segunda-feira, 16 de maio de 2011

Cerca de 30 inquéritos abertos pela PF para apurar tráfico humano estão em andamento no Pará


O coordenador nacional para o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, pelo Ministério da Justiça, Ricardo Lins, informou que são 28 inquéritos instaurados pela Polícia Federal de 1990 a 2010 para a investigação do tráfico de pessoas. “As informações não estão separadas por qual modalidade - se é para tráfico sexual, trabalho escravo e ainda a de remoção de órgãos”, explicou. Entretanto, foi acertado o repasse das cópias destes inquéritos para o acervo e pesquisa da CPI do Tráfico Humano da Assembléia Legislativa do Pará.

Devido aos números, o Pará foi incluído na Política Nacional de Combate ao Tráfico de Pessoas com a implantação do Núcleo de Enfrentamento ao crime, que funciona na Secretaria Estadual de Justiça e Defesa dos Direitos Humanos (SEJUDH). “Os núcleos têm por objetivo a descentralização da implantação da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, criando políticas estaduais que atendam aos três eixos da política nacional, reduzindo este crime”, abordou Lins. 

Participaram ainda da reunião da CPI, os deputados: Celso Sabino (PR), vice-presidente; Edmilson Rodrigues (PSOL); Gabriel Guerreiro (PV); e Edílson Moura (PT). O assessor do Ministério da Justiça, Marcelo Veiga; Murilo Sales, Coordenador e a psicóloga Shaula Collyer da Coordenação do Tráfico de Pessoas da Secretária Estadual de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH).

Televisão



Lúcio Flávio Pinto
Belém- Parece que a Banda Calypso, de Chimbinha & Joelma, que estava de asa virada para o grupo RBA, dos Barbalho, foi perdoado dessa audácia e readmitida à corte do grupo Liberal, dos Maiorana. Voltou a sair nas fotos e se tornou destaque na festa comemorativa dos 35 anos da TV Liberal.
Motivo real para celebrar, porém, não havia. Desde que começou a funcionar, nunca a Liberal esteve tão por baixo quanto agora. Se a tendência mais recente se mantiver, ela deverá ser ultrapassada pela TV Record, que tem em Belém sua segunda melhor praça. A luz amarela já piscou no painel da Globo.

Sem greve de ônibus


O jogo combinado entre a diretoria dos rodoviários e do sindicato das empresas de transportes coletivos para forçar o aumento da passagem de ônibus em Santarém ainda não deu certo.

A ameaça de greve não se concretizou.

Foi fechado um acordo entre empregados e patrões para aumento de 8,5% sobre os salários dos rodoviários.

Agora, a questão é saber se a Secretaria de Transportes e Trânsito vai reajustar a tarifa  para R$ 1,85, como querem os empresários. 

Capa da edição desta semana O Estado do Tapajós

Clique na imagem para ampliar.


São Raimundo enfrenta Cametá dia 21 na semifinal


Após a derrota por 3x1 para o Paysandu, ontem, o São Raimundo vai enfrentar dia 21, em Santarém, o time do Cametá, na seminfinal do segundo turno do Parazão 2011.
O outro confronto decisivo será entre Independente e Clube do Remo.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Dia de Campo em Belterra apresenta integração lavoura-pecuária-floresta


A Embrapa Amazônia Oriental promove dois eventos dia de campo neste sábado (14/05) em Belterra.Na fazenda Nossa Senhora Aparecida, a partir das 8h, pesquisadores da instituição apresentarão o sistema de integração lavoura-pecuária-floresta a técnicos em extensão rural e produtores da região. Essa tecnologia possibilita a produção de grãos, carne, leite e madeira na mesma área, implantadas de forma simultaneamente ou em ciclos culturais.

Nesse sistema, pastagens degradadas podem ser recuperadas para o plantio de grãos e espécies florestais. Ao final de alguns ciclos, o investimento na recuperação do solo é resgatado pela comercialização dos grãos e a área está apta para receber nova pastagem. Nessa fase, as árvores já crescidas acabam por oferecer conforto térmico ao gado e podem gerar renda quando forem abatidas.

O segundo dia de campo acontece pela parte de tarde, quando o público visitará o campo experimental da Embrapa em Belterra para conhecer os trabalhos de melhoramento de soja, milho e arroz, além de obter informações sobre adubação e sistema de plantio direto.

Prefeituras e empresas custearão estudo de viabilidade econômica do estado do Tapajós


A maioria das prefeituras da região Oeste do Pará já aderiu ao comitê pro-criação do estado do Tapajós e se comprometeu a liberar recursos para custear a elaboração do estudo de viabilidade econômica do novo estado.

