e
institucionais, o que resta à corte? Antes da resposta, que não será
dada pelos próximos 10 dias pelo menos, deve ecoar o alerta de Roberto
Jefferson, se ele pudesse dirigi-lo a Lula: sai daí antes que a coisa
fique irreversível, tanto com o indiciamento do ex-presidente como com a
queda da sua sucessora.
segunda-feira, 21 de março de 2016
Chico contra Chico
Lúcio Flávio Pinto
O
ano de 1968 começou no mundo a 1º de janeiro. No Brasil, terminou no
dia 13 de dezembro, quando foi editado o Ato Institucional número cinco.
O AI-5 foi o mais tétrico dos documentos oficiais da história
republicana brasileira, o anticlímax da progressão democrática que
estava em curso. Parecia que o Brasil viveria os tempos de liberdade e
criatividade que geraram a primavera checa nos países da Cortina de
Ferro e a revolta estudantil pelas ruas de Paris, do lado Ocidental.
A
cultura, que expressava com fidelidade a tentativa de sair dos vários
tons de cinza nos dois primeiros governos militares, sofreu na pele
também a ação dos grandes punhais em ação a partir da cobertura dada
pelo AI-5. Isso porque a linguagem foi se tornando cada vez mais
agressiva. A tal ponto que chegou ao modo de interpretar, aos cenários,
ao clima, sobretudo nos palcos teatrais.
Nada
foi mais representativo da longa noite dos punhais como a invasão do
teatro e o espancamento dos atores que encenavam a versão à José Celso
Martinez de Roda Viva, do outrora bucólico e lírico Chico Buarque de
Holanda. Quem viveu os últimos anos dos 1960 sabe o que foi esse terror e
brutalidade, que fizeram Chico (como Caetano, Gil e muitos outros)
emigrar em busca da salvação.
Vítima
e mártir da intolerância., Chico Buarque agora é algoz. Ele proibiu que
o ator e diretor Cláudio Botelho continue a apresentar "Todos os
musicais de Chico Buarque em 90 minutos", dramatização de várias músicas
do filho de Sérgio Buarque de Holanda.
Depois
da queda o coice. Botelho foi impedido de continuar a apresentar o
espetáculo no dia 19, em Belo Horizonte, por espectadores revoltados
pelas críticas do artista a Dilma e Lula, num momento de improviso do
texto. As vaias foram num crescendo até chegarem próximo da agressão
física.
No
dia seguinte, Botelho soube da disposição de Chico proibir o uso das
suas canções no espetáculo, depois de apresentações no Rio de Janeiro e
entendimento de muito tempo. A atitude certamente nada tem a ver com o
conteúdo da encenação. Deve-se simplesmente à manifestação crítica de
Botelho contra os líderes do PT, partido que Chico apoia.
Ele
podia continuar a dar todo seu apoio sem transformá-lo num instrumento
de censura e coação, como os ataques que sofreu da censura estatal e de
parte do aparelho repressivo do governo durante o regime militar. Gênio
musical, Chico tem confinado a esse âmbito as suas qualidades. Fora
dele, está se tornando um pastiche de si mesmo.
sexta-feira, 18 de março de 2016
Os jornalistas e a crise
Lúcio Flávio Pinto
Independentemente
dos veículos de comunicação em que trabalham e dos seus patrões, os
jornalistas podem dar valiosa contribuição à democracia brasileira neste
momento de grave crise, que a perturba com severidade, sendo.,..
jornalistas.
Principalmente
pela internet, têm que impor um padrão rigoroso de apuração dos fatos
para conter a onda avassaladora de má interpretação das informações,
boatos, invencionices e intolerâncias, que podem levar a um vácuo,
descontinuando o caminho do país na busca pela melhoria do regime
político.
Vou
tomar por exemplo a principal nota de hoje do Blog do Josias, escrito
pelo jornalista Josias de Souza, de larga experiência e extenso
currículo no jornalismo. Às vezes um adjetivo mal empregado desacredita a
informação, ou então um juízo de valor sem fundamentação em fatos.
Em cada trecho que considero inconveniente farei, em itálico, minha sugestão de correção.
Segue-se o texto:
Dilma Rousseff revelou-se [para quem?] preocupada ao saber [quando e onde soube?]
que, além dos questionamentos feitos na primeira instância do
Judiciário, a nomeação de Lula para a Casa Civil é questionada em uma
dezena [retirei o “s” indevido do original] de ações protocoladas no Supremo Tribunal Federal. Um frêmito [o que autoriza o jornalista a dizer que a presidente teve um frêmito?] percorreu a espinha [dizer isto não é abusar da imaginação e da lincença de linguagem?] de Dilma ao ser informada [por quem?] de que sete dessas ações encontram-se sobre a mesa do ministro Gilmar Mendes. A presidente e seus auxiliares [quais deles?] receiam que o magistrado devolva o investigado para Curitiba, aos cuidados de Sérgio Moro.
