terça-feira, 11 de outubro de 2011

TST determina fim de greve dos Correios

Fábio Amato
Do G1, em Brasília

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu nesta terça-feira (11), durante julgamento do dissídio coletivo dos Correios, que a greve da categoria não é abusiva. Entretanto, o tribunal autorizou a empresa a descontar dos funcionários sete dos 28 dias não trabalhados. E determinou a volta ao trabalho a partir de quinta-feira, sob pena de multa.

Começou o carnaval em Santarém

Bloqueio na Transamazônica dura mais de 60 horas


Já dura mais de 60 horas a interdição da Br 230 ( Transamazônica), na altura do Km 100, entre Anapu e Altamira. Cerca de 700 agricultores dos Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS), Pilão Poente I, II e III localizados no município de Anapu , fecharam a rodovia federal no último domingo ( 09), em protesto  contra a falta de abertura e conservação de 90 quilômetros de estradas vicinais que dão acesso aos assentamentos.

Segundo Pedro dos Santos, coordenador regional da Federação dos Trabalhadores em Agricultura  (Fetagri), as obras que serão custeadas com verba federal através do Instituto de Colonização e Reforma Agrária ( Incra), aguardam apenas  um licenciamento ambiental de responsabilidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente ( Sema), para que a empresa GG do Prado de Mato Grosso,  que ganhou a licitação,  possa dar início aos trabalhos. “ Nosso maior problema hoje é o estado”. Adiantou Pedro.

De acordo com a assessoria de comunicação da Sema,  a assessoria jurídica da secretaria emitiu hoje o parecer favorável para as obras nos  PDSs.

No inicio da tarde desta terça feira (11), a presidência do Incra informou em nota que já adotou providencias para  quitar os débitos junto a empresa GG do Prado pela prestação de serviços e que a empresa se comprometeu em mobilizar os equipamentos para o início das obras até na próxima terça feira (18).

Os agricultores se reúnem em assembléia e decidem na manhã desta quarta-feira (12), se desocupam a estrada ou se aguardam a chegada do maquinário para começar os trabalhos.

Devido a ocupação da rodovia, uma fila de pelo menos  100 quilômetros já se forma ao longo da Transamazônica.(Iolanda Lopes)

Combate à desnutrição infantil comemora resultados

A desnutrição infantil vem diminuindo progressivamente a cada ano nas comunidades remanescentes de quilombos que habitam as margens do alto rio Trombetas, no oeste do Pará. A boa notícia é resultado do trabalho do projeto Quilombo, desenvolvido pela Fundação Esperança de Santarém, com apoio da Prefeitura de Oriximiná e patrocínio da Mineração Rio do Norte. Em 2000, o registro de desnutrição de crianças de zero a cinco anos nas comunidades atendidas era de 39%. O número caiu para 7% em 2011

Além do atendimento nutricional, o projeto ainda realiza atendimento de medicina geral e exames laboratoriais, ginecologia, pré-natal e dá orientação sobre planejamento familiar.

O projeto beneficia as comunidades de Tapagem, Sagrado Coração de Jesus, Cachoeira Porteira, Abuí, Mãe Cué, Palhal, Juquiri, Jamari, Curuçá Mirim , Água Fria, Ajudante, Batata, Erepecú, Paraná do Abuí, Boa Vista e Moura. Mas a operacionalização dos atendimentos acontece em três comunidades pólos – Tapagem, Jamari e Moura.(Ascom/MRN)

Torcerá, a porca, o rabo?


Do Blog do Parsifal

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Informa o Blog do Bacana, assinado por Marcelo Marques, que “está em fase terminal” uma investigação da Polícia Federal “envolvendo um esquema de arrecadação ilegal de fundos para a última campanha”.

Trata-se da surrada prática de usar auditores da receita estadual para achacar empresários devedores do fisco para, a troco de deixar de autuá-lo, receber uma generosa contribuição para a campanha.

Segundo a postagem do citado blog, o esquema foi denunciado “por gente de dentro da própria SEFA” e estariam envolvidos “um eleito deputado federal do PT e um deputado estadual.”

Para arrematar a dor de estômago que estas notícias dão em quem tem culpa no cartório, em outra postagem, do mesmo blog, é relatado que o ex-secretário de Meio Ambiente do Estado, Aníbal Picanço, “esteve depondo na Polícia Federal”, e “colocou um deputado federal do PT na guilhotina.

Por coincidência, nos dois casos, o deputado federal é o mesmo.

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Nota da redação:


Será o deputado federal Cláudio Puty?

Lira Maia e Parsifal dão conta do recado no "Argumento". Ganzer foi nulo.


Do Blog do Colares

O programa "Argumento", apresentado por Mauro Bonna, na RBA, entrevistou ontem parlamentares a favor e contra Carajás e Tapajós.O primeiro a ser entrevistado foi Lira Maia (na foto). O deputado por Santarém saiu-se muito bem. Discurso consequente, números na ponta da língua. Conseguiu ser claro, elegante e conciso. Demonstra claramente o preparo de um veterano. A estratégia de Carajás e Tapajós de dar destaque aos políticos paraenses está se mostrando cada vez mais correta. 

A simples presença de Lira Maia engessa o discurso rasteiro contra os "forasteiros". Neutralizado isso, restou a ele provar que a Região Metropolitana de Belém concentra 54% do Produto Interno Bruto (PIB) do Pará e que os ganhos decorrentes da nova repartição dos recursos federais beneficiará o Novo Pará. 


Marcou um belo tento ao afirmar que a criação dos novos estados possibilitará construirmos o maior plano de desenvolvimento regional de todos os tempos no Norte do Brasil e saiu rapidamente da armadilha armada por Bonna sobre a questão do "tamanho" dos novos Estados. Frisou que está discussão não é central. Além disso lembrou que 74% da área do Tapajós é destinada à proteção ambiental ou terra indígena, assim os três estados terão territórios equivalentes.

Se o que preocupa os belenenses é o "tamanho", Lira mostrou que não há razão para tanto complexo de inferioridade.

Justiça tributaria e industrialização para estados mineradores



Nesta segunda-feira (10), o presidente da Comissão de Finanças e Tributação, deputado federal Cláudio Puty (PT-PA), protocolou na Câmara a Proposta de Emenda à Constituição - PEC 92/2011, que torna sem efeito a Lei Kandir no que se refere à exploração de recursos não-renováveis.

“A preocupação do governo Fernando Henrique Cardoso, na época da criação da Lei Kandir, foi justa. Mas com um tempo, se revelou uma covardia para os estados mineradores, particularmente Minas Gerais e Pará”, justificou o deputado sua iniciativa.

