sexta-feira, 25 de junho de 2010

Adversário do jeito que Dunga gosta

Gerson Nogueira:

Como virou regra na atual Seleção Brasileira, os mistérios prevalecem às vésperas de jogo. A comissão técnica capricha nos segredos e despista o tempo todo, até mesmo quando já se sabe de antemão que o principal jogador do time não poderá ser escalado. Sabia-se, também, que o volante Elano dificilmente poderia participar, em função da lesão sofrida contra a Costa do Marfim. No afã de confundir os jornalistas, Dunga deixou até a última hora para definir (sem confirmar oficialmente) que Daniel Alves deve entrar como volante e Júlio Batista na vaga de Kaká.
Caso essas opções se confirmem, a Seleção terá um perfil bem diferente do que vinha apresentando na Copa. Para começar, Júlio Batista atua praticamente como atacante, o que obriga Robinho a recuar para fazer o papel habitualmente cumprido por Kaká. A lamentar a ausência de dois
jogadores responsáveis pelos melhores momentos do Brasil na Copa até aqui, no jogo contra a Costa do Marfim. Ambos apareceram muito bem quando saíram do posicionamento conhecido e caíram pelas extremidades do campo. Essa mudança, no segundo tempo daquela partida, foi
determinante para a vitória da Seleção, resultando inclusive no gol de Elano.
Apesar das ausências importantes, o Brasil tem condições de realizar uma grande apresentação. Portugal, animado pela goleada sobre a Coréia do Norte, deverá jogar ofensivamente, buscando a vitória para garantir a primeira colocação no grupo. Além disso, pelo que se nota nas ruas de Durban, a torcida portuguesa terá presença maciça no estádio Moses Mabhida, incentivando Cristiano Ronaldo e seus companheiros a mais uma vitória consagradora. São os ingredientes perfeitos para que Dunga explore os espaços que a defesa adversária vai permitir.
O técnico brasileiro costuma dizer, com razão, que a Seleção se apresenta melhor na medida em que enfrenta adversários de nível. Portugal é o primeiro grande oponente em seu caminho. Que o Brasil mostre, enfim, do que é capaz.

Azzura sofre vexame histórico


Coerente com a tradição italiana de gestos desesperados, a imprensa da pátria de Paolo Rossi não perdoou a eliminação (como lanterna de seu
grupo) na primeira fase da Copa do Mundo. Não é novidade, pois a Azzurra já havia dado esse vexame cinco vezes antes, mas agora há a humilhação do último lugar, graças à péssima campanha: uma derrota vexatória para a Eslováquia depois de dois empates no sufoco, contra Paraguai e Nova Zelândia. A última queda feia havia sido no mundial de 1974, na então Alemanha Ocidental. Há, também, o peso histórico dentro da competição. Tetracampeã do mundo, a Itália foi a vencedora da última Copa e tinha ambiciosos planos de se igualar ao Brasil, único país pentacampeão. A rigor, tanto as pretensões de título quanto a choradeira da imprensa italiana são exageradas. O time de Marcelo Lippi é muito fraco, até mesmo em comparação com o escrete de quatro anos atrás, reconhecidamente uma seleção sem maiores encantos. Ganhou aquele Mundial mais em função da força da camisa e do nivelamento por baixo da competição. Desta vez, as esperanças talvez se concentrassem na fraca participação inicial de quase todos os favoritos. E o lamento emocionado dos jogadores em campo, depois do jogo, pode ser entendido como o desespero de ver escapar a preciosa chance do quinto título. Na Alemanha, Lippi ainda contou com Del Piero em boa forma. Pirllo também se apresentou bem e Cannavaro foi eleito o melhor jogador do torneio, mesmo sendo um zagueiro. Como a escola italiana de jogar futebol se nutre de um inegável talento na retaguarda, imaginava-se que o grupo atual desse conta de lutar pelo bicampeonato. Não deu. A queda para seleções sem pedigree, como Paraguai e Eslováquia, reforça as suspeitas de que o título de 2006 foi produto muito mais da sorte do que dos méritos da seleção. Como na França, que deixou a África do Sul pela porta dos fundos, é provável que surjam investigações e questionamentos pela pífia trajetória da Itália na Copa. Mas, para bom observador, a equipe foi vítima de um mal crônico no futebol mundial: a carência de bons jogadores, principalmente nos países que assumem o papel de importadores de pé-de-obra.

Um mundial diferente em tudo

Copa esquisita esta da África do Sul. Emergentes pouco cotados (Paraguai, Japão, Eslováquia, México) avançam. Somente um africano (Gana) conseguiu vaga nas oitavas – Costa do Marfim ainda luta, mas respira por aparelhos. Além disso, o campeão e o vice-campeão já estão de volta às suas casas.

Diante de uma outra África do Sul

Um forte nevoeiro, por mais de 200 quilômetros, fizeram da viagem entre Johanesburgo e Durban (588 quilômetros) uma aventura e tanto. Com direito a bônus, como a exótica e deslumbrante paisagem do nordeste sul-africano. Foram, no total, mais de seis horas na estrada num percurso que normalmente dura quatro horas. Entre cenários de “Paris, Texas” e “Bagdá Café”, este escriba baionense conheceu uma África do Sul bem diversa do frio massacrante de Johanesburgo. O caminho que leva a Durban inclui vales, savanas e montanhas majestosas. Na chegada, a visão de uma cidade banhada pelo mar e cheia de praias é reconfortante para os olhos.

A chance do acerto de contas

O primeiro grande clássico da Copa vai envolver Alemanha e Inglaterra, duas seleções com grande tradição boleira e muitas contas a ajustar. Em 1966, como se sabe, a Inglaterra sagrou-se campeã e aquela conquista carrega até hoje a mancha de um erro da arbitragem, que validou gol irregular para os ingleses. A bola bateu no travessão e caiu rente à risca. O árbitro resolveu dar o gol, para desespero dos alemães e combustível para uma polêmica que se arrasta há quase meio século.

em seu caminho. Que o Brasil mostre, enfim, do que é capaz.

PMDB oferece vice de Juvenil a Valéria

O pré-candidato a governador Domingos Juvenil, do PMDB, ofereceu ontem à noite a vaga de vice-governador à ex-vice-governadora Valéria Pires Franco, como o Blog do Estado já havia antecipado.

O presidente do partido, Vic Pires Franco, não aceitou a oferta e contrapôs uma coligação para o Senado para fechar com o PMDB, o que não foi aceito por Juvenil.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Com trezentas composições gravadas Sebastião Tapajós é o rei do violão

Tapajós, uma das maiores glórias do Baixo Amazonas, partilhada entre Alenquer e Santarém, que o viram nascer e crescer /BLOG DO VIOLONISTA
Tapajós, uma das maiores glórias do Baixo Amazonas, partilhada entre Alenquer e Santarém, que o viram nascer e crescer /BLOG DO VIOLONISTA

LÚCIO FLÁVIO PINTO
Editor do Jornal Pessoal

BELÉM, Pará – “Este é Sebastião Tapajós, que toca violão como um viciado”. A apresentação foi feita, no início da década de 1970, do século passado, por ninguém menos do que Baden Powell, um dos maiores violonistas e compositores do Brasil. Ele tinha acabado de conhecer o artista, recém-chegado de Belém do Pará ao Rio, onde passaria a morar, mas não teve dúvida na sua avaliação. Sebastião estava chegando aos 30 anos com a autoridade que lhe conferia o reconhecimento entusiasmado dos que o ouviam, mesmo pela primeira vez.

Não havia dúvida: ele já era um grande violonista, além de compositor. Viria a ser maior ainda, dos mais importantes em atuação no mundo todo. Uma das maiores glórias do Baixo Amazonas, partilhada entre Alenquer e Santarém, que o viram nascer e crescer.

Mas quem não é alertado para essa relevância dificilmente a descobrirá se cruzar com Sebastião. O desconhecimento, porém, durará pouco. Bastará o primeiro acorde para qualquer pessoa dotada de mínima sensibilidade musical ter plena consciência do valor do instrumentista. A apresentação será uma questão de tempo, muito pouco: Sebastião está sempre agarrado ao seu violão, em qualquer circunstância, até dormindo numa rede, conforme já foi flagrado várias vezes.

Violão é parte do seu corpo

Mal abriu os olhos e já dedilhava acordes. O violão é parte do seu corpo, numa afinidade rara, completa, natural. Ele é tão musical que os sons fluem pelos seus dedos como se ele os inventasse sem parar – e sem a possibilidade de esgotar a fonte.

Mas os brasileiros, os paraenses e mesmo os santarenos conhecem pouco – se conhecem – um artista admirado por todo mundo, sobretudo na Europa, em especial na Alemanha. Seria um paradoxo. Afinal, em qualquer reunião no Brasil logo aparece alguém com um violão para animar e provocar os demais. O país é musical e cultiva o violão. Mas superficialmente, não em profundidade. E mais como um instrumento para acompanhar o personagem importante, o cantor.

O instrumentista é pouco valorizado no nosso país: “os brasileiros não reconhecem a execução da guitarra como sendo uma arte”, lamentou Sebastião certa vez. Não surpreende que ele se tenha tornado muito mais conhecido no exterior. Em 1978 perpetrou a façanha de representar a Alemanha, como convidado daquele país, no Festival Internacional de Música promovido pela Holanda, com transmissão pela TV para toda a Europa.

Nasceu num barco

A grande lacuna que existe de conhecimento sobre Sebastião Tapajós está agora preenchida com o recente lançamento de Razão da Minha Vida, livro de 259 páginas, com tiragem muito limitada, que Cristovam Sena editou e foi publicado pelo Instituto Cultural Boanerges Sena, com o patrocínio de Carlos Max Tonini. O livro é uma montagem que teve por base dezenas de recortes de jornais e revistas, catalogados pelo próprio Sebastião entre 1961 e 2009, além de cartas e documentos.

Sebastião Tapajós nasceu em 16 de abril de 1943, dentro de um barco que navegava pelo rio Tapajós, indo de Alenquer para Santarém, a oito horas do destino da viagem. Na verdade, a embarcação ainda estava no rio Surubiu quando ele veio ao mundo, mas o Tapajós acabaria por levar a fama. Por causa dessa situação, o Tapajós se incorporou ao seu nome de batismo, Sebastião Pena Marcião, com tal simbiose que nunca mais se desgarrou dele.

Pai tocava e cantava para ele

Seu primeiro contato com o violão foi através do pai, dono de um armazém de secos e molhados e de uma plantação de juta, que tocava e cantava para o filho pequeno acordes de cantigas, quase todos os fins de tarde. Começou a tocar instrumento aos nove anos de idade. Foi quando o violão que o pai e os seus empregados tocavam se abriu, por causa do tempo de uso e da temperatura, e Sebastião decidiu consertá-lo – e, de fato, o consertou.

