quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O jornalismo-relâmpago numa Amazônia veloz


Lúcio Flávio Pinto
Editor do Jornal Pessoal

Fui surpreendido, no último dia 18, por dois contatos feitos por jornalistas do Diário do Pará. A primeira jornalista queria uma entrevista. A segunda, um artigo. As matérias seriam publicadas na edição de aniversário do jornal, no dia 28. Apesar de muito atarefado, atendi aos pedidos, depois de tentar reduzi-los a um único, a entrevista. E ainda recomendei à jornalista que o encomendou, com premonição baseada na experiência: “trate dele com carinho”.
Carinho não houve. Os textos simplesmente não foram publicados em nenhum dos 15 cadernos da edição especial dos 29 anos. Por quê? Não sei. Os anfitriões não se deram ao trabalho de esclarecer – ou até se desculpar pelo mau jeito com meus textos. E seriam – artigo e entrevista – gratuitos, cortesia de confrade, relação que já foi sagrada nas redações e hoje ninguém lembra. Elegância, cavalheirismo, bonomia e fair-play foram extintos na imprensa paraense, penetrada pelos ranços do ódio e da disputa sem regras.
Para ajuntar minha contribuição às comemorações do jornal dos Barbalhos, publico a seguir os textos destinados ao Diário. O leitor que entenda, se puder, os motivos do veto.

O jornalismo é uma fonte confiável para a reconstituição da história ou serve apenas para o efêmero registro dos eventos cotidianos, servindo apenas – e quando muito – como roteiro e agenda? Diz-se que um jornal não resiste mais do que 24 horas nas ruas. Logo seu papel é usado apenas para fazer embrulho, ou em fins menos nobres. Aqueles que torcem o nariz para o produto mostram-se incapazes de buscá-lo quando precisam de informações.

Os acadêmicos, por exemplo. Poucos deles utilizam matérias jornalísticas nas suas bibliografias. Supõem que dessa maneira as protegem de menções que as desvalorizariam. Não deixam de ter alguma razão. Quando submetida a teste de consistência, a enorme produção jornalística se desfaz. Muito dela não resiste a uma checagem mínima quanto à sua exatidão ou relevância. Ou mesmo à sua coerência e lógica interna.

Com essas deficiências, porém, o jornalismo é essencial para a vida dos cidadãos e fonte necessária para sua história. Basta que vá de carona na dinâmica do cotidiano, atrelado às mutações do dia a dia, sintonizado com a mudança dos tempos. Não importa que o jornalista de vez em quando se desequilibre, vá ao chão e saia com escoriações generalizadas.

A história segue a alta velocidade e fazendo ziguezague. Mesmo um acompanhante bem dotado não consegue dar conta do recado. Sem o jornal, porém, o percurso perderia algumas de suas marcas necessárias, dos seus sinais de alerta. Ainda mais em áreas de fronteira, como a Amazônia, nas quais se pode passar do zero ao infinito num intervalo de tempo muito mais curto e fulminante do que nos centros já consolidados.

Sem o jornalismo, a agenda dos cidadãos pode ser privada de informações fundamentais para definir os seus atos, a sua presença e a sua própria razão de ser. E a sua possibilidade de fazer história, que sempre existe, mas nem sempre oferece a recorrência.

Há mais de 45 anos ininterruptos pratico o tipo de jornalismo assumido até as suas últimas consequências, ciente das suas deficiências, comprometido com todas as suas possibilidades. Convido meu leitor a submeter esse jornalismo ao teste de consistência mais rigoroso. Claro que meu convite só será aceito se o leitor se interessar pelo que escrevo.

Se houver a motivação, resultante de uma combinação de fatores (a clareza do texto, o tema da narrativa, o encadeamento dos fatos, a fruição argumentativa), mesmo que o leitor não concorde com as idéias que o jornalista apresenta, é muito provável que consiga relacionar o conteúdo da narrativa à sua própria vida. Assim poderá tirar dela uma contribuição para sua ação, e, com melhores ferramentas intelectuais, ultrapassar o conhecimento e a percepção do autor dos textos.

Se assim for, a função e a missão do jornalismo estarão realizadas: colocar as pessoas diante da realidade. Cada um, encontrando seu lugar, que trate de pôr em prática sua vontade. Esta é a melhor herança da polis dos pais do nosso modo político de ser, os gregos antigos.

A maioria dos meus livros tem sido uma seleção de artigos e reportagens que escrevi para a grande imprensa e, nos últimos 24 anos, completados nesta primeira quinzena de setembro, no Jornal Pessoal, quinzenário que começou a ser publicado na 1ª quinzena de setembro de 1987, apenas cinco anos depois do Diário do Pará.

