sábado, 13 de novembro de 2010

Pará ainda fora de nova prova do Enem. Por enquanto

Com a queda da liminar que tinha suspendido o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Ministério da Educação começa a organizar a reaplicação das provas para os candidatos prejudicados pelo problema nos 21 mil cadernos de prova amarelos que apresentaram erro de montagem e não continham todas as 90 questões.

Inicialmente, o MEC estimou que 10% dos 3,3 milhões de alunos que se submeteram às provas no último fim de semana não teriam conseguido trocar os cadernos com problemas. No entanto, os dados levantados até agora mostram que o número é menor. Até o momento, menos de 200 ocorrências foram identificadas, em seis estados: Minas Gerais, Distrito Federal, Pernambuco, Sergipe, Paraná e Santa Catarina. 

O levantamento desses estudantes que terão direito a refazer as provas de ciências da natureza e humanas, aplicadas no último sábado (6), está sendo feito a partir das atas das 128 mil salas de prova. Esse documento é utilizado pelos fiscais para relatar qualquer problema que tenha ocorrido durante a aplicação. Só vai poder refazer a prova aqueles participantes que tinham o caderno com erro, relataram o defeito ao fiscal e não puderam trocar o material. 

Como ainda não está definido o total de estudantes que participarão da reaplicação do Enem, a data não está marcada a data da prova. Contudo, o MEC trabalha com a possibilidade de realizá-la no dia 4 de dezembro. Como apenas os cadernos do sábado apresentaram o defeito, só será necessário um dia para aplicar o exame aos prejudicados. 

Fonte: Agência Estado

Polícia terá perfil técnico


O vice-governador Helenilson Pontes e os deputados Lira Maia e Alexandre Von - trio que comandará a indicação junto ao governo do estado de nomes para os cargos estaduais em Santarém a partir de janeiro - definiram que os dirigentes dos órgãos de segurança em Santarém serão escolhidos sob o critério técnico.

Para desespero de muitos, dos atuais delegados em atividade no município apenas dois nomes se encaixam nesse perfil.

Quem souber, que mate essa charada. Sem trocadilhos.

Manchetes de O Estado do Tapajós

Faltou uma lei para legalizar contratos de servidores temporários

IPM apura falta de rancho no quartel

Trânsito está fora de contrôle em Santarém

Graças à Vale, Carajás é dos chineses

Paciente com dengue custa 100 reais/dia ao SUS

Defesa Civil precisa de helicópotero do Ibama para vistoriar áreas atingidas pela vazante dos rios


Memória de Santarém: A juta e Getúlio Vargas há meio século

Crise de água encanada atravessa governos em Santarém

Z-20 afirma que seguro-defeso atrai falsos pescadores

 

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

OEA recebe denúncia contra Belo Monte


Altino Machado
 
A Organização dos Estados Americanos (OEA) recebeu nesta quinta-feira (11) documento de 43 páginas que denuncia ilegalidades no processo de licitação e os impactos que serão causados às comunidades indígenas e ribeirinhas em decorrência da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.
Assinado pelo Movimento Xingu Vivo Para Sempre e organizações nacionais e internacionais de direitos humanos e ambientais, o documento também denuncia violações a tratados internacionais.
O megaprojeto atualmente aprovado consiste de três usinas. Elas vão formar dois reservatórios que inundarão mais de 516 km² de terra, dos quais 400 km² são de floresta nativa.
Para que sejam alimentadas as usinas, até 80% do rio Xingu será desviado de sua rota original através de dois grandes canais artificiais de 500 metros de largura por 52 km de extensão.
O desvio secará um trecho de 100 km do rio Xingu conhecido como “Volta Grande do Xingu”, onde estão localizadas três comunidades indígenas.
As organizações e movimentos sociais solicitam à OEA, em caráter de urgência, a concessão de “medidas cautelares” para a suspensão do processo de licenciamento ambiental da hdirelétrica.
Por se tratar de pedido urgente de medidas cautelares, apresentado quando há risco iminente de violação de direitos humanos, a OEA, através da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), exigirá esclarecimentos imediatos ao governo brasileiro e emitirá sua decisão.
Caso o pedido de medidas cautelares seja aprovado, cabe ao governo federal o cumprimento das exigências determinadas pela CIDH em sua resolução. As organizações e movimentos sociais esperam que a OEA defenda o impedimento das obras da hidrelétrica.
O Brasil, de acordo com a denúncia, está violando tratados internacionais ao ignorar direitos fundamentais das comunidades Arroz Cru, Arara da Volta Grande, Juruna do KM 17 e Ramal das Penas, todas nas margens do rio Xingu.
O documento assinala problemas como o deslocamento forçado, sem consulta prévia e consentimento livre das comunidades, ameaças à segurança alimentar, ao meio ambiente e ao acesso a água potável.
“O mais grave de tudo isso é que se trata de um projeto de iniciativa do governo federal, que não tem respeitado nenhuma legislação brasileira e internacional, além de violar direitos humanos. Sendo o projeto de um governo democrático, uma obra prioritária do PAC, no mínimo a legislação vigente devia ser respeitada e as comunidades atingidas incluídas no debate”, afirmou a bióloga Renata Pinheiro, do Movimento Xingu Vivo para Sempre.
As organizações lembram que no ano passado a OEA concedeu medidas cautelares que determinaram a suspensão das obras de construção da usina hidrelétrica Chan 75, no Panamá, devido ao deslocamento forçado de comunidades indígenas locais.
As entidades afirmam que a construção de Belo Monte ocasionaria o aumento de doenças e da pobreza, além de causar o surgimento de fluxos migratórios desordenados que sobrecarregariam os sistemas de saúde, educação e segurança pública da região. Elas se baseiam em pareceres de órgãos estatais, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e o Ministério Público Federal (MPF), e em laudos de especialistas.
O governo brasileiro já anunciou que a construção de Belo Monte deve ser iniciada em breve. Apesar das últimas recomendações do MPF, a licença de instalação do Ibama pode sair nas próximas semanas.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Moradores do entorno do lago do Juá denunciam crimes ambientais


