quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Conselho Federal de Medicina entra na Justiça contra proibição da venda de anorexígenos

O Conselho Federal de Medicina (CFM) deu entrada na Justiça Federal, na tarde desta quinta-feira (13), com Ação Civil Pública contra a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir a venda de algumas substâncias usadas no tratamento da obesidade (anfepramona, femproporex e mazindol).

 O CFM defende o uso dessas fórmulas como auxiliares no tratamento de pacientes e pede o fortalecimento de mecanismos de controle de seu uso, sempre sob supervisão de médico qualificado na prescrição e na supervisão de cada tratamento.

 Na argumentação do CFM consta que o uso indevido de medicamentos é uma questão que está ligada ao controle e à fiscalização de sua prescrição, “não diz respeito especificamente aos medicamentos anorexígenos em si”.

Segundo o 1º secretário da entidade e seu representante junto à Anvisa, Desiré Callegari, a proibição da venda destes remédios prejudica pacientes e médicos. “Não é possível deixar parte da população desassistida e limitar a autonomia do paciente. Somos favoráveis ao fortalecimento de mecanismos de controle de comercialização e da adoção de ações educativas em larga escala para disciplinar seu uso”.

Com a decisão da Anvisa, os remédios com anfetamina não podem mais ser prescritos pelos médicos, nem fabricados no país, e os atuais registros serão cancelados. As farmácias e drogarias terão dois meses para retirá-los das prateleiras.

Vistoria na rede hospitalar de Santarém pelo MPE e MPF deve continuar


O Ministério Público do Estado (MPE) e o Ministério Público Federal (MPF) realizam em conjunto, em Santarém, vistorias na rede hospitalar do município, sendo a primeira fase direcionada aos hospitais conveniados ao SUS.  Já foram inspecionados quatro estabelecimentos  pelo MP e dois pela Vigilância Sanitária, por requisição do órgão ministerial.  O trabalho deve continuar com os da rede pública. Os laudos das inspeções são emitidos pela Vigilância Sanitária municipal, órgão responsável pela renovação da licença sanitária de toda a rede hospitalar.

A realização de força-tarefa foi definida depois que vistorias feitas pelo MPE, em setembro, identificaram uma série de irregularidades, principalmente relacionados a problemas na infraestrutura dos prédios, como rachaduras e ferrugem na estrutura dos hospitais. Também foram encontrados indícios de utilização de medicamentos vencidos.

Nas inspeções, as equipes do MPE e MPF contam com o suporte técnico da divisão municipal de vigilância sanitária, cujo coordenador é Paulo Pimentel. Nas vistorias realizadas em setembro, o trabalho foi acompanhado pela então coordenadora da vigilância sanitária, Nástia Santos.

As inspeções sanitárias devem ocorrer anualmente para renovação da licença sanitária nos hospitais públicos ou particulares. Caso seja detectado que o hospital não possui  condições de funcionamento, a licença não pode ser renovada. A responsabilidade de interdição dos estabelecimentos é da Vigilância Sanitária e cabe ao MPE fiscalizar o cumprimento dessa obrigação e agir em caso de omissão do poder municipal.

 O MPE de Santarém  já requisitou ao município para que providencie os autos de infração necessários à Vigilância Sanitária para que faça a interdição dos estabelecimentos já visitados e que cujos laudos apontem risco de vida aos usuários. Todos os laudos estão sendo encaminhados pelo MPE à Secretaria Municipal de Saúde para que tome as providências necessárias.

O mutirão de inspeções não tem data para encerramento. Comprovadas as irregularidades na prestação do serviço público, o MPE e o MPF promoverão as medidas judiciais e extrajudiciais pertinentes.
( Lila Bemerguy)

Bragantino, campeão em cima do São Francisco


O SãoFrancisco tentou, tentou...mas morreu na beira.
Ontem, com um empate de 2x2 diante do Bragantino, o leãozinho santareno não consequiu conquistar o título do campeonato da segunda divisão.
O titulo ficou para o Bragantino, que havia vencido o primeiro jogo por 1x0, em Bragança.
Fernando Caranga, do Bragantino, abriu o marcador logo aos 6 minutos.
Aos 14 minutos, cobrando penalty, Michel empatou a partida.
Novamente Fernando Caranga marcou para o Bragantino, aos 5 minutos do segundo tempo.
André, aos 44 minutos, empatou para o São Francisco.

Flores para Paulo Jennings

Do No Tapajos
 
Para homenagear o cardiologista Paulo Jennings que desapareceu nas águas do Rio Amazonas ao dar um mergulho, familiares e amigos do médico foram até o local nesta manhã (12) demonstrar o carinho por Jennings lançando flores, balões, velas em cuias e barquinhos de buriti no leito do rio.

A cerimônia contou com a presença de mais de 60 pessoas. Amigos, familiares e moradores da comunidade Januária participaram cantando músicas. A contribuição dos comunitários de Pinduri foi a contação de ‘causos’ do Dr. Paulo Jennings.

Amigos e família destacaram o espírito solidário do médico, mas ressaltaram que a lembrança principal será a alegria e a missão de servir ao próximo. Foi cogitada a possibilidade de criação de uma ONG com o Nome de Paulo Jennings. A ideia é continuar com o trabalho desenvolvido pelo médico - dar apoio para os santarenos que tem que se deslocar para São Paulo em busca de tratamento de saúde.