Hoje de manhã, em reunião no auditório da ACES, a prefeita de Santarém  Maria do Carmo anunciou a doação de 50 mil reais para fazer frente às despesas com o documento. Também o prefeito de Rurópolis, Aparecido Pereira, informou que o município vai doar 10 mil reais. 


Extra-oficialmente sabe que a UFOPA é quem coordenará a elaboração do estudo de viabilidade econômica do estado do Tapajós, que contará com também com o apoio de empresas da região Oeste do Pará.

Leia a edição impressa de 7 de maio de O Estado do Tapajós

Clique nas imagens para ler as páginas em tamanho ampliado.







quinta-feira, 12 de maio de 2011

Sandro Lopes diz que reajuste da passagem de ônibus não está definido


O secretário de transportes do município de Santarém, Sandro Lopes, ainda vai submeter ao Conselho Municipal de Transporte e Trânsito a proposta de reajuste das passagens de ônibus urbano, cuja tarifa é de R$ 1,70. "Tivemos três reuniões preliminares com os empresários do setor este ano, mas não há definição do índice de reajuste", garantiu o titular da SMT ao Blog do Estado.

Segundo Sando Lopes, o Conselho Municipal de Transportes ainda não agendou reunião para tratar do reajuste da tarifa. " Há várias propostas na mesa de negociação, os empresários falam em R$ 1,90 e até R$ 2,00, mas os estudos da SMT vão apontar o novo preço da passagem em Santarém, que será sugerido ao conselho', esclareceu.

O titular da SMT não quis comentar a existência de um acordo preliminar que elevaria a passagem dos atuais R$ 1,70 para R$ 1,85, um reajuste em torno de 10 por cento.

Post do Leitor: “Porque sou a favor do novo Estado do Tapajós”

Ricardo Setti
Veja On Line




Amigos, redigi um post criticando a aprovação, pelo Congresso, de plebiscitos para dividir o Estado do Pará com a criação de dois novos Estados, Tapajós, no oeste paraense, e Carajás, no sul, pelas razões que podem ser encontradas aqui.
Recebi muitas críticas de leitores que, fundamentalmente, alegam que desconheço a realidade das regiões — a maioria deles leitores residentes no que seria o futuro Estado do Tapajós.
Como esta é uma coluna democrática, abro espaço para que o amigo do blog Caetano Scannavino Filho — um paulistano que vive em Santarém há 23 anos, visivelmente apaixonado pela região e coordenador da ONG Projeto Saúde e Alegria — apresente argumentos em favor da criação, no caso, de Tajapós.


A discussão sobre a divisão do Pará pode e deve ser nacional. No entanto, o Brasil precisa entender a Amazônia. Fala-se muito na sua internacionalização, mas o que se precisa mesmo é nacionalizá-la, sobretudo para que o principal centro econômico e de formação de opinião – o eixo São Paulo-Rio – compreenda melhor suas realidades, desafios, culturas e oportunidades de negócios.
Aí deixará de enxergá-la como um “ônus” que só tem conflitos e desmates, e perceberá que temos um grande “bônus” nas mãos, uma riqueza imensurável que, se manejada de forma sustentada e includente, poderá impactar o nosso Produto Interno Bruto (PIB) e justificar que o Brasil, o “país do futuro” que ouvíamos na infância, chegou.
Há vários projetos para criação de novos Estados tramitando no Congresso.
Nesse caso, a lógica comum do pensamento vai ser sempre tender para o oportunismo, os custos de implantação, a solução que não é solução, entre outros argumentos coerentes. Mas não podemos colocar toda farinha no mesmo saco – aliás, estaríamos escondendo as delicias da farinha “puba” do Tapajós, algo muito típico e especial da nossa região.
É importante entender que cada caso é um caso.
Tratarei aqui da Amazônia – onde municípios têm o tamanho de Estados e estes, de países – mais especificamente da nossa região do Baixo Amazonas.