Em Santarém, o Ministério Público do Estado, por meio da promotora de Justiça Lilian Regina Braga, reuniu com representantes da Comissão em Defesa do Lago Juá. A comissão, formada por cinco representantes das comunidades próximas. Eles denunciaram  o desmatamento no entorno do lago, além de outros problemas ambientais.
Participaram da reunião Paulo Cesar dos Santos, do Conselho Pastoral dos Pescadores; Raimundo Nonato Amaral Monteiro, agente pastoral; Fernando dos Santos Miranda, do membro do Grupo Verde; Odete Pedroso, do Conselho Comunitário de São Braz e Raimunda dos Santos moradora da comunidade do Juá.
Eles informaram ao MP que o Grupo Verde já tinha um movimento para promover a coleta de lixo e o reflorestamento do lago. Quando a programação estava em curso, aconteceu a invasão do local, em janeiro deste ano, e viram a necessidade de criar um grupo de defesa do Juá, que é formado pelas comunidades do Juá, Cucurunã, Santa Maria, São Braz, Pajuraça, Irurama e toda a grande área do Santarenzinho.
A Federação dos moradores do Eixo Forte já solicitou ao Incra a inclusão do manancial na área do Projeto de Assentamento Extrativista (PAE). Informaram ainda que a Emater  e a Semma estão fazendo o georreferenciamento da área para que solicitem a criação de um parque ambiental na área.  Com relação à recuperação da área, já programaram para janeiro de 2011 o plantio de mil mudas no local, embora temam novas invasões.     
Denúncias- O grupo fez algumas denúncias com relação ao manancial. Segundo eles, há uma galeria construída pela Infraero no local, que no período chuvoso, por ser muito grande, provoca o deságüe muito forte das águas no lago, cavando buracos e provocando modificações na areia. Também já presenciaram animais mortos que descem pela galeria, que é a céu aberto.
Outro impacto sofrido pelo lago é oriundo do funcionamento da penitenciária do Cucurunã, de que acordo com o grupo, possui uma criação de peixes que utiliza a água do igarapé represada, diminuindo a água que corre para o leito. Além disso, abaixo dos tanques há um despejo de fezes provenientes da penitenciária.
Também denunciaram a retirada de areia e pedra próximo ao local chamado 'serra da galinha choca'. O Ibama e a Semma já fiscalizaram e interditaram a área, mas a retirada retornou. Já no igarapé de  São Braz, foi denunciado a presença de construções irregulares e que dificultam a utilização do igarapé pela comunidade.
A promotoria vai solicitar às Secretarias do Meio Ambiente Municipal e Estadual, e ao Ibama,  que verifiquem o igarapé do Cucurunã e o de São Braz sobre as denúncias feitas, como também a extração ilegal de areia e pedra , solicitando sua interdição caso a denúncia se comprove. A PJ pediu ao Incra que informe sobre a tramitação do pedido de inclusão do manancial na área do PAE.
O MP enviou à diretoria da penitenciária para que encaminhe no prazo de 20 dias a planta do estabelecimento e que informe sobre a criação de peixes. Pediu ainda informações à Semma e a Emater sobre a conclusão do georreferenciamento do local. Após colher todas as informações, a promotora de justiça Lilian Braga deve decidir sobre as providências a serem tomadas.(Fonte:MPE)

Pontuando - A coluna semanal de José Olivar

A bactéria KVC se alastra nos hospitais do Brasil. O Governo brasileiro ao invés de determinar medidas duras a favor de uma melhor higiene nos hospitais usa o paliativo de proibir a venda de antibióticos sem receita médica. Muitas mortes vão ocorrer nos interiores deste País, onde os pobres com infecções ou outros males não vão poder comprar o remédio (antibiótico), pois não existem médicos nas localidades interioranas.  

Ainda bem que a Governadora Ana Júlia perdeu a eleição, pois do contrário, os serviços públicos iriam continuar de mal a pior. Em Belém, os médicos não querem fazer atendimentos nos postos médicos da área suburbana em razão dos assaltos que sempre ocorrem nestes locais. Ainda bem que tudo vai mudar com Jatene. 

Por falar em mudança, com certeza Jatene e Helenilson Pontes (o nosso Vice tem origem cearense), vão cobrar da REDE/CELPA mais empenho na prestação de fornecimento de energia, principalmente para Santarém, onde os cortes e as oscilações são constantes e os prejuízos maiores para todos. 

Aos poucos os vereadores de Santarém estão retomando suas rotinas diárias na Câmara após as eleições. Nélio Aguiar, que teve uma votação expressiva, voltou ao batente com muita força. Os observadores políticos dizem que Nélio ainda terá, junto como Helenilson Pontes, um grande futuro político. 

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) designou uma equipe de Juízes para ficar à disposição dos Tribunais de Justiça do Brasil auxiliando-os na elaboração e aprovação dos seus orçamentos. 

O encontro de Corregedores dos Tribunais de Justiça que ocorreu em Brasília no mês passado vai elaborar um documento para colocar em prática os bons projetos de algumas Corregedorias, para que outros Tribunais possam copiá-los. É o caso da Corregedoria do Amapá que teve um programa eletrônico que lhe capacita saber o andamento de todos os processos do Estado. Também a Corregedoria de Pernambuco criou uma comissão para inspeção, formada por Juízes, técnicos e advogados para auxiliar a Corregedoria, o que vem dando bons resultados. 

O Senador Mão Santa ocupou a tribuna do Senado para cobrar do Presidente Lula explicações da riqueza galopante do seu filho que se tornou, segundo o Senador, milionário da noite para o dia e sócio de uma grande empresa de telefonia. 

O Acre vai voltar ao fuso horário que tinha anterior à Lei 11.662/08, que era uma hora a menos que Brasília. Em referendo realizado na data das eleições do 2º turno, os eleitores manifestaram repúdio à lei, ganhando a resposta NÃO, voltando tudo ao estado anterior. 

