Nenhum acertador fez as seis dezenas.
Confira:
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Há exemplares do banquinho típico dos índios tukano, redes, colares, vasos de diferentes tipos de cerâmica, máscaras com formas de animais, cestas, tecidos, armas, remos, entre outros tipos de ornamentos e artesanatos.
Para reunir o acervo, o dono do local, o paulista Marcelo Freitas, um “antropólogo autodidata", como brinca, passa quase metade de seus dias viajando pela floresta para negociar diretamente com os povos indígenas.
Segundo conta, às vezes o negócio é fechado em dinheiro, e outras acontece na base do escambo. “Levo alguma coisa de que eles estejam precisando”, diz.
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Marcelo diz que só vende material autêntico encontrado nas aldeias. “Nunca encomendo ou digo para mudarem alguma peça”, afirma.
Já são 11 anos percorrendo as aldeias e fazendo amizade com os índios. “Sou convidado pelas próprias lideranças, não pela Funai”, explica.
As obras foram realiazadas através de convênios celebrados entre a prefeitura, governo do estado e governo federal.
O mercado central reinaugurado hoje foi construído pelo prefeito Ubaldo Corrêa, aproveitando as instalações de uma usina de luz, que foi transferida para a rua do Imperador. As obras do mercado foram concluídas na gestão do prefeito Everaldo Martins, em 1963.
A prefeita Maria do Carmo falou que há muitos anos, a população de Santarém e os permissionários dos mercados pediam por essa reforma. Ela falou também sobre seu sentimento de gratidão. “Não teríamos condições de fazer esta obra somente com recursos da prefeitura. Buscamos parceria junto à governadora e ela não exitou em ajudar, e eu sou muito grata a ela por esse investimento. Para nós, hoje é um dia de muita felicidade e tenho certeza que a revitalização dos mercados Modelo e Municipal vai contribuir para o desenvolvimento econômico e social de Santarém”, externou Maria do Carmo.
(Foto: Ronaldo Ferreira/Divulgação/PMS)
Um rombo de R$ 1,1 milhão (correspondente principalmente a verbas de patrocínio) abala as finanças do Paissandu e gera desconfiança entre dirigentes e colaboradores. O dinheiro teria sido desviado dos cofres do clube por um ex-funcionário do setor de finanças. No mês passado, quando um ex-dirigente ameaçou denunciar a situação, um repentino acordo interno fez com que o caso fosse temporariamente abafado. Isso tudo sem que nenhuma auditoria fosse providenciada para descobrir o paradeiro do dinheiro.
A conquista do primeiro turno do Parazinho ajudou a empurrar com a barriga o espinhoso problema. Talvez em função dessa perda, funcionários ligados ao departamento amador do clube estejam há mais de 15 meses sem receber. O próprio técnico Charles Guerreiro, que ocupava a função de supervisor, ainda tem salários atrasados e teria a receber o valor de um empréstimo (R$ 150 mil) que fez ao clube. Outro problema derivado do sumiço do dinheiro: o clube quase perdeu o atacante Moisés, cujos encargos de INSS não haviam sido recolhidos, tornando-o automaticamente sem vínculo com o clube.
Um outro problema diz respeito às diferenças nos métodos de contratação de jogadores que distanciam o presidente Luiz Omar e o colaborador Roger Aguillera. Funcionários do clube admitem existir uma certa tensão entre os dois, pois o empresário é visto pela atual diretoria como possível (e forte) candidato à presidência em 2011. Para neutralizar a presença de Roger na mídia, Ricardo Rezende foi chamado a integrar a tropa de choque de LOP, apesar das divergências entre ambos.
O setor mineral investirá 40 bilhões de dólares (quase 70 bilhões de reais) no Pará nos próximos cinco anos (2010/2014). Dá uma média de US$ 8 bilhões ao ano. É quase o dobro da receita tributária líquida do Estado, o dinheiro que mantém a máquina pública em funcionamento e responde pelos investimentos públicos, que não vão além de 10% do total. Nenhuma atividade econômica terá aporte semelhante de capital. É possível que, afinal, o Pará assuma a liderança da economia mineral brasileira. Dos US$ 40 bilhões que constam da programação das empresas, quase US$ 26 bilhões serão aplicados na extração de minério, menos da metade (US$ 11 bilhões) na indústria de transformação, US$ 2,7 bilhões em infraestrutura e transporte e US$ 505 milhões em outros negócios.
O cômputo inclui apenas 14 projetos de extração de minério (oito deles de responsabilidade direta da Vale e um de sua coligada Mineração Rio do Norte) e 8 de indústria mineral (só 3 da Vale, em um dos quais associada à Sinobrás), mais três de infraestrutura e transporte (sendo dois da Vale) e dois de “outros negócios (um só da Vale e outro em associação). Mas há mais 18 projetos minerais em fase de pesquisa, alguns dos quais conduzidos por grupos multinacionais ou internacionais de porte, como a Xstrata, a chilena Codelco, a Rio Tinto e a Caraíba Metais, a única indústria de cobre do país (e a única associada do sindicato mineral que não atua no Pará).
O principal efeito desses investimentos será incrementar ainda mais a especialização do Pará como Estado exportador (talvez vindo a ocupar a 4ª ou mesmo a 3ª posição nacional em 2014) e gerador de saldo de divisas (o 2ª mais importante do Brasil). A fatia dos minérios e derivados na pauta de exportação paraense, que já é de 85%, poderá experimentar expansão ainda maior (talvez para 90%). E, internamente à economia mineral, o setor meramente extrativo deverá ultrapassar dois terços do produto mineral, enquanto a indústria de transformação encolherá um pouco.
