
Foto: Miguel Oliveira.
O bispo de Penedo (AL), Dom Valério Breda, confirmou hoje o afastamento dos monsenhores Luiz Marques Barbosa, de 82 anos, e Raimundo Gomes, 52 anos, além do padre Edílson Duarte, 43 anos. Eles foram afastados das atividades nas paróquias de Arapiraca após a imprensa denunciar o envolvimento deles em um escândalo sexual com rapazes. O caso ganhou repercussão internacional e já chegou ao conhecimento do Vaticano. Os religiosos foram denunciados por antigos coroinhas, que teriam sido molestados quando ainda crianças
O afastamento dos três religiosos foi anunciado pelo bispo no último fim de semana, durante uma celebração na Igreja Nossa Senhora dos Carmo, em Arapiraca, que é a segunda maior cidade do Estado, tem mais de 200 mil habitantes e fica a 146 quilômetros de Maceió. Em reunião realizada hoje, na Cúria de Penedo, seriam definidos os nomes dos padres que assumirão as paróquias de São José, Nossa Senhora do Carmo e a catedral Nossa Senhora do Bom Conselho, anteriormente coordenadas pelos padres denunciados. No entanto, os nomes dos substitutos ainda não foram divulgados
De acordo com secretária da Diocese de Penedo, Maria Rosiete Nobre Pires, Dom Valério Breda ficou muito abalado com as denúncias e tem evitado o contato com a imprensa para não agravar a situação dos acusados. Segundo a secretária diocesana, o escândalo envolvendo os religiosos de Arapiraca chocou Alagoas e ganhou repercussão internacional. "Já recebemos ligações de jornais de todo o Brasil e de várias partes do mundo querendo saber a posição da Igreja com relação a esse episódio", afirmou Maria Rosiete.
No município de Arapiraca, o clima entre a comunidade católica é um misto de decepção e de incredulidade. "As pessoas só estão acreditando nesse escândalo agora, porque as imagens divulgadas pela imprensa são muito fortes", comentou Ângela, secretária da Igreja Nossa Senhora do Bom Conselho e que trabalha há muitos anos com Padre Aldo, em Arapiraca.
Na reportagem do Programa Conexão Repórter, do SBT, o monsenhor Luiz Marques Barbosa, de 82 anos, aparece em cenas de sexo com o rapaz de 19 anos, que era seu coroinha desde o 15 anos. A reportagem do SBT, veiculada no Youtube sem cortes, vem sendo reproduzida em vídeo e vendida à população da região de Arapiraca por vendedores de DVDs piratas a R$ 2 a cópia.
Além de afastados das suas atividades, os religiosos estão respondendo a um processo criminal, aberto pela Polícia Civil de Alagoas, a pedido do Ministério Público Estadual. Duas delegadas foram designadas pelo diretor-geral de Polícia, delegado Marílio Barendo, para comandar as investigações: Bárbara Arraes, titular da Delegacia de Crimes Contra Crinaças e Adolescentes; e Maria Angelita, da Delegacia da Mulher.
Segundo a delegada Bárbara Arraes, as investigações correm em segredo de justiça, desde do final de fevereiro. "No final de março termina o prazo da investigação, mas vamos pedir prorrogação por mais um vez, para concluir o nosso trabalho até o final de abril", afirmou a delegada. Barbara Arraes disse ainda que já foram ouvidas pessoas e outras serão ouvidas, mas os acusados só serão ouvidos por último.
A delegada Bárbara Arraes informou ainda que familiares dos rapazes estão dispostos a entrar na Justiça com um pedido de indenização por danos morais contra os religiosos. Para a delegada Maria Angelita, a denúncia contra os religiosos é muito contundente. Ela disse que a polícia já está de posse da fita de vídeo, com imagem do monsenhor Luiz Marques Barbosa com um rapaz que se diz vítima de abuso sexual praticado pelo religioso
A reportagem do Estadão procurou ouvir os acusados, mas nenhum dos religiosos quis dar entrevista. Nas paróquias onde eles atuavam a informação passada à imprensa é a de que eles foram afastados e não estariam dispostos a falar sobre esse assunto
Quando tinha apenas 11 anos, Zenaide Souza fez uma viagem de barco de Belém a Santarém. As marcas do passeio não foram registradas em fotos, mas até hoje não saíram da memória dela. Zenaide foi mais uma das vítimas de escalpelamento, provocado por eixos de motor descobertos nos barcos da Amazônia.
Hoje, aos 29 anos, Zenaide diz que sua vida mudou completamente depois do acidente, e se integra aos que buscam prevenir, pela orientação, que novos acidentes aconteçam. “Na época eu nem sabia o que era esse negócio de escalpelamento. Hoje conheço todos os riscos e, sempre que posso, aconselho outras meninas para que não aconteça o mesmo com elas”.
Com o mesmo intuito de orientação, foi lançada na última quinta-feira a Campanha Nacional de Combate ao Escalpelamento, que reúne instituições de todas as esferas de poder, entidades de classe, iniciativa privada e demais segmentos sociais.
Ontem, na sede do 4° Comando do Distrito Naval em Belém, representantes da Marinha do Brasil reuniram-se para explicar as ações da Marinha para contribuir com redução no número de acidentes. Somente no ano passado, 21 mulheres foram vítimas de escalpelamento no Pará. “Nossa meta é conseguir zerar esse número”, disse o vice-almirante Rodrigo Honkis.