Os idosos poderão ter direito a vagas gratuitas em aviões, desde que ganhem no máximo dois salários mínimos e a Câmara Federal aprove projeto neste sentido. Se o Congresso Nacional aprovar Emenda Constitucional em andamento, o Vice Presidente da República não assumirá em definitivo à Presidência em caso de vacância, restringindo-se somente a substituir o titular interinamente. 

Por falar em PEC há uma que propõe estabelecer mandato de 10 anos para Ministros do Supremo Tribunal Federal e 08 anos para o mandato de Ministros de outros Tribunais. Para isso é necessário derrubar a vitaliciedade desses Magistrados. Será que passa? 

Dizem que o PT e o PMDB já fizeram acordo para rodízio nas Presidências da Câmara Federal e do Senado. Será? Pelo jeito eles vão brigar cedo! 

O Supremo Tribunal Federal elegeu 03 nomes para a vaga de Ministro do  Tribunal Superior Eleitoral. É que este ano termina o biênio do Ministro Arnaldo Versiani - aquele que votou contra o processo da Maria do Carmo - que também é candidato ao segundo mandato de mais dois anos. O Presidente Lula é quem vai escolher um dos três Os acidentes de trânsito crescem a cada dia em Santarém. 

Enquanto a Prefeitura não melhorar a fiscalização nas ruas com agentes de trânsito e lombadas eletrônicas na vias mais movimentadas, nada vai melhorar. Como tudo nesta cidade está desorganizado, o trânsito não é exceção. Fonte do Superior Tribunal de Justiça (STJ), dá conta de que o Ministério Público pode pedir a quebra do sigilo bancário de membros da Igreja Universal do Reino de Deus, nas instituições norte americana. O Presidente do STJ suspendeu os efeitos da decisão da Justiça paulista que impedia tal solicitação. 

Todo mundo aguarda a limpeza das praias da orla da cidade, prometida pela Administração Municipal e muito necessária. Espera-se que tudo seja feito antes de começar a subida das águas. Se a Prefeitura não fizer, a Diocese de Santarém, através da Pastoral da Juventude, já programou limpar a frente da cidade no dia 12/11 em comemoração ao Dia Nacional da Juventude, já que o Poder Público não faz. Que vergonha! 

Acometido de um problema gastro-intestinal fui obrigado a recorrer ao Hospital da UNIMED e fiquei impressionado com o bom atendimento pelos funcionários: atendentes, enfermeiros e o Dr. Yohan, médico plantonista, que me dispensaram muita atenção e dedicação. O hospital está muito bem estruturado. Mando daqui parabéns à Direção da UNIMED. 

Um abraço para os médicos Dr. Francisco Aguiar e Dr. Francisco Monteiro, da Clínica Cardiomama, dois excelentes profissionais e que, quando tem tempo, lêem esta coluna.

Olhar amazônico

Foto: Carlos Bandeira Jr.

Consumidor entra numa fria


A polêmica que se formou por causa do fechamento de uma fábrica de gêlo, no bairro do Prainha, pela secretaria de meio ambiente de Santarém, chegou às raias do absurdo.

Lobby explícito patrocinado por uma emissora de televisão quer jogar a Sema contra a população ao divulgar que o fechamento da fábrica por causa de poluição sonora, é responsável pelo aumento do preço do pescado.

Como se alta do preço do pescado fosse alguma novidade nesta cidade desde a chegada de Betendorf.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Desatenção e sonegação de mãos dadas em Belém

Lúcio Flávio Pinto

Romulo Maiorana morreu em 23 de abril de 1986. O fato se tornou do amplo conhecimento público, dada a notoriedade do personagem. Todos ficaram sabendo, menos a prefeitura de Belém. Ela executou o falecido pelos débitos acumulados de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) de 1997, 1998 e 1999. Mais de 10 anos antes o imóvel objeto da execução passara do nome do fundador do grupo Liberal para a viúva e seus filhos, que não pagaram o imposto (como fazem costumeiramente), mas adotaram todos os procedimentos para legalizar a transferência.

A partilha foi aprovada em dezembro de 1987 e o formal expedido três meses depois, além de ser registrado na matrícula do imóvel, consumando a transferência. Mas a cobrança do IPTU foi expedida em nome de Romulo pai. Por isso, o juiz da 4ª vara dos feitos da fazenda pública de Belém extinguiu a execução fiscal sem resolução de mérito por ilegitimidade passiva. A prefeitura ainda recorreu. Alegou descabida a tese da ilegitimidade por ser possível a substituição processual do falecido por seus herdeiros e argumentou que os sucessores deviam ter promovido a averbação administrativa da transferência.

Mas perdeu todos os recursos apresentados até agora, à unanimidade e sem qualquer consideração pelo mérito, em virtude da grave falha de citação, que dá causa à extinção do processo. Talvez continue a perder enquanto não fizer a sua parte, que é atualizar o seu cadastro e ter o mínimo de informação sobre o que acontece no mundo. Citar um morto famoso, nas circunstâncias do caso, é ignorância, incompetência ou má fé?

Todas as especulações podem ser consideradas, como parece sugerir o voto do desembargador-relator da apelação na 1ª Câmara Cível Isolada, Leonardo Tavares. Ele disse na sua manifestação que as alegações do representante da prefeitura no recurso “afiguram-se inconsistentes, dando a impressão que não dispensou a atenção devida quando da leitura dos autos ou até mesmo que não os leu”.

Quantos sonegadores de impostos já não se aproveitaram dessa “desatenção”, que favorece o mau cidadão, sobretudo aquele que, podendo (e devendo) pagar, em função de seus muitos e sólidos recursos, foge ao seu dever? Eis uma questão relevante. O Ministério Público podia atrás de uma resposta e dos responsáveis pelo prejuízo causado ao erário.

Realidade da Amazônia

Carlos Matos Bandeira Jr.

Foto: Carlos Bandeira Jr.

A comunidade de Água Fria, distante uns 70 km da Vila de Curuai no Pará , é um exemplo do isolamento e as peculiaridaes geográficas que vive o povo da Amazônia. As mais de 80 famílias que ali vivem tem apenas uma estrada de terra batida como opção de transporte caso necessitem de algum auxilio fora dali. Meio de comunicação somente o rádio alimentado por pilhas. Celular ainda é um sonho distante para esse povo. 

