domingo, 22 de maio de 2011

Redivisão do Pará: menos Amazônia


Lúcio Flávio Pinto
Da equipe de O Estado do Tapajós

A aprovação da realização do plebiscito sobre a redivisão do Pará poderá ser a oportunidade de discutir a sério a grave questão do perfil geográfico da Amazônia. Unidades menores permitirão corrigir os erros evidentes no processo de ocupação da região ou apenas irão incrementar seus efeitos desastrosos? Eis a questão.

Na semana passada, meia dúzia de deputados federais, na condição de líderes partidários, decidiram, em votação simbólica, sobre a configuração física do segundo maior Estado da federação brasileira, o Pará. Graças a uma manobra dos parlamentares paraenses, defensores do desmembramento dos 1,2 milhão de quilômetros quadrados que constituem o Pará atual, foi aprovada a realização de plebiscito sobre a criação de dois novos Estados nesse território: Carajás e Tapajós.

Os deputados Giovanni Queiroz (do PDT), Lira Maia (DEM) e Zequinha Marinho (PSC) ameaçaram obstruir a pauta da Câmara Federal se os projetos do desmembramento do Pará, que tramitam há vários anos, não fossem aprovados apenas pelos líderes, sem precisar ir ao plenário para a votação coletiva. O governo, empenhado em limpar a pauta para aprovar seus principais itens, cedeu.

Os separatistas escolheram bem o dia, uma quinta-feira, quando a maioria dos parlamentares já deixou – ou está saindo de – Brasília para seus redutos eleitorais. O deputado Chico Alencar, que não cedeu a sigla do PSOL para a empreitada, questionou a legitimidade da decisão, mas foi vencido pela impetuosidade dos emancipacionistas.
Quanto o tema é a Amazônia, há pouco empenho das grandes lideranças políticas, por desinteresse ou desconhecimento da região. Com mais acuidade, se atentaria para a circunstância (nada casual) de que o principal projeto na pauta da Câmara, que proporcionou o acordo de lideranças, é o do novo Código Florestal, impasse que o governo (e, mais do que ele, os ruralistas) quer ver logo resolvido.

Celeumas à parte, o projeto significa a manutenção e aprofundamento da cultura do desmatamento na última porção do país onde ainda podia ser implantado um inovador modelo florestal, justamente a Amazônia. Ao invés de procurar adequar a forma de ocupação da região às suas características físicas, dentre as quais a cobertura vegetal é essencial, confirma-se e agrava-se a visão do colonizador, de conversão da floresta em pastos, campos de cultivo, cidades, indústrias, estradas, etc. O colonizador continuará a modificar a paisagem para que ela reflita sua condição de homo agrícola, derrubador de árvores.

A redivisão do Pará, que tem sua tradição história em relação à parte oeste do Estado, tornou-se coerente com essa forma de integrar a Amazônia ao território nacional, a partir de uma posição centralizada de mando, com ordens que baixam de Brasília, categóricas, indiferentes às peculiaridades locais, à distinção substancial da Amazônia na relação com as outras partes do Brasil, praticamente despojadas de sua riqueza florestal.

Não que a realização do plebiscito represente um fato negativo. Pelo contrário: finalmente a questão espacial da segunda unidade federativa brasileira poderá ser discutida a sério. Agora haverá conseqüências concretas e graves. Não será mais apenas um evento no calendário acadêmico dos debates sem fim ou sem responsabilidades.

No prazo de seis meses deverá ser promovido o plebiscito. Com maiores probabilidades, de imediato visando Carajás, que agora depende apenas da sanção da presidente Dilma Rousseff. O projeto do Tapajós ainda deverá passar pelo Senado. É possível que na câmara alta se repita o que aconteceu na semana passada, mas não se pode descartar a hipótese de aparecer um complicador, que atrase a tramitação da matéria e retire a simultaneidade dos dois projetos. Sem esse imprevisto, também o plebiscito para a criação do Estado do Tapajós irá à sanção da presidente. Não é provável que ela vete a decisão do parlamento.

Não que aprove a iniciativa. Ao invés disso, a chefa do poder executivo terá muitos motivos para não querer que o desmembramento do Pará prospere. A implantação dos dois novos Estados imporá ao governo federal, pelos próximos 10 anos, nova descapitalização, com a necessidade de suplementar – com alguns bilhões de reais a cada ano – a insuficiência de meios das duas novas unidades federativas para caminhar com as próprias pernas durante os primeiros anos de sua implantação. Do que menos a administração petista precisa no momento é de despesas compulsórias – imprevistas e de peso bem razoável como essas.

Para os mais realistas, a decisão da semana passada dos líderes dos partidos na Câmara é tão simbólica quanto os seus votos. É improvável que a maioria do eleitorado paraense aprove o retalhamento do seu Estado presente. Ao contrário da interpretação conveniente dos separatistas, o entendimento constitucional do Supremo Tribunal Federal é de que a consulta não pode ser feita apenas junto à população localizada na área prevista para os novos Estados. O plebiscito tem que abranger todos os eleitores do Estado.

Mesmo que a maioria deles queira dividir o Pará em três, o resultado do plebiscito será submetido aos 41 deputados da Assembléia Legislativa, sem poder decisório, apenas como função consultiva. Depois precisará da aprovação de uma lei complementar, com a adesão da maioria do Congresso Nacional, em votação individual, sem acordos de liderança, para se tornar realidade. Um caminho ainda longo e complicado.

O Pará que remanescerá dos dois projetos de redivisão tem 60% da população total do antigo Estado, o que pode ser o suficiente para definir a votação. Maciça maioria nesse território votará contra o retalhamento, que acaba com uma das bandeiras seculares do Estado: sua grandeza física, um aval ao qual os seus habitantes esperam sempre poder recorrer para sacar suas esperanças de futuro. Do 2º lugar, abaixo apenas do Amazonas, o Pará que sobraria da redivisão se tornaria a 19ª unidade federativa nacional.