Um dos últimos livros que lancei, sempre em edição do autor, eu decidi publicá-lo de súbito, quatro dias antes de mandá-lo para a gráfica. Quando limpava meu latifundiário correio eletrônico, me dei conta de que dezenas de artigos escritos para um site de jornalismo editado em São Paulo (e já extinto) constituíam um razoável roteiro do que aconteceu na Amazônia e no mundo a ela conectado, entre 2004 e 2008, o período de abrangência dos textos.

Eu podia reescrever esse material, fundir suas partes ou organizá-lo por assuntos. Preferi manter a sucessão cronológica, mesmo à custa de alguma repetição ou incongruência. Minha intenção era mostrar como o significado dos acontecimentos isolados se aclara; como fatos na aparência desconexos se ligam e – também – como é árduo conseguir saber o que está acontecendo diante dos nossos olhos, sem que muitas vezes consigamos sequer ver os acontecimentos (dentre outros motivos, porque a percepção da realidade concreta – conforme o fecundo conceito-matriz de Marx – exige o uso das lentes da ciência na Amazônia).

Como informação continua a ser poder, e é cada vez mais poder, ela não é oferecida “de grátis” na rede mundial de computadores. Às vezes chega-se a ela tateando pelo sempre problemático método de ensaio e erro, ou tendo que pôr abaixo uma montanha de press-releases, afastando balões de ensaio ou tangenciando dogmas e mitos.

É muito fácil e cômodo, de posse de uma teoria explicativa, passar a aplicá-la a torto e a direito sobre toda e qualquer realidade, que mais se induz do que se deduz, sem qualquer forma efetiva de aproximação dialética, que não seja a retórica ou formal, por isso mesmo mecânica.

A Amazônia é a vítima do imperialismo e o produto do colonialismo. Sob essa sentença, tudo mais se ajusta e está entendido. Tenho a pretensão de mostrar que não é bem assim. E ainda que fosse assim, há um caminho a percorrer entre o zero e o infinito, do estabelecimento do imperialismo ou o colonialismo na jungle à sua saída ou expulsão, sabe-se lá quanto tempo depois (se “depois” moral positivo houver). Nesse interregno, milhões de pessoas terão que viver cada dia e enfrentar todos os seus desafios, para os quais freqüentemente precisam mobilizar todo seu saber e talento. E acreditar que com seu uso irão melhorar de vida.

Mas qual se, a pretexto de realizar o grandioso fim último da história, a ignoramos até lá, em sua concretude e especificidade, na soma de labores e suores que a constitui. Há amazonólogos às pencas espalhados pelo país e o mundo inteiro, porque o esquema explicativo já está pronto. Basta aquecê-lo no microondas do saber e servi-lo.

Enquanto isso, batalhas e mais batalhas deixarão de ser enfrentadas por falta de informações sobre a complexidade dos processos e a intrincada rede de conexões internacionais, que emerge nas rústicas e (só na aparência) provincianas paisagens amazônicas.

O dia a dia dos empreendimentos de ocupação, que é o nome verdadeiro dos “grandes projetos”, é muito complexo mesmo. Nenhuma de suas engrenagens funciona ao acaso ou isolada. Às vezes um sopro no meio da mata tem como origem um vendaval lá fora. Sobretudo nos setores produtivos mais internacionalizados, como a geração de energia, a mineração e a extração florestal, a complexidade desafia as mentes mais sagazes e as capacidades intelectuais mais bem articuladas ou organizadas. A porta do entendimento desses processos é lacrada e só se abre com acesso a um código sofisticado.

Espero que o leitor dos meus precários e pobres livros partilhe a sensação de surpresa que tenho ao reler todo material que neles reúno (sempre com a adiada aspiração por uma obra inteiramente nova, como a que escrevi sobre o Jari do milionário americano Daniel Ludwig, no distante 1984) e selecionar os artigos. Eles podem ter o mesmo significado das pedrinhas que servem de guias para o João e a Maria daquela lenda inevitável das nossas infâncias.

Um leitor muito mais exigente talvez reaja mostrando que no lugar das pedrinhas eu semeei miolo de pão, que um pássaro faminto tratou de engolir, desfazendo o caminho de volta dos dois irmãos perdidos na mata. Neste caso, espero do leitor (dos livros e do Jornal Pessoal) a gentileza de me alertar e contribuir para que eu busque as pedrinhas devidas, se de tal tarefa puder me desincumbir. É assim que se dialoga, se polemiza e se avança. Juntos, muito melhor do que sozinhos.