Há
dois dias, na sessão em que o Supremo confirmou o rito processual do
impeachment, Gilmar fez comentários cáusticos sobre a conversão de Lula
em ministro de Dilma.
“A
crise só piorou, só se agravou”, disse o ministro. “A ponto de agora a
presidente buscar inclusive um tutor, para colocar no seu lugar de
presidente. E ela assume aí um outro papel. E um tutor que vem com
problemas criminais muito sérios, mudando inclusive a competência do
Supremo Tribunal Federal, tema que nós vamos ter que discutir.”
Nesta
quinta-feira, nas pegadas da divulgação de grampos tóxicos da Lava
Jato, Gilmar voltou ao tema: “Acho extremamente preocupante tudo o que
se engendrou, […] a tentativa notória de fugir da jurisdição do juiz
natural, que no caso é o juiz Moro, de Curitiba. Isso tem aspectos
concernentes, em tese pelo menos, a eventual infração de
responsabilidade. Ou mesmo questões de índole penal. Isso tem que ser,
claro, examinado com o maior cuidado possível. Mas é evidente que não se
trata de um ato normal, tanto é que está provocando tanta especulação e
tanto debate.”
Nas palavras de um auxiliar [mesmo
sem dar o nome do auxiliar, que deve ter falado em confiança, se
realmente falou, não dava para indicar em que setor ele atua? Mesmo na
época da censura do regime militar sempre procurávamos fazer isso, para
melhorar a informação do leitor sobre a origem da informação] de
Dilma, “as observações do Gilmar Mendes se parecem muito com um
pré-julgamento.” Ele acrescentou: “Só espero que o Gilmar divida sua
decisão com o plenário do Supremo.''
Vê-se
que os jornalistas estão descurando o seu dever de ofício. E dando
motivos para a repulsa à imprensa. Com um pouco mais de esforço,
atenção, amor próprio e objetividade ajudariam a preservar a
credibilidade na mídia.
quinta-feira, 17 de março de 2016
STF contra Lula?
Lúcio Flávio Pinto
Provavelmente
Dilma, Lula e o PT perderam dois votos no Supremo Tribunal Federal com o
pronunciamento de Celso de Mello e, agora, o despacho do ministro Teori
Zavascki. Não só pelo conteúdo da decisão como pela circunstância de
que ele se recusou a participar de uma reunião com a presidente da
república, a pedido do presidente do STF, Ricardo Lewandowski, quando os
três estavam hospedados no mesmo hotel, na cidade do Porto, em
Portugal. Teori é o relator do petrolão no STF.
Sua decisão de hoje em duas ações:
Considerada a relevância da questão constitucional suscitada, determino, nos termos do que prevê o art. 5º, § 2º, da Lei 9.882/99, sejam solicitadas as informações e manifestações prévias a serem prestadas pela Presidência da República, pelo Advogado-Geral da União e pelo Procurador-Geral da República, no prazo comum de 5 (cinco) dias. Decorrido o prazo, com ou sem as informações, venham os autos conclusos para exame da medida liminar requerida. Publique-se. Intime-se.
E a notícia divulgada pela assessoria de imprensa do STF:
O ministro
Teori Zavascki determinou que sejam solicitadas informações e
manifestações prévias à Presidência da República, à Advocacia-Geral da
União (AGU) e à Procuradoria Geral da República (PGR) relativas a duas
Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPFs 390 e 391)
que questionam a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
para o cargo de ministro de Estado chefe da Casa Civil. Os órgãos terão
cinco dias de prazo comum para atender a solicitação, após o qual o
ministro examinará o pedido de medida liminar.
A
ADPF 390 foi ajuizada pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), e a
ADPF 391 pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), e têm como
objeto o Decreto Presidencial de 16/3/2016.
Segundo
o PSB, a nomeação de Lula logo após a divulgação de relatos que
ligariam seu nome a fatos criminosos pelos quais estava sendo
investigado pela 13ª Vara Federal de Curitiba (PR) teria como objetivo
“colocá-lo ao abrigo de prerrogativa de foro”. O partido pede que o STF
afirme a tese da impossibilidade constitucional da modificação do juiz
natural através da nomeação para cargos com prerrogativa de foro, com a
nulidade do ato de nomeação ou, subsidiariamente, a manutenção da
competência do juiz natural.
