quarta-feira, 25 de junho de 2008

Inspeção na Santa Casa

A Santa Casa de Misericórdia, em Belém (PA), passará por uma inspeção especial nesta quinta-feira para apurar a causa das mortes de 12 bebês no último final de semana.
A decisão foi tomada pela presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que designou um grupo técnico formado por seis pessoas, entre elas um médico, para fazer a vistoria e apresentar uma conclusão no prazo de 30 dias.
"Vamos apurar se houve má aplicação dos recursos, se houve desvio de verbas ou má gestão", declarou Coutinho Jorge, presidente do TCE.

Lei de Alexandre Von torna Çairé patrimônio cultural e artístico do Estado

De um lado, um verdadeiro festival de cores repleto de uma diversidade ímpar observada nos personagens que compõe um símbolo denominado de Boto Tucuxí. De outro, a criatividade aliada a sensualidade e brilho dos homens e mulheres que representam o Boto Cor de Rosa. Englobando este misto de elementos religiosos e profanos, danças folclóricas e manifestações religiosas, o Çairé se tornou Patrimônio Cultural e Artístico do Estado do Pará, por meio de lei de autoria do deputado estadual Alexandre Von(PSDB) assinada, na última quarta-feira (18), pela governadora Ana Júlia Carepa.

Memória de Santarém - Lúcio Flávio Pinto

Mercado e junta

Em 29 de dezembro de 1963 foi inaugurado o novo mercado municipal. A obra, projetada pelo então vereador Joventino Lira, foi iniciada por Ubaldo Corrêa e concluída por Everaldo Martins. À inauguração compareceu o então governador Aurélio do Carmo, do mesmo partido do prefeito, o PSD.
Na mesma época foi instalada a Junta de Conciliação e Julgamento de Santarém, órgão da justiça do trabalho. Célio Rodrigues Cal foi seu primeiro presidente.

Trânsito ordenado

Como o tráfego de veículos já era mais intenso em algumas ruas da cidade, o comissário de trânsito de Santarém, Ademar Pinto Guimarães, decidiu, no final de 1963, fazer mudanças na ordenação das vias públicas, com o respaldo da Delegacia Estadual de Trânsito. A partir de 1º de dezembro, os motoristas de praça e particulares só poderiam descer a Travessa Barão do Rio Branco, a Travessa 15 de Agosto e a Travessa Francisco Corrêa, enquanto o sentido da Travessa dos Mártires e da 15 de Novembro era apenas de descida (claro que as duas direções tomando o rio Tapajós como referência, o que a portaria se eximiu de esclarecer, dava a obviedade na época, numa cidade voltada para o seu litoral).
Já a Rua João Pessoa, a principal do comércio, passava a ter um só sentido de tráfego, "conforme as Setas Encarnadas", dizia a portaria. As demais ruas e avenidas teriam "dois sentidos de mão". De uma forma confusa, o documento estabelecia ainda que nas travessas o estacionamento teria que ser à direita, enquanto "Nas Ruas e Avenidas, para os carros serão a Direita".
Advertia ainda os motoristas a "prestar a prestar a máxima atenção nas Setas Vermelhas, que estão em vigor para melhor orientação do dito itinerário do trânsito".

Caridade estudantil

Estudantes do Ginásio Dom Amando fundaram, em 1957, a Sociedade Estudantil de Assistência Social. Passaram a auxiliar 500 famílias pobres da cidade, protegendo-as debaixo da Árvore da Caridade, construída através da caridade pública. Grupos de estudantes, a pé ou em bicicletas, percorriam a cidade recolhendo donativos da população.
A SEAS surgiu por inspiração do estudante Leôncio Coimbra Lobato, que depois se mudou para São Paulo. Na direção ficaram Antônio Guimarães e Ítalo Freire Fernandes. Em 1961 a sociedade recebeu uma significativa doação de Manuel de Jesus Moraes, chefe da firma comercial M. J. Moraes & Cia.

Mal de Hansen

Em 5 de dezembro de 1963 foi criada a Associação de Assistência aos Lázaros, uma entidade civil com o objetivo de enfrentar um dos graves problemas de saúde da cidade: a lepra ou mal de Hansen. Seu primeiro presidente foi Luci-valdo Figueira Tapajós. Da diretoria participavam ainda Francisco Coimbra, Izaías Marinho, Dagomar Macedo, Joaquim da Costa Pereira e Evandro Vasconcelos.

Datas que lembram Ruy

O poeta, jornalista e compositor santareno Ruy Guilherme Paranatinga Barata faria hoje 88 anos de idade.
Se vivo fosse, ele teria muito o que comemorar além do aniversário, porque Ruy foi um ardoroso torcedor tricolor. E o Fluminense inicia hoje a final histórica na Taça Libertadores das Américas, enfrentando a LDU, no Equador.
(Fonte: Espaço Aberto)

Horario bancário em Santarém

O horário de atendimento ao público dos bancos em Santarém - das 9 as 14 horas-, provocou os seguintes comentários de leitores:

Sr Editor
Se é para mudar o horário comercial para mais tarde e assim compensar a perda biológica devida a equiparação com horário de Brasilia, fica a pergunta: " Mudou pra que ??? "
Antenor Giovannini
24 de Junho de 2008 10:11


Olavo das Neves (ACES) disse...
Caro Antenor,ACES, SINDILOJAS e CLD estão trabalhando fortemente para fazer valer o horário bancário de 10h às 15h.Vale ressaltar que outras cidades do Oeste do Pará que possuem mesmo horário de Belém, como Altamira e Uruará, já adotam o horário que estamos propondo.O que não aceitaremos é Santarém na contra mão deste processo.

Forte Abraço!Olavo das Neves
24 de Junho de 2008 21:19


Adilson disse...
Sr. Editor,

Não consigo entender o critério adotado para o horário de funcionamento dos Bancos em nosso municipio, já que o nosso fuso horário é o mesmo da capital, pois em Belém os Bancos funcionam até as 16:00 hrs.
Adilson Lira Pinto
25 de Junho de 2008 08:36


Sr Editor
Caro Olavo,
Há de convir que não faz sentido essa postura dos Bancos. Se a mudança tem intenção de integrar com os grandes centros e os custos que essa diferença estava gerando, não tem porque os Bancos não trabalharem no horário compativel aos grandes centros ... Parece obvio, mas se podemos complicar porque facilitar né???
Antenor Giovannini

Mega Sena paga R$ 16 milhões

O sorteio desta quarta-feira da Mega Sena vai pagar prêmio de mais de R$ 16 milhões.
As apostas se encerram às 18 horas( horário de Brasília).

Antaq autoriza linha fluvial Santarém-Macapá

Já foi publicado no Diário Oficial da União, edição de 17.06.2008, a Autorização de nº 442/2008, da Agencia Nacional de Transportes Aquaviários - ANTAQ, para a empresa Sílvio Herbert Diniz-ME, operar no transporte misto - passageiros e cargas, na rota Santarém/PA- Santana/AP.
Agora, as empresas que obtiverem autorização da ANTAQ poderão exigir das autoridades competentes - Ministério Público Federal, Capitania dos Portos e ANTAQ - a retirada das linhas das empresas que não são autorizadas, o que inclui grandes empresas aqui mesmo de Santarém, Manaus, Macapá e Belém.
O fato em si significa uma grande vitória para uma micro-empresa que não encontrou dificuldades e nem burocracia, ao custo zero, para obter a autorização do Governo Federal.