Esse Pará, com apenas 20% da sua área original, ficaria com 60% da população, privado do antigo capital de recursos naturais estocados para viabilizá-lo. Com boa parte do seu território já desmatado e exaurido, teria que refazer sua definição, mais se assemelhando a um Estado da faixa de transição entre o Nordeste e a Amazônia, como o Maranhão. A utopia do futuro grandioso desapareceria. De resto, também para Carajás, vítima maior do desmatamento recente.

Mas pelo menos os dois novos Estados teriam melhores condições para se desenvolver, libertos da tutela da antiga capital e de uma elite incapaz de atentar para as paragens mais remotas de uma unidade administrativa com tamanho equivalente ao da Colômbia, mas com um sexto da sua população? É de se duvidar, no mínimo.

Os dois projetos de lei são coerentes com o modelo colonial de ocupação da Amazônia, não com sua continuidade histórica, embora o Estado do Tapajós seja uma antiga e fundada reivindicação dos habitantes dessa região. Carajás, resultante de iniciativa do senador Mozarildo Cavalcante, que nunca se sensibilizou pelas raízes de Roraima, o Estado que representa no parlamento, consolidará a transformação da paisagem amazônica em sertão, despojando-a do que sobrou de floresta nativa por um processo de desmatamento avassalador.

É este o destino selado de São Félix do Xingu, que, só por uma obtusidade do atores econômicos e a conivência criminosa dos agentes públicos, se tornou o município brasileiro com o maior rebanho de gado (no futuro Carajás, o efetivo será de 20 milhões de cabeças). Quantos milhões de árvores os campos de pastagens sacrificaram? Qual foi a perda dessa conversão irracional?

O Xingu é a prova viva dos erros e distorções de projetos de modificação do espaço amazônico concebidos a toque de caixa, para atender a interesses imediatos. É nessa bacia que se concentra o último grande estoque de mata nativa da margem direita do rio Amazonas em território paraense. Associar São Félix do Xingu ao Estado de Carajás é complementar a obra de legalização do desmatamento ironicamente embutida no novo Código Florestal, que, de florestal mesmo, tem apenas o nome. São Félix devia ser protegido para experimentar uma exploração florestal moderna.

Se é assim em São Félix, em Altamira a existência do Estado do Tapajós se manifesta um completo despropósito. O único elemento de identidade entre a maior cidade do Xingu e a maior do Tapajós, Santarém, destinada a ser a capital da nova unidade, é que ambas sofrem os efeitos do avanço selvagem das frentes econômicas. Historicamente, nem diálogo há entre os dois pólos. É inteiramente artificial a inclusão de Altamira no Tapajós. O efeito será o mesmo que alimenta os ressentimentos contra Belém. O Xingu deveria formar uma unidade a parte, o que não seria de estranhar se o vértice do planejamento fossem os rios e não as estradas de rodagem.

Com 718 mil quilômetros quadrados, o proposto Estado do Tapajós será o terceiro maior do Brasil, inferior apenas ao Amazonas e a Mato Grosso. Com 16% da população atual do Pará e 57% do seu território, terá uma densidade demográfica apenas maior do que a de Roraima, equivalente à do Amazonas, quatro vezes menor do que a paraense de hoje. Como Santarém poderá dar a essa vasta jurisdição um tratamento melhor do que o dispensado pelo atual Pará? Apenas renovará os conflitos que motivam a reação dos nossos dias?

Com estas e várias outras contestações, ainda assim a realização do plebiscito é um avanço no tratamento da identidade do Pará. Ao invés de se continuar a discutir se a redivisão deve ocorrer ou não, a partir de agora a tarefa passará ser avaliar, no curto período de seis meses, a viabilidade dos projetos de emancipação. Viabilidade numa perspectiva mais ampla do que a da auto-suficiência econômica: abarcando também as dimensões social e econômica.

Os dois projetos têm uma deficiência fatal: ignoram o rio Amazonas e as bacias dos seus afluentes, os verdadeiros divisores do ambiente e os instrumentos de povoamento e civilização durante séculos, até que as estradas, responsáveis pelo maior abalo traumático da história amazônica, tumultuassem tudo, massacrando a história anterior com os novos elementos trazidos pelos imigrantes, pessoas físicas ou jurídicas.

Mesmo que eles conseguissem realizar as promessas que apresentam, a conseqüência das modificações espaciais seria acelerar a descaracterização do conteúdo amazônico da geografia e aumentar a condição do homem como um ser estranho à paisagem – e hostil a ela. A estrada de rodagem triunfando de vez sobre o rio. Por isso, o próximo alvo será o Amazonas. As espinhas de peixe marginais à BR já estão se formando pelo sul do Estado.

O plebiscito só será negativo se o processo a seguir continuar a ser liderado apenas pelo punhado de políticos que conseguiram a aprovação dos dois projetos. O que lhes interessará será conquistar o apoio dos eleitores, mesmo sem conscientização sobre a questão, este, sim, o grande desafio para quem estiver preocupado em melhorar – e não em piorar – a condição amazônica do Pará. E, por extensão, de toda a região. Dividindo não para governar, dominando o governo, mas para juntar forças sinérgicas. Para mudar de verdade.