Esses números escancaram uma realidade da qual os paraenses precisam se dar conta o mais rápido possível (o que já tarda demais a acontecer): o subsolo do Estado é tão rico que sua vocação mineral é inevitável. Um novo produto, o níquel, começará a ser produzido neste ano, juntando-se aos demais, que têm expressão internacional, como o minério de ferro, a bauxita, o cobre, o caulim, a alumina, o alumínio, a gusa e, no futuro, o aço. Como na economia prepondera a mera extração do minério e sua dita industrialização se reduz a insumos e semi-elaborados, a se manter esse perfil o Pará deverá ter o mesmo destino dos Estados e países de economia primária: crescer sem se desenvolver, gerar renda sem progresso. Não há exceção a essa regra.
Ao apresentar os números do balanço mineral de 2009 à imprensa, há duas semanas, o presidente do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará, Eugenio Victorasso, chegou a admitir que o setor mineral “pode ter sido um grande vilão no passado”, mas que teria se livrado desse estigma. Hoje as mineradoras têm consciência de sua responsabilidade social e ambiental, que incorporaram ao seu modo de proceder para não serem apenas geradoras de riqueza bruta. Não querem continuar a ser enclaves, que só agregam benefícios em torno de si e, mesmo assim, mínimos, se considerados os efeitos multiplicados no local de destino dos seus produtos, onde serão realmente manufaturados até o fim da cadeia produtiva.
De fato, o comportamento das mineradoras melhorou bastante em relação ao padrão de atuação em outras áreas coloniais. Algumas se esforçam para melhorar sua imagem, preocupadas apenas em fazer relações públicas. Outras parecem de fato empenhadas em distribuir seus resultados por mais gente e mais longe do que sob a influência direta da mina. Ainda neste caso, porém, o benefício é residual. No ano passado o setor mineral exportou US$ 7,1 bilhões (dos 8,3 bilhões do comércio exterior do Pará), o equivalente a pouco mais de 12 bilhões de reais. Os royalties pagos chegaram a R$ 243 milhões, ou 3% do valor das exportações. E esse valor foi recorde. A arrecadação da CFEM cresceu cinco milhões de reais em relação a 2008, apesar da queda de receita de exportação de 22% (igual ao percentual de baixa nas exportações totais do Pará).
Provavelmente esse fato se deve às vendas internas de minérios, cujos dados não foram incluídos no balanço mineral. Parte crescente da produção da bauxita paraense, que é a terceira maior do mundo, destina-se às duas fábricas de alumina (a de Barcarena e a de São Luís do Maranhão). Como uma nova planta está prevista para Barcarena, ao custo de US$ 2,2 bilhões, para que as mineradoras continuem a exportar bauxita terão que elevar ainda mais a produção do minério, o que deverá fazer o Pará pular pelo menos uma posição no ranking internacional.
Embora a esmagadora maioria do minério de ferro extraído de Carajás ainda tenha como destino a exportação (sobretudo para a China e, mais secundariamente, o Japão), se o projeto da siderúrgica de Marabá por implantado (investimento de US$ 3,7 bilhões), uma parcela mais significativa será absorvida localmente. Como até 2014 a produção de Carajás irá dobrar, indo para 200 milhões de toneladas anuais, esse incremento do consumo interno (hoje exclusivo das guseiras) será relativizado pelo crescimento ainda maior do comércio internacional.
Mais atentas para a natureza e o homem, ainda assim as empresas do setor mineral não conseguem fazer crer que essas mudanças irão alterar o perfil colonial que o Pará tem hoje. Mudanças há e por isso elas decidiram finalmente criar um sindicato da categoria, quase 30 anos depois que os grandes projetos entraram em operação. O sindicato tem apenas seis empresas associadas e é controlado pela Vale, a cujos quadros pertence o presidente da entidade. A iniciativa de convocar os jornalistas para lhes apresentar o balanço anual foi positiva. Mas muito ainda precisa ser feito até que se possa “desenvolver uma cultura mineral” no Pará, como admitiu Victorasso. E precisa ser feito com urgência porque o fluxo de saída de minério, com as características de uma hemorragia desatada, não pode esperar por esse estado de consciência. Talvez nem queira esperar. Os paraenses, cujo território é tão prodigioso em minérios, é que precisam fazer a sua parte.
Uma das iniciativas pode ser estabelecer um percentual de participação do Estado a partir de determinado volume de lucro líquido alcançado pelas empresas. Em 2005 a Vale foi a companhia que mais distribuiu dividendos no mundo inteiro. Uma vez assegurada a remuneração estabelecida em lei para os acionistas e a reserva legal, as distribuições a partir desse ponto deviam incluir o Estado e os municípios com um percentual para que, aí, sim, eles tivessem ganhos reais sobre a lucratividade adicional com a exploração dos seus recursos naturais e não apenas compensações marginais, como agora. Ou então a linha do crescimento físico continuará a evoluir em paralela muito mais ascendente do que a do desenvolvimento, que a acompanhará em posição muito inferior.
Segundo o deputado federal Zé Geraldo, que teve grande participação no processo de negociação junto ao Ministério da Fazenda e à Casa Civil, o decreto presidencial também autoriza o Basa a renegociar, dentro dos mesmos prazos estabelecidos para o Prodex, os débitos da agricultura familiar contratados pelo Programa de Apoio à Pequena Produção Familiar Organizada (Pró-Rural) e o FNO-Especial.
(Fonte: Assessoria parlamentar)O arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, afirmou que a Igreja Católica não nega as denúncias de pedofilia que envolvem seus membros, mas 'se arrepende enormemente pelos males causados aos outros e a si mesma'.