O caso de Portel:decisão protelada

Lúcio Flávio Pinto
Editor do Jornal Pessoal e articulista de O Estado do Tapajós

O juiz substituto da 5ª vara federal do Pará, Antônio Carlos Almeida Campelo, decidiu suspender por quatro meses a instrução da ação civil pública que tenta anular a titulação feita pelo Iterpa numa área de 127 mil hectares, que o instituto alienou a particulares em Portel, 30 anos atrás, e cobra indenização em nome dos moradores tradicionais da região. A ação, patrocinada pelo advogado Ismael Moraes em nome da prefeitura de Portel, de uma associação e do sindicato dos trabalhadores rurais, foi avaliada pelo seu autor em 200 milhões de reais.
A suspensão por 120 dias foi decidida pelo juiz "em face da notícia de realização de diagnóstico da situação fática a ser efetuada pelo Município de Portel com as empresas ABC e Cikel", beneficiadas pela venda das terras. O juiz decidiu abrir o prazo "a fim de possibilitar a juntada de relatório desses trabalhos aos autos". Esgotado esse tempo, "com ou sem juntada de diagnósticos", decidirá sobre os autos.
A decisão de Antônio Campelo causou surpresa. Não é comum que um juiz decida baseado em notícias, que sequer constam dos autos do processo. O responsável pela 5ª vara federal nem especificou de que notícia se trata e quem a divulgou. Nada lhe foi dito pelas partes na audiência marcada para o dia 29 de abril, a primeira da instrução processual, mas que não se realizou porque faltou energia no prédio da justiça federal na ocasião, Mesmo assim, o juiz mandou tomar por termo a "reunião informal" que decidiu assim mesmo realizar, mas sem a assinatura das partes que a ela compareceram, só a do próprio magistrado. Representantes de Portel, da Cikel e da ABC Agropecuária Brasil Norte e do Iterpa estiveram presentes ao encontro, mas nenhuma referência fizeram ao tal diagnóstico.
No seu despacho, o juiz Campelo admite que o hipotético "diagnóstico da situação fática" ainda está por ser efetuado. Quem garante que será iniciado e concluído em quatro meses, se é que algumas das partes o têm em seus planos? A única citação a respeito de um possível levantamento das ocupações na área apareceu em reportagem escrita pelo jornalista Carlos Mendes e publicada em O Liberal, atribuindo ao Iterpa o interesse por tal iniciativa. Mas nada de concreto houve. E a matéria também não foi juntada aos autos.
O juiz Campelo decidiu pela suspensão do processo antes mesmo de tomar conhecimento das contestações apresentadas pelo Iterpa e o Ministério Público Federal, assim como da ABC Agropecuária, juntada na "reunião informal" de 29 de abril. Os oponentes da ação civil pública argumentam que ela é inepta, porque seus objetivos não são compatíveis com esse tipo de procedimento, e que já está prescrita, três décadas depois de feita a venda das terras e efetuado o seu registro imobiliário, e que a antecipação de tutela é totalmente descabida, por ser tão ampla, praticamente equivalendo a um pré-julgamento. Teria que ser requerida em procedimento ordinário próprio.
Se examinasse o conteúdo das contestações antes de determinar a suspensão da instrução, talvez o juiz pudesse deixar a apresentação de novas provas (e ainda mais sendo provas a serem produzidas) para a fase devida da instrução: o exame de mérito. Ou, quem sabe, chegar logo a uma conclusão quanto à natureza da empreitada que há por trás da defesa de alegados direitos coletivos difusos da população tradicional de Portel. Em longas matérias publicadas em edições anteriores, este jornal já disse qual é a sua conclusão: uma manipulação dos direitos e expectativas desses cidadãos. Em proveito dos que a promovem.

Democratas e PMDB têm reunião em Belém

O deputado federal Lira Maia(DEM) tem reunião, hoje, em Belém, com o ex-deputado peeemedebista José Priante.
Assunto: dobradinhas DEM/PMDB nas eleições de municípios da região Oeste do Pará.

Dica Frazão é premiada

A artesã santarena Dica Frazão recebe hoje, em Belém, o prêmio mulher destaque padrão concedido por uma entidade que reúne mulheres empreendedoras.

Justiça Eleitoral recusa certidões emitidas pela internet

Do Espaço Aberto:

Belém - A Justiça Eleitoral precisa, decididamente, entrar na era virtual. Se já está, é preciso acreditar que outros sistemas, que não o seu, são seguros. Do contrário, continuará causando problemas a outros órgãos que acreditam na eficácia e segurança dos procedimentos pela internet.
Que o diga a Justiça Federal em Belém.
A área em frente ao seu Protocolo tem ficado, nos últimos dias, entupida de gente. São dezenas de pessoas que vão até lá em busca de certidões, quando poderiam perfeitamente obter o documento pela internet, sem sair de casa ou do trabalho. Em regra, todos são aspirantes a candidatos, que precisam demonstrar sua situação perante a Justiça Eleitoral para obter o registro da candidatura.
A Justiça Federal tem, em seu site, um link que emite certidões. Mas a Justiça Eleitoral não tem aceitado. Alega que é necessária a autenticação. Mas as emissões das certidões, por meio virtual, também permitem a autenticação eletrônica. Mesmo assim, a Justiça Eleitoral não arreda pé.
Pior para todo mundo, menos para a Justiça Eleitoral.
Ainda há pouco, o poster conversou com cidadão que estava na fila, em frente ao Protocolo da Justiça Federal. Ele é do Acará. Disse que gastou R$ 200,00 para vir a Belém apenas para tirar a certidão, porque o documento que obteve pela internet não foi aceito.
Como ele, tantos outros se encontram na mesma situação.
Mesmíssima.

Maria é multada pela Justiça Eleitoral

A prefeita Maria do Carmo foi multada em cerca de R$ 21 mil pela Justiça Eleitoral por fazer propaganda eleitoral antecipada através de campanhas institucionais da prefeitura de Santarém.
A decisão judicial atendeu à representação 006/2008 do partido Democratas.
Em decisão liminar no mesmo processo, a prefeita já havia sido proibida de aparecer na propaganda instituiconal da prefeitura desde o dia 15 de maio.

Manchetes da edição de 4ª feira de O Estado do Tapajós

MARIA É MULTADA PELA JUSTIÇA ELEITORAL

IMAGEM DO PARÁ TEM QUE MELHORAR, DIZ ANA JÚLIA

OBRAS DO PAC NO URUARÁ E MAPIRI NÃO SAEM DO PAPEL

EMPRESÁRIOS NÃO ACEITAM BANCOS DE 9 AS 14 HORAS

PREÇO DO PÃO SOBE MAIS DE 40% EM TRÊS MESES

PRODUTOR RURAL PODE CONTRATAR SEM ASSINAR CARTEIRA POR DOIS MESES

APLICAÇÃO CORRETA DE ROYALTIES É EXIGIDA EM AUDIÊNCIA PÚBLICA

PSDB indica vereador para vice de Lira Maia

Reunidos ontem à noite, dirigentes do PSDB escolheram o vereador Otávio Macêdo para fazer dobradinha com o deputado Lira Maia, caso a vaga de vice seja destinada ao partido nestas eleições.