Cuspindo chamas

Por Parsifal Pontes

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Os Maiorana e os Barbalho, controladores dos dois maiores grupos de comunicação do Pará, Organizações Romulo Maiorana e Grupo RBA, respectivamente, não andam do mesmo lado da calçada, nem que o sentido da trilha seja oposto.
A disputa entre os grupos extrapolou interesses empresariais e consolidou-se em um contexto pessoal que raia aos píncaros da vendeta eterna.
A reportagem, por parte do “Diário do Pará”, da recente audiência na Justiça Federal do Pará, a qual compareceu Romulo Maiorana JR., como réu em um processo que lhe move o Ministério Público Federal, irritou-o a ponto de faze-lo perder a tramontana, levando-o ao rés do chão em um artigo por ele assinado em “O Liberal”, edição de 20.05.11.
No artigo, intitulado “Um safado e sua safadeza”, Romulo JR. destila, rumo a Jader Barbalho, o ódio que conseguiu lavrar no espaço direito da primeira página do seu jornal.
Diante da investida, Jader Barbalho não se rogou: com a serenidade de poupar a primeira página do “Diário do Pará” do tiroteio, lavrou, também poupando a sua assinatura no texto, a réplica ao lado da mais lida coluna do jornal, o “Repórter Diário”.
Intitulado “Alucinações do Travestido”, o texto, mais leve e curto que o do desafeto, investe nas mesmas chagas que tanto incomodam Rômulo JR.
Clique na imagem para ler os dois textos, que, sem dúvidas, representam o ápice das desinteligências entre as duas famílias que hegemonizam a comunicação no Pará.

Capa da edição impressa de 21 de maio de O Estado do Tapajós

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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Caravana vai a Brasília debater Belo Monte

Tânia Monteiro

Uma caravana formada por representantes de comunidades ribeirinhas e indígenas do rio Xingu, no Pará, e de órgãos e entidades ligados à defesa dos direitos humanos viaja na próxima quarta-feira, 25, para Brasília com o objetivo de participar da audiência pública que será promovida pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional, da Câmara Federal, às 11 horas, no plenário 15, daquela Casa. O evento, solicitado pelo deputado federal, Arnaldo Jordy (PPS/PA), vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, tem como proposta debater os impactos sociais, ambientais e econômicos da hidrelétrica de Belo Monte.
“O Pará e a Amazônia não podem ficar com o passivo ambiental e humano dessas obras”, afirma o parlamentar,  lembrando que hoje o Pará é o Estado que possui um dos mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, além de ser campeão de trabalho escravo e possuir o menor índice no desenvolvimento da Educação básica (IDEB). “O povo não aceita mais esse modelo que promove o desenvolvimento lá fora e não traz benefícios ao Estado”, disse, ressaltando que o Pará e a Amazônia estão cansados de projetos que são vendidos como um eldorado, mas que ao final fica apenas o passivo ambiental e social à região”.

Arnaldo Jordy destaca ainda que o Estado não pode mais aceitar a condição de fornecedora de matéria prima para o desenvolvimento alheio. “Está na hora de virarmos esse jogo, pois não vamos mais aceitar que os colonizados fiquem a bater palmas para os colonizadores, num jogo de interesse do nacional que sempre exclui a Amazônia”.
 

Capital do Tocantins comemora 22 anos de novas oportunidades

Planejada desde o início, foi construída pela força de trabalhadores que chegaram de todas as partes do país. É cercada de belezas naturais e teve um crescimento populacional incrível. Falando assim até parece Brasília, mas a cidade aniversariante é Palmas, a capital do Tocantins.

Fundada em 20 de maio de 1989, Palmas foi projetada para substituir a capital provisória, Miracema do Norte, e apresenta números populacionais crescentes. Aos 22 anos, a capital do Tocantins já tem mais de 200 mil habitantes e mostra que a “Capital das oportunidades”, como é conhecida, oferece boas opções de investimentos, atraindo pessoas de vários lugares do Brasil para residir na cidade.

O turismo na capital foi planejado desde sua criação. Da mesma forma que Brasília, Palmas foi projetada para ter vias públicas largas, boas praças, praias fluviais e preservação ambiental. Sem contar com as cachoeiras do distrito de Taquaruçu que, localizadas a apenas 30km da cidade, são lugares paradisíacos, naturalmente prontos para visitação. São mais de 80 cachoeiras com estrutura para turistas.

Aos domingos, o destino certo é a Feira do Bosque, que é visitada por várias pessoas do Brasil. Em frente à prefeitura, o trabalho de mais de 200 artesãos divide espaço com barraquinhas de comidas típicas.

A cidade de Palmas é um dos 65 Destinos Indutores de Desenvolvimento Regional, selecionados pelo MTur, para fomentar o turismo. Mais que isso, Palmas é uma excelente opção para os turistas que apreciam a mistura de bela arquitetura e paisagens naturais preservadas. Parabéns!

A conveniência, a vaidade, a arrogância

Parsifal Pontes:

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Os mais renomados advogados do Brasil se organizam em uma campanha contra a pretensão do presidente do STF, Cezar Peluso, que propôs uma emenda constitucional suprimindo, na prática, uma instância recursal para efeitos de cumprimento de sentença.
Os penalistas de escol, alegam que a emenda fere o amplo direito de defesa e fragiliza o princípio universal da presunção da inocência, conseguido a duras penas como um marco de civilidade jurídica, contra o açodamento da Inquisição, que primeiro condenava, depois prendia e torturava para ratificar a sentença. 

Na contra mão do conceito pelo qual deveria zelar, o presidente da OAB-PA, [Jarbas Vasconcelos]neste caso das fraudes na ALEPA, na ânsia de pregar no próprio peito uma estrela de paladino da justiça, veste-se de Torquemada e inicia a sua particular inquisição: já condenou quem sequer o Ministério Público já indiciou, exige-lhes a prisão sumária e, quem sabe, almeje lhes furar os olhos e lhes decepar as mãos para que não reincidam. 

