terça-feira, 21 de agosto de 2012

TJ-PA adia assembleia de credores da Celpa

O Tribunal de Justiça do Pará adiou pela terceira vez a assembleia dos credores da Celpa, marcada para hoje. O órgão definirá uma nova data ainda esta semana. A elétrica paraense, que pertence ao Grupo Rede, está em processo de recuperação judicial desde fevereiro. O prazo para que a companhia chegue a um acordo com os credores, que têm a receber R$ 2 bilhões em dívidas, termina em 3 de setembro.

A Justiça decidiu aguardar uma posição da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre o plano de transição do controle da Celpa, do Grupo Rede para a Equatorial Energia (que apresentou em junho oferta de compra da empresa), para realizar a assembleia. "Houve um atraso no plano de transição na Aneel e a juíza [Maria Filomena Buarque, da 13ª Vara Cível da Justiça do Pará] achou melhor parar o processo até o plano evoluir na agência", explicou o administrador judicial do processo de recuperação da Celpa, Mauro Santos.

Ontem à tarde, executivos da Equatorial estiveram reunidos com representantes da Aneel, em Brasília. No encontro foram discutidas as condições propostas pela Equatorial para o plano de transição. Uma delas é o período de carência de três anos para a aplicação de multas por descumprimento das metas de qualidade do fornecimento de energia. Segundo Santos, a Celpa recebe multas anuais da ordem de R$ 100 milhões por não atingir essas metas.

O administrador judicial contou que conversou com o diretor-presidente da Equatorial, Firmino Sampaio, após a reunião na Aneel. O executivo informou a ele que a reunião tinha sido positiva e que "tudo será resolvido nos próximos dias". Sampaio não foi encontrado para comentar o assunto. Procurada, a Aneel também não se manifestou.

A juíza Maria Filomena Buarque marcou para quinta-feira uma reunião com executivos da Celpa e da Equatorial e representantes da Aneel. O objetivo é solucionar os assuntos pendentes e marcar uma nova data para a assembleia.

"Se não for aprovado o plano de transição, não há outra saída. Não há mais interessados, além da Equatorial. Estamos tentando tirar o paciente da UTI e levá-lo para o quarto", disse Santos.

A Equatorial Energia também não se manifestou sobre o adiamento da assembleia.
Fonte: Valor Econômico

Desmatamento dispara na região da BR-163

Apesar de o desmatamento na Amazônia estar em geral em queda, no entorno da BR-163 ele disparou no mês de julho, como reflexo à redução de unidades de conservação por parte do governo. Essa é a análise da ONG Imazon, que monitora mensalmente a perda de vegetação nos Estados amazônicos.

Para o período de agosto do ano passado a julho deste ano, o levantamento apontou redução total de 36% em relação ao período anterior, confirmando a tendência registrada pelos dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No entanto, no mês passado houve um ganho de 50% em relação a julho de 2011 – foram desmatados 93,5 km2, sendo o Pará o Estado líder no desmate (83%), principalmente nas áreas de influência da rodovia que liga Cuiabá a Santarém.
Segundo Adalberto Veríssimo, coordenador do Imazon, já há mais de um ano a região vem concentrando o desmatamento do Pará, mas no mês passado apresentou um forte avanço.

"O entorno da BR-163 está fora do controle. Em todo o Estado há queda no desmate. Estão sendo feitos pactos, mas não lá", diz.

Para ele, isso ocorre em especial por três motivos: as obras de asfaltamento estão mais aceleradas; medida provisória editada pela presidente Dilma Rousseff alterou o limite de unidades de conservação para ampliar o complexo de usinas do Rio Tapajós; governo acenou com a possibilidade de reduzir os limites da Floresta Nacional do Jamanxim.

"Neste caso especificamente há uma briga antiga, desde que a floresta foi criada, de grileiros que estavam ali dentro pedindo a diminuição da área. Com a sinalização do governo, eles estão desmatando ao máximo, num movimento para tentar consolidar a área em tamanho menor", afirma o pesquisador. "Mas nosso temor é de que isso continue, mesmo que o governo reduza."
Fonte: O Estado de S. Paulo

