sexta-feira, 20 de maio de 2011

Imprensa brasileira vista da Alemanha

Lúcio Flávio Pinto

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, dia 3, o portal da Deutsche Welle, rádio estatal alemã, publicou matéria escrita por Nádia Pontes, da redação em Berlim. Sob o título “Processos judiciais viraram arma para censurar imprensa no Brasil”, a reportagem mostra que a justiça brasileira “passou a ser uma ferramenta usada por aqueles que querem calar os jornalistas”.
Reproduzo a primeira parte do texto, relacionada a este jornal:

No Brasil, os jornalistas são livres para escrever e publicar. Num país oficialmente livre das amarras da censura de imprensa, os interessados em impedir que uma informação venha a público encontraram, no entanto, outras maneiras de fazê-lo. 

O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto conhece bem essas alternativas – várias foram usadas contra ele na tentativa de interromper seu trabalho. Depois da vasta experiência na grande imprensa brasileira, Lúcio fundou há 20 anos o Jornal Pessoal, focado na cobertura da Amazônia e que, segundo a definição do criador, "é a publicação alternativa de existência mais duradoura do país e a única em atividade".

Nos tribunais brasileiros, Lúcio é um dos jornalistas mais perseguidos do país. "A censura passou a contar com um poderoso instrumento, que é a Justiça", diz. O interessante é que, entre 1966 a 1985, durante a ditadura militar, o profissional só foi processado uma vez  – e absolvido. Desde 1992, as inúmeras denúncias de corrupção, desmatamento ilegal e tráfico de madeira já renderam ao único editor do Jornal Pessoal mais de 33 processos.

O sociólogo Benoît Hervieu, chefe da organização Repórteres Sem Fronteiras para as Américas, acompanha de perto a atividade jornalística e traça conclusões sobre o panorama brasileiro. "A questão da insegurança é mais grave no Norte e no Nordeste. Os jornalistas têm confrontos com as autoridades e também com o crime organizado e com traficantes de maneira muito violenta."

Apesar de a situação no Brasil ser bem mais amena do que a do México e de Honduras, países onde a liberdade de informar é a mais cerceada na América Latina, segundo a Repórteres Sem Fronteiras, é com dificuldades que muitos profissionais brasileiros expressam sua opinião, avalia Hervieu. 

Restrição à gratuidade no transporte para idosos é inconstitucional


A ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou seguimento ao Agravo em Recurso Extraordinário (ARE 639088) proposto pela Federação das Empresas de Transportes Rodoviários do Rio Grande do Sul contra decisão do Tribunal de Justiça (TJ) estadual, que declarou inconstitucional uma lei do município gaúcho de Canguçu que limitava a gratuidade da tarifa de transporte coletivo para maiores de 65 anos a quatro utilizações mensais não cumulativas.

A corte estadual entendeu que a norma, que criava restrição ao direito, afrontava o artigo 230, parágrafo 2º, da Constituição Federal, que proclama a gratuidade dos transportes coletivos aos maiores de 65 anos, sem qualquer tipo de restrição.
Ao analisar o ARE, a ministra explicou que a decisão do TJ-RS está em perfeita harmonia com a jurisprudência do STF, “pelo que nada a aprove quanto às alegações da agravante”, concluiu a ministra.

Jogo de cena


Herberth Moreschi deveria trocar o Hospital Regional de Santarém por um circo.

O administrador do HRBA simulou um referendo entre os médicos sobre sua permanência na direção daquele hospital sem que a própria ProSaúde anunciasse sua saída do cargo.

Moreschi difundiu entre os médicos a versão que há pressão política para retirá-lo do cargo e com isso simulou uma votação que lhe desse respaldo, mesmo falso, é claro.

Mas tudo não passa de um factóide. Aliás, como factóide é sua pífia gestão à frente do HRBA.

 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Multinacional canadense vai investir cerca de 450 milhões de dólares para extrair ouro em Itaituba

O Bradesco fez um comunicado ao mercado sobre os investimentos anunciados na economia brasileira e um deles diz respeito ao Oeste do Pará.

A Eldorado Gold, empresa canadense produtora de ouro, investirá US$ 468,7 milhões na mina Tocantinzinho localizada em Itaituba (PA). 

Do valor, US$ 81 milhões irão para a pavimentação de 100 km de estrada para escoar a produção e para a infraestrutura em geral. A empresa construirá uma rede elétrica de abastecimento própria com 200 km, por onde passarão os 25 MW utilizados pela mina nos 11 anos de duração do projeto. 