Recuperação de áreas alteradas por mineração será debatida no Goeldi

O Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG) realiza nesta quarta-feira (25), mais uma edição dos Seminários Interdisciplinares, com a palestra “Recuperação florestal em áreas alteradas por mineração na Amazônia”, que será proferida pelo pesquisador Rafael Salomão, da Coordenação de Botânica (CBO).
Mestre em Ciências Florestais pela Universidade Federal de Viçosa, Rafael Salomão irá apresentar, durante a palestra, os resultados de estudo sobre dinâmica vegetal realizado em áreas mineradas na Floresta Nacional Saracá-Taquera, pela empresa Mineração Rio do Norte (MRN).
Com 429.600 hectares, a Flona Saracá-Taquera é uma unidade de uso sustentável localizada à margem direita do rio Trombetas e abrange os municípios paraenses de Oriximiná, Faro e Terra Santa. O estudo iniciou em 1996 através do monitoramento dos plantios florestais efetuados pela empresa tanto nas áreas de restauração florestal, quanto em áreas de floresta tropical primária densa. A regeneração natural de espécies arbóreas nas áreas de reflorestamento é outro aspecto que será abordado pelo pesquisador do Goeldi. Aberto ao público, o seminário acontece às 16 horas, no Auditório “Dr. Paulo Cavalcante”, do Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, localizado na Avenida Perimetral, 1901, em Belém.
Promovidos pelo MPEG, os Seminários Interdisciplinares são destinados a divulgar pesquisas e estudos da instituição.
(Fonte: Agência Museu Goeldi)

terça-feira, 24 de junho de 2008

O caboco que deu vida a um mundo em extinção

Lúcio Flávio Pinto
Editor do Jornal Pessoal e articulista de O Estado do Tapajós

Em 1971 minha temporada paulista foi interrompida por alguns meses em Belém. Logo que aqui cheguei, Benedicto Monteiro me entregou os originais de um livro que pretendia publicar. Com surpresa, vi que o ex-político, então no exercício da profissão de advogado, escrevera um romance. Mas não um romance qualquer: era uma grande obra de ficção. Voltei a Bené e lhe mostrei os originais, com muitas anotações minhas, manifestando-lhe meu entusiasmo. Devia publicar logo: Verde Vagomundo certamente iria causar impacto nacional. Ele me confessou que já havia mandado os originais para três ou quatro pessoas, autoridades locais em literatura, mas não recebera qualquer resposta.
Para estimulá-lo ainda mais, escrevi uma série de três artigos em A Província do Pará, dando minha opinião: a Amazônia voltava a ser tema literário de primeira linha. Num momento em que o mundo da natureza, no qual o homem nativo era ainda um detalhe, começava a ser destruído pelo colonizador, Benedicto Monteiro, com fina sensibilidade e conhecimento íntimo das coisas que dizia, nos reconciliava com a "nossa" Amazônia, sem dissociá-la da nova aventura em que era metida, por conta dos caminhos abertos no seu interior para migrantes de todo país (e captados pelas ondas hertzianas do rádio).
Tão logo Verde Vagomundo saiu, lançado no Rio de Janeiro por uma pequena editora de um amigo de Bené, Lúcio Abreu, mandei um exemplar para Léo Gilson Ribeiro, em São Paulo. Crítico de respeito, Léo também se encantou com o romance. Escreveu uma página de elogios no Jornal da Tarde, o vespertino de O Estado de S. Paulo, abrindo as portas do país à excelente novidade vinda do distante e mal-conhecido Norte. Empolgado, Benedicto partiu para o segundo e igualmente bem-sucedido livro: O Minossauro. Abri para ele a capa do Bandeira 3, o semanário que editava em 1975, e espaço para uma longa entrevista e um artigo sobre o novo livro.
Parecia que teríamos um novo Dalcídio Jurandir, desviado do Marajó para o Baixo-Amazonas, centrado na siciliana Alenquer. Mas os redutos sulistas não se renderiam como as muralhas de Jerusalém às cornetas de Josué. Nem os elogios e nem a acurada análise de um paraense cosmopolita, como Benedito Nunes, deram a Bené o reconhecimento que ele merecia só pelos dois livros, melhores do que obras incensadas pela crítica auto-suficiente do eixo dominante da cultura (e de tudo mais) do Brasil.
Não era de admirar: o que acontecia ao escritor se repetia em tudo na relação entre a periferia e o centro do país. Mas Bené era um caboco valente e decidido: foi lançando um livro depois do outro. No meu entendimento, como os dois primeiros romances continuaram a ser o modelo, tiveram com os demais a relação de uma base concentrada com sua diluição. Houve perda de qualidade na super-exploração dos motivos originais, que constituíam a grande força de Verde Vagomundo e Minossauro.
Bené não gostou das críticas, que se estenderam ao campo da sua atuação pública, como procurador-geral do Estado e político, de volta à atividade depois da quarentena compulsória pela cassação. Como havia um afeto mútuo, desenvolvido durante a fase de relacionamento mais constante que tivemos, foi preferível evitar os atritos, cada um levando a própria vida e nela procurando fazer o melhor, para si e os demais. Continuei a acompanhar a atividade de Benedicto Monteiro a certa distância, mas com grande interesse - e inabalável admiração.
Se não fosse advogado, político e escritor, Bené já justificaria o carinho geral que conquistou como pessoa. Era um típico caboco (não caboclo) do Baixo-Amazonas, eficiente cultivador de suas raízes, companheiro alegre e generoso, prosador emérito. Suas qualidades pessoais foram realçadas e multiplicadas pela companhia de sua mulher, Wanda, que morreu quatro antes do passamento do marido. Benedicto Wilfredo Monteiro se foi no dia 16, depois de incrível resistência, aos 84 anos. Enfrentou como um bravo as sucessivas doenças que interromperam nos últimos anos seu currículo de homem saudável. Só cedeu quando, entre dores, começou a sentir o chamado da mulher que amou. Virou-se para quem estava próximo e pediu que o deixassem ir. E assim, como um amante de tudo que a vida ofereceu, foi atrás de Wanda. Entre nós, muito vivo, deixou Miguel dos Santos Prazeres, o maior dos filhos que concebeu em seus escritos, e a família, que em torno dele viveu e, armada de sua memória, abrirá novos tempos na sua história.

Aviso

As novas postagens deste site já estão sendo feitas no fuso horário oficial de Santarém

Frission

Empresa junior de uma faculdade particular acaba de tabular o resultado da mais nova pesquisa eleitoral em Santarém.
Os números são impressionantes, de deixar muita gente de queixo caído.
Detalhe: a pesquisa não foi registrada perante à Justiça Eleitoral e por isso não será divulgada.

Bancos já estão abertos

Martin Granja, gerente do Banco de Brasil, acaba de informar que o horário das agências bancárias de Santarém será de 09h00 as 14h00 pelo horário de Brasília.
Trocando em miúdos: pelo horário antigo, os bancos abrem e fecham mais cedo.