Ainda garoto, já tocava quase todo o repertório de Dilermando Reis, um violonista muito famoso na época. Em Santarém sempre foi autodidata, mas já tocava clássicos “de ouvido”, por sua intuição musical (que ele diz já existir quando estava no útero de sua mãe e a ouvia cantar) e criara algumas composições (hoje, tem mais de 300 composições gravadas).

Ficou na cidade até os 16 anos, sem fazer uma viagem sequer para fora, quando se mudou para Belém com o convite para integrar o conjunto musical de estudantes Os Mocorongos, dirigido pelo professor Gelmirez Mello e Silva, que foi considerado “o melhor conjunto melódico” do Pará em 1961.

Popular e clássico, com a mesma naturalidade

Combinava música popular, executada com “Os Mocorongos”, e música clássica, nos seus espetáculos solos, com a mesma fluência e naturalidade – e virtuosismo. Fez um concerto só de música clássica em Belém, quando tinha 17 anos, mas admite que “foi uma coisa empírica, porque eu não tinha carga teórica suficiente”. Só então passou a ter professores. Aprendeu teoria musical a princípio com o mestre Drago e, a seguir, com os professores Ribamar e Tácito.

Em julho de 1963 fez um curso intensivo de técnica violonista, como aluno de Othon Salleros, “que o considerou uma das raras sensibilidades na arte segoviana”. Passou cinco anos tocando apenas clássicos, mas, com incursões escondidas à bossa nova, acabou por descobrir “o ponto ideal do meu trabalho: misturar tudo o que havia dentro de mim”. Estava pronto para uma carreira sem igual na arte do violão. Claro: esqueceu de vez o diploma de contador, obtido na já extinta Escola Técnica de Comércio Fênix Caixeiral Paraense.

Ao contrário da maioria dos artistas, conseguiu concluir um curso em outra profissão, mas nunca a exerceu. “A única coisa que sei de contar são histórias”, costumava brincar. Mas sua sexta esposa foi uma contadora, nascida em Santa Catarina.

Nesse período já usava um violão modelo Segóvia fabricado pela Del-Velchio, de São Paulo, que lhe foi doado pelo então reitor da Universidade Federal do Pará, José da Silveira Neto, uma das autoridades que mais o apoiou.

O talento de Sebastião se impunha de imediato àqueles que davam valor às artes. Teve 45 minutos para se apresentar na TV Marajoara, a primeira emissora de televisão do norte do país, algo impensável no Brasil de hoje. Logo que ele se apresentou, o maestro Waldemar Henrique previu-lhe “um futuro brilhante”.

Foi durante uma apresentação que fez no consulado de Portugal em Belém, em 1964, provocando entusiasmo na platéia, que lhe foi oferecida uma bolsa de estudos junto ao Conservatório Nacional de Música de Lisboa, pelo qual se graduou e se tornou concertista. Ganhou outra bolsa junto ao Instituto de Cultura Hispânica em seguida.

Em setembro de 1966 foi chamado para se apresentar numa convenção de médicos realizada no Teatro da Paz. Bastaram cinco músicas para que um americano o convidasse para ir aos Estados Unidos. Ele foi, mas não chegou a se exibir. A direção do Conservatório Carlos Gomes, onde dava aula de piano clássico, o convocou a retornar. E Sebastião nunca mais voltou aos EUA.

Com apenas 22 anos foi considerado “o maior de todos os violonistas clássicos do Brasil”. Seu álbum “Guitarra Latina” foi considerado “o melhor disco estrangeiro de 1978” pela crítica especializada alemã.

Em 1972 participou de uma excursão à Alemanha na companhia de artistas como Paulinho da Viola e Maria Bethânia. Os dois tiveram quase todo o desgaste que na volta lhes deu a imprensa brasileira. Mas Tião foi “o único a trazer no bolso contrato para vinte concertos no próximo ano, da Alemanha a Israel, além da gravação de outros discos”, registrou Mister Eco, crítico de música e colunista da Última Hora, do Rio de Janeiro.

Em 1995, quando tinha gravado 49 discos, apenas 15 deles saíram no Brasil. Numa entrevista desse ano ele admitiu que tinha uma certa mágoa pelo tratamento recebido em seu país: “A valorização lá fora é incomparavelmente maior”. Hoje, tem mais de 80 discos. Ainda assim Sebastião Tapajós se firmou como o maior violonista do Brasil. Com uma fama internacional que não se deve a favores ou exageros, mas ao seu talento.

Confeccionar ternos e paletós, um ofício que está desaparecendo

Com o avanço da tecnologia e as novas oportunidades no mercado de trabalho, muitas profissões vão sendo esquecidas, mas existem aqueles que permanecem com seu trabalho.
Os alfaiates sempre tiveram a preocupação de fazerem ternos com precisão, e bem ao gosto do cliente.

Em Santarém é difícil encontrá-los, mas não significa que seja impossível. É o caso do alfaiate Balduíno Oliveira, 68 anos, com 51 anos de profissão.
Desde garoto Balduíno sempre sonhou em trabalhar na profissão. "Eu nasci com a vocação, comecei a trabalhar como aprendiz, foram nove meses de aprendizagem sem receber nada", relembrou.

Foram dois anos de duro trabalho, até que Balduíno decidiu abrir a própria alfaiataria. "Depois de 10 anos passei a fazer paletó, com a curiosidade e força de vontade, aprendi sozinho", relembrou. E observa que a grande dificuldade era não ter pessoas com quem tirar dúvidas, por isso cometia vários erros: "Era uma manga mais comprida que a outra, ou estava torcida". Balduino lembra que o cliente não reclamou, mas ficava preocupado, pois sabia que deveria melhorar.

Sempre se pensa que ser alfaiate é exclusivo de homem, isso não significa que uma mulher não pode ter o mesmo trabalho. É o caso de Edirnil Andrade, conhecida como "Meca". Ela trabalhou durante alguns anos com produção de terno, mas sua maior paixão e prioridade são os vestidos de noivas. "Fazer ternos requer muito detalhes e precisão. Devo reconhecer que somente o verdadeiro alfaiate sabe fazer", reconheceu.

Mas o que une Meca a Balduino é paixão pela profissão. Desde jovens os dois sonhavam em trabalhar com roupas. Meca só conseguiu a partir dos 25 anos, e há mais de 20 está trabalhando no setor, e Balduino, desde os 17 anos.

O alfaiate foi insistente em se profissionalizar na produção de paletó. Decido a morar em São Paulo, viveu lá durante dois anos e oito meses. Primeiro trabalhou numa empresa, apenas 18 dias, o salário não lhe agradou. "Não nasci para ser mandado, e sim para mandar, sou patrão de mim mesmo", gaba-se o alfaiate. Então decidiu sair, com a ajuda de um irmão, que lhe entregou um local para abrir sua alfaiataria. Mas como havia deixado sua esposa em Santarém, ela não queria ir para São Paulo, Balduino, largou tudo e voltou para a cidade natal.

Balduino conta que o cliente só reclama, quando o serviço não é feito por ele. "Tenho pessoas me ajudando, ao saberem que não fui eu. Então ficam chateados", declarou. O grande público sempre é masculino, mas sempre está fazendo calça social para mulheres.

Já Meca relata que os clientes gostavam dos paletós que produzia, mas percebeu que mãos masculinas sabem talhar com precisão. " Certa vez um alfaiate passou em minha loja e perguntou a meu filho quem tinha feito os paletós, ele afirmou que era eu. Meu filho não sabia que eu tinha comprado. O alfaiate teimou que os ternos tinham sido talhados por um homem, não conseguia acreditar que poderia ter sido feito por uma mulher", relembrou a costureira.

Depois de anos de trabalho, Balduino decidiu não fazer mais paletó apenas conserto quando necessários. "Fazer um paletó demora três dias, não estou com a mesma garra de antes", reconheceu. Atualmente estão diminuindo as alfaiatarias na cidade. "Os clientes reclamam, que tem poucos alfaiates", lamentou.

Roque Lima, entalhe em madeira das mais variadas formas

Aritana Aguiar
Free Lancer

Talvez muitos ainda não conheçam Roque Lima, um escultor santareno que há 37 anos vem esculpindo verdadeiras obras de arte em madeiras e tendo suas peças distribuídas mundo afora.

Roque Lima perdeu a conta de quantos prêmios já recebeu pelo seu trabalho. O primeiro foi em 1980, pela revista americana Forum, na época saiu uma matéria sobre o seu trabalho, recebeu um certificado por honra ao mérito. Sua primeira exposição foi em 1979, no colégio Álvaro Adolfo da Silveira. Há cinco anos foi escolhido por unanimidade para fazer parte da Academia de Letras e Arte de Santarém.

Seu trabalho começou quando tinha 15 anos. "Meu pai era carpinteiro, fazia moveis, então eu mexia escondido no material dele. Com a curiosidade, e também acredito ser um dom, passei fazer esculturas em madeira", relembrou Roque Lima. Desde pequeno gostava de se envolver com a arte, pintava em papel, depois passou para telas, mas a verdadeira paixão foi com madeira.
Com o tempo o próprio pai passou ajudá-lo em seu trabalho. Afinal, tinha mais movimento do que produção de moveis. "Primeiro, passei a fazer esculturas sacras. Então os padres gostaram do meu trabalho e passaram a preparar encomendas, a partir daí que fui crescendo", relembrou o escultor. Depois disso, Roque se dedicou a esculpir peças com motivos da flora e fauna da Amazônia, ofício em que permanece até hoje. "São araras, tucanos, passarinhos, muiraquitã, entre outros. Nossa floresta é muito rica, tem bastante coisas a oferecer", orgulha-se Roque Lima.

Sua primeira escultura foi uma casinha e um santo, São Pedro. Roque afirma ter se sentido uma pessoa que queria levar esse trabalho mais longe. O trabalho cresceu rápido com a divulgação feita pelas igrejas, mas não teve apoio governamental. "A arte em Santarém não é muito valorizada, vendo meus produtos para turistas, reclamou. E completa que ainda sente dificuldade em vender as esculturas e a falta de apoio do poder público. "Não há incentivos apenas convite para alguma exposição, quando tem algum evento", desabafa.

Quanto aos turistas estrangeiros, segundo roque, sempre compram alguma escultura. "A grande preferência são temas amazônicos, mas também levam alguns santos, os turistas de outros estados sempre comparecem, e nunca de deixam de levar alguma pela", relata Roque Lima.