A Marinha fará a fabricação de protetores de eixos para as embarcações. No Pará, 19 municípios serão alvo da campanha e cerca de 34 mil embarcações devem receber a proteção. O material será confeccionado e distribuído pela própria Marinha. O primeiro município a receber o material será Breves.
Para Zenaide, a campanha nacional é uma excelente iniciativa. “Eu não desejo que ninguém sofra o mesmo que sofri. Foi a pior coisa que aconteceu em toda minha vida. Espero que essas campanhas alertem muitas meninas e mulheres. E que os donos dos barcos também fiquem mais conscientes”. (Diário do Pará)
O MEC (Ministério da Educação) confirmou que a relação de candidatos classificados na lista de espera do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) foi alterada após divulgação, o que fez com que alguns alunos perdessem a vaga que acreditavam ter conseguido.
MEC altera relação de aprovados na lista de espera do Sisu
Segundo informações do ministério, a alteração aconteceu porque algumas instituições tiveram que incluir, por ordem judicial, matrículas que não tinham sido feitas inicialmente. Com isso, foram reduzidas as vagas disponíveis nessas instituições e consequentemente reduziu a lista de aprovados na lista de espera.
Marcírio Siqueira Assunção, paraense de Óbidos, fez 100 anos no último 12 deste mês. Além de um violino, ganhou outro presente: 12 de suas composições serão gravadas em CD pelo violonista santareno Sebastião Tapajós e um grupo instrumental. Seis dessas músicas têm letras, e serão interpretadas pela cantora belenense Andréa Pinheiro.
A decisão de gravar o CD foi tomada por Sebastião Tapajós depois que ele conheceu uma série de composições de Marcírio. O próprio Tapajós selecionou o repertório para o disco. Ouviu as músicas executadas ao violão, algumas delas cantadas, pelo autor, em gravações que uma filha do compositor, a ictióloga Ivaneide Assunção, fez em períodos de férias na casa dos pais, na cidade de Óbidos. Nas décadas de 1920 e 1930, durante a adolescência e o início da idade adulta, Marcírio foi tocador, cantor e compositor de Marabaixo, folias de santo, lundu-chorado, e outros gêneros musicais, tendo integrado um conjunto de pau-e-corda, na cidade natal.
Na opinião de Tapajós, "as músicas de Marcírio são simples, mas têm consistência. São bem elaboradas, têm princípio, meio e fim". Ele observa, também, que o repertório selecionado é expressivo da música dos negros descendentes de escravos e da música urbana tradicional da região do baixo-Amazonas. Dessa representatividade aponta como exemplos um lundu-chorado, um marabaixo, raridade que subsiste apenas no Amapá, e dois temas criados para um cordão de pássaros obidense, que já não existe. Na produção musical de Marcírio destacam-se, ainda, mazurcas, dobrados e valsas. Autodidata, ele toca violão, violino, cavaquinho e banjo. Marcírio se encontra em Belém, na residência de Ivaneide, após superar problema de saúde.
(Fonte: Jornal Amazônia)
Após a divulgação da nota 'TV Tapajós exibe imagem de cadáver em telejornal', familiares de Manoel Gabriel Souza encaminharam ao Blog do Estado um comunicado em que solicitam que não seja divulgado foto da vítima de latrocínio, ocorrido na manhã de domingo.
O Blog do Estado atua dessa maneira sugerida pela família de Manezinho - de não exibir fotos de cadáveres ou corpos mutilados - desde a sua fundação. Igual procedimento editoral é adotado pelo jornal O Estado do Tapajós.
Diz o texto:
Nesse final de semana, durante um assalto, morreu nosso amado Vovô Manezinho – Manoel Gabriel Sousa, pedimos encarecidamente, em nosso e em nome de toda a família que não sejam divulgadas fotos do ocorrido. Colocamos à disposição fotos dele como ele era, um homem de 82 anos, feliz, honesto e muito amado pela família.
Com isso queremos preservar sua memória e a saúde de seus familiares e amigos. Alguns de seus filhos moram longe e não conseguirão vir ao enterro, não gostaríamos que fosse eternizada a imagem brutal deixada pela violência...
Entretanto, queremos que sua morte não tenha sido em vão, chega de violência, chega de lares destruídos, alguém ou todos, devem fazer alguma coisa para resgatar as famílias desse submundo em que estamos vivendo.
Agradecemos antecipadamente a compreensão e conto com o apoio de que sempre nos foi dado por todos vocês.
Elmara Roberta Alves Mota
Edinaldo Luiz da Mota Jr.
Edinaldo Luiz da Mota
Demóstenes Torres*
Marcelo Carneiro da Cunha aproveitou seu espaço no portal Terra para reabilitar um Demóstenes, que chamou de "o Certo", e desacreditar outro, que batizou de "o Errado". Não discuto sua admiração ao personagem histórico de quem herdei o nome, mas é necessário esclarecer aos que chama de "estimados leitores".
Cunha me arroga uma peróla: "A escravidão não foi culpa nossa, que importamos milhões de escravos, mas, sim, da África, que os exportou". Não sei se a encontrou em ostra, mas ela é falsa. Não culpei o continente nem tirei erro de país comprador. Apenas informei o que não é novidade no bê-á-bá de História. A África exportou escravos, sim.
O horror se estabelece quando um profissional de imprensa inventa declaração tão sórdida: "Culpar a África por ter sido explorada está em perfeito alinhamento com o restante do, digamos, pensamento do nosso Demóstenes, o Errado - o de culpar as negras por participarem do estupro de maneira mais animada do que seria digno".