Alta da soja ameaça compromisso de não plantar em área de desmatamento

Os resultados positivos dos dois primeiros anos da moratória da soja, compromisso assinado por compradores de não comercializar grãos produzidos em áreas de novos desmatamentos na Amazônia, podem não se repetir no período de prorrogação do compromisso, assinada na semana passada por representantes do governo, organizações não-governamentais e indústrias.
De acordo com o Grupo de Trabalho da Soja, que reúne representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e do Greenpeace, por exemplo, nos dois primeiros anos da moratória, em nenhum dos 193 polígonos de novos desmatamentos na Amazônia houve cultivo de soja. No entanto, a situação pode mudar até a próxima safra, influenciada pelo aumento do preço do grão no mercado internacional, o que eleva o interesse dos produtores, e passada a “domesticação” da terra, período de transição (com plantio de outras culturas, por exemplo) para que o solo seja cultivável para a soja.
“O monitoramento revelou que houve desmatamento em 193 polígonos e a área está lá aguardando algum tipo de definição, que não necessariamente será a soja. O que não quer dizer que se nós não formos atentos, alguma soja será plantada nessas áreas. Até porque em alguns polígonos, essas áreas estão relativamente próximas a áreas já plantadas com soja no passado”, admitiu o presidente da Abiove, Carlo Lovatelli.
O levantamento dos polígonos de novos desmatamentos só levou em conta áreas de devastação iguais ou maiores que 100 hectares, porque, segundo o GTS, em geral, não é economicamente viável para o produtor de soja cultivar o grão em áreas inferiores a essas.
Na avaliação do coordenador da Campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, é preciso ficar atento também a desmatamentos inferiores a 100 hectares. “Identificamos proprietários que desmataram áreas menores, bem próximas às lavouras que já produzem soja, o que pode indicar que a produção será estendida para essas áreas nos próximos anos”, apontou. Mas, para o presidente da Abiove, a garantia de que a soja irregular não será comercializada se deve ao fato de que os compradores de soja, que repassam a produção aos grandes exportadores “conhecem de perto” os produtores do grão. “Ele tem raízes na região, conhece os produtores, é relacionado, são companheiros, ele tem a informação [se desmatou ou não]”, disse.
Já o coordenador da campanha do Greenpeace defende a divulgação da lista de fornecedores, para que o monitoramento dos produtores, que desmataram ou não para produzir mais soja, não seja feito somente por representantes das indústrias compradoras. “O comprador de soja não tem credibilidade suficiente para dizer que não comprou de quem desmatou”.
Adário acredita que será necessário reforçar o trabalho para que o monitoramento chegue aos pequenos polígonos de desmatamento. Segundo ele, foram identificados mais 47 mil com extensão inferior a 100 hectares. “Esse ano vai ter soja plantada nas áreas desmatadas Não será um grande problema monitorar os 193 polígonos. O que o GTS não têm condições de fiscalizar são os polígonos abaixo de 100 hectares. A imensa maioria não é em área de soja, mas se a gente falar em 10% para a soja, sendo conservador, serão cerca de 5 mil polígonos a mais para monitorar”, estimou.
(Fonte: Agência Brasil)

O tempo de Santarém

Lúcio Flávio Pinto
Articulista de O Estado do Tapajós


Tinha certo gosto de brincadeira, para quem viajava entre Belém e Santarém, a diferença de uma hora entre as duas cidades: chegava-se à “pérola do Tapajós” praticamente na mesma hora em que se deixara a “metrópole da Amazônia”. Era como se o tempo gasto no percurso não tivesse existido e as duas cidades, separadas por 800 quilômetros, fossem contíguas, siamesas. Talvez lá no inconsciente, sobretudo dos “mocorongos”, fosse a melhor maneira de não perceber a diferença. Santarém não reconhecia a supremacia de Belém porque, no fundo, se sentia tão capital, não de um Estado real, mas da nova unidade federativa que um dia iria se materializar, como um rei Sebastião redivivo, legenda ao gosto de uma cidade com fundas tradições portuguesas.
Agora que a diferença de fuso horário desapareceu, qual o seu efeito no inconsciente coletivo de uma cidade que comemora seus 347 anos com a nova realidade temporal? Sente-se mais distante da capital do Estado ao qual ainda pertence, por isso, tendo que estar hierarquicamente subordinada a Belém? Vê mais distante o sonho de comandar um novo Estado brasileiro, ideal que tem suas raízes mais remotas num ponto cada vez mais distante na história, meio século e meio atrás, e que parecia avivado para se tornar realidade nestes dias? E mesmo que o Estado do Tapajós acabe por se materializar, Santarém ainda estará em condições de pleno domínio sobre esse espaço, como a inquestionável capital cogitada no passado?
Talvez se possa dizer que a cidade fez fama nessa condição e se deitou na cama da acomodação. A universidade federal em gestação atende por uma sigla esquisita, associável aos objetos não-identificados (UFOP), porque Tapajós foi sacrificado à denominação de Oeste do Pará. A configuração antiga sofreu muitas modificações que independeram de Santarém, sobretudo as novas riquezas minerais, que deslocaram inicialmente o eixo para a margem esquerda do rio Amazonas (através da bauxita de Oriximiná) e agora exercem o mesmo efeito sobre Juruti (e, no futuro, sobre Monte Alegre).
Santarém sofreu sensível deslocamento de influência nesse processo. Não só na área delineada para o ex-quase-futuro Estado: no próprio território paraense. De um incontestável segundo lugar, logo abaixo de Belém, a “pérola do Tapajós” caiu para abaixo da 5ª posição, por qualquer critério de avaliação que se adote, da receita tributária ao índice de desenvolvimento humano. Isto significa que o município deixou de comandar a própria história, seguindo na onda que vem de fora, em várias direções. Qualquer que seja o rumo, é preciso que retome as rédeas da decisão, que só poderá ser positiva se Santarém tiver conhecimento dos fatores em ação na sua história contemporânea. Seu traço mais marcante é o externo, trazido pela migração de pessoas e de atividades. Todos são bem-vindos, desde que sigam o compasso do interesse daqueles que estiveram na terra antes e nela deverão permanecer. Não como espectadores do espetáculo, mas como seus protagonistas. É o presente que se pode desejar para Santarém, mas esse é um presente que cabe ao conviva dar a si mesmo, ao invés de ficar esperando na janela, como a Carolina, personagem da música de Chico Buarque de Holanda. Desatenta, Carolina acabou sendo a única que não viu o tempo passar.

Babel (3)

O expediente na gerência do Ministério do Trabalho em Santarém com base no horário de Brasília será adotado a partir de terça-feira, dia 1º de julho.

Babel(2)

O comércio de Santarém vai adotar o novo fuso horário somente a partir de amanhã.
Os bancos ainda não informaram o novo horário de atendimento ao público.

Cobiça

O vereador Reginaldo Campos(PSB) reivindica o lugar de vice na chapa do deputado Lira Maia.

Babel

Ninguém se entende quanto ao novo horário.
A TV Tapajós já o adotou a partir de hoje.
A Rádio Rural ainda se baseia no horário antigo.

Miragem

As propostas da licitação da ampliação da estação de passageiros do aeroporto Wilson Fonseca, em Santarém, serão abertas dia 5 de agosto. Essa parte do projeto custará R$ 1,5 milhão. Quando forem feitas as mudanças essenciais nas pistas e equipamentos, o custo subirá para R$ 52 milhões.

Justiça Federal bloqueia contas e terras de madeireira

Na FOLHA DE S.PAULO:

A Justiça Federal do Amazonas tornou indisponíveis bens, contas bancárias e parte das terras da Gethal, empresa que tem entre seus sócios o milionário sueco Johan Eliasch.
A decisão acatou pedido do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que queria uma garantia para o ressarcimento por danos ambientais à floresta amazônica e indenizações por danos materiais e morais à sociedade brasileira.
No início do mês, o Ibama aplicou dez multas -totalizando R$ 381,2 milhões- contra a Gethal, acusando-a de explorar, comercializar e transportar madeira nobre da floresta na região de Manicoré (AM)- 699.809 m3 ou 230 mil árvores.
A decisão da juíza Maria Lúcia Gomes de Souza, da 3ª Vara Federal, em Manaus, saiu na última quinta-feira e determina multa diária de R$ 5.000 em caso de descumprimento.
Essa foi a primeira vez que o nome de Eliasch foi citado na Justiça como um dos sócios da empresa Floream, maior acionista da Gethal, e da ONG Cool Earth, da qual é co-presidente.
Em nota, a empresa disse que não tem interesse em explorar os recursos naturais no Amazonas e que recorrerá das multas. "Trata-se de decisão absurda, por ter a Gethal, voluntariamente por decisão estratégica, suspendido toda a atividade madeireira há alguns anos", diz a nota.