Um dos médicos que vieram para essa pescaria na Amazônia colocou-se a disposição para ajudar na capital paulista. Não foi possível o pastor e o padre estarem presentes, mas a família e amigos fizeram orações e agradeceram pela vida do médico. “Os comunitários desta região, falaram que aqui entre estas três ilhas existe um "encante", então prefiro acreditar que o tio Paulo não morreu, ele está encantado", disse Dr. Erik Jennings, primo do médico, a quem chamava de tio.





No Pará, vida de extrativista vale R$ 80 mil

Fernando Gallo, de O Estado de S. Paulo

ENTREVISTA
Raimundo Belmiro, líder extrativista da reserva Riozinho do Anfrísio

Para grileiros e madeireiros que aos poucos voltam a invadir a reserva extrativista Riozinho do Anfrísio, 736 mil hectares protegidos em Altamira (PA), a vida de Raimundo Belmiro vale R$ 80 mil. Para ele, líder extrativista nascido e criado na região, a vida da floresta não tem preço. 

"A floresta é a nossa vida." Há um mês e meio, o Ministério Público Federal enviou ofício à Polícia Federal pedindo proteção a Belmiro. Na avaliação de procuradores da República do Pará, o valor é muito alto para os padrões da pistolagem local - sinal de que as denúncias feitas pelo extrativista de que grileiros, madeireiros e fazendeiros invadem a reserva estão incomodando.
Por ora, Belmiro é protegido por dois policiais, que o escoltam na reserva e nas viagens mensais a Altamira. "Mas quando eu venho para a cidade, minha família e todas as outras pessoas que vivem lá ficam desprotegidas dentro da reserva."

Quando começaram as ameaças de morte?No inicio da Resex (reserva extrativista), em 2004. Nessa época, fui tirado da Resex e levado para Brasília, a pedido da Marina Silva, que era ministra.

Você sempre morou na região?Nasci e me criei lá. Fomos eu e meu tio, Herculano Porto, que lutamos pela criação da Resex. Por isso, os grileiros, e os madeireiros, que estavam invadindo, tomaram a atitude de nos ameaçar, de querer nos matar.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Jornalismo da verdade



Lúcio Flávio Pinto
Articulista de O Estado do Tapajós
 
Dei aulas no curso de comunicação social da Universidade Federal do Pará durante sete anos. Começava sempre alertando meus alunos para a necessidade de adotarem princípios no exercício da profissão de jornalistas. 
Podia ser um decálogo todo, mas podia ser só um princípio. Com a condição inerente a qualquer princípio: jamais ser negociado. Aplicado sempre.
Por exemplo: não escrever matérias pagas. Um excelente princípio. Ou não recorrer a artifícios para enganar entrevistados ou personagens sob sua investigação. Pode-se lançar mão, sem qualquer autorização, de documentos oficiais, que seus detentores mantêm sob seu exclusivo conhecimento. Se o povo pagou o estudo, o povo deve saber sobre seus resultados.

Como eu não me cansava de proclamar esse princípio, era comum que, ao entrar em repartições públicas durante o regime militar, quando foi exercida a censura política, as gavetas se abrissem automaticamente para receber documentos confidenciais, reservados, sigilosos ou apenas incômodos aos potentados que estivessem de bobeira sobre as mesas. Eu considerava essa atitude de “defesa ofensiva” como um elogio a esse princípio profissional. Meu compromisso era (e continua a ser) com o leitor, não com os donos das informações.

Mas eu jamais recorri a gravações secretas, fossem de vídeo ou de áudio (ou ambas), nem à camuflagem da minha identidade de jornalista. Jogava limpo com fontes e personagens sob minha mira. Eles sabiam quem eu era e o que queria. Jogavam comigo se queriam. Mas era pior me sonegar informações e bater a porta na minha cara. Nada resiste a uma boa investigação dos fatos – era outro dos meus axiomas. Um dia a verdade emerge.

Não faria o infeliz papel de Tim Lopes, induzido à morte por seus chefes irresponsáveis ou inconscientes. Nem o do repórter de Veja que recorreu a macaqueações várias e violou princípios diversos na busca de provas contra o condestável do petismo, o ex-ministro José Dirceu, capa de uma das constantes matérias sensacionalistas da revista.

Os mais petistas reagiram dizendo que o episódio era o inverso da situação que levou o Washington Post a provocar o impeachment do presidente Richard Nixon nos Estados Unidos e à glória no jornalismo mundial em todos os tempos. Nixon se desmoralizou por gravações secretas que fazia no legendário Salão Oval da Casa Branca e em outras dependências da sede do governo americano e residência oficial do presidente.

No caso brasileiro, a revista é que perdeu credibilidade por essas gravações clandestinas, feitas à entrada da suíte ocupada por Dirceu num hotel de luxo em Brasília, destino de peregrinação por quem quer chegar ao poder petista ou nele permanecer.

O paralelo me parece descabido. A contribuição que a comparação com Watergate podia dar, para ajudar a compreender melhor os procedimentos éticos que se impõem à imprensa, é de outra natureza. No momento crucial da investigação sobre a invasão da sede do Partido Democrata, o repórter Carl Bernstein foi a determinada cidade para falar com o promotor público, depois de ter agendado o encontro por telefone.

