domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Grileiro vencerá?


Lúcio Flávio Pinto


AO LEITOR



         Como já é do conhecimento público, em 1999 escrevi uma matéria no meu Jornal Pessoal denunciando a grilagem de terras praticada pelo empresário Cecílio do Rego Almeida, dono da Construtora C. R. Almeida, uma das maiores empreiteiras do país, com sede em Curitiba, no Paraná. Embora nascido em Óbidos, no Pará, Cecílio se estabeleceu 40 anos antes no Paraná. Fez fortuna com o uso de métodos truculentos. Nada era obstáculo para a sua vontade.
         Sem qualquer inibição, ele recorreu a vários ardis para se apropriar de quase cinco milhões de hectares de terras no rico vale do rio Xingu, no Pará, onde ainda subsiste a maior floresta nativa do Estado, na margem direita do rio Amazonas, além de minérios e outros recursos naturais. Onde também está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte, para ser a maior do país e a terceira do mundo.
Os 5 milhões de hectares já constituem território bastante para abrigar um país, mas a ambição podia levar o empresário a se apossar de área ainda maior, de 7 milhões de hectares, o equivalente a 8% de todo o Pará, o segundo maior Estado da federação brasileira. Se fosse um Estado, a “Ceciliolândia” seria o 21º maior do Brasil.
         Em 1996, na condição de cidadão, atendi a um chamado do advogado Carlos Lamarão Corrêa, diretor do Departamento Jurídico do Iterpa (Instituto de Terras do Pará), e o ajudei a preparar uma ação de anulação e cancelamento dos registros das terras usurpadas por C. R. Almeida, com a cumplicidade da titular do cartório de registro de imóveis de Altamira e a ajuda de advogados inescrupulosos. A ação foi recebida pelo juiz da comarca, Torquato de Alencar, e feita a averbação da advertência de que aquelas terras não podiam ser comercializadas, por estarem sub-judice, passíveis de nulidade.
         Os herdeiros do grileiro podem continuar na posse e no usufruto da pilhagem, apesar da decisão, porque a grilagem recebeu decisão favorável dos desembargadores João Alberto Paiva e Maria do Céu Cabral Duarte, do Tribunal de Justiça do Estado. Deve-se salientar que essas foram as únicas decisões favoráveis ao grileiro nas instâncias oficiais, que reformaram a deliberação do juiz de Altamira.
         Com o acúmulo de informações sobre o estelionato fundiário, os órgãos públicos ligados à questão foram se manifestando e tomando iniciativas para evitar que o golpe se consumasse. A Polícia Federal comprovou a fraude e só não prendeu o empresário porque ele já tinha mais de 70 anos. O próprio poder judiciário estadual, que perdeu a jurisdição sobre o caso, deslocado para a competência da justiça federal, a partir daí, impulsionado pelo Ministério Público Federal, tomando rumo contrário ao pretendido pelo grileiro, interveio no cartório Moreira, de Altamira, e demitiu todos os serventuários que ali trabalhavam, inclusive a escrivã titular, Eugênia de Freitas, por justa causa.
         Carlos Lamarão, um repórter da revista Veja (que chegou a ser mantido em cárcere privado pelo empresário e ameaçado fisicamente) e o vereador Eduardo Modesto, de Altamira, processados na comarca de São Paulo por Cecílio Almeida, foram absolvidos pela justiça paulistana. O juiz observou que essas pessoas, ao invés de serem punidas, mereciam era homenagens por estarem defendendo o patrimônio público, ameaçado de passar ilicitamente para as mãos de um particular.
         De toda história, eu acabei sendo o único punido. A ação do empreiteiro contra mim, como as demais, foi proposta no foro de São Paulo. Seus advogados sabiam muito bem que a sede da ação era Belém, onde o Jornal Pessoal circula. Eles queriam deslocar a causa por saberem das minhas dificuldades para manter um representante na capital paulista. A juíza que recebeu o processo, a meu pedido, desaforou a ação para Belém, como tinha que ser. Hoje, revendo o que passei nestes 11 anos de jurisdição da justiça do Pará, tenho que lamentar a mala suerte de não ter ficado mesmo em São Paulo, com todas as dificuldades que tivesse para acompanhar a tramitação do feito.
         A justiça de São Paulo foi muito mais atenta à defesa da verdade e da integridade de um bem público ameaçada por um autêntico “pirata fundiário”, do que a justiça do Pará, formada por homens públicos, que deviam zelar pela integridade do patrimônio do Estado contra os aventureiros inescrupulosos e vorazes. Esta expressão, “pirata fundiário”, C. R. Almeida considerou ofensiva à sua dignidade moral e as duas instâncias da justiça paraense sacramentaram como crime, passível de indenização, conforme pediu o controverso empreiteiro.
         Mesmo tendo provado tudo que afirmei na primeira matéria e nas que a seguiram, diante da gravidade do tema, fui condenado, graças a outro ardil, montado para que um juiz substituto, em interinidade de fim de semana, pela ausência circunstancial da titular da 1ª vara cível de Belém, sem as condições processuais para sentenciar uma ação de 400 páginas,
me condenasse a pagar ao grileiro indenização de 8 mil reais (em valores de então, a serem dramaticamente majorados até a execução da sentença), por ofensa moral.
         A sentença foi confirmada pelo tribunal, embora a ação tenha sido abandonada desde que Cecílio do Rego Almeida morreu, em agosto de 2008; mesmo que seus sucessores ou herdeiros não se tenham habilitado; mesmo que o advogado, que continuou a atuar nos autos, não dispusesse de um novo contrato para legalizar sua função; mesmo que o tribunal, várias vezes alertado por mim sobre a deserção, tenha ignorado minhas petições; mesmo que, obrigado a extinguir a minha punibilidade, arquivando o processo, haja finalmente aberto prazo para a habilitação da parte ativa, que ganhou novo prazo depois de perder o primeiro; mesmo que a relatora, confrontada com a argüição da sua suspeição, que suscitei, diante de sua gravosa parcialidade, tenha simplesmente dado um “embargo de gaveta” ao pedido, que lhe incumbia responder de imediato, aceitando-o ou o rejeitando, suspendendo o processo e afastando-se da causa; mesmo que tudo que aleguei ou requeri tenha sido negado, para, ao final, a condenação ser confirmada, num escabroso crime político perpetrado pela maioria dos desembargadores do Tribunal de Justiça do Pará que atuaram no meu caso, certamente inconformados com críticas e denúncias que tenho feito sobre o TJE nos últimos anos, nenhuma delas desmentida, a maioria delas também completamente ignorada pelos magistrados citados nos artigos. Ao invés de cumprir as obrigações de sua função pública, eles preferem apostar na omissão e na desmemoria da população. E no acerto de contas com o jornalista incômodo.