Opinar sobre algo é democrático, publicar análises é do ofício de jornalista, mas atribuir a alguém frases inventadas fere a democracia e o jornalismo. Não culpei "as negras por participarem do estupro". Uma monstruosidade dessas só poderia sair da mente doentia de alguém que deseja vencer o debate sem pesar a mácula de seu estelionato intelectual sobre o currículo do fraudado. Não falei em "maneira mais animada" de encarar estupro. Eis outra ficção da lavra de Cunha, com nível de baixaria que desmerece um escritor bem-sucedido. Imputar a alguém a autoria de "maneira mais animada" de suportar violência sexual é tão grave que só o ofendido em sua honra pode mensurar. Não disse "que seria digno" ter essa ou aquela atitude diante das barbáries sofridas sob jugo. Se Cunha quis ferir-me a reputação ao criar para mim sentenças tão abjetas, acertou a própria testa. Doravante, só se pode ler sua obra pensando que foi capaz de imaginar vítima participando de estupro de forma animada. É o que se extrai de seu conceito de dignidade.
Escreve Cunha que avancei "na oratória sem noção e disse que a miscigenação no Brasil escravagista aconteceu assim, numa boa". Eu não disse isso. Infelizmente, ele não é o primeiro a, "assim, numa boa" me acusar sem ter noção do alcance do veículo em que publica. A "miscigenação no Brasil escravagista" ocorreu com violência sexual, mas também com relacionamento consentido entre africanos, europeus e ameríndios. Combato a tese do "estupro original". Quem a defende acha que oito em cada dez brasileiros têm no topo da árvore genealógica o mais repugnante ato de violência sexual. Cada ramo, cegamente apaixonado pela ideologia que advoga, deleta pesquisas que o desmontam: essa tese dos racialistas, abarcada pelo Movimento Negro, é a mesma dos salazaristas.
Na tentativa de lustrar o texto opaco, Cunha serve-se de Machado de Assis, mas nem o magistral "Pai contra mãe" trouxe brilho aos argumentos. No conto, um branco miserável passa fome, mora de favor terceirizado e adere ao "ofício de pegar escravos fugidos". O desfecho é um dos mais pungentes da literatura. Se respondesse ao IBGE, Machado se diria branco. Pela herança, era mulato. No entanto, não foi pela cor, a real ou a autodeclarada, que se tornou o maior escritor brasileiro, mas pelo mérito.
Não vou retribuir sua deselegância de me chamar de cavalo, mas tão certo quanto a escravidão ser "a maior tragédia desse país" é a fraude na apuração ser a grande tragédia de um jornalista. Gostaria de rebater cada período do artigo caluniador, injuriador e difamador. Mas acaba o surto, volta a manifestar-se o premiado autor e combate "as cotas raciais nas universidades": "Oficializar diferenças de tratamento com base na raça é racismo". Concordo e quero crer que Cunha não tenha chegado a essa conclusão sem pesquisa, como fez ao me atacar.
*Demóstenes Torres é senador (DEM/GOO jornal "O Liberal" deste domingo, 14, traz opinião do Engenheiro Lutfala Bitar, empresário do setor de construção e vice-presidente da Associação Comercial do Pará, contra a divisão do Pará.
Permito-me contra-arrazoar Lutfala Bitar:
01. Alega que "dividido em três unidades federativas, cada um dos estados terá um peso no cenário nacional nada representativo e ao contrário do tão sonhado desenvolvimento, os estados terão que administrar uma enorme gama de problemas."
Há ai um equivoco de analise macro regional, pois os três estados, com características geopolíticas similares, formariam um bloco de ação – com o peso resultante maior que as partes - sempre que os interesses da mesorregião estivessem em jogo: assim age o Nordeste para enfrentar as incongruências do pacto federativo, e consegue maiores fatias no orçamento da União que todo o Norte junto.
Quanto a "administrar uma enorme gama de problemas", a frase cabe apenas como adjetivo da sentença, pois todos os estados administram, sempre, uma gama enorme de problemas.
02. Segue a matéria, alegando que "as regiões Sul e Sudeste do País participam com cerca de 75% da riqueza territorial brasileira. Os outros 25% estão distribuídos entre as regiões Centro-oeste, Norte e Nordeste, ou seja, apenas um quarto da riqueza nacional se apresenta do meio para cima no mapa do País."
Alega Bitar que estes números são dispares "se levarmos em conta que dois terços do território brasileiro é composto pela Amazônia”.
Isto é um anacoluto no objeto da discussão, pois tal desequilíbrio não se dá em função do território amazônico e sim pelas circunstancias históricas que cimentaram o perfil nacional.
Uma redivisão territorial do Brasil deve ser observada do ponto de vista do desenvolvimento regional e como uma ferramenta de redistribuição da renda federativa, extremamente concentrada no Sul e Sudeste.
03. Alega-se que com a divisão, a participação do Pará no PIB nacional, que hoje é de 1,7%, ficará abaixo de 1%. “É, sem dúvida, uma participação inexpressiva, que vai atrapalhar inclusive no campo político”, comenta Lutfala Bitar, lembrando que os estudos de viabilização da divisão não foram concluídos e por isto não tem como avaliar o assunto, defendendo, por isto, a não realização sequer do plebiscito.
Mais uma vez há dificuldades, naqueles que se recusam a aceitar a divisão, em enxergar a empreitada como um projeto de desenvolvimento regional e não com uma dicotomia geopolítica.