Tais arroubos vindos de pessoas indignadas com os supostos procedimentos criminosos dos investigados são perfeitamente compreensíveis, mas, em partindo de um advogado de formação, que ocupa a presidência de uma regional da Ordem dos Advogados do Brasil, soa absolutamente paradoxal. 

O devido processo penal tomará curso. O Ministério Público, que lhe detém a iniciativa, labuta para produzir as provas e individualizar as condutas. Feito isto oferecerá as ações respectivas, cabendo à justiça o veredicto final, garantida ampla defesa aos possíveis acusados. 

O presidente da OAB-PA, para movimentar a sua conveniente vaidade eventual, pode organizar passeatas e rogar justiça, como qualquer cidadão, mas, na qualidade do cargo que ocupa, deveria ser mais cauteloso ao sugerir a inversão do devido processo legal, querendo primeiro recolher os investigados às galés, para lhes providenciar o processo enquanto remam. 

O destempero é primo da arrogância. E a arrogância, como ensinou Paulo Cuba, “cega o coração do ser humano, fazendo-o enxergar apenas o que lhe convém.”.

Auditoria das tevês públicas



A professora Regina Lima, ex-presidente da Funtelpa, está cotadíssima para assumir a coordenação de auditoria das emissoras públicas de televisão, cargo para o qual está sendo indicada pela bancada federal do PT.

Imprensa brasileira vista da Alemanha

Lúcio Flávio Pinto

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, dia 3, o portal da Deutsche Welle, rádio estatal alemã, publicou matéria escrita por Nádia Pontes, da redação em Berlim. Sob o título “Processos judiciais viraram arma para censurar imprensa no Brasil”, a reportagem mostra que a justiça brasileira “passou a ser uma ferramenta usada por aqueles que querem calar os jornalistas”.
Reproduzo a primeira parte do texto, relacionada a este jornal:

No Brasil, os jornalistas são livres para escrever e publicar. Num país oficialmente livre das amarras da censura de imprensa, os interessados em impedir que uma informação venha a público encontraram, no entanto, outras maneiras de fazê-lo. 

O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto conhece bem essas alternativas – várias foram usadas contra ele na tentativa de interromper seu trabalho. Depois da vasta experiência na grande imprensa brasileira, Lúcio fundou há 20 anos o Jornal Pessoal, focado na cobertura da Amazônia e que, segundo a definição do criador, "é a publicação alternativa de existência mais duradoura do país e a única em atividade".

Nos tribunais brasileiros, Lúcio é um dos jornalistas mais perseguidos do país. "A censura passou a contar com um poderoso instrumento, que é a Justiça", diz. O interessante é que, entre 1966 a 1985, durante a ditadura militar, o profissional só foi processado uma vez  – e absolvido. Desde 1992, as inúmeras denúncias de corrupção, desmatamento ilegal e tráfico de madeira já renderam ao único editor do Jornal Pessoal mais de 33 processos.

O sociólogo Benoît Hervieu, chefe da organização Repórteres Sem Fronteiras para as Américas, acompanha de perto a atividade jornalística e traça conclusões sobre o panorama brasileiro. "A questão da insegurança é mais grave no Norte e no Nordeste. Os jornalistas têm confrontos com as autoridades e também com o crime organizado e com traficantes de maneira muito violenta."

Apesar de a situação no Brasil ser bem mais amena do que a do México e de Honduras, países onde a liberdade de informar é a mais cerceada na América Latina, segundo a Repórteres Sem Fronteiras, é com dificuldades que muitos profissionais brasileiros expressam sua opinião, avalia Hervieu. 

Restrição à gratuidade no transporte para idosos é inconstitucional


A ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou seguimento ao Agravo em Recurso Extraordinário (ARE 639088) proposto pela Federação das Empresas de Transportes Rodoviários do Rio Grande do Sul contra decisão do Tribunal de Justiça (TJ) estadual, que declarou inconstitucional uma lei do município gaúcho de Canguçu que limitava a gratuidade da tarifa de transporte coletivo para maiores de 65 anos a quatro utilizações mensais não cumulativas.

A corte estadual entendeu que a norma, que criava restrição ao direito, afrontava o artigo 230, parágrafo 2º, da Constituição Federal, que proclama a gratuidade dos transportes coletivos aos maiores de 65 anos, sem qualquer tipo de restrição.
Ao analisar o ARE, a ministra explicou que a decisão do TJ-RS está em perfeita harmonia com a jurisprudência do STF, “pelo que nada a aprove quanto às alegações da agravante”, concluiu a ministra.

Jogo de cena


Herberth Moreschi deveria trocar o Hospital Regional de Santarém por um circo.

O administrador do HRBA simulou um referendo entre os médicos sobre sua permanência na direção daquele hospital sem que a própria ProSaúde anunciasse sua saída do cargo.

Moreschi difundiu entre os médicos a versão que há pressão política para retirá-lo do cargo e com isso simulou uma votação que lhe desse respaldo, mesmo falso, é claro.

Mas tudo não passa de um factóide. Aliás, como factóide é sua pífia gestão à frente do HRBA.

 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Multinacional canadense vai investir cerca de 450 milhões de dólares para extrair ouro em Itaituba

O Bradesco fez um comunicado ao mercado sobre os investimentos anunciados na economia brasileira e um deles diz respeito ao Oeste do Pará.

A Eldorado Gold, empresa canadense produtora de ouro, investirá US$ 468,7 milhões na mina Tocantinzinho localizada em Itaituba (PA). 

Do valor, US$ 81 milhões irão para a pavimentação de 100 km de estrada para escoar a produção e para a infraestrutura em geral. A empresa construirá uma rede elétrica de abastecimento própria com 200 km, por onde passarão os 25 MW utilizados pela mina nos 11 anos de duração do projeto. 