Mensalão: depois do julgamento, um Brasil mudado. Talvez para pior

Lúcio Flávio Pinto
Articulista de O Estado do Tapajós


A primeira campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da república custou um milhão de reais. A vitória de Fernando Collor de Mello saiu por 10 vezes mais porque dos R$ 160 milhões arrecadados pelo seu tesoureiro, Paulo César Farias, “só” R$ 100 milhões foram gastos. Foi a maior “sobra de campanha” de todos os tempos. Mesmo porque foi a primeira vez que esse tipo de receita foi documentado. E acabou se tornando de domínio público o que antes era feito com sigilo e nos bastidores.
Collor mandou PC Farias administrar esse fundo, absolutamente clandestino, de R$ 60 milhões, o mais desejável dos caixa 2 que alguém podia imaginar. O grande escândalo que levou à desgraça de Collor resultou da desenvoltura dos saques nesse caixa. Ele já existia antes, mas com PC Farias assumiu um tamanho inédito. Passou a ser uma fonte de dinheiro sem registro notável.
Lula e sua equipe, depois de três eleições frustradas em 12 anos de muita experiência, estavam prontos para vencer a disputa de 2002. Duda Mendonça, o melhor dos marqueteiros, foi contratado para polir o “Lulinha paz e amor”, que pôs fim à reação da classe média, multiplicada pela sua capacidade de influir sobre a opinião pública.
Duda custou R$ 15,5 milhões (incluindo serviços anteriores, seu faturamento ultrapassou R$ 40 milhões). Mas não era o único marqueteiro na campanha. João Santana faturou quase 14 milhões. Só com os dois, o comitê de Lula gastou 30 vezes mais do que em toda campanha de 2009. De onde veio esse dinheiro? Como foi distribuído? Quem o distribuiu? Quem o recebeu? Como essas despesas foram lançadas?
Estas são as perguntas fundamentais por trás do “mensalão”, uma história que avança há sete anos. Tendo começado por denúncias anônimas ou assumidas, teve julgamento político no Congresso Nacional e poucas condenações. Chegou agora ao Supremo Tribunal Federal. Na denúncia, o procurador-geral da república, Roberto Gurgel, diz que se trata do “maior crime político da história da república”, perpetrado por uma “sofisticada organização criminosa”.
Ela se reparte em três quadrilhas. A política, comandada por José Dirceu, a segunda figura mais importante no PT depois de Lula. A de captação de recursos, à frente o publicitário Marcos Valério. E a financeira, liderada pela presidente do Banco Rural, Karla Rabello.
O chefe do Ministério Público Federal diz que elas agiam entrosadas. Primeiro para pagar as contas eleitorais do PT e de seus principais aliados políticos. Depois, já atuando de forma permanente, para comprar vitórias do governo na votação de iniciativas do seu interesse no parlamento. O dinheiro, que fluiu inicialmente através de instituições privadas, passou a sair dos cofres públicos quando Lula assumiu a presidência.
O relatório de Gurgel tem 123 páginas. É contundente. Os autos do processo são formados por 233 volumes com quase 50 mil páginas, nas quais aparecem 700 personagens, dos quais 38 foram denunciados à justiça como réus. O Congresso, que concluiu pela prática dos crimes e forçou alguns dos seus integrantes a renunciar, além de cassar outros, concorda. Três procuradores-gerais sucessivos partilharam a mesma convicção. O ministro relator no STF, Joaquim Barbosa repetiu suas afirmativas.
A defesa dos réus concorda que um crime foi praticado: o caixa 2. Nega todos os outros delitos. O crime eleitoral está prescrito. Se só houver esse indiciamento, mesmo que haja condenação, não haverá presos. Ninguém irá para a cadeia. Mas não irá, sustentam os advogados dos acusados, porque não existem provas das demais práticas criminosas, apenas ilações e algumas evidências, insuficientes para definir os tipos criminais.
Ainda que a denúncia fosse procedente, ela exagera. Não se trata, a rigor, do “maior crime político do Brasil”. Mas talvez seja o mais grave da atualidade. Suas consequências, estas, sim, podem ser ainda mais desastrosas. Podem pôr fim ao que restava de preocupação ética na prática política brasileira, que, em humor tornado negro, daria razão à vovó Zulmira, personagem antológica criada por Stanislaw Ponte Preta: se a moral não vai ser restaurada, então que todos nos locupletemos.
Depois de três derrotas na disputa pelo poder, Lula e o PT concluíram que só venceriam se deixassem de ser o que vinham sendo: uma alternativa à esquerda para o país, uma novidade, uma mudança profunda, talvez radical. O que era para ser uma tática de momento, sem a qual seria impossível vencer a quarta tentativa, se tornou a prática corrente de Lula e do partido colocado ao seu reboque, como sua mera extensão.
Em algum momento, seus dirigentes imaginaram que a mão suja podia ser lavada logo depois da vitória. Mas era preciso sujá-la sem pudor para derrotar o PSDB de Fernando Henrique Cardoso, mesmo que seu candidato fosse o indigesto José Serra. Ninguém contesta, nem o petista mais vermelho, que o partido distribuiu clandestinamente R$ 56 milhões entre o final de 2002 e o primeiro semestre de 2005, R$ 28,5 milhões para o próprio PT e o restante entre PL, PP, PTB e PMDB.
Todo esse dinheiro seria para quitar as dívidas pendentes num orçamento que perdeu seu senso de realidade quando a hipótese de vitória se tornou forte. Tudo foi avalizado, até o que não podia ser declarado. Por isso o pagamento de Duda foi para um paraíso fiscal nas Bahamas. Por baixo dos panos e atrás dos biombos outras contas foram acertadas, no melhor estilo mafioso.
Uma vez equilibrado o fechamento do caixa 2, o PT podia voltar a ser o campeão da ética, da honradez, da defesa intransigente de programas? Não. Pelo simples detalhe: já deixara de corresponder a essa imagem de propaganda. O PT perdera a virgindade a partir das administrações regionais. Formara caixa 2, desviara sobras de campanha, negociara decisões, estabelecera ligação com gente escusa e colocara ao alcance de alguns dos seus dirigentes um poder que eles jamais imaginaram que um dia poderiam ter.