Santarém (Pará)

Santarém: o município polo do Baixo Amazonas, não vê acontecer políticas estaduais sendo aplicadas e/ou adaptadas para a sua realidade

Distâncias e falta de políticas adaptadas à realidade do Oeste
A proposta pelo Estado do Tapajós não consiste na divisão de uma área já interligada como o Triângulo Mineiro, mas sim de uma parcela imensa da Amazônia, sem facilidades de transporte, sem energia, sem comunicação, sem saúde, sem acesso à educação, com contextos bastante distintos dentro de um mesmo Pará.
A região de Santarém, município polo do Baixo Amazonas, está a quase 1.000 quilômetros de Belém ou de Manaus (1 hora de avião ou 2,5 dias de barco), não tem poder significativo para eleger governador (decidido no eixo Belém-Ananindeua, de maior concentração populacional) e tampouco vê acontecer políticas estaduais sendo aplicadas e/ou adaptadas para a realidade do Oeste do Estado.
Nascido em São Paulo e morador santareno há 23 anos, nunca fui um entusiasta pela divisão do Pará e sempre acreditei que uma gestão estadual descentralizada poderia responder em parte às demandas da região Oeste.  Depois de testemunhar mais de 5 sucessões, porém, com 5 governos de “a” a “z”, percebi que a coisa é mais embaixo. É de identidade territorial mesmo.
Poderia discorrer sobre “somos esquecidos”, “excluídos”, mas devemos lançar o debate para frente. A região do Baixo Amazonas tem uma dinâmica própria, está na confluência de importantes rios, no ponto final (ou inicial) da rodovia BR-163, que está sendo asfaltada, ligando-a com o centro do país, num processo ainda intenso de ocupação, de expansão da fronteira agrícola e de empreendimentos mineradores e de energia, entre outros.
Fronteira altamente estratégica
Enfim, trata-se de uma fronteira altamente estratégica para o futuro da Amazônia, situada no meio entre o “já desmatado” (leste, sentido Belém) e o “desmatamento a ser evitado” (extensões florestais a oeste, sentido Manaus), demandando há tempos de uma governança própria que atenda a suas realidades, contextos, desafios e cultura a partir de sua identidade regional. Isto já numa Amazônia com sérios problemas de governança.
Não sejamos ingênuos se, em uma primeira eleição ao governo do futuro Estado de Tapajós, tivermos na disputa um candidato oriundo de Manaus e outro de Belém, mas não tratamos aqui de um momento no curto prazo da história, e sim de fazer historia para as próximas décadas.
Pensar no futuro é vislumbrar o potencial do Tapajós como o Estado verde da União, com suas unidades de conservação, vocação florestal, condições propicias para negócios sustentáveis, ecoturismo, serviços ambientais… quem sabe um modelo de desenvolvimento “2.0” que agregue o social, o econômico, o ambiental, o cultural e possa impulsionar uma outra visão para o resto do país.


BR-163: a rodovia que liga as cidades de Cuiabá a Santarém está sendo asfaltada

Diálogo mais direto com Brasília do que com Belém
Na história recente dessa região cheia de problemas, a mobilização em torno da “guerra da soja”, culminando num positivo acordo de moratória, do ordenamento territorial com a criação de novas áreas protegidas, do reenquadramento de grandes empreendimentos (mineração, agronegócio, etc) em prol de mais responsabilidade socioambiental, do “Plano BR-163 Sustentável”, da criação do primeiro Distrito Florestal Sustentável (DFS) do país, entre outros exemplos, partiu muito mais dos atores locais (públicos, empresariais, sociais) articulados do que de iniciativas da gestão estadual – em geral “participassiva” ou contrária ou obrigada a fazer por pressão – mesmo quando de sua competência.
A ausência e/ou inadequação do ente estadual no atendimento às peculiaridades do Médio Amazonas acarretou há tempos uma cultura de diálogo muito mais direta da região com Brasília do que com Belém. Isto também tem custos.
E temos que admitir que custos são inevitáveis quando se cria um novo Estado. Mas não pretendo retrucar falando das receitas de ICMS da BR-163 (ainda maiores quando asfaltada), dos impostos/compensações dos empreendimentos mineradores (Juruti, Trombetas), entre outros recursos financeiros que vão para Belém e não retornam na mesma proporção à região.
O fato é que, se formos simplificar a análise da sustentabilidade ao numero de habitantes x impostos, então é melhor excluir a Amazônia do mapa, fechar os olhos para as oportunidades e potenciais e esquecer da sua importância para o país e o mundo, além de não querer entender que sem solução para o social não se resolve o ambiental. De uma certa forma, São Paulo precisa, sim, pagar a conta da Amazônia hoje para a Amazônia sustentar São Paulo amanhã.
Sonhar não é proibido
Sim, é um desafio imenso, uma batalha constante, mas sonhar não é proibido. Não é nem essa questão dos outros sempre estarem decidindo pela gente, dos “mocorongos” (termo aos nascidos em Santarém) também serem cidadãos brasileiros…
Só queremos uma chance para o debate, mas que vá além do dizer “não” apenas por causa de outros projetos de criação de novos Estados…de se abrir um precedente perigoso…de farra de políticos…de mais salários para deputados e senadores… O que foi aprovado no Congresso não foi a criação do Estado do Tapajós, mas sim um processo de consulta popular, do qual virão à tona os prós e contras. Enfim, uma discussão extremamente saudável.
Mapa do novo Estado do Tapajós, onde municípios têm o tamanho de Estados e estes, de países