Roque sempre é procurado para fazer exposições. Todo o ano tem presença confirmada na Feira da Cultura Popular, e no Terminal Turístico, além de receber constantes convites para fazer exposições. Nunca chegou a sair do país, mas levou seu trabalho para várias cidades vizinhas, como: Monte Alegre, Alenquer, Trairão, Itaituba, e também Belém e Manaus. "Atualmente estou com vários trabalhos, já não tenho tanto tempo para viajar, autorizo a levarem minhas esculturas para ser feita exposição fora da cidade", justificou o escultor.

Roque admite gostar de ministrar aulas. "Eu completei todo meu ensino médio, cheguei a fazer magistério e contabilidade, mesmo se trabalhasse como professor seria somente na área de artes, esculturas", explicou. Sempre é convidado pelo Sebrae para ministrar mini cursos, viajando até para cidades vizinhas.

Dos tipos de madeiras que utiliza para esculpir afirma que o cedro é o melhor tipo. " Qualquer madeira pode ser trabalhada, mas dependendo do que será feito é exigido um tipo de resistência", explicou. Além disso, o escultor gosta de trabalhar com cerâmicas, galhos de madeira, mas não é sempre.

Atualmente Roque trabalha com dois irmãos que também são escultores. Os filhos também gostam desse trabalho e sabem fazer esculturas. Mas até o momento não decidiram em seguir a carreira do pai.

Roque, enfatiza que faz seu trabalho com muito amor e dedicação, e não se arrepende da carreira que escolheu.

Sant'Ana Pereira, advogado, compositor e escritor

Miguel Oliveira
Repórter


O advogado, escritor e compositor Sant´Ana Pereira na juventude, em Santarém, lecionou teoria musical e canto orfeônico, no Ginásio Dom Amando. Ainda jovem, manteve cursos particulares da língua latina e foi o organizador da Biblioteca Pública de Santarém, no governo municipal Armando Nadler.
Depois mudou-se para Belém. Mas até o ano de 1978, a vida literária de Sant´Ana Pereira, santareno de nascimento, advogado por profissão, escritor e compositor por vocação, foi difusa. Ele fez exercícios no teatro, na poesia, na poesia, na crônica, no conto. Poesia e contos publicados nas extintas "Folha do Norte" e "A Província do Pará", à época em que fazia a coluna "O que Eles Pensam, Dizem e Fazem", que teve vida curta (pouco mais de um ano), em plena efervescência dos excessos da Revolução de 64. A coluna acabou por ingerência do então Governador do Estado que em bilhete ao Superintendente do jornal, se queixou que a coluna era sistemática contra o que pensava, dizia e fazia o poder instituído pela dita revolução.
Àquela época, o escritor Ildefonso Guimarães promovia "Concurso Permanente de Conto e Poesia". No mesmo mês, Sant'Ana concorreu a poesia e conto. Na poesia, a comissão julgadora lhe arrasou. Nunca mais fez nenhuma. Ganhou o prêmio de conto e referências estimulantes dos julgadores. Daí pra frente ficou apenas no conto. Passou a perceber que o conto, com suas características de síntese, limitava seu mundo de criação. Imaginou que o romance seria como a baía do Guajará, onde vão desaguar todas as águas da bacia hidrográfica da mente. No romance poderia fazer seu teatro, sua crônica, sua coluna de jornal, seu diário, sua veia poética amputada pela crítica, seu conto, seu diário de vida. Ele viveria vidas múltiplas, na saga de seus personagens. Ele andaria por sua terra e outras terras. E sofreria a realidade. E sonharia a fantasia.
Sant'ana Pereira publicou Os Palmitais (duas edições), Invenção de Onira (3 edições), Os Paparás, A torre de Diaphanus, Defesa do Devedor (obra jurídica com edição esgotada), Quotidianas (letras de música popular).
O romance Invenção de Onira se tornou o clássico do autor santareno, destacando-se estes fatos: teve a segunda edição lançada sob o título de Cabanos, capital Cabânia, chamando a atenção para o tema do romance, que é a cabanagem; a terceira edição que retomou o título original Invenção de Onira foi lançada em São Paulo, pela Editora LetraSelvagem, trazendo como Posfácio trabalho de doutorado do antropólogo Dedival Brandão da Silva, sob o título Nação e Descontinuidade Cultural.
Invenção de Onira tem sido considerado o romance da revolução amazônica. O autor tem sido considerado pela crítica literária como um artesão da palavra. Deverá publicar brevemente seu mais novo romance intitulado Corpo sem Sombra.
Em "Os Palmitais" sublima, pela ficção, pelo senso estético, a realidade de um capítulo marcante da nossa ecologia: o ciclo do palmito. Todas as misérias desse capítulo, todos os dramas da empresa e dos que a fazem, a corrupção, os desmandos, os aproveitamentos, com muito ódio e com muito amor, estão contidos na trama, até o desenlace do enredo do livro.
Para produzir "Invenção de Onira", Sant'ana pesquisou tudo quanto se escreveu sobre a Cabanagem. Sem tempo para manter-me horas seguidas na Biblioteca e Arquivo Público, contou com quem lhe ajudasse, copiando livros, à mão, para que pudesse lê-los. Basicamente, porém, ele se orientou pelos "Motins Políticos", de Domingos Antônio Raiol, cuja parcialidade compensou com a ficção.
A trama desse romance partiu desta indagação: por que Francisco Pedro Vinagre, depois de tanta luta, montado no poder, resolveu entregá-lo de mão beijada ao inimigo? Quando se conta a Cabanagem, só se fala em Angelim, no grande Angelim. Com o poder que tem a ficção de complementar a história, Sant'Ana criou outro herói de sua cabanagem, embora não lhe dando a honra de personagem principal, que deu a Pilin, "nascido na mente, inspirado no esmoler que, todo dia, barbado e maltrapilho, fraco, doente, talvez demente, me abordava no sagrado cafezinho do Café Santos. Pilin é homem fraco por fora. Por dentro é líder, comandante, filósofo, poeta, sonhador", narra o autor de "Invenção de Onira",.
Radicado em Belém, Sant´Ana, lançou 5 cd´s com sua obra musical (letra e melodia), intitulados Clipes, Dimensões, Linhas traçadas, Raízes e Além das Espumas, destacando-se neste a comovente composição Os Quintais de Santarém. Além de seus próprios cd´s Sant´Ana Pereira produziu cd´s memoráveis, destacando´se o CD MEMORIAL, que representa verdadeira antologia de composições de autores paraenses, entre os quais naturalmente que se encontra o ícone santareno Isoca Fonseca.

Roteiros amazônicos

Adenauer Góes
adenauergoes@gmail.com

Recentemente, fiz levantamento das novidades de roteiros oferecidos pelas principais operadoras de turismo no Brasil, tanto para o mercado consumidor nacional, como para o internacional. Cheguei a conclusão que evoluímos, embora pouco na oferta de produtos que oferecem o interior de certos estados brasileiros, por exemplo,achei roteiro que integra o Acre, chegando até Machu Picchu no Peru, ou ainda vários destinos no nordeste brasileiro,apresentando o sertão, como alguns que mostram os lugares por onde passou Lampião, o rei do cangaço,onde ele lutou, morou ou apenas passou, com museus demonstrativos de roupas ,armas,objetos pessoais e atrativos realmente interessantes que vendem um momento de nossa história.

Fiz este levantamento, para saber se podemos considerar rompida nossa secular relação com o litoral e suas praias. Nada contra as mesmas, mas será que esta é a única atração que temos para apresentar e vender para os turistas?

Tradicionalmente tem sido sempre assim, quando os portugueses aqui chegaram, se estabeleceram no litoral e adentravam aos sertões apenas para retirar o que era possível extrair, procuraram basear todo o ciclo econômico no litoral, de certa forma o turismo seguiu este ritmo, ou seja, ficou apenas nas praias de nossa costa, são praias lindas, porém concorrem com outras de beleza semelhante como as do Caribe e que acabam por levar vantagem em função de maior proximidade com o mercado consumidor. Esta é uma situação difícil para nossa competitividade internacional,pois as alternativas oferecidas, de ambientes,de pousadas para todos os gostos, de charme, exclusivíssimas, populares,resorts,enfim das mais diversas formas e maneiras, acabam por nos deixar sempre em desvantagem na matriz geral da relação preço-qualidade-distancia.

Conclusão: embora novos roteiros tenham chegado ao mercado,oferecendo o interior do Brasil,ainda são muito poucos quando comparados á oferta de praias.

Quando avaliamos as pesquisas mundiais, o que está no inconsciente do consumidor são as questões ligadas á ecologia, a natureza e dentro deste tema a Amazônia surge neste inconsciente de uma forma muito forte, neste sentido temos como competidores países como o Peru, Colômbia, Venezuela, Equador e outras que tem os mesmos problemas no que diz respeito à distância dos compradores, porém o Brasil leva a vantagem de ter bem mais envergadura econômica, estrutural e de visibilidade no planeta do que nossos competidores, além logicamente de determos 60% de toda a Panamazônia.

Até quando vamos deixar de levar isto em conta, falta uma política efetiva e concreta de desenvolvimento para a Amazônia, puxada pelo governo federal em sintonia com os estados.Falta-nos até competência para reivindicar.O momento eleitoral, é a melhor oportunidade para fazê-lo.Precisamos, no entanto ter organização e compromisso.

O tempo não para, já dizia o poeta Cazuza,será que não temos condições de fazer a hora e desta forma fazer acontecer?