Os petistas ainda tinham a síndrome de Harry Porter. Pareciam convencidos de que a capa do passado ocultaria seus mal feitos. Podiam então se lançar à desonra certos de que ninguém os veria. Teria diante dos seus atos o pior dos cegos, o que se recusa a ver. Invisíveis, os petistas no poder davam-se ao desfrute de repetir as práticas que condenavam quando na oposição. Não importava: o dinheiro ilícito e a prática imoral eram meios escusos que se legitimavam pelo seu fim, o de colocar no comando do país as melhores pessoas, o melhor partido, o melhor programa. Uma vez alcançado o fim, o meio que o negava se extinguiria. A classe desfavorecida havia chegado, finalmente, ao paraíso.
No meio dessa engrenagem toda houve gente que se assustou. Uns saíram do jogo. Outros o denunciaram. O caso mais exemplar foi o do ex-prefeito de Santo André, Antônio Celso Daniel. Ele constatou que o dinheiro sujo não estava indo apenas para o caixa 2, entidade remota que com o PT se transformou em mecanismo burocratizado, absorvido, “normalizado”. Alguns petistas estavam colocando o dinheiro no próprio bolso. Estavam roubando.
Celso Daniel foi assassinado. Sua família, que denunciou a inspiração política do crime, teve que fugir do Brasil, se exilando na França. Voltou recentemente com o mesmo discurso. E com o mesmo efeito prático: nenhum. A síndrome de Harry Potter o inutiliza em relação ao PT. Lula ainda tem o reforço do efeito teflon: nenhuma acusação gruda nele.
Mas tantas foram as vilanias que a originalidade do “mensalão” na sua fase judicial é o surgimento do acusado que quer ser réu. Não pretende o benefício da delação premiada: admite que cometeu o crime, desde que o crime seja o eleitoral, do caixa 2, que o manterá longe da cadeia, logo lhe permitindo retornar à condição de primariedade, com a qual sua vida prosseguirá risonha e franca.
O código para essa saída eficaz foi dado por Lula na famosa entrevista semiclandestina dada em Paris a uma jornalista de aluguel (e de ocasião): tudo isso é caixa 2, prática ancestral. É um deslize dos “aloprados”, do mesmo gênero que mereceu a tolerância de outro presidente da república, o general Ernesto Geisel, em relação aos “radicais, mas sinceros”. Nada que um carão não resolva, fazendo o rebelde se enquadrar de novo e voltar a ser uma boa pessoa.
Assumindo grotescamente essa culpa perante a justiça, ardentemente desejosos de que venha essa condenação segmentada, os réus do “mensalão” sepultaram a moral e a ética pública. Se os santos pecaram e proclamam seu pecado, aos pecadores tudo está autorizado.
O mais exemplar dos atores dessa ópera bufa, Delúbio Soares, o PC Farias de Lula, é “uma pessoa honesta, no sentido de que não arrecadou dinheiro oficial ou por baixo dos panos,para aproveitar uma parte”. É o que assegura A outra tese do mensalão, livro de Antônio Carlos Queiroz, Lia Imanishi Rodrigues e Raimundo Rodrigues Pereira (159 páginas, Editora Manifesto), que acaba de ser lançado para se opor ao prejulgamento da imprensa dominante, dos inimigos do PT e de um poder judiciário manipulado.
O pecado (venial, é claro) de Delúbio é “seu gosto por bons vinhos e charutos cubanos”. Para um simplório professor de matemática de escola de ensino médio (da qual foi recentemente demitido, por abandono do emprego) em Goiás, cabe perguntar como o tesoureiro de sempre de Lula formou esses gostos e como o mantém. Recebendo presentes de amigos? Naturalmente, ele acredita em jantar grátis.
Seu chefe, que morou por anos em casa alugada que o compadre lhe cedeu, com tudo mais para uma boa vida (charutos e vinhos inclusos), também. A partir do exemplo superior, muitos petistas seguiram atrás, sem perguntar pela origem dos fundos que sustentam esses novos hábitos.
A “outra tese”, que os jornalistas da revista Retrato do Brasil apresentam, com muitos argumentos em seu abono, pode ser tão defensável quanto a primeira tese, ou até mais, já que os acusadores dos integrantes das três quadrilhas reunidas pela “sofisticada organização criminosa” exageraram na ênfase e extrapolaram nas interpretações. A base factual é menor do que a conclusão a que esses acusadores chegaram.
É pouco provável (embora não de todo impossível) que Lula e o PT precisassem criar uma propina mensal para comprar votos de parlamentares para seus projetos. Para comprar votos, têm mais eficácia obras favoráveis e emendas parlamentares aprovadas, o que o PT faz à larga desde que assumiu o Palácio do Planalto. E é muito mais dinheiro do que aquele que pode ter saído do Banco do Brasil através do fundo Visanet. Sem o risco de poder ser classificado de criminoso. Imoral, sim. Antiético, sem dúvida. Mas é sempre assim no alto do poder. O PT apenas repete os vícios, já sem qualquer resquício de pudor.
Daí a concluir que o Supremo Tribunal Federal se transformou num “tribunal de exceção” ao julgar o “mensalão”, como fazem os três jornalistas da “outra tese”, vai uma distância muito grande. Os exageros de lado a lado servem, no fim, aos que aceitam que alguma verdade seja dita e, por causa dela, alguém seja punida. O cego-surdo por conveniência mais famoso do Brasil.
Mas não que a revelação chegue à verdade por inteiro e alcance todos os envolvidos. Ou então, depois de José Dirceu, derrubado pela denúncia de Roberto Jefferson (que jamais podia assumir o papel de mocinho num enredo decente), teria que ser atingido quem completava a cadeia de comando: Luiz Inácio Lula da Silva.
Por isso, qualquer que venha a ser o desfecho dessa novela, depois dela o Brasil, sob a aparência de uma saúde reforçada, terá um organismo debilitado por um mal invisível: o acerto de contas entre os personagens principais, mas invisíveis. Ou porque sofrem da síndrome de Harry Potter. Ou porque sempre foram invisíveis.