As obras devem iniciar em 2012 e a expectativa é que a mina produza 1,78 milhão de onças entre 2014 e 2025.

Cobertura torta sobre redivisão do Pará


Lúcio Flávio Pinto

Se quiserem informar a opinião pública, a grande imprensa de Belém vai precisar melhorar muito a cobertura sobre a redivisão do Estado. O Diário do Pará tem sido mais informativo do que o seu concorrente, mas, provavelmente por refletir os interesses do seu dono, o ex-deputado Jader Barbalho, ainda não manifestou sua posição sobre o tema.

O Liberal já publicou um editorial a respeito, mas o tratamento que dá à questão está condicionado à sua obsessão anti-Barbalho. Num espaço muito menor do que o do Diário, desviou a essência do problema para a condição moral da Assembléia Legislativa, que será chamada a confirmar o resultado do plebiscito, caso a maioria aprove a redivisão. Sem muita sutileza, o que pretende o jornal dos Maiorana é atirar a culpa sobre as costas largas do ex-governador, aproveitando-se de sua indefinição tácita.

Com os juros e a inflação em alta, 24% das famílias ficam no vermelho

Com os juros e a inflação em alta, consumidores não conseguem pagar mais as contas em dia. A tendência é o calote aumentar

Vera Batista, Ana D'Angelo, Larissa Garcia
Correio Braziliense


Quase dois terços da população brasileira, de todas as faixas de renda, estão endividados, apesar da redução das vendas no varejo. As famílias abusaram do cartão de crédito e dos carnês de lojas — com base em parcelas que supostamente caberiam no bolso — apesar da alta da inflação e do crédito mais caro, que reduziram o poder de compra do salário. A pesquisa Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), aponta que, em maio, a proporção de brasileiros com dívidas subiu para 64,5%, contra 62,6%, em abril, e 58,7%, em maio de 2010. Desses, 24,4% estão com débitos em atraso, o que representa aumento em relação a abril, quando o percentual ficou em 23,4%. Outro dado preocupante é que 8,6% das famílias declararam não ter condições de pagar seus compromissos, o maior índice do ano.

Os brasileiros também estão gastando cada vez mais nos cartões de crédito, e a inadimplência, que estava em queda, já retomou o ritmo de alta neste ano. A maior parte dos débitos, 71,5%, é justamente nos cartões de crédito. Em março deste ano, o total devido pelas famílias para as administradoras do setor alcançou R$ 97,4 bilhões, entre faturas a vencer e roladas com juros. Em março de 2010 e de 2009, esse valor estava bem menor: R$ 86,5 bilhões e R$ 68,5 bilhões, respectivamente, de acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços.

Texto integral para assinantes do Correio Braziliense aqui.

Segundo turno para eleição de prefeito de Santarém não ocorrerá em 2012

Aritana Aguiar
Repórter de O Estado do Tapajós


As eleições para prefeito em 2010 não devem ter segundo turno em Santarém. A regra vale quando o colégio eleitoral ultrapassaa marca dos 200 mil eleitores, o que ainda está longe de ser alcançado. Atualmente o município possui 186.243 eleitores. Até inicio de maio de 2012 se encerra o alistamento eleitoral e muitos eleitores farão transferências de domicílio e a própria Justiça Eleitoral fará cancelamento de títulos.

De acordo com o chefe do cartório da 104ª Zona Eleitoral de Santarém, Hugo Leonardo Souza, é praticamente impossível haver o 2º turno. "Seria necessário um crescimento de 20%, aproximadamente umas 30 mil pessoas teriam que entrar para votar em Santarém", afirmou.

Em 2008, Santarém possuía 190.764 eleitores, em 2009 houve um aumento para 195.598, em 2010 houve redução do eleitorado para 185.272, por causa da criação do município de Mojuí dos Campos.
Hugo explica que um ano antes de cada eleição os corregedores dos tribunais eleitorais fazem uma avaliação, calculam o crescimento populacional e comparam com o crescimento de pessoas que tentam transferir o domicilio eleitoral ou retirada de títulos, para que não haja irregularidades. 

"Quando a pessoa vai transferir o titulo de eleitor ela tem que comprovar que domicilia no local no mínimo há seis meses", informou. Ou seja, para que se chegar ao 2º turno em Santarém no pleito de 2012 em pouco tempo teria que vir uma grande quantidade de eleitores para transferir o titulo ou os adolescentes fazerem emissão. 