Novo fuso horário

Quarta-feira, 25 de junho, terá apenas 23 horas.
Hoje, à meia-noite, os relógios serão adiantados em uma hora.

Público arranjado

Inaugurações da prefeitura de Santarém têm tido uma cena inusitada.
A maioria dos presentes é formada por barnabés levados até o local em ônibus especial.
A claque, nesse dia, é dispensada de trabalhar na secretaria responsável pela inauguração.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Novo horário começa amanhã à meia-noite

Amanhã, 24 de junho, a partir da meia-noite os relógios na região Oeste do Pará serão adiantados em uma hora para igualar ao fuso horário de Brasília.

Fundo para Amazônia não ameaça soberania do país, diz Minc

THIAGO FARIA
da Folha Online

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) afirmou nesta segunda-feira que o Fundo Amazônia, que prevê o investimento de fontes internacionais para desenvolver projetos que combatem o desmatamento na floresta amazônica, não compromete a soberania do país.
Minc afirmou que o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a ter algum receio com relação ao plano. "Expliquei ao presidente Lula que esse fundo era mais autônomo que outros planos. No caso do Fundo Amazônia, os países não têm assento em conselho e o órgão que executa é o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]."
Segundo ele, a única condição para que sejam feitos investimentos no país é baixar a média histórica de desmatamento dos últimos dez anos. Ele afirma que, mesmo que as taxas continuem crescendo, não será difícil atingir as metas. "Ainda assim vai estar abaixo da media histórica dos últimos dez anos", afirmou.
O ministro participa na tarde desta segunda-feira de sabatina da Folha, que acontece no Teatro Folha (shopping Pátio Higienópolis, av. Higienópolis, 618, 2º piso, São Paulo).
Durante duas horas, o ministro responde a perguntas dos entrevistadores e da platéia. Minc é sabatinado por quatro jornalistas da Folha: o editor de Ciência, Claudio Angelo, o editor de Dinheiro, Sérgio Malbergier, a repórter especial Marta Salomon e o repórter Ricardo Bonalume Neto.
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O mundo de Edwaldo Martins, o colunista

Lúcio Flávio Pinto

Belém-Há cinco anos morreu Edwaldo de Souza Martins, o mais importante colunista social da imprensa paraense. Por acaso, verifico que há 40 anos me tornei o primeiro dos seus interinos: enquanto Edwaldo saía de férias, para 25 dias no Rio de Janeiro (onde também carregaria algumas pedras, cobrindo a final do concurso de Miss Brasil, ainda de grande prestígio na época), no dia 3 de julho de 1968 saía, em A Província do Pará, a primeira coluna inteiramente escrita por mim. Nenhuma referência ao interino, que, nessa época, ainda estava a caminho dos 19 anos: a coluna continuou a ostentar o nome já destacado do seu titular.
Ao retornar ao batente, porém, Edwaldo foi elegante e carinhoso, como de hábito, Escreveu uma nota de agradecimento, revelando para o distinto público quem garantira a continuidade do espaço: "Lúcio Flávio Pinto, bom amigo e companheiro e excelente profissional, foi quem esteve com vocês, diariamente, 'em frente' da coluna, durante a ausência do titular. De sua atividade neste espaço lucraram os leitores. E só quem conhece bem a vida de um jornal sabe com que sacrifício Lúcio Flávio assumiu a responsabilidade, ele que tem mil e um afazeres, como jornalista, publicitário e universitário. Com o registro, o agradecimento muito grande do colunista àquele que tão bem soube informar, nestes 25 dias, aos leitores de 'EM Frente'".
De fato, não foi fácil. Exatamente nesse período eu passava a manhã inteira e parte da tarde na reportagem de A Província. Enquanto os turnos se revezavam, eu escrevia a coluna. Depois corria para a Mercúrio de Publicidade, de Abílio Couceiro, onde fis meteórica carreira. E emendava para a ocupação das faculdades, como parte do movimento nacional dos estudantes universitários contra o acordo MEC-Usaid, varando as madrugadas insone. Ah, a imortalidade da juventude!
Numa das vezes em que produzia a coluna, numa redação quase vazia, emerge um colunável irado. Eu antecipara a notícia do seu noivado, tirando a surpresa que preparava para a noiva e sua família. Não conhecia pessoalmente o distinto, só de ouvir falar. E me limitara a repassar o potin, mandado por uma das tradicionais fontes do Edwaldo. O homem gritava e gesticulava (mais que a medida certa para seu ofício). Vi-me obrigado a uma solução cirúrgica: "Está certo, o senhor tem razão. A partir de agora vou cortar tudo que me chegar a seu respeito". O cidadão desconversou, se explicou, retificou e foi embora, desprovido de sua surpresa, mas com freqüência garantida na mais prestigiosa das colunas sociais.
Ajudei Edwaldo a conceber e executar a primeira delas, que, antes de EM Frente foi Alegria, Alegria, depois de sua página dominical sobre mulheres, também em A Província (Elas são notícia). Fiz o desenho, dei o título principal (começando com suas iniciais, desenhadas) e nomeei as seções fixas, como faria em todas as outras. Voltei a ser interino e, enquanto estive por perto, fui uma de suas fontes constantes, mesmo quando ele se mudou dos Diários Associados, sua melhor casa, para O Liberal, onde eu já era desafeto. Trabalhar com ele sempre foi uma fonte de aprendizado para mim. Didi Martins era um excelente repórter e tinha um texto de primeira. Além disso, era muito mais organizado do que eu e mais atento para os detalhes.
Sua curiosidade era inesgotável e sua disposição para atendê-la, invejável. Não falava outra língua além da sua, mas poliglotas o procuravam atrás de dicas e observações sobre paragens do exterior. Sempre interessado em tudo, Didi conseguia arrancar informações incríveis, que guardava na sua memória prodigiosa.
Era um dos melhores guias de Nova York, Miami e Paris, as cidades que mais visitou e das quais mais gostava. Quando a doença não lhe permitiu mais viajar, ele definhou. Nos últimos 10 anos de vida não foi uma única vez ao exterior. Além do mais, estava pessoalmente falido. Não por não ganhar bem, mas por gastar demais, sobretudo com os outros. Seu coração era do tamanho da sua alma: um latifúndio. Quando não pôde dar vazão ao que gostava de fazer, desistiu de viver. Não se suicidou, por convicção e por lhe faltar um tanto de coragem louca, a mesma que não teve para certas definições essenciais à sua vida. Mas se entregou às doenças que se sucederam, a partir do diabetes. Foi duro estar ao seu lado nos momentos finais. Quem merecia morrer fulminado por um enfarte numa festa ou em alto-mar, aos 80 ou 90 anos, foi-se em meio a dores horríveis, que precocemente o devastaram. Cavalheiro como só ele, morreu em julho, quando o socialite estava fora de Belém. Só os amigos voltaram a tempo de enterrá-lo.
Quantos? Uma migalha da fértil semeadura a que ele se dedicou nos 35 anos contínuos e intensos de colunismo social. O gênero é muito dado à futilidade, que é mesmo sua marca registrada. Mas uma coisa é desenvolver estilo, agir com graça, impor uma marca de sofisticação e um padrão de excelência. Outra é esse passar de chapéu a que se reduziu a parte preponderante do colunismo social em Belém. Edwaldo de Souza Martins escolhia e selecionava com critério, impondo exigências aos eleitos, cuidando de que a consagração de uma elite fosse mais do que operação de compra e venda. Além disso, era um verdadeiro agitador cultural, alguém que aglutinava pessoas, por mais diferentes e até opostas que fossem, desde que tivessem valor. Pelo exercício dessas qualidades, se transformou numa instituição de Belém, numa de suas mais férteis referências. Porque fazia o que gostava - e o que sabia fazer, como nenhum outro, antes e depois dele. Não surpreende que tenha deixado um vácuo enorme, sem possibilidade de preenchimento.