A luz e a penumbra no fim do dia em Santarém


Fim do dia.
Em Santarém, oeste do Pará.
A foto, publicada no blog Espaço Aberto, é de Emir Bemerguy Filho.

domingo, 19 de agosto de 2012

Edmilson ganha no segundo turno, em Belém?

Trecho do artigo de capa do Jornal Pessoal, de Lúcio Flávio Pinto, que está nas bancas da capital, sobre a campanha do candidato do PSOL à Prefeitura de Belém, Edmilson Rodrigues:

" Todos os analistas consideram que o deputado estadual Edmilson Rodrigues presença certa na segunda votação, também considerada quase inevitável diante da fraqueza das opções oferecidas ao eleitorado. Hoje, estaria eleito. Mas e no segundo turno?
O PSOL é um partido pequeno, o que desfavorece a volta de Edmilson à PMB. Mas seus correligionários apostam que ele tem prestígio pessoal suficiente para compensar a pobreza de meios para a sua propaganda. Não há dúvida, mas só esse fator não será suficiente para manter o seu favoritismo. A imagem da administração de oito anos do PT será esmiuçada e posta em questão.
Se o rigor for sua medida, dificilmente alguém com discernimento endossará a crença dos partidários de Edmilson de que ele foi um dos melhores prefeitos de Belém. Sua posição real é do outro lado do ranking, na vasta faixa cinzenta dos alcaides sem maior brilho, que tanto acertaram quanto erraram, com um saldo negativo.
À parte os efeitos fugazes do populismo, suas principais obras são um atestado de incompetência: o primeiro (e único) viaduto urbano, o túnel malfadado, o bondinho inviável (e caro), a João Alfredo fracassada, a bizarra (e também cara) aldeia do carnaval, o pronto socorro mal ajambrado e muito mais. Sem falar na manutenção dos mesmos vícios pelo exercício do poder de uma elite em relação à qual o então petista pretendia ser alternativa.
Depois de oito anos como prefeito, Edmilson volta a postular o cargo renovado e enriquecido? Nada disso. Nas entrevistas, ele não admite que cometeu erros. Sob insistência, diz que não se lembra de um erro. Seria uma volta aos mesmos procedimentos de antes. Belém não merece essa reedição.
Não há mais, a rigor, candidato de esquerda. Monopolista da ética, o PT a negociou em praça pública, jogando fora o elemento que distinguia a esquerda dos demais grupos políticos. Daí o eleitor não conceder um segundo mandato a Ana Júlia Carepa. E talvez decida repetir a rejeição a Edmilson, cansado de retórica vazia.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Expansão do porto Cargill em Santarém começa em 18 meses

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Pedofilia: Analista da Receita Federal vai perder o cargo


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A saga da juta no Baixo Amazonas (Por Lúcio Flávio Pinto)

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Manifestantes denunciam a Jatene crime ambiental no Juá

O governador Simão Jatene chegou a Santarém na manhã de hoje para uma série de inaugurações e assinatura de ordens de serviço na cidade e em Mojuí dos Campos.

No trajeto do aeroporto para o centro, a comitiva do governador foi parada por um grupo de manifestantes que denunciaram a Jatene a degradação da área de ambiental do Juá e matas ciliares pela empresa Burutis, que recebeu autorização da prefeitura de Santarém para construção de residenciais naquela área.

Os manifestantes lembraram ao governador que, há dois anos, foram retirados do local sob o argumento de que estariam praticando crime ambiental ao tentarem erguer seus barracos e que, agora, no mesmo local a construtora suprimiu extensa  vegetação.

Sem ser hostilizado pelos manifestantes, Jatene se comprometeu a acionar imediatamente a Secretaria Estadual do Meio Ambiente(Sema) para apurar as denúncias.