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Ibama não dispõe de estatística pesqueira para embasar defeso de espécies

Aritana Aguiar
Free lancer


Começa mais um período de defeso de peixes na região Oeste do Pará, mas o IBAMA não dispõe de verbas para financiar um serviço de estatística pesqueira que venha confirmar ou não a eficácia do defeso de certas espécies ou até mesmo a inclusão de outras ainda que não estejam protegidas.  

O responsável pelo setor de fauna e peixe do Ibama, Rodrigo Numeriano, revela que existe uma carência na região para ter um controle de aumento ou diminuição das espécies de peixes em se tratando de dados científicos. Mesmo assim afirma que estarão fiscalizando quanto ao período do defeso. E conta que grande parte das apreensões vem através de denúncias.
 

"Infelizmente na região existe uma carência forte em pesquisa justamente para saber se o defeso está funcionando, se tem aumentado ou não os estoques ou diminuído as espécies de peixes. Precisamos desses dados científicos para fazermos a legislação, que seja condizente no que acontece nos rios; sem esses dados fica complicado para fazer qualquer tipo de determinação", informou Rodrigo. 
Ele conta que a Ufopa já demonstrou a intenção de pesquisar a potencialidade dos nossos recursos pesqueiros.

Ativismo judicial no Brasil

José Olivar:

Há no Brasil, críticas e aplausos para a forma como o Judiciário vem agindo em certos julgados. Alguns estudiosos consideram a posição assumida em determinados arestos como um verdadeiro ativismo judicial, e não como defendem os julgadores, meras criações judiciais do direito. 

Pelo primeiro (ativismo judicial), o exercício da função jurisdicional extrapola os limites do próprio ordenamento jurídico. Pelo segundo (criação judicial do direito), seria o poder do julgador em transformar o direito legislado em direito interpretado/aplicado. 

Para muitos, o ativismo é prejudicial e arbitrário, posto que o Judiciário passa dos limites substanciais do seu papel no sistema de separação dos poderes do Estado. Em outras palavras: o primeiro é ruim, o segundo é bom!

O desmontar dos palanques

Adenaeur Góes
adenauergoes@gmail.com   

A nível estadual, os eleitores não deixaram dúvidas em dizer com clareza que o desejo de mudar era bem mais forte do que o de continuar. Toda eleição tem uma história, sendo que ela é construída, pelo menos para aquele candidato que está no poder e pleiteia a reeleição, desde o momento que ele assume o poder.Uma das grandes lições que se extrai desta história que ainda está sendo escrita é justamente a distancia entre o que foi prometido, e o que foi efetivamente cumprido.

A grande maioria dos eleitores acompanhou o desenrolar dos acontecimentos, votou em 2006 na esperança de ver a materialização de promessas que não se concretizaram, e não teve dúvida, disse não a continuidade, conferindo á Governadora Ana Júlia índices de rejeição nunca antes auferidos por um governante paraense.O Governador eleito Simão Jatene representou a oposição a esta situação.

Aos seus próprios votos, oriundos do PSDB, juntaram-se os demais desiludidos, o próprio Deputado Federal eleito José Priante-PMDB em seu discurso na Doca de Souza Franco logo após o reconhecimento da vitória na noite do dia 31, pediu desculpas ao povo pela sua opção equivocada em apoiar a então candidata Ana Julia no pleito de 2006, tendo sido ele o candidato do PMDB e que com sua decisão decidiu o resultado final daquela eleição.

Infelizmente o que se viu foi uma descontinuidade total de tudo que os Governos anteriores haviam feito e mesmo com toda a máquina estadual e federal a serviço da candidatura oficial a onda vermelha não conseguiu embalar a campanha que continuou submersa na profundidade da rejeição consolidada.

O setor do turismo a exemplo de praticamente todos os demais setores produtivos apresentou queixas e mais queixas ao longo de quase quatro anos. Foram deficientes os investimentos em infra-estruturar e em divulgação e promoção. As articulações entre os segmentos caminharam no sentido inverso, distanciando-se cada vez mais, culminando com a incrível decisão do setor privado, imprescindível em qualquer negócio, de simplesmente não participar da Feira Internacional de Turismo da Amazônia realizada em agosto. A PARATUR foi esvaziada em seu orçamento, levando a que funcionários tivessem que viajar de ônibus para participar de feiras em São Paulo, o processo desandou de tal maneira que a empresa responsável oficial pelo turismo de nosso estado teve que grevar.

Renasce a esperança com a volta de Simão Jatene ao governo, terminada a eleição, é hora de desmontar os palanques. Este é o grande mérito da democracia, é possível apostar em uma direção, mas caso a expectativa não se concretize, ao povo é permitido mudar o rumo e assim por diante.A lição serve para todos.
                                                                                                                                                         

Abertas as inscrições para o 1.º Colóquio de Geografia do Oeste do Pará


Já estão abertas as inscrições para o 1.º Colóquio de Geografia do Oeste do Pará, evento que será promovido pelo Programa de Geografia da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) no período de 30 de novembro a 2 de dezembro, no Auditório Wilson Fonseca, em Santarém (PA). Destinado a acadêmicos e profissionais da Geografia e áreas afins, além da comunidade em geral, o Colóquio discutirá o tema “A Construção do conhecimento geográfico na região oeste paraense: da teoria à práxis”.

Além de marcar o início das atividades acadêmicas do recém-formado corpo docente de Geografia da UFOPA, o Colóquio promoverá debates e reflexões sobre o Pensamento Geográfico e sua importância no entendimento da dinâmica socioespacial do Oeste do Pará. O evento contará com minicursos sobre Turismo, Cartografia, uso de GPS, Movimentos Socioambientais e Populações Tradicionais.
A inscrição, que custa R$10,00, está sendo realizada na Biblioteca da UFOPA (1.º andar), situada no Campus Rondon, bairro do Caranazal. Mais informações pelo telefone (93) 3064-5096 ou pelo e-mail coloquiodegeografia@yahoo.com.br .
(Fonte: Ascom/UFOPA)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ana Júlia e Simão Jatene iniciam transição de governos


Os primeiros passos para a transição do Governo do PT para o do PSDB no Pará foram dados, oficialmente, nesta terça-feira (9). Uma reunião entre a atual governadora Ana Júlia Carepa e o governador eleito Simão Jatene tratou sobre os detalhes do processo, no Palácio dos Despachos.