Maria passa mal após solenidade

A prefeita Maria do Carmo passou mal ontem à noite, logo após seu discurso na solenidade de entrega da medalha Felippe Betendorf.
A prefeita teve febre alta e calafrios por todo o corpo e teve que deixar o local sob cuidados médicos.
No final da noite, Maria do Carmo foi reexaminada pelo médico João Otaviano que, a princípio, não diagnosticou qualquer enfermidade grave.

Santarém, 347 anos

NOSTALGIA DE UM PESCADOR ENCATADO PELO RIO TAPAJÓS

Alessandra Branches
Repórter


Ele já foi jogador de futebol, trabalhou anos como carpinteiro, amante da pescaria e hoje, aos 89 anos de idade, relembra com saudades os bons tempos em que os rios da região proporcionaram com boas tarrafadas que enchiam as canoas com pescadas, tambaquis e outras espécies de peixes durante aventuras compartilhadas com outros grandes e famosos pescadores que nasceram e foram criados em Santarém. Alberto Dezencourt, seu Marçal, apelido dado quando jogador de futebol, lamenta a destruição do local onde viveu grande parte de sua juventude, as praias em frente à cidade.
"Grande parte dos meus amigos já se foram e não estão mais entre nós. Por enquanto, estou aqui para lembrar as boas histórias que vivemos e lamentar o que estão fazendo com a frente da cidade, palco da maioria das nossas alegrias, quando trazíamos quilos e quilos de peixes para vender e sustentar as nossas famílias. Hoje, das poucas vezes que vou visitar a rio, principalmente quando está na época do verão, vejo que a areia não está mais esbranquiçada como antes, o lixo toma conta do espaço. Não parece as lindas praias onde fui acostumados a jogar bola", conta seu Marçal.
Pai de 5 filhos e uma longa história de superação para dar o sustento da família, seu Marçal tem saudades de viajar e pescar pelos rios da região. "Se tem uma coisa que tenho saudades é de pescar. Lembro-me de uma vez em que eu e dois amigos, uma deles juiz da comarca de Santarém, fomos para o outro lado atrás de pescadas. Um deles desistiu e voltou depois de horas de espera. Assim que ele chegou em terra, fomos surpreendidos com um cardume bem gordo de pescadas grandes. Foram mais de 200 quilos em uma tarde que ficou para a história. Ainda levei uns peixes para ele", relembra com a alegria o episódio que ainda guarda na memória.
"A pescaria ainda está viva na minha mente. Tenho guardado algumas tarrafas velhas para pegar camarão, pescada e outros peixes. Quando quero matar a saudade, sempre peço para os meninos ( filhos), me levarem lá na beira. Tem dias que passo horas olhando para o rio e com uma vontade de descer até lá e pescar. Infelizmente, não tenho mais forças. Vou continuar só olhando", triste comentou o pescador.

Santarém, 347 anos

FIFIU, OI BURRACHO...VAI UM REFRESCO DE MANGARATAIA?

José Edibal Carvalho Cabral
Especial



Acordei ouvindo o assobio distante e diferente de uma musica bem rimada. Era Bráulio, no seu habitual dia-dia cantando, assobiando, alegremente, veio a curiosidade de saber que tipo de musica era aquela, aproximei-me bem devagar, e, uma das frases falava em ...gê, ge, ge.....e perguntei-lhe: - Bom dia meu compadre? Que musica é essa que você está cantando?
Riso fácil apareceu em seu rosto:
Oh meu compadre, bom dia! É do Getulio - respondeu-me com o sorriso de volta.
Consegui identificar a musica, perguntando a minha sogra Perpétua.
-É uma "modinha" do Getulio Vargas quando foi candidato a Presidente da República, explicou-me.
São 96 anos de vida, de muita alegria, saúde, carinho e amor. No dia 08 de dezembro de 1912, na cidade de Alenquer, nascia o `Kaspar` Bráulio Rodrigues da Mota, primeiro filho de oito irmãos, quatro homens e quatro mulheres, o pai lavrador Constantino Rodrigues da Mota e sua mãe Barbara dos Santos Mota logo notaram que aquele rebento era calado e risonho. Aos doze anos de idade veio para Santarém morar com Osman Bentes, na Rua Siqueira Campos, ao lado do solar dos Macambiras.
Além dos trabalhos domésticos que fazia, passou a vender rebuçados de vários sabores, doces, biscoitos, no tabuleiro que Dona Joana Crescencia, mãe de José Fernando dos Santos fazia para que o jovem Bráulio percorresse todo o comercio e mercados da cidade vendendo as saborosas iguarias de Dona Joana. Seu jeito simples, a devoção por Nossa Senhora da Conceição e as vendas das iguarias faziam parte de sua vida pacata no começo de sua adolescência.
Com a criação da Congregação Mariana, Bráulio começou a participar mais ativamente dos grupos de jovens, ajudava a Paróquia a desenvolver seu apostolado. Nas reuniões da Congregação Mariana, vários jovem participavam: Solano Lisboa, Elinaldo Barbosa, Jose Fernando dos Santos entre outros. Começou nesta época também, na equipe de coleta da festa de Nossa Conceição onde permaneceu por mais de cinqüenta anos.
Nas reuniões da Congregação Mariana, o jovem Bráulio levava o café e os biscoitos. Foi o jovem e ex-prefeito de Santarém Elinaldo Barbosa, que pediu a Bráulio em vez de café, que levasse refresco de mangarataia. Foi aí que tudo começou. Elinaldo que nesta época trabalhava na Souza Cruz de cigarros, solicitou que todas as tardes levasse dois litros de refresco no seu trabalho.
Como tinha algumas garrafas de refrigerantes, ele colocava o refresco, e no percurso vendia todo o estoque. Mercado municipal, comércio, o mesmo itinerário que fazia do tabuleiro de doces, passou a ser do refresco de mangarataia, que ficou tão famoso que passou a ser vendido no estádio Municipal de Santarém, o famoso refresco do Bráulio.
Torcedor fanático do São Francisco Futebol Clube, levava seu refresco a todos os jogos de futebol. Seu ponto de venda ficava ao lado direito na entrada do velho estádio Elinaldo Barbosa, bem ao lado era a venda de croquete do seu `Gito`. Quem se engasgasse com o croquete, tomava o refresco do Bráulio.
Bem pertinho de sua venda ficava também a famosa torcida feminina do São Raimundo Esporte Clube.Quando o Leão fazia gol, Bráulio batia forte com a tampa na panela de refresco, todos se deliciavam, era gol do Leão Azul, a torcida feminina do São Raimundo, xingava meu compadre Bráulio.
Quem não se lembra do episodio com o nosso saudoso Doutor Pena? Que encomendou uma panela do refresco de mangarataia:
- Bráulio tenho reunião hoje com uns amigos meus na minha casa, quero que você prepare uma panela de refresco e leve em casa às 5 da tarde.
Prontamente, as 5 da tarde Bráulio, bateu a porta da casa do Doutor Pena;
- Doutor vim trazer o refresco de mangarataia!
Incontinente, Doutor Pena, como bom Baiano, um gozador, exclamou:
- Meu bom Bráulio, grande pederasta, muito obrigado;
Bráulio não entendeu bem as palavras dita pelo médico já falecido.
- Que é isso doutor Pena, pederasta é o senhor seus amigos e sua família.
E retirou-se sorrindo.
Bráulio ainda hoje continua cantando, conversando com os passarinho, galinhas e plantas, que cuida com muita dedicação e zelo. É o guardião da residência da família de José Fernando dos Santos. Alegre, bondoso, religioso e um bom pastor.