De acordo com Hugo, diariamente uma média de 20 a 30 pessoas vão ao cartório, mas apenas 50% é que procuram emissão de títulos, o restante vai solicitar certidão de emissão do titulo, ver como está sua situação para regularizá-la, requerer algum tipo de documento quando é solicitado pela faculdade, trabalho, concurso, entre outros.

Hemodiálise do Hospital Regional: redução de custo, nem tanto!


Leitor que preferiu o anonimato comenta que apesar da Sespa anunciar a repactuação dos valores contratados pela ProSaúde com a empresa paulista Gamso para os servições de hemodiálise do Hospital Regional do Baixo-Amazonas, que segundo o deputado estadual Alexandre Von está superfaturado, sustenta a tese de que mesmo com a redução do valor desse contrato o custo do serviço está acima da tabela paga pelo SUS:

Mesmo após essa redução, o Serviço de Hemodiálise do HRBA administrado pela empresa GAMSO, contratada da Pró-Saúde, continua superfaturado. É só fazer as contas: uma sessão de hemodiálise pelo SUS custa R$155,00. O hospital tem aproximadamente 70 pacientes em hemodiálise. Cada paciente faz em média 13 sessões por mês. Portanto, serão 910 sessões / mês. Valor total: 910 x R$155,00 = R$141.050,00. Mesmo considerando um valor de sessão em torno de R$200,00 ainda assim teremos como custo mensal total: R$182.000,00. Portanto, qualquer valor acima disso precisa ser muito bem justificado. 

Outro leitor informa que além do superfaturamento do contrato com a Gamso existem outras terceirizações que encarecem os serviços prestados por empresas contratadas pela ProSaúde:
 
Parabéns ao jornalista por denunciar essas irregularidades que acontecem nos bastidores do hospital regional, mas saibam que isto é a ponta de um iceberg. Existem muitas outras tercerizações (UTI, Laboratório, oncologia, hemodiálise....)que estão sugando o dinheiro do povo. Espero que o governo abra o olho para o roubo de dinheiro público. Parabéns

Força do rio Amazonas provoca 'terras caídas'


Boa parte da escadaria da comunidade de Aninduba, município de Santarem, já foi levada pela força das águas do rio Amazonas, nesta época de enchente.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Projeto do plebiscito do Tapajós entra em pauta quarta-feira na Comissão de Justiça do Senado


O deputado federal Lira Maia(DEM-PA) informa que o projeto de decreto legislativo originário do Senado, aprovado pela Câmara, que autoriza a realização de plebiscito para a criação do estado do Tapajós está na pauta ordinária da próxima quarta-feira da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal.

Von torna-se membro do conselho universitário da UEPA e encaminha pleito dos acadêmicos de Santarém


O deputado estadual Alexandre Von(PSDB) assumiu hoje, por ocasiãos dos festejos dos 18 anos de criação da UEPA, a representação da Assembléia Legislativa no conselho universitário daquela instituição.

Em sua primeira manifestação como conselheiro, Von solicitou à reitoria da UEPA a instalação do laboratório de cirurgia experimental do curso de Medicina de Santarém.
 

Alter do Chão, bonito até debaixo d'água

Alter do Chão, Santarém, nesta época do ano em que se dá o período da enchente do rio Tapajós

Titular da Secom informa que contrato de hemodiálise do Hospital Regional foi reduzido em R$ 400 mil



Pelo twitter, o secretário de comunicação do governo do Estado, Ney da Conceição Messias, informa que a Sespa reduziu em R$ 400 mil o valor do contrato do serviço de hemodiálise do Hospital Regional do Baixo-Amazonas, administrado pela OS ProSaude, cujo superfaturamento foi denunciado pelo deputado Alexandre Von(PSDB) no final de fevereiro deste ano.

Entidade não explica como gasta metade do dinheiro proveniente da lavra da bauxita


Clique na imagem abaixo para ampliar.


Hospital Regional de Santarém: ProSaúde não é o que parece

Miguel Oliveira  


A versão difundida pelo diretor Herberth Moreshi de que está havendo pressão política para o afastamento da ProSaúde da administração do Hospital Regional do Baixo-Amazonas esconde, de fato, uma guerra de bastidores que vem sendo travada desde o governo Ana Júlia.

Para relembrar, a ProSaúde, atual gestora, foi a terceira Organização Social classificada pela licitação aberta pela Sespa, em dezembro de 2006 mas, surpreendentemente, foi habilitada após o descredenciamento da OS Maternidade do Povo, primeira colocada, e de uma OSCIP do Paraná, que gerenciou o HRBA por alguns meses, até que a Sespa entronizasse a Pro Saúde naquele hospital, já no governo Ana Júlia.

