quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Prefeitura de Porto de Moz pode ser mutada em R$ 7 milhões por atraso em concurso público

O Ministério Público do Trabalho requereu, na última quinta-feira (13), à Vara do Trabalho de Altamira, execução de acordo judicial que previa a realização de concurso público pelo Município de Porto de Moz, no Baixo Amazonas. Segundo o acordo, assinado com o MPT em agosto de 2011, o município deveria concluir todas as etapas para a realização de concurso público para provimento de cargos municipais efetivos até 31 de dezembro do ano passado e dispensar todos os servidores temporários, que estivessem em situação irregular, até 31 de março deste ano, substituindo-os por candidatos aprovados.

O concurso foi iniciado após o prazo acordado e a aplicação das provas está prevista para meados de outubro. O governo municipal alega que o atraso no cumprimento do acordo se deu em função do Poder Legislativo local haver rejeitado projeto de lei de iniciativa do Executivo para a criação de novos cargos públicos. Após intermediação do MPT em audiência na Procuradoria do Trabalho no Município de Santarém, onde estiveram presentes o prefeito de Porto de Moz e o presidente da Câmara de Vereadores, ficou acertado que o município enviaria para a apreciação legislativa novo projeto, o qual foi sancionado em março deste ano, criando 721 cargos na estrutura municipal.

Desta forma, o concurso só deve ser finalizado onze meses após o prazo determinado na cláusula primeira do acordo judicial, onde também está previsto que a omissão do Poder Legislativo não isentaria o município de sanções em caso de descumprimento. O Município de Porto de Moz já é reincidente na prática. Em agosto de 2005, o governo municipal firmou com o MPT acordo para a realização de concurso público e incorreu na mesma perda de prazo para cumprimento da obrigação, a qual só foi adimplida posteriormente, resultando na expedição de um precatório no valor de R$ 799.805,76. Mesmo com a realização do concurso, o município manteve em seus quadros cerca de 342 contratados.

Neste acordo mais recente, todas as obrigações – como a realização de concurso, dispensa de temporários e nomeação de aprovados no certame – foram descumpridas, totalizando multa no valor de R$ 7.762.000,00, requerida pelo MPT em juízo, para destinação ao Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT. O Ministério Público do Trabalho encaminhou ainda ofício à Promotoria de Justiça de Porto de Moz para a apuração de atos de improbidade administrativa por parte do gestor municipal.( Ministério Público do Trabalho )

Novo bispo de Santarém

Dom Flávio Giovenale, bispo de Abaetetuba, foi nomeado pelo papa Bento XVI o novo bispo diocesano de Santarém, em substituição a dom Esmeraldo, que assumiu a arquidiocese de Porto Velho.

Registrada a mais recente pesquisa eleitoral em Santarém

A Editora O Estado do Tapajós requereu, ontem,  junto ao Tribunal Superior Eleitoral(TSE) o registro de pesquisa eleitoral em Santarém que está sendo realizada pela BMP - Bureau Marketing e Pesquisa.

Serão entrevistados 600 eleitores no período de 17 a 20 de setembro de 2012.

O protocolo da pesquisa é PA-00161/2012.

A pesquisa será publicada pelo jornal O Estado do Tapajós.

Esta é segunda pesquisa contratada junto a BMP para divulgação pela Editora O Estado do Tapajós. A primeira foi realizada no período de 23 a 29 de agosto e publicada na ediçao do dia 31 de agosto de 2012.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Alexandre Von lidera pesquisa do Ibope em Santarém


O candidato do PSDB, Alexandre Von lidera a corrida  pela prefeitura de Santarém com 39% das intenções de votos. Em segundo lugar está a candidata do PT Raimunda Lucineide Pinheiro, com 27%. José Maria Tapajós do PMDB é o terceiro colocado, com 13% das intenções de voto. Márcio Pinto (PSol) e Rubson Santana (PSC) têm 8% e 5% respectivamente. Eleitores que disseram que vão votar em branco ou nulo somaram 2% dos entrevistados. O percentual dos que disseram não saber em quem vão votar ou se recusaram a responder foi de 6%. Os dados são da pesquisa estimulada (onde os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados) feita pelo Ibope no período de 12 a 14 de setembro. Foram ouvidos 406 eleitores no município e a margem de erro é de cinco pontos para mais e para menos. 

Na pesquisa espontânea (aquela em que o entrevistado precisa lembrar do nome do candidato) Von tem 38% contra 26% de Lucineide e 12% de José Maria Tapajós. Márcio Pinto e Rubson Santana foram lembrados por 7% e 5% dos entrevistados, respectivamente. Os brancos e nulos, nesse caso, chegam a 3% e os que disseram não saber ou preferiram não responder somaram 10%. 

Governo Jatene tem boa aprovação

A pesquisa avaliou ainda a atual administração da prefeita Maria do Carmo Martins do PT. Ela foi considerada ótima ou boa por 31% dos entrevistados e regular por 39%. Para 31% o governo de Maria do Carmo foi ruim ou péssimo. O governador Simão Jatene também foi avaliado no município. A administração do Estado foi considerada boa ou ótima por 34% dos entrevistados. Para 38% ela é regular e para 26%, ruim ou péssima. Três por cento dos entrevistados não responderam. A administração da presidente Dilma Rousseff foi considerada boa ou ótima por 61% dos pesquisados. Para 29% ela é regular e 8% disseram que a administração federal é ruim ou péssima. 