A Lei Kandir foi criada, em 1996, para fomentar as exportações brasileiras em um momento de graves restrições na balança de pagamentos e problemas na balança comercial do país.

“Atualmente os problemas econômicos e estruturais enfrentados pelo Brasil e o mundo são outros. Hoje, enfrentamos a desindustrialização, a guerra cambial instaurada e os problemas econômicos no centro do Capitalismo”, lembrou Cláudio Puty. “Esta norma caminha em direção oposta ao desenvolvimento dos estados mineradores e do Brasil”.

Por meio da Lei Kandir, o governo beneficia empresas mineradoras, altamente rentáveis, concedendo isenção de tributos para exportação de commodities de alto preço nos mercados internacionais.

Segundo cálculos do Tribunal de Contas do Estado do Pará, no último ano, os cofres estaduais foram privados em cerca de R$ 2 milhões por causa da isenção de impostos pela Lei Kandir. O Pará tem um orçamento anual que supera pouco mais de R$10 milhões ao ano.

“Não se encontra na teoria econômica fundamento para tal covardia. Pois não se pode fomentar a isenção tributária a uma atividade como a extração de minério que um dia se esgota. A isenção aumenta a produtividade das mineradoras, que aproxima ainda o fim dos minerais e não gera recursos para garantirmos a industrialização das áreas exploradas”, analisou Puty.


O deputado Cláudio Puty ainda defende que o fim da Lei Kandir para a exportação de bens não-renováveis deve ser vinculado a criação de um fundo de fomento a industrialização, a ciência e a tecnologia. “Assim garantiremos recursos para verticalização produtiva, o que é fundamental para mudarmos o rumo do Brasil minerador”, disse o parlamentar.(Erika Morhy)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Fafá e Jatene cantam 'Romaria'










A cantora Fafá de Belém fez uma apresentação especial, na Estação das Docas, durante o período em que a imagem de N. Sra. de Nazaré percorreu a av. Castilhos França.

A cantora recebeu um grupo de personalidades no palanque armado pela OS Pará 2000, que administra a Estação.

Fafá interpretou 'Ave Maria', fez dupla com o padre Fábio de Melo e também como governador Simão Jatene, com que cantou "Romaria", quando a berlinda já alcançava a avenida Presidente Vargas.

As fotos são de Miguel Oliveira

Buscas ao corpo do médico prosseguem



Amigos do médico Paulo Jennings, desaparecido no rio Amazonas desde as 15 horas da última sexta-feira, próximo à comunidade de Januária, partem de Santarém agora de manhã de lancha até o local do sinistro transportando combustível para abastecer as pequenas embarcações que fazem busca para encontrar o corpo do médico.

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Atualização às 18h20:

Passado mais de 48 horas de seu desaparecimento, o corpo de Paulo Jennings ainda não foi encontrado pelas equipes de busca.

sábado, 8 de outubro de 2011

Médico mergulha no rio Amazonas e desaparece


O médico Paulo Jennings, santareno radicado em São Paulo, desapareceu hoje à tarde,no rio Amazonas, proximo à comunidade de Januária, município de Óbdios, depois de ter mergulhado do toldo do barco Aruã, fretado por um grupo de amigos do cardiologista para uma pescaria.

Até o início da noite, mergulhadores do Corpo de Bombeiros fizeram buscas nas redondezas, mas não encontraram o corpo de Paulo Jennings.

As buscas prosseguem amanhã.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Capa da edição de sábado de O Estado do Tapajós

Bispo Dom Esmeraldo confirma seu apoio ao Tapajós

“Eu sei que com o Estado do Tapajós, as mudanças não virão imediatamente como num passe de mágica, mas com certeza, pior do que está não vai ficar”, disse o bispo Dom Esmeraldo, durante reunião com membros da Frente Pró-Tapajós, realizada hoje de manhã, na Cúria da igreja matriz de Nossa Senhora da  Conceição.

Durante a reunião o bispo Dom Esmeraldo, pediu uma avaliação geral das atividades que a Frente vem desenvolvendo, para entender a dinâmica da campanha e saber o que de fato ainda precisa ser feito, para garantir o sucesso da criação dos novos estados.

Almoço do Círio no Doca Reduto

Posse de João Goulart é esquecida


Lúcio Flávio Pinto

Em 7 de setembro de 1961 o advogado gaúcho João Belchior Marques Goulart, aos 42 anos, tomou posse como presidente da república, depois de duas das mais dramáticas semanas da história brasileira. Esperei pela comemoração – ou ao menos o registro – adequado da data até o último dia de setembro. Para meu espanto, num país dado às efemérides, nada veio. O cinqüentenário redondo passou em branco.

É incompreensível. Naqueles dias, o Brasil esteve às portas de uma guerra civil, que certamente seria muito pior do que a insurreição paulista de 1932. A insubordinação de São Paulo às então ensaiadas pretensões ditatoriais de Getúlio Vargas não passou de ensaio para um confronto direto entre dois poderes, o político e o empresarial. Seu símbolo maior foi a batalha de Itararé, aquela que nunca houve.

A tradição brasileira de ruptura da ordem constitucional, sempre declarada como democrática na lei suprema, vinha sendo a dos golpes pelo telefone. Os chefes militares se comunicavam para medir forças e aquele que tivesse mais efetivos era declarado vencedor, fazendo-se a sua vontade. As tropas podiam ir às ruas, mas o fator decisivo era a confabulação dos seus comandantes.

A crise desencadeada em 25 de agosto de 1961 se apresentava completamente original, mesmo na tradição dos pronunciamentos militares do continente ibero-lusitano nacionalizado. Em pleno dia do soldado, o presidente da república amanhecia com um pedido de renúncia irrevogável do cargo. Mesmo o mais fecundo dos profetas acordara naquele dia certo de que o feriado seria o de rotina. Crises havia, de diversas naturezas. Mas a autoridade do advogado e professor de português Jânio da Silva Quadros, de 44 anos, permanecia intocada.

Essa autoridade provinha de uma votação popular maciça na eleição do ano anterior. Embora fosse o vitorioso com 48% dos votos (não havia então a necessidade de maioria para evitar o 2º turno, como hoje; era turno único), obteve a maior quantidade de votos (seis milhões) conferida a um político no Brasil (10% do que Lula recebeu em 2006) e a mais larga das diferenças já impostas ao concorrente mais próximo, o prussiano marechal Henrique Duffles Teixeira Lott, ex-ministro da guerra (ministério extinto em 1964, junto com a patente de marechal).