De lá para cá o que se assistiu no Hospital Regional foi a um festival de denúncias de superfaturamento de serviços, greve de médicos por atraso de salários, negativa de prestação de contas perante a sociedade civil e poder legislativo, bem como o retardamento da prestação de serviços de alta complexidade, quando não a sua própria não efetivação.

Não se pode confundir, no bojo dessa discussão, que terceirização da administração do Hospital Regional do Baixo-Amazonas seja transformada numa privatização, com o governo pagando os custos e a ProSaúde administrando o HRBA como se fosse um ente particular, cuja gestão esteja acima do bem e do mal. Desde semana passada, o HRBA afixou placas de outdoors pela cidade informando que se credenciou junto ao organismo nacional do câncer, omitindo o nome da Sespa e negando que essa conquista foi obtida pelo governo Simão Jatene. Até a logomarca do estado do Pará foi usada de forma indevida.

Há vários meses, noticiei mais um escândalo da ProSaúde, sem que a Sespa tenha tomado providências de apurar e de vir a público fazer os esclarecimentos necessários. O serviço de hemodiálise que é contratado pela ProSaúde custa aproximadamente 750 mil reais e é executado pela firma paulista Ganso, sendo que o mesmo serviço pode ser efetuado por menos de 300 mil reais.

Some-se a essa farra com o dinheiro público, por exemplo, a demora na transferência de pacientes na Emergência do Hospital Municipal de Santarém para o Hospital Regional, e as cirurgias cardíacas. O HRBA dispõe de um especialista no hospital regional, mas que este não está podendo fazer as cirurgias cardíacas por falta de condições de trabalho. O que a ProSaúde exige da Sespa para implantar essa especialidade é um aditivo de R$ 300 mil reais a um contrato sabidamente superfaturado no governo passado.

Por fim é bom lembrar: Esses arroubos da direção do HRBA visam, apenas, desviar o foco das atenções para que o referido contrato seja renovado. A qualquer custo.

----
Atualização às 15h30.


Pelo twitter, o secretário de comunicação do governo do Estado, Ney da Conceição Messias, informa que a Sespa reduziu em R$ 400 mil o valor do contrato do serviço de hemodiálise do Hospital Regional do Baixo-Amazonas, cujo superfaturamento foi denunciado pelo deputado Alexandre Von(PSDB).

Plebiscito divide PT no oeste do Pará


O deputado estadual Zé Maria(PT), com base política em Juruti, anunciou que é favorável à realização do plebiscito para a criação do estado do Tapajós.

Mas o deputado Airton Faleiro(PT), que também tem bases eleitorais no Oeste do Pará, não diz sim nem não, muito pelo contrário. Até agora.

Definidas as datas do Enem

Agência Estado:

As duas próximas edições do Enem serão realizadas nos dias 22 e 23 de outubro e em 28 e 29 de abril. A data da segunda edição do exame em 2012 não foi definida por causa das eleições municipais. Como os locais de prova são os mesmo utilizados para votação e ainda há dúvidas sobre a capacidade de realizar o Enem entre o primeiro e o segundo turnos, o Ministério da Educação resolveu deixar a questão em aberto.

O anúncio oficial sobre as datas do Enem será feito nesta quarta-feira em Brasília pela presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Malvina Tuttman. No edital do exame, que será publicado na quinta-feira no Diário Oficial da União, o Inep vai reafirmar o veto a pedidos de revisão ou vistas de provas. O instituto, porém, vai condicionar a proibição, que já existia em anos anteriores, a uma manifestação oficial da Justiça.

Este ano, houve recursos à Justiça no Rio, em Minas, São Paulo, Ceará e Pernambuco pedindo vistas de provas do Enem, movidos tanto por particulares, quanto pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública. Nas suas alegações, o Inep argumentou que a dimensão do Enem, que teve cerca de 4,6 milhões de inscritos, torna inviável os pedidos de revisão ou vistas de prova. 

Onde os rios levam vidas em percurso (Final)

Guilherme Guerreiro Neto

 
Canoas, avistadas ao longe, se aproximam. Proliferam-se com rapidez. Mulheres remam para alcançar o navio. Junto delas, crianças. Num implorar amazônico, os curumins soltam gritos agudos e balançam os bracinhos como se fossem asas. Dá-se início a um ritual de solidariedade feito sem palavras. Passageiros e tripulantes arremessam sacos plásticos com roupas usadas. Os sacos caem no rio e logo vão para as mãos de novos donos. A velha roupa de uns, vira roupa nova para outros.