Em
argumentação semelhante, o PSDB sustenta que o ato administrativo de
nomeação foi instrumento de realização de “propósitos ilícitos,
violadores dos mais comezinhos princípios que regem o exercício do poder
na República Federativa do Brasil”, em especial os constantes do artigo
1º (caput), artigo 2º, artigo 5º (incisos LIII e LIV) e caput do
artigo 37 da Constituição Federal. Para delimitar o contexto no qual se
deu a nomeação e caracterizar a violação aos preceitos fundamentais
mencionados, o partido cita a investigação do ex-presidente em pelo
menos dois procedimentos, a condução coercitiva ocorrida no último dia
4, para prestar depoimento à Polícia Federal, e o conteúdo de pelo menos
duas delações premiadas realizadas no âmbito da operação Lava-Jato, que
envolvem Lula em práticas ilícitas caracterizadoras de diferentes tipos
penais.
“O
ato, como é de conhecimento público, foi praticado com o deliberado
objetivo de frustrar a persecução penal do nomeado, enquanto investigado
na chamada operação ‘Lava Jato’ e denunciado pelo Ministério Público
do Estado de São Paulo”, alega o PSDB. O partido pede liminar para
suspender a eficácia do ato de nomeação de Lula e o efeito de
modificação da competência jurisdicional criminal em decorrência de sua
posse como ministro de Estado. No mérito, pede que o STF declare o
descumprimento dos preceitos fundamentais enunciados e determinada a
suspensão e afastamento, em definitivo, do ato presidencial de nomeação
do ex-presidente da República.
Posse de Lula volta a valer
Lúcio Flávio Pinto
A
assessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal acaba de distribuir
press release sobre o desdobramento da ação contra a posse de Lula como
ministro da casa civil da presidência da república. O ministro Marco
Aurélio Mello, que já havia se posicionado a favor do governo, negou
seguimento à ação. A batalha judicial promete ser longa, desgastante e
com sérias sequelas para o país.
Diz a nota do STF:
O
ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou
seguimento (julgou inviável) a pedido feito na Ação Cautelar (AC) 4130,
na qual um advogado tentava evitar a nomeação do ex-presidente da
República Luiz Inácio Lula da Silva no cargo de ministro de Estado. Para
o relator, a via processual eleita (a ação cautelar) foi inadequada, a
petição mostra-se omissa e há dúvidas quanto à competência originária do
STF para apreciar o pedido.
“Não está claro, a partir da [petição]
inicial, se a ação cautelar foi formalizada em caráter incidental ou
preparatória. Mostra-se omissa a peça no tocante à indicação da lide e
do fundamento”, afirmou o ministro Marco Aurélio, ressaltando ainda
que a pretensão do autor tem natureza satisfativa, incompatível com o
procedimento cautelar. "A cautelar volta-se a proteger direito
suscetível a grave dano de incerta reparação ou, ainda, a garantir a
utilidade do provimento final", explicou.
Na
AC 4130, o advogado Rafael Evandro Fachinello alegava que a nomeação do
ex-presidente para o cargo de ministro teria como objetivo blindá-lo de
investigação instaurada em primeira instância. Sustentava que seria
uma forma de uso fraudulento das prerrogativas do cargo e pedia na AC
4130 a concessão de liminar para impedir a eventual nomeação.
quarta-feira, 16 de março de 2016
Uma bomba nas entranhas do poder
Lúcio Flávio Pinto
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Com
seu principal ato de hoje, a nomeação de Lula para o seu ministério, a
presidente Dilma Rousseff conseguiu transformar em péssima uma crise que
já era muito ruim. Bastou que ela mandasse redigir o ato e, para
torná-lo oficial, com sua publicação, a antecipação por várias horas da
edição do Diário Oficial da União, que circularia normalmente só amanhã,
para ter uma imediata resposta.
O
juiz Sérgio Moro, que deixava de ter jurisdição sobre Lula, decidiu
tirar o sigilo de todo processo que estava instruindo sobre o
ex-presidente, inclusive gravações feitas através de interceptação
telefônica por ele próprio autorizadas.
As
conversas de Lula com a presidente, alguns dos seus ministros, outras
autoridades e pessoas podem caracterizar a obstrução da justiça, que é
crime passível de prisão, como aconteceu com o senador Delcídio do
Amaral. No exercício do cargo eletivo, porém, ele só podia ser preso em
flagrante delito. O flagrante não foi a obstrução da justiça, mas o que a
proporcionou: sua participação numa organização criminosa.
Já
não há mais dúvida alguma de que essa é a convicção do juiz federal
Sérgio Moro em relação ao ex-presidente. Para ele, Lula integra uma
organização criminosa, a mesma de Delcídio.No entanto, não mandou
prendê-lo. Nem mesmo o indiciou ainda.