         Depois de enfrentar todas as dificuldades possíveis, meus recursos finalmente subiram a Brasília em dezembro do ano passado. O recurso especial seguiu para o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Ari Pargendler, graças ao agravo de instrumento que impetrei (o Tribunal do Pará rejeitou o primeiro agravo; sobre o segundo já nada mais podia fazer).
Mas o presidente do STJ, em despacho deste dia 7, disponibilizado no dia 10 e a ser publicado no Diário da Justiça do dia 13, negou seguimento ao recurso especial. Alegou erros formais na formação do agravo: “falta cópia do inteiro teor do acórdão recorrido, do inteiro teor do acórdão proferido nos embargos de declaração e do comprovante do pagamento das custas do recurso especial e do porte de retorno e remessa dos autos”.
         Recentemente, a justiça brasileira impôs novas regras para o recebimento de agravos, exigindo dos recorrentes muita atenção na formação do instrumento, tantos são os documentos cobrados e as suas características. Podem funcionar como uma armadilha fatal, quando não são atendidas as normas formais do preparo.
         A falta de todos os documentos apontada pelo presidente do STJ me causou enorme surpresa. Participei pessoalmente da reunião dos documentos e do pagamento das despesas necessárias, junto com minha advogada, que é também minha prima e atua na questão gratuitamente (ou pró-bono, como preferem os profissionais). Não tenho dinheiro para sustentar uma representação desse porte. Muito menos para arcar com a indenização que me foi imputada, mais uma, na sucessão de processos abertos contra mim pelos que, sendo poderosos, pretendem me calar, por incomodá-los ou prejudicar seus interesses, frequentemente alimentados pelo saque ao patrimônio público.
         Desde 1992 já fui processado 33 vezes. Nenhum dos autores dessas ações teve interesse em me mandar uma carta, no exercício de seu legítimo direito de defesa. O Jornal Pessoal publica todas as cartas que lhe são enviadas, mesmo as ofensivas, na íntegra. Também não publicaram matérias contestando as minhas ou, por qualquer via, estabelecendo um debate público, por serem públicos todos os temas por mim abordados. Foram diretamente à justiça, certos de contarem com a cumplicidade daquele tipo de toga que a valente ministra Eliana Calmon, Corregedora Nacional de Justiça, disse esconderem bandidos, para me atar a essa rocha de suplícios, que, às vezes, me faz sentir no papel de um Prometeu amazônico.
         Não por coincidência, fui processado pelos desembargadores João Alberto Paiva e Maria do Céu Duarte, o primeiro tendo como seu advogado um ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, à frente de uma das mais conceituadas bancas jurídicas do Distrito Federal. O ex-ministro José Eduardo Alckmin, que também advogava para a C. R. Almeida, veio a Belém para participar de uma audiência que durou cinco minutos. Mas impressionou pela sua presença.
         O madeireiro Wandeir dos Reis Costa também me processou. Ele funcionou como fiel depositário de milhares de árvores extraídas ilegalmente da Terra do Meio, que o Ibama apreendeu em Altamira. Embora se declarasse pobre, ele se ofereceu para serrar, embalar e estocar a madeira enquanto não fosse decidido o seu destino. Destino, aliás, antecipado pelo extravio de toras mantidas em confinamento no próprio rio Xingu. Uma sórdida história de mais um ato de pirataria aos recursos naturais da Amazônia, bem disfarçado.
         Apesar de todas essas ações e do martírio que elas criaram na minha vida nestes últimos 20 anos, mantenho meu compromisso com a verdade, com o interesse público e com uma melhor sorte para a querida Amazônia, onde nasci. Não gostaria que meus filhos e netos (e todos os filhos e netos do Brasil) se deparassem com espetáculos tão degradantes, como ver milhares de toras de madeira de lei, incluindo o mogno, ameaçado de ser extinto nas florestas nativas amazônicas, nas quais era abundante, sendo arrastadas em jangadas pelos rios por piratas fundiários, como o extinto Cecílio do Rego Almeida. Depois de ter sofrido todo tipo de violência, inclusive a agressão física, sei o que me espera. Mas não desistirei de fazer aquilo que me compete: jornalismo. Algo que os poderes, sobretudo o judiciário do Pará, querem ver extinto, se não puder ser domesticado conforme os interesses dos donos da voz pública.
         Vamos tentar examinar o processo e recorrer, sabendo das nossas dificuldades para funcionar na justiça superior de Brasília, onde, como regra, minhas causas sempre foram vencedoras até aqui, mesmo sem representação legal junto aos tribunais do Distrito Federal.
         Decidi escrever esta nota não para pressionar alguém nem para extrapolar dos meus direitos. Decisão judicial cumpre-se ou dela se recorre. Se tantos erros formais foram realmente cometidos no preparo do agravo, o que me surpreendeu e chocou, paciência: vou pagar por um erro que impedirá o julgador de apreciar todo meu extenso e profundo direito, demonstrado à exaustão nas centenas de páginas dos autos do processo. Terei que ir atrás da solidariedade dos meus leitores e dos que me apoiam para enfrentar mais um momento difícil na minha carreira de jornalista, com quase meio século de duração. Espero contar com a atenção das pessoas que ainda não desistiram de se empenhar por um país decente.