Seria, finalmente, a derrota de Vargas, ditador por 15 anos a partir da revolução dos tenentes em 1930 e presidente constitucional entre 1951 e 1954, quando se suicidou para não ser deposto e deixou sua carta-testamento como a bandeira de luta do trabalhismo, a vertente mais anti-golpista da política institucional brasileira.

Jânio era candidato de uma coligação liderada pela UDN (União Democrática Nacional), um amplo espectro de matizes ideológicos, do centro à direita, dedicado permanentemente a riscar do mapa o legado de Getúlio. Seus principais líderes eram as famosas viúvas carpideiras, a rondar permanentemente os quartéis emulando golpes de estado.

Mas Jânio não era a UDN. Era, na verdade, o seu oposto. Em sua mente atormentada as palavras do ditador populista grelavam como sementes híbridas. Imposto aos udenistas por falta de candidaturas mais fortes para enfrentar a coligação PSD/PTB, que estava no poder, Jânio foi aceito a contragosto. Seria o aríete para derrubar o portal getulista. Depois, seria abandonado.

O raciocínio, com objetivo oposto, era partilhado pelo governador de São 
Paulo, detentor da mais meteórica carreira política registrada até então (de vereador a chefe do executivo estadual em eleições sucessivas e memoráveis, uma atropelando o mandato conquistado na anterior). Jânio criou o Movimento Popular JQ para ter uma estrutura própria, inteiramente sob o seu controle, à margem da UDN e de todos os demais partidos organizados, que lhe causavam repulsa (rejeição partilhada pelo eleitor médio, carente de heróis, suscetível aos carismas).

Era a primeira ferramenta para o golpe, que provavelmente já deambulava pelo seu cérebro, em meio a vapores etílicos. Estratégia que se confirmou quando, na presidência, designou interventores informais em todos os Estados, como delegados pessoais, aptos a cumprir suas ordens. Essa estratégia combinava com a manobra anterior, durante a campanha eleitoral: ao invés de apoiar seu companheiro de chapa, o mineiro Milton Campos (daquele grupo de udenistas refratários ao golpismo de Carlos Lacerda), mandou carregar a votação em João Goulart, o vice do marechal Lott. Jango foi o eleito (a votação nessa época não era casada: podia-se votar no presidente de um partido ou coligação e no vice de outro grupo). Com camuflagem, o varguismo prosseguia, combinando populismo com desenvolvimentismo.

Lacerda, governador da Guanabara (Estado-fantoche criado pela mudança da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília), criou uma crise séria ao juntar fatos desconexos, misteriosos e insondáveis, mas plenamente verossímeis, e acusar – embora por linhas tortas – o presidente de estar preparando um autogolpe para se tornar ditador. A repercussão era grande. Mas não inviabilizava o prosseguimento do governo.

Daí a surpresa chocante com aquela carta de renúncia, tosca e inconvincente. Era inspirada na carta-testamento de Getúlio Vargas. Mas, fora do mesmo contexto, soava como farsa, na repetição forçada. Seu eixo era a referência a “forças ocultas” que teriam inviabilizado o presidente de exercer o seu mandato. Ocultas era o que as forças opostas a Jânio não eram. Estavam todas escancaradas.

Hoje, a interpretação mais consolidada é de que JQ imaginou o golpe como uma maneira de se livrar dos partidos e do parlamento para poder governar com plenos poderes. A reação popular seria tão devastadora que ninguém mais se atreveria a se colocar em seu caminho. Saindo só, ele voltaria nos braços do povo, que lhe dera, nove meses antes, uma vitória sem paralelo na política nacional. E estaria disposto a fazer de sua manifestação um referendo plebiscitário total. Jânio poderia mandar no Brasil de slack, transmitindo ordens por bilhetinhos, fazendo o que lhe desse na veneta – sem deixar de bebericar seu uísque, em grandes goles, é claro.

O esquema explicativo se amolda como luva aos fatos, mas não esgota a explicação. Nela, há um componente de subjetividade que desafia as teorias sobre determinação em última instância, resultante de condições objetivas e globais. A personalidade encontra aí asas para voar. A manobra janista, por sua marca de extemporaneidade e rapidez, talvez tivesse inviabilizado o efeito pretendido.

Como na proclamação da república, chefiada por um monarquista da véspera, o povo viu de fora os acontecimentos, “bestializado”, na expressão do jornalista Aristides Lobo. Como se não fosse ator no cenário. Tomando a decisão ao alvorecer de um feriado nacional, depois de uma madrugada insone regada a malte escocês, o presidente agiu como num solilóquio, tão magistral que ecoaria pela extensão continental do Brasil como um chamado às armas.

As horas seguintes mostrariam que ele delirava (em delirium tremens?) ao pensar assim. Mas o golpe não estava inviabilizado de todo. Os chefes militares se apresentaram logo diante do presidente e lhe garantiram sustentação armada para que reassumisse o cargo e desse as ordens a serem cumpridas. Patético foi o apelo do principal dos chefes, o marechal Odilo Denys, o mesmo que incitara o marechal Lott a colocar as tropas nas ruas para prevenir o golpe udenista de novembro de 1955, contra a posse do primeiro sucessor do varguismo, o mineiro Juscelino Kubitscheck de Oliveira.
Denys sabia que, dentro da ordem constitucional, a única opção que havia era a posse do vice-presidente João Goulart. Em posição invertida em relação ao episódio de seis anos antes, agora era a vez de o marechal sair da legalidade para convalidar a ilegalidade.

Tudo, menos o herdeiro direto de Getúlio, que os militares conseguiram apear de um cargo chave, o Ministério do Trabalho (onde Jango concedera o maior aumento ao salário mínimo em todos os tempos, de 100%), sem conseguir impedi-lo de permanecer à soleira do poder máximo, como vice-presidente (mas, ao menos, como figura decorativa até então). Era a projeção do fantasma do vizinho peronismo assustando as almas penadas da geopolítica continental.

Talvez ser referendado por chefes militares não estivesse no script montado na mente de Jânio. Talvez aí incidisse alguma reflexão sua sobre as relações de Adolfo Hitler com a Wehrmacht, o exército alemão. Para não ficar nas mãos dos generais (nem da SA, o braço armado de Röhem), Hitler criou a SS, forças armadas paralelas e de elite, apesar de suas enormes fileiras.

Os generais não gostaram, mas todas as tentativas que fizeram para matar Hitler fracassaram. O führer foi o líder e o comandante supremo até se suicidar, no bunker de Berlim, para não cair nas mãos dos russos, como aconteceu a centenas de milhares de homens que ele mandou para o front de guerra (sem nunca visitá-los na devastadora frente oriental).