A Amazônia precisa com urgência dessa relação – digamos assim – heurística 
ou gnoseológica. Não pode ser tratada apenas à base de caldo de galinha ou sanduíche natureba do cardápio das trivialidades auto-suficientes, das sentenças refratárias à elucidação, do trinfalismo salvífico dos profetas do vazio. Nem pode também ser deixada à sanha dos seus colonizadores: seja o madeireiro rude, que põe abaixo enormes árvores centenárias sem um ai de inteligência ou sensibilidade, como a multinacional planetária, que derrama glacê colorido e vistoso sobre suas vilanias.

É preciso que haja uma base material comum a todos, os que põem em prática o ainda em vigor modelo de integração ou ocupação, à base da pilhagem, e os que perseguem uma forma alternativa, sob utopias ainda vagas, como o desenvolvimento sustentado. Essa base comum são os fatos, as informações. Não os penduricalhos da internet ou a louçania dos press-releases, mas aqueles dados que emergem ou são filtrados dos documentos e dos próprios atos que materializam as filosofias e os programas e projetos.

Para quem não torcer o nariz nem jogar fora o jornal, à mera menção da expressão malsã, o jornalismo verdadeiramente independente e comprometido com a verdade poderá fornecer informações que não se encontrará em nenhuma outra publicação. Talvez o leitor se defronte com uma forma original de interpretar essas informações clandestinas, que são desconhecidas, manipuladas ou permanecem escondidas em caixas-fortes corporativas ou nos cofres embutidos na parede floreada de uma elite que despreza a participação coletiva.

Ao chegar a algumas dessas informações, depois de uma penosa e demorada investigação (esta, a razão de ser de todo e qualquer jornalismo), tomei um choque, seguido de outro abalo ao juntá-las a outros nós soltos ou a peças de intrincados quebra-cabeças, muitos dos quais ainda não consegui montar (mas ainda não desisti do trabalho).

Só para dar um exemplo. Durante muito tempo fiquei intrigado: por que a maior empresa privada brasileira, a antiga estatal Vale do Rio Doce, a segunda maior mineradora do mundo, a maior do continente, a principal fornecedora de dólares para o Brasil (à custa da exaustão de riquezas naturais do Pará), sabotou e sufocou sua empresa internacional de navegação, das melhores do mundo, a Docenave? Por que esse estrangulamento aconteceu depois que a estatal foi privatizada, em 1997? Por que tal destino se deu, apesar de perdas de bilhões de dólares para as contas nacionais?

Tenho algum orgulho profissional de dizer que o distinto leitor não encontrará a resposta em nenhum lugar do mundo cibernético. Ela foi esboçada numa das edições do Jornal Pessoal e num dos meus livros mais recentes. E é muitíssimo importante. Tão essencial que o principal personagem desse livro (Amazônia Sangrada) é a antiga CVRD, conforme continuo a tratá-la.

É uma resistência simbólica, que não me deixa acatar o novo nome de 
fantasia da empresa, simplesmente Vale. Talvez para sepultar de vez uma história terrível, ainda tão recente, mas já envolta por brumas artificiais, fabricadas pela máquina de relações públicas, marketing e jornalismo domesticado da corporação.

Talvez algum leitor não se ligue na seqüência dos números que costumo apresentar, para me prevenir contra os sacerdotes da econometria, devolvendo-lhes a arma que costumam usar com agressividade (como se fossem deuses, muito acima do comum dos mortais), preferindo passar por cima deles para pousar seu raciocínio em conceitos e diktats absolutos, que dão a certeza de um catecismo secular.

Peço a esse leitor que se permita seguir a trilha dos números conforme o rito interpretativo que a eles se atém, até estar convencido da verdade ou, pelo contrário, se sentir provocado a procurá-la em outro lugar, em rumo próprio. É sedutora a tentação de subir num palanque ou numa banca de debates e proclamar conclusões sobre a Amazônia.

Depois de mais de quatro décadas nesse circuito, já não reajo com a bonomia de antes ao decálogo dos iniciantes. Exijo que apresentem tempo de serviço dedicado à “causa”. Se não são gênios, nada poderão dizer de enfático sobre a Amazônia se não tiverem anos de peregrinação por estradas pedregosas, como as que se apresentam disfarçadas de balanços, atas, estudos de viabilidade e projetos, ou se exibem como esfinges em solos, subsolos e sobressolos, se me permitem um dedinho mínimo de Guimarães Rosa ao tucupi.