Para os radicalmente contrários, serve o consolo do eixo Belém-Ananindeua também participar do plebiscito, o que torna sua aprovação muito difícil. Ser a favor ou contra o Estado do Tapajós é uma coisa. Ser favorável ao debate de preferência qualificado é outra. Se não surgir um novo Estado no Pará, que o debate ao menos resulte em soluções mais permanentes (politicas de “Estado”, no sentido da palavra) para essa importante e determinante região e para o futuro da Amazônia.
Perdão pela extensão da mensagem, mas se já é difícil o Brasil entender a Amazonia, mais ainda é compreender os “Parás”. Para os interessados em entender mais como surgiu esse movimento secular pelo Tapajós, segue link para um post recente do jornalista Manoel Dutra.

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Leia mais: 


Senador Flexa Ribeiro declara-se a favor do plebiscito

Psol de Santarém contraria orientação nacional do partido e apóia plebiscito

Lira Maia leva ao Senado projeto que aprova plebiscito do estado do Tapajós




O deputado Lira Maia (DEM/PA), na companhia do senador Mozarildo Cavalcanti esteve na manhã desta quarta-feira(11) na Secretaria Geral do Senado Federal para levar e protocolar, pessoalmente, o Projeto do Plebiscito do Estado do Tapajós. 

O Projeto será lido na Sessão ainda hoje e em seguida será encaminhado para a Comissão de Constituição e Justiça e posteriormente ao Plenário do Senado Federal.
Segundo o deputado Lira Maia e o senador Mozarildo Cavalcanti, a tramitação no Senado poderá ser rápida, pois se trata apenas de mudança na redação incluindo cinco municípios que não estavam citados no projeto original (Terra Santa, Curuá, Mojuí dos Campos, Rurópolis e Senador José Porfírio).

“Acreditamos que aqui a tramitação será rápida até porque o mérito já foi apreciado e aprovado por unanimidade pelo Plenário do Senado Federal. A matéria só retornou ao Senado devido a inclusão de novos municípios, ou seja, trata-se apenas de uma alteração redacional", concluiu o deputado Lira Maia.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Prefeitos pressionam por aumento do FPM


A Prefeita de Santarém, Maria do Carmo, está na capital federal para participar da 14ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, evento que tem por objetivo construir um pacto federativo capaz de diminuir as diferenças regionais e promover o desenvolvimento sustentável.
Até quinta-feira, prefeitos (as) de todo o Brasil estarão reunidos em Brasília reivindicando mais atenção do governo federal. 

Uma das bandeiras é a busca pelo aumento de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), essencial para o orçamento final de cada cidade e principal fonte de receita para muitos municípios. Também serão abordados no encontro que inicia hoje (10/05), assuntos como a regulamentação da Lei do Financiamento da Saúde, a reapreciação da Câmara sobre os royalties do petróleo, dívidas previdenciárias e a atualização dos restos a pagar da União para os municípios.
 
A cerimônia de abertura da Marcha dos Prefeitos foi ontem à tarde com a presença da presidente Dilma Roussef.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Pescador de luzes ao por-do-sol em Santarém

Foto: Alfonso Jimenez. In Memoriam

Criação de novos estados: comentário da jornalista Lúcia Hypólito na Rádio CBN nesta terça-feira


Milton Jung - Bom dia para você Lucia!

Lúcia Hypólito - Bom dia Milton bom dia ouvintes da CBN!

Milton Jung – Nós temos ouvido diferentes opiniões sobre a criação de Estados no Brasil, mais recente agora sobre a divisão do Pará em três Estados. Qual é a sua opinião?

