segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Médicos e Unimed são condenados a indenizar paciente por morte de bebê



Da redação de O Estado do Tapajós

Os médicos Marília Carneiro Godinho e Fábio Carneiro Godinho, além da Unimed Oeste do Pará, foram condenados em primeira instância pelo juiz Cosme Ferreira Neto a indenizarem Reni Ferreira Munhoz por erro médico num procedimento de gravidez que resultou na morte da filha da paciente, três dias após o bebê ter nascido. O fato que resultou na sentença aconteceu em abril de 2005. A decisão judicial foi proferida no último dia 18 de agosto pelo juízo da 5ª Vara Civil da Comarca de Santarém.

Em abril de 2005, Reni Munhoz constatou que estava grávida, quando resolveu iniciar seu pré-natal com a médica Marília Godinho por meio de seu plano de saúde da Unimed Oeste do Pará. A mãe escolheu a médica por ser obstetra segundo o guia da Unimed, mas, após a morte da sua filha descobriu que Marília Godinho não era especialista. 

Após anos de tramitação na justiça comum, o juiz Cosme Ferreira Neto condenou os três a pagamento de indenização, sendo que o maior valor ficou por conta da condenação de Marília Godinho. 

Em sua sentença, o magistrado decidiu pela condenação dos réus. “Médicos devem ter compromisso acima de tudo com a vida. Fizeram este juramento. A médica preferiu fazer um exame omitindo informações importantes, não constando o índice de liquido amniótico, que estava diminuído, indicando que a criança poderia entrar em sofrimento”, sentenciou Cosme Ferreira Neto.

O juiz também cobrou da Unimed o fato de a instituição não ter pedido diploma comprobatório da especialidade da médica Marília Godinho. “A Unimed foi negligente e induziu a erro a autora, que escolheu a primeira ré para acompanhar seu pré-natal acreditando na qualificação anunciada. O mínimo que se espera da terceira ré é que exija de seus médicos cooperados a apresentação dos títulos que alegam ter, emitidos por instituições legalmente reconhecidas. Induvidosamente o ilícito praticado pela ré causou danos morais à demandante na medida em que avaliou uma profissional indevidamente, colaborando assim para os transtornos que aquela viria a sofrer”, escreveu o juiz.

O advogado da Unimed, Ubirajara Campos Filho, anunciou que a o plano de saúde vai recorrer da decisão. Ele argumenta que a decisão do juiz “ é equivocada”.

Segundo ele, a medica Marilia Godinho tem “título de especialista em ginecologia e obstetrícia registrado no Conselho Regional de Medicina”.

Uepa prorroga inscrições dos Processos Seletivos até dia 15

Foram prorrogadas até as 23h do dia 15 de setembro as inscrições para os Processos Seletivos 2012 da Universidade do Estado do Pará (Uepa), que terminariam ontem (8). O Termo Aditivo aos editais, contendo a nova data limite para se inscrever no Programa de Ingresso Seriado (Prise) ou no Processo Seletivo (Prosel) foi publicado nesta sexta-feira, 9, no Diário Oficial do Estado (DOE).

O novo período de inscrição se estende a todos os candidatos, inclusive os beneficiados com a isenção total ou parcial e os Portadores de Necessidades Especiais (PNE). O pagamento da taxa de inscrição pode ser feito até o dia 16 de setembro, em qualquer agência bancária, incluindo casas lotéricas, postos de auto-atendimento nos caixas eletrônicos ou nas redes de serviço das farmácias. O valor da taxa de inscrição é de R$ 60 para o Prosel e R$ 35 para o Prise.(Ascom Uepa)

Limpeza de praias e água com ferrugem


Um bom exemplo que deveria ser imitado pela prefeitura de Santarém.
Jovens roqueiros limparam a praia próxima ao Museu João Fonna.
Um péssimo exemplo que deve ser esquecido.
A água enferrujada que sai das torneiras das casas do bairro de São José Operáio.

domingo, 11 de setembro de 2011

Manhã ensolarada em Santarém


Orla de Santarém, em dia de sol e ventos fortes.
Pombos fazem sua refeição matinal, no calçadão.
Ao fundo, o encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Edição de 03 de setembro de O Estado do Tapajós em PDF


Câmara aprova lei que cria área de proteção ambiental da serra do Saubal


O plenário da Câmara Municipal de Santarém aprovou no último dia 29, Projeto de Lei (PL) do Executivo que autoriza a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) da serra do Saubal. A APA abrangerá uma área total de mais 1,5 milhão m² (1.538.502,82 m²), referente a 153, 85 ha. O espaço será administrado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e vai ordenar a ocupação irregular das terras e promover a proteção dos recursos biológicos.
 