O Pará, a perdurar o atual pacto federativo, continuará fadado a fornecedor de matéria prima para a União. É desta matéria prima, sem valor agregado, que o Pará se deveria queixar sobre o seu minúsculo PIB, apesar da sua riqueza material.
Quanto a perda de peso político, discordo da afirmação apresentada, por entender que o peso político de um estado não está unicamente relacionado com o tamanho do seu PIB.
Peso político estadual se compõe na fatoração da macrorregião onde ele se insere, da quantidade de parlamentares que possui na Camara Federal, da qualidade desta representação, e de como a bancada que o representa se relacionar com as eventualidades da legislatura.
O nosso sistema parlamentar foi elaborado privilegiando a quantidade. Por isto, têm peso político especifico maior os estados mais populosos, porque mandam mais representantes ao parlamento, e os blocos macrorregionais, que compensam a fragilidade representativa com a quantidade alcançada pela coalizão.
Neste caso, a divisão do Pará, longe de subtrair prestígio político à região, potencializaria este peso pela multiplicação da representatividade.
Quanto a aguardar estudos de viabilidade para autorizar o plebiscito, não há esta exigência legal estabelecida.
Uma vez este autorizado, o processo se abastecerá das razoes e contrarrazoes necessárias ao convencimento do eleitor. A propósito, estudos há que demonstram tanto as razoes quanto as contrarrazoes, de acordo com o humor de quem as encomenda.
A matéria daí para a frente, discorre dados e extensões territoriais e procura mostrar o antes e o depois, fazendo uma analise puramente aritmética, descontextualizada das variáveis sociológicas e das repercussões econômico financeiras que poderiam ser rebatidas caso o novo cenário viesse a ocorrer: ficar menor não significa, necessariamente, ficar pior.
Ao final incorre-se no equivoco de afirmar que o Pará perderia a Hidrelétrica de Tucuruí, tendo que importar energia, as minas de Carajás, e seis das suas bacias hidrográficas.
Nada disto pertence ao Pará e não se esgota no Pará: é tudo patrimônio da União, sobre os quais o Estado não tem jurisdição de espécie alguma e nem aufere qualquer beneficio vertical.
A Usina de Tucuruí, antes de fornecer energia ao Pará, fornece ao Brasil, através do sistema integrado nacional. O Pará não agrega valor algum com isto.
O Pará já importa energia do operador nacional que é o proprietário que usa, goza, dispõe e abusa de toda a energia gerada no país.
No site Belemdopara.com.br:
Revelação
A cantora Cristina Caetano, descoberta de Sebastião Tapajós, em Santarém, e que cantou todas as faixas do novo CD de Tião, que será lançado em maio, tem um blog na internet. No final das gravações, escreveu o seguinte:
Após vários dias de trabalho, encerramos hoje as gravações do CD Cristina Caetano Interpreta Sebastião Tapajós e Parceiros. Dois dos parceiros nas composições de algumas músicas do CD foram ao estúdio participar deste momento. Paulo André Barata chegou com sua energia maravilhosa e participou da gravação da música "Quebranto de Amor" que foi feita em parceria com Sebastião Tapajós e Avelino do Vale.
No próximo domingo (21), o Paysandu pode perder por até um gol de diferença para ser campeão do 1° turno do Parazão.
2° Tempo- O segundo tempo começou com uma troca. No Remo sai Gian e entra Samir. E aos 8 minutos, mais um gol do Leão. Marciano lança Heliton em velocidade que tocou na saída do goleiro.
Aos 15 minutos, uma troca no Paysandu sai Fabrício e entra Marquinhos. Um corte no supercílio de Alexandre Favaro. O jogo pára.
Aos 20 minutos, o jogo recomeça. Aos 23 minutos sai Didi e entra Luciano Dias no Papão. Também sai Claudio Allax e entra Bruno Lança.
Aos 28 minutos, uma linda defesa de Adriano. Ele pegou a bola de Sandro.
Aos 31 minutos, uma troca no Remo. Fabrício Carvalho é substituído por Otacílio.
Aos 44 minutos, gol do Paysandu. Sandro coloca Moisés na cara do Gol e ele faz o quarto gol do Papão. O jogo teve 5 minutos de acréscimo e terminou aos 50 minutos.
1° Tempo- No primeiro tempo do RE x PA o Paysandu saiu na frente e com folga: 3 a 1. Didi fez dois, inclusive o gol número 100 do campeonato. Assim, Didi ganhou um trofeu da RÁDIO CLUBE DO PARÁ por ter feito o centésimo gol do Parazão 2010.
Aos 17 minutos, Márcio Nunes não conseguiu segurar a bela jogada de Tiago Potiguar, que estava apagado até então, e ele tocou a bola para Didi abrir placar. A bonita jogada do Tiago Potyguar pela direita e colocou Didi com velocidade na grande área. Com raça, o bicolor chutou forte no canto esquerdo e fez o gol. Cinco minutos depois, para complicar ainda mais a situação do Remo, Raul acertou uma cotovelada em Didi e foi expulso.
Aos 34 minutos, um belo passe de Tiago Potyguar deixou Moisés livre para marcar o segundo. E logo depois, aos 40 minutos, Didi, o número 9, aproveitou uma falha da defesa do Remo e e chutou forte para fazer o terceiro.
Antes de terminar o 1º tempo, Alexandre Fávaro fez pênalti contra o Paysandu e levou cartão amarelo. Marciano foi para a cobrança e dimininiu para o Remo aos 44 minutos.