Pontuando - José Olivar

Estive nos dias 12 e 13/06, em Alenquer, onde adquiri o livro do meu amigo Ismaelino Valente e participei da festa de Santo Antonio, hospedando-me no hotel da Sra. Detinha, aliás, pessoa que recebe seus hóspedes muito bem. ///Terça-feira, dia 22/06, no Museu João Fonna, será o lançamento do livro “Memória de Santarém”, de autoria do jornalista Lúcio Flávio e edição de Miguel Oliveira. ///Comparando Santarém com outras cidades da Região, vê-se o quanto é bonita a nossa Orla com o encontro dos rios. Pena que os prédios históricos não recebam a conservação devida, tampouco o Município prima por uma melhor apresentação de tais edificações, principalmente aquelas que ficam às proximidades do Mascote. ///A chamada Lei Maria da Penha (nº 11.340/06), está sendo objeto de Ação Direta de Inconstitucionalidade pela Procuradoria Geral da República, por entender que o crime de lesão corporal contra a mulher deve ser processado mediante ação penal pública incondicionada, consequentemente, afastando a lei dos Juizados Especiais a estes mesmos crimes. ///O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) poderá regular os preços cobrados pelos cartórios de serviços notariais e de registro em todo o país, afastando a competência dos Tribunais de Justiça. Projeto de Lei nesse sentido tramita no Congresso Nacional. ///O Judiciário do Pará terá horário especial durante os jogos do Brasil na Copa do Mundo. É o que estabelece a Portaria baixada pela Presidência do Tribunal. ///O Conselho Nacional de Justiça, órgão que depois de criado se tornou a esfera de apoio a todos os que se sentem prejudicados pela morosidade da Justiça ou por atos aéticos de Juízes, além de outras missões, completou cinco anos de existência. Parabéns, pois o CNJ só trouxe apoio aos jurisdicionados. Os aposentados beneficiados com o aumento – diga-se de passagem, irrisório – de 7,7%, esperam receber as ínfimas diferenças nos seus contracheques o mais breve possível. ///Prefeita Maria do Carmo, mais uma vez lhe peço: mande lavar toda a Orla nova para tirar a sujeira que encobre o piso do passeio, principalmente agora que a proteção de ferro foi toda pintada. ///O Vereador Nélio Aguiar apresentou projeto de lei que institui, no Município, o sistema de transporte de encomenda e prestação de serviços através de motocicletas e similares. Quando se usa o mandato em favor do povo, os frutos são os melhores possíveis. Parabéns Vereador, você vai longe! ///O recapeamento asfáltico das avenidas Borges Leal, Turiano Meira e outras, até agora se resume às promessas da Prefeita, na mídia. Porém, o quarteirão onde fica o prédio que a Prefeita reside, na Barão do Rio Branco, foi recapeado. Por que lá em primeiro lugar? ///A Juíza da 8ª Vara de Santarém mandou bloquear verbas do Governo do Estado para garantir as reformas de várias Escolas Estaduais em Santarém. Parabéns para o Ministério Público, autor da ação. A que ponto chegamos: é preciso que o Judiciário aja para que o Governo do Pará realize. E ainda alimenta pretensões políticas. Pode? ///Uma briga que vem sendo travada com acusações recíprocas, só vai desenterrar fatos que podem prejudicar, e muito, um dos contendores. É aquela velha estória: boca fechada não entra mosca. Quem procura acha!/// Um abraço para o meu amigo Dr. Rodolfo Geller, leitor assíduo da coluna e colega de profissão nesta cidade, desde os idos de 1977.

Emir Bemerguy lança livro

O escritor Emir Bemerguy lança hoje à noite, no Museu João Fonna, seu livro de crônicas "Santarenices", obra editada pelo ICBS, que reúne artigos do autor publicados em jornais de Santarém e Belém.

Eia/Rima barulhento(2)

Os MP's estão alvoraçados por causa da primeira audiência pública do Eia/Rima da Cargill, que será realizada dia 14 de julho, em Santarém.

E, ao contráto de sua função de fiscal da lei, estão tomando partido de segmentos minoritáruos que são contrários ao empreendimento desde que o mundo era mundo.

Enquanto isso, o Greenpeace ainda não botou as manguinhas para fora.

Lancamento de livro

O jornal O Estado do Tapajós agradece a todas as pessoas que prestigiaram o lançamento do livro Memória de Santarém, ocorrido dia 22, no Museu João Fonna.

Na edição de amanhã do jornal, veja a cobertura completa do evento.

O Blog do Estado também publicará as fotografias do lançamento ainda hoje.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Valéria será vice de quem?

A ex-governadora Valéria Pires Franco sempre aspirou ser candidata ao Senado Federal.

Negociações mal conduzidas por seu marido e presidente do Democratas, Vic Pires Franco, levaram-na ao isolamento político, tendo as coligações das chapas majoritárias de Ana Júlia, Domingos Juvenil e Simão Jatene lhes fechado as portas para uma composição ao Senado.

Mas Valéria pode dar a volta por cima, por amor ou ódio políticos, informam as fontes bem posicionadas da política paraense.

Se não for candidata a vice de José Serra(PSDB), no plano nacional, poderá ser a vice de Domingos Juvenil, no plano estadual.

Para um bom entendedor, meia vice-candidata já basta!

Santarém ganha livro de memórias

Será hoje, as 20 horas, no Museu João Fonna, o lançamento do livro Memória de Sanarém editado pelo jornal O Estado do Tapajós. A obra é um trabalho coletivo que reuniu cerca de uma dezena de profissionais. Pra que a Memória de Santarém se tornasse um suplemento encartado quinzenalmente, há 5 anos, no jornal O Estado do Tapajós, foi decisivo o apoio e o entusiasmo do seu editor-chefe, Miguel Nogueira de Oliveira. Para que o suplemento jornalístico passasse às páginas de livro, a esse empreendimento se juntaram Lúcio Flávio Pinto, Cristovam Sena, Rute Sena, Paulo Sérgio Bastos e Rejane Jimenez, diretora de O Estado do Tapajós e gráficos liderados por Elivaldo Feitosa, da Gráfica Tiagão.

O Memória de Santarém [Editora O Estado do Tapajós, 420 páginas] representa para o seu redator e pesquisador, o jornalista Lúcio Flávio Pinto, “o esforço de salvar a história recente de Santarém da dilapidação, da diluição e do esquecimento. À falta de iniciativas sistemáticas e aglutinadoras, aqui há um conjunto de dados e análises que servem de trilhas para que o leitor se identifique e se situe no passado e o utilize como ferramenta para se posicionar hoje e amanhã”, escreveu Lúcio na apresentação do livro.


O livro é conjunto de informações, extraídas de jornais e outras fontes cotidianas, mostra que Santarém tem história e tem inteligência. De acordo com Lúcio, “Santarém não é um acampamento montado às pressas para abrigar pessoas em trânsito, em busca de sucesso ocasional e individual. Os personagens que surgem destas histórias e estórias participaram ou continuam a participar da construção de uma comunidade, de uma cidade, de um município e de um Estado, transmitindo entre si suas experiências e anseios”.


O diretor-editorial do Memória de Santarém, jornalista Miguel Oliveira, classifica a obra como “um livro de consulta sobre fatos e personagens marcantes da história de Santarém”. Ele explica que a publicação não é um álbum fotográfico: “O conteúdo livro é quase que documental. Tivemos a preocupação de incluir no livro, por exemplo, a transcrição de documentos oficiais ou eclesiásticos que estavam condenados ao limbo. Esse mérito o livro tem, que é de resgatar acontecimentos a partir do testemunho de personalidades e pessoas do povo".

Santarém, 349 anos

Imagem de Santarém, em aquarela de Hercules Florense, desenhista da Expedição Langisdorff.
A pintura retrata a Pérola do Tapajós, em 1828, vista do alto do morro da Fortaleza, atual praça do Mirante.


A 30 de agosto de 1825, o barão Georg Heinrich von Langsdorff e sua equipe, da qual faziam parte o botânico alemão Ludwig Riedel, o astrônomo e cartógrafo russo Nester Rubtsov, os pintores franceses Amadei Taunay e Hercules Florence e o médico e zoólogo alemão Christian Hasse, deram início à Expedição Langsdorff que, a partir de São Paulo, percorreria regiões hoje compreendidas pelos estados do Mato Grosso do Sul , Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Pará. Mantendo como eixos os rios Tietê, Paraná, Pardo, Taquari, Paraguai, São Lourenço e Cuiabá, alcançaram Corumbá e a seguir Cuiabá. A partir deste ponto, subdividindo-se pelos sistemas Guaporé-Mamoré-Madeira e Arinos-Juruena-Tapajós, alcançaram o rio Amazonas e mais tarde o porto de Belém, ali chegando em setembro de 1828.O planejamento original previa o retorno por terra à capital do Império. No entanto, desde o Mato Grosso a maior parte dos viajantes foi acometida por moléstias muitas vezes desconhecidas. O próprio Langsdorff, vítima de febre, fatigado e com fome, já no Tapajós demostrava sinais de amnésia. Quando a expedição alcançou Santarém, no Pará, seu estado de saúde era desesperador. Restava à expedição retornar por via marítima ao Rio de Janeiro. Langsdorff jamais recobrou sua saúde. Impossibilitado de retomar suas atividades, aposentou-se e foi viver em Freiburg, no sul da Alemanha, onde morreu em 1852.
* Hercules Florence, artista francês considerado como o integrante possuidor de maior rigor científico na Expedição, realizou 139 imagens, sendo os seus trabalhos botânicos qualificados como exemplares. francês presente na expedição original.
É de Florence aquarela dos índios apiacás, na divisa do Pará com o Mato Grosso, onde nasce o rio Tapajós.


segunda-feira, 21 de junho de 2010

MANCHETES DE O ESTADO DO TAPAJÓS



Jader e Paulo Rocha podem estar inelegíveis

Ana Júlia inaugura radioterapia do Hospital Regional

Serra do Saubal corre perigo de devastação

Santarém 349 anos: Os hábeis ofícios de famosos e anônimos

Prefeita inaugura feira do pescado e anuncia construção de trapiche

Rapper afirma que brasileiro só é patriota na Copa do Mundo

Edição Especial de O Estado do Tapajós

A edição desta semana de O Estado do Tapajós comemorativa aos 349 anos de fundação de Santarem chega aos mãos dos leitores a partir de 10 horas desta segunda-feira.

domingo, 20 de junho de 2010

José Ramos Tinhorão, jornalista e historiador

Lúcio Flávio Pinto
Editor do Jornal Pessoal

José Ramos Tinhorão tem duas merecidas famas. Sempre foi considerado um dos mais límpidos textos do jornalismo brasileiro. Seu trabalho como copy que reescreve matérias dos outros, tem exemplos antológicos, de manual. É também um dos jornalistas que mais escreveu livros do Brasil: aos 82 anos, soma 28, editados no Brasil e em Portugal. Vários deles resultaram de longas e profundas pesquisas, que só agora os jornalistas-escritores fazem com mais freqüência. Tornaram-se indispensáveis fontes de referência sobre a história da música brasileira. Mas também contêm algumas das mais desastradas avaliações sobre compositores, instrumentistas e cantores, aqueles não se enquadram nas exigências e gostos de Tinhorão. Para ele, a bossa nova, a música brasileira de maior sucesso internacional, é lixo.

Personagem tão polêmico acaba de ganhar uma biografia, escrita pela também jornalista paulista Elizabeth Lorenzotti: é Tinhorão, o legendário(Imprensa Oficial do Estado de S. Paulo, 277 páginas), na coleção Imprensa em Pauta. A carreira jornalística de Tinhorão, como autor de legendas, títulos, “olhos”, reportagens, colunas e textos finais (a partir de originais de terceiros), merece o aposto do título: é legendária mesmo. Na trajetória de quase 60 anos como jornalista, esteve nas principais redações da imprensa brasileira – e justamente nos seus melhores momentos.