O
que decidiu foi conduzi-lo à força para depor, ciente que, desta vez,
Lula resistiria. Para não caracterizar o abuso, determinou à Polícia
Federal que primeiro fizesse o convite. Só se ele se recusasse a
acompanhar os policiais, o que fez, ele teria que ser levado. Mas sem
algemas nem qualquer constrangimento.
A
preocupação indica que Moro não queria dar qualquer pretexto para
impedir que, no momento por ele considerado aprazado, adotasse uma
iniciativa mais drástica. Poderia fazê-la de imediato, ao receber o
pedido de indiciamento de Lula, com a antecipação da sua prisão
preventiva, feita pelos promotores públicos de São Paulo. Provavelmente,
entretanto, antes ouviria o Ministério Público Federal que integra a
Operação Lava-Jato. Enquanto isso, continuaria a produzir provas para
sua própria cartada.
A
retirada do sigilo de todas as provas até agora reunidas contra Lula
expôs a todos um conjunto de informações ainda mais devastadoras do que
as da delação do senador Delcídio, com os mesmos componentes, mas com
uma desvantagem para Lula: ele não tem mais um cargo eletivo. Só pode
ser preso por ordem da nova autoridade que passará a presidir o
processo, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, mas
sem as prerrogativas do cargo político, como o flagrante.
Há
outro risco maior e mais imediato. A oposição já protocolou ações
populares para impedir a posse de Lula, prevista para segunda-feira. Há
fundamento jurídico suficiente para essa medida. Se o ato da presidente
Dilma for anulado, Lula será devolvido às mãos do juiz Sérgio Moro, que
já parece estar preparando a sua parte no enredo: o indiciamento ou a
prisão (ou as duas coisas) de Luiz Inácio Lula da Silva.
Na
melhor das hipóteses para os petistas, ela até pode não explodir, mas
foram eles que acabaram por gerar, nas entranhas do governo federal, o
artefato que pode acabar por destruí-los: uma bomba de devastador efeito
moral - e de pavio curto.
Sua
explosão não fez surgir das suas cinzas um Estado policial, como disse a
presidente, ao ouvir os grampos e sua degravação, já que ela - embora
às vezes pareça não se dar conta - é a presidente do país. Admitir que
sob seu mando há um Estado policial que não criou e lhe desagrada é se
enquadrar numa esquizofrenia grave, fatal.
Na
verdade, o destino para o qual o Estado brasileiro caminha é o estado
do caos. Com a marca dessa criatura que a história abrigará na sua posta
restante: Dilma Vanna Rousseff.
Jader: o cão?
Lúcio Flávio Pinto
Resolvi
destacar o comentário de Cléber Miranda, que segue abaixo, não por ele
concordar comigo. É porque oferece mais uma oportunidade para eu me
manifestar sobre o tema. Escrevo não para os que me acompanham há mais
tempo, já suficientemente informados sobre a ladainha. É para os
leitores recentes, às vezes sujeitos a manipulações hábeis e sórdidas,
como continuam a fazer do tema.
Fui
amigo de Jader Barbalho e uma das pessoas que acreditaram nele quando
se candidatou a vereador de Belém e se elegeu, meio século atrás,
iniciando a mais brilhante carreira de um político que se formou na
oposição ao regime militar. Foi deputado estadual, deputado federal,
duas vezes senador, duas governador e duas ministro.
Fui
o único dos integrantes do que hoje pode-se chamar de "a turma do CEPC"
que não subiu ao poder com ele. Bem que me convidou, em 1982, mas eu
recusei todos os cargos que me ofereceu. Disse-lhe que continuaria a ser
o que sempre fui: jornalista. E que continuaria também a ser crítico e
fazer oposição, se necessário.
E
foi necessário, a partir do escândalo (que revelei e sustentei), de
1984, sobre a desapropriação da gleba Conceição do Aurá, em Ananindeua,
supostamente para a implantação de um conjunto residencial popular, mas,
na verdade, um acerto de contas da campanha eleitoral.
Num
momento em que a esquerda em particular e o público em geral ainda
estavam encantados pela retórica e o carisma de Jader, eu já estava
criticando-o. De tal forma que cheguei a ser ameaçado de morte, fui
hostilizado e rompi com O Liberal e Romulo Maiorana por não aceitar ser censurado pelas críticas que fazia ao governador.
Minhas
matérias foram usadas amplamente pela oposição a ele, em especial o PT,
e em livros encomendados por seus inimigos, sobretudo Antônio Carlos
Magalhães, que denunciavam seu enriquecimento rápido por desvio de
dinheiro do erário, como o de Gualter Loyola (que se baseou quase
exclusivamente nos meus textos e no material que ACM, em guerra com
Jader no Senado, lhe entregou.
Como
ressaltou o Cléber (e sou-lhe grato por isso), sempre usei os fatos
para fazer a crítica, com provas documentais, em especial as oficiais.