Antes de se reunirem a portas fechadas, eles falaram com a imprensa. De acordo com Ana Júlia, a transição será tranquila. Ela acredita que tudo será feito democraticamente, nos moldes da transição do governo de Jatene para o dela, há quatro anos.


Sobre a transição, Jatene também acredita na transparência do processo. 'O importante é que a sociedade possa ver e conhecer todos os números, e o principal, avaliar esses números. Quero encontrar um equilibrio no governo, seja na questão de receita/despesas, contratos etc.', disse o tucano.


Ana Júlia destacou que a situação financeira do Estado é boa. 'O governador eleito não terá nenhuma surpresa desagradável com as contas do Estado', garantiu. A atual governadora também lembrou que, até o final do ano, vai inaugurar a finalização da primeira etapa do Ação Metrópole. 'Sou governadora do Pará até o dia 31 de dezembro, portante vou governar até lá', disse, afirmando também que vai entregar mais obras em estradas e escolas.


Uma reunião entre os coordenadores das equipes de transição dos dois governos foi marcada para a manhã desta quarta-feira (10), no Centro Integrado de Governo, na avenida Nazaré.

Sérgio Leão, coordenador da equipe de transição de Simão Jatene, adiantou que vai entregar um ofício ao coordenador da equipe de Ana Júlia, Edílson Rodrigues, atual secretário de governo. 'Vamos solicitar mais informações sobre as ações do atual governo, como estão os contratos, obras, precatórios, para poder começarmos nosso planejamento', disse.

Alepa - Na manhã de hoje, Simão Jatene fez uma visita de cortesia na Assembleia Legislativa do Pará para saber como está o andamento do projeto orçamentário do Estado para 2011. Vinte e um deputados, além do presidente da Casa, Domingos Juvenil, receberam Jatene na Alepa. 'O Governador foi lá conhecer o projeto para que a equipe de transição do governo pudesse também dar algumas propostas para o orçamento do ano que vem', afirmou Sérgio Leão, da equipe de transição de Jatene.(Portal ORM)

Juíza do CE proíbe a divulgação de gabarito do Enem

Do Blog do Josias:

Um dia depois de suspender a validade do Enem realizado no último final de semana, a juíza federal Karla de Almeida Miranda Maia, do Ceará, tomou nova decisão.

Ela proibiu a divulgação do gabarito do exame, que seria liberado pelo Ministério da Educação às 18h desta terça (9).

A magistrada vetou também o recebimento pelo MEC de requerimentos de alunos que se julgam prejudicados com os erros verificados nas provas do Enem.

Com seu novo despacho, a juíza impede que o MEC continue fingindo que nada sucedeu. Na véspera, o ministério informara que irá recorrer.

Na África, onde se encontra, Lula comentou a encrenca. Tomado pelas palavras, não deixou apenas o país. Ao viajar para o exterior, abandonou também a realidade.

Considerou o Enem-2010 “extremamente bem sucedido”.

Deputada estadual Bernadete Ten Caten (PT) é cassada pelo TRE

A deputada estadual, Bernadete Ten Caten (PT), teve o seu registro cassado na manhã de hoje, durante uma sessão ordinária do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A sentença de Bernadete foi decidida pelo voto de minerva, aplicado pelo desembargador João Maroja, que votou a favor da cassação.
Bernadete Tem Caten é acusada de abuso de poder econômico, em 2008, e a partir de agora, é considerada inelegível pelos próximo três anos.
A reportagem tentou entrar em contato com a deputada, mas até o momento não obteve resposta.(Diário On Line)

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Nota da redação:

Uma vez cassada Bernadete, há uma dúvida. Se seus votos forem considerados nulos( negativa de registro por causa da leia FichaLimpa) sua votação vai ser apartada da coligação do PT?
Isso ocorrendo e interferindo no cáculo da legenda, o PT perderia também outro deputado?
Com a palavra os advogados especialialistas em legislação eleitoral.
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Atualização as 16h56:

Parsifal Pontes:
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As notícias postadas sobre a “cassação” da deputada estadual, reeleita, Bernadete Ten Caten do PT, a meu ver são precipitadas quanto aos efeitos que se alardeiam.
A deputada, no caso julgado hoje pelo TRE-PA, já houvera sido processada por abuso de poder econômico na Justiça Eleitoral de Marabá, por conduta vedada cometida na eleição de 2008, quando ela foi candidata a prefeita.
O processo foi extinto por não ter sido trazido à lide o candidato à vice-prefeito que lhe compunha a chapa.
Foi em grau de recurso contra a extinção que o processo chegou à Corte Eleitoral Regional, que em julgamento de hoje, em decisão personalíssima, decretou a inelegibilidade da deputada por três anos.
A decisão do TRE-PA é superveniente ao registro da deputada, que foi deferido pela Corte. Desta decisão cabe recurso, primeiro ao próprio TRE-PA e depois para o TSE, onde a decisão poderá, ou não, ser reformada.
Portanto, salvo melhor juízo de quem outro entendimento tenha, enquanto a decisão do TRE-PA, tomada hoje, não transitar em julgado, a deputada Ten Caten poderá ser diplomada, tomar posse, e exercer o mandato.

Novo Enem para alunos prejudicados não interfere na igualdade entre os concorrentes, diz Haddad

Veja On line:

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira que a aplicação de uma nova prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) somente para os alunos que tiveram problemas com as falhas detectadas no exame não prejudicaria o critério de igualdade entre os concorrentes.

Em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, o ministro afirmou que a tecnologia educacional permite, hoje em dia, a realização de uma nova prova com o mesmo grau de dificuldade da primeira. Haddad lembrou que, no ano passado, o Ministério da Educação (MEC) aplicou o Enem em duas etapas, sendo que a segunda foi destinada aos alunos do Espírito Santo prejudicados pelas enchentes e aos estudantes que estão detidos.