A pesquisa procurou levantar ainda os maiores problemas da cidade na opinião dos eleitores. O calçamento/pavimentação de ruas apareceu em primeiro lugar, citado por 50% dos entrevistados. Saúde (49%) e educação (24%) foram o segundo e terceiro problema mais lembrados. Geração de emprego, abastecimento de água e rede de esgoto foram citados por 22%, 19% e 17% dos entrevistados, respectivamente. 

A pesquisa foi contratada pelo DIÁRIO DO PARÁ registrada no TRE-PA sob o protocolo n° PA-00119/2012.(Diário do Pará)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Cor de Rosa é campeão do festival dos botos do Çairé 2012



Com 744,35 pontos, o boto Cor de Rosa sagrou-se campeão do festival dos botos do Çairé. É o seu oitavo título
Na foto, a dança da sedução da cabocla borari pelo boto-homem.
Foto: Ronaldo Ferreira

Municípios têm até o fim de outubro para garantir mais recursos para creches

Os municípios têm até 31 de outubro para informar ao governo federal o número de crianças beneficiárias do Bolsa Família, de 0 a 4 anos, matriculadas em creches públicas ou conveniadas. A medida garante recurso adicional de 50% do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para beneficiar essas instituições por meio da ação Brasil Carinhoso.

A hora e a vez de Lula no mensalão

Ocorreu o que todos já desconfiavam, mas poucos envolvidos tinham coragem para afirmar. O publicitário Marcos Valério revelou finalmente que o chefe do esquema milionário do mensalão era nada mais nada menos do que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

E Marcos Valério disse muito mais. Contou que o ex-ministro José Dirceu era apenas braço direito de Lula; que os recursos movimentados ilegalmente chegaram a R$ 350 milhões (até então eram R$ 74 milhões); que os encontros para engendrar os crimes ocorriam no Palácio do Planalto e no Palácio da Alvorada.

E ainda: que Marcos Valério tratou várias vezes com Lula a respeito das tenebrosas transações, e que o ex-presidente cuidava pessoalmente da coleta clandestina de recursos. Ao ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, cabia decidir quais políticos precisariam receber os recursos ilegais.

“Só não sobrou para o Lula porque eu, o Delúbio e o Zé não falamos”, sentenciou Marcos Valério, em frase estampada na capa da revista.

Por fim, Marcos Valério afirmou que havia conseguido do PT garantias de que não seria condenado, algo que não se concretizou. Agora ele teme por sua morte. Daí resolveu falar, segundo reportagem de capa da revista Veja


Uma questão obscura é que a revista Veja não admite que fez uma entrevista com o empresário. Diz que conseguiu as informações por meio de terceiros, amigos de Valério. Provavelmente não foi assim que as coisas ocorreram.

De acordo com o jornalista Ricardo Noblat, a revista havia feito uma entrevista gravada com Marcos Valério, que não consultou seu advogado, Marcelo Leonardo. Ao saber do teor das declarações do cliente, o advogado tentou cancelar a publicação.

A revista se recusou a descartar a entrevista. A solução, acordada, foi afirmar que não houve qualquer conversa com um jornalista, mas que se tratava de um desabafo de Marcos Valério com conhecidos.

Inclusive, esse risco de a conversa de Valério com a Veja ter sido gravado é o que explica não ter havido praticamente nenhuma reação da imprensa governista contra a revista, como tem sido a prática habitual no jornalismo chapa-branca. Houve o temor de desqualificarem a entrevista e receberem como resposta uma gravação desmoralizante.

As negociações também explicam as ambíguas declarações do advogado de Valério, que negou a entrevista (assim como a Veja), e também não confirmou as declarações de seu cliente (tampouco as desmentiu).  A revista pode divulgar as gravações ainda na manhã de hoje.

De acordo com Noblat, Valério gravou um vídeo no qual incrimina meia República. A gravação está guardada em um cofre.

Nesse meio tempo, o presidente do Democratas, José Agripino, divulgou uma nota cautelosa e lúcida. “O que eram suspeitas colocam-se agora como objeto real de investigação pelas revelações atribuídas a Marcos Valério, principal agente operador do mensalão. Se confirmadas as revelações fica evidenciado que o mensalão estava instalado no Palácio do Planalto e no Palácio da Alvorada, símbolos maiores do poder da República. O Brasil espera explicações”.

O presidente Lula foi informado da reportagem, mas não quis se pronunciar. Mas da maneira habitual, redobrou o nível de agressividade. Na última sexta-feira, ofendeu o candidato do Democratas à prefeitura de Salvador, ACM Neto, que lidera com folga as pesquisas. No sábado, Lula chegou ao ponto de insinuar que o candidato à prefeitura de São Paulo, José Serra, corre o risco de ter um enfarte.

Mas o fundamental nessa história é saber quais são os fatos. O mínimo que ser quer é a punição para todos envolvidos, em outras palavras, justiça. Esta semana, por acaso, o relator do mensalão no STF, ministro Joaquim Barbosa, começa a leitura da parte do processo que envolve o núcleo político da trama. Personagens como José Dirceu e José Genoino agora entram na linha de tiro.