Ao chegar ao gabinete do promotor, foi informado pela secretária que o chefe não se encontrava ali. Bernstein esperou por muito tempo e nada de ser recebido. Saiu dizendo que voltaria no dia seguinte. De uma cabine pública ligou para a secretária para lhe pedir que viesse a outro local do prédio para atender a uma solicitação qualquer. Imediatamente foi para o prédio, atravessou a cercadura protetora da secretária e invadiu o gabinete do promotor, que lá se encontrava.

Quando a secretária retornou, o ardil se consumara. O promotor, que queria se livrar da complicação, teve que atender o enviado do poderoso Washington Post e prestar-lhe as informações que ele queria. Bernstein começava a rastrear o dinheiro ilícito que foi parar na tesouraria da campanha de reeleição de Nixon e que também financiara os invasores da sede dos democratas. Foi um lance de inteligência a serviço da informação – e ético, moralmente correto.

O contrário do procedimento do repórter de Veja, que negou sua identidade e fez gravações clandestinas. O meio, inversamente ao dito pelo profeta da mídia, jamais é a mensagem. O verbo é o que importa, esteja ele onde estiver, sob qual disfarce se apresentar. Um dia a cidadela cai e a verdade se exibe, sem falsidades, violações ou artifícios imorais ou ilegítimos.

Frigorífico é fechado em Itaituba por falta de licença da Sema

Por determinação do juiz Gleucival Estevão o frigorífico Vale do Tapajós – Frivata festá  fechado desde segunda-feira.
O Frivata estava atuando sem a Licença Operacional – LO, que teria que ser liberada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente - SEMA. O frigorifico fica impedido de comercializar carne, até que seja todo legalizado.
Como os dois frigorificos de Itaituba fechado, os açougues da cidade se preparam para importar carne de Santarém, já que já está faltando carne em Itaituba.(Com informações do Portal Bueré)

Professores estaduais decidem manter greve

Professores estaduais decidem manter greve (Foto: Advaldo Nobre/Ascom Seduc)
Reunião com representantes do governo e representantes do Sintepp (Foto: Advaldo Nobre/Ascom Seduc)


Representantes do Governo do Estado e do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp) mais uma vez se reuniram para discutir a respeito da greve do sistema estadual de ensino paraense. Porém, mesmo com os argumentos do governo de que não existe um orçamento para atender às exigências do Sintepp, a greve continua.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

TST determina fim de greve dos Correios

Fábio Amato
Do G1, em Brasília

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu nesta terça-feira (11), durante julgamento do dissídio coletivo dos Correios, que a greve da categoria não é abusiva. Entretanto, o tribunal autorizou a empresa a descontar dos funcionários sete dos 28 dias não trabalhados. E determinou a volta ao trabalho a partir de quinta-feira, sob pena de multa.

Começou o carnaval em Santarém

Bloqueio na Transamazônica dura mais de 60 horas


Já dura mais de 60 horas a interdição da Br 230 ( Transamazônica), na altura do Km 100, entre Anapu e Altamira. Cerca de 700 agricultores dos Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS), Pilão Poente I, II e III localizados no município de Anapu , fecharam a rodovia federal no último domingo ( 09), em protesto  contra a falta de abertura e conservação de 90 quilômetros de estradas vicinais que dão acesso aos assentamentos.

Segundo Pedro dos Santos, coordenador regional da Federação dos Trabalhadores em Agricultura  (Fetagri), as obras que serão custeadas com verba federal através do Instituto de Colonização e Reforma Agrária ( Incra), aguardam apenas  um licenciamento ambiental de responsabilidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente ( Sema), para que a empresa GG do Prado de Mato Grosso,  que ganhou a licitação,  possa dar início aos trabalhos. “ Nosso maior problema hoje é o estado”. Adiantou Pedro.

De acordo com a assessoria de comunicação da Sema,  a assessoria jurídica da secretaria emitiu hoje o parecer favorável para as obras nos  PDSs.

No inicio da tarde desta terça feira (11), a presidência do Incra informou em nota que já adotou providencias para  quitar os débitos junto a empresa GG do Prado pela prestação de serviços e que a empresa se comprometeu em mobilizar os equipamentos para o início das obras até na próxima terça feira (18).

Os agricultores se reúnem em assembléia e decidem na manhã desta quarta-feira (12), se desocupam a estrada ou se aguardam a chegada do maquinário para começar os trabalhos.

Devido a ocupação da rodovia, uma fila de pelo menos  100 quilômetros já se forma ao longo da Transamazônica.(Iolanda Lopes)

Combate à desnutrição infantil comemora resultados

A desnutrição infantil vem diminuindo progressivamente a cada ano nas comunidades remanescentes de quilombos que habitam as margens do alto rio Trombetas, no oeste do Pará. A boa notícia é resultado do trabalho do projeto Quilombo, desenvolvido pela Fundação Esperança de Santarém, com apoio da Prefeitura de Oriximiná e patrocínio da Mineração Rio do Norte. Em 2000, o registro de desnutrição de crianças de zero a cinco anos nas comunidades atendidas era de 39%. O número caiu para 7% em 2011

Além do atendimento nutricional, o projeto ainda realiza atendimento de medicina geral e exames laboratoriais, ginecologia, pré-natal e dá orientação sobre planejamento familiar.