Haddad disse ainda que não há razão para o cancelamento de toda a prova e que o poder público deve se retratar pelo desconforto causado aos alunos prejudicados. Sobre os erros de digitação e de formulação de algumas questões da prova, o ministro afirmou que há uma tolerância para tais problemas e que nos vestibulares é comum a anulação de questões por falhas como essas.

Na segunda-feira, a Justiça Federal do Ceará suspendeu temporariamente o exame em todo o país. Enquanto vigorar a suspensão judicial, o MEC não poderá divulgar informações sobre resultados das provas do fim de semana e tampouco marcar nova prova. O MEC vai recorrer da decisão

Quem fica no poder?

Lúcio Flávio Pinto

A história da eleição de 2010 no Pará ainda não terminou. Ela depende da resolução do impasse jurídico em torno do Senado. A justiça sacramentará o afastamento de Jader Barbalho da vida política ou possibilitará o seu renascimento das cinzas?

Ana Júlia Carepa teria evitado a derrota se contasse com a aliança vitoriosa de quatro anos atrás, somando ao PT os votos do PMDB? A resposta a esta questão foi positiva em 2006: sem Jader Barbalho, a candidata petista jamais teria sido a primeira mulher a governar o Pará. Mas neste ano a resposta ainda é incerta e não sabida. Ao contrário de quatro anos atrás, o cacique do PMDB teve diante de si a mais desfavorável de todas as conjunturas que já enfrentou. Por ora, é o maior derrotado, embora ainda haja uma réstia de esperança de renascimento.

A soma da votação de Ana Júlia e do candidato peemedebista Domingos Juvenil no 1º turno foi de 46,86% dos votos (36,05% mais 10,81%), enquanto Simão Jatene teve 48,92%. Em qualquer circunstância, o candidato do PSDB seria o vencedor em 3 de outubro. No 2º turno Jader não declarou seu voto e liberou seus partidários de compromisso. Mas é evidente que como a grande maioria assumiu o apoio a Simão Jatene, Jader agiu nos bastidores em favor do candidato tucano. Não pode, entretanto, cobrar de público compromisso que de público não existiu.

Jatene pode alegar que deve sua vitória apenas aos seus méritos, do seu partido, do único aliado oficial, o DEM, e dos políticos peemedebistas que individualmente declararam seu voto a ele. Ao contrário do que se esperava da tendência observada até 3 de outubro, ele cresceu menos (7 pontos percentuais) do que Ana Júlia  (que incorporou 8 pontos percentuais) do 1º para o 2º turno. A diferença, que poderia ser esmagadora se tivesse tido a votação que Jader Barbalho lhe poderia transferir, diminuiu ao invés de crescer.

Essa contração, ainda que ligeira e que nunca ameaçou o triunfo do ex-governador, deve-se ao uso intensivo da máquina pública, estadual e federal. A realização de obras de última hora, a pressão sobre os servidores públicos, o feriado prolongado, maior propaganda e a presença do presidente Lula diminuíram a rejeição à governadora, mas não na proporção necessária. E já era tarde demais.

O eleitor não gostou da gestão de Ana Júlia e não acreditou que ela pudesse corrigir tantos e tão elementares erros, como os muitos que cometeu. Ao invés de apostar numa nova perspectiva de mudança, preferiu voltar ao passado, mesmo sendo o passado que rejeitara em 2006. Isto pode significar que também já não aposta em Jader Barbalho, que foi então o avalista da petista?

O líder do PMDB deve ter percebido logo que a marca negativa da sua aliada não sairia mais. Deve ter mandado avisos para Ana Júlia e procurado se aproveitar das suas fraquezas, mas a cegueira e a certeza dos próprios méritos impediram a governadora, cercada por neófitos em política (apesar disso, extremamente presunçosos e arrogantes), de perceber a situação. Quando tentou recompor o acordo com Jader, não havia mais jeito: o instinto de sobrevivência do deputado federal, com mais de 40 anos de carreira política, ocupando todos os cargos que dependem de votos, já o advertira para sair do barco.

Não foi por outro motivo que, embora sem romper com o PT nacional, do qual ainda esperava alguma ajuda (que ainda não veio), ele modelou o seu candidato ao governo com a imagem de oposicionista. Domingos Juvenil existia para favorecer Simão Jatene, não para aliviar Ana Júlia, intensamente criticada nos veículos de comunicação dos Barbalhos. E quando ficou claro que Brasília não podia – ou não queria – ajudar o ex-senador a voltar à câmara alta, influindo nos bastidores do julgamento da impugnação da sua candidatura, Jader decidiu apostar na hipótese de maior risco: ao contrário de Joaquim Roriz, que renunciou e lançou sua esposa ao governo do Distrito Federal, Jader continuou pelo caminho difícil. Talvez porque não tivesse alternativa melhor.

Se renunciasse, quem, ocupando o seu lugar, poderia ter tantos votos quanto Flexa Ribeiro e Paulo Rocha para o Senado, e, ao mesmo tempo, se submeteria à sua liderança? Provavelmente ninguém. Líderes como Jader não gostam de sombra. A única que ele admite (e mesmo cultiva), a do filho, não tem ainda consistência eleitoral para tanto. Talvez nunca venha a ter. Mesmo em Ananindeua, onde é prefeito, a presença de Helder Barbalho é discreta.

Aparentemente a decisão do Supremo Tribunal Federal, confirmando a vigência imediata da lei da ficha limpa e o efeito retroativo da vedação a candidatos que renunciaram para escapar de punições no parlamento, como Jader, confirmou seu afastamento da política. Mais uma vez, entretanto, as aparências não esgotam a variedade de hipóteses que subsistiram. Principalmente pelo comportamento e pelas palavras dos ministros durante a sessão de julgamento do recurso do candidato do PMDB do Pará, que desgastaram a imagem da corte suprema da justiça brasileira, e pelo inusitado de mais uma decisão empatada, que acaba sendo tomada pelo que não pode ser: uma deliberação de execução automática.