                              Belém (PA), 11 de fevereiro de 2012

                                      LÚCIO FLÁVIO PINTO
                                        Editor do Jornal Pessoal

Deçoisde muita confusão, Águia vence o Remo e disputa Taça Cidade de Belém com o Cametá

Depois de muita confusão, com jogadores expulsos e presos pela polícia, o time do Águia de Marabá venceu o Clube do Remo por 2 a 0, na tarde deste domingo (12), e vai disputar a Taça Cidade de Belém com o Cametá, que venceu o Águia por 3 a 0, no sábado, (11). Os jogos decisivos serão no próximo dia 16, em Cametá, e no dia 26, em Marabá.
O Remo, que poderia perder por até um gol de diferença, entrou com a vantagem do empate depois de vencer o Águia, em Belém, por 4 a 2. O técnico Sinomar Naves escalou o mesmo time da partida anterior.
A torcida do Águia compareceu fantasiada, ostentando o símbolo da equipe e fazendo festa no Estádio Zinho Oliveira. O Águia perdeu diversas oportunidades de abrir o placar logo no início do primeiro tempo, mesmo com a equipe do Remo buscando o gol. Magnum, do clube remista, e Diogo, do Águia, foram punidos com cartão amarelo depois de um desentendimento em campo.
Aos 30 minutos, Magnum ficou na cara do gol, mas perdeu uma grande oportunidade de abrir o placar para o time azulino. Dois minutos depois, o Águia teve um gol anulado por impedimento, frustrando a torcida, que chegou a comemorar o chute de Rairo. O Águia teve outras chances de abrir o placar, mas desperdiçou todas as jogadas.
No fim do primeiro tempo, o Remo ainda teve uma cobrança de escanteio. Pedro Balu pegou jogou na área, direto nas mãos do goleiro Alan. O primeiro tempo terminou em 0 a 0, placar que dava vantagem para o time azulino.
Pressão e confusão - No segundo tempo, o Remo voltou a campo pressionando o Águia, mas aos sete minutos Flamel recebeu na esquerda e lançou Wando, que entrou na área e chutou na saída do goleiro Adriano, abrindo o placar e tirando a vantagem do Clube do Remo. Aos 24 minutos, depois de um escanteio cobrado, Branco apareceu na área e empurrou para a rede, fazendo o segundo gol do Águia, o que gerou uma grande confusão.
A polícia precisou usar spray de pimenta para proteger o técnico Andrey da Silva. Jogadores do Remo foram atendidos na beira de gramado. Alexandre Carioca, do Águia, que estava no banco de reserva, teria acertado Aldivan com uma barra de ferro nas costas. O jogador foi atendido ainda no campo, pela equipe do departamento médico, e depois retirado de maca. Alexandre Carioca acabou preso.
O jogo foi paralisado aos 26 minutos, para que os atletas fossem atendidos. Aldivan, sem condições de jogo, foi substituído por Panda. Roberto Ramalho, Alexandre Carioca e Miro, do Águia, e Magnum e Carlos Rocca, do Remo, foram expulsos. Após cerca de 20 minutos de paralisação, o jogo foi reiniciado. O Remo ainda pressionou, mas o Águia não deu chances aos azulinos.(Agência Pará)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Capa da edição impressa de 11 de fevereiro de O Estado do Tapajós

Lidiane já é “de maior”

Lúcio Flávio Pinto
Editor do Jornal Pessoal

O escândalo teve repercussão internacional: uma menor estava presa na mesma cela com 26 homens na delegacia de Abaetetuba. Mas isso já é coisa do passado. Lidiane atingiu a maioridade – e continua na senda do crime. Quem ainda se interessa por ela?

L. S. P. já pode ser tratada por seu nome completo: Lidiane Silva Prestes. Ela deixou de ser menor de idade. Completou 20 anos. A partir de agora, talvez já não interesse mais senão a uma microscópica parcela da multidão de gente que se chocou com a situação dela quatro anos atrás.
Seu caso se tornou escândalo – nacional e internacional – no dia 20 de novembro de 2007. Ela foi descoberta numa cela coletiva com 26 homens em Abaetetuba, onde permaneceu presa durante 26 dias. Queixou-se de ter sido submetida a violência sexual, abuso sexual, ameaças, agressões físicas, maus tratos e fome. Seus cabelos foram cortados, os pés queimados. 

A juíza da 3ª vara criminal de Abaetetuba, responsável pelo processo da menor, Clarice Maria de Andrade Rocha, então com 50 anos, foi absolvida pelo Tribunal de Justiça do Estado, que não acatou o parecer do Corregedor Geral, Constantino Guerreiro, pela punição da magistrada. Mas ela acabou sofrendo a aplicação da pena mais rigorosa da carreira da magistratura, a demissão compulsória, com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço (de nove anos), pelo Conselho Nacional de Justiça, que avocou para si o processo
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Leia o texto completo aqui.

Justiça: serviço moroso e caro!

José Ronaldo Dias Campos

 
A justiça no foro comum vem sendo tratada como um mero serviço monopolizado pelo Estado.  Tudo tem preço, em que pese à autonomia administrativa e financeira do Judiciário, como poder.

Ao provocar a tutela jurisdicional estatal, por intermédio da necessária ação, obriga-se o titular do direito subjetivo material lesado ou ameaçado a pagar antecipadamente as custas processuais, cujo preço oscila acorde com o valor da causa (pretensão).

Afora o valor antecipado das custas, permanecem as partes obrigadas a custear os atos que sucedem no processo, até ulterior e definitiva decisão, de modo que tudo se paga, desde a emissão de um alvará até a expedição de um mandado de intimação, simples ofício, ou o desarquivamento do feito.

Mesmo pagando caro e adiantado, o Estado-juiz, produtor do serviço jurídico perseguido, passa uma eternidade para entregar o produto ansiosamente esperado, inviabilizando, às vezes, pelo elástico decurso de tempo, o resultado prático e eficiente da demanda, frustrando o jurisdicionado.

Com a entrega da prestação jurisdicional, ao cabo do módulo cognitivo no primeiro grau (sentença), após angustiante espera, deparam-se as partes – não é incomum ocorrer – com um serviço de qualidade contestada, portador de vícios ou erros de procedimento e/ou julgamento passível de devolução para conserto. Afinal, o homem (juiz) é falível e o inconformismo (do perdedor) natural.

Ao devolver o produto (decisão) para reexame e reforma pelo judiciário, paga-se novamente, renovando-se os gastos a cada recurso interposto, até o esgotamento completo da instância, necessário, às vezes, ao aprimoramento da prestação jurisdicional. Verdadeira “via crucis”.

A Defensoria Pública, por sua vez, na defesa dos hipossuficientes, não possui a necessária estrutura, especialmente no Pará, para resolver a demanda reprimida da grande massa populacional carente, que clama por justiça. 

O cidadão, maior prejudicado com os elevados preços dos serviços, com a mora processual e a precariedade da assistência jurídica gratuita, ainda assim, não reconhece o devido valor das formas alternativas de composição de conflitos, como a arbitragem, a mediação e a transação, preferindo os percalços da jurisdição tradicional.

A racionalidade por certo evitaria, minimizaria ou solucionaria as lides de forma amistosa ou mediante equivalentes jurisdicionais, sem traumas e dispêndios de tempo e dinheiro.

Os operadores do direito (advogados, juiz e promotor), em seus respectivos ministérios, precisam repensar o principio basilar da jurisdição – acesso à justiça – sem óbices econômico, cultural e temporal, tornando o processo acessível a todos, célere e eficiente.