Começou no jornalismo ainda estudante, em 1951, na Revista da Semana. Dois anos depois, um pouco antes de se formar em jornalismo (e também direito) pela famosa Faculdade Nacional de Filosofia do Rio de Janeiro, foi contratado pelo Diário Carioca, criado em 1928 e que, até o final da década de 50, “reuniu uma das mais brilhantes equipes de jornalistas do Rio de Janeiro”. Depois foi para outro marco da imprensa brasileira, que sucederia o DC em prestígio, o Jornal do Brasil, da condessa Pereira Carneiro (e de Nascimento Brito), e o Correio da Manhã em 1963. Passou em seguida por emissoras de rádio, televisão, jornais e revistas. Mas hoje, diz Elizabeth, foi banido das grandes redações.

Começou a escrever livros em 1966 e nunca mais parou, dedicando-se a eles cada vez mais tempo e atenção. Tinha entre 10 e 12 anos quando começou a se interessar por música popular, segundo a biógrafa, mas só começou a escrever sobre o tema quando, já com 32 anos, foi instigado por Reynaldo Jardim, criador e editor do famoso Caderno B do Jornal do Brasil. Uma série de matérias sobre o jazz iria chegar ao fim e o poeta-editor pediu que Tinhorão emendasse uma série sobre o samba.

“O escritor fez de Tinhorão um eremita da cultura brasileira”, atesta Beth. Ele se queixa: “Quando fiz a História Social da MPB, a primeira edição foi portuguesa, apesar de ser música brasileira. Outro que nunca saiu no Brasil, As origens da canção urbana; e mais Fado Dança no Brasil, cantar de Lisboa e outros. E assim foi”. Seus livros levam de seis a oito anos para se esgotar. Musica popular, um tema em debate é o livro de maior popularidade: já teve cinco edições, o que é pouco para publicação com mais de três décadas nas estantes. No entanto, o próprio Tinhorão chegou a computar 2.945 citações de seus livros, artigos em periódicos, documentos impressos e manuscritos. É muito citado por acadêmicos de outros países, principalmente ingleses e americanos.

“Uma de suas broncas é não ter o reconhecimento dos intelectuais acadêmicos”, diz a biógrafa. Apesar de ser jornalista e advogado, ter pós-graduação em História Social pela Universidade de São Paulo, em 1999. Rejeita associar essa bronca a mágoa, inveja ou frustração. Acha que é a manifestação de “certa miséria intelectual” no Brasil.

Embora o leiam e o usem, em virtude do rico material que apresenta em seus livros, os acadêmicos, citam-no pouco. Temem a concorrência ou admitir a própria insuficiência, apesar de todos os títulos que carregam. “Eu desencavei uma bibliografia que os outros, na burocracia acadêmica, não foram procurar”, garante Tinhorão.

Quando os acadêmicos o citam, não é como pesquisador ou historiador, mas como jornalista. Só em 2008 ele foi tema da primeira dissertação de mestrado no meio acadêmico, defendida por Luíza Maranhão na Universidade Federal Fluminense. Tinhorão prefere definir-se como “um historiador de cultura urbana com interesse primordialmente dirigido ao fenômeno da criação de música da cidade, modernamente chamada música popular”. Talvez esteja, sem querer, sacramentando o preconceito contra o jornalista, que só é reconhecido pela academia quando agrega um título “mais legítimo” à sua profissão, que os intelectuais consideram de categoria inferior, sem confiabilidade.

A capacidade que Tinhorão tem para a pesquisa obrigou os acadêmicos a ter que engoli-lo, mas é grande o questionamento quando ele sai da reconstituição dos fatos, da busca pelas origens das manifestações atuais, e dá opinião sobre música. Chega a desclassificar Tom Jobim como plagiador e ironiza João Gilberto. Tudo que não lhe recende a pureza, às raízes populares, é suspeito, quando não sem valor. Diz adotar o materialismo dialético como método de análise. Mas é muito materialista e pouco dialético. Rígido e esquemático. Não destituído de preconceitos. Nas entrevistas à autora, por exemplo, não cita o nome da primeira mulher, com quem esteve casado por 16 anos e de quem se separou em 1979. Talvez por ser “muito burguesa”. Como a bossa nova, provavelmente. José Ramos Tinhorão é um excelente taxonomista, mas jamais sua botânica chegaria à visão de um Darwin.

Devemos ser gratos e reconhecidos ao seu hercúleo trabalho de coleta de material, uma arqueologia que resultou num valioso acervo, formado por mais de 12 mil discos, que foram lançados desde o início do século passado, 35 mil partituras, milhares de livros e documentos raros, que transferiu (através de um “acordo razoável”) para o Instituto Moreira Salles. É o melhor de Tinhorão, agora ao alcance de todos.

Copa do Mundo: verdades que a Fifa não conta



Do Blog do Gerson Nogueira:

Na coluna Mundo, da Rádio Bandeirantes, o analista Demétrio Magnoli expôe uma análise interessante sobre estudo realizado para avaliar os impactos dos grandes eventos esportivos nos países que sediam a Copa do Mundo. Neste estudo, foram estudadas as Olimpíadas de Atenas e de Sidney, a Copa do Mundo do Japão e da Alemanha, além da Eurocopa, em Portugal. A idéia central do trabalho era analisar três fatores centrais, utilizado por aqueles que defendem a realização dos eventos nos moldes atuais: forte impulso ao crescimento do PIB do país sede, o aumento continuado do turismo e se os lucros justificam os investimentos, ou seja, existe a tal recompensa financeira para o país anfitrião.


Os dados apresentados constituem uma quebra da imagem lucrativa que a Fifa e o COI tentam passar desses eventos. Na primeira questão, a respeito do PIB nacional, comprova-se que não existe o tal impulso ao crescimento. A Copa do Japão não impediu o país de entrar em recessão e na Alemanha o impacto econômico foi tão inexpressivo que nem entrou na análise. Quanto ao turismo, o estudo desnuda mais uma farsa. É verdade que o turismo aumentou no ano do evento, mas não se prolonga nos anos seguintes. Mesmo na Austrália, que investiu bastante no crescimento do turismo, o retorno ficou muito abaixo do esperado.

Por fim, a compensação dos custos de tais eventos revela-se uma farsa. Fica comprovado que os custos finais são sempre muito superiores aos custos iniciais que norteiam as análises de viabilidade financeira. Nas Olimpíadas de Atenas, os custos estimados eram de US$ 1,5 bilhões e a

competição acabou custando US$ 15 bilhões. Já na Copa da África os custos iniciais foram orçados em US$ 300 milhões e a conta final deve ficar acima dos US$ 4 bilhões, fora os investimentos em infra-estrutura. Os balanços finais apresentam números da ordem dos US$ 8 bilhões. Em compensação, o PIB do país ficará abaixo dos US$ 3 bilhões de dólares, com um claro prejuízo ao país-sede.

Quanto alguém pergunta se a Copa dá prejuízo, costuma-se dizer que não. Mas, o país anfitrião com certeza não tem números superavitários para mostrar. A Fifa, ao contrário, lucra bastante. A entidade máxima do futebol obriga o país que recebe o evento a conceder inúmeros incentivos fiscais em seu benefício direto. Na África, assim como no Brasil, a Fifa recebeu garantias por escrito de que pagará impostos sobre a comercialização de produtos, direitos de transmissão e

quase todas as formas de receita ligadas à Copa.

O legado deixado pelos grandes eventos esportivos, segundo Magnoli, está totalmente relacionado à capacidade política do país. A verdadeira herança são as obras de infra-estrutura que tais eventos podem agilizar, mas que deveriam ser realizadas com ou sem o evento. Um ponto interessante do estudo apresentado foca uma das questões mais discutidas sobre a Copa no Brasil: os estádios. Com exceção da Alemanha, que possui um campeonato nacional lucrativo, em países como a Áfric

a e até mesmo Portugal os estádios tendem a virar verdadeiras ruínas pós-modernas. O Brasil não deve fugir à regra. Apesar de um certame nacional movimentado, as arenas serão construídas em 12 cidades e muitas tendem a se transformar em “elefantes brancos”. Todas as cidades sedes deveriam apresentar publicamente planos, não apenas de viabilidade financeira, mas de utilização do local pós-evento para evitar que o Estado tenha que intervir no processo de manutenção. Manter uma arena é impossível, levando em conta apenas futebol ou Copa do Mundo.

Em suma, diz o estudo analisado por Magnoli, do ponto de vista econômico os grandes eventos são compensadores para poucos e deixam como grande legado dívidas monstruosas, que serão pagas pela população durante mais de 30 anos. Como o estudo apontou, o único ganho real para o país-sede é o chamado efeito econômico da felicidade. A sensação de prosperidade, criando uma unidade nacional capaz de causar impactos sociais e econômicos, desde que bem aproveitada pela classe política, pode resultar em benefícios para todos. Mas, por ora, conclui Magnoli, só quem está sabendo usufruir disso, no Brasil, é a CBF, que está transformando tudo em uma decisão fomentada por paixão clubísticas e deixando de lado as verdadeiras necessidades do país e das cidades que irão sediar os jogos. (Com informações do blog de Fernando Fleury)

sábado, 19 de junho de 2010

Jader e Paulo Rocha estariam inelegíveis por causa do Ficha Limpa

Depois de ler a matéria de hoje do Estadão sobre interpretação dada pelo TSE sobre o alcance do dispositivo da lei do Ficha Limpa, que torna inelegíveis mesmos os candidatos condenados antes de sua sanção ou os que renunciaram a mandatos para evitar cassação, o Blog do Estado ouviu as explicações de um renomado advogado especializado em legislação eleitoral sobre a situação dos deputados Jader Barbalho(PMDB) e Paulo Rocha(PT), ambos candidatos ao Senado Federal nas próximas eleições.

Para quem não lembra, tanto Jader quanto Rocha renunciaram aos mandatos para evitar cassação de seus mandatos e preservar seus direitos politicos.

Jader renuciou em 2001, depois de intensa campanha movida contra ele pelo falecido senador Anônio Carlos Magalhães. Para fugir da cassação pelo Conselho de Ética, o ex-senador paraense renunciou antes que a denúncia fosse oferecida à Mesa do Senado. Pela lei do Ficha Limpa, não podem concorrer aqueles parlamentares que renunciaram ao mandato e o prazo de inelegibilidade de 8 anos tem que ser cumprido.