A APA do Saubal circundará 6 bairros: Diamantino, Santo André, Nova República, Bela Vista e Vigia. A criação da Área é uma reivindicação dos moradores e da Pastoral Social da Diocese do município.
 
"Desde 2005 estamos buscando junto ao poder público uma medida que venha frear a degradação em torno da serra. Podemos citar vários absurdos que acontecem frequentemente como ocupação ao pé das encostas, extração ilegal de areia e de madeireiras", disse Luzimar Silva, integrante da Pastoral Social da Diocese de Santarém.
 
O vereador Valdir Matias Jr. (PV), autor de três emendas no artigo 5º da lei, parabenizou a prefeitura de Santarém pelo texto e pela iniciativa. Segundo ele, a APA vai regularizar as ocupações, fazendo com a área cresça de forma ordenada, gerando desenvolvimento, com proteção ao meio ambiente, através de áreas de conservação.
 
"Aquela área tem sido usada para criação de gado, produção de carvão, extração ilegal de areia e outras irregularidades. Com a criação da APA as encostas ao pé da serra serão mantidas, assim como as matas às margens dos igarapés", disse Valdir.

Empresário será enterrado à tarde


O corpo do empresário Paulo Corrêa, pai do vereador Maurício Corrêa e do secretário de meio ambiente Marcelo Corrêa, será sepultado hoje à tarde no cemitério de N. Sa. dos Mártires, em Santarém.

Paulo Corrêa faleceu ontem à noite, em Belém, vítima de um câncer no pulmão. 


O empresário foi um dos sócios-fundadores da Tv Tapajós, emissora filiada à Rede Globo de Televisão.

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Atualização:
A família Corrêa transferiu para amanhã o enterro do empresário Paulo Corrêa.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O estigma Barbalho



 Lúcio Flávio Pinto
Articulista de O Estado do Tapajós

O Pará está voltando a ser a terra sem lei, sem respeito, sem liderança autêntica, sem valores coletivos. Repetem-se as violências e aprofundam-se as violações aos direitos. Pela omissão dos principais personagens, os coadjuvantes avançam. É uma perspectiva perigosa.

Setores da opinião pública rejeitam o retorno de Jader Fontenele Barbalho ao poder, por considerá-lo nocivo à vida pública brasileira, São abundantes os argumentos em defesa dessa posição. Mas serve menos ainda ao interesse público exercê-la impedindo a execução da lei, a pretexto de que ela favorece um péssimo cidadão.

Pela norma legal e a definição do Supremo Tribunal Federal, Jader Barbalho devia ter sido diplomado senador ao fazer a primeira provocação a um dos ministros do STF. A decisão da corte, de que a lei da ficha limpa não podia ter vigência na eleição do ano passado, foi considerada de alcance geral. Logo, tem que ser acatada por todos e qualquer um dos membros do poder judiciário, quando provocados sobre seu cumprimento.

Quatro ministros já se recusaram a cumprir a decisão. Alegaram que a medida não pode ser adotada monocraticamente, por um juiz singular. É preciso o referendo do colegiado. A tese não é apenas um sofisma: constitui clara e insustentável violação da hermenêutica jurídica mais elementar. Consagra princípio que não consta dos códigos, o jus neolítico: posso, quero, faço.

Leia o artigo completo aqui

Explicações da Celpa sobre apagão não convencem vereadores, que querem CPI



Da Redação de O Estado do Tapajós
A Celpa já substituiu os isoladores defeituosos que vinham provocando apagões em Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos há uma semana.

Na última terça-feira, os isoladores foram trocados. Os equipamentos  têm a função de separar os cabos da alta tensão, evitando curtos circuitos e desligamentos. As duas torres estão localizadas numa área de difícil acesso.

Mas a medida tomada pela Celpa é considerada insuficiente por empresários, que reclamam dos prejuízos no comércio, e pela Câmara de Vereadores de Santarém.

O vereador Carlos Jaime (PT) assegurou que está enviando denuncia por escrito a Agência Nacional de Energia Elétrica (Anael), pedindo providência para uma solução definitiva do problema. Carlos Jaime defende a instalação de um CPI na Câmara Municipal de Santarém porque "as explicações do superintendente local da Rede Celpa não convencem".   