Com as reações que teve ou patrocinou, desde uma nota pessoal, passando pela manifestação partidária e a adesão da representação dos empresários à sua causa, Jader deixou claro que perdeu uma batalha importante, mas a guerra ainda não terminou. Ele tem munição importante para prolongar uma nova manifestação do STF, através de recursos, até que o 11º ministro possa ser indicado pelo presidente para desempatar a votação, se houver ainda possibilidade de entendimento com Lula. Caso essa hipótese não exista mais, ele não perdeu todos os argumentos para forçar uma nova eleição para o Senado, já que 57% dos votos dos eleitores do 1º turno (dados a ele e a Paulo Rocha) se tornaram nulos.

A tese sustentada – de forma imprópria e em momento inadequado – pelo presidente do TRE do Pará, desembargador João Maroja, de que a exigência de metade mais um de votos válidos se aplica apenas à eleição para o executivo, não se estendendo à disputa – igualmente majoritária – para o Senado, é, na mais tolerante das hipóteses, discutível. Ana Júlia e Duciomar se elegeram senadores com percentuais muito menores, mas porque não ocorreu a anulação dos votos dos demais concorrentes, que, por serem mais numerosos, tiveram índices menores do que os eleitos, todos, porém, pulverizando a votação, enquanto agora houve muito menos pretendentes e, por isso, mais concentração de votos.

Da mesma forma como a interpretação da norma legal teve que ser distorcida para a lei da ficha limpa já entrar em vigor na eleição deste ano, impondo requisitos restritivos com efeito retroativo, a não realização de nova eleição senatorial no Pará, quando foram anulados 57% dos votos válidos (ou seja, digitados na urna eletrônica por eleitores habilitados em favor de cidadãos que tiveram suas candidaturas deferidas pela justiça), é uma violação aos preceitos legais, cuja clareza é esmaecida pelo tom passional e dogmático da disputa eleitoral deste ano.

Nesse contexto, é pouco provável que tal decisão seja será adotada sem novas polêmicas e saia rapidamente. Se for confirmada a realização de nova eleição e ela acontecer depois de fevereiro, Jader Barbalho poderá concorrer de novo. Ao contrário do que apregoou O Liberal no dia seguinte à deliberação do STF, a inelegibilidade do peemedebista não começa a partir da esdrúxula sentença. Na verdade, ela se encerrará em 31 de janeiro do próximo ano, quando terminaria o mandato que lhe cabia exercer, se ele não tivesse renunciado para escapar a processo por quebra do decoro parlamentar, em função dos casos de corrupção na Sudam, que o levaram a ser preso, algemado e processado.

Todas as sutilezas e complexidades da disputa para o Senado, que saiu das urnas para o imprevisível tapetão da justiça, garantem que o capítulo da eleição deste ano no Pará ainda não se encerrou. O pronunciamento final sobre o Senado é que definirá qual o peso que Jader Barbalho ainda terá na política estadual.

Uma definição contrária aos seus interesses liberará Simão Jatene ainda mais dos efeitos de um compromisso que, se houve, foi informal, de bastidores. Já se os desdobramentos do contencioso resultarem numa nova eleição e com a viabilidade da candidatura de Jader, ele poderá sair fortalecido do novo confronto, talvez como o mais votado, confirmando sua expectativa de dois milhões de votos. Renascerá das cinzas como vítima, injustiçado.

Todas as hipóteses são possíveis num momento em que o poder judiciário revela ao público, às vezes “ao vivo”, suas fragilidades e limitações. Jader pode ser punido numa situação na qual, se a lei fosse realmente cumprida à risca, ele ganharia. Confiando nos argumentos da sua defesa (comandada por um ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, José Eduardo Rangel de Alckmin) e em suas próprias articulações, decidiu prosseguir, ao invés de novamente renunciar.

Mas pode se dar mal: prosseguindo um julgamento mais político e moral do que técnico, os ministros do STF podem manter sua impugnação e não realizar nova eleição para o Senado. Se quisesse voltar à política, ele teria que disputar um mandato de vereador ou de prefeito em 2012. Para o nível da sua biografia, só a prefeitura de Belém satisfaria, mas suas chances de vitória num pleito majoritário na capital são bem menores. Ele se arriscaria a tanto? Ou reconhecerá que seu momento passou?

O drama me fez relembrar um filme marcante, que o grande diretor italiano Dino Risi realizou em 1971. Em italiano, o título é direto: In Nome Del Popolo Italiano. A versão brasileira é mais sutil: Esse Crime Chamado Justiça. Um procurador (interpretado por Ugo Tognazzi) investiga um dos maiores empresários italianos, do setor de construção civil, acusado de ter assassinado sua amante.

Na busca por provas, o procurador testemunha a atuação predatória do empresário, sempre visando lucros exorbitantes, mesmo que necessite adotar métodos imorais ou ilícitos, além de destruir as pessoas que surgem no seu caminho. O empresário (vivido por Vittorio Gassman) é simpático, envolvente, sedutor, mas o procurador resiste: é honesto. Quando está predisposto a denunciar o empresário, descobre uma carta deixada pela amante anunciando seu suicídio.

O empresário estava inocente daquele crime individual. Mas e dos tantos crimes coletivos que comandou ou induziu? Depois de ler a carta, encontrada casualmente entre os papéis da suicida, o procurador para, medita e lança o papel no rio, ao lado do qual caminhava. E continua seu percurso para fazer a denúncia. O empresário pagaria não por aquele homicídio, do qual era inocente, mas pelos outros crimes, numerosos e de maior repercussão, mas que nunca foram provados – nem viriam a ser, dado o seu poder de manipulação e coerção.

Dino Risi era um autor de comédias. Tragicomédias, na verdade. Fazia seu público rir e logo em seguida pensar. Talvez por levar de um extremo a outro, provocava pensamentos profundos, como o deste filme, que contém um dos principais dilemas de um julgamento. Se houve julgador bem fundamentado para examinar o caso de Jader Barbalho, ele deve ter-se visto diante do dilema do procurador do filme de Risi.