(Diário Online)
No ano passado a Vale, a segunda maior mineradora do mundo, vendeu 247 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas, de cujos produtos específicos é a número um do mercado global. Foi bem menos do que os 296 milhões de toneladas de 2008, por conta da crise internacional, com ênfase nos Estados Unidos e na Europa. Mesmo assim, é um volume impressionante. Ainda mais porque as tonelagens continuarão a crescer – e de forma mais acentuada no Pará, conforme já ocorreu no primeiro bimestre deste ano.
A contribuição atual da mina de Carajás para a produção total da Vale de minério de ferro, que é ainda a sua principal mercadoria (responde por 61% do total), tem sido de menos de um quarto da soma. Mas se os investimentos em curso ou previstos se consumarem por inteiro, no final de 2013 Carajás, sozinha, estará produzindo 200 milhões de toneladas de minério de ferro, graças a um investimento de pouco mais de 14 bilhões de dólares (mais de 25 bilhões de reais, o equivalente ao incerto valor da hidrelétrica de Belo Monte, projetada – no papel – para ser a segunda maior do Brasil e do mundo, com prazo de maturação do investimento sendo mais longo).
Adição de 10 milhões de toneladas à atual capacidade da mina (de 90 milhões) já entrará em operação neste primeiro semestre. Outros 30 milhões de toneladas (com investimento de US$ 2,5 bilhões) começarão a ser lavrados no segundo semestre de 2012. Mas a grande ampliação começará a dar frutos no segundo semestre de 2013, quando, ao custo de US$ 11,3 bilhões, a Serra Sul estará em condições de dobrar a capacidade atual de Carajás, com mais 90 milhões de toneladas.
Esses números já seriam o bastante para provocar o interesse dos cidadãos sobre cuja jurisdição federativa está essa riqueza monumental, pois se trata do minério de ferro mais fico da Terra. A província mineral de Carajás receberá outros grandes investimentos em não-ferrosos. A Vale aplicará US$ 2,3 bilhões para o Onça-Puma produzir 58 mil toneladas de níquel já no segundo semestre deste ano. Outros US$ 1,8 bilhão permitirão à mina de Salobo duplicar sua produção de concentrado para 254 mil toneladas. Assim, Carajás, até 2013, absorverá mais de US$ 18 bilhões (mais de 32 bilhões de reais).
O prospecto da antiga Companhia Vale do Rio Doce nesse período ainda contempla o Pará com US$ 2,2 bilhões com a CAP, a nova refinaria de alumina de Barcarena, que começará no 2º semestre de 2013 com 1,86 milhões de toneladas, podendo chegar a 7,4 milhões (e ser a 1ª do mundo, junto com a vizinha Alunorte), e mais US$ 487 milhões para a terceira ampliação da jazida de bauxita de Paragominas (mais 5 milhões de toneladas de minério), que suprirá integralmente as duas fábricas de alumina.
Consolidação de todos os investimentos previstos pela Vale para o Pará durante os próximos quatro anos: US$ 21 bilhões (ou R$ 37 bilhões). O horizonte precisa ser modulado pelo desempenho dos mercados, que condicionará as decisões, pelo licenciamento ambiental pendente em relação a algumas dessas iniciativas e pela aprovação do conselho de administração da empresa em outras situações. Pode ser que alguns desses projetos não se materializem ou sejam executados apenas parcialmente. Mas o planejamento da empresa é ainda maior do que ela o revela no press-release que divulgou na quinzena passada.
No ano passado a Vale aplicou US$ 70 milhões no prosseguimento da termelétrica de Barcarena, sua alternativa imediata à carência de energia naquele pólo industrial. Mantém firme a aplicação na hidrelétrica de Estreito, no rio Tocantins, na qual tem direito a 30% dos 1.087 megawatts de energia que serão produzidos. Já se apresentou em um dos consórcios que tentarão arrematar a hidrelétrica de Belo Monte, para a qual o orçamento anterior, de 16 bilhões de reais, já foi deixado para trás. Seu interesse pela energia é, portanto, muito alto, atitude coerente com o desenvolvimento intenso do seu setor de logística, que foi responsável por 5,7% do faturamento bruto do ano passado (5% no ano anterior).
Vai ampliando também sua rede de transporte, criando um sistema como talvez nenhuma outra empresa privada controle em qualquer parte do mundo. Em 2008 pagou R$ 216 milhões da segunda parcela da concessão da Ferrovia Norte-Sul, com a qual (e mais a Centro Atlântica) interligará por trem os sistemas Norte e Sul de escoamento, cuja capacidade poderá ser medida, dentro de alguns anos, por algo próximo a meio bilhão de toneladas de carga.
O Brasil ainda é a base física principal da Vale, mas sua internacionalização é crescente, o que dará uma complexidade tal aos seus negócios que talvez venha a ultrapassar a capacidade de acompanhamento (e, quem sabe, de controle) dos governos nacionais, inclusive o do Brasil. Ela deu os primeiros passos para ser uma produtora de fertilizantes de dimensão mundial, assim como terá posição destacada na venda de carvão, tanto o metalúrgico quanto o energético (a China, que passou de uma exportação de 4,6 milhões de toneladas em 2008 para uma importação fantástica,de 104 milhões de toneladas de carvão no ano passado, também será decisiva nesse mercado, já que a alternativa hidrelétrica do país não terá o desenvolvimento pensado inicialmente). Ingressou ainda na área do biocombustível, através da Biopalma, com 41% das ações, que lhe dão acesso a 160 mil toneladas de biodiesel.