    Ribeirinhos em busca de  novas roupas velhas
                           

Prelúdio de mais uma noite. A animação, atiçada desde cedo pelas cervejas, aumenta ao pôr do sol. O tecnobrega, som originário da periferia de Belém, quase monopoliza o DVD do bar no passadiço. Os japoneses entram na farra; dançam e entornam latinhas ao lado dos brasileiros. Com as de sexta, Francisco Vieira contabiliza 30 cervejas esvaziadas por ele. É hora de parar. “Tem que chegar lá limpo. A patroa é meio braba comigo.”
Há muitos motivos que levam as pessoas a fazer de barco um percurso como este, de Santarém a Belém. Ir por terra é improvável. Não existe estrada que faça ligação direta entre as cidades. É preciso descer até a Rodovia Transamazônica e passar por Altamira e Tucuruí, o que além de ser desvio de caminho é baita dor de cabeça, considerando as péssimas condições da estrada.
Ir de avião é mais caro – às vezes, pouca coisa – e deixaria muitos que quase não saem da própria cidade com frio na espinha só de pensar em voar. A economia de tempo é grande: os dois dias na embarcação viram uma hora e 20 minutos de voo.
No navio é diferente. Os rios são extensões da casa dos moradores da região – embora haja quem fique apreensivo, como Jacina. Pode-se levar muito mais bagagem do que seria permitido por companhias aéreas. Francisco acrescenta uma justificativa: “Eu prefiro vir de barco porque a gente faz muita amizade. É uma economia e uma diversão. Melhor do que ficar sentado no avião sem falar com ninguém.”

Odirene da Silva e Rogério Soares


Calados, eles entram no convés. Parecem ter saído do nada e se materializado nos fundos da embarcação. Rogério Soares e Odirene da Silva estão casados há nove meses. Vivem em comunidade perto de Breves, no Rio Tajapuru. Foram visitar a avó dele e, na volta para casa, conseguiram enganchar a canoa no Nélio Corrêa. Uma carona para diminuir o tempo gasto no caminho.
Os dois têm uma casa de madeira com fogão à lenha. Sem geladeira, sem televisor, sem rádio. Ainda não chegou luz elétrica por lá. Odirene, com 17 anos, senta no batente do navio que dá para o rio e apoia os pés descalços sobre a mesa da cozinha. Rogério mantém o braço esquerdo suspenso, seguro a uma trave de aço, enquanto fala da vida. Ele não sabe ler. Sobrevive da venda de açaí a três reais o litro.
“Qual é o teu sonho?” A pergunta que faço o paralisa. Rogério abre um sorriso largo, mas não responde. Fica pensativo. É como se, aos 22 anos, ele já tivesse desistido de sonhar. Ou nem isso: desistir é trunfo de quem, um dia, se permitiu olhar para além do presente. Mesmo diante da escuridão, eles sabem quando é hora de ir. Partem em silêncio, como chegaram. Talvez pensando nos sonhos que não têm.
De manhã, mais um pequeno barco encosta e é amarrado no navio. Pai, Raimundo dos Santos, e filho, Carlos Alberto, estão cercados por cadeiras feitas de cupiúba. Vieram vender a mercadoria, os preços variam de 15 a 30 reais. Um fica embaixo enquanto o outro se pendura no Nélio Corrêa para passar as cadeiras.

Raimundo e Carlos Alberto dos Santos


Carlos Alberto faz o segundo ano do ensino médio. Quer ser engenheiro ou trabalhar com eletrônica. Veste camiseta vermelha e bermuda jeans de barra esgarçada. No rosto, a marca de um acidente de infância. Aos 11 anos, pegou a espingarda do tio. A arma estava carregada e, num descuido, disparou. A bala atingiu o olho direito do menino, sem chance de recuperação. Ele e o pai vão embora com cadeiras sobrando da venda de domingo.
Passa o Rio Pará. A entrada na Baía do Guajará é tranquila, sem sobressaltos. O fim da viagem se aproxima e os passageiros têm reclamações a fazer. José Edson de Oliveira, pintor, não gostou da alimentação nem do espaço apertado para dormir. As belas paisagens que circundam o navio por todo o percurso pouco aliviam os problemas. “Era para ser um paraíso, mas é um inferno.”
O comerciante Raimundo Costa também reclama da superlotação. Na primeira noite, dormiu pouco por conta do aperto. A Capitania dos Portos vistoriou o navio antes da saída de Santarém. Mas, segundo a tripulação, basta não ter redes atadas nas laterais para que a embarcação seja liberada. “Eles (tripulantes) pediram pra tirar as redes que tavam nos corredores pra Capitania achar que tava tudo normal. Tive que tirar a minha”, conta Raimundo.
***
A chuva de sempre cai no desdobrar da tarde. Já se vê Belém surgir por trás de uma ponta de floresta. Para um homem da Amazônia urbana, como eu, é um novo modo de enxergar a cidade. Os passageiros desatam as redes, juntam a bagagem e, de barba feita e cabelos penteados, se prepararam para desembarcar. Fim do encontro traçado pelos rios. As vidas, que por dois dias dividiram o mesmo convés, agora seguem percurso separadas.