O vereador Henderson Pinto (DEM), garante que o apagão foi à prova cabal "de que algum problema serissimo está ocorrendo no sistema de abastecimento de energia na região oeste do Pará".

A deputada estadual Bernadete tem Caten (PT-PA) quer uma CPI na Assembléia Legislativa do Estado para investigar as graves denúncias contra a Celpa, ainda mais porque a tarifa de energia é tão cara no Pará.

Por do sol vermelho

Por do sol, em Alter do Chão, no dia 7 de setembro de 2011. Foto: Miguel Oliveira

Diretores apelam a Jarbas para que se licencie da OAB Pará


No documento conjunto, em que formalizam sua licença dos respectivos cargos que ocupam na diretoria da OAB do Pará, o vice-presidente, Evaldo Pinto, e o secretário-adjunto, Jorge Medeiros, apelam ao presidente Jarbas Vasconcelos para que também se afaste do cargo.

Sugerimos a V. Exa. que proceda da mesma forma, pois nossa permanência na direção da entidade retira-nos a isenção necessária que deve prevalecer para que tudo seja esclarecido, bem assim, ratifica a nossa irrestrita confiança no Conselho Federal e na comissão de apuração”, dizem os signatários.(Espaço Aberto)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O jornalismo-relâmpago numa Amazônia veloz


Lúcio Flávio Pinto
Editor do Jornal Pessoal

Fui surpreendido, no último dia 18, por dois contatos feitos por jornalistas do Diário do Pará. A primeira jornalista queria uma entrevista. A segunda, um artigo. As matérias seriam publicadas na edição de aniversário do jornal, no dia 28. Apesar de muito atarefado, atendi aos pedidos, depois de tentar reduzi-los a um único, a entrevista. E ainda recomendei à jornalista que o encomendou, com premonição baseada na experiência: “trate dele com carinho”.
Carinho não houve. Os textos simplesmente não foram publicados em nenhum dos 15 cadernos da edição especial dos 29 anos. Por quê? Não sei. Os anfitriões não se deram ao trabalho de esclarecer – ou até se desculpar pelo mau jeito com meus textos. E seriam – artigo e entrevista – gratuitos, cortesia de confrade, relação que já foi sagrada nas redações e hoje ninguém lembra. Elegância, cavalheirismo, bonomia e fair-play foram extintos na imprensa paraense, penetrada pelos ranços do ódio e da disputa sem regras.
Para ajuntar minha contribuição às comemorações do jornal dos Barbalhos, publico a seguir os textos destinados ao Diário. O leitor que entenda, se puder, os motivos do veto.

O jornalismo é uma fonte confiável para a reconstituição da história ou serve apenas para o efêmero registro dos eventos cotidianos, servindo apenas – e quando muito – como roteiro e agenda? Diz-se que um jornal não resiste mais do que 24 horas nas ruas. Logo seu papel é usado apenas para fazer embrulho, ou em fins menos nobres. Aqueles que torcem o nariz para o produto mostram-se incapazes de buscá-lo quando precisam de informações.

Os acadêmicos, por exemplo. Poucos deles utilizam matérias jornalísticas nas suas bibliografias. Supõem que dessa maneira as protegem de menções que as desvalorizariam. Não deixam de ter alguma razão. Quando submetida a teste de consistência, a enorme produção jornalística se desfaz. Muito dela não resiste a uma checagem mínima quanto à sua exatidão ou relevância. Ou mesmo à sua coerência e lógica interna.

Com essas deficiências, porém, o jornalismo é essencial para a vida dos cidadãos e fonte necessária para sua história. Basta que vá de carona na dinâmica do cotidiano, atrelado às mutações do dia a dia, sintonizado com a mudança dos tempos. Não importa que o jornalista de vez em quando se desequilibre, vá ao chão e saia com escoriações generalizadas.

A história segue a alta velocidade e fazendo ziguezague. Mesmo um acompanhante bem dotado não consegue dar conta do recado. Sem o jornal, porém, o percurso perderia algumas de suas marcas necessárias, dos seus sinais de alerta. Ainda mais em áreas de fronteira, como a Amazônia, nas quais se pode passar do zero ao infinito num intervalo de tempo muito mais curto e fulminante do que nos centros já consolidados.