No caso de Jader, como o restante do mandato de senador se expirou em 2002, e somados aos 8 anos de inelegibilidade, em tese, Jader poderia concorrer novamente em 2010. A dúvida é saber se prazo vai ser contado a partir dos registros das candidaturas, em agosto, ou outro prazo estabelecido em resoluções do TSE. A candidatura de Jader depende dessa interpretação.

A situação de Paulo Rocha, porém, é mais delicada, pois o deputado federal petista renunciou para evitar a cassação e concorrer ao atual mandato, não tendo cumprido, nesse caso, o prazo de inelegibilidade que é de 8 anos, que se encerraria apenas em 2013.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Jader descarta candidatura de Priante ao governo

Rita Soares, do Blog da repórter:

O blog conversou agora há pouco com o deputado federal Jader Barbalho, presidente do PMDB do Pará.

Na pauta, a intenção do ex-deputado federal, José Priante, de ser o candidato ao governo e o encontro de ontem com os prefeitos (não prometi um post sobre o assunto? Promessa é dívida rsrs).

Vamos começar com a situação de Priante: Jader disse ao blog que não há mais possibilidade de, a esta altura, o PMDB voltar atrás em relação ao nome de Domingos Juvenil. “Seria um equívoco político que não tem tamanho”, afirmou citando Napoleão Bonaparte que costumava dizer que, na política como na guerra, dois fatores fundamentais são o espaço e o tempo. “O espaço se conquista. O tempo não”.

Jader explicou que Priante perdeu a vez porque ao ser convidado, meses atrás, declarou que iria dedicar-se primeiro à batalha jurídica pela prefeitura de Belém. A decisão levou o PMDB a buscar outro nome. “Agora não há mais possibilidade (de troca) temos candidato lançado. É irreversível”.

Jader pareceu realmente empolgado com a candidatura de Juvenil. Falou sobre a reunião no último final de semana com lideranças do sul do Pará e contou que, neste domingo, o encontro será com o pessoal que mora na região do lago de Tucuruí.
Jader afirmou estar otimista em relação à batalha jurídica de Priante pela prefeitura. “Achamos que ele tem chances de sair vencedor em Brasília”. E afirmou em todo caso, o ex-deputado deverá ser candidato a uma vaga na Câmara Federal.

José Saramago em "Janela da Alma"

Greves na rede pública quebram ritmo de aprendizagem

Aritana Aguiar
Free lancer


Com as constantes greves nas escolas públicas estaduais, ocorre a evasão dos alunos, principalmente daqueles que estão no 3º ano do ensino médio. Para não correrem risco de se prejudicarem no vestibular, muitos pais preferem transferir os filhos para colégios particulares, mas o problema é que nem todos têm recursos financeiros para isso. Mas os problemas não param por aí. Alunos de outras séries ficam desestimulados com as paralisações e os professores têm que repassar o conteúdo já ministrado.

A reação dos alunos é certa: muitos demoram a retornar às escolas e perdem a revisão do conteúdo. Na escola Belo de Carvalho, o retorno no primeiro dia de aula, não foi muito positivo. Turmas de 25 alunos só compareceram oito e outra somente cinco alunos. A diretora da 5ª URE (Unidade Regional de Educação), Graça Pedroso, afirma que os alunos não irão se prejudicar no conteúdo devido à greve deste ano. "Foi realizado um acordo com as escolas, que haveria paralisação somente quando completa-se o primeiro bimestre, para não quebrar o conteúdo, por isso nesta segunda (07) começou o segundo bimestre", declarou.

Em Santarém as escolas ficaram 14 dias de greve, o ano letivo de 2010, que iria se estender até 15 de fevereiro de 2011 irá terminar somente no final do mês, para não haver atraso de conteúdo. Segundo Graça Pedroso, a evasão dos alunos após a greve está em um índice de 5%. "Depois de uma semana eles voltam às aulas, mas o maior problema é o turno da noite. Com base nos dois últimos anos percebemos o grande número de evasão, a greve possui maior influência. Mas, percebemos que a partir do segundo semestre muitos param devido conseguirem empregos, ou transferir-se para outra cidade, e esse problema ocorre em todas as escolas", declarou.

A pedagoga do colégio Barão do Tapajós, Ilza Nogueira, afirma que os alunos do turno diurno só voltam por completo após uma semana do fim da greve, mas a demora no retorno dos alunos às salas de aula é maior no horário da noite. Um dos maiores problemas é a evasão dos alunos de 3º ano. Segundo Graça Pedroso, muitos pais pedem transferência para que os filhos não fiquem prejudicados devido o vestibular. "Estamos confirmando a informação de que, quase todas as escolas particulares receberam alunos do 3º ano do setor público, iremos fazer um levantamento para termos certeza do total", afirmou. E completa: como às aulas de 2011 começarão tarde, os alunos que estão em 2010 no segundo ano do ensino médio, poderão se atrasar no vestibular 2012, pois fica desfocado do calendário das instituições.

No colégio Álvaro Adolfo da Silveira ocorreram transferências de vários alunos do 3º ano do ensino médio. "Não temos levantamento de dados referente aos outros anos, esse ano saíram vários alunos. Em comparação com outras greves alguns alunos que pediram transferência chegam a voltar, mas é difícil", afirmou o vice-diretor do Álvaro Adolfo, Jorge Costa. E reforça que os alunos do horário diurno não demoram muito para comparecer, mas a noite os que faltam acabam não retornando.

Mesmo estendendo o período de aulas, alguns alunos reclamam que é preciso ser feita revisão dos assuntos, principalmente português e matemática, consideradas de maior peso. "Português e matemática são disciplinas que sentimos muitas dificuldades depois da greve. Como paramos na metade do assunto não conseguimos lembrar quase nada. Portanto é preciso fazer uma revisão", reclama a estudante da 2º Ano, Luanna Carolinne,17.

Moradores anunciam que só pagarão IPTU se prefeitura recuperar ruas

Vários moradores do bairro do Maracanã afirmam que não irão pagar o IPTU 2010 enquanto o governo Municipal não tomar providências em algumas ruas que estão intrafegáveis, pondo até em risco a vida de pessoas. Há trechos em que imensas valas se formaram próximas às residências.

O perímetro problemático está nas travessas Mogno e Mandioqueira, incluindo as ruas Pinheiro, Marupá, Nanim e Jacarandá, sendo esta a que está mais afetada porque toda a água e lixo que vem das enxurradas, concentra-se nessa artéria, ocasionando a abertura de grandes valas.

Os moradores já comunicaram a Associação de Moradores do Bairro do Maracanã que não irão pagar o IPTU até que providencias sejam tomadas pela prefeitura. Existem dificuldades na trafegabilidade de carros e até motos. A moradora Edileuza Coelho, que mora no bairro há nove anos, afirma que tanto ela quanto o marido jogam folhas, galhos de árvores na rua, para não abrir valas e buracos. "Todos os vizinhos fazem o possível para não piorar a situação, colocam pedras, deixam o mato crescer, isso ajuda evitar abertura de crateras", afirmou.

Outra moradora alega que ao chegar o talão do IPTU, nem olha. "Eu não vou pagar por algo que não tenho direito, estamos esquecidos, nos sentimos abandonados pelo governo", reclamou. E completa que a última vez que tentaram ajeitar a rua, faltava dois dias para eleição. "Eles jogaram um barro com areia, para tampar os buracos. Quando chove, sai tudo, se fosse piçarra, com certeza, não estaria nessa situação", alegou.

Além disso, ainda existe o problema da falta de iluminação pública. "Quase todas as ruas ficam em completa escuridão, ficamos com medo, tenho filhos que estudam á noite. Já aconteceram dois assaltos próximos a minha casa, a situação está cada vez pior", reclamou Edileuza Coelho.

Transporte de crianças: Cadeirinhas e assentos estão em falta em Santarém

No comércio santareno estão em falta cadeirinhas e assentos de elevação, exigência do Dentran para os motoristas que transportam crianças de até 7 anos de idade. Devido à falta do produto na maioria das lojas, a obrigatoriedade foi prorrogada para 1º de setembro. Em um levantamento realizado por O Estado do Tapajós comprovou-se que várias lojas de Santarém não possuem o produto em quantidade. Outro problema segundo os lojistas é a questão do preço, que varia de 210 a 700 reais.

"Fiz um pedido de 12 cadeiras, vieram somente cinco, rapidamente foram vendidas, as fábricas produziam pouco. Agora com a lei estão aumentando a quantidade para suprir o mercado", declarou o proprietário de duas lojas de artigos infantis, Wilson Valentim. Outra questão que ele afirma "é que muitos pais precisam comprar de três cadeiras de uma vez, por isso o valor sai alto e estão esperando baixar para compra, já que não esperavam ter esse gasto".

Em outra loja de artigos infantis, a gerente Maria do Rosário afirma ter uma lista de pais que estão esperando o bebê conforto chegar. "O que mais tem faltado, é o assento de elevação, muitos procuram somente este produto. Alguns pais querem comprar somente uma cadeira, que possa ser usado até os sete anos e meio, mas até essa fase é necessário no mínimo três tamanhos", explicou. Ela explica que existem quatro grupos: zero (até 13 quilos), um (9 até 18 kg),dois(15 até 25 kg) e três( 22 até 36 kg). Os dois primeiros grupos o cinto que prende a criança é da cadeira, os dois maiores o cinto utilizado é do carro.

Numa loja de produtos variados a procura de carrinhos e assentos é grande. A vendedora Ana Socorro afirma que se tivesse uma grande quantidade no estoque venderiam de 16 unidades por dia. "A procura é muito alta, mas não temos a quantidade suficiente, o gerente da loja tem questionado com as fábricas". Além disso, ainda reclamam do preço, e a procura pelo produto começou desde que foi informada a obrigatoriedade.

Os taxistas também estão querendo comprar os utensílios segundo a vendedora, mas os carros particulares (van), que transportam crianças para a escola, procuram as cadeiras. "O dono de uma van particular necessitava de oito, ele esta buscando preço, mas com a falta fica difícil negociar", relembrou, Wilson Valentim.

Durante a pesquisa, em uma das lojas da cidade uma mãe afirmou que está procurando, mas o problema se encontra no preço. "Meu filho já tem seis anos, é um gasto extra, apesar de ser para a segurança dele. Não esperávamos essa compra em nosso orçamento", explicou.

Mas Stefania Cabral, mãe de um bebê de um ano e dez meses, diz que desde o nascimento do filho sempre utilizou a cadeirinha. "Acho muito seguro, e vejo que é muito importante a prevenção, me sentiria muito culpada se acontecesse alguma coisa com ele, se estivesse na cadeirinha", explicou.