Para entender melhor essa polêmica, leia matéria desta semana de O Estado do Tapajós:


Carajás: lago ou minério?

by Lúcio Flávio Pinto
 

Em 1967, um pequeno grupo de geólogos, contratados por aquela que era então a maior siderúrgica do mundo, a United States Steel, confirmou em pesquisa de campo: 500 quilômetros ao sul de Belém, a 900 quilômetros do litoral norte, em plena selva amazônica, havia a melhor jazida de minério de ferro do planeta.
Carajás era um paraíso. O minério mais usado pelo homem desde tempos imemoriais aflorava no alto dos platôs cobertos por vegetação rasteira, em altitudes que chegavam a 600 metros. As encostas eram tomadas, em grande densidade, por árvores altas, que se espraiavam por todas as direções. Circundando as serras, dois rios portentosos – o Itacaiúnas e o Parauapebas – serpenteavam suas águas. A fauna era rica, exuberante. Aquele lugar merecia servir de imagem para o Éden.
Minério e natureza selvagem são termos acompanhantes – e também conflitantes, antitéticos. A extração de um é feita à custa da integridade da outra. Mas nunca esse choque foi tão forte quanto em Carajás.
Originalmente, esse enorme depósito de ferro devia ser levado para os Estados Unidos, como, em décadas anteriores, ocorrera com o manganês do Amapá, minério vital para a siderurgia. Mas quando a US Steel se retirou do empreendimento, em 1977, a estatal Companhia Vale do Rio Doce, que sucedeu a multinacional americana, desviou o rumo para o Oriente. A hematita do Pará atravessaria 20 mil quilômetros de mares e iria preferencialmente para o Japão, até então abastecido pela Austrália, que estava quatro vezes mais próxima.
Ao chegarem a Carajás, os japoneses se deslumbravam. Diga-se que não era apenas pelo fato de que o teor de hematita na rocha daquela região possuía o dobro da qualidade do similar australiano. Era também porque a rica paisagem contrastava com a aridez das zonas mineiras tradicionais. Ambiente igual não existia. Só em Carajás.
Em 2007 a Vale, privatizada 10 anos antes, comemorou o primeiro bilhão de toneladas produzidas em Carajás. Dava a média de 45 milhões de toneladas por ano. Nos primeiros anos após a inauguração da mina, em 1984, a produção não fora além de 25 milhões de toneladas, que era a meta do projeto. Nos anos imediatamente anteriores ao 1º bilhão, a produção foi de 90 milhões de toneladas.
Neste ano já devia passar para 130 milhões, mais de um terço de toda a produção da Vale, que é a segunda maior mineradora do mundo (depois da anglo-australiana BHP Billiton) e a maior vendedora de minério de ferro que circula pelos oceanos. Mas desde 2006 a produção não cresce, derrubando as metas quantitativas fixadas pela empresa.
Era porque a Vale não conseguia liberar seus novos projetos em Carajás. Só no final do mês passado, depois de 10 anos sem expedir qualquer documento para a companhia, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis aprovou o licenciamento ambiental para o funcionamento da quinta mina na parte norte da jazida.
O ato foi muito comemorado, mas dele não resultará qualquer modificação na escala da extração. Melhorará apenas a qualidade da mercadoria, já que a mina liberada contém minério de melhor teor do que o das minas já em exploração e algumas a caminho da exaustão.
Para a Vale, o mais importante é se essa aprovação indicar a tendência do Ibama de repetir o licenciamento, talvez ainda neste ano, de uma nova área de mineração, ao sul das minas que estão em atividade há quase 30 anos. A Serra Sul tem mais e melhor minério. Por isso proporcionará à Vale dobrar a atual produção. Mas também é uma paisagem ainda mais deslumbrante e rara.
No conjunto de serras do sul do distrito mineral há um belo e profundo lago perene. Talvez não haja um só igual em todas as zonas mineiras do planeta. Há várias cavernas, nas quais o homem viveu, a partir alguns milhares de anos atrás. São testemunhos arqueológicos valiosos. Um antigo gerente de Carajás quis dinamitar cavernas da Serra Norte, que abriram um novo capítulo para a reconstrução da presença humana na Amazônia. Foi contido.
Desde então, cavernas têm que permanecer intocadas em áreas de mineração. Se assim continuar, Serra Sul não poderá existir. Mas ela é um projeto de oito bilhões de dólares (10% desse total previstos para uso neste ano). Ao preço de hoje, permitiria à Vale faturar mais do que US$ 10 bilhões por ano, mandando 60% de toda a sua produção para a China.
São quantidades de causar impacto, como vem acontecendo em Carajás desde 2001, quando os chineses, que até então eram um cliente de pouca significação (compravam 5% do minério da Vale), começaram a avançar sobre as montanhas de minério rico. Suplantaram seus vizinhos japoneses e agora pesam nos destinos da Vale – e do Brasil – como, talvez, nenhum outro país em toda a história nacional.
Graças a isso, no ano passado o lucro líquido da Vale representou quase 10 vezes mais do que os US$ 3,3 bilhões pagos em 1997 ao governo pelo controle acionário da estatal, a jóia da coroa das privatizações realizadas a partir do governo Collor (e só na aparência interrompidas pela administração do PT, aparência desfeita de vez pela alienação de três aeroportos até então oficiais).
Quase metade dos US$ 30 bilhões de lucro de 2011 serão investidos pela Vale neste ano. O principal empreendimento é o de Serra Sul, que praticamente recomeça a história de Carajás e dá um salto (talvez mortal) nas transações com a China. Cavernas e lago terão vez nessa agenda de cifrões?

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Estação Cidadania de Santarém será inaugurada amanhã

Agência Pará


Nesta sexta-feira (17), o governador Simão Jatene entrega à população de Santarém, município do oeste paraense, a primeira Estação Cidadania do interior do Estado. Na unidade, gerenciada pela Secretaria de Estado de Administração (Sead), o cidadão terá acesso a mais de 50 tipos de serviços. A inauguração será realizada às 11 horas, com a presença de diversos representantes do Executivo, além de Simão Jatene. Entre eles o vice-governador Helenílson Pontes; a secretária de Estado de Administração, Alice Viana; e a presidente da Companhia de Habitação do Pará, Noêmia Jacob.

Entre os serviços disponíveis está o de assistência jurídica, sob a responsabilidade da Defensoria Pública; a emissão de carteira de identidade, pela Polícia Civil; e cadastro de emprego e seguro desemprego, pela Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego e Renda (Seter). O cidadão também poderá emitir no complexo o título de eleitor e o Cadastro de Pessoa Física (CPF), e requerer produtos de créditos para pessoa física e jurídica – oferecidos pelo Bando do Estado do Pará (Banpará) –, e serviços de perícia médica para os servidores do Estado. Um cartório e posto do Procon também estarão disponíveis no local.

Atualmente, o único serviço que expede documentação civil em Santarém emite, em média, 60 documentos por dia. A nova unidade prevê atendimento mensal a 30 mil pessoas. A Estação Cidadania fica na avenida Rui Barbosa, próximo à Praça dos Três Poderes. O atendimento ao público será de segunda à sexta-feira, das 8 às 14 horas, e os agendamentos podem ser feitos por telefone ou pelo site www.estacaocidadania.pa.gov.br.