A bandeira nacional hasteada de ponta-cabeça


A bandeira nacional continua a tremular na popa. De ponta-cabeça, como esteve durante toda a viagem. Por aqui, é assim: quem é da Amazônia vive num Brasil invertido, do avesso. Visto ora como exótico, ora como quintal, ora como intocável. Um Brasil dessa gente que constrói o país com discrição, sem reconhecimento ou recompensa. E continua a navegar.

----
Acompanhe as postagens anteriores desta série.

2a. parte
3a. parte

terça-feira, 17 de maio de 2011

Projeto LBA em Santarém difunde conhecimento junto a comunidade

Clique na imagem para ampliar.

APA de Alter do Chão ganha conselho gestor


A prefeita de Santarém Maria do Carmo Martins Lima assinou decreto criando as atribuições do Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental (APA), de Alter do Chão, que deve tomar posse o dia 01 de junho, iniciando as comemorações da semana do meio ambiente.

A informação foi repercutida na Câmara Municipal pelo vereador Valdir Matias Jr(PV). " A instalação do conselho da APA, a gente precisa que esse instrumento realmente funcione bem para garantir que Alter do Chão cresça, se desenvolva, gere ocupação, renda para os seus moradores, de forma organizada, equilibrada, sustentável, sem poluir e devastar.”

Ideflor analisa pedidos de exploração de 150 mil hectares no Baixo Amazonas


O Instituto de Desenvolvimento Florestal do Pará (Ideflor) faz, nesta terça-feira (17), a sessão de licitação para concessão de 150,9 mil hectares de áreas de florestas localizadas nas glebas Mamururu-Arapiuns, no oeste paraense. A sessão acontece no auditório do Centro Integrado de Governo (CIG), às 14 horas. A entrega da documentação exigida e as propostas foram recebidas até as 11 horas de hoje, na sede no Ideflor ou via Correios.

Durante a sessão, a Comissão Especial de Licitação formada por servidores do Ideflor vai fazer a conferência da documentação apresentada e das propostas. A análise será feita ao longo da semana, em reuniões internas. A expectativa é que o resultado seja divulgado até o fim desta semana, no Diário Oficial do Estado.

A concessão florestal é um instrumento previsto na Lei de Gestão de Floresta Públicas, ou Lei no. 11.284/ 2006, que contribuirá para a oferta de madeira legalizada, gerando arrecadação para o Estado e trazendo benefícios para toda a sociedade. “A partir de agora existirá um mecanismo para a oferta de áreas públicas de floresta para o setor privado de maneira legal, com garantia e estabilidade jurídica", diz o diretor geral do Ideflor, José Alberto Colares.
"É uma alternativa legal que aproveita a floresta nativa beneficiando o patrimônio público e a sociedade, uma vez que implica a geração de renda que será revertida para as comunidades locais. O importante também é que a floresta não deixará de ser pública”, conclui.
(Texto: Flávia Ribeiro - Ideflor)

Governo do Estado socorre vítimas em Itaituba

Feridos sendo socorridos pelas forças de segurança. Foto: Anderson Pantoja

O secretário de Segurança Pública, Luiz Fernandes Rocha, embarcou na manhã desta terça-feira (17) para Itaituba, onde vai verificar, in loco, os prejuízos causados pelas chuvas na Vila de Miritituba. Quatro pessoas morreram em decorrência de deslizamentos havidos naquela região. Juntamente com o secretário, viajaram o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Luis Claudio Sarmanho, e a secretária-adjunta de Assistência e Desenvolvimento Social, Meive Piacesi. 

O município, na região Oeste do Pará, foi castigado pelas chuvas nos últimos dias. “O tempo ainda está muito fechado. Provavelmente haverá mais chuvas, por isso estamos retirando todos da área”, explicou o comandante do 7º Grupamento de Bombeiros Militar, capitão Tito da Silva Azevedo.