Em loja de acessórios para carros já estão providenciando as cadeiras, e outras no comércio, não têm certeza se venderá o esperado.

A partir do dia 1º de setembro veículo que transportar uma criança até sete anos e meio, sem o equipamento será multado no valor de R$ 191,54 e perderá sete pontos na carteira de motorista.

Pontuando - José Olivar

Fazem-se muitas críticas merecidas à Prefeita Maria do Carmo, inclusive esta coluna, porém não se pode deixar de reconhecer que ela implementa alguns projetos que são de inteiro gosto da população. É o caso, dentre outros, das áreas de lazer no parque da cidade, que além da beleza, tem suas serventias para o povo. ///O Dr. Ismaelino Valente, Procurador de Justiça aposentado, lançou seu livro, na sua terra natal (Alenquer), intitulado: “O Curumu de Alenquer na obra de Francisco Gomes Amorim”. ///Só foi ocorrer mais uma morte por acidente de trânsito na BR 163, que a Prefeitura mandou tapar os buracos naquela rodovia que ali estavam há anos e que ficam na área urbana. Por falar em acidentes e buracos demais, não se pode deixar de falar na buraqueira da BR 163, que dizem as autoridades do BEC, começaram a ser tapados esta semana./// Espero que a Secretária Municipal de Transporte cumpra o prometido, ou seja, renove a sinalização horizontal das ruas da cidade, tão necessária para a segurança do trânsito. Aliás, seria bom que os agentes da SMT ensinassem aos motoristas, que não se fecham cruzamentos quando veículos fazem manobra para a esquerda ou para a direita. Em outras palavras: só vai um veículo de cada vez para a manobra e não dois ou três como acontece, fechando o cruzamento e impedindo a passagem do outro veículo que vai ao sentido contrário. ///A Prefeita, pelo que me disseram, vai ser alvo de uma maciça manifestação de protestos por conta daquele pessoal que pretende assenhorear-se da área que fica às margens da Avenida Moaçara. ///No dia 09/06/10, houve mais uma nova sessão extraordinária no Senado para debater o projeto do novo Código de Processo Penal. ///Brevemente aquelas sete restrições para o eleitor que deixar de votar e não se justificar no prazo legal, vão ser retiradas do Código Eleitoral, restando somente o pagamento de multa sem aplicação das demais punições até então vigentes. Isto se for aprovado Projeto de Lei em tramitação terminativa no Senado Federal. ///Você sabia que a carga tributária repassada ao consumidor de energia elétrica fica na casa de 45% do total da conta? Pois é, o Brasil cobra isso tudo e está em primeiro lugar, no mundo, em termos de imposto de energia elétrica. Ainda assim não temos um serviço que preste!/// O anteprojeto do Código de Processo Civil, que foi entregue ao Presidente do Senado no dia 08 deste, como noticiou esta coluna, traz grandes inovações, que segundo o Min. Luiz Fux, Presidente da Comissão de elaboração, vai tornar a Justiça mais ágil dentro de um ano após a sua vigência. ///O Projeto Ficha Limpa, segundo opiniões abalizadas, vai valer para as eleições deste ano. Para Ophir Cavalcante, Presidente Nacional da OAB, este projeto pode seguir o mesmo caminho da Lei de Inelegibilidade (LC nº 64/90), que entrou em vigor no mesmo ano. O TSE garante que decidirá sobre a aplicação do Projeto Ficha Limpa antes de 05/07/10. ///A prisão especial (para portadores de diplomas de nível superior, qualquer autoridade e detentores de cargos eletivos), tem seu fim aguardado para breve, visto que o Projeto aprovado nas Comissões devidas, vai para a apreciação pelo plenário. ///A Lei nº 12.236, publicada no Diário Oficial de 20/05/2010, alterou o art. 723 do Código Civil para melhorar a sua redação um tanto quanto longa e prolixa. ///Os assaltos corriqueiros das grandes capitais estão chegando em Santarém. Quase todo dia se tem notícia de fatos desta natureza ocorrida na cidade, alguns deles a mão armada. Por falar neste assunto, chamo a atenção das polícias Militar e Civil para empreenderem blitz e rondas na cidade visando desarmar motoristas e, principalmente, motoqueiros, pois muitos destes (a maioria clandestinos) só circulam armados desafiando todo mundo. Tanto é verdade, que o assassinato ocorrido na madrugada de quinta-feira foi perpetrado por um motoqueiro armado. Se houvesse blitz e rondas, estes meliantes – verdadeiros bandidos – teriam sido flagrados por porte ilegal de arma. Enquanto isso, se um cidadão comum andar armado sofre as piores consequências. Já os bandidos usam e abusam de armas de fogo. Espero que o sempre diligente delegado Germano Valle volte às ruas com o seu rigor de sempre. ///Um abraço para o amigo vereador Nélio Aguiar, leitor assíduo da coluna.

Cipoal 2 ganha centro comunitário

No último domingo(06) foi inaugurado o centro comunitario da vila de Cipoal 2, localizado no km 8 da BR 163, abrigando uma biblioteca, sala de informatica, almoxarifado, secretaria e um espaço para realização de reuniões e eventos para atender as necessidades dos moradores do planalto.
Este centro comunitário foi construido através de uma emenda parlamentar do deputador pmdbista Antônio Rocha, atendido pela governadora do estado Ana Júlia Carepa, via convênio ASIPAG.

À inauguração estiveram presentes mais de 100 lideranças comunitarias do planalto santareno, além do presidente da Associação do Cipoal 2 João Dalmárcio, presidente da ALEPA, deputado estadual Domingos Juvenil, deputado federal Lira Maia, ex-prefeito Ronan Liberal, vereador Erasmo Maia.

OAB Santarém x Alvará de Licença

José Olivar Azevedo

A Subseção da OAB de Santarém, por meio do seu Presidente, Dr. Ricardo Geller, vai tentar resolver administrativamente o impasse da cobrança pela Prefeitura de Santarém do Alvará de Funcionamento dos escritórios de advocacia, visto que em Belém, a Seccional da OAB entrou na Justiça contra a cobrança, cuja ação foi favorável à entidade, reconhecendo o Judiciário que escritório de advogado sofre poder de polícia pela própria OAB e não pelo Município onde o escritório se localiza. Espera-se que o Presidente tenha êxito na busca da solução amigável, para evitar-se uma demanda judicial.

As eleições e seus efeitos

Adenauer Góes
adenauergoes@gmail.com

Com a proximidade das eleições e a obrigatoriedade dos candidatos que exercem cargos públicos de se desincompatibilizarem para poderem concorrer ao pleito, ou ainda por efeito de mudanças de acordos políticos no caso de partidos que faziam parte da base de apoio e resolveram oficializar o rompimento, necessitando entregar os cargos que detinham por força da composição político partidária, acabam por acontecer mudanças, que podem ser de todos os níveis. Em nosso estado,tivemos mudanças na Paratur e em diversas secretarias municipais.È fácil prever os efeitos colaterais e os impactos que procedimentos desta natureza produzem quando faltam apenas seis meses para o fim de governo,mesmo que aqueles que deixaram a função,não estivessem fazendo uma boa gestão, não será seu substituto,mudado e guindado á função por ingerência meramente política que pegando o bonde andando,vai conseguir fazer alguma coisa que tenha planejamento e ações capazes de impactar positivamente na atividade que representa na relação do publico com o privado.
A própria legislação eleitoral impede gastos governamentais a partir do mês de junho, obrigando as autoridades a verdadeiros exercícios para que as políticas de promoção e gastos em infra-estruturar não fiquem comprometidos. No período pré eleitoral, a meta é conseguir fidelizar votos,não interessa que nos três anos e meio passados não se tenha conseguido materializar na pratica uma política desenvolvimentista efetiva e concreta, o que interessa é manter-se no poder.O executivo passa a viver uma irrealidade, e o legislativo, só se movimenta quando cutucado pelos interesses eleitorais.
No plano nacional, por exemplo, questões importantes como a regulamentação da Lei geral do Turismo e da própria atividade das agências de turismo no país aguardam em compasso de espera em alguma gaveta fechada. O mesmo pode-se dizer da licitação da 6ª edição do Salão Nacional do Turismo no próximo ano, a qual só será tratada pelo Ministério do Turismo após as eleições,além do tempo curto para se planejar um evento desta envergadura,imaginem o que acontecerá caso o Governo Federal perca a disputa eleitoral.
Os investimentos infaestruturais nos aeroportos que não aconteceram até agora, ficam a mercê de planejamentos lançados em forma de PACs para um universo até 2014, nada contra o planejamento, muito pelo contrario, mas é brincar demais com a capacidade de avaliação do povo brasileiro.
O empresariado paraense, do turismo tem se queixado com razão de falta de planejamento, de investimento infra-estruturar, de manutenção, de promoção e de iniciativas, até a sede da Copa do Mundo para 2016 nos perdemos. Tomara que 2011 possa ser diferente para melhor, só nos resta torcer e votar.

A Seleção a serviço da cerveja

Por Aloísio de Toledo César (*)

É desanimador, profundamente desanimador, assistir na televisão, várias vezes ao dia, às propagandas que mostram craques da Seleção Brasileira de futebol induzindo a população a ingerir bebida alcoólica. Realmente, o técnico Dunga e jogadores que integram ou já integraram a seleção ali estão, presumivelmente por dinheiro, a estimular aqueles que os admiram a esse vício, que representa drama dos mais sérios para milhões de pessoas neste país: o alcoolismo. Subliminarmente, tal propaganda enganosa procura associar o êxito e a vitalidade física ao hábito de tomar uma determinada marca de cerveja. Esse comportamento reprovável já contagiou, irremediavelmente, o jogador Ronaldo e depois, isoladamente, o técnico Dunga. Ambos se prestam docilmente a apontar à juventude que é bom e saudável beber cerveja. Mas, agora, o que aparece nos filmes é muito pior – é a imagem da própria Seleção Brasileira de futebol, com vários de seus integrantes, a pedir aos brasileiros que bebam a referida cerveja. A seleção é assunto nacional e por isso mesmo revolta.
Não se pode imaginar que isso seja feito de graça, e sim por dinheiro, aquilo que o conselheiro Acácio chamava com ironia de vil metal. Enfim, excelentes exemplos de atletas de nosso país, que deveriam servir de modelo para a juventude, corrompem-se dessa forma, projetando uma imagem da qual talvez um dia se arrependam. Os profissionais da área publicitária sempre dizem que a filosofia por trás da propaganda está baseada na velha observação de que todo homem é, na realidade, dois homens: o homem que ele é e o homem que gostaria de ser. Isso parece estar evidente no caso referido, porque é incalculável o número de jovens brasileiros que gostariam de ser iguais a Dunga e aos jogadores da Seleção.