As obras devem iniciar em 2012 e a expectativa é que a mina produza 1,78 milhão de onças entre 2014 e 2025.

Cobertura torta sobre redivisão do Pará


Lúcio Flávio Pinto

Se quiserem informar a opinião pública, a grande imprensa de Belém vai precisar melhorar muito a cobertura sobre a redivisão do Estado. O Diário do Pará tem sido mais informativo do que o seu concorrente, mas, provavelmente por refletir os interesses do seu dono, o ex-deputado Jader Barbalho, ainda não manifestou sua posição sobre o tema.

O Liberal já publicou um editorial a respeito, mas o tratamento que dá à questão está condicionado à sua obsessão anti-Barbalho. Num espaço muito menor do que o do Diário, desviou a essência do problema para a condição moral da Assembléia Legislativa, que será chamada a confirmar o resultado do plebiscito, caso a maioria aprove a redivisão. Sem muita sutileza, o que pretende o jornal dos Maiorana é atirar a culpa sobre as costas largas do ex-governador, aproveitando-se de sua indefinição tácita.

Com os juros e a inflação em alta, 24% das famílias ficam no vermelho

Com os juros e a inflação em alta, consumidores não conseguem pagar mais as contas em dia. A tendência é o calote aumentar

Vera Batista, Ana D'Angelo, Larissa Garcia
Correio Braziliense


Quase dois terços da população brasileira, de todas as faixas de renda, estão endividados, apesar da redução das vendas no varejo. As famílias abusaram do cartão de crédito e dos carnês de lojas — com base em parcelas que supostamente caberiam no bolso — apesar da alta da inflação e do crédito mais caro, que reduziram o poder de compra do salário. A pesquisa Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), aponta que, em maio, a proporção de brasileiros com dívidas subiu para 64,5%, contra 62,6%, em abril, e 58,7%, em maio de 2010. Desses, 24,4% estão com débitos em atraso, o que representa aumento em relação a abril, quando o percentual ficou em 23,4%. Outro dado preocupante é que 8,6% das famílias declararam não ter condições de pagar seus compromissos, o maior índice do ano.

Os brasileiros também estão gastando cada vez mais nos cartões de crédito, e a inadimplência, que estava em queda, já retomou o ritmo de alta neste ano. A maior parte dos débitos, 71,5%, é justamente nos cartões de crédito. Em março deste ano, o total devido pelas famílias para as administradoras do setor alcançou R$ 97,4 bilhões, entre faturas a vencer e roladas com juros. Em março de 2010 e de 2009, esse valor estava bem menor: R$ 86,5 bilhões e R$ 68,5 bilhões, respectivamente, de acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços.

Texto integral para assinantes do Correio Braziliense aqui.

Segundo turno para eleição de prefeito de Santarém não ocorrerá em 2012

Aritana Aguiar
Repórter de O Estado do Tapajós


As eleições para prefeito em 2010 não devem ter segundo turno em Santarém. A regra vale quando o colégio eleitoral ultrapassaa marca dos 200 mil eleitores, o que ainda está longe de ser alcançado. Atualmente o município possui 186.243 eleitores. Até inicio de maio de 2012 se encerra o alistamento eleitoral e muitos eleitores farão transferências de domicílio e a própria Justiça Eleitoral fará cancelamento de títulos.

De acordo com o chefe do cartório da 104ª Zona Eleitoral de Santarém, Hugo Leonardo Souza, é praticamente impossível haver o 2º turno. "Seria necessário um crescimento de 20%, aproximadamente umas 30 mil pessoas teriam que entrar para votar em Santarém", afirmou.

Em 2008, Santarém possuía 190.764 eleitores, em 2009 houve um aumento para 195.598, em 2010 houve redução do eleitorado para 185.272, por causa da criação do município de Mojuí dos Campos.
Hugo explica que um ano antes de cada eleição os corregedores dos tribunais eleitorais fazem uma avaliação, calculam o crescimento populacional e comparam com o crescimento de pessoas que tentam transferir o domicilio eleitoral ou retirada de títulos, para que não haja irregularidades. 

"Quando a pessoa vai transferir o titulo de eleitor ela tem que comprovar que domicilia no local no mínimo há seis meses", informou. Ou seja, para que se chegar ao 2º turno em Santarém no pleito de 2012 em pouco tempo teria que vir uma grande quantidade de eleitores para transferir o titulo ou os adolescentes fazerem emissão. 

De acordo com Hugo, diariamente uma média de 20 a 30 pessoas vão ao cartório, mas apenas 50% é que procuram emissão de títulos, o restante vai solicitar certidão de emissão do titulo, ver como está sua situação para regularizá-la, requerer algum tipo de documento quando é solicitado pela faculdade, trabalho, concurso, entre outros.

Hemodiálise do Hospital Regional: redução de custo, nem tanto!


Leitor que preferiu o anonimato comenta que apesar da Sespa anunciar a repactuação dos valores contratados pela ProSaúde com a empresa paulista Gamso para os servições de hemodiálise do Hospital Regional do Baixo-Amazonas, que segundo o deputado estadual Alexandre Von está superfaturado, sustenta a tese de que mesmo com a redução do valor desse contrato o custo do serviço está acima da tabela paga pelo SUS:

Mesmo após essa redução, o Serviço de Hemodiálise do HRBA administrado pela empresa GAMSO, contratada da Pró-Saúde, continua superfaturado. É só fazer as contas: uma sessão de hemodiálise pelo SUS custa R$155,00. O hospital tem aproximadamente 70 pacientes em hemodiálise. Cada paciente faz em média 13 sessões por mês. Portanto, serão 910 sessões / mês. Valor total: 910 x R$155,00 = R$141.050,00. Mesmo considerando um valor de sessão em torno de R$200,00 ainda assim teremos como custo mensal total: R$182.000,00. Portanto, qualquer valor acima disso precisa ser muito bem justificado. 