Programação

Durante a programação, o governador também entrega diversos benefícios à população do município. Por meio da Secretaria de Estado de Planejamento, Orçamento e Finanças (Sepof) e do Banco do Estado do Pará (Banpará), serão concedidos 121 créditos e entregues 17 motocicletas, através do programa Cred Cidadão. A Companhia de Habitação também entrega Cheques-Moradia aos servidores santarenos.

O governador ainda assina a Ordem de Serviço do ginásio poliesportivo de Santarém. O momento contará com a presença do secretário de Estado de Obras Públicas (Seop), Joaquim Passarinho, e da prefeita Maria do Carmo. Antes de iniciar sua agenda em Santarém, em Mojuí dos Campos, município vizinho, Simão Jatene entrega uma Unidade Integrada de Polícia, assina ordens de serviço e visita obras.

Rádio Rural promove debate com candidatos à Prefeitura de Santarém

O padre Edilberto Sena, diretor da emissora, será o mediador do debate entre os cinco candidatos à Prefeitura de Santarém, que será promovido pela Rádio Rural de Santarém, amanhã de manhã.

O programa sera dividido em cinco blocos de perguntas. O primeiro composto por perguntas formuladas a cada um dos candidatos pelo mediador.

No segundo bloco, os candidatos farão perguntas entre si.

No terceiro bloco, os candidatos serão instados pelos integrantes do departamento de jornalismo da emissora.

Os ouvintes da emissora participarão ao quarto bloco atrávés de perguntas feitas previamente e endereçadas à coordenação do debate até as 17 horas de hoje.

No quinto bloco os candidatos farão suas considerações finais.

O debate da Rádio Rural é coordenado por Joelma Viana e começa as 9 horas, logo após o programa Sinval Ferreira.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Alumínio: Desnacionalização a frio

by Lúcio Flávio Pinto

(Texto escrito na primeira quinzena de maio de 2010. Registre-se que a grande imprensa, nacional e local, não deu importância ao fato.) 

A Albrás é a 8ª maior fábrica de alumínio do mundo, e a Alunorte, a maior planta internacional de alumina. Representaram no ano passado um faturamento bruto conjunto de 4,2 bilhões de reais e um lucro de R$ 385 milhões. Seus ativos somam R$ 9,4 bilhões, o patrimônio líquido é de R$ 6,5 bilhões e o capital social alcança R$ 4,1 bilhões. São as duas maiores empresas do Pará. 

No dia 2 elas foram completamente desnacionalizadas: passaram a ser de propriedade norueguesa e japonesa. A Vale anunciou que, por quase cinco bilhões de dólares, transferiu suas ações nas duas empresas para a Norsk Hydro, que já era sua sócia na Alunorte.
O negócio incluiu o controle da jazida de bauxita de Paragominas, das maiores do mundo, a ser consumado no futuro, e o projeto de uma nova planta de alumina, da CAP, em Barcarena, do tamanho da Alunorte, ou maior.
A transação pegou de surpresa a opinião pública e o próprio mercado. Embora as negociações tenham durado seis meses, segundo o comunicado da Vale, nada – ou quase nada – vazou dos ambientes de conversação. Foi uma façanha.
Tão surpreendente foi o pouco interesse que a revelação causou. Depois de uma cobertura burocrática da imprensa nos primeiros dias, o assunto saiu completamente da pauta – nacional e paraense.
Tempos atrás um processo de desnacionalização tão súbito e profundo quanto este provocaria acesa polêmica. O silêncio atual se explica pela globalização da economia, que atravessou e eliminou as barreiras nacionais?
Em parte, talvez. Mas só em pequena parte. Uma razão maior pode estar na convicção de que a Albrás nunca esteve realmente sob o controle da empresa nacional, embora a antiga Companhia Vale do Rio Doce detivesse a maioria das ações nas duas empresas do distrito industrial de Barcarena, a 50 quilômetros de Belém.
A inspiração do projeto foi japonesa, impulsionada pelas profundas transformações que o Japão sofreu a partir do primeiro choque do petróleo, em 1973. O empreendimento era de alto risco na época e por isso foi bancado pelos dois governos, como uma imposição dos entendimentos mais amplos que estabeleceram,. Um dos seus itens mais importantes era a viabilização da exploração das jazidas de minério de ferro de Carajás, as melhores do mundo.
Apesar de todas as aparências em contrário, a Albrás era uma fábrica cativa dos japoneses. A Vale detinha 51% do capital e podia comercializar com liberdade o equivalente da produção, mas a empresa nunca chegou a se identificar com a sua controlada. E quando a expansão da Albrás, que estancou em 460 mil toneladas (esticadas a partir da capacidade instalada inicial de 320 mil toneladas), esbarrou em vários problemas, sobretudo o energético, a Vale se exasperou.
Seu presidente Roger Agnelli, que impôs seu estilo agressivo à corporação, chegou a ameaçar desmontar a fábrica e remontá-la em outro lugar do mundo. Depois, conseguiu licença ambiental para uma grande usina térmica a carvão mineral, de 600 megawatts (mais do que a potência de uma das gigantescas máquinas previstas para a hidrelétrica de Belo Monte). Por fim, participou de um dos consórcios que se apresentou ao leilão da usina no rio Xingu, mas foi vencido.
Todas essas iniciativas se anularam pela transferência das duas fábricas. É um passo decisivo para a Vale abrir mão de presença ativa nesse mercado, que poderá se completar com a venda dos 40% que possui na Mineração Rio do Norte, que explora a mina de bauxita do Trombetas, a maior do país em produção (de 17 milhões de toneladas).
Certamente os responsáveis pela transação contra-argumentarão que a Vale passou a deter 22% da Norsk Hydro, um quinhão considerável. Até a operação, a empresa norueguesa era apenas a terceira maior produtora de alumínio da Europa. Mas só atuava na ponta da linha, transformando o metal em produto acabado (extrudado e laminado).
Começou em 1999 a enfrentar essa deficiência, que se agravaria com o tempo pela intensificação da concorrência mundial. Enfrentando as resistências das outras multinacionais do alumínio, comprou 5% das ações da MRN.
Assim passou a ter suprimento de minério. Em seguida, entrou na Alunorte, estabelecendo o elo da cadeia, através da alumina. Agora é uma indústria integrada, da matéria prima ao produto final. Passa a ter importância mundial.
É justamente essa a posição que a Vale perdeu. A ex-estatal pode ganhar da perspectiva dos rendimentos financeiros, como associada da Norsk em amplitude internacional, mas perdeu a condição de player, como são tratados aqueles que realmente contam, que têm poder decisório no jogo econômico.
O Pará, como o principal Estado do polo de alumínio no país, passa a ser dominado pelos cartéis (inclusive o nacional, do grupo CBA, da família Ermírio de Moraes), completamente desnacionalizado.
É a consolidação definitiva da regressão à condição de colônia mineral e de semielaborados. O Brasil poderia ter quebrado o cartel das “seis irmãs” quando o primeiro choque do petróleo inviabilizou para o Japão a produção própria de alumínio, o mais eletrointensivo dos produtos industriais.
Os japoneses não hesitaram em se dirigir para o Pará, que oferecia condições ideais para abrigar uma grande fábrica do metal. Mas os brasileiros também podiam aproveitar essa oportunidade para não ficar dependentes das maiores multinacionais, que impunham o preço no mercado. Numa situação mais equilibrada, a parceria nipo-brasileira podia ser a grande oportunidade para verticalizar por completo o setor e quebrar a espinha dorsal do cartel.
Enquanto a Companhia Vale do Rio Doce foi estatal, havia essa perspectiva. A privatização desviou a empresa desse rumo. Sobretudo quando Agnelli chegou, egresso do Bradesco (que, violando a vedação normativa, modelou a venda da estatal), a prioridade passou a ser engordar os números, maximizando os rendimentos.
Marcando passo na escala de produção, a Albrás foi perdendo relevância para a Vale, empenhada em resultados mais imediatos e indisposta a empreitadas mais espinhosas, como a de abrir uma nova frente de geração de energia em grande volume.
A Alunorte, sem grande necessidade de energia e aproveitando o melhor preço da alumina, se tornou bem maior do que sua irmã vizinha, apesar de seu produto valer pelo menos quatro vezes menos. Para a Vale, transferir Albrás e Alunorte para a Norsk Hydro foi um bom negócio. Mas não para o Brasil e o Pará. Muitíssimo pelo contrário.
A empresa norueguesa deverá dar um grande salto, que alcançará as bolsas de valores, com seu novo perfil, de indústria integrada, com acesso a uma valiosa reserva de bauxita (com garantia de suprimento por pelo menos um século) e à maior fábrica de alumina do mundo.
Deverá aumentar os rendimentos dos seus sócios, dentre eles, agora, a Vale. Ao mesmo tempo, a participação do governo norueguês experimentou uma sensível queda, de 43,8% para 34,5%. Não só para abrir espaço para a mineradora brasileira como para prevenir alguma área de atrito e tensão por causa da desnacionalização da Albrás e da Alunorte.
O Pará, que podia se tornar um personagem no cenário mundial, se conseguisse deixar de permanecer empacado na produção apenas de metal primário, volta ao rabo da fila. Em mais este capítulo, vira colônia. Sem dar um ai sequer.
Ao contrário do que fez o governo norueguês nesta transação (como já fizera o governo canadense numa situação inversa, três anos atrás, quando a Vale comprou a Inco), o governo brasileiro não se manifestou sobre a questão nem nela atuou. Passou batido. Afinal, para ele, a Amazônia talvez seja como Marte: fica muito distante.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Vale: um ciclo ainda em aberto