Em plena época de crise econômico-financeira e deterioração dos preços das commodities, que constituem sua especialização, a Vale não cancelou nenhum projeto. Prevê US$ 12,9 bilhões de investimento para 2010, sendo US$ 8,6 bilhões no desenvolvimento de novos projetos. Aposta no seu crescimento, uma vez superada a borrasca. Mas está perigosamente dependente do mercado asiático, que no ano passado ficou com 180 milhões dos 247 milhões de toneladas comercializados de minério de ferro e pelotas (sendo 140 milhões de toneladas da China, que teve um consumo recorde, de 628 milhões de toneladas).
A empresa teve acentuada queda de receita, ainda assim faturou US$ 24 bilhões (contra US$ 38,5 bilhões em 2008). Seu lucro líquido sofreu desabamento pior entre os dois anos (de US$ 13,2 bilhões para US$ 5,3 bilhões), mas decidiu remunerar bem seus acionistas, com US$ 2,75 bilhões. Corresponde a metade do lucro líquido, numa aposta da empresa para manter o interesse por suas ações nas bolsas (e assim continuar a emitir novos papéis e se capitalizar). Pôde agir assim graças à sua excelente geração de caixa, mas o endividamento bruto mais do que dobrou entre 2008 e 2009 (de um para 2,5 bilhões de dólares). O endividamento total chegou a US$ 22,8 bilhões e só sua amortização neste ano absorverá US$ 2,17 bilhões.
É um jogo audacioso e arriscado. Está modulado por uma criteriosa análise de fatores ou projeta uma ambição exagerada? É difícil apresentar uma resposta satisfatória a essa pergunta porque o crescimento da Vale é incomparavelmente maior do que o de qualquer estrutura que poderia ombrear-se a ela, tornar-se interlocutora necessária e interferir no seu planejamento, de tal forma que ele não seja apenas o reflexo dos desejos e apetites de uma empresa, mas o produto do seu diálogo com a sociedade, franco e profundo. Só assim seria possível combinar a estratégia empresarial com as necessidades sociais e a função pública. Essa relação, porém, está cada vez mais desequilibrada.Lúcio Flávio Pinto
Editor do Jornal Pessoal
Manobras desastrosas ameaçam a reeleição da governadora Ana Júlia Carepa. Candidata quase certa a passar para o 2º turno, em outubro, ela pode enfrentar uma coligação mais forte na nova eleição e perder para uma aliança surpreendente, liderada por Jader Barbalho.
O Partido dos Trabalhadores abriga em sua sigla tantos grupos – distintos e divergentes – que nem precisa de inimigos para enfrentar: basta que os amigos divirjam para que a força da legenda fique ameaçada. Esse é um fácil diagnóstico de aplicação genérica. Mas no Pará essa cizânia (como gostam de dizer os militares, intolerantes às cisões internas, por força da exigência hierárquica da instituição) se acentua pela falta de comando e liderança fortes. A governadora Ana Júlia podia ocupar essa posição, graças aos poderes que concentra. Mas se acumulam as demonstrações de que lhe faltam as qualidades de líder.
Ela própria complicou gravemente seu caminho para a reeleição. Parecia que seu maior desafio seria estabelecer uma aliança mais sólida com seus principais parceiros, em especial o PMDB, e compor a base aliada com novos e surpreendentes aliados, como o PTB (maior adversário na última eleição municipal), de tal maneira a harmonizar o esquema nacional pluripartidário formado pelo PT para transformar o “poste eleitoral” chamado Dilma Rousseff na candidata favorita à sucessão do presidente Lula.
Foram tantos os erros cometidos que por pouco a governadora não se viu diante da iminência de um fato que deveria ser normal e até desejável nas democracias, mas se tornou quase um pecado mortal para os partidos políticos brasileiros, incluindo o antes alternativo PT: a disputa entre candidatos na convenção. Os grupos uterinos do PT ameaçaram levar a prefeita de Santarém, Maria do Carmo Martins, a bater chapa com Ana Júlia. Com a máquina oficial nas mãos, a governadora é a melhor candidata que o partido tem para a eleição de outubro. Mas minoritária internamente, ela poderia perder na convenção.
O gesto que colocou as pretensões de reeleição de Ana Júlia foi primário e desastroso. Seu grupo, a Democracia Socialista, não conseguiu criar nenhuma liderança política de expressão no Estado, talvez porque seus integrantes atuem com mais desenvoltura nos gabinetes – e falando – do que no imenso território paraense, pelo qual se pulverizam os votos. O principal candidato da DS acabou sendo o agora ex-chefe da Casa Civil. Mas Cláudio Puty é um neófito em política, exceto a estudantil (e não mais naquele tipo de política estudantil que formava quadros para a política partidária).
Sem o apoio da máquina e o apadrinhamento total da governadora, Puty não se elegeria vereador em Belém. Daí sua presença constante e ostensiva no controle da máquina governamental e nos deslocamentos da governadora ao interior. Mas essa providência não bastou: era preciso criar a cadeia que leva ao voto, integrada por intermediários que vão do candidato a um cargo inferior (e por isso trabalha casado com o candidato principal) até o cabo eleitoral, fantasiado agora de líder comunitário.