O projeto beneficia as comunidades de Tapagem, Sagrado Coração de Jesus, Cachoeira Porteira, Abuí, Mãe Cué, Palhal, Juquiri, Jamari, Curuçá Mirim , Água Fria, Ajudante, Batata, Erepecú, Paraná do Abuí, Boa Vista e Moura. Mas a operacionalização dos atendimentos acontece em três comunidades pólos – Tapagem, Jamari e Moura.(Ascom/MRN)

Torcerá, a porca, o rabo?


Do Blog do Parsifal

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Informa o Blog do Bacana, assinado por Marcelo Marques, que “está em fase terminal” uma investigação da Polícia Federal “envolvendo um esquema de arrecadação ilegal de fundos para a última campanha”.

Trata-se da surrada prática de usar auditores da receita estadual para achacar empresários devedores do fisco para, a troco de deixar de autuá-lo, receber uma generosa contribuição para a campanha.

Segundo a postagem do citado blog, o esquema foi denunciado “por gente de dentro da própria SEFA” e estariam envolvidos “um eleito deputado federal do PT e um deputado estadual.”

Para arrematar a dor de estômago que estas notícias dão em quem tem culpa no cartório, em outra postagem, do mesmo blog, é relatado que o ex-secretário de Meio Ambiente do Estado, Aníbal Picanço, “esteve depondo na Polícia Federal”, e “colocou um deputado federal do PT na guilhotina.

Por coincidência, nos dois casos, o deputado federal é o mesmo.

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Nota da redação:


Será o deputado federal Cláudio Puty?

Lira Maia e Parsifal dão conta do recado no "Argumento". Ganzer foi nulo.


Do Blog do Colares

O programa "Argumento", apresentado por Mauro Bonna, na RBA, entrevistou ontem parlamentares a favor e contra Carajás e Tapajós.O primeiro a ser entrevistado foi Lira Maia (na foto). O deputado por Santarém saiu-se muito bem. Discurso consequente, números na ponta da língua. Conseguiu ser claro, elegante e conciso. Demonstra claramente o preparo de um veterano. A estratégia de Carajás e Tapajós de dar destaque aos políticos paraenses está se mostrando cada vez mais correta. 

A simples presença de Lira Maia engessa o discurso rasteiro contra os "forasteiros". Neutralizado isso, restou a ele provar que a Região Metropolitana de Belém concentra 54% do Produto Interno Bruto (PIB) do Pará e que os ganhos decorrentes da nova repartição dos recursos federais beneficiará o Novo Pará. 


Marcou um belo tento ao afirmar que a criação dos novos estados possibilitará construirmos o maior plano de desenvolvimento regional de todos os tempos no Norte do Brasil e saiu rapidamente da armadilha armada por Bonna sobre a questão do "tamanho" dos novos Estados. Frisou que está discussão não é central. Além disso lembrou que 74% da área do Tapajós é destinada à proteção ambiental ou terra indígena, assim os três estados terão territórios equivalentes.

Se o que preocupa os belenenses é o "tamanho", Lira mostrou que não há razão para tanto complexo de inferioridade.

Justiça tributaria e industrialização para estados mineradores



Nesta segunda-feira (10), o presidente da Comissão de Finanças e Tributação, deputado federal Cláudio Puty (PT-PA), protocolou na Câmara a Proposta de Emenda à Constituição - PEC 92/2011, que torna sem efeito a Lei Kandir no que se refere à exploração de recursos não-renováveis.

“A preocupação do governo Fernando Henrique Cardoso, na época da criação da Lei Kandir, foi justa. Mas com um tempo, se revelou uma covardia para os estados mineradores, particularmente Minas Gerais e Pará”, justificou o deputado sua iniciativa.

A Lei Kandir foi criada, em 1996, para fomentar as exportações brasileiras em um momento de graves restrições na balança de pagamentos e problemas na balança comercial do país.

“Atualmente os problemas econômicos e estruturais enfrentados pelo Brasil e o mundo são outros. Hoje, enfrentamos a desindustrialização, a guerra cambial instaurada e os problemas econômicos no centro do Capitalismo”, lembrou Cláudio Puty. “Esta norma caminha em direção oposta ao desenvolvimento dos estados mineradores e do Brasil”.

Por meio da Lei Kandir, o governo beneficia empresas mineradoras, altamente rentáveis, concedendo isenção de tributos para exportação de commodities de alto preço nos mercados internacionais.

Segundo cálculos do Tribunal de Contas do Estado do Pará, no último ano, os cofres estaduais foram privados em cerca de R$ 2 milhões por causa da isenção de impostos pela Lei Kandir. O Pará tem um orçamento anual que supera pouco mais de R$10 milhões ao ano.

“Não se encontra na teoria econômica fundamento para tal covardia. Pois não se pode fomentar a isenção tributária a uma atividade como a extração de minério que um dia se esgota. A isenção aumenta a produtividade das mineradoras, que aproxima ainda o fim dos minerais e não gera recursos para garantirmos a industrialização das áreas exploradas”, analisou Puty.