Uma coisa é certa. Ninguém sabe mais sobre toda essa falcatrua do que o publicitário Marcos Valério, já condenado por lavagem de dinheiro, peculato e corrupção ativa.(Rede Democratas)

Fuga de presos através de túnel é abortada na penitenciária de Santarém

Agentes do Sistema Penal em Santarém conseguiram impedir fuga de presos, nesta madrugada, da penitenciária agrícola Silvio Hall de Moura.

Os agentes descobriram a tempo que vários detentos estavam cavando um túnel que ligaraia a área das celas até a área externa da penitenciária, localizada no distrito de Cucurunã, a 15 km de Santarém.

Presos acusados de tentativa de fraude no concurso público da Polícia Civil


A Polícia Civil impediu uma tentativa de fraude no concurso 160C para cargos de policiais civis realizado domingo, 16, em Belém e no interior do Estado. Sete pessoas envolvidas em um esquema para tentar fraudar o certame foram presas em flagrante. Três delas portavam carteiras de identidade falsas em nome dos candidatos inscritos no concurso. 

O golpe foi constatado durante a prova. Um dos acusados tentou passar o gabarito da prova, via telefone celular, para outro candidato, mas foi flagrado. O esquema começou a ser desmontado depois que um dos falsos candidatos foi flagrado com uma carteira de identidade falsa. No documento, aparecia a foto do falsário, com o nome do candidato devidamente inscrito no certame.

Fisco estadual retém mercadorias de mineradoras

Agência Pará

Belém- A Secretaria da Fazenda do Pará (Sefa) iniciou ação de  fiscalização nas fronteiras do Estado, tendo como alvo as empresas de mineração que estão  irregulares perante o Fisco. A retenção acontece na entrada das mercadorias. Até o dia 13 de setembro foram retidos 30 veículos tipo carreta e lavrados os termos de apreensão.

O valor do imposto e multa das mercadorias apreendidas ultrapassa 500 mil reais. A unidade com maior número de ocorrências foi a Coordenação do  Araguaia, sul do estado. “A apreensão tem como motivo a não regularidade dos contribuintes”, explicou o secretário em exercício da Sefa, Nilo Rendeiro de Noronha. Ele informou, ainda, em relação às mercadorias apreendidas, que a maior parte delas referem-se a bens destinados ao ativo permanente  e encontram-se retidas nas unidades de fiscalização aguardando a regularização do pagamento do imposto. Caso o pagamento não seja efetuado, as mercadorias irão para depósito e posterior leilão.

Para fazer as apreensões, a Sefa selecionou as mineradoras que estão em situação de ativo não regular. No cadastro de contribuintes da Secretaria existem 150 empresas registradas na atividade de extração mineral e aquelas que não recolheram a taxa de mineração passaram à condição de ativo não regular. “Sejam grandes ou pequenas as empresas não regulares terão as mercadorias apreendidas”, afirmou Nilo Noronha.

domingo, 16 de setembro de 2012

Celpa: história muito tortuosa


Lúcio Flávio Pinto

Está cada vez mais claro que foi, no mínimo, precipitação o recebimento pela justiça do pedido da Rede/Celpa de recuperação judicial apenas 24 horas depois que ele foi apresentado. A documentação juntada ao pedido era exuberante, à primeira vista. Submetida a uma análise mais judiciosa, revelava sua completa insuficiência. A situação da concessionária paraense não podia ser definida sem uma visão de conjunto do conglomerado Rede e um pente fino sobre suas contas.

Uma prova nesse sentido é que, desde 28 de fevereiro, quando a recuperação judicial chegou ao judiciário, o passivo da empresa praticamente dobrou, chegando agora a 3,5 bilhões de reais, o que a tornou simplesmente irrecuperável. Outra demonstração foi a decretação de intervenção pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) nas oito empresas que integram o grupo Rede. Certamente com um pouco mais de tempo e mais determinação em apurar a verdade, a Celpa estaria também sob intervenção federal.

Com a recuperação judicial em claudicante andamento, a direção da Celpa deixa de receber os interventores e continua a ser gerida pelos dirigentes do grupo Rede e pelo administrador da confiança da juíza Filomena Buarque, Mauro Santos, por ela indicado depois que destituiu o administrador inicial, nomeado pelo juiz que respondia pela vara e que acolheu o pedido.

Tudo indica que a Celpa foi descarnada para servir de cobertura às outras concessionárias da Rede. Como um passivo chegou a valor tão alto se a Rede tinha no Pará quase oito milhões dos 17 milhões de pessoas por ela atendidas – e 1,8 milhão de clientes diretos para os 2,6 milhões servidos pelas outras oito empresas do grupo?

Tendo começado torta, é provável que essa história vá tortuosamente até o fim.

sábado, 15 de setembro de 2012

Valério afirma que Lula era 'chefe do mensalão', diz revista

'Veja' deste final de semana traz reportagem com o caso.
Advogado de Valério não confirma declarações.

 
Marcos Valério na capa da revista 'Veja'
deste fim de semana (Foto: G1)

Marcos Valério - Capa revista Veja (Foto: Reprodução)

Do G1, em Brasília

Reportagem publicada na edição deste final de semana da revista “Veja” afirma que Marcos Valério, apontado como o operador do esquema que ficou conhecido como mensalão, disse a pessoas próximas que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era o "chefe e fiador" do esquema e tinha conhecimento das operações do suposto esquema do mensalão, atualmente em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal.