Ou na pobreza dos marginalizados, na violência dos desassistidos e numa algaravia de criminalidades, das que são praticadas com um revólver 38 às que são urdidas nos livros dos cartórios de imóveis, onde um simples golpe de mão transfere do patrimônio público para a propriedade de particulares imensas extensões de terras, do tamanho de países.

A Amazônia, como a arte, é resultante de 99% de transpiração, ou até mais, se Picasso cunhasse a frase nestes trópicos úmidos, suados e sofridos de Lévy-Strauss, intérprete da nossa melancolia, doce e imobilizadora.

Ao fazer a releitura dos artigos, costumo ser acometido pelo pecado da luxúria, combinado com a hipérbole da pretensão: será que estes textos não podem servir de fio condutor da voz amazônica, a ser transmitida a auditórios mais amplos? Embalado pelo impulso, é assim que tenho organizado meus livros-relâmpagos e os entrego ao leitor, na esperança de que ele possa ajudar a iluminar o horizonte, mesmo que seja pelo tempo instantâneo de um relâmpago, de um raio de jornalismo, que tem o céu como horizonte. E limite.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Dano a isoladores do linhão Tramoeste provocou apagão domingo à noite em Santarém


Sobre o fornecimento de energia em Santarém, na noite de domingo, 04, a Celpa esclarece:

Um temporal com descargas atmosféricas, no KM 62, do Ramal do Jabuti, região do planalto, atingiu 12 isoladores de duas Torres de Transmissão da Linha Rurópolis Tapajós, de 138 KV, com 205 km de extensão. Os isoladores, que têm a função de separar os cabos da alta tensão, evitando curtos circuitos e desligamentos, foram seriamente danificados pelas descargas atmosféricas. O que provocou o desligamento da Linha, interrompendo o fornecimento em Santarém, Belterra e Mojui dos Campos, às 21h23. 
Trinta técnicos e engenheiros durante toda a noite e madrugada, percorreram a Linha de Transmissão para diagnosticar a causa do desligamento, numa operação que terminou somente no início da tarde da segunda-feira, 05. As duas torres estão localizadas numa área de difícil acesso, até por conta da segurança da população.      

Os isoladores, que ficaram totalmente danificados, terão que ser substituídos por técnicos especializados, da Transmissão. Por medida de segurança, haverá necessidade de desligar a Linha, interrompendo em caráter emergencial o fornecimento de energia elétrica na cidade de Santarém, Belterra e Mojui dos Campos, na quarta-feira, feriado, 07, de 6h às 7h.

Revista do Çairé, já nas bancas de revistas de Santarém. Apenas R$ 5,00.

Ferrovia Cuiabá-Santarém não é utopia, diz governador do Mato Grosso

Foto: Marcos Negrini/SoNotícias


"Andamos mais de 700 km na BR-163 e podemos ver que as obras trazem mais oportunidades para as cidades. Ver isso nos comprova que a ferrovia não é uma utopia e sim uma realidade", disse o governador de Mato Grosso Silval Barbosa, no encerramento da Rota da Integração, no porto da CDP, em Santarém. 

O governador Simão Jatene ressaltou que, "se Mato Grosso e Pará estiverem juntos seremos os melhores produtores do mundo. Precisamos nos unir ainda mais", discursou. 

Jatene manifestou apoio à construção da ferrovia, na integração da rodovia Br-163 com outros modais de transporte, para assegurar ainda mais poder de competitividade para os produtos da região.

Marco regulatório da mídia proposto pelo PT não é consenso entre base e oposição


Marcos Chagas
Agência Brasil

A moção de retomada dos debates sobre um marco regulatório para a mídia aprovada, ontem (5), no 4º Congresso do PT, é um assunto controverso para parlamentares da base governista e da oposição. O líder do PSB no Senado, Antonio Carlos Valadares (SE), por exemplo, disse que o tema não faz parte da agenda nacional do seu partido. Na oposição, o tema é tratado como uma tentativa do governo federal, por meio do PT, de estabelecer a censura a veículos de comunicação.

O líder socialista destacou que a liberdade de imprensa "é uma questão de direito constitucional" e, por isso, "intocável". Segundo ele, os países democráticos se caracterizam pela garantia dos princípios de liberdade de imprensa. "Hoje existe uma lei de imprensa vigente e rígida quanto aos abusos praticados por veículos de comunicação ou jornalistas. Se alguém se sentir prejudicado basta acioná-la. Esse é um assunto do PT, não do PSB", ressaltou Valadares.