Sem o jornalismo, a agenda dos cidadãos pode ser privada de informações fundamentais para definir os seus atos, a sua presença e a sua própria razão de ser. E a sua possibilidade de fazer história, que sempre existe, mas nem sempre oferece a recorrência.

Há mais de 45 anos ininterruptos pratico o tipo de jornalismo assumido até as suas últimas consequências, ciente das suas deficiências, comprometido com todas as suas possibilidades. Convido meu leitor a submeter esse jornalismo ao teste de consistência mais rigoroso. Claro que meu convite só será aceito se o leitor se interessar pelo que escrevo.

Se houver a motivação, resultante de uma combinação de fatores (a clareza do texto, o tema da narrativa, o encadeamento dos fatos, a fruição argumentativa), mesmo que o leitor não concorde com as idéias que o jornalista apresenta, é muito provável que consiga relacionar o conteúdo da narrativa à sua própria vida. Assim poderá tirar dela uma contribuição para sua ação, e, com melhores ferramentas intelectuais, ultrapassar o conhecimento e a percepção do autor dos textos.

Se assim for, a função e a missão do jornalismo estarão realizadas: colocar as pessoas diante da realidade. Cada um, encontrando seu lugar, que trate de pôr em prática sua vontade. Esta é a melhor herança da polis dos pais do nosso modo político de ser, os gregos antigos.

A maioria dos meus livros tem sido uma seleção de artigos e reportagens que escrevi para a grande imprensa e, nos últimos 24 anos, completados nesta primeira quinzena de setembro, no Jornal Pessoal, quinzenário que começou a ser publicado na 1ª quinzena de setembro de 1987, apenas cinco anos depois do Diário do Pará.

Um dos últimos livros que lancei, sempre em edição do autor, eu decidi publicá-lo de súbito, quatro dias antes de mandá-lo para a gráfica. Quando limpava meu latifundiário correio eletrônico, me dei conta de que dezenas de artigos escritos para um site de jornalismo editado em São Paulo (e já extinto) constituíam um razoável roteiro do que aconteceu na Amazônia e no mundo a ela conectado, entre 2004 e 2008, o período de abrangência dos textos.

Eu podia reescrever esse material, fundir suas partes ou organizá-lo por assuntos. Preferi manter a sucessão cronológica, mesmo à custa de alguma repetição ou incongruência. Minha intenção era mostrar como o significado dos acontecimentos isolados se aclara; como fatos na aparência desconexos se ligam e – também – como é árduo conseguir saber o que está acontecendo diante dos nossos olhos, sem que muitas vezes consigamos sequer ver os acontecimentos (dentre outros motivos, porque a percepção da realidade concreta – conforme o fecundo conceito-matriz de Marx – exige o uso das lentes da ciência na Amazônia).

Como informação continua a ser poder, e é cada vez mais poder, ela não é oferecida “de grátis” na rede mundial de computadores. Às vezes chega-se a ela tateando pelo sempre problemático método de ensaio e erro, ou tendo que pôr abaixo uma montanha de press-releases, afastando balões de ensaio ou tangenciando dogmas e mitos.

É muito fácil e cômodo, de posse de uma teoria explicativa, passar a aplicá-la a torto e a direito sobre toda e qualquer realidade, que mais se induz do que se deduz, sem qualquer forma efetiva de aproximação dialética, que não seja a retórica ou formal, por isso mesmo mecânica.

A Amazônia é a vítima do imperialismo e o produto do colonialismo. Sob essa sentença, tudo mais se ajusta e está entendido. Tenho a pretensão de mostrar que não é bem assim. E ainda que fosse assim, há um caminho a percorrer entre o zero e o infinito, do estabelecimento do imperialismo ou o colonialismo na jungle à sua saída ou expulsão, sabe-se lá quanto tempo depois (se “depois” moral positivo houver). Nesse interregno, milhões de pessoas terão que viver cada dia e enfrentar todos os seus desafios, para os quais freqüentemente precisam mobilizar todo seu saber e talento. E acreditar que com seu uso irão melhorar de vida.

Mas qual se, a pretexto de realizar o grandioso fim último da história, a ignoramos até lá, em sua concretude e especificidade, na soma de labores e suores que a constitui. Há amazonólogos às pencas espalhados pelo país e o mundo inteiro, porque o esquema explicativo já está pronto. Basta aquecê-lo no microondas do saber e servi-lo.