De acordo com a revista, a reportagem foi feita com base em declarações de parentes, amigos e pessoas associadas a Marcos Valério. O texto diz: "O medo ainda constrange Marcos Valério a limitar suas revelações a pessoas próximas. Até quando?".

Segundo a reportagem, Lula "teria se empenhado diretamente na coleta de dinheiro" para o esquema e tinha o ex-ministro José Dirceu, réu no processo do mensalão, como seu "braço direito".
 
Se confirmada, essa seria uma nova versão de Valério para o escândalo. Em diversas declarações desde 2005, Valério e nenhum outro réu no julgamento do mensalão no STF nunca haviam envolvido o ex-presidente diretamente ao caso. Lula não é réu no processo.

Segundo Marcelo Leonardo, advogado de Marcos Valério, o cliente dele não confirma nada do que está na edição da revista "Veja" deste sábado. Questionado se ele desmente o que foi publicado, o advogado se limitou a reafirmar que Marcos Valério não confirma nada e que a revista deixa claro, na "Carta ao Leitor", que ouviu "parentes, amigos e associados" para elaborar a reportagem.

O advogado disse que Marcos Valério não dá entrevista desde 2005, quando falou com a Globo Minas, e não seria agora que ele falaria.

Até o horário de publicação desta reportagem, o G1 tentou, mas não conseguiu contato com o Instituto Lula, que representa o ex-presidente, para comentar a reportagem da revista.

R$ 350 milhões
 
Segundo a publicação, o caixa do PT no esquema seria de “pelo menos” R$ 350 milhões. O valor é quase três vezes superior ao que foi denunciado pelo Ministério Público Federal.

“Da SMP&B vão achar só os 55 milhões, mas o caixa era muito maior. O caixa do PT foi de R$ 350 milhões, com dinheiro de outras empresas que nada tinham a ver com a SMP&B, nem com a DNA”, afirmou o empresário, segundo a revista.
A reportagem não informa quais seriam as fontes desses R$ 350 milhões.

Marcos Valério já foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que julga o processo do mensalão, pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e peculato.
Segundo a reportagem, ao ser abordado pela revista na última quarta-feira (12) em Belo Horizonte, Marcos Valério afirmou. “O PT me transformou em bandido”.

A reportagem afirma que, nos últimos dias, Valério tem confidenciado a amigos e pessoas próximas detalhes de um acordo que teria firmado com o PT.

Segundo a revista, para proteger “figurões do partido”, Valério teria assumido a responsabilidade por crimes que não cometeu sozinho. Teria recebido garantias, segundo a revista, em troca do silêncio. A reportagem afirma que, para amigos, Valério afirmou que corre risco de morte caso conte tudo que sabe. “Vão me matar. Tenho de agradecer por estar vivo”, teria afirmado o empresário.

A reportagem afirma também que Delúbio Soares , que também é réu no processo do mensalão, tinha a missão de ajudar na captação dos recursos e definir o nome dos políticos que receberiam os recursos. O aval era dado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, também réu no processo que está sendo julgado pelo STF.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Capa da edição de sexta-feira de o Estado do Tapajós


Clique na imagem para ampliar.

Prefeita de Santarém não pune responsáveis pelo asfaltamento de praia em Alter do Chão

Miguel Oliveira
Repórter

A prefeita Maria do Carmo assumiu sozinha o desgaste pela desastrada operação de asfaltamento do prolongamento de uma rua em direção à praia da enseada do lago do Jacundá, em Alter do Chão.

Apesar do pedido de desculpas pelo dano ambiental provocado pela prefeitura, Maria do Carmo poupou seus auxiliares de quaisquer responsabilidades, prometendo que o dano seria reparado e o asfalto seria removido imediatamente.

O ato da prefeita esconde a fragilidade de seu governo a menos de 3 meses de passar o cargo ao seu sucessor(a). Se não aprovou previamente o uso de asfalto em uma das mais belas prais do mundo, segundo o jornal inglês The Guadian, Maria do Carmo tinha conhecimento que a coordenadora de projetos da prefeitura Alba Valéria e a secretária da Seminf Conceição Miléo comandavam pessoalmente a operação de asfaltamento de vias naquele distrito de Santarém.

Por quê Valéria e Conceição não informaram à prefeita sobre o que seria feito na praia? A resposta mais lógica que vem à mente, num momento de crise como esse, é que a cadeia de comando já não é mais respeitada. Diz o ditado que prefeito que está deixando o cargo "nem vento lhe bate às costas".

Tenho pra mim que a prefeita só não afastou sumariamente as suas desastradas auxiliares porque seria acusar o golpe e provocar desgastes na campanha eleitoral de Lucineide. Como não é mais candidata, a prefeita deu os anéis para não perder os dedos diante de um vexame administrativo que está sendo comentado em jornais e meios eletrônicos de todo o Brasil.

Maria do Carmo até que trabalhou, mas como a personagem Odorico Paraguaçu, que queria arranjar um morto de qualquer jeito para inaugurar o cemitério de Sucupira - a antológica cidade criada por Dias Gomes para a Tv Globo - ela, politicamente, será lembrada por ter sido a prefeita de Santarém que 'asfaltou praia'. 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Praia asfaltada em Santarém! De quem é esta idéia macabra?

Acesso à praia da enseada do lago do Jacundá, em Alter do Chão, recebeu terraplenagem e camada de selante asfáltico de máquinas da Prefeitura de Santarém, ontem, no final da tarde.