Cinco casas foram soterradas no deslizamento em Miritituba. Os moradores da área foram encaminhados para o Ginásio Poliesportivo de Itaituba e casas de familiares. Dez vítimas foram resgatadas pelos bombeiros da região, que trabalham com o apoio da Polícia Militar e do Exército. Ainda há riscos de desabamentos.(Texto: Agência Pará)

Empresários recebem orientação sobre acesso ao crédito


Sebrae e Banco da Amazônia realizam seminário para proprietários de micro e pequenas empresas de Santarém

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae no Pará e o Banco da Amazônia realizam nesta quarta-feira (18), na Câmara de Dirigentes Lojistas de Santarém, o Seminário de Orientação e Acesso ao Crédito. O evento será às 19h, com entrada franca.

O seminário é fruto de uma parceria entre as duas instituições, que têm o objetivo comum de fornecer ao público todas as informações necessárias para obtenção de financiamento e acesso a demais produtos e serviços bancários adequados aos micro e pequenos negócios. 

Na ocasião, o Sebrae fará a palestra “Orientação a acesso a serviços financeiros”, ministrada pelo gerente do Escritório Regional do Sebrae em Santarém, Raimundo Oliveira. “Uma das principais linhas de atuação do Sebrae é esclarecer aos empresários sobre as melhores formas de acesso ao crédito, pois esta é uma questão fundamental para o melhor funcionamento e desenvolvimento de qualquer empresa. Então o seminário é mais uma oportunidade que temos para levar informação sobre os principais pontos desta questão ao empresariado do estado”, diz Randolfo Veiga, gerente-adjunto do Escritório Regional do Sebrae em Santarém. 

Entre os aspectos que serão abordados no evento estão os produtos e serviços financeiros, em condições favoráveis, destinados às necessidades financeiras de investimentos e de capital de giro das micro e pequenas empresas e do Empreendedor Individual; as etapas operacionais do processo de concessão de crédito e demais serviços financeiros; e quais os recurso técnicos e gerenciais necessários para a preparação de documentação, plano de negócios, propostas e projetos de financiamentos.

Após as palestras, o Sebrae inscreverá os empresários interessados em participar dos cursos oferecidos em Santarém e o Banco da Amazônia fará pré-cadastro de empresas e também dará maiores esclarecimentos sobre seus produtos e serviços.

SERVIÇO
Seminário de Orientação e Acesso ao Crédito – “Sebrae e Banco da Amazônia mais perto das micro e pequenas empresas”. Dia 18 de maio (quarta-feira), às 19h, na Câmara de Dirigentes Lojistas de Santarém (Rua Galdino Veloso, 693). Entrada franca.  Inscrições antecipadas no escritório do Sebrae em Santarém (Rua Floriano Peixoto, 743 - Centro). Informações: (093) 3523 1653/ 3523 1820.

Denúncia da justiça: o coro dos silenciosos


Lúcio Flávio Pinto

De todos os ilustres personagens citados na matéria de capa da edição passada, sobre denúncia encaminhada ao CNJ contra membros do poder judiciário no Pará, incluindo desembargadores, apenas a promotora pública Ociralva Tabosa se manifestou. Sua carta, no exercício do direito de resposta, respeitado como coisa sagrada por este jornal, vai publicada a seguir. 

Todos os demais se mantiveram calados. A grande imprensa também, o que é um absurdo. O caso relatado no JP anterior é suficientemente grave para exigir a prestação de contas dos servidores públicos à sociedade. Se os denunciados preferem não se manifestar, a imprensa tem que ir atrás dessas informações para repassá-las ao seu público. É um tema candente e impressionante.

A ilustre titular da 3ª Promotoria de Justiça do Juízo Singular de Belém revela sua decepção em relação a este jornal, que até então merecia “certa admiração” sua. Acha que a matéria foi unilateral e não checou os dados apresentados, o que a leva a aspear (com evidente intenção crítica) a expressão liberdade de imprensa. A dedução imediata é que, para ela, houve abuso no exercício desse direito, o que pode sujeitar este redator a mais um processo, embora desta vez, louve-se a missivista: pelo menos alguém referido pelo JP dá-se ao trabalho de dizer por que discorda dele.

A matéria de capa se baseou numa longa denúncia, com quase mil páginas de documentos anexos, cópias integrais dos processos que levaram o cidadão Ophir Alves da Silva, de 86 anos, a recorrer ao Conselho Nacional de Justiça contra os atos de três desembargadores, seis juízes e a nobre promotora. Depois de ler e analisar todos os documentos e a denúncia, achei que a questão tinha relevância suficiente para merecer uma matéria destacada. Afinal, ao ser protocolada no CNJ e passar a tramitar pelo Conselho, tornou-se matéria de ordem pública. De relevante ordem pública.