Como a justiça é um misto de realidade e utopia, não custa nada sonhar, ou melhor, idealizá-la.

MP ingressa com ação para Sespa convocar concursados ao Hospital Regional de Santarém


 

O Ministério Público do Estado, por meio da promotora de justiça Dully Sanae Araújo Otakara, ingressou com ação civil pública (ACP) contra o Estado do Pará, para que o governo seja obrigado a convocar os aprovados no concurso público realizado em 2007, para preenchimento de cargos no hospital regional do Baixo Amazonas (HRBA). A ação foi recebida na 8ª Vara Cível do fórum de Santarém.

O concurso público citado pela ACP foi lançado em 2007 pela Secretaria de Estado de Administração (SEAD), para preencher 1.761 cargos de nível superior, médio e fundamental da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) para vários municípios do Pará, sendo 439 vagas destinadas exclusivamente ao hospital regional em Santarém. O resultado do concurso foi divulgado em junho de 2008.

A ação observa que o HRBA já passou por três administrações: Organização Social Maternidade do Povo, OSCIP do Pará, e a atual, Organização Social Pró-Saúde, que assumiu maio de 2008. De acordo com o contrato de gestão firmado com o governo do Pará, a Pró-Saúde é responsável pela contratação de pessoal necessário para a execução das atividades previstas no contrato. Dessa forma, o MP afirma que “a própria realidade de funcionamento da referida unidade de saúde acaba impedindo a tomada de posse dos concursados aprovados”. (Com informações de  Lila Bemerguy, Assessoria do MP de Santarém.)

Edição de 4 de fevereiro de O Estado do Tapajós em PDF

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Presos quatro acusados de incitar linchamento em Vila Curuai


Quatro homens envolvidos no linchamento de João Augusto Farias Viana, apelidado de “Mungu”, foram presos na noite de quarta-feira (8) em Vila Curuai, zona rural de Santarém, oeste do Pará, por policiais civis e militares. Miguel Régis de Sousa, de apelido “Tica Bode”, 36 anos; José Régis de Sousa, conhecido por "Zé Bucho”, 33; Domingos Régis de Sousa, mais conhecido por “Dominguinhos”, 27, e Nilson Farias Cerdeira, 33, apelidado de “Professor Nilson”, são apontados como os responsáveis por incitar o assassinato.

Eles tiveram as prisões temporárias decretadas pelo juiz Gerson Marra Gomes, titular da 10ª Vara Penal Privativa. Os presos foram conduzidos para a sede da 16ª Seccional Urbana em Santarém nesta quinta-feira (09). As ordens de prisão foram cumpridas pelas equipes de policiais civis da Superintendência Regional do Baixo e Médio Amazonas, da Seccional Urbana de Santarém e do NAI (Núcleo de Apoio à Investigação), com apoio das Delegacias de Monte Alegre, Óbidos e Juruti.

José Augusto foi morto a tijoladas e pauladas no último dia 22 de janeiro, na Vila Curuai, região do Lago Grande, nos limites de Santarém com os municípios de Óbidos e Juruti, por um grupo de pessoas, entre as quais os acusados. Eles foram identificados em imagens do linchamento, registradas por telefone celular.

Motivação - “Mungu” foi retirado de um posto de saúde pelos acusados e morto em frente ao local. Ele era acusado de ter assassinado com uma facada o líder comunitário Rosivan Silva de Sousa, durante uma partida de futebol na comunidade de Cruzador, próxima à Vila Curuai. Três dos quatro presos – Miguel, Domingos e José - são irmãos de Rosivan.

Para chegar à região, os policiais utilizaram barco, lancha de abordagem e motocicletas das Polícias Civil e Militar. Participaram da prisão o efetivo da Vila Curuai e policiais militares do Grupamento Tático Operacional do CPR-I (Comando de Policiamento Regional), com sede em Santarém.

Os agentes foram para Vila Curuai, situada a cerca de oito horas de barco da sede de Santarém. Na localidade, saíram em busca dos homens apontados como os principais incentivadores do linchamento, com participação direta no crime. Durante a prisão, um dos acusados disse que tinha problemas cardíacos, e acabou sendo levado ao Hospital Municipal de Juruti, onde passou por uma avaliação médica, que não diagnosticou nenhuma anormalidade cardíaca. O médico receitou apenas um calmante.

Segundo os policiais, prosseguem as investigações para identificar os outros envolvidos no linchamento. O inquérito é presidido pelo delegado Luiz Paixão, da Seccional Urbana de Santarém.
Texto: Walrimar Santos-Polícia Civil

ACARÁ: Empresa operadora de compra premiada é alvo de ação do Ministério Público


A promotora de justiça de Acará, Ana Carolina Vilhena Gonçalves, entrou com uma ação civil pública contra a empresa Eletromil, para suspender a atividade comercial, a celebração de novos contratos com os consumidores e a realização de sorteios no município e no Estado do Pará, com a busca e apreensão de valores nos estabelecimentos da empresa localizados em Bacabal (MA) e no Acará (PA). 

Essas e outras medidas foram necessárias diante da quantidade de reclamações e da postura adotada pela empresa nos últimos dias. O juiz Adelino Arraz, responsável pela comarca, deverá julgar o pedido.(Texto: Ascom MPE)

Desarticulada quadrilha especializada em roubos a bancos no sudoeste do Pará

Agência Pará

A Polícia Civil divulgou, nesta quinta-feira, 9, os resultados da operação "Avalanche" deflagrada na cidade de Uruará, sudoeste do Pará, a cerca de mil quilômetros de Belém. Realizada pelas Polícias Civil e Militar do Pará, sob coordenação da Delegacia de Repressão a Roubos a Bancos (DRRB), vinculada à Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), a ação policial contou com apoio do Núcleo de Inteligência Policial (NIP), do Grupo de Pronto Emprego (GPE), do Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar e de policiais civis e militares da Superintendência Regional de Altamira e da Delegacia de Uruará.

Os agentes desarticularam e prenderam uma quadrilha especializada em roubos contra instituições bancárias na modalidade conhecida por "vapor" em que bandidos armados sitiam cidades e fazem reféns na fuga após o assalto. Com os presos, dezenas de cartuchos, uma arma de fogo e outros materiais usados nos crimes foram apreendidos. A operação policial, explica o delegado Ivanildo Santos, diretor da DRCO, é resultado de um plano de ação articulado pelo Sistema de Segurança Pública do Pará, para prevenir e reprimir, de forma integrada, crimes praticados por quadrilhas armadas contra instituições financeiras registrados, principalmente, no interior do Estado.