Essa expansão colidiu com esquemas que foram montados antes e já estavam em funcionamento para apoiar outros candidatos. Os atritos foram se agravando e começaram a provocar conflitos. Uma recém-criada base de apoio a Puty no Incra de Marabá teve que ser desfeita por causa da reação do grupo do deputado federal José Geraldo, que controla o órgão. Essa vitória estimulou as outras tendências a avançar sobre a DS e lhe impor outros recuos, que culminaram no afastamento antecipado de Puty da chefia da Casa Civil.
A DS é a menor das divisões internas petistas e só aparenta ser maior porque venceu a eleição para o governo em 2006. Como explicar essa vitória se o grupo nem é predominante no PT e sua principal líder, consciente da sua expressão, vinha recusando aceitar a candidatura, até que o presidente Lula e o deputado federal Jader Barbalho praticamente a obrigaram a enfrentar o tucano Almir Gabriel, com a garantia do esquema que os dois líderes acertaram em Brasília? Os fatos e os números provam: sem o PMDB, o ex-governador do PSDB teria conseguido seu terceiro e glorioso mandato. Sem o qual perdeu o rumo e o sentido biográfico.
Fazer aliança com o PMDB em 2006 implicava o preço que o partido de Jader Barbalho estabeleceu, com o aval do presidente Lula. O PT do Pará pagou a primeira promissória, cedendo cargos no primeiro escalão do governo aos peemedebistas. Mas tratou de colocar leões-de-chácara à porta dos gabinetes e desviar funções para seus representantes, esvaziando os cargos cedidos. O PMDB engoliu vários sapos porque, mesmo com as sobras de cada uma dessas estruturas de poder, teve espaço para suas operações típicas.
Mas quando o espaço encurtou demais, o partido resolveu jogar alto. Primeiro foi puro blefe: com as ameaças e os primeiros atos de insubmissão esperava restabelecer a composição original. Os “luas pretas” de Ana Júlia apostaram em que os peemedebistas eram aliados compulsórios, não lhes restando alternativa senão acomodar-se com o que lhes era destinado. Foi então que Jader Barbalho decidiu a ignorar o PT estadual e passou a tratar apenas com o PT federal. Foi ele um dos peemedebistas mais ativos em favor da renovação da aliança nacional e da candidatura de Dilma Rousseff, combatendo os que queriam uma candidatura própria do partido. Talvez os luminares do PT paraense não tenham percebido que Jader construíra seu próprio palanque, mesmo sem se apresentar como candidato ao maior dos cargos em disputa. Qual candidato colocar sobre o tablado passou a ser a questão pendente, ainda não decidida (mas com opções postas à mesa, inclusive a de Barbalho). A dissidência, porém, era uma realidade a caminho do rompimento.
Se a governadora comandasse de fato seus correligionários, a situação seria outra. Mas Ana Júlia demonstrou ser pouco mais do que uma líder estudantil e sindical, como seus gurus de gabinete. Obrigada a aceitar que os secretários com pretensões eleitorais saíssem dos seus cargos no dia 1º, um mês antes do prazo legal de tolerância, ela já deixou à mostra uma fraqueza. Ao tentar “dar a volta por cima”, retirando poderes inerentes à Casa Civil antes de entregá-la à tendência concorrente, praticou outro desastre.
A manobra era tão evidente que mais uma vez teve que recuar. Só que agora de forma inusitada: o futuro substituto de Cláudio Puty ameaçou não assumir o cargo através de mensagem mandada através de telefone celular. Talvez tenha sido a primeira baixa comunicada por um torpedo virtual. Everaldo Martins soube do golpe através da esposa, que é secretária estadual de pesca, e nem se preocupou em falar pessoalmente com a governadora.
Todos esses desgastes teriam sido poupados se a DS tivesse consciência da própria expressão (ou falta de expressão) e aceitasse partilhar o poder de forma mais justa e coerente do que a desproporcional concentração de poder que promoveu em benefício próprio. Na segunda-feira, dia 1º, os três novos secretários assumiram no lugar dos que saíram para se tornarem candidatos na eleição de outubro (um quarto, Valdir Ganzer, dos Transportes, teve que permanecer no cargo, do qual já tinha sido exonerado, por causa de mais uma trapalhada petista: se assumisse como assessor especial, sinecura reservada aos demais, que não possuem cargo político, teria seu mandato de deputado estadual cassado). No ato, havia maquilagem suficiente para criar uma máscara de unidade partidária, que inexiste. E uma força que se tornou miragem.
Muita gente participou da solenidade e pequenos partidos aliados mandaram seus representantes. Mas não apareceu ninguém das principais forças políticas que poderiam aderir à candidatura da governadora: PMDB, PDT e o bloco PTB/PR (que controla a prefeitura de Belém). A ausência pode ser apenas um recado e não uma atitude de separação definitiva – ou pelo menos ainda não. Mas se representar a constituição de uma nova aliança eleitoral, as possibilidades de reeleição de Ana Júlia Carepa começarão a se reduzir. Com o que já possui, ela tem todas as condições de passar para o 2º turno e, talvez, com mais votos do que o segundo concorrente. Mas cairia para uma condição de inferioridade nessa segunda eleição, se os votos do PSDB migrarem para a coligação liderada pelo PMDB – ou vice-versa.