Não ouvi os denunciados porque não está em causa se eles decidiram certo ou errado, mas a iniciativa do denunciante, mais uma que chega ao CNJ contra o judiciário do Pará. A acusação pode não prosperar por debilidade e inconsistência, mas é obrigação dos acusados e do poder ao qual servem prestar contas aos jurisdicionados. Mesmo porque haverão de receber a interpelação do órgão superior.
O TJE parece cultivar solene indiferença por esses questionamentos dos cidadãos e mesmo da instância superior. Tanto que a corregedora do CNJ, ministra Eliana Calmon, teve que vir a Belém com 15 processos em mãos para que neles fosse firmado o recebimento pelo representante da justiça estadual e assim as reclamações pudessem seguir o seu curso, devidamente instgruídas.

É lamentável que em momentos delicados, que envolvem críticas e controvérsias, ainda se aposte na conspiração do silêncio, à qual a grande imprensa se alia indevidamente, traindo seus compromissos com a opinião pública. Este jornal, que jamais renunciou ao seu ofício, manterá a cobertura do assunto. Como sempre, abrindo espaço para quem quiser se manifestar – em defesa da verdade e da causa pública.

Tinha uma certa admiração por esse jornal principalmente pela pessoa  que dela fazia parte. Uma pessoa que no meu conceito era comprometida com a verdade, livre de qualquer influência ou comprometimento. Ocorre, que toda admiração que havia conquistado desse jornal veio por terra com a notícia estampada no Jornal Pessoal – A Agenda Amazônica de Lúcio Flávio Pinto, que encabeçou a seguinte denúncia: “Justiça do Pará acusada. Um cidadão de 86 anos acusa o poder judiciário do Estado de acobertar o roubo de um carro para proteger o  sogro e o cunhado de um desembargador. A denúncia, encaminhada ao CNJ,  atinge três desembargadores, seis juízes e uma promotora, além da  polícia. É um libelo contra o poder público no Pará”.
Tal notícia, permitida e estampada por Vossa Senhoria, ventilou meu nome de forma injusta, precipitada e ilegal, causando com uma simples matéria, unilateral, danos nefastos a imagem dessa Promotora de Justiça. A propósito da notícia-denúncia, venho, na condição de cidadã e promotora de justiça, informar a Vossa Senhoria que procuro 
desempenhar, com aprumo e independência funcional, o múnus que me cabe, e, nessas circunstâncias, dependo de elementos probatórios capazes de identificar a materialidade do crime sob investigação, sem os quais fico impossibilitada de oferecer ação penal, pena de incorrer em lide temerária.
No caso concreto, exerci a tarefa constitucional quando respaldada em perícias técnicas, não comportando falar em prescrição em abstrato, como sinalizou o embaraçado acusador, dono de “verdades” altamente questionáveis, que serão respondidas no momento oportuno.
Portanto, venho por meio deste expediente somente lamentar a atitude de Vossa Senhoria, que em sua “liberdade de imprensa”, deu azo a uma matéria sem antes ter o mínimo cuidado de verificar a veracidade de tais informações, principalmente, quando, analisando-se o caso detidamente, esta subscritora cumpriu naquele processo sua função como  Promotora de Justiça e Fiscal da Legalidade.
Só a título de mínimo esclarecimento para Vossa Senhoria, em um Estado Democrático de Direito, instituído com a Constituição Federal de 1988, o Ministério Público, em sua função punitiva, antes de mais nada deve respeitar os direitos e garantias individuais e para que possa promover uma ação penal deve estar respaldado por indícios de autoria 
e materialidade e no caso em apreço, tais requisitos, ainda não se faziam presentes, situação pela qual postergou-se, de modo fundamentado, o início da ação penal, e não foi como o Sr. deixou entendido no jornal, como se nós tivessemos colocado o processo debaixo do braço e levado o mesmo para casa, e após cinco anos,  retornasse com o mesmo para o cartório.

Diante disso, repito novamente, só tenho a lamentar a atuação desse 
jornal e mais, a decepção por desta cidadã que é dada a informação, que sem critério e prudência é divulgada manchando a imagem de pessoas como a que aqui foi contada.
Dra. Ociralva de Souza Farias Tabosa – 3ª Promotora de Justiça do Juízo Singular