Enquanto isso, batalhas e mais batalhas deixarão de ser enfrentadas por falta de informações sobre a complexidade dos processos e a intrincada rede de conexões internacionais, que emerge nas rústicas e (só na aparência) provincianas paisagens amazônicas.

O dia a dia dos empreendimentos de ocupação, que é o nome verdadeiro dos “grandes projetos”, é muito complexo mesmo. Nenhuma de suas engrenagens funciona ao acaso ou isolada. Às vezes um sopro no meio da mata tem como origem um vendaval lá fora. Sobretudo nos setores produtivos mais internacionalizados, como a geração de energia, a mineração e a extração florestal, a complexidade desafia as mentes mais sagazes e as capacidades intelectuais mais bem articuladas ou organizadas. A porta do entendimento desses processos é lacrada e só se abre com acesso a um código sofisticado.

Espero que o leitor dos meus precários e pobres livros partilhe a sensação de surpresa que tenho ao reler todo material que neles reúno (sempre com a adiada aspiração por uma obra inteiramente nova, como a que escrevi sobre o Jari do milionário americano Daniel Ludwig, no distante 1984) e selecionar os artigos. Eles podem ter o mesmo significado das pedrinhas que servem de guias para o João e a Maria daquela lenda inevitável das nossas infâncias.

Um leitor muito mais exigente talvez reaja mostrando que no lugar das pedrinhas eu semeei miolo de pão, que um pássaro faminto tratou de engolir, desfazendo o caminho de volta dos dois irmãos perdidos na mata. Neste caso, espero do leitor (dos livros e do Jornal Pessoal) a gentileza de me alertar e contribuir para que eu busque as pedrinhas devidas, se de tal tarefa puder me desincumbir. É assim que se dialoga, se polemiza e se avança. Juntos, muito melhor do que sozinhos.

A Amazônia precisa com urgência dessa relação – digamos assim – heurística 
ou gnoseológica. Não pode ser tratada apenas à base de caldo de galinha ou sanduíche natureba do cardápio das trivialidades auto-suficientes, das sentenças refratárias à elucidação, do trinfalismo salvífico dos profetas do vazio. Nem pode também ser deixada à sanha dos seus colonizadores: seja o madeireiro rude, que põe abaixo enormes árvores centenárias sem um ai de inteligência ou sensibilidade, como a multinacional planetária, que derrama glacê colorido e vistoso sobre suas vilanias.

É preciso que haja uma base material comum a todos, os que põem em prática o ainda em vigor modelo de integração ou ocupação, à base da pilhagem, e os que perseguem uma forma alternativa, sob utopias ainda vagas, como o desenvolvimento sustentado. Essa base comum são os fatos, as informações. Não os penduricalhos da internet ou a louçania dos press-releases, mas aqueles dados que emergem ou são filtrados dos documentos e dos próprios atos que materializam as filosofias e os programas e projetos.

Para quem não torcer o nariz nem jogar fora o jornal, à mera menção da expressão malsã, o jornalismo verdadeiramente independente e comprometido com a verdade poderá fornecer informações que não se encontrará em nenhuma outra publicação. Talvez o leitor se defronte com uma forma original de interpretar essas informações clandestinas, que são desconhecidas, manipuladas ou permanecem escondidas em caixas-fortes corporativas ou nos cofres embutidos na parede floreada de uma elite que despreza a participação coletiva.

Ao chegar a algumas dessas informações, depois de uma penosa e demorada investigação (esta, a razão de ser de todo e qualquer jornalismo), tomei um choque, seguido de outro abalo ao juntá-las a outros nós soltos ou a peças de intrincados quebra-cabeças, muitos dos quais ainda não consegui montar (mas ainda não desisti do trabalho).

Só para dar um exemplo. Durante muito tempo fiquei intrigado: por que a maior empresa privada brasileira, a antiga estatal Vale do Rio Doce, a segunda maior mineradora do mundo, a maior do continente, a principal fornecedora de dólares para o Brasil (à custa da exaustão de riquezas naturais do Pará), sabotou e sufocou sua empresa internacional de navegação, das melhores do mundo, a Docenave? Por que esse estrangulamento aconteceu depois que a estatal foi privatizada, em 1997? Por que tal destino se deu, apesar de perdas de bilhões de dólares para as contas nacionais?