Em artigo publicado hoje no jornal "L'Osservatore Romano", o cardeal explicou que a instituição religiosa 'não ensina a cometer crimes, não os aprova, não os encobre e deixa claro que todos devem responder pelos próprios atos perante Deus e as leis do homem'.
Scherer falou também da existência de 'uma ação organizada contra o Papa [Bento 16] para torná-lo responsável por todos os males'.
Nos últimos meses, a Igreja Católica vem sendo alvo de denúncias de abuso sexual contra menores que envolvem seus membros em diversos países, entre os quais Alemanha, Irlanda, Estados Unidos, Brasil, Suíça e Itália.
O arcebispo de São Paulo afirmou que é necessário avaliar as acusações.
'Criminalizar toda a Igreja não é justo, uma vez que os crimes foram cometidos por somente alguns e não por todos', apontou ele.
Mídia
Quanto às denúncias feitas pela imprensa contra Bento 16 são 'notícias forçadas e instrumentalizadas'.
As suspeitas afirmam que Bento 16 teria deixado de punir um sacerdote acusado de ter molestado 200 crianças surdas nos Estados Unidos e sabia que um padre pedófilo alemão retomara as atividades pastorais na arquidiocese de Munique e Freising, na época comandada por ele.
Ambas as acusações foram repudiadas tanto pelos representantes da diocese quanto pelo Vaticano.
Scherer declarou, no entanto, que é necessário reconhecer que a instituição tem falhas e que é preciso corrigi-las.
'Quando se indicam os defeitos na Igreja e em seus membros é porque se espera desta e de seus membros comportamentos e atitudes que tornem claros e perceptíveis os altos valores e ideias que ela prega e nos quais crê', acrescentou.
'Os refletores da mídia estão acesos sobre todos os males e fraquezas da Igreja, como se toda ela estivesse imersa na crise', disse. 'Cada pessoa bem intencionada sabe que não é assim. Devemos distinguir e não projetar indevidamente os comportamentos reprováveis de alguns membros e estendê-los a toda a Igreja', concluiu.
(Fonte: Ansa, do Vaticano)
Na sexta-feira (26/3), em Roma, o comando da Legião de Cristo rendeu-se às evidências sobre a vida dupla ou tripla do seu fundador, o padre mexicano Marcial Maciel (1920-2008) - na foto acima, aos pés de João Paulo II.
Num breve comunicado admitiu, consternado, que "são certas as acusações contra o padre Maciel, entre as quais se incluíam abusos sexuais a seminaristas menores". O comunicado renegando o seu fundador foi assinado pelo atual diretor-geral da ordem, Álvaro Corcuera.
A inédita proclamação foi para a primeira página dos jornais europeus de sábado (27). O prestigioso El País dedicou-lhe duas páginas, uma delas com enorme foto do pontífice João Paulo II recebendo em audiência o sacerdote mexicano que tanto apreciava e tanto estimulou.
O padre Maciel não era apenas um assumido pedófilo (El País prefere usar a nomenclatura técnica: pederasta). Também abusou de seus filhos quando eram pequenos.
Filhos? Além do pecado da sodomia, Marcial Maciel, quebrou os votos de castidade e viveu maritalmente com Blanca Estela Lara (que conheceu quando tinha 18 e ele 56 anos), com quem teve três filhos.
A família apareceu há dias na TV mexicana e uma das crianças, agora adulto, contou com escabrosos pormenores com o seu pai tentou violá-lo e o obrigava a masturbá-lo.
Nossos jornais e revistas não têm correspondentes no México. Mas têm em Roma. Nada disso foi publicado aqui nem no sábado, nem no domingo.
A Legião de Cristo funciona no Brasil desde 1985. Em 2006, quando Bento XVI determinou que Marcial Maciel (então com 84 anos) se dedicasse apenas às orações e penitências, o caso foi escondido. Não era notícia. Esta é uma das centenas de não-notícias que uma imprensa engajada e assumidamente confessional como a nossa não se sente obrigada a publicar.
É preciso lembrar que Maciel não era apenas um pecador (na linguagem religiosa), criminoso (em termos jurídicos) ou um tarado (em linguagem corrente) – era um militante político de extrema importância.
A ordem dos Legionários de Cristo (fundada em 1941) era o braço armado da direita católica. Prosperou durante a longa ditadura franquista na Espanha e expandiu-se no Novo Mundo apoiada por uma igreja identificada com o que havia de mais conservador no espectro político.
A ordem conta hoje – segundo El País – com 900 sacerdotes, 3 mil seminaristas e 70 mil membros laicos espalhados por 18 países, Estados Unidos inclusive. Tem educandários, universidades e conta com formidáveis apoios empresariais.
De acordo com Garry Wills (historiador emérito, jornalista premiado, autor de 40 livros), a Legião de Cristo aparece nos créditos da famigerada produção de Mel Gibson, A Paixão de Cristo, e, junto com a Opus Dei, tentou extrair do Vaticano um endosso espiritual para o filme (The New York Review of Books, 8/4/2004).
Importante registrar que as duas organizações e seus fundadores assemelham-se tão somente no aspecto ideológico e no incentivo que receberam do Vaticano.
Josemaria Escrivá de Balaguer (1902-1975), criador da Opus Dei, canonizado em 2002, tem uma biografia imaculada. A de Maciel é a de um patife: além das imoralidades pessoais, passava-se por alto funcionário da Shell e agente da CIA.
A confirmação das heresias e apostasia de Marcial Maciel veio muito tarde. Há 13 anos, um canal de TV mexicano (CNI Canal 40) preparou uma longa reportagem sobre os abusos cometidos por Maciel.