Hoje de manhã, em sua página no facebook, Alba Valéria comemorana o inicio do asfaltamento de vias em Alter do Chão, em companhia da secretária de infra-estrutura Conceição Miléo.

Uma fonte do Blog do Estado informou que a idéia maluca de asfaltar parte da praia da enseada foi dessa dupla, sem autorização da prefeita Maria do Carmo.

O vereador Valdir Matias Jr, presidente do Partido Verde, deve acionar o Ministério Público para denunciar a Prefeitura de Santarém por crime ambiental. 

Fotos do facebook de Mauro Vasconcelos.





Ibope registra de pesquisa eleitoral em Santarém

O Ibope resgistrou, ontem à noite, no site do Tribunal Superior Eleitoral(TSE), pesquisa eleitoral em Santarém, sob encomenda da Tv RBA.

A pesquisa, se não for impugnada, será publicada no final de semana através da TV RBA e na edição de domingo do jornal Diário do Pará.
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Atualização às 15h00:
Dados da Pesquisa
Número do protocolo: PA-00119/2012
Data de registro: 11/09/2012
Data de divulgação: 16/09/2012
Empresa contratada: IBOPE INTELIGÊNCIA PESQUISA E
CONSULTORIA LTDA.
Data de início: 11/09/12 Data de
término: 16/09/12 Entrevistados: 406

Sema leva conscientização ambiental às praias de Santarém


Uma equipe de Educação Ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) chega nesta quarta-feira, 12, em Santarém, região do Tapajós, com o projeto de conscientização nas praias, Ação Verão. O projeto é uma iniciativa da Coordenadoria de Capacitação e Educação Ambiental (Ceam), voltada para os turistas que invadem a cidade devido à festa do Çairé, que ocorre este mês em Santarém.

Oficinas, distribuição de material informativo e abordagem junto a veranistas são algumas das atividades do projeto. O contato direto com catraieiros, donos de hotéis, quiosques e bares transforma os membros da comunidade em agentes multiplicadores, pois os moradores passam a colaborar com um ambiente seguro e saudável. O Ação Verão se estenderá até o dia 17, com o encerramento do Çairé.(Agência Pará)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Deputado Nélio Aguiar enaltece a festa do Çairé

Kátia Aguiar

A importância da festa do Çairé, a mais antiga manifestação da cultura popular da Amazônia, que será realizada em Santarém, no período de 14 a 17 deste mês, na vila de Alter do Chão, foi destacada nesta terça-feira, 11, pelo deputado Nélio Aguiar (PMN), durante sessão na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa). O apoio do Governo do Estado foi fundamental para mais uma edição da festa, então, aproveito para  convidar a todos os parlamentares desta Casa a participar desse grande evento na nossa querida Santarém”, disse.

O Çairé acontece há mais de 300 anos na Vila de Alter do Chão, que abriga a mais linda praia de água doce do planeta, segundo guias de turismo. A festa  mistura elementos religiosos e profanos, o que dá um toque diferente e especial à festa. O Çairé foi criado pelos jesuítas que colonizaram a região e inicia com procissões, ladainhas, apresenta ainda manifestações folclóricas e encerra com  a disputa dos botos Cor de Rosa e Tucuxi. São eles os anfitriões do Festival dos Botos, uma disputa de arte que embeleza as noites do Çairé. Através de alegorias, fantasias, coreografias e música, um corpo de jurado escolhe qual grupo dramatizou melhor a lenda do boto, que conta que a estória de que moças ribeirinhas são seduzidas pelo boto que virou homem.

“Parabenizo aos comunitários de Alter do Chão pelo empenho e dedicação de todos para mostrar ao Pará, Brasil e o mundo a nossa cultura amazônica” disse Nélio.

Divulgado resultado provisório da 1ª etapa da Polícia Militar


Já está disponível na página de acompanhamento de Concursos Públicos da Universidade do Estado do Pará (Uepa), o http://paginas.uepa.br/concursos/, e na edição desta terça-feira (11) do Diário Oficial do Estado (DOE) a relação provisória dos candidatos classificados para a 2ª Etapa do concurso público da Polícia Militar do Estado nas seguintes modalidades: Curso de Formação de Oficiais (CFO), Curso de Adaptação de Oficiais (Cado) e Curso de Formação de Soldados (CFSD).

Os recursos, em face do resultado provisório da 1ª etapa do Concurso, poderão ser feitos nesta quarta (12) e quinta-feira (13), de 8h às 14h, na Diretoria de Acesso e Avaliação (DAA) da Uepa, localizada no prédio da Reitoria, no bairro do Telégrafo. Os candidatos devem trazer a manifestação em envelope identificado com nome e número de inscrição e preencher um formulário disponível na diretoria.

A partir do dia 25 de setembro será publicado o Edital de Convocação para 2ª Etapa referente a Avaliação de Saúde, quando todos os candidatos classificados deverão comparecer nas datas, horários e locais indicados, devidamente munidos dos exames laboratoriais, exames de imagens e laudos médicos, conforme previsto no sub item 7.3.4 dos editais.(Agência Pará)

Memória da imprensa do Pará: Jornalistas de carteirinha


Lúcio Flávio Pinto
Articulista de O Estado do Tapajós

Relação dos jornalistas profissionais registrados no Brasil me saiu um pouco salgado num dos sebos do Rio de Janeiro. Mas não hesitei em comprar o volume, muito mal conservado, de 160 páginas. Foi editado pelo Serviço de Documentação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Não tem qualquer data nem a menor indicação de época. Apenas o nome de quem foi o dono do livro: Soter.