Lucio Flávio Pinto
(Texto escrito em novembro de 2001)

O Pará está iniciando o quarto ciclo da mineração, que pode lhe permitir deslocar Minas Gerais da secular posição de maior Estado minerador do Brasil. Depois dos ciclos do alumínio, do minério de ferro e do caulim, todos com destaques mundiais, agora é a vez do cobre.
Na semana passada, a Companhia Vale do Rio Doce fez uma festa em Belém para o lançamento do primeiro dos cinco projetos que estão previstos para a extração de cobre das jazidas de Carajás, localizadas a quase 900 quilômetros do litoral do Maranhão, por onde o minério será embarcado para o mercado exterior.
Só o projeto da Mineração Serra do Sossego já envolve números significativos. Ele fará a produção nacional de cobre contido aumentar cinco vezes. Para isso, a empresa vai investir pouco mais de um bilhão de reais (o equivalente a 400 milhões de dólares) para produzir concentrado mineral com 141 mil toneladas de cobre contido, além de 3,5 toneladas de ouro por ano.
A jazida do Sossego é 60% menor em volume físico do que o depósito vizinho do Salobo, o mais antigo e pesquisado, mas o teor de cobre é melhor, possibilitando economia de investimento, o que a fez sair na frente. A Companhia Vale do Rio Doce acredita na viabilidade do negócio, apesar da conjuntura internacional ser a pior em muitos anos para o cobre.
A queda de 30% nos preços e a formação de um estoque recorde de 500 mil toneladas fizeram a parceira da ex-estatal, a americana Phelps Dodge, recuar. A multinacional vendeu a metade que lhe cabia na sociedade à própria Vale, agora única controladora da empresa.
No discurso que fez na solenidade de lançamento do projeto, com previsão de entrar em operação em 2004, o presidente da CVRD, Roger Agnelli, garantiu que os outros quatro projetos previstos para o aproveitamento dos demais depósitos do distrito mineral de Carajás serão também executados.
Se isso ocorrer, na segunda metade da década, Carajás estará produzindo anualmente 490 mil toneladas de cobre contido no concentrado, mais 200 mil toneladas de catodo de cobre, e 20,3 toneladas de ouro, depois de um investimento equivalente a 2,5 bilhões de dólares.
Por enquanto, os únicos sócios a dividir esse custo com a CVRD são a multinacional Anglo American, a maior produtora de ouro do mundo, e o BNDES, em três dos projetos ainda não deslanchados. Mas certamente a empresa espera atrair outros associados para a área. A esperança da Vale parece ser a de demonstrar para eventuais interessados que é mais vantajoso se estabelecer em Carajás do que manter-se em suas bases atuais.
O cobre de Carajás passará, então, a ter dimensão nacional e internacional. O Brasil não produz atualmente mais do que 40 mil toneladas por ano de concentrado. Como deve consumir algo próximo de 300 mil toneladas, precisa importar o produto, que vem do Chile e do Peru. O país gasta, anualmente, 400 milhões de dólares com essa importação. Ela consome o equivalente a 10% do saldo da balança comercial brasileira. É o segundo dos produtos de origem mineral da pauta de importações brasileiras, excluído o petróleo.
Mas ao contrário do que pode sugerir o raciocínio lógico, Carajás, que tem a terceira maior reserva de cobre do continente, não eliminará essa dependência. Todo o concentrado ali produzido será exportado. Irá gerar divisas, mas não acabará com o gasto nas importações de concentrado, que continuarão a ser feitas. Assim, o Brasil se tornará significativo exportador de cobre sem deixar de continuar a ser o maior importador da América do Sul.
Esse aparente absurdo se explica pelo fato de existir uma única indústria de cobre no país, a Caraíba Metais, na Bahia, que utiliza o concentrado produzido igualmente em território baiano por uma mineradora que dela se desmembrou, mas que só garante menos de um quarto das suas necessidades.
Seus interesses não se afinam com os da CVRD, havendo um intrincado jogo de pressões entre ambas e entre empresas interessadas no mercado brasileiro. Uma das mais ativas é a Anglo American, que se deslocou da África do Sul para a Inglaterra e quer ter uma base forte no Brasil.
Ao complicador nacional agrega-se um elemento perturbador local. Desde que, em 1979, o primeiro navio embarcou bauxita para o mercado internacional, fala-se no Pará em “verticalização da produção”, hoje uma expressão de largo uso entre empresários, técnicos e políticos, embora seja pouco mais do que retórica.
Com um rico subsolo, o Pará é o Estado mais “vocacionado” para a mineração no Brasil. Mas é também um Estado cada vez mais consciente de que só mineração não desenvolve lugar algum. É preciso avançar no processo de transformação industrial do bem mineral, verticalizando sua produção e agregando-lhe valor. É o único antídoto para as relações de troca desiguais, que têm feito o Pará crescer que nem rabo de cavalo. Ou seja: para baixo.
O Estado já é o sétimo exportador da federação e o segundo em saldo de divisas graças aos bens de origem mineral, responsáveis por 75% de suas vendas ao exterior. Mas é o 17º em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o segundo mais pobre da Amazônia, no rabo da fila nacional.
Essa situação só se tem agravado, embora o Pará, com o incremento da extração das riquezas que estavam escondidas em suas entranhas geológicas até o início do devassamento de suas riquezas através de levantamentos detalhados, na década de 70, ostente posições de prestígio.
Ele é o terceiro maior exportador de bauxita do mundo. Começou com 3 milhões de toneladas há 20 anos. Em 2003 ultrapassará a marca de 16 milhões de toneladas. Nesse período se formou no Estado o polo de bauxita, alumina e alumínio mais importante do continente, no qual a CVRD está investindo US$ 570 milhões para ampliá-lo, mas a “verticalização” estancou no metal primário.
É justamente a partir desse ponto que a relação custo/benefício se torna mais atraente. Há quase 20 anos fala-se em ir adiante na transformação industrial, mas o que foi conseguido, uma pequena usina de fundição, tem pouca expressão.
A utilização da mais rica jazida de minério de ferro do planeta, localizada em Carajás, vem sendo feita na mesma escala da bauxita: de 15 milhões de toneladas pulou para 35 milhões e ultrapassou há três anos 50 milhões de toneladas anuais, prometendo chegar a 120 milhões até o fim da década. O máximo de verticalização alcançado foi a produção de ferro gusa à base de carvão vegetal.
Novamente, como no caso do lingote de alumínio, é exatamente aí que começam os ganhos, que só se tornarão possíveis para o comprador desse bem intermediário. Comprador que está além-mar, usufruindo os ganhos comparativos.
O enredo, que está demarcando também a consolidação do polo de caulim sem papel, irá se repetir no nascente ciclo de cobre? Dos cinco projetos colocados na prancheta pela CVRD, quatro ficarão na concentração do minério, que será exportado e, lá fora, transformado em bens de maior valor.
O único empreendimento que prevê chegar à metalurgia é, talvez não por mera coincidência, o mais complicado de todos, o da Salobo Metais (associação da CVRD com a Anglo American). Começou mais cedo e, se seu cronograma se sustentar, será o último a dar partida, em 2006, juntamente com o aproveitamento da mina do Alemão.
Prevê a produção de 200 mil toneladas de metal (além de 8 toneladas de ouro). Ao que se sabe, a metalúrgica está sendo considerada porque as características químicas e físicas do minério impossibilitam sua comercialização na forma de concentrado.
A implantação do projeto da Mineração Serra do Sossego e dos outros quatro empreendimentos do polo de cobre de Carajás terá um grande impacto na área, no Estado, no país e até no mercado internacional. Não foi por acaso que o governador Almir Gabriel, do PSDB, convocou para a solenidade de lançamento todo o seu staff.
A mineração do cobre veio juntamente com a criação de um fundo, que, ao final do tempo de vida útil da mina, de 15 anos, chegará a 360 milhões de reais, controlado pela máquina estadual. Sobretudo em período pré-eleitoral, os discursos do governador e do presidente da CVRD, afinados, soaram como música para o esquema de lançamento do candidato situacionista, ainda um traço nas sondagens de opinião pública.
Nessas circunstâncias, cai como maná o anúncio de milhões de dólares em investimento, milhares de novos empregos, obras de infraestrutura, programas de compras na praça local e outros elementos de ativação econômica.
Todos esses elementos imediatos prevalecem sobre a retórica da “verticalização”, de resultados mais demorados e de adoção mais difícil. Exatamente como ocorreu nas festas do passado, quando foram celebrados os inícios dos ciclos do alumínio, do minério de ferro e do caulim. E que, como ocorreu em todas as partes do mundo, no passado e até hoje, não conseguiram dar um passo além dos restritos limites da mineração.
O Pará, ao que parece, seguirá essa tradição. Nada auspiciosa, apesar das aparências. Alguns anos atrás, lutava-se pela industrialização do minério. Agora, aceita-se como fato consumado que ele será apenas enriquecido, do teor natural, um pouco mais ou menos de 1%, para 30% de cobre contido. O beneficiamento será feito em outro lugar, provavelmente bem longe. Como sempre.

São Raimundo faz assembléia para análise de contas


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

MRN faz 33 anos

O distrito de Porto Trombetas, no município de Oriximiná,  está em clima de festa. No próximo dia 11, a Mineração Rio do Norte comemora 33 anos de operações no oeste paraense. 

A festa acontecerá no Mineração Esporte Clube sob o comando de duas bandas.

Congresso brasileiro homenageia reitor da UFOPA

O I Congresso Brasileiro de Áreas Úmidas,que acontece de 8 a 12 de agosto em Cuiabá (MT), irá homenagear o reitor da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Prof. Dr. José Seixas Lourenço, por sua participação na criação do Centro de Pesquisas do Pantanal (CPP), que este ano completa 10 anos de existência. 

A cerimônia de homenagem ocorrerá no dia 8 de agosto, às 19h,durante a abertura oficial do congresso, no Centro de Eventos do Pantanal, na cidade de Cuiabá (MT).(Com informações de Talita Baena)

Edição em PDF de O Estado do Tapajós(27.07.2012)


 
 
 
 
 
 
 
 
   
   
   
   
   
   
   
   
 

 

Santarém: UPA da Cohab não foi inaugurada por falta de médicos


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Madeira ilegal: milícias agem livremente no rio Curuatinga, em Santarém

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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Projeto quer impedir matança de botos


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Mudanças no secretariado de Jatene

Do blog do Parsifal

EMBARALHANDO E PARTINDO
O Diário Oficial do Estado publicou (06.08) a nomeação de Sérgio Leão (1), que ocupava a Secretaria Especial de Infraestrutura e Logística, para a Secretaria Especial de Proteção e Desenvolvimento Social, antes ocupada por Tereza Cativo (2), que agora é a titular da Secretaria Extraordinária de Estado para Projetos Estratégicos.
A secretaria antes ocupada por Sérgio Leão será assumida por Vilmos Grunvald (3).