Laboratório ambiental traz jornalistas a Santarém

O Laboratório Ambiental para acadêmicos de Jornalismo do Norte/Nordeste, que está sendo realizado na sede do Projeto Saúde & Alegria tem à tarde duas conferências que serão feitas por jornalistas do sul do país.
As 14 horas, Marcelo Leite, doutor em Ciências Sociais e colunista da Folha de S. Paulo vai falar sobre "O valor da Amazônia - como quantificá-lo, explorá-lo e distribuí-lo melhor.
Logo depois, Adalberto Marconde, editor e diretor da Agência e Revista Envolverde, vai dar palestra sobre "Experiências de repórter e correspondente no cotidiano da Amazônia".

Santarém, 347 anos


REFRESCO ‘RALA-RALA’ É DESCONHECIDO PELA GAROTADA

Alessandra Branches
Repórter


O 'rala-rala', bebida típica regional perdeu espaço nas quermesses juninas e nas esquinas de Santarém. Além do sabor das frutas, o fascínio pela bebida com gelo triturado era garantido pelas habilidades do vendedor em raspar finas camadas de gelo com uma amolada lâmina envolva por um magazine de alumínio. O artefato deslizava por sobre o gelo colocado sobre uma prancha afixada sobre um carrinho de rodas de bicicleta. Em volta, o vendedor exibia garrafas brancas de refrescos das mais diversas cores. O freguês escolhia qual sabor queria misturar com o gelo.
Mas isso é coisa de Santarém da década de 70. Hoje em dia, iguais aos de 'rala-rala' só remanescem os carrinhos de pipoca. Mas a reportagem de O Estado do Tapajós descobriu um dos últimos 'rala-rala' da cidade. É seu Manoel Armando, o 'raleiro' que ainda faz ponto às proximidades do Mercadão 2000.
"Sempre trabalho com seis ou sete sabores, hoje trouxe maracujá, groselha, cupuaçu, coco, laranja, gengibre, menta e limão", conta seu Manoel Armando, mais conhecido "Raleiro" dizendo que é um dos poucos vendedores que ainda trabalham em Santarém. "Muita gente desistiu de trabalhar e procurou outro ramo. Eu continuei e hoje, sou um dos poucos que ainda vendem a bebida, inclusive, sou convidado para participar de festas juninas", ressaltou Marquinho explicando que as pessoas mais velhas matam a saudade da bebida e lembram da época em que eram estudantes.
O 'rala-rala' tem o gosto da saudade para muitos adultos. O deslizar da lâmina desafia a comodidade de servir os sorvetes industrializados. "Ainda encantamos as novas gerações com a simplicidade de servir um 'rala-rala', assim como vendíamos nas festas juninas", lembrou contando que ainda vende mais de 70 copos por tarde e que dificilmente é convidado para participar e vender 'rala-rala' ou 'raspa-raspa' em quermesses. "É muito difícil a gente ir, mas quando abrem espaço, eu vou", concluiu.

Convenções muncipais em Almeirim

Do Correspondente:

No último sábado dia 21, Almeirim esteve muito movimentada com as convenções municipais realizadas pela coligação encabeçada pelo PDT e pelo PMDB que coincidiram com a abertura da festa do padroeiro São Benedito.
A coligação do PDT teve como partidos aliados o PSB, PP, PCdoB, PSDC, PRTB, PTC, PTN e PSL. Essa coligação escolheu além dos candidatos a vereadores e vereadoras, a professora e ex-vereadora Dalila Garçon como candidata a prefeita tendo como candidato a vice-prefeito o medico veterinário sanitarista Dr. Picanço, do distrito de Monte Dourado.
A coligação do PMDB teve como partidos aliados o PPS e Democratas. Essa coligação do PMDB escolheu além dos candidatos a vereador e vereadoras, o ex-prefeito Aracy Bentes como candidato a prefeito, tendo como candidato a vice-prefeita a empresária Maria Lucidalva.
As festas transcorreram dentro da mais perfeita harmonia com exceção das surpresas de última hora que aconteceram na convenção do PMDB. Nos bastidores era dado como certa a escolha do empresário Luizinho Fonseca como candidato a vice-prefeito na chapa de Aracy Bentes, porém durante a votação os convencionais escolheram a empresária Lúcia do mercado Líder. Isso gerou um descontentamento nos correligionários de Luizinho Fonseca que segundo comentários após a convenção, de que a convenção iria ser anulada para que fosse cumprido o acordo com Luizinho Fonseca .
O vice-governador Odair que tinha presença confirmada na convenção do PDT de Dalila Garçon não pode comparecer devido a morte brusca de seu chefe de gabinete Mauro Marques vítima de um infarto fulminante, mas mandou comitiva de assessores. A governadora Ana Júlia Carepa mandou telegrama parabenizando a candidata Dalila Garçon. Outras autoridades eclesiásticas compareceram e se pronunciaram tais como o Padre Adelson e alguns pastores evangélicos.
Já na convenção do PMDB as ausências mais notadas foram o dep. Jader Barbalho (PMDB), ex-deputado Priante (PMDB) e o deputado estadual Antonio Rocha (PMDB), apesar de várias faixas darem boas vindas ao dep. Jádedr Barbalho. Compareceram o ex-deputado Antonio Feijão do Amapá (Ex-PSDB), dep. Estadual Eider Pena do Amapá (PDT-AP) e o dep. Estadual Haroldo Martins do Pará (Democratas-PA).

Ongs sob investigação

Da coluna Negócios, do Diário do Pará:

Aprovada por unanimidade: o TCU realizará uma auditoria nas ONGs que operam no Brasil. Os auditores darão ênfase especial às organizações que operam na Amazônia ­ nas áreas fronteiriças, em terras indígenas e em setores de segurança nacional. O trabalho terá um caráter estritamente reservado. Irregularidades detectadas serão remetidas ao Ministério Público.

PT é o alvo de Priante

O ex-deputado José Priante, que não foi à inauguração da orla de Santarém, mesmo se encontrando a menos de 100 metros do local da solenidade, dá evidente sinais que pretende ir à forra do PT nestas eleições municipais no Oeste do Pará.
É que aonde tem prefeito petista tentando a reeleição, lá está ele, Priante, bancando a candidatuta de um oposicionista.
Confira o quadro da disputa.
Medicilândia: Lenir Trevisna(PT) x Chico Aguiar(PMDB)
Juruti: Henrique Costa(PT) x Izaías Batista(PMDB)
Belterra:Geraldo Pastana(PT) x Oti Santos(PMDB)

Dobradinha PMDB x Democratas ( 2 )

Primeiro foi em Juruti. Depois em Alenquer.
José Priante e Lira Maia costuram, ainda, dobradinha entre os dois partidos em Belterra.
Domingo foi a vez de Terra Santa ter no mesmo palanque nestas eleições PMDB e Democratas.
Em Almeirim, Aracy Bentes(PMDB) tem como companheira de chapa a empresária Maria Lucidalva(Democratas).
Pelo andar da carruagem essa dobradinha ameaça aportar em Santarém.