A ação policial foi deslanchada após o Núcleo de Inteligência da Polícia Civil ter detectado movimentação suspeita de "quadrilheiros" na região. A desarticulação do bando teve início após a prisão de Paulo Henrique Moreira Pinto, natural e residente em Altamira. Ele foi encontrado na Rodovia Transamazônica, zona rural de Uruará, no último dia 6. Paulo foi abordado pelos policiais após deixar o restante da quadrilha em um acampamento próximo da cidade de Placas, na mesma região.

O bando pretendia assaltar a agência do Banco da Amazônia. Paulo Henrique dirigia um veículo Voyage de placas JHW-1904, do Distrito Federal, de propriedade do policial militar Gilmar Pinheiro dos Santos. Dentro do veículo, no momento da abordagem, foram apreendidos dois estojos deflagrados de munição calibre 380. Diante da prisão, as equipes policiais deslocaram-se até o acampamento da quadrilha onde foram presos José da Silva Viana, conhecido por "Zezinho da Júlia" ou "Zezinho do Curral"; Gilmar Pinheiro dos Santos (policial militar); Eduardo (ou Antonio) Lopes da Silva, de apelido "Daniel Cabeça", e Andreive Coelho Barros, de apelido "Cabeça" ou "Cabeção".

Havia um quinto integrante do bando, de nome Denício Gonçalves Queiroz, também conhecido pelas alcunhas de "Barbudo", "Gaúcho", "Fazendeiro", "Maurício" e "Wesley", que estava fora do acampamento trafegando em um carro modelo Fiat Pálio, de placas NOL-4564, de Manaus-AM.

Durante a abordagem ao acampamento da quadrilha, os policiais foram recebidos a tiros de armas de fogo por parte dos bandidos. Ao revidar os disparos, os policiais conseguiram fugir pelo meio da mata fechada, abandonando no local um rifle de calibre 223; munições de calibre 556; 252 cartuchos intactos de calibre 12; uma bússola; um casaco camuflado; uma corda de retinida; uma máscara tipo brucutu; duas emulsões de explosivos e mantimentos para se manterem na mata fechada após o crime.

A ação policial evitou a execução do plano criminoso da quadrilha que seria roubar a agência do Banco da Amazônia do município de Placas. "É de conhecimento das Polícias, que a quadrilha, além do armamento e munições apreendidos, portava ainda quatro espingardas de calibre 12, um fuzil de calibre 556 e uma pistola importada da fabricante Glock de calibre 380, armas que até o presente momento não foram encontradas", explica o delegado.

O policial civil ressaltou que, durante a fuga, os bandidos tomaram de assalto um veículo de um morador local, que por ali passava de madrugada, e se dispersaram na região, "Integrantes do bando ficaram nas cidades de Uruará, Brasil Novo e Altamira", apurou. Já no último dia 7, os policiais, após a identificação de todos integrantes da quadrilha, prenderam com apoio da Corregedoria da Polícia Militar de Altamira, o policial militar Gilmar Pinheiro dos Santos, no momento em que ele chegava em casa em Altamira.

Também foi preso Francisco José Moreira do Nascimento, na noite do mesmo dia, em Uruará. Ele é responsável pelo apoio logístico para a quadrilha em Uruará. Com ele, 28 munições de fuzil calibre .30 foram apreendidas. Na casa dele, uma pistola de calibre 380, com dois carregadores e seis munições, também foram apreendidos. Em continuação às investigações, por volta de 23 horas do dia 7, Denício e "Daniel Cabeça" foram localizados em um ramal que dá acesso ao rio Iriri, zona rural de Uruará, a cerca de 12 quilômetros da sede do município, em ação conjunta das Polícias Civil e Militar, sob comando do delegado André Costa, titular da DRRB, e do capitão Silvio, da Corregedoria da PM de Altamira. No momento da abordagem, houve troca de tiros com os assaltantes em que Denício foi baleado.

Ele chegou a ser socorrido ao hospital local, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. O comparsa dele, "Daniel Cabeça" fugiu por dentro da mata. "Há indícios de que os integrantes da quadrilha sejam responsáveis por diversos assaltos também na região do Baixo-Amazonas, como os roubos aos bancos de Rurópolis, Medicilândia, Novo Repartimento e Pacajá ocorridos em 2011, bem como de outros roubos a bancos ocorridos em outros Estados, como Amazonas, Bahia, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão", ressalta o delegado Ivanildo Santos.

As buscas para localizar e prender o restante da quadrilha permanecem como esforço conjunto das Polícias Civil e Militar, em Uruará, junto com unidades do GPE e da COE e ainda com apoio dos demais municípios da região, sob coordenação da Superintendência da Polícia Civil de Altamira e Comando Regional da Polícia Militar de Altamira. "Essas ações preventivas já estão sendo desenvolvidas em outras regiões do Estado e novas operações semelhantes devem ocorrer em breve", assegura o delegado.

Em tempo de inspeção da FIFA no estádio Barbalhão, você lembra do velho estádio Elinaldo Barbosa?


Envie para o Blog do Estado seu depoimento sobre o antigo estádio municipal Elinaldo Barbosa, o Barbosão, inicialmente denominado de Estádio Aderbal Tapajós Caetano Corrêa.

Hemopa faz campanha de doação no caranaval em Santarém



Da redação de O Estado do Tapajós

A partir do dia 13 de feveiro, quando começa o período carnavalesco,  o Hemopa de Santarém vai promover a  Campanha de Doação do Carnaval, visando deixar o estoque abastecido para os dias de folia.
Em janeiro, a Fundação Hemopa de Santarém voltou a pedir à sede do Hemopa, em Belém, um reforço de bolsas de sangue por causa do baixo estoque no  unidade do órgão no município.

Para normalizar o estoque de sangue, o Hemocentro de Santarém precisa  conseguir  250 bolsas de sangue. O baixo estoque de sangue põe em risco o atendimento a pacientes internados nos hospitais da regiao Oeste do  Pará.


Em razão do Carnaval, Tapajós informa que as atividades do Hemopa em Santarém encerram na sexta-feira, dia 17 de fevereiro, e só retornam na quarta-feira de cinzas.

Eleitor que não votou no plebiscito tem até hoje para fazer justificativa

Termina hoje o prazo para que o eleitor que deixou de votar no plebiscito do dia 11 de dezembro de 2011 se regularize perante à Justiça Eleitoral.

O eleitor que perder esse prazo vai ficar impossibilitado, por exemplo, de se inscrever em concurso público ou requisitar a emissão de CPF.