O deputado Cláudio Puty ainda defende que o fim da Lei Kandir para a exportação de bens não-renováveis deve ser vinculado a criação de um fundo de fomento a industrialização, a ciência e a tecnologia. “Assim garantiremos recursos para verticalização produtiva, o que é fundamental para mudarmos o rumo do Brasil minerador”, disse o parlamentar.(Erika Morhy)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Fafá e Jatene cantam 'Romaria'










A cantora Fafá de Belém fez uma apresentação especial, na Estação das Docas, durante o período em que a imagem de N. Sra. de Nazaré percorreu a av. Castilhos França.

A cantora recebeu um grupo de personalidades no palanque armado pela OS Pará 2000, que administra a Estação.

Fafá interpretou 'Ave Maria', fez dupla com o padre Fábio de Melo e também como governador Simão Jatene, com que cantou "Romaria", quando a berlinda já alcançava a avenida Presidente Vargas.

As fotos são de Miguel Oliveira

Buscas ao corpo do médico prosseguem



Amigos do médico Paulo Jennings, desaparecido no rio Amazonas desde as 15 horas da última sexta-feira, próximo à comunidade de Januária, partem de Santarém agora de manhã de lancha até o local do sinistro transportando combustível para abastecer as pequenas embarcações que fazem busca para encontrar o corpo do médico.

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Atualização às 18h20:

Passado mais de 48 horas de seu desaparecimento, o corpo de Paulo Jennings ainda não foi encontrado pelas equipes de busca.

sábado, 8 de outubro de 2011

Médico mergulha no rio Amazonas e desaparece


O médico Paulo Jennings, santareno radicado em São Paulo, desapareceu hoje à tarde,no rio Amazonas, proximo à comunidade de Januária, município de Óbdios, depois de ter mergulhado do toldo do barco Aruã, fretado por um grupo de amigos do cardiologista para uma pescaria.

Até o início da noite, mergulhadores do Corpo de Bombeiros fizeram buscas nas redondezas, mas não encontraram o corpo de Paulo Jennings.

As buscas prosseguem amanhã.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Capa da edição de sábado de O Estado do Tapajós

Bispo Dom Esmeraldo confirma seu apoio ao Tapajós

“Eu sei que com o Estado do Tapajós, as mudanças não virão imediatamente como num passe de mágica, mas com certeza, pior do que está não vai ficar”, disse o bispo Dom Esmeraldo, durante reunião com membros da Frente Pró-Tapajós, realizada hoje de manhã, na Cúria da igreja matriz de Nossa Senhora da  Conceição.

Durante a reunião o bispo Dom Esmeraldo, pediu uma avaliação geral das atividades que a Frente vem desenvolvendo, para entender a dinâmica da campanha e saber o que de fato ainda precisa ser feito, para garantir o sucesso da criação dos novos estados.

Almoço do Círio no Doca Reduto

Posse de João Goulart é esquecida


Lúcio Flávio Pinto

Em 7 de setembro de 1961 o advogado gaúcho João Belchior Marques Goulart, aos 42 anos, tomou posse como presidente da república, depois de duas das mais dramáticas semanas da história brasileira. Esperei pela comemoração – ou ao menos o registro – adequado da data até o último dia de setembro. Para meu espanto, num país dado às efemérides, nada veio. O cinqüentenário redondo passou em branco.

É incompreensível. Naqueles dias, o Brasil esteve às portas de uma guerra civil, que certamente seria muito pior do que a insurreição paulista de 1932. A insubordinação de São Paulo às então ensaiadas pretensões ditatoriais de Getúlio Vargas não passou de ensaio para um confronto direto entre dois poderes, o político e o empresarial. Seu símbolo maior foi a batalha de Itararé, aquela que nunca houve.

A tradição brasileira de ruptura da ordem constitucional, sempre declarada como democrática na lei suprema, vinha sendo a dos golpes pelo telefone. Os chefes militares se comunicavam para medir forças e aquele que tivesse mais efetivos era declarado vencedor, fazendo-se a sua vontade. As tropas podiam ir às ruas, mas o fator decisivo era a confabulação dos seus comandantes.

A crise desencadeada em 25 de agosto de 1961 se apresentava completamente original, mesmo na tradição dos pronunciamentos militares do continente ibero-lusitano nacionalizado. Em pleno dia do soldado, o presidente da república amanhecia com um pedido de renúncia irrevogável do cargo. Mesmo o mais fecundo dos profetas acordara naquele dia certo de que o feriado seria o de rotina. Crises havia, de diversas naturezas. Mas a autoridade do advogado e professor de português Jânio da Silva Quadros, de 44 anos, permanecia intocada.

Essa autoridade provinha de uma votação popular maciça na eleição do ano anterior. Embora fosse o vitorioso com 48% dos votos (não havia então a necessidade de maioria para evitar o 2º turno, como hoje; era turno único), obteve a maior quantidade de votos (seis milhões) conferida a um político no Brasil (10% do que Lula recebeu em 2006) e a mais larga das diferenças já impostas ao concorrente mais próximo, o prussiano marechal Henrique Duffles Teixeira Lott, ex-ministro da guerra (ministério extinto em 1964, junto com a patente de marechal).

Seria, finalmente, a derrota de Vargas, ditador por 15 anos a partir da revolução dos tenentes em 1930 e presidente constitucional entre 1951 e 1954, quando se suicidou para não ser deposto e deixou sua carta-testamento como a bandeira de luta do trabalhismo, a vertente mais anti-golpista da política institucional brasileira.