No PR, partido que perdeu o controle do Ministério dos Transportes e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) depois de denúncias vinculadas na mídia, a discussão desse tema está fora de questão. 
O líder do partido na Câmara, Lincoln Portela (MG), disse que a legenda "nunca se manifestou a favor da mordaça na imprensa". Nos dois meses de denúncias seguidas de corrupção na pasta, Portela disse que conversou com todos os repórteres que o procuraram.

Já o senador pedetista Cristovam Buarque (DF) considera que antes de qualquer comentário sobre o assunto é necessário que se leia com atenção o que foi aprovado pelo PT. Entretanto, ele frisou dois pontos que devem ser modificados com urgência. O primeiro, diz respeito a políticos serem donos de rádios, jornais ou emissoras de televisão. "Sou radicalmente contra um político ter qualquer veículo de comunicação", frisou ele. Entretanto, Cristovam julga que essa questão deve ser tratada no âmbito da reforma política e não em um marco regulatório para a mídia.

O outro ponto, segundo ele "o fato mais grave”, é o governo querer controlar a mídia por meio da veiculação de anúncios publicitários de autarquias e estatais em rádios, jornais, revistas e canais de televisão. "Temos que encontrar uma fórmula para evitar que o governo use o dinheiro público para controlar os veículos de comunicação", destacou o senador. De acordo com Cristovam Buarque, o debate sobre um marco regulatório para a imprensa ainda não foi posto na pauta da Executiva Nacional do PDT.

O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), integrante da cúpula do partido, disse que para iniciar qualquer discussão é necessário que exista, no Congresso, algo de concreto sobre o tema. "É complicado falar em tese", acrescentou o parlamentar. Cunha ponderou, no entanto, que é contra a possibilidade de se proibir os políticos que já detenham veículos de comunicação de continuar no comando dessas empresas.

O presidente do DEM e senador José Agripino Maia (RN) disse à Agência Brasil que a moção do PT trata-se de "uma resposta do partido à faxina prometida pela presidenta Dilma Rousseff que não aconteceu". Ele acrescentou que, diante dessa atitude da presidenta, os petistas tentam agora "silenciar a imprensa pela censura".

O líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), tem a mesma opinião de José Agripino. Segundo ele, a moção "tenta jogar para debaixo do tapete" a faxina prometida pela presidenta. "Essa [regulamentação da mídia] é uma vocação autoritária do partido que não é nova. Várias tentativas já foram feitas", disse o senador tucano.

Ontem (4), no encerramento do congresso, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, negou que o debate de um marco regulatório da mídia represente qualquer tentativa de se estabelecer uma censura aos veículos comunicação, inclusive na internet. Na ocasião, ele destacou que é necessário coibir o "jornalismo partidário" e os grandes grupos de comunicação que detêm mais de um veículo.

Falcão acrescentou que o partido vai pressionar os parlamentares em geral para conseguir a aprovação de um projeto com foco na “democratização da comunicação”, que garanta liberdade de imprensa, direito à opinião e nenhuma censura de conteúdo.

Empate complica São Raimundo e Trem na briga pela classificação


Santarém, PA, 05 (AFI) - Fechando a oitava rodada do Campeonato Brasileiro da Série D, São Raimundo e Trem fizeram um jogo movimentado e cheio de gols. Apesar de sair vencendo, a Locomotiva tomou a virada, mas foi buscar o empate. Com isso, o jogo terminou empatado por 2 a 2, resultado que não interessava a nenhum do times.

Com o empate o São Raimundo não conseguiu abrir vantagem e se complicou na classificação. O time está na vice-liderança do grupo 2, com nove pontos, mas com um jogo a mais. Para o Trem o resultado também não agradou, pois o time chegou aos oito pontos, ocupando apenas quarta colocação da chave.

O jogo...
 
O São Raimnundo, como era de se esperar, por estar jogando diante dos seus torcedores, começou o jogo criando mais e tentando sufocar o Trem. A Locomotiva, por sua vez, não se intimidou e apostou nos contra-ataques.
A estratégia do time amapaense deu certo e o Trem abriu o placar aos 18 minutos, quando Diego Ratinho foi lançado na esquerda, entrou na área e tocou na saída do goleiro, anotando primeiro gol da partida.

No segundo tempo o time de Santarém voltou mais confiante e determinado. Dominando a partida desde o início, o Pantera não demorou a empatar o jogo. Aos dois minutos, após cobrança de escanteio, o zagueiro Hélder subiu e cabeloou no canto esquerdo, para sacudir o torcedor.