Jamais fui desmentido no essencial. Meus erros sempre foram veniais (e
publicamente reconhecidos), em grande medida pelas circunstâncias -
agravadas pela perseguição judicial, iniciada em larga escala em 1992 -
do meu trabalho, hoje tendo por base um micro-jornal, o JP, e nenhum
capital.
Nunca
aceitei o dualismo: Jader/corrupção, os demais/honradez. Por ser
explícita sua promiscuidade com o tesouro, Jader passou a ser usado como
o Judas do enriquecimento ilícito, o boi de piranha para a passagem de
manadas de ladrões, espertos e oportunistas que se propagam sem precisar
de aedes aegypts.
Mirando
nele, que nunca se defendeu, até ajuizar recentemente uma ação na
justiça contra Ronaldo Brasiliense, buscam manter o povo fixado apenas
nele, que serve de biombo e habeas corpus para outros políticos quase
tão - ou mais - nocivos do que ele.
Talvez
não mais porque realmente Jader se tornou o mais brilhante político
paraense pós-64, o único com importância nacional depois de Jarbas
Passarinho, o principal quadro do regime militar no Pará.
Daí
o senador peemedebista ter se tornado um gênio do mal, o doutor
Silvana, inimigo do Capitão Marvel dos quadrinhos, se não me falha a
memória dos tempos de leitor de gibi. Mas não é o diabo, o único capeta
dos infernos. Infelizmente, o que não falta neste maltratado Pará são
capetas do mesmo jazes, ou até de pior extração.
Jader
podia ter mudado o Pará para melhor. Foi o único político pós-64 com
essa possibilidade. O melhor acabou sendo para ele, sua familia e o seu
grupo, não para o Estado. Nem por isso só ele deve pagar a conta
negativa das péssimas elites que temos, como querem alguns personagens
diabólicos, se fantasiando de querubins e se infiltrando em espaços como
este.
Segue-se o comentário de Cléber
O
Lúcio não me tem como dos seus leitores mais simpáticos, e eu também
tenho sérias restrições quanto ao posicionamento político dele, mas
entendo que, nesse caso, ele tem razão e não está sendo parcial, pró
-Jader . Lúcio sabe não é bobo, e todos nós sabemos que o senador
paraense, desde que, há trinta anos atrás, assumiu o Ministério da
Reforma Agrária, tem se envolvido em inúmeras mutretas, falcatruas e
irregularidades.
Mas
o Lúcio foi bem claro:no âmbito da Lava-Jato, sua participação tem que
ser demonstrada de uma maneira mais evidente; ademais, Lúcio fez menção
às evidentes ligações “barbalhistas” ao setor elétrico, e suas possíveis
conexões com o PAC através de Belo Monte, com os parceiros Sarney e
Silas Roundeau, não descartando, por completo, a possibilidade de
envolvimento do senador.
Então,
penso que o jornalista analisou prudentemente, sem precipitação, como
deve ser. Não gosto nem um pouco do senador paraense, e acho-o, como bem
frisou o Lúcio há alguns anos atrás, no Jornal Pessoal, o mais
nocivo político daqui; mas não posso condená-lo antecipadamente, num
julgamento tendencioso, pois depois posso me contradizer, requerendo
ampla defesa e direito ao contraditório aos do meu lado, quando neguei
essas prerrogativas aos desafetos. Como dizem por aí:”Muita calma nessa
hora”.
terça-feira, 15 de março de 2016
Jader: do zero ao 80
Lúcio Flávio Pinto
O senador Jader Barbalho diz que a sua relação com a corrupção na Petrobrás é zero. Talvez seja verdade. O único elo possível dele com a organização criminosa formada na estatal é tênue: a presença do lobista Jorge Luz em certa intermediação.Paraense de nascimento, mas criado no Rio de Janeiro, Luz foi presença nos bastidores da transição de Jader para Carlos Santos, seu vice, no final do seu segundo mandato. Jader se desincompatibilizou para concorrer ao Senado e Carlos assumiu o governo por nove meses.
O senador Jader Barbalho diz que a sua relação com a corrupção na Petrobrás é zero. Talvez seja verdade. O único elo possível dele com a organização criminosa formada na estatal é tênue: a presença do lobista Jorge Luz em certa intermediação.Paraense de nascimento, mas criado no Rio de Janeiro, Luz foi presença nos bastidores da transição de Jader para Carlos Santos, seu vice, no final do seu segundo mandato. Jader se desincompatibilizou para concorrer ao Senado e Carlos assumiu o governo por nove meses.