Jânio era candidato de uma coligação liderada pela UDN (União Democrática Nacional), um amplo espectro de matizes ideológicos, do centro à direita, dedicado permanentemente a riscar do mapa o legado de Getúlio. Seus principais líderes eram as famosas viúvas carpideiras, a rondar permanentemente os quartéis emulando golpes de estado.

Mas Jânio não era a UDN. Era, na verdade, o seu oposto. Em sua mente atormentada as palavras do ditador populista grelavam como sementes híbridas. Imposto aos udenistas por falta de candidaturas mais fortes para enfrentar a coligação PSD/PTB, que estava no poder, Jânio foi aceito a contragosto. Seria o aríete para derrubar o portal getulista. Depois, seria abandonado.

O raciocínio, com objetivo oposto, era partilhado pelo governador de São 
Paulo, detentor da mais meteórica carreira política registrada até então (de vereador a chefe do executivo estadual em eleições sucessivas e memoráveis, uma atropelando o mandato conquistado na anterior). Jânio criou o Movimento Popular JQ para ter uma estrutura própria, inteiramente sob o seu controle, à margem da UDN e de todos os demais partidos organizados, que lhe causavam repulsa (rejeição partilhada pelo eleitor médio, carente de heróis, suscetível aos carismas).

Era a primeira ferramenta para o golpe, que provavelmente já deambulava pelo seu cérebro, em meio a vapores etílicos. Estratégia que se confirmou quando, na presidência, designou interventores informais em todos os Estados, como delegados pessoais, aptos a cumprir suas ordens. Essa estratégia combinava com a manobra anterior, durante a campanha eleitoral: ao invés de apoiar seu companheiro de chapa, o mineiro Milton Campos (daquele grupo de udenistas refratários ao golpismo de Carlos Lacerda), mandou carregar a votação em João Goulart, o vice do marechal Lott. Jango foi o eleito (a votação nessa época não era casada: podia-se votar no presidente de um partido ou coligação e no vice de outro grupo). Com camuflagem, o varguismo prosseguia, combinando populismo com desenvolvimentismo.

Lacerda, governador da Guanabara (Estado-fantoche criado pela mudança da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília), criou uma crise séria ao juntar fatos desconexos, misteriosos e insondáveis, mas plenamente verossímeis, e acusar – embora por linhas tortas – o presidente de estar preparando um autogolpe para se tornar ditador. A repercussão era grande. Mas não inviabilizava o prosseguimento do governo.

Daí a surpresa chocante com aquela carta de renúncia, tosca e inconvincente. Era inspirada na carta-testamento de Getúlio Vargas. Mas, fora do mesmo contexto, soava como farsa, na repetição forçada. Seu eixo era a referência a “forças ocultas” que teriam inviabilizado o presidente de exercer o seu mandato. Ocultas era o que as forças opostas a Jânio não eram. Estavam todas escancaradas.

Hoje, a interpretação mais consolidada é de que JQ imaginou o golpe como uma maneira de se livrar dos partidos e do parlamento para poder governar com plenos poderes. A reação popular seria tão devastadora que ninguém mais se atreveria a se colocar em seu caminho. Saindo só, ele voltaria nos braços do povo, que lhe dera, nove meses antes, uma vitória sem paralelo na política nacional. E estaria disposto a fazer de sua manifestação um referendo plebiscitário total. Jânio poderia mandar no Brasil de slack, transmitindo ordens por bilhetinhos, fazendo o que lhe desse na veneta – sem deixar de bebericar seu uísque, em grandes goles, é claro.

O esquema explicativo se amolda como luva aos fatos, mas não esgota a explicação. Nela, há um componente de subjetividade que desafia as teorias sobre determinação em última instância, resultante de condições objetivas e globais. A personalidade encontra aí asas para voar. A manobra janista, por sua marca de extemporaneidade e rapidez, talvez tivesse inviabilizado o efeito pretendido.

Como na proclamação da república, chefiada por um monarquista da véspera, o povo viu de fora os acontecimentos, “bestializado”, na expressão do jornalista Aristides Lobo. Como se não fosse ator no cenário. Tomando a decisão ao alvorecer de um feriado nacional, depois de uma madrugada insone regada a malte escocês, o presidente agiu como num solilóquio, tão magistral que ecoaria pela extensão continental do Brasil como um chamado às armas.

As horas seguintes mostrariam que ele delirava (em delirium tremens?) ao pensar assim. Mas o golpe não estava inviabilizado de todo. Os chefes militares se apresentaram logo diante do presidente e lhe garantiram sustentação armada para que reassumisse o cargo e desse as ordens a serem cumpridas. Patético foi o apelo do principal dos chefes, o marechal Odilo Denys, o mesmo que incitara o marechal Lott a colocar as tropas nas ruas para prevenir o golpe udenista de novembro de 1955, contra a posse do primeiro sucessor do varguismo, o mineiro Juscelino Kubitscheck de Oliveira.
Denys sabia que, dentro da ordem constitucional, a única opção que havia era a posse do vice-presidente João Goulart. Em posição invertida em relação ao episódio de seis anos antes, agora era a vez de o marechal sair da legalidade para convalidar a ilegalidade.

Tudo, menos o herdeiro direto de Getúlio, que os militares conseguiram apear de um cargo chave, o Ministério do Trabalho (onde Jango concedera o maior aumento ao salário mínimo em todos os tempos, de 100%), sem conseguir impedi-lo de permanecer à soleira do poder máximo, como vice-presidente (mas, ao menos, como figura decorativa até então). Era a projeção do fantasma do vizinho peronismo assustando as almas penadas da geopolítica continental.