Por esse ângulo o paralelismo é descabido, mas não o esquema que desencadeou a manobra de Hitler, como a de Jânio. Ele recusou o apoio dos comandantes militares e voou imediatamente para São Paulo. Mas permaneceu ainda por longo tempo na base aérea de Cumbica à espera do ribombar das multidões consagradoras, que não veio.

Assim, a marcha sobre Brasília não teve o mesmo sucesso da romana, que Benito Mussolini comandara quatro décadas antes, na infletida ascendente dos fascismos. O capítulo Jânio Quadros da história brasileira só não se encerrou de todo naquele momento porque Fernando Henrique Cardoso, do alto da presunção tucana, três décadas depois, proporcionou-lhe, involuntariamente, a última aparição (já fantasmagórica) em cena, na prefeitura de São Paulo. O demiurgo da democracia brasileira ainda se valeu dos votos do povo para tirar proveito do erário.

O golpe contra Jango fora armado pelo próprio Jânio. Mandara o vice-presidente à odiada China Comunista como peça de encaixe da trama urdida. A presença do herdeiro de Getúlio entre comunistas, que amanheciam comendo crianças no café, na doutrina da guerra fria, reforçaria a necessidade de rebater a renúncia com a concessão de plenos poderes ao presidente-estadista. Ele tinha rompantes alucinados, como ao conceder a maior honraria brasileira ao líder cubano Che Guevara, dias antes, mas possuía a autoridade e a legitimidade sacramentadas junto ao povo. Dessas qualidades a conspirativa UDN (castrense ou civil, além de anfíbia) era carente.

Sacramentada a renúncia de Jânio, começou uma nova manobra golpista, para impedir a sucessão constitucional com a posse do vice-presidente eleito pelo povo. O amoldável deputado federal paulista Ranieri Mazzilli assumiu o cargo, por ser o segundo na ordem de substituição, mas a interinidade tinha as marcas da perenidade. Era para ficar ali, como o boneco a obedecer a ordens dos ventríloquos. Se ousasse retornar ao Brasil, Jango seria preso.

O esquema, bem tradicional, começou a ruir quando o governador do Rio Grande do Sul, o engenheiro Leonel de Moura Brizola, de currículo tão luzidio quanto o de Jânio nos limites dos seus pagos, três anos mais novo que o cunhado vice-presidente, disse não e começou de imediato a dar conseqüências a esse brado. O palácio Piratini se transformou no quartel-general da reação ao golpe.

Para garantir a ressonância, Brizola requisitou uma emissora de rádio, a Guaíba, e a usou como núcleo de propagação da Rede da Legalidade. Em 24 horas, 500 mil civis se apresentaram nos quartéis da Brigada Militar espalhados pelo Estado para pegar armas em defesa da posse de Jango.

O problema era o III Exército, o maior e mais bem armado dos quatro exércitos brasileiros, continuamente adestrado para fazer frente ao maior inimigo em potencial do Brasil (ao menos até a era do Mercosul), a Argentina. 
Todos sabiam disso, golpistas e legalistas. Por ordem do marechal Denys, presidente de fato do país naquele momento, o general Orlando Geisel (irmão mais velho do futuro presidente, general Ernesto Geisel) deu ordem ao general José Machado Lopes, comandante do III Exército, para bombardear imediatamente o palácio do governo do Estado, no qual se encontravam em vigília permanente pelo menos 600 pessoas, dentre elas Brizola.

Esse episódio se tornou um detalhe na crônica dos acontecimentos, mas me veio à memória quando, 12 anos depois, os caças a jato da Força Aérea chilena bombardearam o palácio La Moneda, uma histórica construção levantada pelo colonialismo espanhol no centro da formosa cidade de Santiago (acumulando 20% da população do Chile). As seguidas explosões das bombas lançadas desencadeavam labaredas de fogo e o despedaçamento do edifício, dentro do qual havia muito menos gente, depois da evacuação que Salvador Allende ordenara, antes de, vendo a derrota se aproximar na forma de agressão sem limites, se suicidar.

O general, que dias antes recusara aderir ao movimento de Brizola, não cumpriu a ordem infame. Pode ter sido por horror à carnificina que se seguiria. É muito provável que o ataque desencadeasse uma verdadeira guerra civil, que começaria no Rio Grande do Sul e logo subiria pelo território nacional (já que o general Oromar Osório, comandante da forte divisão de cavalaria de Santiago do Boqueirão, na fronteira com a Argentina, já tomara o rumo do Paraná, em defesa da legalidade constitucional).

Nesse momento, diante da iminência de um confronto como nunca houvera no Brasil, os golpistas perceberam que, desta vez, nem a movimentação de tanques, carros de combate e homens armados seria suficiente para dar-lhes a vitória, como nos episódios anteriores. Agora haveria combate entre forças opostas. Teriam que combater o maior dos exércitos, com 80 mil homens bem adestrados, reforçado pelos 10 mil do efetivo da lendária Brigada gaúcha, e civis com passado belicoso.

De alguma forma (e da forma errada, pela mudança da regra constitucional vigente, para a adoção do parlamentarismo), mais um grande fazendeiro dos pampas gaúchos teria que ser admitido no poder supremo. Os golpistas estavam vencidos. Mas era apenas uma batalha. A guerra continuaria até 1964, quando se estabeleceu o mais prolongado e profundo dos golpes militares da história brasileira. Mas essa é outra história, para voltar a ser contada no próximo cinqüentenário, certamente sem a omissão do que agora relembro.

Não foi apenas um capítulo traumático da história brasileira: foi marcante também na minha vida. Getúlio Vargas entrou muito cedo nela. Ele passou por Santarém, onde minha família morava, em 1950. Eu mal completara meu primeiro ano de nascimento. O ditador rumara para o exílio quando o Estado Novo chegou ao fim, em 1945. Elegeu-se senador por seis Estados (a legislação admitia a disputa simultânea em mais de um Estado), mas praticamente não exerceu o mandato. Retornou plenamente adaptado à vida democrática, de longa duração para os padrões nacionais (19 anos), para disputar a mesma presidência que ocupara por ato de força.

Quem o saudou na passagem por Santarém foi meu pai, Elias Pinto, que tinha então 25 anos e era secretário da prefeitura. Getúlio gostou do discurso e designou meu pai como seu representante para organizar o PTB local e comandar a campanha presidencial ali. Eleito, Getúlio atendeu a maior reivindicação do município: a instalação de uma indústria para beneficiar a juta, principal produto regional, que era exportada em bruto. O presidente também prometeu que, numa viagem de trabalho pela Amazônia, pararia em Santarém para um ato público e para batizar o filho mais novo do seu correligionário, o Luiz, que ilustra este jornal (em todos os sentidos).