PMDB decide até amanhã se recorre do indeferimento do registro de Zé Antônio ou se anuncia outro vice para Zé Maria Tapajós


O PMDB santareno tem o prazo até amanhã para decidir se enfrenta ou não uma batalha judicial para tentar manter José Antônio Rocha na chapa de José Maria Tapajós.

Zé Antônio teve negado pelo juiz eleitoral Cosme Ferreira o pedido de registro de seu nome na chapa do PMDB que disputa a eleição para a Prefeitura de Santarém.

Se decidir acatar o indeferimento do registro de Zé Antônio, o nome do novo vice de Tapajós será o do ex-prefeito Ruy Corrêa ou de um empresário.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Marco Aurélio contesta exigência de 'prova cabal'


FAUSTO MACEDO 
E FELIPE RECONDO 
Agência Estado
 
Um dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) incumbidos de julgar o processo do mensalão, Marco Aurélio Mello disse ontem ao jornal O Estado de S.Paulo que reprova a convocação de sessões extras para garantir a participação do colega Cezar Peluso - que se aposenta compulsoriamente no dia 3.

"Não cabe estabelecer critérios excepcionais. Por enquanto eu sou um espectador, vou me pronunciar, se isso for arguido, seguindo o meu convencimento. Devemos observar as regras costumeiras, principalmente as já assentadas. O tribunal não fecha após 3 de setembro. Eu tenho dúvidas sobre a legitimidade dessa ampliação. Mais sessões para se ter o voto do especialista maior em Direito Penal? Não podemos dirigir o quórum, muito menos partindo da presunção de que ele (Peluso) votando vai absolver ou condenar. Nem sei se o relator tem condições físicas para realizar mais sessões do que o programado. Não podemos julgar manipulando o quórum para ter um certo resultado. O STF com dez compõe o sistema. O Regimento Interno exige mínimo de seis ministros", disse.

Marco Aurélio também se mostrou crítico à tese de que é preciso um "ato de ofício" para condenar um réu por corrupção. "O que vão querer em termos de provas (de corrupção)? Uma carta? Uma confissão espontânea? É muito difícil", afirmou Marco Aurélio, ressaltando que não adiantaria seu voto. "Você tem confissão espontânea de ladrão de galinha. Agora, do traficante de drogas ou de um delito mais grave não tem."

Um dos poucos no Judiciário a falar e agir com tal destemor - em especial no STF, onde está desde 1990 -, o ministro faz um alerta em relação à convocação de mais sessões para garantir os votos dos 11 ministros. "Você não pode manipular quórum para chegar a resultado. Mais sessões, a rigor e em última análise, está manipulando o quórum", ponderou, recorrendo a uma dose de ironia para argumentar. "Vamos nos reunir em sessões matinais, vespertinas e até noturnas, quem sabe, para ele (Peluso) poder votar? Qual é o peso do voto dele? É 1, igual ao dos demais."

Questionado sobre o fato que advogados e alguns ministros do STF cobram uma prova de que o ex-ministro José Dirceu, por exemplo, estava no comando, que ofereceu ou prometeu vantagens, Marco Aurélio disse: "Claro que você tem que individualizar a pena. Quantos eram deputados à época da denúncia? Treze? Isso é sintomático. Mas eu quero ouvir as defesas. Segunda-feira (hoje) é dia importante, são os advogados. Quero estar lá, sentado, ouvindo, é o contraditório, o juiz tem que sopesar. O (procurador-geral da República, Roberto) Gurgel fez trabalho de seriedade maior, mas tem que ouvir as defesas."

Sujeito safo

Questionado pela reportagem a quem beneficiava o esquema e se o então presidente Lula não sabia, o ministro disse: "Você acha que um sujeito safo como o presidente Lula não sabia? O presidente se disse traído. Foi traído por quem? Pelo José Dirceu? Pela mídia? O presidente Lula sempre se mostrou muito mais um chefe de governo do que chefe de Estado." 
As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

De novo, placa do Parque da Vera Paz contém erros de grafia

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Leia também:

Desrespeito à memória do maestro Izoca e ao poeta Emir Bemerguy

PT quer impedir na Justiça que mídia brasileira use a palavra "mensalão"

Jéssica Oliveira* 
 
Um grupo de advogados ligados ao PT em São Paulo pretende fazer com que a imprensa troque a palavra "mensalão" por "Ação Penal 470" - a denominação oficial do caso - durante a cobertura do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), informou a Folha de S.Paulo no último domingo (5/8). "Queremos equilíbrio na cobertura. O termo mensalão pressupõe um juízo de valor equivocado", explicou o coordenador jurídico do PT Marco Aurélio de Carvalho.

Carvalho afirmou que a atitude não representa um desejo da direção do PT. Segundo ele, o setorial tem uma cultura democrática em que os militantes se organizam por temas de interesse. O advogado ressaltou que a iniciativa não tem o objetivo de censura, nem caráter autoritário, mas visa manter o equilíbrio da cobertura. O grupo já começou a pedir para os veículos de imprensa a troca do termo. Caso não seja atendido, estudará uma forma de recorrer à Justiça.  

Segundo ele, o grupo respeita e admira o trabalho da imprensa, no entanto, afirma que não cabe aos jornalistas a defesa de teses, "mas explicar o que está acontecendo no processo."  O advogado citou a recomendação número 18 feita por Gilmar Mondes, em 4 de novembro de 2008, quando era presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para que fosse ponderado o uso de terminologias que pudessem expressar pré-julgamentos.

À IMPRENSA, a assessoria do partido ressaltou que a iniciativa não partiu do PT, não é oficial e não representa de forma alguma o desejo da legenda.

Justiça barra delegados na eleição em Santarém

O juiz eleitoral Cosme Ferreira Neto indeferiu o registro das candidaturas dos delegados Jardel Guimarães(PDT) e Márcia Rabelo(PSB) à Câmara de Vereadores de Santarém.

Outra baixa importante na disputa ficou por conta do PMDB, que de uma só tacada perdeu três candidatos a vereador: Erlon Rocha, seu cunhado Sabita Assada Almeida e a sogra do vice-prefeito José Antônio Rocha (irmão de Erlon), Raimunda Rodrigues Oliveira.

Cosme Ferreira também deferiu o registro da coligação a prefeito PT-PDT, que havia sido impuganada pelo Psol.

Analista da Receita Federal, motorista e agenciadora de meninas são condenados a mais de 11 anos de prisão por crime de pedofilia

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