Mas
não é zero a presença de Jader no setor elétrico. Como não é zero,
muitíssimo contrário, a influência do ex-presidente José Sarney e de
seus protegidos, Édison Lobão e Silas Rondeau. Eles formam um núcleo que
atuou sobre a Eletrobrás e a Eletronorte, e está conectada ao desvio de
dinheiro da obra da hidrelétrica de Belo Monte para financiar, pelo
caixa 2, as campanhas do PT e do PMDB nas eleições de 2010 e 2014. Pode
ser que Jader Barbalho tenha recebido parte dos recursos.
Sintomático
dessa engrenagem foi a reação do ex-ministro Antonio Palocci de
integrar um triângulo, com Rondeau e a ex-ministra Erenice Guerra, que
comandava o esquema de corrupção em Belo Monte, a maior obra do PAC, com
custo de 32 bilhões de reais. Em nota, ele disse que o senador Delcídio
do Amaral deve ter feito referência a outra pessoa.
Ela
deve ser seu irmão, o diretor de Planejamento e Engenharia da
Eletronorte, Adhemar Palocci. afastado de suas funções quando seu nome
foi citado na delação premiada de Dalton Avancini, ex-presidente da
Camargo Corrêa, como alguém com "algum envolvimento com o recebimento
das propinas" nas obras de Belo Monte. Ele era diretor e eminência parda
na Eletronorte há vários anos, com todo suporte do PT. Sarney e Jader
dividiam a outra área da Eletronorte.
segunda-feira, 14 de março de 2016
Veja e não leia...
Lúcio Flávio Pinto:
Com a edição que colocou agora nas ruas, Veja
renunciou à sua condição de revista semanal de informações (a quarta ou
quinta mais importante do mundo) e se transformou em publicação de
humor, do mais negro e involuntário humor, se me permitem os
politicamente corretos. Uma revista de deboche, de sarcasmo e ironia
grosseira.
A
capa traz a foto retocada de Lula, transformado em medusa, numa
cascavel. Competente na criação de fraseologias de forte apelo popular,
ele foi infeliz ao se comparar a uma jararaca. Pensou no uso da imagem
como referência à força e capacidade de resistência do animal, uma
serpente perigosa, mas útil
Acabou
oferecendo um prato cheio à ironia e a interpretações opostas à sua
intenção. A revista não apenas tratou de apresentar a relação do
serpentário de Lula como manifestou, da forma mais explícita e extremada
possível, seu projeto de acabar com o ex-presidente da república. De
pisar na sua cabeça e não na cauda, para que, desta vez, não escape,
como conseguiu no episódio do mensalão.
Nesse
ponto, imitou os três promotores de justiça do Estado de São Paulo, que
se precipitaram numa denúncia voluntarista. A peça mais cabia como
artigo na imprensa. A técnica da petição jurídica foi deixada de lado e
seu anexo era uma indevida cautelar pedindo a prisão antecipada de Lula.
Ficou nítida a busca de estrelismo e o caráter subjetivo da iniciativa.
Veja
foi além: renunciou ao jornalismo e voltou atrás, à época dos panfletos
da imprensa incendiária de décadas ou séculos atrás, quando os fatos e a
verdade importavam menos do que o tom rascante da acusação. Quanto mais
ruidosa, maior efeito podia provocar.
É
uma pena que a revista tenha decidido assim. Como leitor, jornalista e
um dos profissionais que trabalhou na revista no seu início, fiquei
chocado e triste pelo que uma publicação com o currículo de Veja
cometeu. Mais do que o epitáfio antecipado de Lula, uma antecipação do
destino ao qual a revista estará condenada se prosseguir nessa direção.
domingo, 13 de março de 2016
Lula: entre São Paulo e Paraná
Por Lúcio Flávio Pinto:
A
denúncia junto com a cautelar, pedindo a prisão do ex-presidente Lula,
apresentada no dia 9 por três promotores de justiça de São Paulo,
poderia ser um excelente artigo de imprensa ou um manifesto à ação.
Nunca uma peça jurídica. Falta-lhe rigor técnico. Não só na
fundamentação como no apuro técnico, que inexistiu. Se aceita, vai
engendrar um processo político. E isso é ruim para todos.
Parece
que os três integrantes do Ministério Público do Estado, Cássio
Conserino, José Carlos Blat e Fernando Henrique, quiseram aproveitar os
últimos acontecimentos, a partir do depoimento forçado de Lula pelo
Ministério Público Federal do Paraná.
Esquentaram
sua peça, que já vinha sendo preparada, investindo no clima emocional
carregado que se formou a partir da imagem inédita: um ex-presidente da
república sendo conduzido pela Polícia federal para depor numa
instalação ad-hoc do MP federal.