Lúcia Hypólito - Olha o Milton, eu acho que esta configuração política administrativa brasileira, isso é uma coisa de século 19 que ela vê. É um resultado de identidades construídas desde a colônia. E você tem no Brasil o choque de uma tradição unitária por que o império era unitário, tudo centrado no poder central e a república que implantou a federação. Mas nós sempre tivemos uma federação meio torta e nas últimas décadas você vem concentrando muito o poder, Milton, na mão do governo federal. Acontece que no século XX você foi formando novas identidades, interesses econômicos comuns, culturais, estratégicos.
Ô Milton, há quantos anos a gente não houve falar no Estado do Triângulo Mineiro, né?, que era uma coisa que reuniria algumas cidades de Minas com cidades de Goiás por quê? Porque ali havia uma cultura, havia uma agricultura um agronegócio comum etc. Então em vários lugares do Brasil você foi formando isso e ai quando a gente olha o tamanho do país e tamanho das diferenças e das dificuldades.
Você veja o seguinte, qualquer pessoa que olhe a serio as divisas terrestres do Estado do Pará, por exemplo, entende que não há Policia Federal, não há forças armadas que dê conta de policiar aquilo ali. Se você não tiver identidades regionais, população que cuide, população local que entenda, uma policia localizada estadual dedicada etc. você não vai conseguir.
Então você tem um derrame de dinheiro de desperdício do governo federal e fica enxugando gelo por que é lá de Brasília que você fica dando ordens, enquanto as populações locais entendem melhor o problema.
Você veja o seguinte, Milton, nós estamos com esta marcha dos Prefeitos a Brasília que vão lá pedir o quê? - Aquilo que lhes é de direito, que são os recursos que são arrecadados nos Municípios e nos Estados e são sugados pelo governo federal. Então esta proposta, eu nem sei se vai passar e se não vai passar, mas acho que é uma discussão importante.
É claro que a crítica vem logo: não ai vai ter Governador,  Assembléia Legislativa o “cabidão” de emprego? etc. Mas não precisa ser assim, que dizer, tem sido assim? Tem! Mas não precisa ser. Eu acho que é uma discussão da Federação, é uma discussão de retirar poder do governo federal e devolver aos Estados e Municípios. Acho que os gastos com a nova estrutura podem ser compensados com a economia dos gastos federais nestas regiões, mas ai, evidentemente, os burocratas do governo federal vão perder poder, não é Milton? Ai eles não querem não, né!

Milton Jung – Pois é não é só o Pará, são tantos outros Estados que estão nesta discussão.

Lúcia Hypólito – Exatamente. Tem Maranhão, tem Araguaia, tem Planalto Central, tem Mato Grosso do Norte, tem pedaço da Bahia, tem Triângulo Mineiro. Eu acho que a discussão é importante, Milton! Não sei se vai adiante ou se não vai, mas está na hora de discutir a federação brasileira.

Milton Jung – Até amanhã, Lúcia.

Lucia Hypólito – Até amanhã, Milton.    

Redivisão do estado do Pará em debate na Assembléia Legislativa



A Assembleia Legislativa do Pará vai programar debates sobre a realização do plebiscito sobre a divisão do Pará para criação dos Estados de Carajás (sul e sudeste) e Tapajós (oeste). A maioria dos líderes das bancadas partidárias na AL aprova o debate, alegando que todas as questões devem ser discutidas com a sociedade, que vai, de fato, decidir sobre a divisão.

A primeira sessão ordinária da semana na AL, que será realizada hoje (10), deverá ser tomada pela questão. Ainda este mês será realizada audiência pública, requerida pelo líder do PPS na casa, João Salame, antes mesmo da aprovação no Congresso Nacional da realização do plebiscito. A audiência contará com a presença do economista Célio Costa, que participou do estudo de viabilidade à época da criação do Estado do Tocantins.

Para Salame, é uma hipocrisia a justificativa de que a divisão vai gerar novos parlamentares e governadores, portanto, seria apenas uma questão política. Com a criação de mais Estados, defende o deputado, aumenta a representação da Amazônia no Congresso Nacional. “Tem que ser um debate do ponto de vista técnico, para ser bom para todo mundo. A emancipação só valerá à pena se for bom pra todo mundo, inclusive para o Estado remanescente”.

O líder do PMDB, Parsifal Pontes, defende que o parlamento estadual não deve tomar partido sobre a divisão, mas liderar os debates, promovendo audiências públicas em todas as regiões paraenses. Parsifal acredita, no entanto, que a população não vai se livrar do enfoque político da questão. “O viés político é quem vai decidir. A população tem inteligência emocional e o que vai prevalecer é este lado”.

Da mesma forma, o líder do PSDB, José Megale, defende que a AL deve ser um dos protagonistas do processo de discussão do plebiscito sobre a divisão do Estado do Pará. Megale lembra que já há propostas de realização de sessões itinerantes do parlamento, que poderão ser palcos de debates sobre o plebiscito. (Diário do Pará)

Eurico Pinheiro: mais que um mestre, um sonhador

Foto: Paulo Fernandes/Embrapa
   
Ruth Rendeiro*

Há alguns anos eu pensei em escrever um livro que já tinha até título: Antes que a morte chegue. Justamente para reunir textos de pessoas que considero ímpar, marcantes em minha vida e na vida do Pará, da Amazônia, do mundo e que sentia vontade de homenagear antes que elas morressem. Já fiz tantos textos sobre amigos queridos que já se foram e a dúvida se eles leram, tomaram conhecimento do quanto eu os amava, me perturba. Queria tanto que eles soubessem disso em vida ... 