Pará deve se tornar área livre de aftosa

Pará vai se tornar área livre de aftosa (Foto: Ney Marcondes)
                                     (Foto: Ney Marcondes/Diário do Pará)




O Ministério da Agricultura trabalha com a perspectiva de obter, até o final deste ano, a elevação do status sanitário do Pará como um todo à condição de área livre de febre aftosa. Hoje, apenas as regiões sul e sudeste do Estado têm o status de área livre, permanecendo as regiões nordeste e oeste do Pará, além do arquipélago marajoara, como áreas de baixo risco para a doença.
O assunto foi objeto de reunião ocorrida ontem em Belém com a presença do secretário nacional de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Francisco Sérgio Ferreira Jardim. Ele participou, no início da tarde, de um encontro de trabalho com o presidente (e diretores) da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Carlos Fernandes Xavier, e com o diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adepará), Mário Moreira, presente também o secretário de Agricultura, Hildegardo Nunes.
A reunião, convocada para tratar especificamente do combate à aftosa, prolongou-se até o início da noite e será retomada hoje, também no edifício sede da Faepa, já com a presença de Plínio Lopes, coordenador nacional do Programa Nacional de Erradicação da doença.
Francisco Jardim informou que, na região Norte do Brasil, os Estados de Rondônia e Acre já atingiram o status de áreas livres de aftosa. Amazonas, Amapá e Roraima são ainda considerados áreas de alto risco para a doença. O objetivo do Ministério é fazer com que eles galguem mais um patamar, alcançando o status de áreas de baixo risco, também ainda este ano. Na mesma época - espera-se - o Pará todo deverá ser considerado livre, condição que o governo espera ver alcançada também pelos Estados da região Nordeste do país - Maranhão, Piauí, Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Pernambuco.
MERCADOS
O diretor geral da Adepará, Mário Moreira, destacou que a elevação do Pará ao status de área livre de aftosa, tida pelo Governo do Estado como praticamente certa, vai abrir novos mercados, dentro e fora do Brasil, para o boi vivo e para a carne produzida no Pará. A mudança de status vai representar também a melhoria de preços e a atração de novos frigoríficos para o Estado, na sua avaliação.
Não menos importante, porém, segundo o diretor geral da Adepará, é que animais de alta linhagem, principalmente do nordeste paraense, poderão participar finalmente de exposições em todo o país, ampliando inclusive as possibilidades de comercialização de material genético produzido dentro do Estado. “Uma mudança como essa representará a redenção da pecuária para as regiões oeste, nordeste e Marajó”, finalizou.

IMPORTANTE
O secretário de Agricultura do Estado, Hildegardo Nunes, disse que o governo vê com grande expectativa a possibilidade de mudança do status sanitário, por ele classificada como decisão de enorme importância
socioeconômica, sobretudo pelo que ela representa em agregação de valor e em abertura de novos mercados. Hildegardo Nunes observou que, pessoalmente, ele se sente recompensado, já que foi em sua primeira passagem pela Sagri, entre 1995 e 1998, que ocorreu a inserção do Pará no circuito nacional de combate à febre aftosa.
(Diário do Pará)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Romance de Wando com Sabagama em Santarém inspirou letra da música 'Moça'

Miguel Oliveira
Repórter

O sucesso de Wando, que faleceu hoje em Minas Gerais, aos 66 anos, é ligado a Santarém. 
Aqui ele compôs sua musica mais famosa: Moça, dedicada à Sebastiana Gama(Sabagama) por quem se apaixonou. 
O LP vendeu 1,3 milhão de cópias, na década de 70. 
Wando conheceu a jovem cortesã no Hotel Tropical da Varig. Tinha traços indigenas e cabelos pretos longos (...quero me enrolar nos teus cabelos...) 
Wando não sabia que se tratava de uma meretriz, mas ela lhe confessou. Ficaram juntos alguns dias e viajaram para shows em garimpos de Itaituba. Na volta a Santarém, a borda da piscina, Wando lhe entregou um guardanapo de papel escrito a letra 'Moça'.
Sempre que voltava a Santarém lhe visitava. 
Anos mais tarde, Sabagama, ou Tiana, se firmou como empresária, construindo um luxuoso motel(Hipopotamus), na av Cuiabá, em Santarém, mas com a crise no garimpo e as invasões dos terrenos contíguos ao motel lhe levaram à bancarrota, tendo seus bens arrestados pela justiça.
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Make in off desta nota: Eu, quando rapazola, ouvi essa história dos mais velhos, dos pais de meus amigos. Eu morria de curiosidade. Mas o mundo dá muitas voltas e eis que, em 2001, quando eu já tinha retornado a Santarém, após 21 anos de ausência de minha cidade, pude apoiar uma promoção da TV Guarany de um show de Wando no Signus Club. A promoção era para o(a) leitor(a) do jornal O Estado do Tapajós recortar um cupom e depositá-lo numa urna na portaria da emissora. O cupom sorteado dava direito ao ganhador a almoçar com o Wando no restaurante do Tropical Hotel. Na manhã do sábado do show, Ademir Pereira eu também participamos do almoço de Wando com uma jovem, vencedora do sorteio. Ao final do almoço,eu pude perguntar para ele se a história que eu tinha escutado era verdadeira. Ele não só confirmou como também adicionou detalhes que ,em respeito à vida pessoal de Sabagama, eu não posso compartilhar com vocês.
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A música:
http://www.youtube.com/watch?v=bmZlBwKl_W4&feature=player_detailpage

Etta James, a grande voz


Lúcio Flávio Pinto
Editor do Jornal Pessoal

Etta James, que morreu no mês passado, foi muito mais longe na vida do que se podia prever: a leucemia a abateu cinco dias antes de completar 74 anos.  Ela sofria também do mal de Alzheimer e problema nos rins. Abusou da droga. Teve incidentes sem fim. Sofreu muito, no corpo e na alma. Chegou a pesar 200 quilos. Uma cirurgia tirou metade desse tamanho. Mas não as angústias que deviam estar por trás desse gigantismo, típico de quem já não tem maior apreço pelo próprio corpo.

Sem dúvida foi uma das maiores cantoras de todos os tempos. No entanto, só recebeu o maior prêmio da canção do seu país, o Grammy, 39 anos depois de gravar o primeiro disco, que lhe deu fama instantânea: At Last. Já era grande. Ficou sublime ao prestar sua homenagem à sua equivalente na vida e na música: Billie Holiday. Ninguém cantou Billie igual. Perfeita, sem ser cópia, imitação. Etta tinha melancolia própria para acrescentar à de Billie.