No dia 24 de agosto de 1954 a notícia do suicídio de Getúlio baixou como um raio sobre a nossa casa. A choradeira era grande. As janelas da frente foram escancaradas para deixarem passar marchas fúnebres, hinos e discursos. As pessoas não paravam de chegar. Apresentavam condolências ao meu pai, como se ele fosse da família Vargas (o que, de fato, era). Papai chorava e discursava.

Quando voltou do enterro em São Borja, terra dos Vargas, ele trouxe um disco compacto (de vinil). Pedro Luís lia a carta-testamento como se fosse o próprio Getúlio. Menino às vésperas dos cinco anos, o que primeiro me atraiu foi aquele sotaque carregado, com os “ll” prolongados pelo céu da boca, estalando como chicote. Depois, a sonoridade e a força daquelas palavras.

Finda a primeira audição coletiva, que se prolongou por horas e provocou soluços descompassados, coloquei o disquinho na vitrola e fiquei ouvindo sem parar. Logo tinha decorado a empolgante oração, para maravilha do meu pai. Passei a acompanhá-lo em reuniões, só para ele mostrar ao auditório que aquele menino era cabeçudo porque era inteligente.

Minhas primeiras interpretações do testamento de Getúlio foram um sucesso. Tão estrondoso que precisei ser contido à força de cala-boca, um confeito de açúcar colorido e redondo enorme, que levava minutos para se dissolver na boca aberta – e, portanto, imobilizada para a arte oratória.

Na campanha eleitoral de 1960 andei terçando armas pelas ruas de Belém, nossa residência quando papai veio assumir seu cargo de deputado estadual (o 6º mais votado no Estado, inaugurando sua conturbada carreira política). Eu distribuía as espadas do marechal Lott, candidato do PTB (e do PSD, adversários na política local), contra a vassoura moralista de Jânio.

Na crise de 1961 nossa casa fervilhava de gente atrás de notícias e orientações. Eu não descolava do Transglobe Philco, o potente aparelho de rádio que girava pelo mundo captando sons audíveis numa era de cacofonia no éter. Quando Jango chegou ao poder, papai foi junto. E eu atrás, mas não incondicionalmente. Via as cicatrizes e seqüelas daquele populismo, às vezes viciado, nas concorridas reuniões na nossa casa. Mas eu era nacionalista, seguindo como catecismo o que saía em publicações como O Semanário e em livros-panfletos, como os de Gondin da Fonseca.

Fui com papai ao Rio de Janeiro para ver o comício da Central do Brasil, no dia 13 de março de 1964. Depois o acompanhei a um encontro com o “doutor Jango”, conforme o tratava, na Granja do Torto. Papai era populista, mas considerava perigoso o jogo do presidente. Saiu desanimado da sala. “Não vai ter jeito”, comentou. Eu ainda não fizera meus 15 anos quando Jango foi para o exílio e nossa vida tomou outro rumo. Como a do Brasil.

Greve dos professores não atinge maiora das escolas no interior do estado


Levantamento da Seduc aponta que 59,73% das escolas não aderiram à paralisação. Já no interior, das 821 unidades de ensino, 57,4% estão funcionando, enquanto 39,5% apresentaram paralisação total e 3,1%, paralisação parcial.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Mensagem do Governador Simão Jatene sobre o Círio de Nazaré



Belém- Uma das missões mais nobres de um governo é contribuir para que cada cidadão tenha a oportunidade de ser feliz. E um dos grandes desafios é superar as desigualdades que dificultam essa missão.

O Círio de Nazaré, mais do que uma festa católica, um evento cultural, uma emocionante concentração humana, é uma lição, que deveria ser observada com atenção por todos nós.

O Círio é  um momento de cultivo à paz, de esforço pela união, de consagração de valores. Um raro instante de harmonia, uma oportuna trégua na indiferença. Um potente motor de esperança.

É um caminho, enfim, a ser seguido neste horizonte que vai além da procissão. Nesta incansável busca pelo conforto do corpo e da alma. Do indivíduo e da família. Do cidadão e da sociedade.

O Governo do Estado deseja que todos aprendamos um pouco mais com as lições do Círio. Para que possamos transformar os valores que afloram nessa época em verdadeiros bens de todos os tempos, exatamente como o espetáculo de fé que une os cristãos paraenses há mais de 200 anos.

Parlamentares e executivos que mudaram para o PSD poderão perder o mandato


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A partir do entendimento de que os políticos com mandato precisam ser fundadores de um novo partido para que não percam a vaga ao trocarem de legenda, o Ministério Público Eleitoral do Rio de Janeiro requereu, e o Tribunal Regional Eleitoral do estado (TRE-RJ) deferiu, mandado de busca e apreensão de documentos nas casas dos deputados estaduais Ricardo Henriques e Fábio Silva, e em sedes do PSD no Estado do Rio de Janeiro. 

A Polícia Federal cumpriu os mandados na manhã desta sexta-feira. O objetivo da investigação é apurar denúncias de fraudes na lista de fundadores da legenda. As fraudes consistiriam na inserção, entre os fundadores, de nomes de políticos com mandatos, somente depois do partido registrado. 

O entendimento corrente, até o momento, é o de que os políticos poderiam mudar de partido, sem o risco de perder o mandato, desde que se filiassem imediatamente a um partido recém-criado, no caso o PSD. Nunca se cogitou de que, para mudar, seria necessário ser fundador do novo partido.

O novo entendimento causa uma ventania de boa cepa: desde o seu registro em 28.09, o PSD passou a ser o receptáculo de vários parlamentares, principalmente da base de governos, pois a maioria dos governadores adquiriu o partido para lhes orbitar a legenda principal.

Caso proceda o entendimento, e se o TRE-RJ deferiu a busca é porque viu a fumaça do bom direito na tese, mais de 12 parlamentares do Rio de Janeiro, e um número ainda não contado de outros estados (no Pará, pelo menos dois deputados estaduais trocaram suas anteriores legendas pelo PSD), estarão no fio da navalha, pois, tanto quanto se sabe, nenhum participou da lista de fundação do partido.

Pelo sim, pelo não, e principalmente pelo talvez, uma enxurrada de pedido de vagas virão dos partidos originários e, no mínimo, os retirantes terão uma boa dor de cabeça.(Blog do Parsifal)

Edição em PDF de O Estado do Tapajós( 01.10.2011)


Alcoa incentiva trabalho voluntariado em Juruti

 
Juruti- Um ação de voluntariado da Alcoa, que reúne funcionários diretos e indiretos e familiares, levou cerca de 30 voluntários ao prédio da Associação dos Artesãos para limpeza, organização e revitalização da pintura da sede - a programação proporcionou mais um momento de surpresa em outra comunidade.