De novo estou aqui escrevendo sobre alguém querido que acaba de nos deixar. A comunidade científica está de luto, a serigueira chora, a UFRA (que ele ainda se confundia e acabava chamando algumas vezes de Fcap) e a Embrapa Amazônia Oriental estão lamentando a morte do professor e pesquisador Eurico Pinheiro. Mas os que conviveram com ele têm muito mais a lamentar.

Não fui sua aluna, sua assistente ou companheira de pesquisa. Tive o privilégio, contudo, de conhecer o gentleman, aquele senhor já idoso que tinha alma jovem, espírito inovador e que acima de tudo amava o que fazia.

Tinha uma paciência invejável e uma didática para explicar assuntos complexos que a todos encantava. Falava do mal-da-seringueira ou o Mycrociclus ulei, como se fosse um conhecido antigo que apresentava aos leigos como alguém que mexeu com a heveicultura tão drasticamente que ao final os ouvintes poderiam passar a odiá-lo por tantos danos. Mas ao mesmo tempo se mostrava otimista com a superação dos problemas e acreditava veementemente que um dia o Brasil voltaria a ser o reino da borracha e a Amazônia a ter seus plantios rentáveis de antigamente.

Há cenas muitos marcantes que me remetem àquele que serviu a gerações repassando seus conhecimentos e levando-as a acreditar que as limitações na saúde (enxergava pouco, os passos já não eram firmes) ou a idade já avançada não representavam impeditivos suficientes para não sonhar.

Em uma das Semanas Nacional de Ciência e Tecnologia, quando a Embrapa Amazônia Oriental abriu suas portas para moradores próximos a sua sede e muitas escolas da periferia, alguns pesquisadores não mostraram interesse em participar; outros o fizeram a contragosto e um pequeno grupo se dispôs a explicar, com doçura, paciência e sentimento àqueles que “são o futuro do Brasil” e lá estava o Dr. Eurico Pinheiro.

Ele parecia mais um vovô conversando com os netos. No meio da plantação de hévea próximo ao portão principal da Embrapa de Belém, ele explicava com entusiasmo o que era uma seringueira, para que servia seu látex, como o Brasil e em especial o Pará e o Amazonas, já foram ricos graças a essa planta. Incansável passou quase o dia inteiro no sol entre meninos e seringueiras.

Perdem as ciências agrárias, as gerações que não mais poderão usufruir de sua companhia e embevecidos ouvi-lo falar por horas sob a retomada da heveicultura na Amazônia, das pesquisas desde à época do IAN (Instituto Agronômico do Norte), dos clones que se mostravam tolerantes à doença, dos plantios consorciados que deixavam sua voz ainda mais emocionada. Perdemos nós seus colegas que não mais receberemos um bom dia especial acompanhado de bombons japoneses de sabores inusitados como kiwi e melão ou canetas especiais que trazia quando fazia uma viagem mais longa.

Pena que não comecei a escrever o livro “Antes que a morte chegue”. É tão difícil e doloroso falar dos que se foram e não mais poderemos abraçar.
 
*É jornalista

          

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Quanto custa criar um novo estado da federação?