Outro leitor informa que além do superfaturamento do contrato com a Gamso existem outras terceirizações que encarecem os serviços prestados por empresas contratadas pela ProSaúde:
 
Parabéns ao jornalista por denunciar essas irregularidades que acontecem nos bastidores do hospital regional, mas saibam que isto é a ponta de um iceberg. Existem muitas outras tercerizações (UTI, Laboratório, oncologia, hemodiálise....)que estão sugando o dinheiro do povo. Espero que o governo abra o olho para o roubo de dinheiro público. Parabéns

Força do rio Amazonas provoca 'terras caídas'


Boa parte da escadaria da comunidade de Aninduba, município de Santarem, já foi levada pela força das águas do rio Amazonas, nesta época de enchente.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Projeto do plebiscito do Tapajós entra em pauta quarta-feira na Comissão de Justiça do Senado


O deputado federal Lira Maia(DEM-PA) informa que o projeto de decreto legislativo originário do Senado, aprovado pela Câmara, que autoriza a realização de plebiscito para a criação do estado do Tapajós está na pauta ordinária da próxima quarta-feira da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal.

Von torna-se membro do conselho universitário da UEPA e encaminha pleito dos acadêmicos de Santarém


O deputado estadual Alexandre Von(PSDB) assumiu hoje, por ocasiãos dos festejos dos 18 anos de criação da UEPA, a representação da Assembléia Legislativa no conselho universitário daquela instituição.

Em sua primeira manifestação como conselheiro, Von solicitou à reitoria da UEPA a instalação do laboratório de cirurgia experimental do curso de Medicina de Santarém.
 

Alter do Chão, bonito até debaixo d'água

Alter do Chão, Santarém, nesta época do ano em que se dá o período da enchente do rio Tapajós

Titular da Secom informa que contrato de hemodiálise do Hospital Regional foi reduzido em R$ 400 mil



Pelo twitter, o secretário de comunicação do governo do Estado, Ney da Conceição Messias, informa que a Sespa reduziu em R$ 400 mil o valor do contrato do serviço de hemodiálise do Hospital Regional do Baixo-Amazonas, administrado pela OS ProSaude, cujo superfaturamento foi denunciado pelo deputado Alexandre Von(PSDB) no final de fevereiro deste ano.

Entidade não explica como gasta metade do dinheiro proveniente da lavra da bauxita


Clique na imagem abaixo para ampliar.


Hospital Regional de Santarém: ProSaúde não é o que parece

Miguel Oliveira  


A versão difundida pelo diretor Herberth Moreshi de que está havendo pressão política para o afastamento da ProSaúde da administração do Hospital Regional do Baixo-Amazonas esconde, de fato, uma guerra de bastidores que vem sendo travada desde o governo Ana Júlia.

Para relembrar, a ProSaúde, atual gestora, foi a terceira Organização Social classificada pela licitação aberta pela Sespa, em dezembro de 2006 mas, surpreendentemente, foi habilitada após o descredenciamento da OS Maternidade do Povo, primeira colocada, e de uma OSCIP do Paraná, que gerenciou o HRBA por alguns meses, até que a Sespa entronizasse a Pro Saúde naquele hospital, já no governo Ana Júlia.

De lá para cá o que se assistiu no Hospital Regional foi a um festival de denúncias de superfaturamento de serviços, greve de médicos por atraso de salários, negativa de prestação de contas perante a sociedade civil e poder legislativo, bem como o retardamento da prestação de serviços de alta complexidade, quando não a sua própria não efetivação.

Não se pode confundir, no bojo dessa discussão, que terceirização da administração do Hospital Regional do Baixo-Amazonas seja transformada numa privatização, com o governo pagando os custos e a ProSaúde administrando o HRBA como se fosse um ente particular, cuja gestão esteja acima do bem e do mal. Desde semana passada, o HRBA afixou placas de outdoors pela cidade informando que se credenciou junto ao organismo nacional do câncer, omitindo o nome da Sespa e negando que essa conquista foi obtida pelo governo Simão Jatene. Até a logomarca do estado do Pará foi usada de forma indevida.

Há vários meses, noticiei mais um escândalo da ProSaúde, sem que a Sespa tenha tomado providências de apurar e de vir a público fazer os esclarecimentos necessários. O serviço de hemodiálise que é contratado pela ProSaúde custa aproximadamente 750 mil reais e é executado pela firma paulista Ganso, sendo que o mesmo serviço pode ser efetuado por menos de 300 mil reais.

Some-se a essa farra com o dinheiro público, por exemplo, a demora na transferência de pacientes na Emergência do Hospital Municipal de Santarém para o Hospital Regional, e as cirurgias cardíacas. O HRBA dispõe de um especialista no hospital regional, mas que este não está podendo fazer as cirurgias cardíacas por falta de condições de trabalho. O que a ProSaúde exige da Sespa para implantar essa especialidade é um aditivo de R$ 300 mil reais a um contrato sabidamente superfaturado no governo passado.

Por fim é bom lembrar: Esses arroubos da direção do HRBA visam, apenas, desviar o foco das atenções para que o referido contrato seja renovado. A qualquer custo.

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Atualização às 15h30.


Pelo twitter, o secretário de comunicação do governo do Estado, Ney da Conceição Messias, informa que a Sespa reduziu em R$ 400 mil o valor do contrato do serviço de hemodiálise do Hospital Regional do Baixo-Amazonas, cujo superfaturamento foi denunciado pelo deputado Alexandre Von(PSDB).