Desde o início da semana a comunidade do Jauari recebeu uma Ação Comunitária que deu início às atividades do Barco Escola, projeto do Clubinho da Tartaruga, comprado e equipado com recursos do Instituto Alcoa e da Alcoa Foundation. A iniciativa beneficiou 37 famílias e 45 crianças, com ações educativas, como contação de histórias e distribuição de kits de higiene bucal. 

Mas, o que surpreendeu os comunitários foi a doação de US$ 10 mil, entregues pelo presidente da Alcoa América Latina e Caribe, Franklin Feder, à comunidade.


Confira a programação 

07/10 – Caminhada do Coração
12/10 - Ação Comunitária na Comunidade de São Pedro - Serviços de cortes de cabelo e higiene bucal.
19/10 – Lançamento da campanha “Seja 10 em sustentabilidade” para os funcionários da mina de Juruti
22/10 – Action na comunidade de Santa Maria de Curumucuri com IPS a frente da organização – Ações educativas para adultos, higiene bucal e práticas esportivas
29/10 – Mini Action” na Creche Cordeirinho de Deus – atividades do Escritório Alcoa Belém.(Ascom/Alcoa)

Receptivo da Paratur dá as boas vindas aos turistas do Círio


Belém- Uma missa celebrada pelo arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa, com a presença da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, marcou a abertura do receptivo especial dos turistas do Círio. Realizado no Aeroporto Internacional de Belém pela Infraero e Companhia Paraense de Turismo (Paratur), esse ritual de boas vindas àqueles que participam da quadra nazarena já acontece desde 2006. Adenauer Góes, presidente da Paratur, participou da cerimônia ao lado do superintendente regional da Infraero, Paulo Roberto Pereira da Costa.
 
“Este receptivo, com grupos de carimbó, distribuição de material promocional, cheiro do Pará e outros produtos, já faz parte da tradição do Círio. É essa parceria com a Infraero é excelente, porque o aeroporto acaba sendo a porta de entrada principal para os turistas que vem a Belém por ocasião do Círio de Nazaré. Nada mais justo que esta visita da Imagem Peregrina, pois assim Nossa Senhora de Nazaré pode abençoar os turistas já em sua chegada”, disse Adenauer, antecipando que a estimativa para este ano é de 73 mil turistas durante as festividades.
 
Alexandra Ferreira veio de Jundiaí, em São Paulo, para uma missão de trabalho em Belém e gostou da forma carinhosa como os paraenses recebem os turistas no Círio. “No avião uma paraense que veio do meu lado falou que a cidade está em festa e que no aeroporto já tinha um clima de Círio. Gostei muito do que vi. Um jeito amistoso de receber a gente”, elogiou.
 
Quem também elogiou a iniciativa da Paratur, que selecionou mais de vinte grupos de carimbó para o receptivo no Aeroporto Internacional de Belém e no Terminal Rodoviário, foi o aposentado Benício Leão. Natural de Belém, ele mora há duas décadas em Atlanta (EUA), de onde vem todos os anos especialmente para o Círio. “Venho todos os anos e mais uma vez fiquei surpreso com a forma como o paraense recebe os romeiros e turistas. Estão todos de parabéns”, disse Benício.
 
Melhor do que apreciar as manifestações culturais e as iniciativas de bem atender o turista é fazer parte desse processo. “Fico orgulhosa de poder estar aqui, expressando a nossa cultura. E o Círio faz parte dessa cultura", disse a dançarina de carimbó Irondina dos Reis, 26 anos, que faz parte do grupo Expressões Culturais Urapuru.
 
O receptivo no aeroporto de Belém, organizado pelo gerente de Eventos Nacionais da Paratur, Carlos Figueira, se repetirá por 24 horas até o fim da semana do Círio. No terminal rodoviário será de 8h às 20 horas, com funcionamento do Posto de Informações Turísticas da Paratur nos dois espaços.(Benigna Soares - Ascom/Paratur)

Celpa recebe a Imagem Peregrina de Nossa Senhora da Conceição

A imagem peregrina da padroeira dos santarenos, Nossa Senhora da Conceição, visitará a Superintendência Regional de Santarém, nesta sexta-feira, 07, às 8h30. A peregrinação às empresas da cidade, antecede o Círio da Conceição

Pela quarta vez a Celpa faz sua homenagem. A imagem será trazida em carreata pelos colaboradores, depois de receber homenagem em uma residência, no centro da cidade e transladada até a Subestação Santarém, onde receberá várias homenagens. 

"Será um momento de muita emoção, quando todos os colaboradores prestam homenagem a Mãe de Jesus, e fortalece sua fé", disse o Superintendente Regional Engº Edson Naiff.(Leiria Rodrigues)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Dividir o Pará pra quê?



Lúcio Flávio Pinto

De que serve dividir o Pará, o segundo maior Estado do Brasil, para torná-lo mais administrável, se o modelo de desenvolvimento continuar o mesmo, velho de quatro décadas – e eficiente, até hoje, mas contra o Pará? Quem levou a esse resultado, vai querer mudá-lo?

O ano de 1975 foi fatal para a Amazônia, mas, acima de tudo, para o Pará. Eleito pela Assembléia Legislativa, onde o partido oficial tinha completo controle, o professor Aloysio da Costa Chaves queria fazer história. Antes de tomar posse, reuniu alguns dos melhores técnicos do Estado e lhes deu uma tarefa: preparar o plano de governo. Ele seria o primeiro governador paraense a levar um planejamento de diretrizes e de ação para a chefia do poder executivo. Não ficaria levado ao sabor das ondas.

Antes de ser acolhido pela Arena (Aliança Renovadora Nacional), por imposição de Brasília, que apenas consultou as principais lideranças estaduais sobre o nome já escolhido, Aloysio fora presidente do Tribunal Regional do Trabalho e reitor da Universidade Federal do Pará. Tinha o perfil ao gosto do general Ernesto Geisel, um descendente de alemães na presidência da república: era técnico, tinha trânsito político, era reconhecido como homem público e possuía autoridade. Reunia os elementos do autoritarismo tecnocrático que comandava o Brasil.

Ciente (ou onisciente) do próprio valor, Aloysio Chaves não prestou muita atenção à cor ideológica ou aos antecedentes dos técnicos com os quais se reunia quase diariamente num dos andares da sede do Banco da Amazônia, em Belém, que lhe fora cedido para preparar o seu governo. Queria um plano consistente, criativo e audacioso. Com ele, talvez pudesse impor à história do Pará uma nova cronologia: antes e depois de Aloysio da Costa Chaves.

