sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A cor daquele rio

Carlos Barretto  

Médico

 

Meu pai, nasceu na localidade de Barra de São Manuel, na tríplice fronteira dos estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso. Um local muito distante. Morreu desejando voltar a ver a região onde passou seus melhores dias, como sempre afirmava. O máximo que conseguiu, foi retornar a Santarém, para uma curta estadia, e rever a cor daquele rio. E era como ele sempre se referia aquela região, ressaltando "a cor daquele rio".
Passei a minha infância e parte da adolescência, ouvindo histórias daquele lugar.  E principalmente, ouvindo sobre aquele rio. Acontece que "aquele rio" é o Tapajós.

Alter do Chão - A cor do Tapajós (Imagem: Carlos Barretto)
E quem pode acreditar na cor deste rio?

Alter do Chão com filtro polarizador - Imagem Carlos Barretto
Ando muito preguiçoso neste início de 2011. Pra falar a verdade, desde o momento em que retornei de uma  magnífica viagem a Alter do Chão, ainda não consegui parar de trabalhar. Mas não posso deixar passar o momento de compartilhar as impressões daquela região. Como a vontade de escrever ainda não voltou a normalidade, vamos então tentar contar a história através de imagens.

Alter do Chão - Esplendor turístico com cenas de seu cotidiano...


Alter do Chão - ... cotidiano que resiste.
Santarém - Da orla, percebe-se intensa movimentação de embarcações com vários destinos e origens.
Santarém - A visão clara dos 2 rios através da cor: ao fundo, o Amazonas; em primeiro plano, o Tapajós
Santarém - Nunca uma garça me deixou chegar tão perto

Santarém - a bela borboleta também foi generosa
Santarém - E o que dizer do "Corrupião"?  Como explicar esta plumagem?

Jatene recebe Jaime Silva e Ronaldo Brasiliense para discutir obras para Óbidos

Numa articulação comandada pelo jornalista Ronaldo Brasiliense, amigo pessoal do governador do Estado do Pará, Simão Jatene, o prefeito municipal de Óbidos, Jaime Silva, foi recebido em audiência pelo governador em seu gabinete, em Belém, quando apresentou uma série de reivindicações para beneficiar Óbidos e sua população.
Num clima descontraído, Simão Jatene reafirmou que vai governar para todo o povo do Pará, independente de filiação partidária, e que os palanques de campanha já foram desmontados. Jatene falou também de sua admiração por Óbidos, Cidade Presépio, com seu fabuloso patrimônio histórico e sua localização privilegiada, às margens do rio Amazonas, em sua parte mais estreita e profunda.



Simão Jatene destacou com o prefeito Jaime Silva os laços de amizade que o unem há mais de 25 anos ao jornalista Ronaldo Brasiliense. “Óbidos pode se orgulhar de ter como um de seus representantes o Ronaldo Brasiliense, amigo de todas as horas”, afirmou Jatene, assegurando que tudo fará para que Óbidos seja contemplada com obras estruturantes que garantam o bem estar de sua população

Carlos Martins na Funasa


O ministro da saúde Alexandre Padilha fez o convite para o candidato derrotado à Câmara Federal, Carlos Martins, irmão da prefeita de Santarém Maria do Carmo Lima, chefiar a representação da Fundação Nacional de Saúde(Funasa) no Pará.

Helenilson responde por duas secretarias de estado

O governador SimãoJatene designou o vice-governador Helenilson Pontes para responder, interinamente, pela Secretaria de Estado do Trabalho Emprego e Renda e pela Secretaria de Estado de Assistência e Desenvolvimento Social, a contar de 1º de janeiro de 2011.

Povo cansou de promessas


Sobre a nota "No Olho da Rua"  leitora fez o seguinte comentário:

Exatamente....deixando muitos pais de família sem opção nesse ínicio de ano...

Vale ressaltar que nos dias 03,04 e 05 de janeiro de 2010 (segunda, terça e quarta), essa mesma prefeita que colocou alguns servidores na rua, sob a alegação de que teria que fazer para chamar os concursados, estava recebendo curriculm na sede da Prefeitura ...

Agora pergunto porque tudo isso?

As eleições de 2010 foram um fracasso para o PT em nossa região, por que será???