Talvez não tanta carga, mas quem sabe? Não era filha apenas de negros, como a Lady, cuja autodestruição lhe permitiu chegar apenas aos 44 anos, numa decadência que resplandeceu no disco terminal, Lady in satin, de 1959. É estranho que Etta só tenha gravado Billie 35 anos depois, num álbum de tributo com lugar garantido entre os maiores discos da música popular dos Estados, Unidos na companhia da acetinada gravação derradeira de Billie.

O pai de Etta era branco, mas não queria a associação à filha. Pagou-lhe pensão para ser ignorado. Uns compram carinho. Este adquiriu silêncio. Não se faz isso com ninguém. Etta foi em frente como se sempre caminhasse para trás.

Vice de Alexandre Von será indicado por Lira Maia


Da redação de O Estado do Tapajós
 
Os partidos políticos já começam a se movimentar visando as eleições municipais de outubro, quando o santareno irá à urna escolher o novo prefeito e 21 vereadores. 

Muitos partidos agem como se as eleições fossem ter segundo turno, pois eles acreditam que o eleitorado santareno ultrapassará a marca dos  200 mil eleitores até o dia 9 de maio, przo final de alistamento eleitoral.

Pensando nisso, alguns partidos já se adiantaram e anunciaram que vão lançar pré-candidatos. Por enquanto, o único candidato lançado é o de Rubson Santana, lançado pelo Partido Social Cristão (PSC). Ele deverá concorrer ao cargo de prefeito. 

Outros nomes não oficializados por suas siglas, mas já definidos é o de Inácio Correa, que deve representar o PT; e o do deputado estadual Alexandre Von (PSDB).

Segundo o Blog do Estado apurou, ontem em Belém, uma reunião confirmou que o vice de Alexandre será indicado pelo deputado federal Lira Maia(DEM).

Márcio Pinto também deve ser sacramentado pelo PSOL mais uma vez.  O médico Erick Jennings está sendo estimulado pelo PV a aceitar sua candidatura.

Já o vereador Maurício Correa(PSD) embora tenha tido seu nome anunciado como candidato a prefeito pelo deputado Junior Ferrari, dificilmente se manterá candidato. Ele deve concorrer à reeleição à Câmara de Vereadores. 

Sobre sua pré-candidatura Inácio Correa(PT) informou à nossa reportagem que ainda não pode falar sobre o assunto até que o partido oficialize sua pré-candidatura. Ainda, de acordo com Inácio, até o momento, ele foi o único que se inscreveu para concorrer como pré-candidato nas eleições 2012 pelo Partido dos Trabalhadores.

O deputado Alexandre Von confirma que será candidato do grupo político formado por seu partido e pelo Democratas (DEM), cujo líder maior na região é o deputado federal Lira Maia. "Nós realizamos convenções no segundo semestre do ano passado, tanto o nosso partido o PSDB, quanto o Democratas inclusive com a presença de lideranças nacionais do DEM em Santarém. E nessa ocasião os dois partidos manifestaram oficialmente o apoio ao nosso nome como pré- candidato a prefeito", explicou o deputado.

No entanto, Von esclarece que as definições finais serão feitas nas convenções partidárias que devem ocorrer no mês de junho.
 
O PSC também quer concorrer à prefeitura de Santarém e já escolheu o nome do bancário Rubson Santana. Rubson adiantou que dia no 11 de março haverá o lançamento oficial dos pré-candidatos ao cargo de vereadores e pré-candidatos a prefeito. "Estará presente toda a bancada estadual e a nacional do PSC, como o ex-senador Mão Santa". O local ainda não foi definido.

Pirarucu de 100 kg vendido em supermercado de São Paulo

Por Miguel Oliveira:
O pirarucu da foto abaixo pesa 100 kg.
Foi fotografado por mim em Ribeirão Preto(SP), no supermercado Pão de Açucar. 
O vendedor me informou que é de criatório, no Pantanal. 
E tem gente que pensa que pirarucu só tem aqui na região amazônica...
Com um detalhe interessante: o preço.
Lá em Ribeirão Preto, o quilo custa R$17,90.
Aqui em Santarém, agora no período de defeso da espécie, o quilo do pirarcu custa R$ 22,00.

Na página do facebook, Antenor Pereira Giovannini fez o seguinte comentário:
"Caro Miguel..por aqui nem vontade de ter um criatório os caras tem ... Querer levar criatório de peixes sem ração feita a base de soja e milho, esquece ... aqui os caras querem levar adiante trazendo ração de fora!!!!!"
Pior é saber que em Sorriso há tanques de Pirarucú para exportação sendo que Sorriso fica há mais de 2 mil km do porto !!!!! E Santarém, com rio, com porto, só assiste !!!"
Outro leitor. José Maria Oliveira, residente em Uberlândia(MG), também deu sua opinião:
"O peixe de criame (expressão daqui da região) não tem o mesmo sabor dos peixes da Amazônia, aqueles criados sem calça. Tenho saudade dfo meu tambaqui de 4 a 6 kg. Só saudade, no más.."

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Representação das ONGs ambientalistas no Coema será definida este mês

Da Agência Pará

Belém - O Secretário de Estado de Meio Ambiente e presidente do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Coema), José Alberto Colares,  divulgou o resultado do edital publicado no Diário Oficial do Estado, em dezembro de 2011, para escolha da representação no Coema, das Organizações Não Governamentais (ONGs) ambientalistas do Pará. 

As entidades habilitadas foram a Associação dos Mineradores de Ouro do Tapajós (Amot) e o Instituto Socioambiental dos Garimpeiros do Brasil (ISGB).

Para interposição de recurso contra o resultado da habilitação, as ONGs terão o prazo de quatro dias, contados a partir desta terça-feira (7), dirigido à Assembleia das entidades que o julgará conforme o regulamento de eleição. 

A data da Assembleia de escolha da representação das ONGs ambientalistas, para integrar o Coema, no biênio 2011/2013, será o dia 15 de fevereiro, às 8h30, em primeira convocação, e às 9h, em segunda convocação, quando a assembleia acontecerá com qualquer número de associações presentes no auditório da Secretaria e Estado de Meio Ambiente (Sema), na travessa Lomas Valentinas, 2717, bairro do Marco.

Pará supera metas no ensino médio


O estado do Pará  tem hoje 88,7% da população de 4 a 17 anos na escola ou creche (2010), a meta para este ano era de 91,7%; 40,5% da população de 16 anos concluiu o Ensino Fundamental em 2009 (a meta era de 44,0) e 31,7% o Ensino Médio (superando a meta que era de 25,4).