Big Brother Santarém

Por acaso, uma santarena ouviu, à distância, a voz do presidente do PDT quando este falava ao telefone celular [ aos berros], na área de alimentação do Shopping Iguatemi, em Belém, na semana passada.
Osmando 'poucos votos' dava ordens a um capacho da imprensa marrom da cidade.

Bicudos

O empresário Hilário Coimbra, presidente municipal do Partido Republicano(PR) deu uma 'bronca' no vereador Emir Aguiar.
Desde esse dia, não se falaram mais.
Por quê será?

Ato falho

A prefeita Maria do Carmo ficou tão desconcentrada com a passagem de um barco ostentando um outdoor da campanha 'Adote um buraco', sexta-feira, na orla, que se atrapalhou na hora dos discursos de saudação às autoridades presentes à inaugração.
Maria afirmava àquela altura: - Temos aqui nosso ilustríssimo boto, nossa digníssima tartaruga, excelentíssima governadora Ana Júlia...

Folga remunerada

Hoje, segunda-feira, dia 23 de junho, a prefeita Maria do Carmo estabeleceu ponto facultativo na prefeitura de Santarém.
O motivo alegado para justificar a folga dos barnabés muncipais é o aniversário da cidade, transcorrido ontem.
Há de se perguntar: - o quê uma coisa tem a ver com a outra?

Homenagem interesseira

A prefeitura resolveu homenagear um empresário falecido há pouco tempo, dando seu nome a uma escola da periferia.
A família do homenageado ficou até lisonjeada com a lembrança, mas tomou um baita susto quando recebeu uma imensa lista de pedidos de eletrodomésticos para equipar a escola.
Até freezer constava dessa relação.

domingo, 22 de junho de 2008

Esse rio é minha rua

Boa noite.
Até segunda-feira.
Foto: Rosana Hermann

Pará real

Lúcio Flávio Pinto
Editor do Jornal Pessoal e articulista de O Estado do Tapajós

Quase metade dos 7 milhões de habitantes do Pará vive na "linha de pobreza", em famílias com renda mensal inferior a meio salário mínimo per capita, ou pouco acima de 200 reais. São exatamente 3.491.389 pessoas nessa condição, com renda insuficiente para custear necessidades mínimas, segundo o último mapa da exclusão social apresentado pelo governo do Estado. De 2004 para 2005, a legião dos pobres cresceu 1,29%, incorporando mais 44.496 pessoas. Esse é o período mais atualizado da pesquisa, que acompanhou as demonstrações financeiras do Estado relativas a 2007.
O PIB per capita do Pará equivale a menos da metade do indicador nacional. Houve uma discreta elevação, de 2%, nesse índice entre 2004 e 2005, mas não mudou a situação: enquanto a participação média de cada brasileiro na riqueza nacional somou R$ 10,7 mil reais, ao paraense coube a cota de R$ 5,3 mil. A concentração da renda no Estado é das maiores do país, chegando a 0,76 na escala GINI, que vai de 0 (a igualdade ideal) a 1 (a desigualdade máxima).
Além de não dispor de renda para sair da linha de pobreza, o paraense enfrenta condições de vida mais adversas do que o cidadão médio porque evolui mais lentamente. De 2005 para 2006 a proporção dos que têm acesso à rede geral de água passou de 47,31% para 48,30. A média brasileira, porém, é de 83,21%. Se o saneamento básico é ruim, a moradia é pior porque involui: no mesmo período o déficit habitacional subiu de 49,15% para 50,52%. Seguiu tendência inversa do comportamento do índice nacional.
O Pará continua a ser isso.

Ana Júlia não comparece a almoço da prefeitura

A governadora Ana Júlia deixou a prefeita Maria do Carmo a ver navios, sábado, no Iate Clube de Santarém.
Ana era esperada para um lauto almoço, para o qual foram convidados secretários estaduais e todo o primeiro escalão da prefeitura, além dos tradicionais bocas-livres da imprensa santarena, mas a governadora não deu as caras por lá.
Ana preferiu retornar logo a Belém a tempo de almoçar na capital.

JARBAS PASSARINHO:'Reserva indígena não ameaça soberania'

Ronaldo Brasiliense:

Ex-governador, ex-ministro de Estado e ex-senador da República, o acreano Jarbas Gonçalves Passarinho, 88 anos, um dos políticos mais influentes da história do Pará na segunda metade do século XX, afirma, com segurança: a homologação da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, não ameaça a soberania nacional. Nestes três toques, Passarinho – que esta semana recebeu o título de professor honoris causa da Universidade do Legislativo, em Brasília – fala sobre a questão indígena no Brasil.

Senador, a homologação da Reserva Raposa Serra do Sol integral, com 1,7 milhão de hectares, em Roraima, ameaça a soberania nacional?
JARBAS PASSARINHO - Nenhuma reserva indígena de fronteira ameaça a soberania nacional, mas a Declaração de Direitos dos Povos Indígenas ameaça, sim, a segurança e não a soberania, porque proíbe a presença de atividade militar nelas. Ora, as terras indígenas são bens da União e não dos índios. E a União pode colocar na fronteira unidade militar de acordo com a estimativa de perigo. Além disso, a Raposa Serra do Sol tem índios aculturados e até empresários de pecuária. Os macuxis - a maior tribo daquela terra em Roraima - têm milhares de cabeças de gado, vereadores e até vice-prefeitos eleitos para os dois municípios lá existentes. O que pode ameaçar a soberania nacional é o vazio militar da área. Por que não prosseguiu o projeto Calha Norte? A diferença faz com que a demarcação dos ianomamis em cumprimento à sentença judicial - não tenha comparação com a da Raposa Serra do Sol, iniciativa do Governo Lula. Os ianomamis são primitivos, o que não é o caso da outra reserva de aculturados, pelo que sou contra a sua demarcação.

A reserva ianomami, com 9,4 milhões de hectares, foi homologada quando o senhor era ministro da Justiça. Por que não houve tanta grita já que ela é seis vezes maior que a Raposa Serra do Sol?
PASSARINHO - A diferença fundamental entre a demarcação ianomami e a da Raposa Serra do Sol é que ianomami foi cumprimento de uma sentença do juiz da 7a. Vara Federal de Brasília, dando provimento a uma medida cautelar do Ministério Público, para revogar os decretos de Sarney que anulavam os de janeiro de 1985, do governo Figueiredo. Só ao governo Sarney caberia recorrer e não o fez. Assim, voltou a área de mais de 90 milhões de hectares feita ao tempo do presidente Figueiredo e que, na ocasião, não teve nenhum protesto. Ademais, ianomami é fronteira morta, ao contrário da Serra do Sol

Os índios já são donos de 20% do território da Amazônia. O senhor acha que é muita terra para tão pouca gente?
PASSARINHO – Vinte por cento das terras indígenas são comparadas com a superfície do Brasil. A Amazônia desmatou 14% da floresta. A terra ianomami é habitada pelos índios há muitos séculos. Não demarcada como se faz com projetos agrícolas de terras públicas, como a Transamazônica, de 100 hectares por pessoa. E a demarcação tem que levar em consideração as exigências do artigo 231 da Constituição do Brasil.