O dito cujo deve se chamar Soter Ferreira de Paula. Debaixo desse nome está a única anotação feita no livro, em caneta hidrocor de tinta vermelha. Soter foi registrado como jornalista com o número 270 na Delegacia Regional do ministério em São Paulo, que tinha pouco mais de seis mil, abaixo apenas do Rio, que ainda era a capital federal. O primeiro é Luiz Silveira e o último, Oscar Augusto de Camargo. O antepenúltimo eu conheci: Paulo Affonso Grisolli, que trabalhou na TV Globo.

Apesar de não ter data indicada, o que constitui uma falha surpreendente para um órgão oficial, o livro deve ter sido editado na década de 1950. Nessa época, a delegacia do trabalho no Pará possuía o registro de 143 jornalistas profissionais.
O professor Themístocles Santana Marques é o número um da relação. S., como assinava os seus artigos, foi um dos mais importantes jornalistas paraenses. Era o responsável por O Estado do Pará, fundado por Afonso Chermont. Quando o jornal fechou, passou para a Folha do Norte. Escrevia muito bem. Era bem ponderado nas suas análises, mas não tão independente quanto parecia. Como muitos dos jornalistas dessa época, tirava mais rendimento das suas atividades no setor público.

Logo depois dele vêm Orlando de Moraes, João Malato Ribeiro (um dos mais ferinos articulistas, com intensa e extensa participação na vida pública estadual), Armando Vieira de Mendonça, Antenor Cavalcante, Paulo Eleutério Alves da Silva, João Motta de Oliveira, Manoel Ferreira de Azevedo e Ildefonso Tavares.

A partir desses 10 primeiros jornalistas com registro profissional no Pará, seguem-se alguns dos nomes mais conhecidos, pela ordem cronológica: Carlos Augusto de Mendonça (número 20), José Hermógenes Barra (21), Lindolfo Mesquita (23), Bianor Penalber (27), Paulo Eleutério Cavalcante da Silva, Pedro da Silva Santos (primeiro presidente do sindicato dos jornalistas), Georgenor Franco, Anaxágoras Gomes Barreiro (repórter de polícia, que viria a ser personagem de Haroldo Maranhão no romance Rio de raiva), José Sampaio de Campos Ribeiro, Rogero Cabral, Laurentino Soares, João Maranhão, Paulo Maranhão (50), Daniel Coelho de Souza, Diogo Costa, Levi Hall de Moura, Clóvis Maranhão, Sandoval Lage da Silva, Everardo Guilhon, Arnaldo Moraes Filho, Ossian Brito, Edyr Proença, Antero Soeiro, Haroldo Maranhão (73), Mário Rocha, Cunha Gonçalves, Orlando Zoghbi, Osvaldo Mendes (80).

E mais: Jaime Barcessat, Armando Mendes, Cláudio Augusto de Sá Leal (o maior jornalista de retaguarda da imprensa paraense), Milton Trindade (que foi senador e dirigiu os Diários Associados), Francisco Cronje da Silveira, José Tomaz Maroja, Raimundo de Souza Moura, Álvaro Tupiassu, Pádua Costa, Júlio de Alencar, Geraldo Palmeira, Carlos Castro, Elmiro Nogueira, Cunha Coimbra, Dejard de Mendonça, Cyro Proença, Ismaelino de Castro (111), Caubi Cruz, Lameira Bittencourt (senador), Egídio Sales, Benedito José de Carvalho, Maria Lúcia Bentes Pinheiro (primeira mulher registrada como jornalista, sob o número 120).

E ainda: João Botelho, Ápio Campos, Carlos Platilha, Evaristo Cardoso, José Coutinho de Oliveira, Leonam Cruz, Raymundo Cavaleiro de Macedo, Peri Augusto, Lobão da Silveira (senador), Hamilton Moreira, Carlos Vítor Pereira (irmão de Dalcídio Jurandir), Raimundo Noleto, Eunice Favacho (segunda mulher), Victória Gonçalves, Flaviano Pereira, Mário Faustino (o poeta, número 140), Helena Cardoso e Leão Álvares de Castro.

Nessa época, jornalista não pagava imposto de renda, tinha direito a desconto de 50% nas passagens aéreas e a financiamento integral da casa própria. Daí muitas pessoas procurarem uma forma de participação ou colaboração na imprensa para ter esses privilégios, eliminados pelo presidente Castelo Branco, o primeiro do ciclo militar pós-1964.

A listagem de nomes permite acompanhar e reconstituir a trajetória da imprensa no Pará. Nessa época o Amazonas tinha 63 jornalistas registrados (o último deles, Umberto Calderaro, dono de A Crítica, por muitos anos o líder de mercado em Manaus). No Maranhão havia 87.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Aonde está o verde que estava aqui no início do ano?

Vista aérea da área do Juá, entre o rio Tapajós e a rodovia Fernando Guilhon, onde estão sendo construídos quatro conjuntos residenciais com licenciamento ambiental expedido pela Prefeitura Municipal de Santarém.
Foto: Erik Jennings

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Eu sou amazônida. E você?

by Lúcio Flávio Pinto

Espero que este texto anime os integrantes deste blog a participar mais ativamente das discussões, que são a sua razão de ser.