A pressão seguiu e o São Raimundo ampliou aos 12 minutos, quando o meia Aldivan recebeu na direita, entrou na área e bateu cruzado, a bola desviou na zaga e entrou no gol da Locomotiva. Na sequência o Trem não desistiu e continuou apostando nos contra-ataques. Em um dos bons lances a bola foi para escanteio. Na cobrança, Rubran subiu e cabeçou para empatar, aos 34 minutos e dar números finais a partida.

A renda divulgada foi de R$ 38.005,00 para um público total de 4.560 expectadores, sendo 3.760 pagantes e 800 credenciados.

Classificação
Grupo 2

 Clube PG JG VI EM DE GP GC SG %A
1  Sampaio Corrêa-MA 12 6 4 0 2 16 6 10 66.7
2  São Raimundo-PA 9 7 2 3 2 8 7 1 42.9
3  Independente-PA 8 6 2 2 2 9 9 0 44.4
4  Trem-AP 8 6 2 2 2 7 10 -3 44.4
5  Comercial-PI 7 7 2 1 4 5 13 -8 33.3

Dívida trabalhista


Lúcio Flávio Pinto
Articulista de O Estado do Tapajós


No ano passado, a justiça trabalhista no Pará recebeu 70 mil reclamações. Só no primeiro semestre deste ano as ações trabalhistas somaram 39 mil. Segundo os dados divulgados pelo presidente do Tribunal Regional do Trabalho, José Alencar, 66% dos processos chegaram ao fim, transitando em julgado no 1º semestre, mas as dívidas não foram pagas. Por isso, o TRT decidiu começar a enviar os nomes dos inadimplentes para a “lista suja” do crédito nacional, através do Serasa. Em entrevista a O Liberal, Alencar informou que o cadastro dos devedores à justiça trabalhista já possui 121 nomes e o débito é de 6,1 milhões de reais.

O presidente da Associação Comercial, Sérgio Bitar, reagiu de imediato à iniciativa. A entidade está disposta a questionar em juízo a medida, considerando-a “coercitiva e perigosa”, violando a “integridade das pessoas”, que precisa ser preservada. Ele admite que às vezes as empresas ficam sem pagar seus funcionários, “mas não é porque querem, é porque a situação difícil”.

O problema é que, quando há essa dificuldade, o primeiro a sofrer é o empregado. Outras despesas são mantidas, mas a remuneração do trabalho é logo afetada, embora seja (ou devesse ser) o elo mais nobre do processo produtivo. Mas, ao menos por enquanto, a classe empresarial não tem motivos para apreensões açodadas: mais da metade dos integrantes da lista suja trabalhista são pessoas físicas. A média da dívida é de R$ 50 mil per capita. Não há tubarão nesta rede.

Mais água para Itaituba


O governador Simão Jatene assinou na manhã de ontem  contrato que dará início, dentro de aproximadamente 20 dias, às obras de ampliação do sistema de abastecimento de água da Cosanpa (Companhia de Saneamento do Pará) em Itaituba.

Um elogio, uma medalha!


Por Jorge Wanghon



"Oi Jorge, tudo certo?! Primeiramente, mais uma vez parabéns pela vitória! Foi uma das disputas mais emocionantes, com você ganhando no último terra!"
Os treinos pesados na academia Djalma Lima, com o técnico apoiando e às vezes até gritando comigo continuam valendo a pena. Do Brasileiro até o Pan foram apenas 2 meses, mas o progresso foi acentuado. Treino desde o primeiro mês do ano e ainda encontro-me em ascensão. Não parar de treinar e continuar crescendo é minha meta; talvez a mais difícil, a mais pedregosa diante dos desafios que me esperam. Brasileiro de Terra, Brasileiro de Powerlifting, Sulamericano, Panamericano, Mundial. Muita pretensão? Hoje não! Os passos estão sendo dados de acordo com o tamanho da perna. E por falar em pernas, não sou do tipo que tem as pernas grossas, os braços grossos, que nem fisiculturistas que andam com os braços abertos, como se estivessem com as axilas inflamadas. De camisa e short, sou mais um na multidão. Mas com o macacão de treino, as faixas de joelho, o sapato de agachamento e 200 kgs na barra me esperando para treinar, a transformação é nítida. O magrinho se agiganta e as repetições pesadas na gaiola de treino viram rotina, ao ponto de pensar em treinar com 240 kgs, ainda este ano. Minha meta é chegar aos 260 no mundial. Se é possível? Ultimamente já não estou ligando tanto para esta palavra, apenas convivo com ela.
 