Por Sandro Araújo

Imagine a situação: corre o ano de 1985. Você é um empreendedor e resolve estabelecer uma micro-empresa na cidade de Tocantinópolis, Goiás. Para obter a documentação necessária à instalação da empresa é necessária ao menos uma ida à capital do estado. Entre Tocantinópolis e Goiânia a distância a ser percorrida é de 1287km. De carro, no mínimo 16 horas pela rodovia Belém-Brasília. Não é tão simples abrir uma micro-empresa… Noutra situação, um advogado da cidade de Araguaína precisa obter um habeas corpus para um cliente que foi preso. A ida a Goiânia é obrigatória para a obtenção da liberdade do cliente. Deverá percorrer 1140km em pelo menos 13 horas e meia. Isto apenas de ida! Outro colega, da cidade de Araguatins, cujo cliente ficou inconformado com uma decisão judicial desfavorável, precisa ir ao Tribunal de Justiça em Goiânia para acompanhar um recurso judicial. São 1381km a percorrer, boa parte pela mesma Belém-Brasília.
Estes três casos ilustram a realidade vivida pela população do atual estado do Tocantis para exercer direitos simples ligados à cidadania: o acesso à justiça ou mesmo a regularização de uma empresa. Noutros casos, pessoas com graves problemas de saúde também precisavam percorrer distâncias semelhantes à busca de atendimento nos hospitais da capital goiana. Ressalte-se que boa parte dos atendimentos públicos de saúde era disponível apenas na capital.
O Brasil é um país enorme. Mesmo com o desmembramento de Tocantins, ocorrido após a promulgação da atual Constituição Federal, em 1988, o acesso aos serviços públicos citados ainda demanda boa dose de paciência na estrada. Mas hoje o advogado de Araguatins precisa percorrer “apenas” 617km para chegar ao Tribunal de Justiça. Seu colega de Araguaína, 375km. E o empresário de Tocantinópolis, 521km. Em todos os casos, houve a economia de pelo menos 750km.
Quem vive em Santana do Araguaia, cidade do sul do Pará, quase divisa com Tocantins e Mato Grosso, para abrir uma empresa, ter acesso à saúde ou ainda lidar com processos no Tribunal de Justiça do estado, precisa percorrer 1203km. Quem vive em Itaituba, no Oeste do Pará, quase divisa com o Amazonas, percorre 1374km para ir à capital. E o caminho inclui travessia em balsa. Outras cidades, como Novo Progresso, exigem do cidadão o percurso de 1703km até a capital! Detalhe: todas as cidades citadas possuem acesso “facilitado” pelas poucas rodovias federais que cortam o território paraense.
Na esteira da aprovação pelo Congresso Nacional da realização de plebiscitos para a possível criação dos novos estados de Carajás e Tapajós, reportagem divulgada no portal g1 alerta: “Tapajós e Carajás seriam estados inviáveis, calcula economista do Ipea” .  Em resumo, o estudo informa que “os estados do Tapajós e de Carajás teriam, respectivamente, um custo de manutenção de R$ 2,2 bilhões e R$ 2,9 bilhões ao ano“. Diz ainda: “Diante da arrecadação projetada para os dois estados, os custos resultariam num déficit de R$ 2,16 bilhões, somando ambos, a ser coberto pelo governo federal” e completa:  “O PIB do Pará em 2008, [...] foi de R$ 58,52 bilhões, e o estado gastou 16% disso com a manutenção da máquina pública. O estado do Tapajós gastaria cerca de 51% do seu PIB e o de Carajás, 23%. A média nacional é de 12,72%.“
Tratar a viabilidade ou a inviabilidade da criação de uma nova unidade da federação pela simples comparação do custo de instalação da mesma com o PIB que gera é, no mínimo, desleal. De fato, um das principais motivadores para a criação é exatamente o estímulo ao desenvolvimento da região – o que, por si só, é enorme catalizador e impulsionador ao crescimento do PIB. Dados do IBGE permitem verificar esta afirmação: enquanto o PIB Nacional, a preços correntes, saltou de R$ 1.064.999.712 em 1999 para R$ 3.031.864.490 em 2008, com aumento de 284,7%, no estado do Tocantins o PIB saltou de R$ 3.015.695 para R$ 13.090.837, ou seja, 434%. Daí já se depreende que, pelo “simples” crescimento do PIB, o valor a ser gasto na manutenção de um novo estado, comparativamente ao PIB, tende a decrescer. Aplicada a mesma projeção, digamos, ao futuro estado do Carajás, em dez anos o custo da máquina administrativa em relação ao PIB deveria cair de 23% para 15%. Note-se que, em 1999, Tocantins já contava com 10 anos de instalação: nos anos que se seguiram à emancipação, a taxa de crescimento da economia do estado foi ainda mais vigorosa.
Mais uma vez: não se deve julgar a “viabilidade” de uma nova unidade da federação exclusivamente pelo custo de instalação. A máxima econômica do “Custo x Oportunidade”, talvez aqui mais que noutras situações, é válida. Imagine-se a quantidade de oportunidades que se seguem à criação de uma nova capital, por exemplo. Na década de 1930, Goiânia surgiu e hoje é uma das mais dinâmicas cidades do país. Na década de 1950, iniciou-se a construção de Brasília e a capital nacional é hoje Patrimônio Mundial, abrigando mais de 2 milhões de pessoas: um em cada 100 brasileiros reside no Distrito Federal! Instalada de fato em 1º de janeiro de 1990, Palmas hoje abriga mais de 200 mil pessoas. Se antes os goianos do norte precisavam se deslocar para Goiânia para tudo, inclusive para o acesso ao ensino superior, hoje Palmas conta inclusive com uma Universidade Federal.
Outro aspecto da discussão sobre o custo efetivo da instalação de um novo estado, é sinalizado pelo próprio estudo do IPEA. Se somados os futuros estados de Tapajós e Carajás custariam R$ 5,1 bilhões por ano para funcionar, já arrecadam atualmente R$ 3 bilhões: ou seja, o “complemento” necessário é de R$ 2,1 bilhões. Comparativamente, o que são, hoje, 2 bilhões de reais dentro do Orçamento Geral da União?
O orçamento da união, em 2011, prevê gastos da ordem de R$ 1.287.501.217.949 – quase um trilhão e trezentos bilhões de reais! Outros R$ 678.514.678.262 são previstos para a “rolagem da dívida pública”. Tomando-se por base o estudo do IPEA, o acréscimo de 2,1 bilhões necessários à instalação corresponderiam a 0,16% do orçamento 2011!
O Ministério das Cidades possui previstos para 2011 gastos da ordem de 22 bilhões de reais. O Ministério das Comunicações, por sua vez, tem orçamento de 4,37 bilhões em 2011. As Transferências a Estados, Municípios e ao Distrito Federal, de onde sairiam boa parte dos recursos para a instalação dos novos estados, possuem previsão de 178 bilhões de reais em 2011. Bastariam 1,18% destas transferências para viabilizar a instalação de Carajás e Tapajós!
A criação dos estados é, naturalmente, um jogo de perde-e-ganha. Se a população residente nos novos estados tem muito a ganhar, é de se esperar reação contrária por parte dos residentes no que restará sendo o estado do Pará. De fato, se Carajás e Tapajós forem criados, o Pará verá seu território reduzido a apenas 17% do atual. No caso do Tocantins, Goiás perdeu “apenas” 45% de seu território, conservando a parte mais rica, situada ao sul. Por seu turno, o “novo” Pará ainda permaneceria com 60% da população atual e boa parte do PIB. A perda de território, porém, não parece ser bem “digerida” pelos “novos” paraenses. O próprio governador do estado, Simão Jatene, afirmou ser favorável ao plebiscito, mas sublinhou que a população “deve ter total clareza do que vai escolher e suas reais consequências”.
O IPEA, como órgão vinculado ao Governo Federal, que ficaria com a “conta” da instalação dos novos estados, faz o jogo do “é inviável”, vai ser “caro”, o contribuinte não aguenta mais… Em artigo publicado em sítio dedicado ao estado do Carajás, é possível ver um aspecto curioso sobre a Divisão Territorial no Brasil, especialmente quando da criação do estado do Paraná – hoje um dos mais pujantes do país, o qual, à época e para os burocratas de plantão, era também considerado “inviável”.
A aprovação dos plebiscitos, pelo Congresso Nacional, é um enorme passo para a eventual criação dos novos estados. A população diretamente envolvida será ouvida e poderá, democraticamente, decidir seu futuro. A conta da instalação pode ser alta. Mas os diversos exemplos permitem prever que todos ganharemos: os paraenses, os carajaenses os tapajoenses e o resto do Brasil.
A justificativa do custo, como demonstrado, não pode e não deverá ser óbice à realização do anseio da população.