O diretor do programa, jornalista Ciro Gomez Leyva convidou Legionários a contestar as acusações. A partir daquele momento a pressão da Igreja mexicana e da própria presidência da República tornou-se brutal. O documentário foi ao ar, mas no dia seguinte iniciou-se um bloqueio publicitário contra a emissora.
"Um dos mais vergonhosos casos de censura da história do México", relembra Leyva. "O poder e a fortuna dos Legionários de Cristo conseguiram, durante anos, converter o sofrimento de dezenas de vítmas em conspirações falsas e infundadas" (El País, 27/3/2010, págs. 28-29).
Vergonhoso também é o comportamento da imprensa brasileira (exceto Veja), que até hoje não conseguiu dar seqüência à reportagem de Roberto Cabrini emitida no SBT no dia 11/3 sobre os abusos sexuais praticados por um monsenhor em Arapiraca (AL).
O Águia é o novo líder do returno do campeonato paraense. No complemento da segunda rodada, na noite desta terça-feira, o Águia derrotou o Ananindeua por 2 a 1, no estádio Zinho Oliveira, em Marabá. No primeiro tempo, Samuel Lopes abriu o marcador aos 43 minutos, cobrando pênalti. Na etapa final, o próprio Samuel marcou o segundo gol aos 4 minutos. Pelo Ananindeua, Gegê descontou em cobrança de falta, aos 8 minutos.
A renda divulgada foi de R$ 14.614,00 para um púbico pagante de 1.117 torcedores, com 290 credenciados, totalizando 1.407 expectadores. Apitou a partida Péricles Bassols Pegado Cortez (Fifa-RJ). Próximos jogos: pela terceira rodada, o Águia irá a Santarém no domingo (4) enfrentar o S. Raimundo às 17h, no Barbalhão. Na terça-feira (6), às 20h30, na Curuzu, o Ananindeua terá como adversário o Paissandu.
Classificação:
1º Águia, 6 pontos
2º Paissandu, 4 pontos (gols pró, 2)
3º S. Raimundo, 4 (gols pró: 1)
4º Remo, 3 (saldo: 0; gols pró: 3)
5º Cametá, 3 (saldo: 0; gols pró: 1)
6º Independente, 2
7º Ananindeua, 0 (saldo: -2)
8º Santa Rosa, 0 (saldo: -3)
A Polícia Federal, na companhia da Força Nacional e do Ibama, acabam de apreender 30.000 metros cúbicos de madeira de várias espécies em uma região do Município de Uruará, região Oeste do Estado, nas proximidades da rodovia Transamazônica. A PF investiga se a madeira foi retirada de uma reserva indígena. A apreensão possivelmente é a maior já realizada no Estado do Pará
Segundo o relatório, foi lavrado auto de infração no valor de R$ 2,8 milhões, com lançamento definitivo do crédito tributário em junho de 2007. Esgotadas as vias administrativas, Barbalho ingressou perante a Justiça Federal do Distrito Federal com ação anulatória de crédito tributário, cujo pedido liminar de suspensão de exigibilidade do crédito não foi acolhido. A exigibilidade do tributo foi suspensa pelo Tribunal Regional Federal com o deferimento de agravo regimental. Segundo a denúncia da PGR, esse fato não constitui óbice à persecução penal.
A denúncia atribui três condutas ao parlamentar:
a) Declaração à Receita Federal de que a maioria dos rendimentos auferidos era oriunda de atividades rurais, o que não teria sido comprovado em auditoria do Fisco; Barbalho foi acusado de forjar vendas de gado de corte para beneficiar-se de tributação mais favorável;
b) Segundo os auditores, Barbalho teria realizado gastos incompatíveis com as receitas declaradas, omitindo os rendimentos que cobriram os débitos apurados pelo Fisco;
c) Teria prestado informação falsa à Receita e deixado de recolher imposto sobre rendimentos do Senado a título de "Ajuda de Custo" e "Ajuda de Custo Extraordinária".
Na denúncia, o PGR requer "a instauração de ação penal, devendo ser observado o procedimento instituído pela Lei nº 8.038/90 (artigos 1º a 12, inclusive) até o julgamento final, com a
condenação de Jader Fontenelle Barbalho nas penas do artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90 por dezesseis vezes, combinado com o artigo 71 do Código Penal".
O advogado Helenilson Cunha Pontes, que representou o parlamentar no processo fiscal, acredita que Barbalho ainda não foi notificado da decisão do ministro Marco Aurélio. No gabinete do deputado, os assessores também ainda desconhecem a decisão.
(*) Inquérito 2.909
(Da Folha on line/Blog do Frederico Vasconcelos)
Dizem que em certos municípios tem mais pescador escrito para receber o seguro que eleitores cadastrados no TRE.
Esta semana um político recebeu um inusitado pedido de uma família do seu município, queriam que doasse malhadeiras para algumas famílias.
Sabedor de que as pessoas relacionadas para ganhar os apetrechos de pescas não são pescadores, indagou do cabo eleitoral o porque do pedido. Obteve como resposta que a Polícia Federal está investigando os beneficiários do seguro defeso e para se lhe livrar de responder um processo, precisam provar que possuem em casa pelo menos uma malhadeira.
Creio que a Polícia Federal não cairá na malha desta gente.
Está pautado para esta quarta-feira (31) o projeto (PDC 2302/09) que estabelece a realização de um referendo no Oeste do Pará e parte do Amazonas para que a população decida sobre a alteração de horário que atingiu essas duas regiões a partir de 2008.
De autoria do Senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), a proposta está pautada na CCTCI (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) e possui parecer do deputado Eduardo Gomes, do PSDB de Tocantins, favorável pela aprovação.