Respondo: "Povo cansado de promessas, onde só os poderosos ficam mais poderosos e nós simples eleitores, ficamos na mesmice, queremos mudanças, queremos ter pelo menos uma chance para crescermos profissionalmente e isso só acoontece com povo instruido, coisa que poucos governantes querem, pois povo com instrução é problema para político..."

Que venha então as eleiçõs de 2012, para fazermos mudanças e assim tentarmos deixar alguma coisa para nossos herdeiros...

Obrigada pelo espaço...

Jeanny Rocha

Os donos do poder ficaram à margem?

Lúcio Flávio Pinto:

O grupo Liberal, o mais poderoso formador de opinião no Pará, não está satisfeito com o governo Jatene. As manifestações desse desagrado já foram muitas. Começaram com a abertura de espaço para as críticas da governadora Ana Júlia Carepa ao seu sucessor. Prosseguiram com a redução da cobertura dada à posse de Simão Jatene, que ficou ao largo das fotografias, e notas venenosas nas colunas. Culminaram, no dia seguinte à solenidade de posse, com um artigo de Ronaldo Maiorana, diretor-editor-corporativo do jornal, na edição de domingo de O Liberal.

Jatene ainda nem havia concluído a sua equipe e Ronaldo já se antecipava para proclamar que se o novo governo vier a ter a fama de trabalhador, deverá esse título ao PAC (o Programa de Aceleração de Crescimento), concebido pela dupla Lula-Dilma e executado no Pará por Ana Júlia. “A verdade é que todos os projetos foram elaborados e aprovados durante o governo Ana Júlia e o dinheiro que financiará as obras será herança de Lula”, assinou o editor do jornal. Se for bem, Jatene será um produto do PT. Se for ruim, será criação própria.

A afirmativa contraria o entendimento dominante e os fatos. Parte considerável dos projetos do PAC está com o cronograma atrasado. Outra parte foi contratada e ainda não foi iniciada. Há ainda as obras sem previsão de fonte de recursos. E outras, em andamento ou já realizadas, também não foram criação do PT, que as herdou de administrações passadas, com o mérito de concluir algumas, de grande porte, que se arrastavam há décadas, como as eclusas de Tucuruí.

Cometerá um erro quem deduzir dessa evidente má vontade dos Maioranas que mantenham fidelidade ao governo que passou, pródigo em verbas de propaganda. Também não será interpretação satisfatória achar que é apenas mais um capítulo do jogo de pressão por novas e abundantes verbas oficiais, embora esse componente seja quase automático na política editorial da casa.

A fonte imediata da reação dos Maioranas ao novo governo é o desagrado por não terem sido consultados sobre a formação dos seus integrantes e não terem podido exercer o veto sobre alguns nomes, que consideram como sendo seus inimigos ou desafetos, ou sobre a aproximação do PSDB com o PMDB, do detestável Jader Barbalho. Pelo menos de início, parece que Jatene ignorou os recados e fez a seleção sem a participação daqueles que se atribuem muito mais do que o poder que têm. Para consolidar sua decisão terá que mostrar firmeza e independência, atributos que têm faltado a quase todos que sobem ao poder no Pará diante do grupo Liberal.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A Amazônia que morre

Lúcio Flávio Pinto
 
Fui um crítico constante da hidrelétrica de Tucuruí durante sua construção, de 1975 a 1984, ano em que a usina, instalada sobre o leito do rio Tocantins, foi inaugurada, como a quarta maior do mundo. Mas não era um crítico à distância: estava sempre na obra. E, por incrível que pareça, conversando com os “barrageiros”, que me atendiam. O diálogo parecia então mais fácil do que agora, talvez porque tinha um tom mais marcadamente técnico.

Certa vez, um deles, para me demonstrar que todos ganhariam com a hidrelétrica, me levou para percorrer as novas cidades. Elas estavam sendo preparadas para receber a população que seria remanejada da beira do rio para a formação do reservatório. O futuro lago artificial, o segundo maior do Brasil, alagaria uma área de três mil quilômetros quadrados (mais de duas vezes o tamanho de Belém, com seus 1,4 milhão de habitantes).

O engenheiro tinha todos os motivos – mas os seus motivos – para achar que os ribeirinhos viveriam muito melhor nas novas cidades. Lá eles teriam casas de alvenaria, ruas pavimentadas, água, luz e todos os serviços básicos, que não existiam na margem do rio. Mas eu não tinha dúvida de que os remanejados não iam partilhar a convicção do técnico.