Em 1984 voltei de uma temporada de estudos nos Estados Unidos disposto a fazer o mais crítico acompanhamento possível da construção da hidrelétrica de Tucuruí, a quarta maior do mundo, que estava na sua fase final, antes do enchimento do reservatório. Escrevia todos os dias sobre o tema na coluna de opinião que assinava em O Liberal.
A Eletronorte, responsável pela obra, não suportando a cobrança diária, se comprometeu a me avisar em tempo de estar em Tucuruí para o início da formação do lago artificial, o segundo maior do país, com 3 mil quilômetros quadrados. Mas não cumpriu a palavra.
Informado por outra fonte de que a última adufa se fechara, finalizando o represamento, fretei um táxi-aéreo em Belém e voei imediatamente para Tucuruí. Um engenheiro da Eletronorte já me esperava no aeroporto (operado pela empresa, que tudo controlava) quando o avião aterrissou.
Mandei tocar direto para a usina. De um ponto elevado divisei a paisagem: o Tocantins a jusante já sem o suprimento da água de montante e a enorme estrutura de concreto segurando aquele riozão, com mais de dois mil quilômetros de extensão, o 25º maior rio do planeta. Ali, o homem estava desafiando a natureza. Estancara o movimento natural daquelas águas pela primeira vez em milhões de anos.
O choro, mais forte do que eu, veio sem controle. Ao meu lado, o engenheiro Washington não sabia o que fazer. Por que eu chorava? Porque ali, naquele momento, diante de uma incrível obra do homem, ao mesmo tempo maravilhosa e diabólica, eu senti outro rio pujante a fluir pelas minhas veias de caboclo das margens alvas do belo Tapajós.
Uma das minhas fontes vitais, a água (mas não uma água qualquer: aquela água cristalina e refrescante da minha infância feliz), estava irremediavelmente tocada – e alterada – pela mão do homem, humana máquina, deus ex-machina.
Foi um dos momentos mais fortes e reveladores da minha vida. Refeito do choro, mirei o engenheiro da Eletronorte e ordenei: siga-me! E foi um tal de subir e descer escadas de adufas, dezenas, centenas, até que Washington, menos preparado para a tarefa hercúlea, bateu lona: “Juro que todas são iguais, não precisamos examiná-las por inteiro”.
Eu sabia disso, claro. Mas queria aplacar a minha fúria de caboclo, ludibriado pela grande empresa, como de regra, vítima de sua agressão supostamente bem intencionada. Começávamos o ciclo das grandes hidrelétricas. Os rios jamais voltariam a ser os mesmos.
A partir daquele momento, deixariam de ser caminhos naturais, abrigo aquoso dos nossos mergulhos, cúmplice dos amores que juramos como botos na fímbria das águas ou aturados sobre as areias sem igual das nossas praias.
Vivi situação semelhante, em outro contexto, no meu querido Tapajós. Foi em 2009,  ao deparar com fotos aéreas produzidas pelo Greenpeace sobre áreas de floresta que os plantios de soja substituíram. Senti a mesma dor no coração.
Como estava apenas virtualmente no cenário – e não de corpo presente, como em Tucuruí – desta vez não chorei. Mas talvez tenha sido pior. A lágrima alivia, consola, acalma. Sem ela, estamos entregues ao pleno domínio da consciência. E a lucidez dói muito na Amazônia, sangra no Pará, aniquila no Tapajós.
Neste exato instante, a discussão sobre o significado da substituição da floresta amazônica por novos cultivos, embora necessária, não é o que mais importa. Ela terá que vir – e logo. Mas no impacto da instantaneidade, o que conta é a dor.
Aquela paisagem, antes dominada por árvores de copas gigantes e com raízes de anão, agora reduto de rasteira vegetação homogênea, de planta exótica, fere a alma, quebra a unidade, rasga a identidade, é pura e bestial violência, como diriam nossos antepassados portugueses.
Amazônidas, somos filhos da água e da floresta. Temos 12% da água doce superficial da Terra e um terço de suas florestas tropicais remanescentes, que são as mais ricas em biodiversidade desta nossa Gaia. Água e floresta se formaram e nos antecederam desde milhões de anos atrás. Há uns oito mil anos – ou mais – os primeiros descendentes do Homo Sapiens se estabeleceram às margens desses ciclópicos cursos d’água e à sombra dessas árvores sem igual.
Durante 7.500 anos a espécie humana conviveu com os elementos naturais num cenário de harmonia (o “paraíso perdido” que Euclides da Cunha procurou no século XX). Nos últimos 500 anos esse organismo harmônico, formado por homens, árvores e água, se tem desintegrado. Nos últimos 50 anos desse meio milênio o processo de destruição dos elementos naturais foi avassalador.
Nunca o descendente do Homo Sapiens, ao longo de uma trajetória de 20 mil anos, destruiu tanta floresta quanto na Amazônia neste último meio século. E nunca desperdiçou tanta água, seja ela em si como em suas extensões utilitárias, especialmente na forma de energia.
Quem disse que precisa ser assim? Quem determinou que não pode ser de outra maneira senão assim? Quem apurou que desta maneira, substituindo o reino da floresta por novas práticas agrícolas e supostamente silviculturais, nos desenvolveremos e seremos felizes?