Com o referendo, a população poderá opinar se concorda com alteração do fuso horário (hoje com a mesma hora de Brasília) ou se prefere a volta do horário antigo (com 1 hora a menos que Brasília).
Aprovada, a proposta deverá ainda passar pela CCJ (Comissão e Constituição e Justiça) e, então, seguir a plenário. Na Câmara, o projeto chegou no dia 9 de dezembro do ano passado.
No Oeste, os municípios atingidos pela mudança em 2008 e que poderão opinar no referendo são: Alenquer, Almerim, Aveiro, Belterra, Curuá, Faro, Jacareacanga, Juruti, Itaituba, Monte Alegre, Novo Progresso, Óbidos, Oriximiná, Prainha, Rurópolis, Santarém, Terra Santa e Trairão.
O Paysandu está pegando um Ita no Norte e desembarca com toda corda no Campeonato Brasileiro. É tricampeão dentro de casa, é campeão do Norte e acaba de ser pra sempre consagrado na Copa dos Campeões. Pra mim, que também sou daquelas bandas, o Paysandu é bem mais que um bom time de futebol. Se o Flamengo é um estado d’alma, o Paysandu é a própria alma paraense. É pimenta de cheiro, é o Círio de Nazaré, é tacacá com tucupi, é Eneida de Morais, tia de Fafá, mãe de Otávio, campeão botafoguense. É palmito de bacaba, é Billy Blanco, é açaí, é Jayme Ovalle, inventor do Azulão, tom profundo do azul-celeste, campeão dos campeões. E sempre será também Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Jane Duboc, canto e contracanto ao violão de Sebastião Tapajós, fluente como o rio que lhe dá o sobrenome.
O Paysandu é feijão de Santarém, é farinha de mandioca, é jambu, é manga espada, é maniçoba que Raimundo Nogueira servia, declamando Manuel Bandeira:
“Belém do Pará, onde as avenidas se chamam Estradas. / Terra da castanha / Terra da borracha / Terra de biribá bacuri sapoti / Nortista gostosa / Eu te quero bem. / Nunca mais me esquecerei Das velas encarnadas, Verdes, Azuis, da Doca de Ver-o-Peso / Nunca mais / E foi pra me consolar mais tarde / Que inventei esta cantiga: Bembelelém, Viva Belém! Nortista Gostosa / Eu te quero bem.”
Paysandu, permita-me parafrasear Caymmi, cantando teu troféu de imensa glória: Agora, que vens para cá/ Um conselho que mãe sempre dá/ Meu filho, jogue direito que é pra Deus te ajudar.
Os custos atuais – entre R$ 200 e R$ 500 - podem ser reduzidos em até 50 vezes. Além disso, o corante natural tem menos toxicidade, já que as substâncias atualmente usadas nas cirurgias que usam corantes são a indocianina verde e azul-verde, mas que têm risco mais alto: se forem aplicadas em altas doses podem causar atrofia de uma das camadas da retina.
O coordenador do estudo, Maurício Maia, é professor do departamento de Oftalmologia da Unifesp. Ele informa que os testes com a substância estão na etapa final, já que o pedido de patente do corante natural foi oficializado e deverá estar concluído no mês que vem.
As pesquisas na Unifesp começaram no ano 2000 e incluíram diversas substâncias da flora brasileira. Três plantas tiveram resultados positivos, mas a antocianina – testada há pouco mais de um ano – se saiu melhor: além de colorir a membrana com um tom avermelhado, é menos tóxica para o olho humano, já que os pesquisadores fizeram ajustes para o neutralizar o Ph.
O estudo foi apresentado na semana passada no congresso mundial Vail Vitrectomy, que ocorreu no Colorado, Estados Unidos. Além de Maurício Maia, o grupo de 10 pesquisadores da Unifesp é formado por Jane Chen, André Maia, Cristiane Peris, Michel Eid Farah, Octaviano Magalhaes Jr., Acacio Lima, Eduardo Buchelle Rodrigues, Eber Ferreira, Fernando Penha e Rubes Belfort Jr.
Clique aqui para visitar a página do Departamento de Oftalmologia da Unifesp
Veja aqui uma reportagem da TV Gazeta sobre o corante natural
Do G-1
Ainda não se sabe quem vai construir a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (Pará), mas a cidade de Altamira, que será a sede administrativa da obra, já começa a receber pessoas em busca de trabalho e investimentos de empresários locais. O leilão que definirá os construtores da obra está marcado para o próximo dia 20.
Segundo dados do Sistema Nacional de Emprego (Sine) - que funciona como uma agência pública de emprego -, as 8.266 pessoas que se cadastraram em Altamira de janeiro a 25 de março deste ano já equivalem a quase o dobro das 4.218 de todo o ano passado.
"Está bem claro que estão chegando pessoas vindas de fora, temos casos do Maranhão, do Rio de Janeiro, do Amapá, de Rondônia. Gente que já trabalhou em fábricas, em montagem de estrutura metálica. Percebemos claramente quem é daqui e quem vem de fora. Muita gente vem aqui e diz: 'Eu vim entregar meu currículo para trabalhar na barragem", conta a diretora do Sine em Altamira, Elcirene Silva de Souza.
Elcirene, que dirige o Sine em Altamira, destaca, no entanto, que a oferta de vagas não aumentou na mesma proporção da procura.
"Atendemos não só gente de outros estados, mas de Belém e outras cidades do Pará. Mas também é preciso verificar que isso tem um lado negativo. No ano passado, atendemos mais de 4 mil pessoas e só colocamos no mercado de trabalho 2 mil. Acredito que se não houver uma grande oferta de vagas, vamos ter problemas sociais maiores do que os benefícios da barragem."