Plebiscito divide PT no oeste do Pará


O deputado estadual Zé Maria(PT), com base política em Juruti, anunciou que é favorável à realização do plebiscito para a criação do estado do Tapajós.

Mas o deputado Airton Faleiro(PT), que também tem bases eleitorais no Oeste do Pará, não diz sim nem não, muito pelo contrário. Até agora.

Definidas as datas do Enem

Agência Estado:

As duas próximas edições do Enem serão realizadas nos dias 22 e 23 de outubro e em 28 e 29 de abril. A data da segunda edição do exame em 2012 não foi definida por causa das eleições municipais. Como os locais de prova são os mesmo utilizados para votação e ainda há dúvidas sobre a capacidade de realizar o Enem entre o primeiro e o segundo turnos, o Ministério da Educação resolveu deixar a questão em aberto.

O anúncio oficial sobre as datas do Enem será feito nesta quarta-feira em Brasília pela presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Malvina Tuttman. No edital do exame, que será publicado na quinta-feira no Diário Oficial da União, o Inep vai reafirmar o veto a pedidos de revisão ou vistas de provas. O instituto, porém, vai condicionar a proibição, que já existia em anos anteriores, a uma manifestação oficial da Justiça.

Este ano, houve recursos à Justiça no Rio, em Minas, São Paulo, Ceará e Pernambuco pedindo vistas de provas do Enem, movidos tanto por particulares, quanto pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública. Nas suas alegações, o Inep argumentou que a dimensão do Enem, que teve cerca de 4,6 milhões de inscritos, torna inviável os pedidos de revisão ou vistas de prova. 

Onde os rios levam vidas em percurso (Final)

Guilherme Guerreiro Neto

 
Canoas, avistadas ao longe, se aproximam. Proliferam-se com rapidez. Mulheres remam para alcançar o navio. Junto delas, crianças. Num implorar amazônico, os curumins soltam gritos agudos e balançam os bracinhos como se fossem asas. Dá-se início a um ritual de solidariedade feito sem palavras. Passageiros e tripulantes arremessam sacos plásticos com roupas usadas. Os sacos caem no rio e logo vão para as mãos de novos donos. A velha roupa de uns, vira roupa nova para outros.

    Ribeirinhos em busca de  novas roupas velhas
                           

Prelúdio de mais uma noite. A animação, atiçada desde cedo pelas cervejas, aumenta ao pôr do sol. O tecnobrega, som originário da periferia de Belém, quase monopoliza o DVD do bar no passadiço. Os japoneses entram na farra; dançam e entornam latinhas ao lado dos brasileiros. Com as de sexta, Francisco Vieira contabiliza 30 cervejas esvaziadas por ele. É hora de parar. “Tem que chegar lá limpo. A patroa é meio braba comigo.”
Há muitos motivos que levam as pessoas a fazer de barco um percurso como este, de Santarém a Belém. Ir por terra é improvável. Não existe estrada que faça ligação direta entre as cidades. É preciso descer até a Rodovia Transamazônica e passar por Altamira e Tucuruí, o que além de ser desvio de caminho é baita dor de cabeça, considerando as péssimas condições da estrada.
Ir de avião é mais caro – às vezes, pouca coisa – e deixaria muitos que quase não saem da própria cidade com frio na espinha só de pensar em voar. A economia de tempo é grande: os dois dias na embarcação viram uma hora e 20 minutos de voo.
No navio é diferente. Os rios são extensões da casa dos moradores da região – embora haja quem fique apreensivo, como Jacina. Pode-se levar muito mais bagagem do que seria permitido por companhias aéreas. Francisco acrescenta uma justificativa: “Eu prefiro vir de barco porque a gente faz muita amizade. É uma economia e uma diversão. Melhor do que ficar sentado no avião sem falar com ninguém.”

Odirene da Silva e Rogério Soares


Calados, eles entram no convés. Parecem ter saído do nada e se materializado nos fundos da embarcação. Rogério Soares e Odirene da Silva estão casados há nove meses. Vivem em comunidade perto de Breves, no Rio Tajapuru. Foram visitar a avó dele e, na volta para casa, conseguiram enganchar a canoa no Nélio Corrêa. Uma carona para diminuir o tempo gasto no caminho.
Os dois têm uma casa de madeira com fogão à lenha. Sem geladeira, sem televisor, sem rádio. Ainda não chegou luz elétrica por lá. Odirene, com 17 anos, senta no batente do navio que dá para o rio e apoia os pés descalços sobre a mesa da cozinha. Rogério mantém o braço esquerdo suspenso, seguro a uma trave de aço, enquanto fala da vida. Ele não sabe ler. Sobrevive da venda de açaí a três reais o litro.
“Qual é o teu sonho?” A pergunta que faço o paralisa. Rogério abre um sorriso largo, mas não responde. Fica pensativo. É como se, aos 22 anos, ele já tivesse desistido de sonhar. Ou nem isso: desistir é trunfo de quem, um dia, se permitiu olhar para além do presente. Mesmo diante da escuridão, eles sabem quando é hora de ir. Partem em silêncio, como chegaram. Talvez pensando nos sonhos que não têm.
De manhã, mais um pequeno barco encosta e é amarrado no navio. Pai, Raimundo dos Santos, e filho, Carlos Alberto, estão cercados por cadeiras feitas de cupiúba. Vieram vender a mercadoria, os preços variam de 15 a 30 reais. Um fica embaixo enquanto o outro se pendura no Nélio Corrêa para passar as cadeiras.