Ainda busco um patrocínio forte. Esta é uma luta que já não depende tanto de mim. Mas é um reforço que preciso para continuar os meus treinos, para continuar a sonhar. Desta vez, o sonho já se mistura com a realidade. Conheço os caminhos, mas preciso de alguém que caminhe junto comigo.

Jorge Wanghon é campeão Brasileiro e Panamericano 2011 de Powerlifting na categoria Master I / até 66 kgs. Em sua última competição, na Argentina, bateu 3 recordes brasileiros e 2 sulamericanos. O santareno é o único representante do Estado do Pará, na Seleção Brasileira de Powerlifting.

Sema cria Lista de Regularização Ambiental para imóveis rurais


A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) já publicou no Diário Oficial do Estado a portaria que institui a Lista de Regularidade Ambiental dos Imóveis Rurais situados no Pará. O município onde está localizado o imóvel rural a ser regularizado deve participar do Programa Municípios Verdes.

Os produtores rurais de 90 municípios paraenses (dos 143 existentes), que já aderiram ao “Municípios Verdes”, tiveram prorrogados seus prazos para requerimento do licenciamento ambiental.

O programa objetiva intensificar a atividade agropecuária nas áreas consolidadas, promover o reflorestamento, apoiar a conclusão do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e da Licença Ambiental Rural (LAR), reduzir o desmatamento e a degradação ambiental, regularizar passivos ambientais do Estado, recuperando as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e as áreas degradadas em Reserva Legal, fortalecer os órgãos municipais, incluindo os sistemas municipais de meio ambiente, e modernizar a legislação ambiental.

Para ser inserido na Lista de Regularidade Ambiental o imóvel precisa ter inscrição no CAR até 31 de dezembro deste ano. Após esse prazo, somente estarão aptos à lista os cadastros já validados pela Sema, a partir de imagem de satélite de alta resolução e base cartográfica individualizada para cada município inserido no “Municípios Verdes”.

Metas - Constará da lista o imóvel que estiver inscrito no CAR e esteja localizado em município participante do “Municípios Verdes”, que cumpra as metas estabelecidas: ter 80% do seu território relativo a imóveis privados ou posses inseridos no CAR, excluindo-se áreas protegidas, assentamentos, acampamentos e Planos de Desenvolvimento Sustentável (caso não atenda este requisito, deverá apresentar novo cronograma do CAR para 2011); ter instrumento de celebração de pacto pelo controle de desmatamento em conjunto com organizações sociais e de produtores rurais do município, ter grupo de trabalho entre signatários do pacto para monitorar, fiscalizar e manter o desmate em níveis inferiores a 40 quilômetros quadrados por ano ou inferior ao registrado no ano anterior, a contar de agosto de 2011.

Ainda é necessário requerimento dos produtores rurais para a Licença da Atividade Rural (LAR), dentro dos seguintes prazos: propriedades maiores do que 3 mil hectares, até 30/8/2011; acima de 500 ha até 3 mil ha, até 31/12, e propriedade de até 500 ha, em 30/06/2012.

A permanência na lista está condicionada ao cumprimento da legislação e das metas estabelecidas. Se for constatado desmatamento em imóvel rural constante da lista, a Sema poderá excluí-lo até que o processo administrativo seja julgado definitivamente em favor do proprietário ou que haja recuperação do dano ambiental. A Lista de Regularidade Ambiental está sendo emitida no site da Sema - http://www.sema.pa.gov.br/

Os imóveis rurais localizados em municípios não participantes do programa Municípios Verdes devem comprovar a regularidade ambiental com a apresentação da Licença da Atividade Rural, que substitui a Lista de Regularidade Ambiental.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Pagamento de desapropriações de imóveis rurais somente em dinheiro


A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou o parecer do Deputado Lira Maia (DEM/PA) ao Projeto de Lei nº 5.459/2005 que determina o pagamento em dinheiro de imóveis rurais destinados à Reforma Agrária.

O projeto inicial previa este pagamento somente aos processos de desapropriação que não tenham ações judiciais. Pelo parecer do Deputado Lira Maia, todos os imóveis que forem objeto de reforma agrária serão indenizados em dinheiro, inclusive os provenientes de acordos judiciais.

Apagões revelam precariadade do sistema elétrico no Oeste do Pará

Os constantes apagões e piques de energia ocorridos nos municípios alimentados pela hidrelétrica de Curuá-Una e/ou linhão Tramoeste revelam  a precariedade e inconfiabilidade do sistema de energia elétrica nesta região.