Quando pronto, o Plano de Diretrizes e Ação do Governo correspondeu à expectativa de quem o encomendara: provocou impacto nacional. Pela primeira vez um governador biônico, que o poder central impunha aos parlamentos estaduais, criticava, ainda no nascedouro, a própria origem. O plano paraense apontava a hipertrofia do centralismo de poder no Brasil, que deixava ao planejamento local a tarefa de apenas aplicar os recursos que lhe eram destinados, com finalidade previamente estabelecida. Era uma camisa-de-força. Só a União podia realizar o planejamento inovativo. Aos Estados, restava o planejamento alocativo. Aloysio Chaves queria decidir, não ser só figurante.

Ele achava tão justa e normal a pretensão que, antes de tomar posse, foi à Alemanha, a convite do governo germânico. Os alemães estreitavam suas relações oficiais com o Pará, atuando em vários setores, a partir de um núcleo acadêmico, durante a gestão de Aloysio na UFPA. Ele estava em plena visita quando foi chamado com urgência a Brasília pelo homem que apadrinhara sua escolha: o general Gustavo Moraes Rego Reis, casado com uma paraense (irmã do influente advogado Otávio Mendonça, eminência parda em vários governos), o principal assessor militar do presidente.

Geisel ficara irritadíssimo pelas pretensões do governador biônico ainda nem empossado. O Estado de S. Paulo lhe dedicara seu principal editorial para elogiar sua postura de independência e crítica em relação a Brasília, afinada com as posições do principal jornal do país, antes aliado e agora adversário do regime militar. O presidente exigira o enquadramento do governador, sob pena de ser expurgado. E Aloysio se enquadrou, deixando de lado suas pretensões à história.

Certamente ele e sua equipe de técnicos deram a devida atenção ao II Plano de Desenvolvimento da Amazônia, que deveria dar continuidade ao pioneiro planejamento regional desencadeado pelo governo federal e iniciado em 1953, com a SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia), que antecedeu o capítulo seguinte dessa história, no Nordeste, posterior, mas muito mais comentado.

O planejamento voltava a ser qüinqüenal (1975/79) e, além do rigor técnico, trazia outra inovação: a Amazônia deixava de ser considerada como área autônoma, com identidade própria. A região teria que desempenhar um papel no conjunto da economia nacional, ainda vivendo as ilusões de prolongar o “milagre econômico”, criado pelo governo militar anterior (do general Garrastazu Médici).

O mago do “milagre”, Delfim Neto, não era bem visto pelos novos inquilinos do Palácio do Planalto. Foi mandado para a embaixada em Paris. O novo tecnocrata-chefe, o piauiense João Paulo dos Reis Veloso (ainda em plena atividade, do lado do balcão da iniciativa privada e das ONGs), sabia que não podia continuar a alimentar as altas taxas de crescimento do PIB com poupança externa. Essa fonte de capital tinha que ser substituída. O melhor substituto era a Amazônia, com seus abundantes recursos naturais, em especial os minérios, que começavam a ser revelados do subsolo e se tornavam acessíveis através das estradas de rodagem.

O que a Amazônia não podia ter era a pretensão à autonomia, a decidir seus destinos. O governo central lhe impunha a integração compulsória à economia nacional, atrelada, por sua vez, ao mercado internacional. Só assim podia agregar ao país o que ele mais cobrava dela: divisas em moeda estrangeira, através de exportação crescente e saldo na balança comercial. Projetada para um primeiro qüinqüênio, essa diretriz seguiu sem descontinuidades até hoje.

O Pará é o quinto maior exportador do Brasil e o segundo em saldo de divisas. É o terceiro maior exportador nacional de energia bruta, que gera o efeito multiplicador econômico nos locais para os quais essa energia se destina. Essa face do projeto foi plenamente cumprida: antes do II PDA o Pará era um traço no comércio exterior brasileiro.

Mas a outra face também foi moldada: mesmo tendo a 9ª maior população nacional, o Estado é o 16º em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e o 21º em PIB per capita (a riqueza, que é drenada para o exterior em maior volume, dividida pela população, que cresce mais em função da imigração intensa). É um efeito previsto pelos formuladores do plano, que adotou um modelo de desenvolvimento “desequilibrado corrigido”.

Para crescer rápido e oferecendo ao mercado produtos de aceitação mundial (as commodities), o Pará – como a Amazônia – tinha que incorporar empreendimentos de capital intensivo e alta tecnologia, capazes de colocar no exterior mercadorias a preços competitivos. O efeito nocivo desse modelo é concentrar os benefícios, deixando de fora aqueles que não têm condições (por sua qualificação ou por sua quantidade) de participar do processo produtivo em escala mundial.

Aí entraria o governo. Por um ato de vontade, corrigiria os muitos desequilíbrios do modelo com ação redistributiva ou saneadora. Como as distorções são efeito natural do modelo, que inevitavelmente acarreta desequilíbrios de várias naturezas (social, econômico e espacial), a correção, por ser um ato de vontade, requer o planejamento para orientar e dar eficiência à ação pública.

Impondo a perversão do modelo, o governo federal não podia abrir mão daquilo que o governador eleito Aloysio Chaves reivindicava na passagem de 1974 a 1975, o ano primeiro tanto do seu plano quanto do governo federal: o planejamento inovativo – e não apenas o que lhe cabia no modelo autoritário de Brasília: o planejamento alocativo, de alocação de projetos e verbas definidos por – e de – Brasília.

Cabe à biografia do ex-reitor o mérito de pelo menos haver tentado um novo caminho. Pesa-lhe sobre os ombros, porém, ter recuado de forma tão desastrada, limitando-se a partir daí a polir as insignificâncias, como todos os que o sucederam. Depois dele, porém, as tentativas de afirmação das lideranças locais, quando existiram, foram apenas formais, retóricas, de brincadeira.

Quando a democracia foi restabelecida no Brasil, em 1985, essa conquista não teve qualquer significado prático nas relações centro-periferia, na questão regional, desprezada pelos intelectuais do centro dominante, de esquerda ou de direita (para os primeiros, por ser a forma primitiva do capitalismo a ser modernizada, nem que à força, como na URSS; para os segundos, por ser tão somente uma fonte de riquezas a explorar).

Os governos estaduais amazônicos não só perderam em conteúdo político das suas lideranças como foram renunciando à busca pelo planejamento criativo, que é a razão de ser do planejamento como momento político. Afinal, se não se pode tomar a iniciativa, se o planejamento não é precedido pelo poder de decidir, os Estados continuariam a fazer o que Brasília quer e a repetir o que proclama.