Raimundo e Carlos Alberto dos Santos


Carlos Alberto faz o segundo ano do ensino médio. Quer ser engenheiro ou trabalhar com eletrônica. Veste camiseta vermelha e bermuda jeans de barra esgarçada. No rosto, a marca de um acidente de infância. Aos 11 anos, pegou a espingarda do tio. A arma estava carregada e, num descuido, disparou. A bala atingiu o olho direito do menino, sem chance de recuperação. Ele e o pai vão embora com cadeiras sobrando da venda de domingo.
Passa o Rio Pará. A entrada na Baía do Guajará é tranquila, sem sobressaltos. O fim da viagem se aproxima e os passageiros têm reclamações a fazer. José Edson de Oliveira, pintor, não gostou da alimentação nem do espaço apertado para dormir. As belas paisagens que circundam o navio por todo o percurso pouco aliviam os problemas. “Era para ser um paraíso, mas é um inferno.”
O comerciante Raimundo Costa também reclama da superlotação. Na primeira noite, dormiu pouco por conta do aperto. A Capitania dos Portos vistoriou o navio antes da saída de Santarém. Mas, segundo a tripulação, basta não ter redes atadas nas laterais para que a embarcação seja liberada. “Eles (tripulantes) pediram pra tirar as redes que tavam nos corredores pra Capitania achar que tava tudo normal. Tive que tirar a minha”, conta Raimundo.
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A chuva de sempre cai no desdobrar da tarde. Já se vê Belém surgir por trás de uma ponta de floresta. Para um homem da Amazônia urbana, como eu, é um novo modo de enxergar a cidade. Os passageiros desatam as redes, juntam a bagagem e, de barba feita e cabelos penteados, se prepararam para desembarcar. Fim do encontro traçado pelos rios. As vidas, que por dois dias dividiram o mesmo convés, agora seguem percurso separadas.

A bandeira nacional hasteada de ponta-cabeça


A bandeira nacional continua a tremular na popa. De ponta-cabeça, como esteve durante toda a viagem. Por aqui, é assim: quem é da Amazônia vive num Brasil invertido, do avesso. Visto ora como exótico, ora como quintal, ora como intocável. Um Brasil dessa gente que constrói o país com discrição, sem reconhecimento ou recompensa. E continua a navegar.

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Acompanhe as postagens anteriores desta série.

2a. parte
3a. parte

terça-feira, 17 de maio de 2011

Projeto LBA em Santarém difunde conhecimento junto a comunidade

Clique na imagem para ampliar.

APA de Alter do Chão ganha conselho gestor


A prefeita de Santarém Maria do Carmo Martins Lima assinou decreto criando as atribuições do Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental (APA), de Alter do Chão, que deve tomar posse o dia 01 de junho, iniciando as comemorações da semana do meio ambiente.

A informação foi repercutida na Câmara Municipal pelo vereador Valdir Matias Jr(PV). " A instalação do conselho da APA, a gente precisa que esse instrumento realmente funcione bem para garantir que Alter do Chão cresça, se desenvolva, gere ocupação, renda para os seus moradores, de forma organizada, equilibrada, sustentável, sem poluir e devastar.”

Ideflor analisa pedidos de exploração de 150 mil hectares no Baixo Amazonas


O Instituto de Desenvolvimento Florestal do Pará (Ideflor) faz, nesta terça-feira (17), a sessão de licitação para concessão de 150,9 mil hectares de áreas de florestas localizadas nas glebas Mamururu-Arapiuns, no oeste paraense. A sessão acontece no auditório do Centro Integrado de Governo (CIG), às 14 horas. A entrega da documentação exigida e as propostas foram recebidas até as 11 horas de hoje, na sede no Ideflor ou via Correios.

Durante a sessão, a Comissão Especial de Licitação formada por servidores do Ideflor vai fazer a conferência da documentação apresentada e das propostas. A análise será feita ao longo da semana, em reuniões internas. A expectativa é que o resultado seja divulgado até o fim desta semana, no Diário Oficial do Estado.

A concessão florestal é um instrumento previsto na Lei de Gestão de Floresta Públicas, ou Lei no. 11.284/ 2006, que contribuirá para a oferta de madeira legalizada, gerando arrecadação para o Estado e trazendo benefícios para toda a sociedade. “A partir de agora existirá um mecanismo para a oferta de áreas públicas de floresta para o setor privado de maneira legal, com garantia e estabilidade jurídica", diz o diretor geral do Ideflor, José Alberto Colares.
"É uma alternativa legal que aproveita a floresta nativa beneficiando o patrimônio público e a sociedade, uma vez que implica a geração de renda que será revertida para as comunidades locais. O importante também é que a floresta não deixará de ser pública”, conclui.
(Texto: Flávia Ribeiro - Ideflor)

Governo do Estado socorre vítimas em Itaituba

Feridos sendo socorridos pelas forças de segurança. Foto: Anderson Pantoja

O secretário de Segurança Pública, Luiz Fernandes Rocha, embarcou na manhã desta terça-feira (17) para Itaituba, onde vai verificar, in loco, os prejuízos causados pelas chuvas na Vila de Miritituba. Quatro pessoas morreram em decorrência de deslizamentos havidos naquela região. Juntamente com o secretário, viajaram o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Luis Claudio Sarmanho, e a secretária-adjunta de Assistência e Desenvolvimento Social, Meive Piacesi. 

O município, na região Oeste do Pará, foi castigado pelas chuvas nos últimos dias. “O tempo ainda está muito fechado. Provavelmente haverá mais chuvas, por isso estamos retirando todos da área”, explicou o comandante do 7º Grupamento de Bombeiros Militar, capitão Tito da Silva Azevedo.

Cinco casas foram soterradas no deslizamento em Miritituba. Os moradores da área foram encaminhados para o Ginásio Poliesportivo de Itaituba e casas de familiares. Dez vítimas foram resgatadas pelos bombeiros da região, que trabalham com o apoio da Polícia Militar e do Exército. Ainda há riscos de desabamentos.(Texto: Agência Pará)