É claro que eles estariam em melhores condições materiais num núcleo urbano planejado. Mas lhes faltaria no novo domicílio algo que todas essas vantagens não seriam capazes de compensar: o próprio rio.

O Tocantins era sua rua, sua fonte de água, de alimento, de trabalho, de vida. Depois de tantas gerações se sucedendo na margem do vasto curso d’água, tirar dele as vantagens, minimizando os prejuízos eventuais, era o grande patrimônio dessa população. Um aprendizado de séculos. Conhecimento experimental, empírico, sofrido, valioso, único.

Subitamente, são remanejados rigorosamente manu militari (o primeiro presidente da Eletronorte, subsidiária da Eletrobrás responsável pela hidrelétrica, foi um coronel-engenheiro do Exército, Raul Garcia Llano). O legado de séculos no trato com o ciclo das águas, subindo e descendo por turnos semestrais, se tornou inútil na terra firme, longe do rio, em ambiente pouco conhecido.

Pelos critérios quantitativos, o engenheiro podia provar matematicamente que a mudança foi positiva. Por essa régua, também é superavitário o balanço da transformação que ocorreu na Amazônia no último meio século, principalmente em função de “grandes projetos”, como o de Tucuruí, que representou investimento superior a 10 bilhões de dólares.

Mas o triunfalismo da história oficial se vale da ausência de um índice capaz de medir e traduzir numericamente a felicidade. Se houvesse esse indicador de satisfação, ele revelaria a tristeza do homem obrigado a trocar o rio à sua porta pela casa de alvenaria no meio da mata – que, aliás, desapareceu.

O homem da Amazônia é detalhe ou enfeite no “modelo” (que nada tem de modelar) de integração forçada da região ao país e ao mundo. Modelo definido a partir de fora para fazer a vontade do migrante, seja ele pessoa física ou empresa, João da Silva ou Vale do Rio Doce, nascido no país ou vindo do exterior (quanto mais distante, mais poderoso).

Para a “modernização” compulsória pouco importa que o nativo esteja ou não feliz. Seu mundo está condenado a desaparecer. Tudo que é considerado primitivo, atrasado e isolado será progressivamente esmagado pela máquina que produz mercadoria, à medida que ela vai avançando sobre as novas áreas. Seu rótulo é a única fonte válida de valor, do que interessa ao mercado. O mais é descartável, inútil.

Jornalista é convidada para dirigir a Funtelpa


A jornalista Marlice Bemerguy, ex-editora da TV Record Belém, foi convidada pelo governador Simão Jatene para assumir a presidência da Fundação de Radiodifusão do Para(Funtelpa).

Marlice tem até hoje para dizer se topa ou não comandar a TV/Rádio Cultura. 
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Atualização às 15h30:

O secretário de comunicação do estado Ney Messias anunciou ainda há pouco, pelo twitter, que o governador Simão Jatene escolheu a também jornalista Adelaide Oliveira, apresentadora da Tv Nazaré, para a presidência da Funtelpa.


O homem do delegado-geral

O delegado Gilberto Aguiar é o nome preferido pelo delegado-geral Nilton Athayde para ocupar a suprintendência de Polícia Civial do Baixo-Amazonas.

Se Gilberto não sobreviver ao desgaste que vem sofrendo por causa de um episódio familiar, o delegado Sílvio Birro será o indicado para o cargo.

Os nomes de Helenilson


O vice-governador Helenilson Pontes fez uma lista particular de nomes que gostaria de ver na direção de órgãos estaduais em Santarém.

Encabeçam a lista a advogada Roberta Merabeth, indicada para o Detran, o pedago Dayan Serique recomendado para a 5a. Unidade Regional de Educação e o odontólogo Ildemar Portela sugerido para a chefia da Sespa.

Vice-campeão


Santarém é o vice-campeão em casos de dengue na região oeste do Pará, perdendo o posto apenas para Itaituba.

De 2009 para cá, o número de casos da doença aumentou em cerca de 40%.

No olho da rua


A prefeita Maria do Carmo abriu o saco de maldades em 2011.

Mandou para o olho da rua centenas de servidores temporários sob a alegação de que chamará concursados para essas vagas.