E assim tem sido sempre, tanto na chefia do poder executivo estadual quanto nas casas parlamentares (e até mesmo nas academias, reduzidas a tertúlias intelectuais). Os nativos deixaram de pensar grande, de acompanhar em cima os atos decisórios e, preparando-se para decidir, poder realmente decidir, com domínio do conhecimento. A Amazônia tem tido a grandeza de cenário, não a de ator, protagonista.

É esse o pano de fundo que explica a pobreza do ambiente num novo momento importante da história regional. Os paraenses serão os primeiros brasileiros a decidir sobre a sua configuração espacial através de plebiscito. A novidade foi proporcionada pela constituição de 1988. Depois que a chamada carta magna entrou em vigor, apenas Goiás se dividiu para o surgimento de um novo Estado, o Tocantins.

Mas não foi preciso consultar a população: a emancipação da parte norte do novo Estado foi pacífica, consensual. Todos estavam de acordo que assim seria melhor, tanto para os moradores da nova unidade federativa quanto para os remanescentes de Goiás, que apostavam as fichas do crescimento incrementado na metade meridional do antigo Estado, desligado da sua metade atrasada.

A situação não é a mesma no Pará. Apenas parte da sua população está convencida de que só pode crescer mais se libertando do peso da atual configuração territorial, de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, a segunda maior do país. Outra parte reage há décadas às pretensões emancipacionistas da zona Oeste, mobilizada em torno do Estado do Tapajós, e combate abertamente as pretensões dos moradores da fração Sul do Estado, que quer formalizar sua dissociação de fato através do Estado de Carajás.

Argumentos em favor da separação se sustentam em quase obviedades: o Pará é grande demais; Belém já demonstrou sua incapacidade para bem administrar as áreas mais distantes do Estado; e cada uma dessas partes formou identidade própria, seja pela migração intensa (caso de Carajás) como por uma aspiração secular (o Tapajós), que se realizou apenas pela metade, quando o país admitiu a autonomia da parcela ocidental da Amazônia, com a criação da província do Rio Negro (depois Estado do Amazonas, a seguir subdividido em Roraima, Acre e Rondônia, enquanto do Pará nascia o Amapá).

A primazia histórica de decidir sobre a territorialidade estadual está sendo desperdiçada. Uma questão grave se transformou em disputa de geral de campo de futebol e extensão das medíocres disputas excaramuças paroquiais. Rapidamente os temas de fundo foram afogados pelos impulsos emocionais e pelos interesses particulares, como se não estivesse em causa procurar uma saída para esse fato perturbador: quanto mais cresce, mais o Pará fica desequilibrado, sufocado por problemas sociais aparentemente insolúveis. Há riqueza em circulação, mas a ela raros têm acesso.

O modelo de desenvolvimento é o mesmo de 35 anos atrás: desequilibrado corrigido. Cada vez mais desequilibrado; cada vez menos corrigido. O resultado: os desequilíbrios se multiplicam e se agigantam. O Pará é líder em indicadores econômicos quantitativos e em índices sociais negativos. Essa combinação explosiva acarreta uma violência espantosa.

Ela se traduz em realidades objetivas, como a das mortes por encomenda, e em outras mais subjetivas, que escapam à percepção superficial, como a péssima qualidade da educação e as incivilizadas (ou selvagens mesmo) regras de convivência em aglomerações humanas, com ênfase nas suas grandes cidades, tensionadas por bolsões de guerras de verdade, embora não declaradas.

As lideranças, coniventes com esses paradoxos, ou que lhes deram causa, são as mesmas que carregam os estandartes das campanhas territoriais. Subordinam as teses aos seus interesses de tal forma que não conseguem ter unidade e nem se interessam por aumentar a consciência dos seus companheiros de luta. Querem massa atrás de si, como em todas as eleições, que mudam os nomes para manter as situações.

Mesmo os projetos de emancipação, formulados no parlamento federal por pessoas sem conhecimento de causa, não constituem o mais importante deste plebiscito inédito. Nenhuma das duas leis, aprovadas por acordo de lideranças de partidos ainda no âmbito da comissão técnica, sem passar pelo plenário das discussões e deliberações, não resistem a um teste de consistência.

O que eles mais deviam corrigir, é justamente o que mais negam: uma nova organização espacial para viabilizar os três Estados que surgiriam desse desenho irracional. O Tapajós sofrerá da mesma macrocefalia do atual Pará, enquanto Carajás será uma satrapia dos “grandes projetos”, ou da antiga Companhia Vale do Rio Doce, mais ao molde do “desenvolvimento desequilibrado corrigido” do que o atual Pará.

Numa medição de forças que não é ponderada pelo conhecimento de causa, a decisão pode resultar diretamente das grandezas numéricas ou seguir pelo desvio de uma manipulação de massa. Os dois elementos se encontram, em tese, sobre o tabuleiro de xadrez da disputa. Pela grandeza numérica, não há dúvida: a maioria rejeitará a separação no plebiscito de 11 de dezembro. A “zebra” dependeria da quantidade de recursos colocados à disposição do marketing, liderado pelo célebre Duda Mendonça – e de sua capacidade mágica de convencer a opinião pública.

Isso em relação à bipolaridade, que está em causa na consulta, sem, contudo, anular uma possibilidade pouco enfatizada: de que, ao invés de um ou três Estados, surjam dois Estados (o Pará, incluindo Carajás, e o Tapajós), se essa hipótese for trabalhada por aqueles que ela favorece (o que ainda não aconteceu).

Qualquer que venha a ser o desfecho desse novo momento da história brasileira, uma coisa é certa: se houver mudança, nada mudará; se não houver mudança, as portas da transformação terão sido abertas porque a situação não regredirá ao status quo ante pelo menos num ponto: de que as coisas que estão assim só têm que continuar assim como estão. 

Mesmo que o Pará permaneça territorialmente como se acha, os líderes dos movimentos emancipacionistas terão alargado suas influências e alianças para pretender, em 2014, concorrer em igualdade de condições com os tradicionais representantes das elites da capital. O interior compreendido por Tapajós e Carajás poderá, enfim, conquistar o poder executivo estadual, complementando a consolidação do poder que já possui no legislativo paraense, majoritariamente formado por políticos do interior.

Nesse caso, com nova autoridade, os emancipacionistas poderão voltar à batalha, em outras condições. Para ganhar, sem permitir, porém, que o Estado “leve” a conquista. Sem mudar aquelas diretrizes do II PDA, que sufocaram o plano do governador Aloysio Chaves, o Pará continuará a crescer como rabo de cavalo: para baixo. Com a ajuda coadjuvante dos líderes separatistas e conservadores, até agora os mesmos de sempre.