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Publicado em http://www.araujosam.net/2011/05/quanto-custa-criar-um-novo-estado-da-federacao/

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Leia também. 

Membros da CPI do Tráfico Humano se encontram com ministra dos Direitos Humanos

 
A ministra Maria do Rosário, da secretaria nacional dos Direitos Humanos da Presidência da República, recebe em seu gabinete na próxima quarta-feira os deputados João Salame (PPS) e Carlos Bordalo (PT), presidente e relator respectivamente da CPI do Tráfico Humano criada pela Assembléia Legislativa do Pará. Na agenda dos deputados está incluído ainda uma reunião com um diretor da Polícia Federal especializado no assunto. Na pauta pedido de apoio institucional para os trabalhos da CPI e recolher maiores informações sobre o funcionamento das redes criminosas que atuam no tráfico na Amazônia. A comitiva poderá ainda ser composta pelo deputado Pastor Divino (PRB).

Visitas
Na agenda de visitas da CPI do tráfico humano da Assembleia do Pará, o estado de São Paulo deverá ser o próximo destino depois da escala em Brasília. O volume de denúncias formuladas justificaria a viagem. As investigações tratariam situações de tráfico envolvendo travestis, exploração sexual, e de crianças que são levadas para a prática de futebol. Falando nisto, o deputado João Salame (PPS), presidente da CPI está oficiando pedido ao Coronel Antônio Carlos Nunes, presidente da Federação Paraense de Futebol, o envio da relação dos empresários credenciados junto a CBF/FIFA a intermediar transações entre clubes e jogadores amadores e profissionais do Pará, em âmbito nacional e internacional.