Não fui eu, é claro. Eu não aprisionaria um rio de dois mil quilômetros por uma barragem de 75 metros de altura para fazê-lo refluir sobre suas águas 200 quilômetros, submergindo três mil quilômetros quadrados, cobertos, sobretudo, por vegetação.
Ali foram acumulados de mais de 50 trilhões de litros de água, para transmitir energia por centenas de quilômetros até grandes consumidores, que pagam uma tarifa inferior à de custo (e, ainda assim, relativamente cara em comparação ao que seria viável por outro caminho de engenharia e outros padrões de gestão no serviço público).
Caboclo do Tapajós, eu não mandaria derrubar árvores de 50 metros de altura, congregadas num mutualismo sem paralelo, uma na dependência e na complementaridade da outra (processo que malmente começamos a conhecer, com um sentido que ainda nem somos capazes de divisar). Derrubar para em seu lugar fincar plantas de uma complexidade fisiológica, genética e biológica em geral que guarda, em relação à floresta, ordem de grandeza de uma gota de água no oceano.
Ficaremos mais ricos e mais desenvolvidos com essas novas culturas? Du-vi-de-o-dó, como dizíamos antes de só repetirmos a sintaxe da TV Globo. Mas, se ficarmos, não será a gente amazônica a beneficiada. Desapareceremos enquanto seres amazônicos, filhos da floresta e da água, últimos dos moicanos em uma cultura que não é o produto da mecânica de sempre: do desmatamento.
Por que não podemos erguer a cultura da floresta, não como uma etiqueta abstrata nem como um presente de deuses internacionais (mesmo que sejam guerreiros da paz verde), mas como uma opção inteligente do Homo Sapiens do século XXI? Por que não podemos continuar tentando comandar a nossa vida, pelos nossos padrões, conforme o nosso sentido?
Uma avaliação simples, mas nem por isso destituída de significado, feita em 2009, calculou em 1,6 trilhão de dólares o valor dos minérios depositados no subsolo amazônico. Pelo padrão de exploração da época, de US$ 3,4 bilhões de renda gerada pelos produtos de origem mineral, seria riqueza capaz de garantir essa renda durante 500 anos. Mas a biodiversidade era calculada, por esses mesmos analistas, em US$ 4 trilhões.
Por que, então, não dar uma trégua na expansão das frentes econômicas para prepararmos uma exploração racional e permanente desse tesouro produzido pela natureza amazônica? Por que vender o lauto almoço para ter o magro jantar? Por que não três boas refeições diárias, sem exaurir a dispensa?
Em 2007 quase chorei de novo ao ver as fotos de manchas de barro e produto químico drenando para o Tapajós por seus afluentes e igarapés, sangrados a partir dos garimpos de ouro. Há mais de meio século eles surgiram no alto rio, acima de Itaituba, como a redenção de Santarém. Garimpeiros enriquecidos apareceram na cidade a comprar terrenos e casas, a montar negócios, a gastar a rodo. O que sobreviveu dessas várias ondas de “bamburros”? A soja é esse novo ouro? E nós, somos o quê?
Eu sou o caboclo que chora seu rio aprisionado e sua floresta derrubada. Chora, se indigna, reage e escreve um texto como este, pedindo aos novos bwanas que cheguem-se a nós, sejam mais um de nós, mas como nós, que somos amazônidas.
E o que é ser amazônida? Foi o que um valente advogado paranaense (futuro presidente da Funai) me perguntou em 1990, quando participávamos, em Paris, da sessão do Tribunal Permanente dos Povos dedicada à Amazônia. “Somos todos brasileiros. Não existe esse negócio de amazônida”, insistiu o advogado, que se aproximou de mim, aflito, quando usei essa expressão na minha exposição aos membros do tribunal. Ele temia que eu estivesse sugerindo (ou propondo diretamente) que éramos um país dentro do país; que quisesse proclamar a independência da Amazônia do Brasil.
Formamos, sim, o mesmo país. Mas não somos iguais. Primeiro, porque somos o Brasil tardio, a última região que se tornou brasileira no Império (e, ao tentar se integrar, durante a Cabanagem, foi reprimida brutalmente pelo governo do Rio de Janeiro). E que permaneceu à parte até o advento da República, como se fosse um anexo nacional.
Segundo, porque somos uma região dominada pela floresta num país de bandeirantes, quase sinônimo de preador de gente e predador de mata. Somos a última possibilidade de civilização florestal. Não só no país, é bom acrescentar: na história do gênero humano.
Queremos o Brasil aqui conosco, partilhando nossa rica história, tão ou mais exuberante do que a de qualquer outra região do país. Mas queremos que os brasileiros, reconhecendo nossa condição de amazônidas, queiram ser amazônidas como nós, ao invés de combater esse nosso ethos.
Prometemos ser também bons brasileiros, fazendo a fusão que criará um novo e glorioso capítulo na história da humanidade, sem rios violentados e árvores desbastadas. Um Brasil verdadeiramente amazônida e uma Amazônia genuinamente brasileira.
Por que não a utopia em Santarém? E em Belém, Manaus, Rio Branco, Porto Velho, Juruti, Carajás? Sem utopia, a Amazônia será uma sucessão de fotos lancinantes na parede. E como elas doem!