Talvez ser referendado por chefes militares não estivesse no script montado na mente de Jânio. Talvez aí incidisse alguma reflexão sua sobre as relações de Adolfo Hitler com a Wehrmacht, o exército alemão. Para não ficar nas mãos dos generais (nem da SA, o braço armado de Röhem), Hitler criou a SS, forças armadas paralelas e de elite, apesar de suas enormes fileiras.

Os generais não gostaram, mas todas as tentativas que fizeram para matar Hitler fracassaram. O führer foi o líder e o comandante supremo até se suicidar, no bunker de Berlim, para não cair nas mãos dos russos, como aconteceu a centenas de milhares de homens que ele mandou para o front de guerra (sem nunca visitá-los na devastadora frente oriental).

Por esse ângulo o paralelismo é descabido, mas não o esquema que desencadeou a manobra de Hitler, como a de Jânio. Ele recusou o apoio dos comandantes militares e voou imediatamente para São Paulo. Mas permaneceu ainda por longo tempo na base aérea de Cumbica à espera do ribombar das multidões consagradoras, que não veio.

Assim, a marcha sobre Brasília não teve o mesmo sucesso da romana, que Benito Mussolini comandara quatro décadas antes, na infletida ascendente dos fascismos. O capítulo Jânio Quadros da história brasileira só não se encerrou de todo naquele momento porque Fernando Henrique Cardoso, do alto da presunção tucana, três décadas depois, proporcionou-lhe, involuntariamente, a última aparição (já fantasmagórica) em cena, na prefeitura de São Paulo. O demiurgo da democracia brasileira ainda se valeu dos votos do povo para tirar proveito do erário.

O golpe contra Jango fora armado pelo próprio Jânio. Mandara o vice-presidente à odiada China Comunista como peça de encaixe da trama urdida. A presença do herdeiro de Getúlio entre comunistas, que amanheciam comendo crianças no café, na doutrina da guerra fria, reforçaria a necessidade de rebater a renúncia com a concessão de plenos poderes ao presidente-estadista. Ele tinha rompantes alucinados, como ao conceder a maior honraria brasileira ao líder cubano Che Guevara, dias antes, mas possuía a autoridade e a legitimidade sacramentadas junto ao povo. Dessas qualidades a conspirativa UDN (castrense ou civil, além de anfíbia) era carente.

Sacramentada a renúncia de Jânio, começou uma nova manobra golpista, para impedir a sucessão constitucional com a posse do vice-presidente eleito pelo povo. O amoldável deputado federal paulista Ranieri Mazzilli assumiu o cargo, por ser o segundo na ordem de substituição, mas a interinidade tinha as marcas da perenidade. Era para ficar ali, como o boneco a obedecer a ordens dos ventríloquos. Se ousasse retornar ao Brasil, Jango seria preso.

O esquema, bem tradicional, começou a ruir quando o governador do Rio Grande do Sul, o engenheiro Leonel de Moura Brizola, de currículo tão luzidio quanto o de Jânio nos limites dos seus pagos, três anos mais novo que o cunhado vice-presidente, disse não e começou de imediato a dar conseqüências a esse brado. O palácio Piratini se transformou no quartel-general da reação ao golpe.

Para garantir a ressonância, Brizola requisitou uma emissora de rádio, a Guaíba, e a usou como núcleo de propagação da Rede da Legalidade. Em 24 horas, 500 mil civis se apresentaram nos quartéis da Brigada Militar espalhados pelo Estado para pegar armas em defesa da posse de Jango.

O problema era o III Exército, o maior e mais bem armado dos quatro exércitos brasileiros, continuamente adestrado para fazer frente ao maior inimigo em potencial do Brasil (ao menos até a era do Mercosul), a Argentina. 
Todos sabiam disso, golpistas e legalistas. Por ordem do marechal Denys, presidente de fato do país naquele momento, o general Orlando Geisel (irmão mais velho do futuro presidente, general Ernesto Geisel) deu ordem ao general José Machado Lopes, comandante do III Exército, para bombardear imediatamente o palácio do governo do Estado, no qual se encontravam em vigília permanente pelo menos 600 pessoas, dentre elas Brizola.

Esse episódio se tornou um detalhe na crônica dos acontecimentos, mas me veio à memória quando, 12 anos depois, os caças a jato da Força Aérea chilena bombardearam o palácio La Moneda, uma histórica construção levantada pelo colonialismo espanhol no centro da formosa cidade de Santiago (acumulando 20% da população do Chile). As seguidas explosões das bombas lançadas desencadeavam labaredas de fogo e o despedaçamento do edifício, dentro do qual havia muito menos gente, depois da evacuação que Salvador Allende ordenara, antes de, vendo a derrota se aproximar na forma de agressão sem limites, se suicidar.

O general, que dias antes recusara aderir ao movimento de Brizola, não cumpriu a ordem infame. Pode ter sido por horror à carnificina que se seguiria. É muito provável que o ataque desencadeasse uma verdadeira guerra civil, que começaria no Rio Grande do Sul e logo subiria pelo território nacional (já que o general Oromar Osório, comandante da forte divisão de cavalaria de Santiago do Boqueirão, na fronteira com a Argentina, já tomara o rumo do Paraná, em defesa da legalidade constitucional).