A barca da dispensa aportou nas secretarias de cultura, infra-estrutura e educação.

Só na Semed, 60 temporários foram dispensados, a maioria professores da região dos rios.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ana Júlia inaugurou sistema de água que não funciona


Mais de 600 famílias do bairro da Conquista, na perifeira de Santarém, passaram o Natal e o Reveillon sem água nas torneiras.
O sistema de água, inaugurado há 12 dias pela ex-governadora Ana Júlia Carepa, não funciona.

Segundo o engenheiro da Cosanpa,Wisnand Ribeiro, a inauguração foi feita às pressas, antes da fase de testes dos equipamentos e por isso a água ainda vai demorar pelo  menos um mês até chegar às torneiras dos moradores daquele bairro.

Mais um hospital regional no Oeste


O governador Simão Jatene anunciou, ontem, em entrevista à Tv Liberal, que o governo do estado vai construir mais dois hospitais regionais, um deles na região oeste do Pará, provavelmente em um município da Calha Norte.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

As transições críticas: do nada a lugar algum


Lúcio Flávio Pinto:
 
Em 1991 Hélio Gueiros não transmitiu a faixa de governador ao seu sucessor, Jader Barbalho. Enquanto o ex-aliado tomava posse, em 15 de março de 1991, para o seu segundo mandato, o caixa da agência da avenida Senador Lemos do Banco do Estado do Pará funcionava para pagar empresas privilegias do esquema de apoio político de Gueiros, que, na forma da lei, já não era mais o chefe do poder executivo paraense. Como a lei sempre foi considerada potoca pelos herdeiros do caudilho Magalhães Barata, quando contrariava os seus interesses, o governador que saía nem se importou. E ficou em casa, ao invés de ir ao palácio Lauro Sodré passar o cargo a Jader, que venceu o candidato de Gueiros, o atual vereador Sahid Xerfan.

Esta talvez tenha sido a pior transição no governo do Pará desde a redemocratização do país. Nenhuma outra chegou a esse nível de hostilidade, imprevisível quando o próprio Gueiros recebeu a faixa das mãos do governador Jader Barbalho, em 1987. De amigos e correligionários, passariam a inimigos mortais, travando uma das mais violentas batalhas eleitorais da história. O que não os impediu de se reconciliar depois, ignorando tudo o que cada um disse do outro durante vários meses seguidos.

A transição entre Ana Júlia Carepa, do PT, e Simão Jatene, do PSDB, não é nem uma pálida reedição de outras sucessões conflituosas, mas também não é pacifica. Sobretudo, não resulta de um entendimento de alto nível entre as duas principais autoridades públicas do Estado. Uma devia contribuir para que a outra assuma da melhor maneira possível, o que requer, antes de mais nada, lealdade e verdade, na forma de informações exatas e contas abertas.

Os tucanos, porém, já sabem que herdarão um cavalo de Tróia, em cujo ventre haverá muitas surpresas, infelizmente desagradáveis para eles (e para nós). Queixam-se de não receber todas as informações solicitadas e as que lhes foram fornecidas estarem incompletas, não permitindo ter um quadro verdadeiro da engrenagem estatal que irão receber. Mas desconfiam que, até o último dia do seu mandato, a equipe de Ana Júlia trabalhará para tapar buracos e utilizará todos os recursos financeiros disponíveis – ou mesmo avançará sobre o orçamento seguinte, de 2011, por ela enviado ao legislativo.

De certa forma, porém, os petistas estarão quase repetindo o que os tucanos fizeram em 2007. Um dia antes da posse do sucessor, em 31 de dezembro, o governo Jatene disparou atos e providências que afetariam a gestão de Ana Júlia, dentre os quais um autêntico presente de grego: a prorrogação do escandaloso “convênio” (na verdade, um contrato) entre a Funtelpa e a TV Liberal, iniciado na administração Almir Gabriel.

Também os pessedebistas não deram informações sobre a quantidade de assessores especiais contratados pelo gabinete do governador, um dado de divulgação obrigatória que permaneceu sigiloso durante o quatriênio de Jatene. Neste aspecto, o PT não inovou. Só agora, por força da pressão da equipe de transição, sabe-se que o número foi parar em 1.800 assessores, um recorde que o PT conseguiu tirar de Jader Barbalho, o que parecia impossível.