Foi
uma inspiração mais do que temerária: o paroxismo em torno da situação
inusitada podia favorecer a peça dos promotores e reforçar a
manifestação de protesto de amanhã dos que se opõem ao PT, mas também
podia ter efeito reverso: consolidar a imagem de vítima do
ex-presidente, que nesse recurso tem uma das suas últimas esperanças de
escapar ao destino que parece estar traçado em Curitiba: seu
indiciamento como réu na Operação Lava-Jato.
Lá
o ritmo e o método são outros. As iniciativas da PF, do MPF e do juiz
Sergio Moro provocam polêmicas. Invariavelmente, porém, elas se mostram
solidamente fundamentadas. Se fosse para usar os argumentos apresentados
na denúncia do MP paulista, os paranaenses teriam saído bem na frente.
Percebe-se, no entanto, que ainda lhes falta a conexão das acusações com
as provas dos fatos relatados, sobretudo nas delações premiadas.
Essa
foi a razão de tantas diligências de busca e apreensão de documentos na
24ª operação da Lava-Jato. Os investigadores buscam arrematar as peças
de acusação com aquelas provas que os advogados gostam de definir como
robustas, em condições de resistir a questionamentos da parte adversa.
O
contraste entre os métodos dos promotores de São Paulo e do Paraná
evidencia que se Lula pode se livrar com facilidade dos primeiros, dos
segundos é pouco provável que consiga escapar.
sábado, 12 de março de 2016
Corrupção em Belo Monte
Por Lúcio Flávio Pinto:
Os
ministros da Casa Civil, Erenice Guerra, que foi uma das principais
conselheiras da presidente Dilma Rousseff desde 2013, da Fazenda,
Antônio Palocci, e das Minas e Energia, Silas Rondeau, desviaram 45
milhões de reais das obras da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará,
diretamente para as campanhas eleitorais do PT e do PMDB em 2010 e 2014.
Os três ministros tiveram acesso aos R$ 25 bilhões aplicados na obra
durante o período em que integraram o governo.
A
informação consta do documento de delação premiada do senador Delcídio
do Amaral, que foi líder do governo petista no Senado e no Congresso
Nacional, em nova revelação feita pela revista Istoé.
Nas
duas disputas presidenciais os partidos estavam coligados na chapa
liderada por Dilma Rousseff. “A propina de Belo Monte serviu como
contribuição decisiva para as campanhas eleitorais de 2010 e 1014”,
afirmou o senador aos procuradores.
A
revista lembra que denúncias sobre corrupção nas obras de Belo Monte
“já haviam sido feitas por outros delatores, mas é a primeira vez que
uma testemunha revela com detalhes como funcionava o esquema, qual o
destino do dinheiro desviado e aponta o nome dos coordenadores de toda a
operação”.
Os
relatos feitos pelo senador, segundo a reportagem, mostram que a
operação montada para desviar dinheiro público de Belo Monte foi
complexa e contínua. “Começou a ser arquitetada ainda no leilão para a
escolha do consórcio que tocaria a empreitada, em 2010, e se desenrolou
até pelo menos o início do ano passado, quando a Lava Jato já estava em
andamento.
Tida
como obra prioritária do governo e carro chefe do PAC, Belo Monte era
acompanhado de perto pela chefia da Casa Civil, onde estavam Dilma,
então ministra, e Erenice Guerra, secretária executiva”.
A
atuação do triunvirato de ministros teria sido “fundamental para se
chegar ao desenho corporativo e empresarial definitivo do projeto Belo
Monte”, afirmou Delcídio aos procuradores da Lava Jato. Em sua delação, o
senador explicou que os desvios de recursos do projeto da usina vieram
tanto do pacote de obras civis como da compra de equipamentos.
“Antônio
Palocci e Erenice Guerra, especialmente, foram fundamentais nessa
definição”, revelou o senador. Ele afirmou que as obras civis consumiram
cerca de R$ 19 bilhões e a compra de equipamentos chegou a R$ 4,5
bilhões.
Delcídio,
engenheiro por formação profissional, chefiou as obras da hidrelétrica
de Tucuruí, no rio Tocantins, também no Pará, entre 1979 e 1985.
Garantiu que em todas as etapas da construção de Belo Monte, no rio
Xingu, houve superfaturamento.
A
revista se diz convencida de que entre os procuradores que já tomaram
conhecimento da delação de Delcídio “há a convicção de que Erenice era a
principal operadora do triunvirato, uma vez que antes de assumir o
cargo na Casa Civil trabalhou, ao lado de Dilma, no Ministério de Minas e
Energia, responsável pelas obras da usina”.
O
esquema teria começado a operar três dias antes da data marcada para o
leilão que escolheria o consórcio responsável pelas obras, em 2010. O
grupo formado pelas maiores empresas de engenharia do país desistiu da
disputa.