Durante visita do G1 ao Sine de Altamira, a reportagem encontrou Welerson Aires, de 25 anos, que havia chegado de Vespasiano, Minas Gerais, duas semanas antes, atraído por Belo Monte. "No ano passado passei o carnaval aqui e alguns amigos me convidaram para morar na cidade. Agora, achei que era um bom momento para vir", contou.
Aires cursou um ano da faculdade de administração, mas parou o curso. Ele não pretender trabalhar na construção, mas avalia que o empreendimento vai trazer oportunidades para fornecedores. "Não tenho profissão certa, mas gostaria de encontrar algo na área administrativa."
Jamil Massaru, que também se cadastrou no Sine de Altamira, tem um currículo de destaque, segundo a própria diretora da agência: trabalhou em uma empresa de máquinas no Japão nos últimos anos. Voltou ao Brasil há menos de seis meses e nesta semana resolveu se inscrever na agência.
"Voltei do Japão porque as coisas não estavam boas lá. Meu pai tem uma fazenda em Medicilândia (perto de Altamira), mas eu nem tinha pensado em procurar emprego por aqui. Quando soube da barragem resolvi me candidatar. Pode ser que alguma empresa japonesa atue na obra e queira alguém com experiência."
De acordo com o Sine de Altamira, a maioria dos currículos de pessoas de outros estados que chegou neste ano é de homens solteiros e com boa qualificação.
Investimentos
De olho no fluxo migratório para Altamira, empresários locais também já estão investindo na abertura de novos negócios e na expansão dos estabelecimentos.
O empresário Jorge Gonçalves, que também preside a associação comercial local, é dono de uma farmácia. No começo do ano, ele se mudou para um imóvel maior, com novas instalações, e ampliou seu quadro de funcionários de 12 para 16. "Ampliei para atender um maior número de pessoas com mais qualidade, de acordo com a necessidade que devemos ter em curto prazo", conta.
Além de investir na farmácia, Jorge também está construindo cinco apartamentos na parte de cima da farmácia. São imóveis de apenas um quarto para atender possíveis funcionários ou fornecedores da obra. "Quero alugar tanto para escritório quanto para residência. A entrega será até o final de maio, que é quando a cidade já deve estar mais movimentada por causa da obra."
O empresário Daniel Nogueira, que até o ano passado trabalhava com distribuição de gás de cozinha, se juntou com o irmão Antoniel para concretizar os planos de construir um hotel.
"Já tínhamos plano de construir, mas a proximidade da barragem foi responsável pela decisão de investir", diz Daniel, que inaugurou o Amazon Xingu no fim do ano passado.
Daniel Nogueira considera que a hidrelétrica é um incentivo para o empresariado local. "Os empresários estavam desanimados. A discussão em torno da obra já é antiga, mas desta vez as pessoas creem que vai dar certo", diz.
Segundo o proprietário do hotel, o imóvel tem área para expansão, se necessário. "Já investimos alto agora, mas temos área para expandir se for preciso, Mas agora é preciso ter cautela, esperar como as coisas vão ficar", afirma Daniel, que diz se preocupar com o aumento da violência e com a falta de políticas públicas na região com o aumento populacional.
Migração
A secretária de Assistência Social de Altamira, Socorro do Carmo, afirma que algumas famílias já estão chegando à cidade e pedindo o auxílio da prefeitura.
"Até agora, o fluxo maior é de pessoas com recursos. Mas nossa expectativa é de que venham muitas famílias sem casa, sem nada. E não temos condições de receber essas pessoas agora. O objetivo é que a empresa vencedora do leilão se responsabilize", diz.
Para o procurador do Ministério Público Federal no Pará, Ubiratan Cazetta, nenhum dos municípios que abrigarão a hidrelétrica tem capacidade de atender, com políticas públicas, as pessoas que chegam. Ele afirma que isso é motivo de preocupação e que o tema será acompanhado pelos procuradores.
"O licenciamento [da hidrelétrica] fala em política pública para atender as cidades afetadas, mas não delimita de quem é a responsabilidade. A simples divulgação da licença já atrai público. O Ministério do Trabalho disse que não era dono da obra. Em tese o vencedor do leilão será o responsável. O fato é que o problema já está instalado."
De acordo com o governo federal, a empresa vencedora do leilão da hidrelétrica, marcado para o dia 20 de abril, vai ter arcar com os impactos sociais da obra nas cidades afetadas. O valor previsto em contrapartidas é de R$ 3 bilhões.
Obra
Além de Altamira, a hidrelétrica ocupará parte da área de outros quatro municípios: Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu. Altamira é a mais desenvolvida e tem a maior população dentre essas cidades, com 98 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os demais municípios têm entre 10 mil e 20 mil habitantes.
A região discute há mais de 30 anos a instalação da hidrelétrica no Rio Xingu, mas teve a certeza de que o início da obra se aproximava após a concessão em fevereiro, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), da licença para início da construção. Há duas semanas, o governo marcou a data para o leilão.
Belo Monte será a segunda maior usina do Brasil, atrás apenas de Itaipu, e custará pelo menos R$ 19 bilhões, segundo o governo federal. Trata-se da segunda maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das principais bandeiras do governo Lula.
Lúcio Flávio Pinto
Editor do Jornal Pessoal
A boataria segue desenfreada sobre as articulações para as próximas eleições. Há de tudo no cardápio. Menos o atendimento dos verdadeiros interesses públicos. Povo? Só para votar.