Por trás da tentativa de manter as aparências de cordialidade entre o governo que sai e o que entra, as bicadas que tucanos e petistas têm travado deixam à mostra as descontinuidades na administração pública no Pará. O governo que encerra o seu mandato esconde informações e tenta criar dificuldades para o sucessor, enquanto este se recusa a partilhar o que pensa e pretende fazer depois que assumir o comando do poder executivo.

O revezamento se torna ainda mais complicado quando o chefe da nova equipe já exerceu o cargo de governador, como é o caso de Simão Jatene. Não lhe falta a consciência de que, ao passar o bastão, manteve debaixo do tapete situações que haveriam de repercutir negativamente depois. A lealdade seria um elemento fundamental para dar coerência e continuidade ao processo de sucessão. Na diversidade e alternância próprias da democracia, garantiria o principal: a defesa do interesse público. Quando os apetites pessoais de poder prevalecem, o que devia ser fundamental se torna secundário, quando chega a ser lembrado.

Na esgrima entre os principais executores da transição do PT ao PSDB, o secretário de governo, Edilson Martins, tem razão ao reclamar da inexistência de um programa de governo por parte dos tucanos. É uma crítica que ele podia fazer retroceder quatro anos: Ana Júlia também assumiu sem qualquer programa de governo. Limitou-se à ladainha do orçamento programa, da participação popular nas audiências públicas e outros axiomas do catecismo petista. Mas nada fez de concreto para cumprir a promessa, que lhe proporcionou a vitória na eleição de 2006, de mudar o Pará.

O Pará de 2010, no que dependeu da ação pública estadual, só não é exatamente o mesmo porque, neste quesito, está um tanto pior do que em 2002. O Pará que avançou e mudou, talvez também para uma situação estruturalmente pior, porque dependente ainda mais do extrativismo mineral e seus elos coloniais, viveu à revelia do Estado – ou contra ele, quando bloqueou seus caminhos.

O último governo que planejou o que fazer foi o de Aloysio Chaves (1975/79). Seu maior mérito foi o de ter buscado maior grau de autonomia para o Estado. Seu maior fracasso foi o de não ter conseguido alcançar essa meta: o presidente que tornou possível sua ascensão, o prussiano general Ernesto Geisel, esmagou as pretensões de independência. O domínio da União se tornou esmagador. A autonomia virou elemento decorativo num cerrado planejamento unitário, que só não era bolchevique nos fins.

De lá para cá os governos estaduais se encarregam de fazer decorações no cenário, atender as clientelas e, a partir da instituição da reeleição, procurar uma forma eficiente de permanecer no poder por mais um mandato. Almir Gabriel foi o primeiro a conseguir o objetivo e também fazer o seu sucessor. Simão Jatene chegou ao final do seu mandato como favorito à reeleição. Nem mesmo um candidato à altura se oferecia no horizonte, quando lá Almir surgiu de novo, atropelando um projeto que permitiria ao PSDB realizar no Pará o sonho que se frustrou no país porque Fernando Henrique Cardoso chegou com grande impopularidade ao fim do seu mandato.

A intrusão de Almir acabou com o discurso do PSDB paraense de que a defesa de um projeto para o Estado estava acima de qualquer pretensão pessoal dos seus integrantes. A nova candidatura de Almir, depois dos oito anos em que ele frustrou as melhores expectativas em torno do seu passado, não passava de um projeto pessoal de poder. Espero, Jader Barbalho colocou Ana Júlia no ringue e mandou o ex-governador para a lona. Achava que assim punha fim à hegemonia dos tucanos, que ameaçava prolongar-se perigosamente.

Só não podia imaginar que a sua aliada faria um governo tão desastroso, chegando literalmente ao fim em meio a tantos e tão desconcertantes escândalos quanto no seu começo. Como em outros Estados e municípios em que começou mal, o PT do Pará não conseguiu o voto de confiança para tentar outra vez. Ficou em 2ª época e foi reprovado. O principal efeito do desempenho medíocre foi tirar Simão Jatene do poleiro da aposentadoria e das embaraçantes linhas de pesca para a condição de favorito, que quase venceu no 1º turno, o que significaria a culminância do desastre, tornado absoluto, completo.