Tecnicamente, acho que Jader Barbalho tem motivos suficientemente sólidos para vencer a demanda e, no mínimo, poder disputar de novo a vaga de senador que lhe tiraram indevidamente. Mas, do ponto de vista moral, não seria a hora de afastá-lo da vida pública, pelos mal feitos do passado, pelo balanço negativo da sua forte presença na política do Pará, com a apropriação particular dos benefícios que ele tornou possíveis, em nome do povo que o elegeu para tantos cargos públicos, e que podiam ter sido mais intensos para a sociedade?

A resposta cabe ao leitor, mas a um jornalista, que o coloca diante dessa grave e fundamental questão, se impõe outra pergunta: e os outros? Sem dúvida, Jader Fontenele Barbalho se tornou o político mais poderoso do Pará desde Magalhães Barata. O Estado podia ter tido outro rumo, ao invés de se manter dividido entre seu enorme potencial de riquezas e a forma viciada de explorá-la, que gera enriquecimentos fora de seus limites ou concentrado entre alguns dos seus habitantes, se ele tivesse feito a boa política.

Mas é nada mais do que oportunismo de outros integrantes predatórios da elite paraense apontá-lo como bode expiatório ou espantalho dos males do Estado. Mesmo que Jader seja obrigado a sair agora da vida pública, isso não garante que ela se tornará melhor. O quadro que se delineia a partir da eleição do 2º turno revela que o empobrecimento da representação política do Estado persiste. Se é que não se agrava. Porque os gatos pardos podem apontar para o telhado e alegar que o único gato preto que ali havia foi expurgado da cobertura.

A evolução do patrimônio do ex-governador, em desarmonia com o que seria de esperar de um político profissional, sempre foi o calcanhar de Aquiles de Jader. Também a freqüência com que foi associado a casos de desvio de recursos públicos, com destaque para órgãos que estiveram sob seu comando ou influência. O que ele pode dizer em sua defesa é que nenhum dos processos judiciais a que foi submetido transitou em julgado. E que o episódio do qual resultou sua impugnação só evoluiu a ponto de obrigá-lo a renunciar para não ser cassado porque interessava ao seu desafeto de então, o todo-poderoso senador Antônio Carlos Magalhães, versão mais rudimentar (e também mais bem sucedida, o que também diz bastante sobre a qualidade dos políticos brasileiros contemporâneos) do que foi Carlos Lacerda até 1964.

Se Jader Barbalho foi algemado, preso e processado, o campeão dos votos senatoriais deste ano, o empresário Fernando Flexa Ribeiro, também passou pela mesma via crucis, nem por isso se tornando ficha suja na letra da lei eleitoral. Provavelmente porque não chegou tão alto quanto Jader, que conquistou a presidência do Senado contra a vontade de ACM. A vingança do babalorixá baiano foi proporcional ao tamanho do que considerou como ultraje pessoal.

A condição de empresário e ex-presidente da Federação das Indústrias deve ter ajudado bastante o antigo senador biônico a contornar maiores dissabores e a responder ao incidente com um mandato obtido agora pelo maciço voto popular. A comunidade empresarial, porém, não esqueceu os serviços do ex-governador, os já prestados e os que ainda poderão vir a ser úteis, naquelas circunstâncias que exigem a interferência de alguém com a habilidade e os conhecimentos de um político profissional de amplitude nacional (qual o outro, além de Jader, em atividade no Pará?). Tratou de se posicionar ao lado dele na nova batalha, para conquistar o mandato de senador, com o qual poderá ser afastada a presença de um representante da esquerda.

O que distingue Jader Barbalho dos demais é a sua capacidade de sobrevivência, que, em política, requer carisma, experiência e instinto para as oportunidades. Ninguém ainda se sente seguro o bastante para tratar o – por enquanto – derrotado líder do PMDB paraense como cachorro morto. Ele já sobreviveu a golpes quase tão profundos quanto o atual e sua carreira não foi interrompida. Quem garante que não tem mais algumas vidas de reserva, como um gato de muitos fôlegos?

É que, olhando em volta, pode-se constatar que ele não é único nem é dissonante na elite paraense. Neste momento, seu mais sério inimigo é o grupo Liberal, tanto por motivação política quanto empresarial. Comparando-se as trajetórias das famílias e de suas corporações, a diferença mais marcante entre elas é que os Maioranas estabeleceram seu fenomenal poder à margem do poder institucional, sem ocuparem cargos políticos, enquanto os Barbalhos não seriam o que são sem o usufruto das benesses do poder estatal.

Para que a comparação seja elucidativa, porém, é bom não esquecer que os dois varões da família Maiorana bem que tentaram se tornar políticos. Primeiro Romulo Maiorana Júnior, que se filiou ainda jovem ao PMDB com o abono do então governador Jader Barbalho, ainda um aliado da “casa”. Depois, Ronaldo Maiorana, que chegou a ser dirigente partidário. Mas nenhum foi em frente, por absoluta falta de vocação para a atividade. Se tivessem dado certo, teriam diferido dos demais políticos, incluindo o cacique do PMDB?

Duas matérias sobre o uso de recursos públicos pelos Maioranas publicadas nesta edição sugerem que não. O insucesso na investida política foi um acaso feliz, que agora os dois podem usar para estabelecer contraste com os feitos do seu principal inimigo e concorrente. O que é apenas meia verdade, como, em geral, são as verdades tidas por absolutas. No Pará, apenas uma desafia as exceções: os nomes mudam, mas as lideranças têm sido as mesmas. Péssimas.

Carros à frente do bois


Apesar do governador eleito Simão Jatene ter afirmado em entrevista ao Diário do Pará que ainda não saber o que vai fazer com os veículos alugados pela PM, o comandante do CPR-1, coronel Godinho, não se faz de rogado e anunciou que as viaturas vão continuar a ser utilizadas no próximo governo.

Dengue chegou


Jorge Eymar, chefe da Divisão de Vigilância Sanitária, anunciou há pouco, no Bom dia Santarém, da Tv Tapajós, que a dengue tipo 1, voltou com força total.