Segundo se diz das pesquisas, o deputado federal Jader Barbalho está em primeiro lugar tanto na disputa para o governo do Estado quanto para o Senado. Sobre sua reeleição para a Câmara não há sondagens: ela é dada como certa. Mais do que isso: ele seria o campeão dos votos, podendo eleger mais dois ou três deputados federais para a bancada do PMDB. Jader estaria então com a faca e o queijo na mão, podendo decidir à vontade sobre o que pretende ser e com quem deseja se aliar?
Pelo contrário: ele está numa situação mais difícil do que a de 2006. Na eleição de quatro anos atrás Jader tomou a iniciativa de acertar a aliança com o PT em Brasília e montou a estratégia, que foi bem sucedida. Lançou um candidato próprio, o primo José Priante, que teve votos suficientes para garantir a passagem da petista Ana Júlia para o 2º turno, impedindo que o tucano Almir Gabriel vencesse no 1º turno. Na nova eleição, o apoio a Ana se ampliou pelo desejo de muitos setores de pôr fim aos 12 anos de hegemonia do PSDB no Pará, independentemente de quem colocar no lugar de Simão Jatene.
Jader imaginou que seria o fiador e a eminência parda do governo de Ana Júlia, dando as cartas como quisesse. Isso não aconteceu. A cada desgaste se seguia uma negociação para restabelecer a aliança precária, na qual os parceiros desconfiavam uns dos outros. Mas houve tantos desgastes e tantas negociações que o acordo de 2006 parece ter chegado ao fim. O próprio Jader tem dito a interlocutores que não quer mais nada do governo do Estado. Seu jornal, o Diário do Pará, faz oposição cerrada à administração petista, todos os dias, com ou sem razão sobre o que noticia. A orientação é bater no ponto mais vulnerável da governadora: sua imagem, bastante desgastada, contribuindo para aumentar ainda mais seu já elevado índice de rejeição.
A tradução lógica desses fatos é que, desta vez, o PT vai encontrar o PMDB do outro lado do palanque. Mas com que chapa? Se as pesquisas fossem servir de parâmetro, com Jader Barbalho na cabeça. Nas suas intensas peregrinações pelo interior, ele garante que voltará a disputar o governo. Para os mais íntimos, confessa que é seu desejo. Mas o realismo lhe impõe freios. Sem dúvida ele passaria para o 2º turno, colocando o candidato tucano para fora do ringue (e de volta à pescaria).
Mas qual será o efeito do seu também alto índice de rejeição quando a decisão estiver polarizada, provavelmente com Ana Júlia? Qual deles se apresentará aos indecisos, aos céticos e aos contrários como “o menos pior”, o menor dos males? Ainda não há uma resposta a essa questão. Ela continua a ser uma incógnita. Como a eleição deste ano no Pará de modo geral.
Então Jader preferirá o Senado, para o qual sua vitória também é tida como certa. Mas o que acontecerá quando entrar de novo na Câmara Alta? Terá que se submeter à tática do gato e do rato, sempre fugindo da notoriedade, que adotou na Câmara Baixa, mas que talvez já o tenha cansado? Com quase sete vezes menos parlamentares no Senado e maior atenção pública, é provável que não seja bem sucedido. Logo se tornará alvo da grande imprensa, sempre que ela precisar de um símbolo do mau político, ainda que muito influente. Seu passado não deixará de ser lembrado e os processos retomarão seu rumo. Jader ainda não foi alcançado pela lei, mas parece estar condenado ao estigma do mau político até o fim.
A melhor opção, em tese, é também a mais arriscada: tentar voltar ao poder executivo estadual, com poder de mando direto e saindo do foco nacional, para preparar novas alternativas no futuro. O problema dessa via é que uma derrota deixaria Jader Barbalho inteiramente exposto e à mercê dos seus adversários. Mas se é seu desejo íntimo um terceiro mandato como governador pelo voto direto, o que Almir Gabriel tentou e não conseguiu, esta é a oportunidade, ainda que temerária. Talvez a última.
Qualquer candidato que decidir enfrentar Ana Júlia terá que levar em consideração a força da máquina oficial. Apesar da rejeição recorde à governadora, e por isso mesmo, ela está tentando todos os meios para dar ao aparato do governo aquele poder decisório que ele costuma ter até o dia da votação. O problema é que a máquina tem rateado muito. A receita própria do Estado sofreu uma perda maior do que a que pode ser debitada à crise internacional. A parcela da incompetência nesse total não pode ser minimizada, assim como o efeito dos canais de perdas e fugas de receita. Para manter a engrenagem em funcionamento, o governo precisou do socorro de Brasília, que providenciou transferências voluntárias compensatórias, e de mais operações de crédito, em volume crescente.
Essa demanda se tornou tão acentuada que deu aos ex-aliados e oposicionistas uma arma que estão usando, ao impedir a aprovação de dois novos empréstimos (mas fechando questão sobre o maior deles, de 366 milhões de reais, porque de pleno uso do Estado), e irão usar ainda mais, mesmo se o dinheiro acabar saindo, necessariamente dividido (os outros R$ 190 milhões para obras do PAC). Assim, a sorte do PT no Pará dependerá ainda mais de Brasília agora do que quatro anos atrás. O Palácio do Planalto estará em condições de responder a essa necessidade? Terá interesse em fazê-lo? Poderá fazê-lo?
Se tiver que se sujeitar a dois palanques, o PT nacional, além de ficar impedido de promover a presença física de Lula no Pará, precisará abrir dois ou mais canais de diálogo (e de ajuda) com seus outros aliados nacionais, como o PMDB, o PTB e o PR. A situação ficará mais complicada se esses três partidos se unirem contra Ana Júlia (com a possibilidade de a eles se agregar o PDT, que tem ganhado consistência).