Os risos, apertos de mãos e tapinhas nas costas entre vencedores e vencidos depois da batalha, se chegaram a provocar interpretações quanto a uma possível composição entre o PSDB e o PT, evaporaram no avançar da transição, quando foi instalada uma guerra de guerrilhas. Os tucanos estão convencidos de que herdarão uma terra arrasada e não poderão ter um inventário da situação real senão quando assumirem oficialmente o governo.

Os petistas, temendo sofrer nas mãos dos tucanos o padecimento que lhes tentaram impor quando conduziram a investigação da Auditoria Geral apenas para o passado (e tiveram uma das suas mais desagradáveis surpresas quando a auditora-chefe colocou o próprio governo do PT na linha de tiro, antes de pular fora do barco adernante), trataram de empurrar tudo que fosse indesejável para tapetes e armários, lacrar os postas restantes e consumar os acertos que deviam ser arrematados no governo seguinte, na hipótese da vitória de Ana Júlia.

O tom patético da entrevista de Edílson Rodrigues ao Diário do Pará resulta da tentativa de um técnico capacitado de tangenciar as questões graves e controversas e ignorar as falhas que ele próprio apontaria se não lhes fosse o autor. Em alguns momentos, ele fornece munição contra si. Na questão – de moral negativa – dos servidores temporários, admite que, obrigado pelo Ministério Público, Jatene reduziu o quadro de 22 mil para 16 mil integrantes.

O PT quase extinguiu esse remanescente, deixando-o em 700. Mas nomeou outros 11,3 mil, contingente que devolverá a Jatene, prosseguindo-se essa novela de gato e rato em torno da moralidade e do interesse público, enquanto os concursados se mantêm em longa fila de espera.

As manobras em torno dos números do orçamento não camuflam uma realidade escancarada para quem consegue ver através das rubricas: a capacidade de investimento do Estado pelos próximos anos será mínima. As despesas de custeio e de pessoal cresceram tanto que avançaram sobre o capital. Resta a alternativa aos novos dirigentes de recorrer a empréstimos porque a capacidade de endividamento é alta. Alta não por falta de desejo de usá-la, mas de competência para obtê-la. Parece que os agentes financeiros não acreditam muito na capacidade de gestão dos atuais governantes. Terão essa confiança nos novos?

Ter ficado quatro anos à margem do poder poderia dar a Simão Jatene uma nova capacidade de visão e reflexão, um distanciamento favorável ao técnico, permitindo-lhe corrigir os erros do primeiro mandato e adensar-lhe as qualidades. Mas seu retorno ao governo parecia tão improvável que sua viabilização exigiu compromissos e amarras políticas e econômicas tais que o vácuo dos quatro anos pode servir mais para enfraquecer a sua não muito elogiável capacidade de comando, resultando num hibridismo sem direção coerente.

A emergência do PMDB num governo do qual não foi aliado e do qual, ao início do processo eleitoral, era adversário, desnuda a importância que Jader Barbalho teve nos bastidores, em favor do tucano, a partir do rompimento com o PT paraense (mas não com o PT nacional, ao menos até a undécima hora). A eterna litania em torno de fidelidade e traição a compromissos não escritos de campanha vai ser revivida nos primeiros meses do governo Jatene.
O teste também se aplicará ao grupo Liberal, que acompanhou o movimento pendular do seu maior inimigo, o mesmo Jader Barbalho, na desatracação da frota petista à medida que seus rombos se exibiam, antecipando o naufrágio anunciado. Como Simão Jatene atenderá seus antagônicos companheiros de meio de caminho e se protegerá (ou se livrará) de seus tiros a esmo?

O gosto que essas questões deixa é de prato requentado inúmeras vezes – e que já não era satisfatório quando do primeiro cozimento. Essa simetria foi bem assinalada pelo futuro super-secretário tucano, Sérgio Leão. Respondendo à entrevista do dia anterior de Edílson Rodrigues, ele disse ao Diário do Pará que o PT da transição de 2010 repetia o PSDB na passagem de 2006: “Quando, na transição passada, [os petistas] pediram informações das contas do Estado, dissemos que entregaríamos no dia 31 de dezembro. Nós pedimos a mesma coisa para eles e deram, agora, a mesma resposta para a gente”.

Santa sinceridade. Macabra realidade.