Mas para isso será que é necessário beber cerveja? Sobretudo para os adolescentes, essa propaganda infeliz se mostra danosa, porque associa
vitalidade e sucesso ao gesto nada recomendável de beber cerveja, em vez de simplesmente praticar esporte e tornar-se saudável. No momento em que esse engodo se processa pelas televisões brasileiras, é curioso observar que o mais expressivo jogador de futebol de todos os tempos – o incomparável Pelé – nunca apareceu em anúncios associando sua imagem a bebida. Essa conduta, sem nenhuma dúvida, serviu para que Pelé sempre seja visto com respeito.

Também nunca se viu o cantor Roberto Carlos, tão em voga nestes dias, prestar-se a esse comportamento abominável. Décadas atrás, quando uma
frase de sua autoria era repetida por todo o Brasil – “É uma brasa, mora?” -, conta-se que lhe ofereceram uma fortuna para que dissesse: “É uma (marca de cerveja), mora?” Mas ele se recusou e, assim, o seu exemplo se manteve íntegro. Os criadores de propaganda não se incomodam com os efeitos danosos de algum veneno embutido nos produtos que conseguem enfiar goela abaixo dos consumidores. Para eles, o essencial é vender, o que se compreende, porque são pagos para isso.Mas é evidente que, ao ver o filho adolescente bebendo cerveja, porque, afinal, o Ronaldo toma, o Dunga toma, talvez eles se perguntem, ao olhar no espelho, se estarão fazendo a coisa certa.

Do ângulo dos produtores de cerveja, emerge um gesto de hipocrisia ainda pior, porque, ao final de cada propaganda veiculada, acrescentam o pedido de que se beba como moderação, como se isso os absolvesse de qualquer censura. Os romanos, ao longo do domínio secular que exerceram sobre a Europa, a África e a Ásia, sempre repetiram uma frase de extraordinário significado: “Corruptio optimi pessima”, que significa a corrupção do melhor é a pior. Pessoas que se destacam e se tornam públicas, como é o caso de atletas, jogadores e artistas, estão permanentemente sob a luz dos holofotes e deveriam ter um mínimo de respeito ético em relação ao país que lhes permitiu a consagração. Enfim, deveriam devotar amor ao Brasil e aos brasileiros, e não ao dinheiro.

Mas, infelizmente, vê-se que o amor ao dinheiro cresce tanto quanto o próprio dinheiro. Isso é especialmente grave quando os beneficiários dessa conduta usam o próprio país, ou seja, se prevalecem de estar na Seleção Brasileira de futebol, sonho tão grandioso, para fazer propaganda de cerveja. Como se a seleção brasileira fosse deles. É difícil acreditar que exista algum patriotismo nesse comportamento, além da avidez por uma gorda conta bancária. Não se pode dizer que haja crime nessa conduta, mas, sem dúvida alguma, trata-se de comportamento reprovável que alcança, por omissão e cumplicidade, as autoridades responsáveis pela Seleção Brasileira.

Não se haverá de exigir que jogadores de futebol não se deixem levar, uma vez ou outra, pelo prazer de tomar um gole de cerveja. Será natural que isso ocorra. Mas não é natural, nem desejável, que assumam uma conduta pública que atua em desfavor deles próprios. É possível que a questão divida as opiniões e sem nenhuma dúvida haverá os que considerem natural um craque da Seleção induzir os jovens ao hábito da bebida. Mas sempre haverá também alguns, como eu, que jamais aceitarão esse comportamento e estarão na expectativa de que a omissão dos superiores desses atletas não seja tão vergonhosa como a conduta deles. A propaganda individual, feita apenas por um dos integrantes da Seleção, sem o uniforme oficial, por si só, já se mostra chocante. Mas quando ocorre coletivamente, associando a luta da esquadra canarinho ao consumo de bebidas, no mínimo, contribui para virar o estômago.

*Aloísio de Toledo César é desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo. O email dele é aloisio.parana@gmail.com

Esquadrão precursor

O ex-chefe da Casa Civil Cláudio Puty, que é candidato a deputado federal pelo PT, está no Oeste do Pará desde segunda-feira, visitando os municípios da Calha Norte e Santarém.

Hoje, a governadora Ana Júlia chega à região.

Pode parecer coincidência, mas as agendas de ambos parecem casadas.

Bem casadas.

Balaio de gatos

A professora Edilza Fontes comenta em eu blog a reunião de ontem do deputado Jader Barbalho com prefeitos do PMDB:

Venho publicar noticias da reunião dos prefeitos com o deputado Jader Barbalho:

A reunião foi muito concorrida e contou com a presença de 41 prefeitos, terminou próximo das 20 horas. O deputado Jader expôs com detalhes aos presentes, suas discordâncias com os encaminhamentos dos negociadores do governo, esclarecendo o que o fez tomar a posição de propor candidatura própria, no caso do deputado Domingos Juvenil.

A intenção do deputado foi deixar claro, as várias vezes em que, em reunião não viu os acordos serem cumpridos, principalmente no que dizia respeito aos espaços do PMDB no governo.

Ficou definido, que a candidatura do deputado Juvenil é “imexivel”, que haverá uma reunião com vereadores do PMDB para semana, e que ninguém está liberado para fazer campanha para outro candidato.

Após o primeiro turno, o PMDB tirará nova posição, mas vários prefeitos, na sua grande maioria, dos que se pronunciaram, indicaram pretensão de votar na governadora caso o PMDB não passe para o segundo turno.

Ficou firmado, que o prefeito e o candidato a deputado estadual ou federal que fizer campanha para outro candidato ao governo, o PMDB pedirá a perda da legenda.

Foi considerado também, casos onde os prefeitos poderão fazer alianças pontuais, com candidatos federais e senadores que não são do PMDB e, foi mantido acordos com deputados, principalmente federais, caso do deputado Beto Faro, que alguns prefeitos já haviam conversado. Foi liberado também o voto no segundo senador, e vários prefeitos apontavam o deputado Paulo Rocha.

A candidatura de Priante para governo não foi ponto de pauta, e foi sepultado pelo posicionamento do deputado Jader, que fechou questão em torno da candidatura juvenil.

O Priante estava presente no prédio, mas não participou da reunião. Conversou com vários prefeitos antes da assembléia.

Ficou definido também, que só haverá acordo no segundo turno (caso o PMDB não passe) e só com quem tratar o partido como adversário político e não como inimigo. Recado dado.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Frota de veículos de Santarém é 5% do total do estado

O Denatran divulgou as maiores frotas de veículos do Pará.

1 - Belém 242.889 31,9%

2 - Ananindeua 53.668 7,1

3 - Marabá 44.793 5,9%

4 - Santarém 40.622 5,3%

5 - Castanhal 29.637 3,9%

6 - Redenção 23.912 3,1%

7 - Parauapebas 19.876 2,6%

8 - Altamira 18.928 2,5%

9 - Paragominas 14.249 1,9%

10 - Tucuruí 13.713 1,8%

Ana Júlia amanhã em Santarém

Amanhã à tarde, a governadora Ana Júlia vai inaugurar o parque radioterápico do serviço de oncologia do Hospital Regional do Baixo Amazonas. Logo após Ana Júlia segue para o Parque Municipal onde fará a entrega regionalizada da máquinas que fazem parte do projeto "Caminhos da Parceria", para as prefeituras de sete municípios (Santarém, Curuá, Faro, Juruti, Terra Santa, Prainha e Belterra).

Ana Júlia aproveita sua passagem por Santarém para fazer a entrega 117 cheques do programa CredPará, beneficiando 117 empreendedores de Santarém.

E, no início da noite, a governadora visita o 3º Salão do Livro, onde receberá o primeiro exemplar do livro Memória de Santarém, editado pelo jornal O Estado do Tapajós, com o apoio do governo do estado e da prefeitura de Santarém, cujo lançamento está marcado para o dia 22, as 2oh, no Museu João Fonna.

Secretário de saúde comanda boicote ao jornal O Estado do Tapajós

Miguel Oliveira
Editor-chefe

Os repórteres do jornal O Estado do Tapajós estão sendo vítimas de um amolecado jogo-de-empurra patrocinado pelo secretário de saúde José Antônio Rocha todas as vezes que tentam obter informações públicas que estão sob a guarda da Semsa.

Há cerca de 30 dias a reportagem do jornal tenta levantar junto à direção do Hospital Municipal de Santarém os dados sobre o número de pessoas atendidas naquele hospital que tiveram membros amputados em decorrência de acidentes automobilísticos.

Apesar da intermediação capenga da assessoria de imprensa da Semsa, os esforços dos repórteres esbarram invariavelmente na má vontade do gabinete do secretário, da assessoria jurídica e na direção do HMS.

No caso específico, até ofício foi exigido para que o jornal obtivesse os dados depois que a diretora do HMS, Ana Cláudia Tavares, se negou a fornecer os dados não sem antes deixar a reportagem do jornal esperar inutilmente uma resposta por mais de duas horas.

Mesmo assim, o jornal protocolou ofício no gabinete do secretário municipal de saúde solicitando os dados sobre os amputados, sem receber resposta até a data de hoje.

É notório que a reportagem de O Estado do Tapajós não é vista com bons olhos pela thurma de José Antônio porque não engole, como verdade, as notícias divulgadas unilateralmente pela Semsa. E procura fazer seu trabalho, sem tutela.

Desde o caso do desabamento do HMS que as portas da Semsa se fecharam ao trabalho de nossos repórtes, em contraste ao tratamento solícito e respeitoso que tem sido dado ao jornal pela prefeita Maria do Carmo e por sua assessoria de imprensa.

Mesmo diante do deliberada ação da Semsa em tentar boicotar a coleta de informações públicas, O Estado do Tapajós jamais desistirá de cobrir assuntos ligados à área de saúde.

Quando o faz, o faz na certeza de que presta um serviço de utilidade. O jornal cumpre sua função social, a exemplo da reportagem que mostrou à época que apenas 30 por cento do público-alvo da gripe suína tinham sido vacinados em Santarém, ao contrário do que propalava o secretário José Antônio Rocha em outras veículos de comunicação.

Pego com a boca na botija, o titular da Semsa teve que trabalhar para que aquela estatística não manchasse o nome de Santarém junto ao Ministério da Saúde.

Que fique bem claro que o jornal O Estado do Tapajós jamais reivindicou benesses da Semsa ou de qualquer órgão municipal.

E por isso exige, tão somente, transparência das informações de interesse público em nome de seus milhares de leitores.