Essa hipótese vem sendo cogitada, mas parece que ninguém ainda encontrou um jeito de torná-la exeqüível. Há o estorvo da ação do PMDB pela cassação de Duciomar Costa, do PTB, em pleno andamento. José Priante, que assumiria com o afastamento do prefeito de Belém, garante ir até as últimas conseqüências. A tendência dominante parece ser no sentido de punir Duciomar, mas não há motivos para ter convicção de que a ação tramitará com a celeridade necessária.
Se Duciomar for cassado pela justiça eleitoral, seu vice, Anivaldo Vale, cabeça do PR, também será atingido. Seu partido, que cresceu tanto quanto o PMDB na conquista de prefeituras no interior, vem sendo seduzido pelo PT, que considera a adesão do PR – e talvez também do PTB – garantia de vitória. Sem a possibilidade de uma aliança geral, que harmonizaria os interesses, resta saber quem ganhará esse cabo-de-aço.
A tendência que parecia mais certa, a de medidas protelatórias ou acertos para evitar os processos de cassação, foi invertida com a decisão de transferir o caso para a justiça federal. Para evitar ficar sem mandato e poder ainda entrar na disputa eleitoral deste ano, Duciomar e Anivaldo teriam que renunciar aos seus atuais mandatos. Poderiam se candidatar ao Senado, o primeiro, e a vice-governador, o segundo (ou, quem sabe, o governador, se Jader acabar preferindo a reeleição). Nesse caso, José Priante não assumiria a prefeitura de Belém, hipótese que só teria respaldo legal se houvesse cassação. O preenchimento do cargo abriria uma nova frente eleitoral e política, engrossando ainda mais o quadro da disputa de outubro.
Haveria lugar para encaixar o DEM nesse esquema hipotético? Vic Pires Franco sua não é mais capaz de assegurar reeleição a deputado federal com votação própria. Para ele, o melhor seria que sua esposa, a ex-vice-governadora Valéria Pires Franco, fosse candidata ao Senado, arrastando-o consigo. Mas essa dobradinha só teria força com a benção de Jader, que não parece animado a concedê-la. Talvez pressentindo que o caminho está bloqueado, Vic se volta novamente para o grupo Liberal, do qual se afastara, que passara a criticar e pelo qual fora colocado no índex, justamente pela aproximação com Jader. Reatarão mais uma vez?
A posição do grupo Liberal (ou, melhor dizendo, as diversas posições que assume, de acordo com a mudança dos ventos) é um indicador do ziguezague (e mesmo da biruta) das negociações entre os vários pretendentes ao poder. O jornal dos Maiorana, que já fez ironia e campanha contra Ana Júlia, agora lhe dá destaque e relativa defesa em relação aos ataques do Diário do Pará. A posição face a Duciomar variou do apoio incondicional, à cobertura discreta, à crítica (quando as conversações com Jader começaram) e a uma atitude mais ou menos neutra (conforme a veiculação da propaganda oficial do município). O que indica que nada ainda está decidido, apesar de tanta movimentação em (e entre) todos os grupos.
Se houver uma polarização entre dois candidatos com alto índice de rejeição, seria possível a formação de uma expectativa para uma surpresa, uma zebra? À falta de um verdadeiro tertius até agora, é nesse espaço que o ex-governador Simão Jatene está se movimentando. Suas excursões ao interior, sob a bandeira do Instituto Teotônio Vilela, o apresentam em sua face de técnico, administrador experiente, para contrastar com a improvisação e o despreparo dos seus sucessores. A abordagem tem rendido alguns bons resultados aos tucanos. O pior, porém, ainda aguarda Jatene – e em sua própria casa.
O ex-governador Almir Gabriel transformou em obsessão evitar que seu antigo secretário e homem de confiança seja o candidato do PSDB. O trabalho inclui desde espalhar boatos contra Jatene até desafiá-lo na convenção do partido. Um dos argumentos mais constantes de Almir para se opor a Jatene é de que ele está sob o controle da antiga Companhia Vale do Rio Doce.
Alguns chegaram a espalhar que o ex-governador era empregado da mineradora, mas o que parece ter havido foi (ou ainda é) uma relação contratual: Jatene prestou assessoria à empresa, elaborando um estudo sobre os investimentos que a ex-estatal poderia fazer no Pará. Na retórica agressiva que Almir adotou, esse detalhe é irrelevante. Em duas palestras que fez e nos contatos pessoais, transformou a Vale em inimigo público número um do Estado. E, claro, se apresenta como o Dom Quixote para brandir suas armas contra esse moinho.
Talvez esse discurso tivesse bons efeitos, se não soasse tão fora do tempo. Ainda assim, Almir Gabriel diz ter recursos para, se não inviabilizar, enfraquecer a candidatura de Jatene. Caso o nome do ex-amigo seja confirmado pelos convencionais do PSDB, é bem provável que Almir passe a apoiar a candidatura oposta à de Jatene. Inclusive a de Jader. Sepultará sua biografia sem direito a epitáfio.
Surpresa? Se é, outras poderão ainda surgir nesta fase final de composições para a eleição de outubro, na qual vale tudo. Na defesa dos seus interesses pessoais e corporativos, os políticos são capazes do impossível (como fazer boi voar) para fortalecer suas candidaturas e conseguir o almejado mandato. Só quando tudo estiver concluído é que deverão começar a pensar naquele que devia ser o personagem central dessa história: o eleitor. Não para promover sua melhoria de vida, mas para conseguir o seu voto, mesmo que através de trapaça. Não a primeira e por certo não a última.
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