Nesse momento, diante da iminência de um confronto como nunca houvera no Brasil, os golpistas perceberam que, desta vez, nem a movimentação de tanques, carros de combate e homens armados seria suficiente para dar-lhes a vitória, como nos episódios anteriores. Agora haveria combate entre forças opostas. Teriam que combater o maior dos exércitos, com 80 mil homens bem adestrados, reforçado pelos 10 mil do efetivo da lendária Brigada gaúcha, e civis com passado belicoso.

De alguma forma (e da forma errada, pela mudança da regra constitucional vigente, para a adoção do parlamentarismo), mais um grande fazendeiro dos pampas gaúchos teria que ser admitido no poder supremo. Os golpistas estavam vencidos. Mas era apenas uma batalha. A guerra continuaria até 1964, quando se estabeleceu o mais prolongado e profundo dos golpes militares da história brasileira. Mas essa é outra história, para voltar a ser contada no próximo cinqüentenário, certamente sem a omissão do que agora relembro.

Não foi apenas um capítulo traumático da história brasileira: foi marcante também na minha vida. Getúlio Vargas entrou muito cedo nela. Ele passou por Santarém, onde minha família morava, em 1950. Eu mal completara meu primeiro ano de nascimento. O ditador rumara para o exílio quando o Estado Novo chegou ao fim, em 1945. Elegeu-se senador por seis Estados (a legislação admitia a disputa simultânea em mais de um Estado), mas praticamente não exerceu o mandato. Retornou plenamente adaptado à vida democrática, de longa duração para os padrões nacionais (19 anos), para disputar a mesma presidência que ocupara por ato de força.

Quem o saudou na passagem por Santarém foi meu pai, Elias Pinto, que tinha então 25 anos e era secretário da prefeitura. Getúlio gostou do discurso e designou meu pai como seu representante para organizar o PTB local e comandar a campanha presidencial ali. Eleito, Getúlio atendeu a maior reivindicação do município: a instalação de uma indústria para beneficiar a juta, principal produto regional, que era exportada em bruto. O presidente também prometeu que, numa viagem de trabalho pela Amazônia, pararia em Santarém para um ato público e para batizar o filho mais novo do seu correligionário, o Luiz, que ilustra este jornal (em todos os sentidos).

No dia 24 de agosto de 1954 a notícia do suicídio de Getúlio baixou como um raio sobre a nossa casa. A choradeira era grande. As janelas da frente foram escancaradas para deixarem passar marchas fúnebres, hinos e discursos. As pessoas não paravam de chegar. Apresentavam condolências ao meu pai, como se ele fosse da família Vargas (o que, de fato, era). Papai chorava e discursava.

Quando voltou do enterro em São Borja, terra dos Vargas, ele trouxe um disco compacto (de vinil). Pedro Luís lia a carta-testamento como se fosse o próprio Getúlio. Menino às vésperas dos cinco anos, o que primeiro me atraiu foi aquele sotaque carregado, com os “ll” prolongados pelo céu da boca, estalando como chicote. Depois, a sonoridade e a força daquelas palavras.

Finda a primeira audição coletiva, que se prolongou por horas e provocou soluços descompassados, coloquei o disquinho na vitrola e fiquei ouvindo sem parar. Logo tinha decorado a empolgante oração, para maravilha do meu pai. Passei a acompanhá-lo em reuniões, só para ele mostrar ao auditório que aquele menino era cabeçudo porque era inteligente.

Minhas primeiras interpretações do testamento de Getúlio foram um sucesso. Tão estrondoso que precisei ser contido à força de cala-boca, um confeito de açúcar colorido e redondo enorme, que levava minutos para se dissolver na boca aberta – e, portanto, imobilizada para a arte oratória.

Na campanha eleitoral de 1960 andei terçando armas pelas ruas de Belém, nossa residência quando papai veio assumir seu cargo de deputado estadual (o 6º mais votado no Estado, inaugurando sua conturbada carreira política). Eu distribuía as espadas do marechal Lott, candidato do PTB (e do PSD, adversários na política local), contra a vassoura moralista de Jânio.

Na crise de 1961 nossa casa fervilhava de gente atrás de notícias e orientações. Eu não descolava do Transglobe Philco, o potente aparelho de rádio que girava pelo mundo captando sons audíveis numa era de cacofonia no éter. Quando Jango chegou ao poder, papai foi junto. E eu atrás, mas não incondicionalmente. Via as cicatrizes e seqüelas daquele populismo, às vezes viciado, nas concorridas reuniões na nossa casa. Mas eu era nacionalista, seguindo como catecismo o que saía em publicações como O Semanário e em livros-panfletos, como os de Gondin da Fonseca.

Fui com papai ao Rio de Janeiro para ver o comício da Central do Brasil, no dia 13 de março de 1964. Depois o acompanhei a um encontro com o “doutor Jango”, conforme o tratava, na Granja do Torto. Papai era populista, mas considerava perigoso o jogo do presidente. Saiu desanimado da sala. “Não vai ter jeito”, comentou. Eu ainda não fizera meus 15 anos quando Jango foi para o exílio e nossa vida tomou outro rumo. Como a do Brasil.