Tenho algum orgulho profissional de dizer que o distinto leitor não encontrará a resposta em nenhum lugar do mundo cibernético. Ela foi esboçada numa das edições do Jornal Pessoal e num dos meus livros mais recentes. E é muitíssimo importante. Tão essencial que o principal personagem desse livro (Amazônia Sangrada) é a antiga CVRD, conforme continuo a tratá-la.

É uma resistência simbólica, que não me deixa acatar o novo nome de 
fantasia da empresa, simplesmente Vale. Talvez para sepultar de vez uma história terrível, ainda tão recente, mas já envolta por brumas artificiais, fabricadas pela máquina de relações públicas, marketing e jornalismo domesticado da corporação.

Talvez algum leitor não se ligue na seqüência dos números que costumo apresentar, para me prevenir contra os sacerdotes da econometria, devolvendo-lhes a arma que costumam usar com agressividade (como se fossem deuses, muito acima do comum dos mortais), preferindo passar por cima deles para pousar seu raciocínio em conceitos e diktats absolutos, que dão a certeza de um catecismo secular.

Peço a esse leitor que se permita seguir a trilha dos números conforme o rito interpretativo que a eles se atém, até estar convencido da verdade ou, pelo contrário, se sentir provocado a procurá-la em outro lugar, em rumo próprio. É sedutora a tentação de subir num palanque ou numa banca de debates e proclamar conclusões sobre a Amazônia.

Depois de mais de quatro décadas nesse circuito, já não reajo com a bonomia de antes ao decálogo dos iniciantes. Exijo que apresentem tempo de serviço dedicado à “causa”. Se não são gênios, nada poderão dizer de enfático sobre a Amazônia se não tiverem anos de peregrinação por estradas pedregosas, como as que se apresentam disfarçadas de balanços, atas, estudos de viabilidade e projetos, ou se exibem como esfinges em solos, subsolos e sobressolos, se me permitem um dedinho mínimo de Guimarães Rosa ao tucupi.

Ou na pobreza dos marginalizados, na violência dos desassistidos e numa algaravia de criminalidades, das que são praticadas com um revólver 38 às que são urdidas nos livros dos cartórios de imóveis, onde um simples golpe de mão transfere do patrimônio público para a propriedade de particulares imensas extensões de terras, do tamanho de países.

A Amazônia, como a arte, é resultante de 99% de transpiração, ou até mais, se Picasso cunhasse a frase nestes trópicos úmidos, suados e sofridos de Lévy-Strauss, intérprete da nossa melancolia, doce e imobilizadora.

Ao fazer a releitura dos artigos, costumo ser acometido pelo pecado da luxúria, combinado com a hipérbole da pretensão: será que estes textos não podem servir de fio condutor da voz amazônica, a ser transmitida a auditórios mais amplos? Embalado pelo impulso, é assim que tenho organizado meus livros-relâmpagos e os entrego ao leitor, na esperança de que ele possa ajudar a iluminar o horizonte, mesmo que seja pelo tempo instantâneo de um relâmpago, de um raio de jornalismo, que tem o céu como horizonte. E limite.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Dano a isoladores do linhão Tramoeste provocou apagão domingo à noite em Santarém


Sobre o fornecimento de energia em Santarém, na noite de domingo, 04, a Celpa esclarece:

Um temporal com descargas atmosféricas, no KM 62, do Ramal do Jabuti, região do planalto, atingiu 12 isoladores de duas Torres de Transmissão da Linha Rurópolis Tapajós, de 138 KV, com 205 km de extensão. Os isoladores, que têm a função de separar os cabos da alta tensão, evitando curtos circuitos e desligamentos, foram seriamente danificados pelas descargas atmosféricas. O que provocou o desligamento da Linha, interrompendo o fornecimento em Santarém, Belterra e Mojui dos Campos, às 21h23. 
Trinta técnicos e engenheiros durante toda a noite e madrugada, percorreram a Linha de Transmissão para diagnosticar a causa do desligamento, numa operação que terminou somente no início da tarde da segunda-feira, 05. As duas torres estão localizadas numa área de difícil acesso, até por conta da segurança da população.      

Os isoladores, que ficaram totalmente danificados, terão que ser substituídos por técnicos especializados, da Transmissão. Por medida de segurança, haverá necessidade de desligar a Linha, interrompendo em caráter emergencial o fornecimento de energia elétrica na cidade de Santarém, Belterra e Mojui dos Campos, na quarta-feira, feriado, 07, de 6h às 7h.

Revista do Çairé, já nas bancas de revistas de Santarém. Apenas R$ 5,00.