A distribuidora de energia alega, na maioria das vezes, que a responsabilidade pelos contantes desligamentos é da geradora, a Eletronorte, que nada esclarece à população.

Mas em outros casos, a sobecarga de consumo e falta de dimensionamento da carga necessária à alimentação de empresas e pequenas indústrias é responsável pelo pisca-pisca que Santarém parece que nunca consegueirá se livrar.

A concessionária e a geradora de energia estão em débito com a população dessa região, que espera não só esclarecimento dos eventos ocorridos como também as soluções que serão adotadas para livrar o consumidor dos transtornos causados pela constante falta de energia.

Caso Altamira: relatório da corregedoria nacional revela negócio entre amigos


OABPA

Do Blog do Parsifal

O relatório da Corregedoria Geral do Conselho Federal da OAB, sobre o "Caso Altamira" leva os envolvidos no avexado processo de compra ao mais rés dos chãos. 

"Extrai-se do depoimento do ilustre presidente da Seccional Pará que, apesar de ser amigo íntimo e de parceria política com o proponente à aquisição do terreno de Altamira, conselheiro estadual Robério A. D'Oliveira, e, presumidamente, saber do interesse deste seu amigo na aquisição do imóvel, além do seu próprio interesse e de diversos colegas de profissão na aquisição de terrenos em Altamira, em razão de oportunidades de novos negócios na comarca com a instalação das obras da usina de Belo Monte, não tomou qualquer providência no sentido de determinar critérios transparentes para formulação de propostas, valor mínimo de venda, avaliações, ampla publicidade da oferta, editais em diversas localidades, especialmente em Altamira", lavra um trecho do relatório, que, inequivocamente, condena como irregular toda a operação.

A corregedora pesa a mão sobre o presidente da OAB-PA, que confessou desídia na condução do negócio: "O presidente confirma em seu depoimento que laborou em diversos equívocos que levaram a seccional da OAB-PA às paginas dos jornais locais e à exposição dos diversos dirigentes da entidade sob pechas dos mais variados adjetivos negativos tanto para a entidade como para os seus dirigentes".

E faz análise de mérito que deixa Vasconcelos em desconcerto: "outrossim, confirma que não se preocupou em ler o conteúdo da procuração pública que assinou ao término da sessão do Conselho, autorizando a formalização da venda, fato que, por si só, já seria suficiente para caracterizar a sua irreverência e irresponsabilidade no tratamento que conferiu ao patrimônio dos advogados, que está, em confiança, sob a sua guarda".

Resume, o fulminante relatório, que a venda foi feita "sem qualquer observância às normas morais e éticas de probidade a que todos os dirigentes da OAB se submetem".

Como eu já disse aqui, já passou da hora do presidente da OAB-PA convocar os um marcha contra si mesmo. E não pode se esquecer de convidar os bispos.

Br 163: Carreata da integração será recepcionada em Belterra



Cerca de 200 produtores rurais em companhia do governador Simão Jatene recepcionarão o governador Sinval Barbosa, em Belterra, hoje, no final da tarde.

Simão Jatene foi encontrar-se neste domingo, com o governador do Mato Grosso,  no distrito de Castelo de Sonhos, município de Altamira, que fica à margem da rodovia B-163.

Desde sábado uma expedição comandada por Sinval Barbosa deixou Cuaibá, passando por Castelo dos Sonhos, Novo Progresso e Itaituba.A caravana pretende chamar a atenção do governo federal para a conclusão da pavimentação da rodovia Santarém-Cuiabá e mostrar a potencialidade da região oeste do Pará a investidores estrangeiros que avaliam a possibilidade econômica de implantação de uma ferrovia acompanhando o traçado da rodovia. 

O grupo interessado é o China Railway Engineering Corporation (CREC) responsável pela construção e administração de quase 45 mil quilômetros, dos 90 mil quilômetros de ferrovias existentes na China.

Hoje, durante a manhã, o governador Simão Jatene permanece em Itaituba. Ao meio-dia atravessa o rio Tapajós e espera, no distrito de Miritituba, o governador Sinval Gauzeli. Haverá uma almoço com empresários. Depois, Sinval Barbosa prossegue via terrestre até Santarém e Jatene permanece no em Itaituba até as 16 horas. De Itaituba, de  avião, Jatene vem a Santarém.
 
Do aeroporto, o govenador do Pará, segue em carreata até a entrada de Belterra para recepcionar Sinval Barbosa. Haverá um ato público em defesa da pavimentação da rodovia Br-163 para marcar o encerramento da caravana da integração.