“Em
algumas horas foi constituído um novo grupo de empresas que venceu o
leilão, tendo sido a única proposta apresentada”, afirmou o senador.
Entre essas empresas estavam a Queiroz Galvão, Galvão Engenharia,
Contern, JMalucelli, Gaia Engenharia, Cetenco, Mendes Jr Trading
Engenharia e Serveng-Civilsan.
Alguns
meses depois da realização do leilão, várias empresas que dele não
participaram, se tornaram sócias do empreendimento e contrataram como
prestadoras de serviço as empresas do consórcio vencedor.
Com
essa operação, as maiores empreiteiras passaram a mandar na construção
sem se submeterem às regras impostas nas licitações convencionais.
Durante as campanhas eleitorais aumentava o valor das propinas e por
isso as empresas recorriam a “claims”, instrumento usado para readequar
valores de contratos.
“Os
acordos com relação aos claims eram uma das condições exigidas para
aumentar a contribuição eleitoral das empresas”, explicou Delcídio. O
senador destacou ainda a existência de várias ilicitudes envolvendo o
fornecimento de equipamentos para a usina de Belo Monte.
De
acordo com ele, houve uma enorme disputa entre fornecedores chineses,
patrocinados por José Carlos Bumlai (o pecuarista amigo do ex-presidente
Lula), e fabricantes nacionais, entre eles Alston, Siemens, IMPSA e
IESA.
“O
triunvirato agiu rapidamente definindo os nacionais como fornecedores,
tudo na busca da contrapartida, revelada nas contribuições de campanha”,
denunciou Delcídio. Pelo lado das empresas, segundo Delcídio, o
principal negociador de Belo Monte foi o empreiteiro Flávio Barra, da
Andrade Gutierrez..
No
anexo sete de sua delação, o senador Delcídio do Amaral detalhou o
esquema de corrupção armado na construção de Belo Monte. Diz que José
Carlos Bumlai participou das operações, mas que todo o esquema foi
coordenado mesmo pelos ex-ministros.
O
maranhense Silas Rondeau, apoiado por José Sarney, fora presidente da
Eletronorte e da Eletrobrás, antes de assumir o ministério das Minas e
Energia, sempre com o endosso do ex-presidente, que mandava no setor.
sexta-feira, 11 de março de 2016
Jornais do Pará: quem lê?
O Diário do Pará anunciou, hoje, que sua edição de domingo terá reajuste de 50%. Passará de dois reais para R$ 3, tendo do outro lado O Liberal
a R$ 5, conforme aumento que anunciou na semana anterior. Nos dias da
semana os dois jornais continuarão a R$ 2 e R$ 3, respectivamente.
A
decisão de ambos tem uma causa concreta e incontornável: o aumento do
papel de imprensa. Por ser importado, em sua grande maioria, flutua
conforme a cotação do dólar, que subiu muito mais do que a inflação
brasileira.
Nos
dias da semana as duas empresas, como todas aquelas que ainda mantêm
jornais impressos em papel, talvez ainda seja possível equilibrar as
contas para não prejudicar ainda mais o acesso às publicações. Mas as
edições dominicais, por serem mais volumosas e por venderem mais (às
vezes o dobro da média semanal) não suportam os custos.
A
saída é mesmo reajustar o preço de capa? Pode ser que sim. Mas antes,
as empresas bem que podiam tentar expurgar as páginas perdidas com
matérias que não têm interesse público ou cujo apelo comercial já não
passa desapercebido aos leitores, que, por isso, leem cada vez menos a
publicação.
Diretoria da AMUT renuncia
Prefeitos filiados à Associação dos Municipios da Transamazônica e Cuiabá(AMUT) estão reunidos hoje, em Belém, para apreciar a renúncia dos prefeitos que concorrem à reeleição e que fazem parte da diretoria executiva.
O presidente da Amut, Alexandre Von, prefeito de Santarém, e Jailson Duarte, prefeito de Mojuí dos Campos, deixam os cargos na diretoria a partir de segunda-feira.
quinta-feira, 10 de março de 2016
Lider no Senado, Paulo Rocha diz que pedido de prisão de Lula é provocação
O líder do PT no Senado,
Paulo Rocha (PA), classificou nesta quinta-feira (10) como uma
"provocação" o pedido de
prisão preventiva do ex-presidente Lula, apresentado por procuradores do
estado de São Paulo.
Para ele, o MP está agindo
de forma "política" e "autoritária".
"Já estava claro que
eles queriam isso. É um processo autoritário e seletivo para prender o
ex-presidente. É uma provocação política. Está todo mundo tentando segurar sua
militância para o grande embate no dia 13 e aí vêm com uma decisão dessa na
véspera", afirmou o petista ao jornal Folha de São Paulo.
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