Se ainda precisava de estímulo para o rompimento, Jader Barbalho o recebeu de bandeja, entregue pelo deputado petista Zé Geraldo. Num discurso contundente no plenário da Câmara Federal, em Brasília, ele acusou o ex-governador de manter o Pará como refém da sua vontade e dos seus caprichos. Em 2006 o PT nem se preocupou com isso porque era a única maneira de chegar ao poder. Mesmo hoje, sua preocupação é retórica porque continua tentando refazer o acordo com Jader, mesmo considerando-o um seqüestrador (por estar impedindo, em época pré-eleitoral, a aprovação de dois novos empréstimos solicitados pelo Estado, no valor de mais de 550 milhões de reais, a serem agregados a R$ 2 bilhões já aprovados na Assembléia Legislativa desde o início do governo Ana Júlia) e o deputado Carlos Bordalo alegar que Jader não comanda o PMDB. Como para todos os outros partidos, para o PT as palavras existem para esconder a verdade, não para revelá-la.
O presidente do partido garantiu que o remanejamento da função de contratar DAS e comissionados, que estava no âmbito da Casa Civil, para a Secretaria de Governo, visava o desenvolvimento do Estado e não esvaziar o cargo que seria cedido a outra tendência petista. Quando a governadora foi forçada a voltar atrás e devolver esses poderes ao chefe da Casa Civil, o alegado bem público foi esquecido. Em compensação, foi dito que a medida não era oportunista: vinha sendo estudada há muito tempo. Ainda assim, foi constituído às pressas um “grupo de trabalho” para examiná-la, como se fora nova. Palavras, nada mais do que palavras.
A substituição de Cláudio Puty por Everaldo Martins significaria uma evolução no sentido do pluralismo e do descomprometimento da Casa Civil em relação às eleições? Não: Everaldo deverá fazer o que for possível pela candidatura do irmão, deputado estadual Carlos Martins, e pelos interesses da irmã, a prefeita Maria do Carmo, além dos dele próprio, que, na secretaria de planejamento de Santarém, foi extremamente concentrador de poder. A solução, portanto, é de meia sola.
Pelo que tem feito politicamente, Ana Júlia estará dando razão ao adversário Almir Gabriel. Segundo ele, governador que tem a máquina oficial nas mãos só perde por incompetência, como teria feito seu correligionário Simão Jatene e está sendo Ana Júlia desde o primeiro dia do seu mandato.Apoiado em índices estratosféricos de popularidade, aclamado no Brasil e no exterior, considerado o "homem do ano", "um dos mais importantes da década", elogiado por jornais e revistas estrangeiras, o presidente Lula decidiu que não tem contas a prestar a ninguém.
Lula nunca teve problemas de relacionamento com ditadores. Da África, do Oriente Médio, da Ásia, da América.
Elogia o presidente do Irã, abraça-se com Kaddafi. Com Fidel, então, Lula chega a revirar os olhinhos de tanta alegria.
Uma ditadura, o governo mais embolorado da América, uma relíquia do século passado, com os irmãos Castro perdidos em devaneios antiimperialistas.
Tudo tão antigo. Como é também antigo o desrespeito do governo de Cuba aos direitos humanos, como são antigas as prisões cubanas, como é antigo o hábito de amordaçar qualquer tentativa de liberdade de expressão, seja uma blogueira ou um ativista de direitos humanos.
O presidente Lula foi mais uma vez a Cuba e chegou justamente no dia em que morria, depois de 82 dias de greve de fome, o operário Orlando Zapata. Era um preso político, um preso de consciência.
Fotografado às gargalhadas ao lado dos irmãos Castro, Raúl e Fidel, pálidas caricaturas da Guerra Fria, Lula, ao ser perguntado sobre a morte de Zapata... botou a culpa no morto. Quem mandou fazer greve de fome?! Onde já se viu?!
Muito criticado, no Brasil e no exterior, o presidente saiu pela tangente, afirmando que pessoalmente é contra greve de fome como recurso de prisioneiros e que não tem por hábito imiscuir-se na política interna de outros países.
Vamos esquecer, por um momento, dos elogios à eleição do presidente do Irã ou mesmo a recusa a reconhecer as eleições presidenciais em Honduras.
Vamos nos concentrar nos presos políticos e suas greves de fome.
Ontem, o presidente Lula realmente extrapolou. Entrevistado pela agência de notícias Associated Press, declarou o presidente: "Greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem libertação."
Ao comparar presos políticos com bandidos, o presidente desrespeita, não apenas sua própria biografia, mas faz pior: agride frontalmente a ministra Dilma Rousseff, sua candidata à presidência da República.
Não é segredo para ninguém que Dilma foi presa política durante alguns anos. Torturada. Não sei se fez greve de fome, mas isto é irrelevante. Ao compará-la a um bandido, o presidente Lula comete uma grosseria que nem os gorilas da direita mais hidrófoba ousaram, durante a ditadura.
Uma das greves de fome mais emblemáticas durante a ditadura brasileira durou 32 dias. Preso no Presídio Frei Caneca, no Rio de Janeiro, Nelson Rodrigues Filho participou, junto com Perly Cipriano e Jorge Raimundo Júnior, de uma greve de fome que só terminou com a aprovação da Lei da Anistia pelo Congresso Nacional, em 22 de agosto de 1979.
O presidente Lula tem todo o direito de se relacionar com ditadores alegando razões de Estado.
O presidente Lula tem todo o direito de desrespeitar a própria biografia.
Mas não tem o direito de desrespeitar a trajetória e a luta política de milhares de brasileiros, alguns até muito próximos dele.
O presidente Lula pode muito, muito mesmo. Mas não pode tudo.
Ainda bem.