71,3% dos municípios do estado do Pará atingiram a meta de aprendizado adequado à série para o 5º ano do Ensino Fundamental em matemática e apenas 31,5% em português; 37,8% atingiram a meta para o 9º ano em matemática e 79,7% em português.

Os dados constam do relatório anual de acompanhamento de suas 5 Metas, o De Olho nas Metas 2011, do programa Todos Pela Educação. 

Xingu: mais um rio que o homem invade



Lúcio Flávio Pinto
Articulista de O Estado do Tapajós

Mais um grande rio da maior bacia hidrográfica do planeta está sendo barrado pelo homem. No início do mês passado, uma barragem de terra começou a avançar sobre o leito do rio Xingu, no Pará, dentre os maiores do mundo. A represa vai desviar o fluxo da água para permitir que os construtores da barragem de concreto trabalhem em seco.

Em mais dois anos eles pretendem erguer ali a maior de todas as hidrelétricas já criadas pelo homem, com capacidade nominal de gerar mais de 11 mil megawatts. A usina de Belo Monte acrescentaria então mais 15% de energia ao sistema nacional, o maior de origem hidráulica dentre todos os países. A água ainda propicia a energia mais barata de que se dispõe na Terra. E, embora sob crescente ceticismo, também a mais limpa.

 Contra críticos e opositores, o governo federal já decidiu: extrairá da Amazônia toda energia que seus rios poderão fornecer. Tanto para transferi-la – por longas distâncias – para as áreas de maior demanda como para atrair novos empreendimentos eletrointensivos de todas as partes. É uma investida tão grandiosa quanto a que se empreende na região do Cáucaso, na antiga União Soviética (mas tangenciando a Rússia, a mais poderosa das repúblicas socialistas da URSS), com outro energético: o petróleo.

A interferência humana nos caudalosos rios amazônicos começou no final dos anos 1960, durante o “milagre econômico” promovido pelo regime militar. Mas o alvo eram dois pequenos rios, o Curuá-Una, no Pará, e o Araguari, no Amapá. Neles surgiram duas diminutas usinas, que funcionam com água corrente, sem formar reservatórios para acumulá-la. São a fio d’água, conforme a expressão dos engenheiros.

A primeira grande intervenção humana começou em 1975, sobre o leito do Tocantins, o 25º maior rio do mundo, com mais de dois mil quilômetros de extensão. Foi uma epopeia, sob todos os sentidos, bons e ruins. O momento mais dramático aconteceu em 1980.

A Eletronorte construiu uma ensecadeira de terra com capacidade para suportar a pressão de 50 milhões de litros de água por segundo. Era o máximo que se imaginava que o rio podia vazar, com base em estimativas científicas. Mas a vazão do Tocantins surpreendeu: foi a 68,5 milhões de litros de água por segundo. Por pouco a ensecadeira não foi arrastada – e com ela, cinco anos de trabalho e centenas de milhões de dólares já gastos.

O rio Xingu tem quase a grandeza do seu vizinho Tocantins, em extensão e em vazão, embora sofra estiagem mais forte durante o verão, quando sobra um fio d’água entre pedras e ilhas. Esta é a fase em que ele cresce e extravasa, por causa das chuvas que caem nas suas cabeceiras e dos seus afluentes. É o inverno amazônico, caracterizado pelas enxurradas pesadas.

O nível do rio está bem acima do normal das cheias de janeiro. É sinal de que as inundações poderão ser mais rigorosas. Algumas providências já estão sendo tomadas para evitar maiores prejuízos. Uma das ameaças do rio é à ensecadeira.
Ela começou a ser formada numa época adversa, justamente quando começam os “torós”, verdadeiros dilúvios. Mas o consórcio construtor de Belo Monte deve ter preferido enfrentar a natureza a correr o risco de nova paralisação forçada ou de restrição às obras.

Para poder iniciar o desvio do rio, a Norte Energia teve que derrubar uma medida judicial que a impedia de trabalhar no leito do Xingu. Ela tinha que se limitar a operar nas margens, com trabalhos complementares e acessórios. Mal a ordem foi suspensa, tratou de colocar uma grande frota de tratores em serviço, jogando terra nas águas e abrindo estrada numa ilha situada no meio do rio, montando estruturas.

O juiz federal que concedeu a liminar, colocando a construtora fora do Xingu, sob a alegação de que as obras iam acabar com a pesca ornamental no local, foi o mesmo que voltou atrás, logo em seguida, já convencido de que não há essa atividade. Ou ao menos não ao alcance da hidrelétrica.

Agora, se ele mais uma vez voltar atrás, quando examinar o mérito da ação dos declarados pescadores, dificilmente sua decisão poderá ter efeito prático. O avanço da obra humana sobre o vau de um rio como o Xingu constitui fato consumado. Revertê-lo é possível e factível, mas não é a regra. Muito pelo contrário. Os engenheiros que levantam barragens sabem muito bem disso.

O governo também. Polêmicas e incidentes como os que se registram em Belo Monte se repetiram no rio Madeira, que é ainda maior. Mas a usina de Santo Antônio está entrando em operação comercial quatro anos antes do cronograma original.

Jirau, com o retardamento provocado pelo quebra-quebra no canteiro de obras no ano passado, ainda assim segue pelo mesmo caminho. As duas terão quase metade da potência nominal de Belo Monte, mas irão gerar efetivamente mais durante o ano porque o Madeira tem uma vazão maior e mais regular (é o mais importante tributário do fantástico Amazonas).

Logo será a vez de outro grande afluente da margem direita do maior e mais volumoso rio do mundo. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2) prevê que seis hidrelétricas no Tapajós, o último grande rio no oeste do Pará, fornecerão tanta energia quanto Tucuruí, hoje a maior usina inteiramente nacional, que responde por 8% do crescente consumo brasileiro de energia. Aí então virá o Araguaia – e qual mais em seguida?

Duas coisas surpreendem nessa corrida desabalada a grandes fontes de energia: o barulho que provocam quando são anunciadas e o silêncio no qual seguem quando, consumados os fatos, Inês é morta e a obra vai em frente, sem lenço, sem documento e sem uma fita amarela.

Para consolidar a Amazônia como a maior província energética da terra, o equivalente verde dos campos de petróleo do Oriente. O verde da floresta, porém, transformado em hulha branca – e em seus vários derivados multicoloridos. Quando não, negros.